Reação do mercado abre diálogo com o Governo

Por Denise Bueno em 14/07/2010

*matéria do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)

Ganhou espaço a discussão sobre a estatal e a ação da CNSeg se mostrou acertada. A ampla divulgação abriu caminho para um diálogo com o governo. Após receber críticas do setor de seguros, o governo recuou na intenção de criar uma nova estatal por meio de medida provisória e decidiu enviar ao Congresso Nacional um projeto de lei propondo a criação da nova empresa, retirando o texto que ampliava a atuação da EBS para várias ramos e limitando a atuação estatal em determinados nichos. A seguradora pública vai trabalhar nos ramos de infraestrutura, interesse social (como crédito para micro e pequenas empresas) e exportação.

A decisão do governo foi anunciada na noite desta terça-feira, 13, depois que os principais jornais do País publicaram que a CNSeg era totalmente contra a criação da seguradora estatal. A CNSeg considera que a medida é inoportuna e representa um claro conflito de interesses uma vez que põe o Brasil na singular condição em que o Governo se transforma em segurador de seus próprios contratos, assumindo os riscos de seus próprios empreendimentos. Quem paga a conta é o Tesouro Nacional, ou seja, o contribuinte.

O ministro Guido Mantega e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, chamaram a imprensa após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde de ontem. “Vamos mandar um projeto de lei”, disse o ministro Paulo Bernado à Agência Brasil, após reunião com o presidente Lula. Segundo o ministro, o governo pretende defender a proposta de criação da nova estatal como forma de dar mais segurança ao setor. “Temos que defender a nossa proposta de que o governo está certo. Achamos que isso vai dar mais segurança, mais abrangência e vai baratear o seguro. Portanto, vamos defender. As críticas são inevitáveis, mas são normais”, disse à Agência Brasil.

Mantega disse ainda que a intenção do governo “não é para competir com a iniciativa privada e sim atuar em parceria para suprir a falta de seguro para infraestrutura, para o avanço do programa Minha Casa Minha Vida, para empreendimentos da Petrobras”, afirmou. A previsão de Mantega é de que a seguradora estatal entre em operação no próximo ano, após ser discutida no Congresso Nacional, uma vez que será encaminhada como Projeto de Lei.

 

 

“Governo deve repensar assunto”, sugere CNSeg

Por Denise Bueno em 14/07/2010

jorge-hilarioÉ uma péssima notícia e não podemos nos conformar com o governo querendo abrir uma seguradora estatal. Assim Jorge Hilário Gouvea (foto), presidente da CNSeg iniciou a sua entrevista concedida ao telejornal Conta Corrente, transmitido pela GloboNews ontem. Segundo ele, é necessário saber o que o governo pretende e a reunião proposta pelo Ministro da Fazenda Guido Mantega com executivos do setor de seguros dita em entrevista aos jornalista é bem vinda.

“A justificativa dada pelo governo para a criação da estatal é de que o mercado não tem capacidade para absorver riscos de grandes projetos, como Minha Casa Minha Vida ou da Petrobras. Afirmo que o mercado tem capacidade para absorver os riscos não só no Brasil como também no exterior”, disse Jorge Hilário durante entrevista com o jornalista Sidney Resende.

“Estamos dispostos a sugerir ao governo para que os fundos que serão usados para a criação da estatal, que totalizam quase R$ 18 bilhões, sirvam de garantias adicionais aos contratos de seguros caso haja necessidade”, comentou. Segundo ele, caso se comprove que o mercado não tem capacidade, então as seguradoras privadas poderiam recorrer a esta linha adicional, que funcionaria como uma linha de crédito, nos moldes do que já foi praticado no passado. Com a abertura do mercado de resseguro esta linha foi encerrada, mas poderia ser restabelecida em caso de eventual necessidade. “É isso que vamos propor”, disse Jorge Hilário.

Se o mercado tem capacidade, o jornalista questionou o presidente da CNSeg sobre o que poderia estar por traz desta medida. “Não sabemos, pois a medida provisória a que tivemos acesso diz que a estatal atuaria em outros nichos, como seguro para pequenas empresas, residencial, ou seja, ramos atendidos plenamente pela iniciativa privada. Então nos faz pensar que o governo quer atuar em todas as áreas que são privadas”, afirmou.

A ação do governo é motivo de grande preocupação, principalmente por ser este um ano eleitoral. “É tudo muito confuso. Nada está claro”, sintetizou Jorge Hilário. Segundo o jornalista, esta discussão poderia ser tema para o ano que vem, no início de um novo governo. Afirmação com a qual o presidente da CNSeg concordou. “É claro que o governo deveria pensar melhor nisso e propor um projeto de lei para ser discutido com toda a sociedade. No apagar das luzes fazer uma medida provisória é negar todos os passos que vinham sendo dados no sentido da globalização, como foi com a abertura do resseguro”, finalizou Jorge Hilário.

 

 

Cosseguro amplia oferta de garantia, diz Zurich

Por Denise Bueno em 08/06/2010

parceira“Estou certo de que o mercado nacional tem capacidade de ofertar seguro garantia para as obras de infraestruturas do Brasil. E um dos principais instrumentos para entregar aos clientes o contrato que precisam é o cosseguro”, afirma o diretor de seguros patrimoniais da Zurich Seguros, Luciano Calheiros.

Este será o tom da discussão na palestra que realizará no evento “Resseguro e Cosseguro no Novo Contexto do Mercado Brasileiro”, promovido pela Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR), no dia 9, às 14h30, no Auditório da CNSEG no Rio de Janeiro.

No encontro, estarão reunidos corretores, seguradoras, clientes e outros agentes do mercado de seguros para debater as principais mudanças trazidas pela abertura do mercado de resseguros e também debater o principal tema da indústria de seguros atualmente: a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS) pelo governo. Segundo o governo, a seguradora estatal visa apoiar os contratos que não forem suportados pela iniciativa privada. Afinal, são quase R$ 1 trilhão previstos em investimentos até 2014.

O diretor da Zurich explica que no cosseguro, as seguradoras dividem os riscos de determinada apólice ou programa. “Quando o mercado de resseguros era fechado, o Cosseguro não tinha um impacto tão grande, uma vez que o resseguro da operação era obrigatoriamente feito pelo IRB. Agora que o mercado é aberto, as capacidades das seguradoras são somadas, já que as companhias podem buscar outras resseguradoras, o que expande o volume de risco que pode ser coberto”, explica em nota divulgada pela empresa.

Um exemplo deste formato de operação foi o programa de seguros de Riscos de Engenharia e Seguro Garantia da construção da Usina de Santo Antonio, no Rio Madeira. O volume segurado foi superior a R$ 10 bilhões e foi viabilizado por um pool de seguradoras e resseguradoras, do qual a Zurich faz parte.

“Acredito que esse é o caminho para as demais grandes obras como a Usina de Belo Monte e o Trem de Alta Velocidade. O mercado segurador é um importante viabilizador de investimentos e do desenvolvimento econômico. O mercado segurador brasileiro está pronto para fazer frente à demanda que se apresenta”.

 

 

Dia Continental do Seguro é comemorado hoje*

Por Denise Bueno em 14/05/2010

119553038290ozqs1*matéria do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)
O mercado de seguros comemora hoje, 14 de maio, o “Dia Continental do Seguro”. A data, instituída há mais de cinquenta anos para estimular a aproximação entre os profissionais de seguros das Américas, deve servir também para destacar a importância do seguro.

No Brasil, o mercado segurador, que fechou 2009 com 196 empresas em atividade, teve uma receita de R$ 109,25 bilhões em prêmios, contribuições e títulos de capitalização, apresentando um crescimento de 14,91% sobre o exercício imediatamente anterior. Em contrapartida, devolveu à sociedade, em forma de pagamento de sinistros, benefícios e resgates, R$ 39,7 bilhões, montante 11,41% superior ao de 2008, confirmando mais uma vez seu papel de fomentador do desenvolvimento econômico e social do País.

Nesse sentido, vale lembrar que ainda que o mercado nacional, ainda em 2009, aplicou R$ 306,1 bilhões em investimentos, 9,7% do PIB, uma clara demonstração do peso da atividade para a economia nacional.

 

 

Quem comandará a política do setor em 2010?

Por Denise Bueno em 11/12/2009

1173996187i0343l1As vezes nos deparamos com aquela pergunta que não quer calar. Quem será o presidente da CNSeg? João Elisio Ferraz de Campos deixará a presidência da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg, ex-Fenaseg), depois de quase 17 anos a frente da principal instituição da indústria de seguros. Jorge Hilário, membro do conselho da SulAmérica, foi nomeado para assumir o comando da principal entidade do setor, responsável por centralizar as políticas e estratégias de uma indústria que movimenta R$ 100 bilhões em vendas e que prevê crescer a um ritmo de 20% nos próximos anos.

É certo que o advogado Hilário, afastado do dia a dia do mercado há anos, apenas guarda o lugar de quem assumir a presidência da SulAmérica. E quem será ele? Isto leva a uma outra pergunta: O que acontecerá com a SulAmérica? Seu sócio ING já anunciou que venderá todas as operações de seguros no mundo.

A centenária seguradora da família Larragoiti saiu da parceria que tinha com o Banco do Brasil, sendo substituída pela espanhola Mapfre Seguros. Aliás, este é o único entre os seis maiores grupos seguradores do Brasil que ficou de fora do centro do poder, que tem como sustentáculo as quatro federações.

Na terça-feira, as federações nomearam seus presidentes. Em uma eleição com chapa única, o presidente da Bradesco Seguros e Previdência, Marco Antonio Rossi, assumirá a presidência da Federação Nacional de Vida e Previdência (Fenaprevi), até então ocupada por Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre Seguros. Esta é a entidade mais abonada de todas, consolidando o segmento de vida e previdência privada, que representa mais de 40% de todo o setor.

Uma boa notícia para os jornalistas e também para o vice-presidente da Fenaprevi e da SulAmérica, Renato Russo, é que Osvaldo do Nascimento, do Itaú, volta a compor a diretoria da Fenaprevi. Osvaldo presidiu a Anapp (atual Fenaprevi) e tem sempre disponibilidade e notícias frescas para atender a imprensa. Em 2009, com o presidente da Mapfre envolvido em tantas negociações, toda a demanda da imprensa foi atendida por Russo, que merece um grande troféu da Fenaprevi.

Na Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), Jayme Brasil Garfinkel, principal controlador da Psiupar, a maior do setor em ramos elementares e controlada pela Porto Seguro e pelo Itaú, foi reeleito para o seu segundo mandato. Aqui temos outro segmento importante, com quase 40% de participação. A Fenseg também responde pelo resseguro e por assuntos que envolvem o tema mudanças climáticas.

A principal carteira é automóvel. Mas a expectativa com seguros financeiros é grande em razão dos seguros demandados pela realização dos dois mundiais esportivos, Copa e Olimpíadas, obras de infraestrutura e aquecimento do mercado acionário, com IPOs e emissões de papéis de empresas. Para se ter uma idéia, só com os leilões de energia a Allianz emitiu quase 70 apólices de seguro garantia e a JMalucelli outras 120.

Ricardo Flores, vice-presidente de crédito do Banco do Brasil e também da Brasilcap, permaneceu na presidência da Federação Nacional de Capitalização (Fenacap). Flores tem ocupações mais relevantes neste momento, uma vez que o crédito é a menina dos olhos do presidente Lula. Obviamente está na Fenacap apenas por uma questão estratégica, enquanto o BB finaliza a reengenharia financeira do grupo na área de seguridade.

O banco oficial já tem parceria com a Mapfre para ramos elementares e vida e aguarda o sinal verde do governo para aumentar a sua fatia no IRB Brasil Re. Também negocia a sociedade em de saúde na Brasilsaúde com a SulAmérica. Em previdência, já renovou por mais 23 anos com a americana Principal. Em capitalização, o BB detém a liderança do setor e também revê suas parcerias, devendo ficar na Fenacap a nova sócia.

Heráclito de Brito Gomes Junior, presidente da Bradesco Saúde, assume a presidência da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), cargo que vinha sendo exercido por Geraldo Rocha Mello, da Medial Saúde. Em razão da Medial ter sido adquirida recentemente pela empresa de medicina de grupo Amil, Heráclito é o único que já assume o comando neste ano. Os outros, a partir de fevereiro. Este é um segmento que promete muitas notícias de fusões e aquisições para o próximo ano.

Ou seja, muitas notícias vão rolar até lá, esquentando este período de fim e início de ano, que para o jornalista é sempre morno, o que o faz estar sempre ávido por boas pautas até o início da publicação do balanço financeiro de 2009.

 

 

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