Projeto Estou Seguro realiza mutirão de coleta seletiva
Por Denise Bueno em 13/12/2011
O projeto Estou Seguro, da CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização) e do IETS (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), vai realizar um mutirão de coleta seletiva de lixo no dia 17, das 9h às 13h, na comunidade Santa Marta, em Botafogo. A iniciativa mobilizará aproximadamente 100 moradores da comunidade, que serão divididos em cinco equipes de limpeza, com apoio técnico de oito garis da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana).
O objetivo da ação é desenvolver entre os moradores conceitos de gerenciamento de riscos e prevenção de doenças e de acidentes pessoais. Este será o primeiro mutirão de coleta seletiva da segunda fase do projeto, de um total de quatro programados até o fim de 2012. “O nosso desafio maior é ampliar o acesso ao seguro às famílias de um estrato social que ganhou renda e consequente poder de compra nos últimos 10 anos. A proposta é orientar esses novos consumidores a planejar suas finanças para garantir suas conquistas e ter melhor qualidade de vida. E o seguro é uma ferramenta estratégica de organização financeira, que cumpre esse papel de proteger o patrimônio das pessoas e instituições”, explica a diretora-executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes.
O ponto de encontro será o campo de futebol do pico do morro. Às 9h30, será realizada uma Oficina de Material Reciclável com cerca de 100 crianças. A oficina será conduzida por quatro instrutores do Núcleo de Justiça Comunitária da comunidade, que vão ensinar a fazer brinquedos com sucata e a separar o lixo em suas casas. Paralelamente, os voluntários, divididos em cinco equipes, iniciarão o trabalho de coleta seletiva na Santa Marta.
A equipe Vala, com apoio da Comlurb, será responsável pela limpeza das valas da comunidade. O grupo Sabão em Pó vai lavar o chão por onde o lixo for retirado. A equipe Becos ficará responsável pela coleta nos becos, o grupo Vassouras fará a varrição do caminho principal e a equipe Aromatizadores do Bonde vai amenizar o mau cheiro por onde o lixo é transportado. Também participam desta ação coletiva a Associação de Moradores da Santa Marta, Grupo ECO, Núcleo de Justiça Comunitária, Posto de Saúde da Família, Igreja Batista e Grupo Jiu-Jitsu.
Além do mutirão de coleta seletiva, estão previstas para a segunda fase do projeto Estou Seguro – lançada em 6 de novembro – outras atividades, entre elas: instalação de quiosques móveis para orientação sobre seguro; distribuição da cartilha Família Estou Seguro, preparada a partir da identificação das necessidades de proteção às conquistas das famílias da comunidade; ações na Casa do Seguro, espaço para interação com os moradores; e cursos de habilitação para corretores de Vida e Capitalização para moradores do Santa Marta.
Projeto Estou Seguro
O projeto Estou Seguro foi concebido a partir de um convite da OIT (Organização Internacional do Trabalho). O projeto foi selecionado em 2008 entre 18 propostas inscritas na categoria Educação para a seleção internacional organizada pela OIT, voltada para a promoção de iniciativas pioneiras na área de gestão de risco para populações de baixa renda.
Com foco em seguros, o Estou Seguro visa aumentar a percepção da população de baixa renda sobre a importância do seguro como instrumento de organização financeira, além de apontar os riscos a que estão expostos. Outro objetivo definido para a segunda fase do projeto é desenvolver novos produtos de seguro voltados especialmente para a população de baixa renda.
Na primeira fase, que contou com a adesão de 17 seguradoras, foi realizado um levantamento socioeconômico em três comunidades cariocas (Santa Marta, Chapéu Mangueira e Babilônia) sobre os riscos de perdas financeiras e a percepção dos moradores sobre seguros e gestão de riscos.
O projeto concluiu que, entre as 20 opções apresentadas, os produtos de seguro de maior interesse foram seguro de vida, funeral, saúde, de automóvel e motocicleta, residencial, de acidentes pessoais e seguro desemprego privado.
Microsseguros e seguros populares
A segunda fase do projeto Estou Seguro na comunidade Santa Marta acontece em um momento de perspectiva de desenvolvimento do mercado de microsseguros no Brasil. No dia 29 de novembro, o CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados) aprovou a regulamentação do microsseguro. “O que viabilizará definitivamente os seguros populares e iniciará o processo dos chamados microsseguros no Brasil, um mercado com potencial de mais de 100 milhões de novos consumidores”, diz Solange Beatriz. “Independentemente disso, a indústria de seguros já tem desenvolvido algumas ações para a implementação de seguros voltados para a população de baixa renda, seja com seguros populares ou seguros com características de microsseguros”, completa.
Indústria de seguros encerra 2011 com R$ 444 bilhões em reservas
Por Denise Bueno em 09/12/2011
O desempenho da indústria de seguros em 2011 superou a expectativa inicial dos executivos do setor em cinco pontos percentuais, passando de um crescimento de 12% para 17,1%. Sem dados consolidados do fechamento de dezembro, a previsão é chegar encerrar 2011 com faturamento de R$ 218,6 bilhões, informa Jorge Hilário (foto), presidente da CNseg, em almoço realizado com jornalistas na sede da entidade no Rio de Janeiro. “Isso mostra a força do setor, que soube reagir para driblar os efeitos da crise mundial”. O total de indenizações pagas a segurados somou R$ 106,3 bilhões, alta de 17% ante os R$ 90,8 bilhões observados no ano passado.
Em 2012, período visto pelos economistas como um ano difícil, a previsão da CNseg é de crescimento de 12,8%. Um indicador otimista se considerarmos a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% para o próximo ano. “Apesar da perspectiva de desaceleração da economia por conta dos efeitos da crise internacional, apostamos no avanço do setor para um faturamento de R$ 246,8 bilhões em razão de ainda termos um espaço muito grande para ocupar no que diz respeito a vender proteção para a sociedade brasileira”, disse.
Um dos desafios da CNseg em 2012 é intensificar a comunicação do setor com a sociedade. “Temos um peso importante para o país quando consideramos as reservas de R$ 444 bilhões, o que apresenta 11% do PIB. Isso significa uma forte contribuição para o desenvolvimento social e econômico do País”, ressaltou. “Somos um dos maiores administradores de poupança doméstica”.
Um dos destaques de 2012, segundo o presidente da CNseg, é a chegada de novos grupos estrangeiros interessados em operar no Brasil. “A crise traz oportunidades, como estimular as seguradoras internacionais a buscar novos mercados para obter crescimento diante do quadro de recessão dos países europeus e Estados Unidos”.
Entre as conquistas de 2011, Jorge Hilário citou a regulamentação do microsseguros, divulgada nesta semana pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) e a criatividade da indústria em lançar produtos inovadores, o que manteve o crescimento do setor mesmo com a desaceleração da economia a partir do segundo semestre do ano.
Marco Antonio Rossi, presidente da Fenaprevi e da Bradesco Seguros e Previdência, ressaltou o avanço da previdência privada e seguros de pessoas. “Temos muito para conquistar nesses dois segmentos, especialmente no devenvolvimento de produtos e na comunicação com o público de menor renda”, diz.
Segundo Solange Beatriz, diretora da CNseg, o projeto Estou Seguro, para desenvolver o microsseguros no morro Santa Marta, já conta com quase 200 apólices vendidas. “O principal objetivo é difundir a cultura de seguro na comunidade e não a venda”, explica. O aprendizado obtido com o projeto, que entrou na segunda fase em novembro, será levado para outras comunidades em 2012.
Em saúde, o crescimento das vendas estimulado pelo baixo índice de desemprego e aumento da renda da população, foi o grande destaque do ano, segundo Márcio Coriolano, presidente da Bradesco Saúde e da Fenaprevi. Outro ponto importante foi o foco dado pela Fenaprevi ao debate de melhorias na regulamentação. “Tem alguns aspectos que podem ser revistos para que o custo do plano de saúde se torne mais acessível para a população, principalmente a de menor renda”, acrescentou.
A saúde suplementar respondeu com R$ 89 bilhões do faturamento total de indústria, avanço de 12,5% “O segmento de pequenas e médias empresas foi o que mais cresceu”, frisa o executivo. Entre os tipos de planos, o maior avanço foi registrado nos planos com direito a internação em enfermaria, considerado o produto mais básico disponível na prateleiras das empresas de saúde.
Seguros gerais, o grande destaque ficou por conta do crescimento de seguros diferenciados, como responsabilidade civil, riscos financeiros, rural e habitacional. A carteira mais madura do setor, a de automóvel, acabou por registrar um crescimento modesto, pouco acima de 6%, segundo Neival Rodrigues, diretor da Fenseg, que esteve no almoço substituindo Jayme Garfinkel, presidente da Fenseg e da Porto Seguro.
Segundo ele, o grande desafio para 2012 será tornar os seguros de garantia, de crédito e de responsabilidade mais conhecidos da sociedade, bem como promover debates para tornar as cláusulas dos contratos de seguros mais simples e transparentes. “Temos de deixar claro para o consumidor o que está coberto e o que está excluído do contrato”, disse.
Em seguro de carro, novamente o apelo de tornar o preço acessível pauta o segmento. Uma das formas de reduzir custos da carteira está na aprovação de normas que viabilizem o seguro popular de carro. Segundo dados da Fenseg, 1,9 milhão de veículos foram roubados no Brasil neste ano, até outubro.
Desses, 890 mil foram recuperados. Os 1,01 milhão que não foram encontrados podem estar em desmanches ilegais. “Uma forma de baratear o seguro seria aprovar a lei de regulamentação dos desmanches”, diz. Há dois projetos em pauta no Congresso, sem previsão para serem votados.
A receita de arrecadação gerada por todos os títulos de capitalização deverá encerrar 2011 com um faturamento de R$ 13,55 bilhões, crescimento de 15,06%, em relação a 2010. As provisões técnicas deverão atingir o montante de R$ 18,6 bilhões, com um crescimento de 10,91%, segundo Joílson Ferreira, vice -presidente da Fenacap, que substituiu Paulo Rogério Cafarelli, presidente da Fenacap e vice-presidente do Banco do Brasil, no almoço com jornalistas.
Em 2011, estima-se que o segmento de capitalização irá retornar à sociedade R$ 11,1 bilhões, sendo R$ 729 milhões sob a forma de sorteios, para aproximadamente 300 mil ganhadores, e R$ 10,4 bilhões em resgates nesse período. Para 2012, a previsão inicial é de um crescimento da ordem de 15%, cuja expectativa é de repetir os bons resultados que deverão ser alcançados em 2011.
19 trabalhos concorrem ao Prêmio Antonio Carlos de Almeida Braga de Inovação em Seguro
Por Denise Bueno em 05/12/2011
Mais uma premiação para estimular estudos e projetos na área de seguros. Segundo comunicado da CNseg, os resultados da primeira edição do Prêmio Antonio Carlos de Almeida Braga de Inovação em Seguros, promovido pela federação, serão anunciados no almoço de confraternização das lideranças do mercado segurador, no salão Cristal do Copacabana Palace, no dia 14 de dezembro. Serão premiados os três melhores cases de inovação implementados por seguradoras ou corretoras de seguro com o objetivo de melhorar a qualidade dos produtos ou serviços junto ao consumidor.
Os vencedores receberão troféus e prêmios em dinheiro nos valores de R$ 15 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil, para 1º, 2º e 3º lugares, respectivamente. A comissão julgadora foi formada por cinco profissionais, com experiência e atuação nas áreas acadêmica, tecnológica, jornalística e de seguros, que se destacam por apresentarem uma visão diferenciada sobre inovação, sobre o mercado de segurados e o consumidor.
Concorrem ao Prêmio 19 trabalhos de todas as regiões do País que tiveram a eficácia da implementação comprovada. O evento contará com palestra sobre inovação de Silvio Meira, especialista em Tecnologia da Informação e um dos membros da Comissão Julgadora. O Prêmio Antonio Carlos de Almeida Braga de Inovação foi criado pela CNseg para estimular os atores do mercado segurador a buscar novidades e aperfeiçoar produtos e processos visando à satisfação do consumidor.
O que os consumidores podem esperar das seguradoras?
Por Denise Bueno em 25/05/2011
Essa é a pergunta que deverá ser respondida durante a Conseguro, principal evento da indústria de seguros brasileira, que será realizada nos dias 8 e 9 de junho, em Brasília (DF). Veja abaixo o release distribuído pela CNSeg com os detalhes do evento.
O “Consumidor do Futuro” será tema da 5ª Conseguro (Conferência Brasileira de Seguros, Resseguros, Previdência Privada, Saúde Suplementar e Capitalização), maior evento do mercado segurador brasileiro, que será promovido no Centro de Convenções Brasil 21 e reunirá mais de 500 participantes.
Nos 12 painéis previstos na programação, serão abordados temas como os microsseguros e os seguros populares; a expansão do acesso das famílias das classes C, D e E ao seguro; mudanças no perfil demográfico da população brasileira; as novas regras de solvência; o seguro garantia; o meio ambiente e o seguro de catástrofes; além dos seguros de saúde, vida e previdência.
O diretor da CNSeg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização) e coordenador da 5ª Conseguro, Pedro Bulcão, explica que as palestras e debates oferecerão perspectivas sobre os desafios e oportunidades para o mercado segurador brasileiro. “O Brasil está mudando rapidamente e a ascensão social vivida por milhões de brasileiros é uma fantástica prova disso. Mas, será preciso qualificar essa ascensão, gerando poupança, segurança, saúde e bem-estar para essas famílias. Esse papel é da indústria de seguros e é disso que vamos tratar no evento, entre outros assuntos”, afirma Bulcão. “Em outras palavras, vamos debater como o setor de seguros deve se preparar para servir à futura sociedade brasileira”, completa.
“Um dos maiores desafios hoje do mercado segurador é o combate à desinformação. O mercado segurador brasileiro está atento às mudanças da sociedade para aperfeiçoar a prestação de seus serviços e poder atendê-la cada vez melhor”, considera Jorge Hilário Gouvêa Vieira, presidente da CNSeg.
A 5ª Conseguro é promovida pela CNSeg, com o apoio da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais), FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), FenaSaúde (Federação Nacional de Saúde Suplementar) e FenaCap (Federação Nacional de Capitalização).
Entre os palestrantes, especialistas e executivos nacionais e internacionais: Daniel Goldberg (executivo, Morgan Stanley Brasil e ex-secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça); Robert Kerzner (Limra – Limra, Loma & LL Global); Eduardo Gianetti da Fonseca (economista); Hennie Bester (consultor do CENFRI – Centre for Financial Regulation and Inclusion); Rolf Steiner (vice-presidente senior da Swiss Re Brasil); Washington Novaes (jornalista); Michaela Koller (executiva, CEA- European Insurance and Reinsurance Federation); Patrick Kennedy (democrata, ex-congressista dos EUA); Alexandre Malucelli (executivo, Grupo J. Malucelli); Roberto Macedo (economista, professor da USP e da FAAP, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda); Eike Batista (Grupo EBX) e Steven Levitt (autor do livro Freakonomics).
Números do mercado segurador brasileiro
Ø Da totalidade do mercado segurador brasileiro – composto por 196 seguradoras, a CNSeg conta com 149 seguradoras filiadas, incluindo 15 dos maiores grupos de operadoras de planos de saúde, que representam 37,7% do setor de saúde suplementar.
Arrecadação
Ø O mercado brasileiro de seguros é o maior da América Latina, com movimentação de R$ 183,9 bilhões em 2010, representando 5,17% do PIB.
Provisões
Ø Até o fim de 2010, as seguradoras brasileiras formaram R$ 290,92 bilhões em provisões para fazer frente às indenizações de sinistros e pagamentos de benefícios atuais e futuros.
Desempenho do mercado e perspectivas de crescimento
Ø Nos últimos dois anos, o mercado apresentou crescimento robusto: 10,4%, em 2009, e 14,2%, em 2010.
Ø O crescimento do setor está intimamente ligado ao bom desempenho da economia. Por isso, a expectativa é de que o mercado continue crescendo nos próximos anos, com o avanço da renda e do desenvolvimento da economia brasileira.
Ø Mantidas as tendências de crescimento do PIB e estabilidade econômica, a CNSeg calcula que as vendas do mercado segurador devem atingir R$ 205 bilhões, em 2011, incluindo os segmentos de seguros gerais, previdência complementar aberta e vida, saúde e capitalização.
Ø Neste cenário, para 2011, o mercado de seguros projeta um crescimento de 12 %.
Entendimento, palavra-chave no seguro garantia
Por Denise Bueno em 09/12/2010
*matéria extraída do site da CNSeg www.viverseguro.org.br

A necessidade de se buscar entendimento entre as partes envolvidas no contrato foi o principal tema do I Encontro de Seguro Garantia (dia 6 e 7), realizado pela CNSeg, reunindo as principais seguradoras, representantes de tomadores e segurados, no auditório da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.
Questões sensíveis como prazo de vigência das apólices; a responsabilidade dos segurados de acompanharem os riscos dos projetos e notificarem as seguradoras a cada mudança de escopo ou de prazo; a indenização de sinistros em valores ou por meio da conclusão dos projetos; a excessiva alavancagem dos tomadores no cenário atual de grande número de obras; o gerenciamento de risco; a abertura dos contratos de resseguro para os segurados; a necessidade de se disciplinar o segurado, mas também de quebrar paradigmas para melhor atendê-lo; e ,finalmente, a mediação foram exaustivamente discutidos. O evento, que visa encontrar caminhos para o o desenvolvimento do Seguro Garantia no País, contou com intensa participação da plateia, que lotou o auditório e manteve em alto nível o debate.
Abrindo o seminário no segundo dia, foram apresentados casos práticos de dois tomadores, a Odebrecht, por meio de sua corretora OCS (Odebrecht Administração e Corretora de Seguros), e a Alston, fabricante de equipamentos para infraestrutura. Com faturamento de US$ 26 bilhões e US$ 35 bilhões em ativos, a Odebrecht atua em mais de 20 países e só no Brasil opera hoje com 70 contratos, todos cobertos com Seguro Garantia, que somam mais de US$ 19 bilhões de capitais segurados e cerca de US$ 3,3 bilhões em prêmios.
Segundo Luiz Barreto, vice-presidente da OCS, como o grupo sempre tem que dar garantias a terceiros, a sua diretriz é usar o Seguro Garantia pela credibilidade internacional que o produto tem. “O Seguro Garantia é menos volátil e, diferentemente da fiança bancária, é condicional. Todos os nossos gerentes de projeto estão orientados a convencer o cliente a aceitar o Seguro Garantia”, diz Barreto.
Ele alertou, porém, que, tendo em vista o volume de investimentos e projetos que o Grupo tem no Brasil, a demanda do seguro vai ser muito grande. “O mercado tem que tirar o foco do risco corporativo e colocar foco nos projetos. As empresas por si só não devem ser avaliadas. Não há balanço que comporte o nível de investimentos previstos”, recomenda.
Também representando um tomador, Valéria Toledo da Alston, levou para o debate alguns questionamentos. O primeiro deles é quando termina o prazo da apólice. No documento com certificação digital, está claramente expresso que a apólice termina na data prevista. Mas, nas apólices em papel, há dúvidas se ocorre na data fixada da apólice no prazo do projeto. Ela também defendeu uma maior clareza no processo de regulação de sinistro e sobre o pagamento de prêmios nos caso de apólices vencidas.
No painel dedicado aos grandes projetos de infraestrutura, Dinir Salvador, do escritório Azevedo Sette, levou para o debate a visão dos financiadores e sugeriu que os bancos deixem de ser classificados como beneficiários e passem a ser entendidos como co-segurados e que haja flexibilidade e livre negociação sobre se o pagamento do sinistro se dará por meio de valores ou com a conclusão dos projetos.
No mesmo painel, Danieli Gugelmin, representante da J. Malucelli Seguradora, defendeu a adoção não apenas do Compliton Bond, contrato guarda-chuva de financiamento do projeto, mas também o Performance Bond, como forma de uma maior controle operacional de toda a cadeia envolvida na execução dos projetos. “A gestão de risco na J.Malucelli é de baixo para cima. É muito mais eficaz gerir a base das EPCs do que a SPE que oferece basicamente risco de crédito”, diz Gugelmin.
Na parte da tarde foram discutidos a contratação regular estatal e o gerenciamento de riscos. No primeiro painel, Ricargo Gama, coordenador de seguros da Petrobras, embora tenha dúvidas sobre a capacidade do setor de garantir os grandes projetos da companhia, rechaçou a ideia da criação de uma seguradora estatal. Ele também aproveitou para dar uma boa notícia ao setor de que conseguiu excluir dos editais de seus processos licitatórios uma cláusula que a engenharia colocava que isentava os contratados de enviar às seguradoras informações sobre mudanças nos projetos. “Nós estávamos sendo prejudicados porque os contratados não conseguiam obter seguro e tinham que recorrer à fiança bancária, o que aumentava os custos da Petrobras. Hoje voltamos ao padrão técnico normal”, anunciou Gama.
Já Gladimir Poleto, do escritório Poletto & Possamai, Advogados Associados, elencou alguns dos principais aspectos do seguro garantia à luz da lei de licitações (Lei 8666); o Código Civil; a Lei 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito federal; e a Circular Susep nº 232/03. E defendeu uma harmonização de todas estas legislações.
Fechando o seminário, Luciano Neves Moraes, diretor de sinistro e responsável por Seguro Garantia na J. Malucelli, elencou as melhores práticas para um bom gerenciamento de risco. Para ele, o risco deve ser avaliado antes mesmo da emissão da apólice como forma de prevenção, acrescentando que, na J.Malucelli, a área de sinistros foi ampliada para um conceito de pós-venda, acrescentando que o grupo mantém em sua estrutura uma gerenciadora de risco.
“Monitoramos não apenas o processo de vistoria prévia, mas também o acompanhamento da performance do projeto. Muitas vezes conseguimos antecipar alguns problemas. A ideia é prevenir a ocorrência de um sinistro”, assinalou. E alertou que muitas vezes os direitos de segurados e tomadores se perdem porque muitas vezes deixam de analisar a apólice e mantê-la atualizada. Para ele, tanto tomador quanto segurado tem que ter uma perfeita visão do que a apólice permite e deles se espera que prestem informações. Mas ele defendeu os processos de mediação que, na empresa, têm conseguido grande sucesso com perfeita satisfação tanto da seguradora como dos segurados e dos tomadores.
Seguradores apoiam agência reguladora
Por Denise Bueno em 07/12/2010
Os seguradores são a favor da criação de uma agência reguladora para a indústria de seguros, dando apoio a Superintendência de Seguros Privados (Susep). “A agência ajudaria a preparar o mercado para a auto-regulamentação, um processo em curso e que deu mais um passo no mês passado, com a aprovação do Código de Ética pelas seguradoras”, contou Jorge Hilário Gouvêia (foto), presidente da CNSeg, durante coletiva de imprensa realizada com jornalistas hoje, em São Paulo.
Segundo o presidente, a Susep é um órgão regulador com características de autarquia. Um setor com tamanha importância merece ter a sua agencia reguladora”, frisou o presidente da CNSeg. Além disso, o setor tem sua regulação dividida também com a Agência Nacional de Saúde (ANS) e com a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). “Uma indústria desse tamanho precisa de um programa de Estado”, diz Hilário. Ter uma agência, segundo ele, poderia agilizar projetos que há anos estão parados, como os planos de previdência com incentivos para saúde e educação, microsseguros e debates sobre o seguro popular de carro.
Para ele, a auto-regulamentação é essencial para o setor que deverá manter o ritmo de crescimento acima do PIB brasileiro nos próximos anos. Dados divulgados durante o encontro revelam que a indústria de seguros deverá encerrar o ano com receitas de R$ 179,3 bilhões, o que representa uma participação de 5% do PIB. “O mercado brasileiro reluz para os estrangeiros”, disse Jorge Hilário, comentando que tem recebido um expressivo número de visitantes interessados em operar no Brasil.
O presidente da CNSeg explicou aos jornalistas presentes a estrutura da entidade, que reúne quarto federações: FenSeg, FenaPrevi, FenaSaúde e Fenacap., que juntas devem encerrar 2011 com faturamento de R$ 201 bilhões, avanco de quase 13%. A FenSeg agrupa as operações de seguros, com projeção de encerrar 2010 com receitas de R$ 37,3 bilhões, crescimento de 21%. Parte do crescimento deste segmento veio da carteira de automóveis, de seguros financeiros como D&O, seguro rural e também seguro garantia.
A FenaPrevi reúne as empresas de previdência aberta e vida, com projeção de receitas para este ano de R$ 60,6 bi, alta de 33%. A FenaCap projeta encerrar o ano com receita de R$ 10,7 bilhões, captados por cerca de 15 empresas que vendem títulos de capitalização. A FenaSaúde, que agrupa 1.065 operadoras, deverá encerrar 2010 com faturamento projetado em R$ 70,5 bilhões.
“O setor pode ser muito maior do que é. Nossa principal missão para 2011 é identificar o que temos de fazer para a indústria de seguros crescer de forma a ocupar um tamanho representativo no Brasil, assim como ocupa nos países mais ricos”, disse Jorge Hilário. Em 2010, entre os destaques da atuação da entidade o presidente citou a participação ativa da CNSeg na discussão sobre a criação da seguradora estatal.
Para 2011, além de mapear os fatores que inibem o crescimento do setor, a CNSeg quer expandir o acesso das classes C e D ao seguro. Em previdência, duas prioridades: regulamentar os planos com incentivos para saúde e educação e também os fundos blindados. No segmento de seguro, a apólice popular para automóvel está no topo das prioridades da CNSeg.
Segundo Solange Beatriz, diretora executiva da CNSeg, um grande desafio está em reduzir as assimetrias com os consumidores, tornando o seguro um produto de fácil entendimento e consequentemente mais consumido pela população. “Estamos num caminho virtuoso de crescimento e vamos aprimorar a nossa atuação. O setor de seguros, por exemplo, se antecipou ao Código de Defesa do Consumidor, implementando as exigências antes mesmo delas estarem valendo”, lembrou. Outra iniciativa, segundo Solange Beatriz, é a elaboração de uma cartilha dentro do programa de educação financeira.
Risco de crédito e debêntures preocupam Susep
Por Denise Bueno em 27/10/2010
*matéria feita com exclusividade para a CNSeg
O risco de crédito é hoje uma das principais preocupações da Superintendência de Seguros Privados (Susep), segundo Eduardo Nakao, que deixou a presidência do IRB Brasil Re no início deste ano para assumir a secretaria geral da autarquia. “Estamos com o assunto em audiência pública e pretendemos implementá-lo no próximo ano”, disse ele durante sua palestra no Seminário de Resseguro, promovido pela Funenseg e CNSeg, em São Paulo.
De acordo com Nakao, o risco de crédito em resseguro é um assunto novo para as seguradoras, que enfrentaram quase 70 anos de monopólio de resseguro. Enquanto o mercado de resseguros era fechado, todas tinham a segurança do pagamento da indenização pelo IRB, um ressegurador que tem o Tesouro Nacional como principal acionista. “Agora as seguradoras negociam com uma grande cadeia de resseguradoras. E como em qualquer contrato que envolve um grande número de contratantes, há mais riscos para gerenciar”, explica ele para o blog Sonho Seguro.
Ele chama a atenção da plateia para este assunto, sem alardes. “Suponha que temos 20 resseguradores em um contrato. Nem todos vão pagar com a mesma agilidade. Por isso a seguradora tem de ter ativos para vender rapidamente e fazer frente a um eventual atraso ou mesmo uma inadimplência”, enfatiza.
“Abrimos o mercado em 2008, mas tivemos a crise financeira, que concentrou as negociações. A realidade de um mercado aberto acontece apenas há dezoito meses, se formos analisar”, comenta. Em razão de ser ainda uma experiência nova para a indústria de seguros brasileira, o risco de crédito tem um peso maior na Susep, que pretende seguir a regulamentação de Basiléia 3, adaptada ao Brasil.
Outra preocupação de Nakao é com a participação das seguradoras na compra de debêntures, um ativo geralmente com um prazo médio de três anos e que o investidor tem de levar até o vencimento. “Este é um ativo que não fará frente a uma necessidade de caixa para casos como o que citei”, comenta.
Nakao também ressaltou o crescimento dos negócios das corretores de resseguro em razão da falta de experiência das seguradoras com a colocação de resseguro. Elas auxiliam as seguradoras na distribuição dos riscos no mercado internacional, bem como na coleta das indenizações. Para Nakao, em dois anos as seguradoras já estarão mais estruturadas em resseguros, o que fará com que as corretoras voltem as suas funções básicas de consultoria e de participação em contratos com riscos diferenciados e não em contratos automáticos.
Dr. Rony Lyrio… já estou com saudades
Por Denise Bueno em 20/09/2010
Se teve uma fonte maravilhosa neste mercado de seguros para jornalista foi Rony Lyrio. Nunca vi estrategista igual. Informante requintado. Construiu boa parte da história da SulAmérica e da indústria de seguros nos 35 anos que se dedicou ao grupo. Até na minha vida este fumante inveterado fez história.
Dizia tudo com aquela voz forte de locutor de rádio. Quando não dizia, lançava aquele olhar perspicaz. Dependia muito de como era abordado. Quando relutava em contar uma notícia ou ajudar a descobrir detalhes com sua infinita rede de relacionamento no Brasil e no exterior, pedia um cafezinho. Acendia outro cigarro e ganhava mais alguns minutos para convencê-lo de que aquela notícia era importante para todo o mercado.
Entre uma baforada e outra, sempre uma boa idéia sobre como eu poderia conseguir as informações que tanto desejava levar aos meus leitores. Ou não. Se a notícia não lhe interessava, me contava outras prá lá de quentes para me fazer desistir daquela que, em sua visão, poderia beneficiar concorrentes. Se a notícia não era boa para a Sulamérica, ele dizia que só eu achava aquilo interessante e por isso não valeria a pena ir em frente. Com a minha insistência no discurso “justo é justo”, ele sempre dava um jeito de alguém me contar o que eu precisava saber para manter minha carreira numa curva ascendente.
Alinhavou a parceria com Bradesco na década de 80, traçou a estratégia de sobrevivência da SulAmérica quando a parceria com o banco de Amador Aguiar acabou, foi o braço direito de Beatriz Larragoiti, levou a SulAmérica para a liderança do ranking por anos, treinou Patrick, conquistou a parceria com o Banco do Brasil e com a Aetna, se entristeceu com a dívida criada com a construção da nova sede em São Paulo financiada em dólar num momento de disparada da moeda americana, comemorou o centernário da empresa em grande estilo. Enfim, foram muitas histórias nesses 20 anos de amizade.
Formamos uma boa dupla de fumantes na década de 90. Talvez isso tenha estimulado as longas entrevistas sempre cheias de conteúdo. Exatamente quando ele deixou a presidência da SulAmérica para presidir o conselho de administração, em 1999, eu parei de fumar para começar uma nova etapa da vida, a de ser também mãe. A partir dai ficamos amigos virtuais. “Quando vai ter outro filho! Um só é pouco para você. Precisa aumentar a família”, escrevia sempre nos emails.
Vou sentir muito a falta deste grande homem, ex-presidente executivo da SulAmérica e que nos últimos anos era membro do Conselho de Administração e meu grande amigo. Ele faleceu no dia 17 de setembro. Com certeza vítima das sequelas do cigarro. Sem ele, com certeza minha vida teria seguido outro rumo. Afinal, sem informações um jornalista não sobrevive.
Dr. Rony, como sempre o chamei apesar da insistência dele para chamá-lo de você ou simplesmente senhor, soube me alimentar de notícias sempre interessantes e que nos últimos anos eram sobre temas gerais, pois não queria mais falar de seguros. “Você deveria cobrir outro setor. Este é muito pequeno para a sua grande curiosidade”. Então parti para cobrir a indústria mundial e também me dedicar a especiais sobre bancos, fundos e educação financeira. “Impossível abandonar seguro, uma indústria que cresce como sempre imaginávamos que um dia iria acontecer”, dizia a ele.
A missa de sétimo dia será realizada dia 24 de setembro, às 17h, na Igreja São José, situada à av. Borges de Medeiros, 2735 – Lagoa, Rio de Janeiro.
Adeus minha fonte favorita!
Com amor, admiração e saudades
Denise
Setor convence governo a desistir de estatal
Por Denise Bueno em 09/09/2010
O jornal Valor Econômico traz na manchete do dia hoje uma grande vitória das seguradoras. Segundo o principal jornal de economia e finanças do Brasil, o Ministério da Fazenda desistiu de criar a Empresa Brasileira de Seguro diante da possibilidade de que a seguradora estatal viesse a enfrentar restrições na subscrição de risco nas operações com grandes empreendimentos públicos de infraestrutura. O governo planeja agora a criação da Agência Brasileira de Garantias, que ficará responsável pela administração dos sete fundos garantidores existentes, com patrimônio líquido total de R$ 3,064 bilhões no fim de agosto.
O tema também pautou o editorial do jornal Estado de São Paulo, que ressaltou a criação do Eximbank, agora que o problema da seguradora está em vias de ser solucionado. A expectativa do ministro Mantega é de ter a aprovação da criação da agência ainda neste ano. Na pior das hipóteses, diz o jornal, o governo deixará tudo pronto para ser aprovado no início do próximo governo.
Uma vitória e tanto da união da indústria de seguros local e internacional. Mais uma etapa superada para perseguir o crescimento sustentável do setor e do Brasil.
Diálogo entre mercado e Governo é um avanço, mas criação de estatal ainda é ponto de discordância
Por Denise Bueno em 21/07/2010
*matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)
O encontro entre o presidente da CNSeg, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, e o ministro da Fazenda, Guida Mantega, nesta terça-feira, 20, na sede do Ministério, representou um importante avanço no debate em torno da criação da seguradora estatal EBS. Abriu o diálogo entre Governo e mercado para se chegar a um consenso.
Na opinião de Jorge Hilário, a reunião foi positiva. Ele disse ao ministro que não é contra a ampliação de garantias, como quer o Governo. Razão pela qual encaminhou ao Ministério da Fazenda, há uma semana, documento com a sugestão de se usar fundos garantidores para casos em que o mercado não tivesse condições de oferecer cobertura para grandes riscos, os quais seriam administrados pelo BNDES.
Mas a intenção do Governo é de criar um consórcio entre a seguradora estatal e o setor privado, do que discorda o presidente da CNSeg. “Esse é o ponto de discordância, em relação à forma. Uma estatal não é a melhor opção para dar segurança aos tomadores de garantias. Ainda é preciso discutir para ver a forma mais eficiente”, disse Jorge Hilário.
Governo e mercado têm agora 15 dias para preparar uma proposta conjunta de projeto de lei, a ser encaminhada ao Congresso. Segundo o secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, representantes das duas partes devem ser encontrar novamente na próxima semana para acertar detalhes.






