Consolidação do setor é destaque em noticiário
Por Denise Bueno em 20/01/2010
Duas notícias sobre a consolidação da indústria mundial de seguros são destaques nesta quarta-feira. No Brasil, Bradesco e a Allianz negociam uma fusão, segundo o jornal Brasil Econômico. Nos Estados Unidos, o Wall Street Journal afirma que a MetLife está nos estágios finais da negociação para comprar uma das maiores unidades de seguro de vida internacional da AIG por algo entre US$ 14 bilhões e US$ 15 bilhões.
No Brasil, a Bradesco ter um sócio é um dos quatro grandes negócios esperados na indústria de seguros neste primeiro semestre. Qual o próximo capítulo da centenária SulAmérica, quem será o parceiro do Itaú Unibanco em grandes riscos e como ficará a nova estrutura do IRB são as outras indagações que fazem parte das conversas de executivos.
É um caminho natural o Bradesco ter um sócio na área de seguros. Assim como também é um caminho natural uma seguradora independente e especializada buscar um canal de distribuição para produtos massificados. Segundo a repórter Aline Lima, responsável pela cobertura do mercado financeiro, as negociações teriam começado em dezembro e ganharam força com a venda, sexta-feira passada, à própria Allianz da participação de 14% que o Itaú Unibanco detinha na seguradora.
Na verdade, a venda foi anunciada pelo Itaú Unibanco no final de dezembro, em fato relevante enviado à CVM, e já vinha sendo desenhada há tempos. A participação da Allianz no Itaú vem desde a época em que a seguradora alemã precisou vender a carteira de vida e previdência e encontrou o Itaú como comprador. A negociação determinava também que a Allianz não poderia operar em vida por alguns anos. Este prazo acabou em 2007 e desde então a seguradora alemã ensaia a sua volta ao segmento.
Desde que adquiriu o Unibanco, o Itaú vem reestruturando a área de seguros. O processo já resultou na parceria com a Porto Seguro, na venda da seguradora de saúde e no fim da parceria com a XL. Falta apenas saber o que será feito da participação acionária no IRB Brasil Re. E também que rumo dará a grandes riscos. O comentário mais evidente em todo o setor é que nem Bradesco nem Itaú estão aceitando fazer seguro de grandes riscos. Dois pratos cheios para as mais de 70 resseguradoras presentes no Brasil.
Segundo a matéria do Brasil Econômico, a Bradesco Seguros ficaria com 51% do capital social da seguradora alemã, garantindo o controle da operação, por uma quantia que não seria inferior a R$ 5 bilhões. Como as operações de maior volume da Allianz estão no segmento de automóveis que representam 52,7% dos prêmios, com o negócio a Bradesco Seguros assumiria o segundo posto no ranking de veículos, ultrapassando a SulAmérica e encostando na líder Porto Seguro Itaú.
É esperar para ver. Ainda mais se tratando de uma negociação entre duas seguradoras que fazem questão de ter o controle acionário.
Mapfre compra 50% da portuguesa Finibanco
Por Denise Bueno em 06/01/2010
O grupo espanhol Mapfre anunciou a compra de 50% do capital da Finibanco Vida, seguradora de vida do grupo financeiro Finibanco, 16° maior banco português, com ativos de 3 bilhões de euros e uma fatia de mercado de 1,6%. Pelo acordo, a Mapfre terá acesso a 172 novos canais de vendas e a exclusividade na venda de seguro de vida e de bens patrimoniais.
Segundo nota divulgada, a expectativa é de que a negociação irá incrementar em 26 milhões de euros o volume de prêmios da Mapfre em Portugal. Os investimentos iniciais previstos na operação chegam a 15 milhões de euros. A Mapfre detém 2,5% de market share do mercado português de ramos elementares, com prêmios de 144 milhões de euros em 2008.
A transação reflete a estratégia global da Mapfre, que vem dando passos importantes neste sentido. O maior deles foi a parceria com o Banco do Brasil, anunciado no ano passado e que ainda aguarda aprovação dos órgãos reguladores. A parceria com o maior banco do Brasil, que envolve os seguros de vida, carro, empresas e rural, visa a internacionalização do banco e o fortalecimento da seguradora espanhola no Brasil.
Marsh compra corretora de seguros do HSBC
Por Denise Bueno em 21/12/2009
A Marsh, uma das maiores corretoras de seguros do mundo, confirmou a compra da corretora de seguros do HSBC, sediada em Londres, por 135 milhões de libras esterlinas. Segundo nota divulgada, além de absorver a corretora, a Marsh assinou um acordo de preferência, permitindo a ela ter acesso preferencial para fornecer serviços de corretagem de seguros e gestão de riscos para os clientes empresariais e particulares do HSBC.
A HSBC Insurance Brokers tem cerca de 1.400 funcionários localizados em 30 escritórios no Reino Unido, Oriente Médio e Ásia. Ela detém posições de destaque em outros países onde a Marsh pretende crescer de forma acentuada, incluindo a Europa, Arábia Saudita, Catar, China, Hong Kong, Índia, Cingapura, Coréia do Sul e Taiwan. No Brasil, a HSBC atua como corretora de resseguros. Nada foi dito em relação ao país na nota divulgada.
“Adquirir a corretora do HSBC é uma grande oportunidade para a Marsh, nossos clientes, colegas e para a equipe. Estamos particularmente animado com as oportunidades disponíveis para nós através do acordo de preferência com o HSBC. Ele nos permitirá aproveitar a rede global do HSBC, e as relações bancárias para gerar novos negócios “, disse o presidente da Marsh e executivo-chefe Dan Glaser. A Marsh manterá a corretora adquirida em uma unidade chamada Gibbs Hartley Cooper.
Para o HSBC, a venda também traz benefícios. Clive Bannister, diretor de seguro do HSBC Holdings, disse em nota que o acordo ajudará a melhorar a abrangência e a sofisticação dos serviços ofertados pelo banco aos clientes, ao mesmo tempo em que afina o foco estratégico sobre o modelo de bancassurance, permitindo ao banco manter ênfase nos produtos de vida, previdência e investimentos.
Aon adquire corretora especializada em garantia
Por Denise Bueno em 08/12/2009
A Aon Risk Services adquiriu a Allied North America, uma das mais importantes corretoras de seguro garantia e construção dos Estados Unidos. Bill Marino, atual presidente da Allied assumirá a divisão de negócios após a finalização do negócio. Detalhes da compra não foram divulgados. Steve McGill, presidente e CEO, disse que o acordo reforça a forte posição do grupo no setor de construção.
Segundo divulgou em nota Gregory C. Case, presidente da Aon Corp., a compra aumenta a capacidade mundial do grupo em ofertar melhores soluções para este segmento de negócios. De acordo com dados divulgados na mídia internacional, a combinação das duas empresas vai gerar uma carteira com mais de US$ 3 bilhões em volume de prêmios e mais de 750 profissionais em 26 escritórios espalhados pelo mundo.
O novo parceiro de negócio da Aon agrega mais de 3 mil contratos e projetos, com taxa de retenção de 97%, atuando nas mais diferentes linhas de negócios, como parcerias público privadas, riscos de construção, residencial e serviços especializados.
A Allied North America tem sede em Jericho, Nova York. Foi fundada em 1979, focada no segmento de construção. Com mais de US$ 850 milhões em prêmios em 2008, é a 17ª maior corretora independente nos EUA de ramos elementares, segundo o Insurance Journal.
Icatu sem Hartford e em harmonia com o FIB
Por Denise Bueno em 25/11/2009
A consolidação do setor não para. A grande notícia do dia em alguns jornais é a compra pela Icatu da participação da Hartford Financial, que foi duramente afetada pela crise financeira e alto nível de desemprego nos EUA. Isso a fez sair de operações internacionais, como no Brasil. Lá, muitos clientes precisaram sacar suas poupanças previdenciárias para enfrentar a atual fase de dificuldades, que já começa a ser superada.
Os boatos de que o Bradesco está comprando a seguradora da família Almeida Braga são fortes entre vários executivos do setor. Boa parte do faturamento da Icatu hoje é com a venda de títulos de capitalização comercializados por meio de parceiros. O Banco do Brasil, na qual a Icatu é sócia da Brasilcap, é um dos principais. Com a reformulação do BB nesta parceria, a Icatu poderia vir a enfrentar um novo cenário em 2010, caso não seja a eleita na parceria do BB em capitalização.
Segundo entrevista da herdeira Katy e da presidente da seguradora Maria Silva ao jornal Valor Econômico de hoje, a carreira solo já está traçada. A Icatu vai entrar no seguro habitacional e avançar na prestação de serviços de gestão de benefícios para fundos de pensão corporativos. Torço muito para dar certo. Afinal, tem profissionais de primeira linha e uma filosofia de dar inveja a qualquer empresa.
A Icatu foi uma das precursoras no setor de previdência privada a usar a inteligência do benefício da qualidade de vida na criação de um site voltado a explicar mais sobre como chegar bem fisicamente e financeiramente na “melhor idade”. Como ideias boas sempre servem de exemplos, ainda bem que muitas outras empresas a copiaram e hoje muito mais gente pode ter acesso as boas ideias de como ter uma vida melhor.
Em recente entrevista, Aura Rebelo, diretora de marketing da Icatu Hartford, contou que o Projeto Felicidade Interna Bruta (FIB) da Icatu Hartford completou um ano em 2009. “Desde que adotamos o conceito em 2008, temos como meta incentivar as pessoas a iniciar seu próprio projeto de felicidade, começando pelos próprios funcionários. Os frutos disso já se refletem no índice de satisfação interna, que hoje está em 70%, valor superior a média do mercado que é de cerca de 60%.”
A meta é, cada vez mais, propagar o conceito na sociedade e conscientizar funcionários e clientes a buscar realização no longo prazo. Todo mundo almeja qualidade de vida e para isso, também é preciso um padrão financeiro digno. “Queremos incentivar a todos a ir além dos números e incorporar ao dia-a-dia um conjunto de medidas práticas e atitudes que resultam em uma vida mais equilibrada, pautada pela ética, consciência ambiental e consequentemente, mais feliz. Se cada um pautar suas escolhas na ética e em decisões socioambientalmente coerentes em relação a si próprio, sua família, seu trabalho e sua comunidade, esse círculo virtuoso se consolidará.”
Para isso, foram criadas diversas ferramentas para atingir e monitorar esse objetivo. Uma delas é o Teste de Felicidade, hospedado no recém reformulado site www.felicidadeinternabruta.com.br . O objetivo do teste é ajudar as pessoas a ver vida sob aspectos que realmente importam e sinalizar se elas estão dando prioridade para as coisas que realmente contribuem para a felicidade. Até o momento, o teste já foi realizado por mais de 2500 pessoas de todo o Brasil e a média do índice FIB é de 64 pontos ( 0 a 100) – feliz.
A Icatu Hartford abraçou a FIB porque ela expressa exatamente os valores que a companhia acredita e já cultiva há muito tempo. “A FIB está nos projetos que desenvolvemos, nas atitudes que tomamos, nas idéias que propagamos e nos nossos produtos. Temos grande respeito pelo conceito e temos estudado bastante tudo que ele representa. Acompanhamos os estudos, sabemos da seriedade com que ele é tratado e como tem evoluído ao longo dos anos. Queremos nos aproximar cada vez mais pois estamos totalmente alinhados com a proposta”, conclui Alda.
Amil paga R$ 612,5 milhões por 51,9% da Medial
Por Denise Bueno em 19/11/2009
A Amil Participações comunica aos acionistas e ao mercado em geral que a Amil Assistência Médico Internacional celebrou, em 19 de novembro de 2009, contrato de compra e venda de ações com os acionistas controladores da Medial Saúde. O preço de aquisição das ações a ser pago pela Amil Assistência aos acionistas controladores da Medial Saúde foi fixado em R$ 612,5 milhões, representando R$ 17,2066 por ação da Medial Saúde e aproximadamente R$ 8,4223 por ação da Medial Participações.
Do preço de aquisição das ações mencionado acima, 20% será pago a título de sinal em até três dias úteis da data de assinatura do contrato e o saldo será pago à vista na data de fechamento. Os recursos que serão utilizados na transação serão provenientes de recursos em caixa.
O contrato diz a Amil Assistência comprará 36.220.005 ações ordinárias, nominativas, sem valor nominal de emissão da Medial Saúde, representativas de 51,9% do seu capital social total e votante. A operação representa a aquisição, pela Amil Assistência, da totalidade das ações de emissão da Medial Saúde detidas pelos acionistas controladores.
O comunicado diz que a aquisição visa consolidar a posição de liderança da Amilpar no mercado de saúde suplementar brasileiro, em especial no estado de São Paulo. “Acreditamos que a Medial Saúde é um ativo altamente estratégico neste sentido. Após a aquisição, a participação de mercado da Amilpar em São Paulo passará de 7,9% para 15,1% e no Brasil irá de 6,2% para 10,1%, com um total de 4,2 milhões de beneficiários em planos de saúde e 986 mil beneficiários em planos dentais. As operações possuem potenciais de sinergias nas áreas médico-hospitalares, despesas administrativas, marketing e comerciais”, diz o comunicado.
Itaú divulga fato relevante sobre compra da XL
Por Denise Bueno em 13/11/2009
O Itaú Unibanco divulgou fato relevante hoje informando que sua controlada Itaú Seguros e a XL Swiss Holdings Ltd, sociedade controlada pela XL Capital Ltd celebraram em 12 de novembro um contrato regulando a aquisição da participação da XL na Itaú XL Seguros Corporativos. Nesse contexto, a Itaú XL Seguros Corporativos será 100% detida pelo Itaú Unibanco.
Segundo o fato relevante, em linha com os interesses da XL em continuar atuando no Brasil e com o relacionamento existente entre ambas, um acordo separado foi firmado por meio do qual a Itaú irá fornecer cobertura de seguros aos clientes da XL no Brasil e também aos clientes dos programas globais da XL com operações no Brasil. Essas apólices de seguros serão resseguradas pela XL Re, constituída no Brasil como uma resseguradora local. O acordo terá efeito após a aprovação dos órgãos reguladores.
BB projeta previdência em R$ 1 trilhão em 2020
Por Denise Bueno em 28/10/2009
O Banco do Brasil quer ter 15% do mercado de previdência privada aberta em 2020, quando as reservas deste setor devem atingir R$ 1 trilhão, disse Paulo Cafarelli, vice-presidente do Banco do Brasil em entrevista coletiva nesta tarde em Brasília. Atualmente, as reservas de previdência privada aberta somam aproximadamente R$ 170 bilhões, segundo dados de agosto deste ano.
Por este cenário tão promissor, a instituição renovou a parceria que tem com a americana Principal Financial na área de previdência privada há dez anos na BrasilPrev, terceira maior companhia de previdência privada do Brasil, com R$ 25 bilhões em ativos sob gestão e mais de 2 milhões de planos.
“Esta é a nossa terceira movimentação no segmento de seguridade neste ano, onde queremos elevar de 10% para 25% nossa participação”, acrescentou Cafarelli. A primeira movimentação foi encerrar a parceria com a SulAmérica na Brasilveículos, seguradora especializada em seguros de carros, substituindo-a pela espanhola Mapfre Seguros.
A segunda ação foi fazer uma oferta para comprar uma participação no IRB Brasil Re. No ano passado, o BB comprou da Aliança da Bahia a participação que a seguradora baiana detinha na Aliança do Brasil, uma seguradora dedicada a seguro de vida e ramos elementares até então.
Segundo informou o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, o BB comprará uma parte das ações preferenciais da Principal e depois de adquirir a participação do Sebrae na Brasilprev a venderá para o parceiro americano. Em comunicado ao mercado, a BB Seguros e a Principal informam ainda que têm interesse mútuo na transferência integral para a Brasilprev das carteiras de previdência privada hoje comercializada pela Mapfre Nossa Caixa Vida e Previdência.
A Brasilprev encerrou o ano de 2008 com lucro líquido de R$ 195,5 milhões, 6,2% acima do resultado registrado em 2007. No fechamento do primeiro semestre de 2009, o lucro líquido da Brasilprev foi R$ 115,6 milhões, crescimento de 22,5% em comparação ao mesmo período do ano passado. A Principal é responsável pela gestão de ativos que superam os US$ 257,7 bilhões e está presente em 11 países, atendendo mais de 19 milhões de clientes pessoas físicas e jurídicas em todo o mundo.
Principal fica no BB com exclusividade por 23 anos
Por Denise Bueno em 28/10/2009
Dando continuidade ao processo de reorganização societária da área de seguros, a BB Seguros Participações (“BB Seguros”), subsidiária integral do Banco do Brasil, e a Principal Financial Group (“Principal”) divulgaram a linha mestra da negociação da parceria de dez anos, renovadas agora por mais 23 anos, com direito a exclusividade de oferta de produtos na rede do banco.
Segundo o comunicado, o BB Seguros elevará sua participação no capital total da empresa de 49,99% para 74,99%. O aumento se dará por ações preferenciais da BB Seguros. Como condição à implementação da revisão da atual estrutura societária, a Principal, que possui 46,01% do capital social total da BrasilPrev, pretende adquirir a participação de 4% detida pelo Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) na companhia.
No Fato Relevante encaminhado à Bolsa de Valores de São Paulo, o BB e a Principal informam, ainda, que é de interesse comum o início de negociações visando a compra das carteiras de previdência privada comercializadas pela Mapfre Nossa Caixa.
Estarão sujeitos à prévia análise e aprovação dos respectivos órgãos reguladores, supervisores e fiscalizadores os atos que sejam necessários. Hoje, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e o presidente do Principal Financial Group, Larry Donald Zimpleman, concedem coletiva de imprensa em Brasília sobre a nova configuração da parceria para a comercialização de produtos de previdência privada aberta no Brasil.
Se avançar o ocordo, será a seguinte a composição societária dos grupos na BrasilPrev:
Atual Futura
Acoes ON Acoes ON Acoes PN Capital Total
BB Seguros 49,99% 49,99% 100,00% 74,995%
Principal 46,01% 50,01% – 25,005%
Sebrae 4,00% – – -
O que acontecerá com a SulAmérica?
Por Denise Bueno em 26/10/2009
O dia começou com diversas notícias relevantes. A Chubb dobrou o lucro líquido no mundo; a Allianz é contratada pela Shell; a Mapfre venceu licitação da Repar, refinaria controlada pela Petrobras, para fornecer seguro de riscos de engenharia.
Começou o VIII Seminário da ABGR, que trouxe debates interessantes sobre o resseguro. Também teve início em Baden Baden, nome da cidade no sul da Alemanha, conhecida como refúgio dos milionários alemães, o 25º encontro de resseguradores, que aponta um cenário extremamente favorável para a indústria de seguros em 2010.
No início da noite, a seguradora canadense Fairfax inaugurou no Brasil o seu braço de resseguros, a Odyssey Re, com escritório na alameda Santos, em São Paulo, onde é vizinha da Swiss Re, e aguarda a aprovação da Susep, que voltou a ter um ritmo lento à espera da contratação de novos funcionários. Fato que acontecerá se o presidente Lula assinar a autorização.
Todas estas notícias foram esquecidas pelo anúncio internacional da venda de todos os ativos de seguros do grupo holandês ING. O que acontecerá com a SulAmérica? Esta foi a pergunta mais pronunciada nesta segunda-feira entre os executivos que trabalham com seguro. Afinal, trata-se de uma das seguradoras mais querida do mercado.
A resposta vinda da empresa foi inócua. “Trata-se de uma decisão do ING com a Comissão Europeia”. “É um plano de reestruturação deles”. Não poderia ser diferente. A questão vem sendo debatida há muitos anos. Mas o fim da parceria da centenária seguradora com o Banco do Brasil, anunciada em outubro, colocou mais lenha na fogueira. Hoje, com o anúncio da venda de todas as operações de seguros mundialmente pelo ING, sócio do grupo que tem no comando o herdeiro Patrick Larragoiti, a SulAmérica liderou as rodas das conversas.
Segundo nota do ING, atendendo às recomendações de reestruturação contidas em um acordo fechado junto a Comissão Européia, o grupo será divido em duas partes: operações bancárias e operações de seguros. As atividades de seguros e de gestão de investimentos serão vendidas e os recursos obtidos serão usados para reduzir a alavancagem e adequar o capital do grupo as padrões de Basiléia.
Tal separação dos ativos deverá ocorrer até 2013, mas depois disso o balanço deverá ser 30% menor do que o apresentado no início da crise. Paralelamente, o grupo fará um aumento de capital de 7,5 bilhões de euros (US$ 11,2 bilhões) para pagar parte dos 10 bilhões de euros que recebeu de ajuda do governo holandês durante a crise financeira.
Os investidores parecem não ter gostado do anúncio. As ações do grupo apresentavam forte desvalorização na bolsa ontem. No Brasil, a questão era sobre o que acontecerá com a SulAmérica sem o sócio e quem poderia comprar a participação do ING na seguradora.
O ING, através do ING Insurance International BV, possui uma participação de 21,18% na SulAmérica, sendo 12,78% das ações ordinárias e 31,55% das preferenciais. Tem também participação no capital da Sulasapar Participações, que por sua vez possui 59,45% do capital votante da SulAmérica, o que representa 32,84% do capital total da seguradora.
Com certeza a resposta a esta questão virá em breve. O mercado de seguros é a bola da vez para os investidores e a SulAmérica é uma boa porta e entrada para aqueles que querem participar deste mercado. No passado, entrar no grupo seria um risco e tanto, diante da falta de transparência de informações e um sofisticado emaranhado de participações acionárias cruzadas.
Mas desde que foi para a bolsa, o grupo vem aprimorando a governança corporativa e tem focado suas atividades em ramos que busca eficiência. O resultado pode ser conferido no lucro liquido apresentado nos últimos dois anos e na alta das ações da empresa na Bovespa. Desde o início do ano as ações estão valorizadas em 160%. É esperar para ver.




