Generali patrocina evento no Rio pela Independência da Itália
Por Denise Bueno em 26/09/2011
Cada dia mais os estrangeiros apostam no relacionamento com empresas locais. A notícia do dia hoje vem da Generali Brasil Seguros, A seguradora italiana, que convive com especulações de que estaria fazendo uma grande aposta em uma parceria no Brasil, foi uma das empresas patrocinadoras do evento comemorativo dos 150 anos de Independência da Itália, que marca a unificação do país, realizada há cerca de quinze dias no Rio de Janeiro.
Em grande estilo, o jantar em grande estilo, organizado pela Câmara de Comércio e Indústria Ítalo-Brasileira, aconteceu no Copacabana Palace. Presidente da entidade, Pietro Petraglia destaca que o evento foi de grande importância também por reunir o mundo empresarial italiano no Rio de Janeiro, no qual vem participando do desenvolvimento econômico do estado, que vive um momento especial. O governador Sergio Cabral, o vice-presidente Luiz Fernando Pezão e o prefeito da cidade, Eduardo Paes, prestigiaram o jantar, que contou com a presença de várias personalidades do cenário cultural e empresarial. A noite foi marcada pela apresentação da Orquestra Sinfônica Brasileira, do tenor Francesco Malapena e da banda Alberto Laurenti, ambos vindo especialmente da Itália para o evento. Além disso, houve desfile de jóias do maior designer italiano: Gerardo Sacco.
Espanhola Mapfre e Euler Hermes, controlada pela alemã Allianz, se unem para disputar crédito
Por Denise Bueno em 20/07/2011
A Mapfre, maior segurador da Espanha, e a Euler Hermes, subsidiária do grupo alemão Allianz e uma das principais seguradoras de crédito e garantia do mundo, anunciaram aliança estratégica para atuarem juntas no seguro de crédito e garantia na Espanha, em Portugal e na América Latina.
Cada um dos grupos terá 50% na joint venture, que nasce com prêmios de 200 milhões de euros, valor que lhe confere a primeira e segunda colocação no ranking de crédito dos países onde vai atuar, incluindo o Brasil. A previsão é de que a nova empresa comece a operar no final deste ano, após a aprovação dos órgãos reguladores.
BB Mapfre: começa a disputa pelos consumidores
Por Denise Bueno em 05/07/2011
BB Mapfre e Mapfre BB, as duas holdings que consolidam as operações de seguros gerais, vida, rural e habitacional do maior banco do país com a maior seguradora da Espanha começaram efetivamente a operar neste segundo semestre. A Susep deu uma pré-autorização para a fusão de 14 companhias, após um aporte de R$ 300 milhões do BB na semana passada. Agora o grupo tem seis empresas e no futuro deverão somar quatro ou duas.
A fusão traz grandes significados, mas um deles é prioritário: os consumidores vão começar a sentir no bolso os efeitos da concorrência entre as maiores seguradoras do país neste segundo semestre, período das principais renovações de apólices individuais e corporativas. Isso porque a BB Mapfre nasce como o segundo maior grupo segurador do país, superado pelo grupo Bradesco Seguros quando consolidamos todos os segmentos: seguros gerais, vida e previdência, capitalização e saúde.
No entanto, como BB não atua em saúde, é preciso tirar o segmento das contas. Mesmo assim, o Bradesco continua na liderança. Mas quando o assunto é somente os ramos de seguros gerais, BB passa a ser o maior. Em automóvel, perde apenas para a Porto Seguro, sócia do Itaú. Já em vida, tem a liderança. Em VGBL, a disputa esta acirrada. Em março, a Brasilprev deteve a liderança, mas em abril e maio o posto voltou para a Bradesco Vida e Previdência. Vamos ver como será o balanço consolidado do resultado do primeiro semestre, que será divulgado em agosto.
Esse sobe e desce torna a busca pela liderança totalmente inócua. Para o consumidor, pouco importa quem é o maior em vendas. A seguradora ser tradicional e solvente, ou seja, ter patrimônio suficiente para honrar seus compromissos, conta pontos. Para os acionistas, a liderança do ranking também pouco importa. A companhia tem de ser influente para poder traçar políticas estratégicas do setor. Faturamento importa quando vendas maiores significam redução de custos e poder de barganha para negociar com fornecedores. Nos bancos, por exemplo. O que conta é o lucro e não a receita de intermediação financeira.
Para se ter uma idéia, nos Estados Unidos, países da Europa e no Japão, onde se concentram as maiores seguradoras do mundo, sendo boa parte delas com ações negociadas em bolsa, o faturamento nem é citado na divulgação do balanço. O que importa mesmo é o lucro operacional, o retorno sobre o patrimônio, a valorização da ação, os dividendos pagos. Um dia chegaremos lá. No Brasil, temos apenas a Porto Seguro e a SulAmérica com ações em bolsa, além de duas corretoras de seguros, a Brasil Insurance e a Qualicorp, bem como algumas operadoras de saúde.
O que realmente importa ao consumidor: preço, inovação, facilidades de compra, atendimento e um pagamento rápido da indenização dentro do combinado no contrato. Para o acionista, uma empresa que traga rentabilidade acima do que ele pode conseguir aplicando seus recursos em títulos de renda fixa e que agregue valor no longo prazo é o atrativo mais razóavel. Por isso, esses são os maiores desafios dos presidentes das duas holdings criadas na associação BB e Mapfre.
Durante coletiva de imprensa realizada hoje com jornalistas em São Paulo, os dois presidentes apresentaram a composição do grupo e os desafios que a parceria promete para os próximos anos. De cara, anunciaram três novidades. Um novo seguro rural, tropicalizado da Espanha e que garante a renda do agricultor, a busca por um parceiro em grandes riscos para aproveitar a demanda por seguros gerada pelos milionários projetos de infraestrutura e a contratação de 1 mil pessoas para o call center.
“Os investimentos estão concentrados em tecnologia, call center e campanha publicitária que tem início no próximo dia 10”, conta Marcos Eduardo Ferreira (foto, a esquerda), presidente da Mapfre BB, responsável por seguros gerais e parcerias com redes de varejo, segmento conhecido como “affinity”.
O grupo nasce com 4 mil funcionários, 17 mil pontos de vendas e 25 milhões de clientes e deverá encerrar o ano com prêmios totais de R$ 9,2 bilhões, 7% acima dos prêmios das duas empresas registrados em 2010, de R$ 8,6 bilhões. A meta no médio prazo é crescer bem acima do setor, que projeta avançar 14% em 2011, em razão da base de clientes do BB estar ainda praticamente inexplorada quando o assunto é seguro. O uso das marcas vai ser determinado pelo canal de distribuição. Para produtos comercializados nas agências do BB, a marca sera BB Seguros. Já para a venda de produtos por intermédio dos corretores, a marca Mapfre prevalecerá.
No mês passado, como fruto da parceria, o BB lançou um seguro rural que dá garantia também a renda do produtor. “Ter um parceiro internacional nos ajuda a trazer para o Brasil várias soluções mundiais”, diz Roberto Barroso (foto, à direita), presidente da BB Mapfre, responsável por vida, rural e habitacional.
O call center tem a prioridade de um coração para os grupos. “Vamos fazer o atendimento aos clientes, pois esse momento de contato é prioritário para o sucesso da operação”, comentou Barroso. A primeira etapa visa a contratação de mil pessoas até o final deste ano. Num segundo passo, o grupo tentará consolidar as operações em um único local. Hoje são cinco prédios, o que eleva o custo administrativo e reduz o poder de competitividade.
Um ponto destacado por ambos foi a gestão compartilhada. O contrato assinada há quase dois anos prevê exclusividade pelo prazo de 20 anos, renovável de acordo com o desejo das partes. Barroso explicou que a Mapfre terá o controle acionário, para que as empresas sejam privadas e assim livrem o BB da burocracia de uma empresa estatal.
A principal carteira da nova empresa é o seguro automóvel, com 15% de participação de mercado. São mais de 2 milhões de veículos segurados. Segundo Barroso, seu maior desafio será desenvolver o seguro rural. “Somos o maior país do mundo em vários segmentos agrícolas e menos de 10% da safra conta com apólice de seguro”. Já para Ferreira, o desafio está na integração das equipes e dos sistemas.
Pelos cálculos dos acionistas, os dois CEOs terão na verdade o grande desafio de manter a rentabilidade da operação em um cenário de concorrência nunca antes visto no mercado de seguros, principalmente de automóvel. Além de novos concorrentes, os consumidores estão mais exigentes e contam com o apoio da internet para comparar preços e serviços. Sem revelar valores, o grupo mostrará aos consumidores numa nova campanha que nasce um novo conceito de seguros e uma nova geração de produtos e de atendimento.
O Banco do Brasil e o grupo Mapfre, o maior segurador da Espanha, aguardam bons retornos. O BB quer aumentar de 15% para 24% a participação de seguros no lucro do banco até 2013. É um índice menor do que os 30% apresentado pelo Bradesco, mas maior do que os 10% do Itaú. Mas ainda falta entrar nessa conta o polpudo dividendo pago pelo IRB Brasil Re, maior ressegurador local, que em breve será comandado pelo BB em parceira com Bradesco e Itaú. Vai ser uma briga de gigantes muito interessante de acompanhar. Ainda mais se a Susep fizer um aperto nas regras de solvência, o que estimulará mais uma onda de aquisições.
UBF Seguros, repaginada, disputa grandes riscos
Por Denise Bueno em 07/04/2011
A Swiss Re começou hoje a sua campanha para associar a imagem do grupo como um forte player em seguro, após a consolidação da compra da UBF Seguros no ano passado, na qual detém 80% do controle e o International Finance Corporation (IFC), um membro do Grupo Banco Mundial, os outros 20% restantes.
Em resseguro, a segunda maior resseguradora do mundo já tem uma imagem totalmente estabelecida no Brasil, por estar presente com escritório de representação há quase 15 anos. Uma das favoritas a comprar o IRB Brasil Re, quando se cogitou a privatização do ressegurador na década de 90, a Swiss Re optou por estabelecer-se como ressegurador admitido no Brasil em 2008, quando o mercado de resseguros foi flexibilizado. Com as recentes mudanças no resseguro, que passaram a vigorar no início deste mês, a expectativa dos concorrentes agora é saber se a resseguradora suíça passará a ser uma resseguradora local, com investimento mínimo de R$ 60 milhões em capital.
Independentemente do cenário de resseguro, a Swiss Re anunciou hoje que a UBF é o mais novo membro da Swiss Re Corporate Solutions, a unidade de seguros comerciais da empresa com sede em Zurique. A UBF Seguros, com sede em São Paulo, é líder em garantias e seguros agrícolas no Brasil. ”É um grande prazer concretizar esta transação”, comentou Agostino Galvagni, CEO da Swiss Re Corporate Solutions, em nota distribuída à imprensa. “Em parceria com o IFC vamos desenvolver uma proposta de valor atraente, para atender o Brasil, um mercado de importância estratégica para nós.”
O mesmo tom de otimismo veio de Loy Pires, gerente do IFC para o Brasil. “Ao facilitar a expansão do mercado de garantias, esperamos ajudar a aliviar os gargalos de infraestrutura no Brasil, o que apoiará os produtores agrícolas, colaborando assim para aumentar a renda nas regiões rurais de todo o país.”
Filipe Bonetti será o CEO da UBF a partir de 15 de setembro de 2011, no lugar de Luiz Foz, que comporá o Conselho de Administração da UBF, presidido por Iván González, Head of Swiss Re Corporate Solutions Latin America, será nomeado Presidente do Conselho de Administração e será relocado de Nova Iorque para São Paulo. “Foz foi um pioneiro no desenvolvimento dos mercados de garantias e seguros agrícolas no Brasil, e esperamos que continue envolvido no desenvolvimento da UBF Seguros”, acrescentou Galvagni.
Brasil Insurance avalia 50 corretores para eventuais aquisições
Por Denise Bueno em 31/03/2011
A Brasil Insurance, holding que reúne 29 corretoras de seguros, realiza hoje as 10 horas a apresentação dos seus resultados financeiros em teleconferência. Segundo Bruno Padilha, diretor de Relações com Investidores, o grupo mantém conversas com 50 corretoras para futuras aquisições. Tal aposta se dá pelo otimismo com a indústria de seguros do Brasil. Segundo relatório divulgado, o mercado segurador brasileiro apresenta perspectivas bastante positivas para o ano de 2011 e seguintes, com estimativas de crescimento anual acima de 12%, o que revela o seu potencial de aumento de participação no PIB brasileiro dos recentes 3,1% de 2009 para níveis entre 4% e 5% até 2015.
No link abaixo é possível acessar o release com os principais resultados.
http://www.mzweb.com.br/brasilinsurance/web/arquivos/Brasil_Insurance_Release_4T10_Pt.pdf
Brasil Insurance compra Classic por R$ 19,4 milhões
Por Denise Bueno em 29/03/2011
A Brasil Insurance comprou o controle da Classic Corretora de Seguros por R$ 19,4 milhões, passando a ser a 29º corretora a integrar a Brasil Insurance. Com sede em São Paulo, a Classic é especializada no segmento de seguros massificados, com uma carteira de clientes de 6 milhões de pessoas físicas, conquistados através de parcerias com redes varejistas e financeiras. A corretora apresentou em 2010 aproximadamente R$ 80 milhões em prêmios de seguros.
Veja abaixo a íntegra do comunicado enviado à CVM
A Brasil Insurance Participações e Administração S.A. (“Companhia”), sociedade anônima aberta, com ações ordinárias negociadas no Novo Mercado da Bovespa sob o código BRIN3, em atendimento às disposições da Instrução CVM n°358/2002, comunica a seus acionistas e ao mercado em geral que, de acordo com sua estratégia de crescimento através da aquisição de participações em empresas de intermediação de seguros e resseguros, firmou contrato em 28/03/2011 adquirindo o controle da Classic Corretora de Seguros, a 29o corretora do Grupo Brasil Insurance.
A Classic Corretora, com sede na cidade de São Paulo e destacada atuação em todo o território nacional, é uma corretora de seguros especializada no segmento de seguros massificados, com uma carteira de clientes de 6 milhões de pessoas físicas, conquistados através de parcerias com redes varejistas e financeiras. A corretora apresentou em 2010 aproximadamente R$ 80 milhões em prêmios de seguros.
A Brasil Insurance passará a deter 99,99% das quotas representativas do capital social da Classic Corretora. O valor da aquisição é de R$ 9,2 milhões somados a 3 parcelas anuais variáveis, calculadas com base em uma estrutura de earn-out, em função dos resultados futuros da Classic Corretora. O preço total estimado para essa aquisição é de R$ 19,4 milhões, sendo 50% pagos em dinheiro e 50% em ações da Brasil Insurance.
Conforme determinado pelo artigo 256, inciso I da Lei das Sociedades Anônimas (Lei 6.404/1976), a Companhia submeterá esta decisão a uma Assembleia Geral Extraordinária, concomitante à Assembleia Geral Ordinária de 29/04/2011, para deliberar sobre o assunto. Os acionistas que dissentirem da aquisição da Classic Corretora terão o direito de se retirar da Companhia. Com relação ao exercício do direito de retirada, terão direito ao reembolso aqueles que eram acionistas em 25/03/2011. O prazo para o acionista dissidente manifestar-se acerca da sua decisão de retirada da Companhia é de 30 (trinta) dias contados a partir da data de publicação da ata da Assembléia Geral Extraordinária que deliberará sobre esta aquisição.
Rio de Janeiro, 28 de março de 2011
Bruno Padilha de Lima Costa
Diretor Financeiro e de Relações com Investidores
Allianz faz acordo com Banco Popular, na Espanha
Por Denise Bueno em 24/03/2011
O Banco Popular, o terceiro maior banco da Espanha com ações negociadas em bolsa, e grupo alemão Allianz, maior seguradora da Europa, anunciaram hoje a criação da Allianz Popular, resultado da joint ventura entre as duas instituições. A fusão acontece no mesmo dia em que a Moodys rebaixou o rating de 30 entidades financeiras espanholas.
A Allianz terá uma participação de 60% e o Banco Popular de 40%. A avaliação inicial da joint-venture é calculada em 1,058 bilhão de euros. A nova empresa vai intensificar a presença da Allianz na Espanha no mercado de seguro de vida, pensões e na gestão de ativos. O acordo prevê exclusividade na distribuição dos produtos entre os atuais 6,3 milhões de clientes do banco por um período de 15 anos, segundo comunicado do Banco Popular enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Zurich Santander, uma parceria sustentável
Por Denise Bueno em 23/02/2011
“Uma bela tacada. A Zurich tinha pouca expressão na América Latina, apesar de ser um grande player mundial. Agora pode jogar na primeira divisão não só no Brasil, mas em todos os importantes países da região, exceto na Colômbia”, comenta o CEO de um dos principais concorrentes do novo gigante que surge na indústria de seguros brasileira e da América Latina. “O Santander demorou a decidir o que queria com seguros. Vinha crescendo com boa rentabilidade, mas com pouca expressão. Agora ganhou mais de US$ 1,6 bilhão com a venda e um sócio que é líder mundial. Uma parceria interessante e que vai estimular a concorrência”, afirma outro CEO do setor.
Diferente dos outros negócios realizados no Brasil, este envolve previdência e vida. Geralmente esses nichos ficam sob a administração dos bancos, que repassam os outros para seguradoras especializadas. “Seremos parceiros em tudo, exceto automóvel e capitalização. Seguro e previdência são negócios importantes para o banco, que será remunerado pelas vendas realizadas na base de clientes do grupo”, diz GIlberto Abreu, responsável por seguros no Santander Brasil. Assim decidiu também o Banco do Brasil, que prioriza a sociedade em seguros, previdência, capitalização, resseguro e planos odontológicos.
Isso deixou alguns concorrentes e parceiros aliviados. Pelo menos por enquanto, a parceria não envolve o seguro automóvel, que continuará sendo ofertado nas agências do banco no Brasil pela Marítima, Tokio Marine e SulAmérica. Mas a tendência, segundo fontes, é de que a medida que os contratos forem vencendo, a preferência será da Zurich neste segmento, assim como nos outros pelos próximos 25 anos.
Até mesmo os corretores, profissionais avessos ao bancassurance (venda de seguro nos bancos) comemoraram a notícia sobre a fusão. “Há muitos riscos sem cobertura no mercado e tenho certeza de que a parceria vai agregar muito para o mercado de riscos comerciais, uma vez que a Zurich passa a ter uma operação mais diversificada e por isso mais equilibrada”, diz o presidente de uma corretora estrangeira.
A holding Zurich Santander ficará sediada em Madri, Espanha. De lá, o grupo suíco vai controlar 51% da operação junto com o Santander, dono dos outros 49%. A operação engloba cinco países latinos, com 5,6 mil pontos de vendas, sendo só o Brasil responsável por 3,8 mil. A união cria a quarta maior seguradora da América Latina, com prêmios de US$ 4,2 bilhões, superada por Bradesco, Mapfre e Itaú, as líderes do ranking de seguros da região. No segmento vida a Zurich Santander passa a ser a terceira maior e no segmento não vida a sexta maior.
“A operação sinaliza um alto potencial de crescimento com um vigoroso retorno de capital”, comentou o CEO mundial da Zurich, Martin Senn, em nota. Ele frisa o objetivo do grupo em atender a jovem e crescente população de 590 milhões de habitantes da América Latina, onde a penetração de serviços financeiros ainda é baixa. Ao mesmo tempo, as seguradoras européias deverão enfrentar dificuldades em 2011 em razão da estagnação da economia, baixa taxa de juros para remunerar os investimentos e novas exigências regulatórias, segundo estudo global da Ernst Young divulgado nesta semana.
O banco espanhol começou a buscar um parceiro para atuar na América Latina em 2008, mas a crise postergou a negociação. Vários grupos foram consultados, uma vez que o Brasil é o país que mais atrai o interesse dos estrangeiros em ampliar a atuação na região. A proposta da Zurich acabou seduzindo os espanhois. “As conversas começaram na Espanha há algum tempo. No Brasil, estamos estruturando a negociação desde o final de outubro”, conta Gilberto Abreu.
Há muitos anos a Zurich está no Brasil e seu principal problema era enfrentar os gigantes brasileiros com um farto canal de distribuição via bancos. Se reinventou por diversas vezes. Em 2008, com a abertura do mercado de resseguros, o grupo se animou e comprou a Minas Brasil, seguradora do Banco Mercantil, por R$ 286 milhões. Na época, a Zurich já tinha passado por uma ampla reformulação da estratégia mundial, priorizando os mercados emergentes.
Passou a atuar com vontade em grandes riscos, ganhando diversas concorrências, principalmente em seguros financeiros, onde inovou com a oferta de produtos com coberturas flexiveis e preços competitivos. Isso ajudou a matriz a olhar o Brasil com bons olhos e a atrair os investimentos disponíveis para diversificação geográfica decidida pelos acionistas.
Do outro lado, o Santander. Um banco forte, que caminha com passos firmes para construir uma operação financeira diferenciada, tendo como principal bandeira a sustentabilidade. Uma sustentabilidade verdadeira, marcada pelo slogan “juntos”. Pequenas atitudes provam isso e tudo começa pelo exemplo do presidente do banco, Fabio Barbosa. Em qualquer conversa, seja com banqueiros ou com amigos na praia da Baleia, litoral norte de São Paulo, o discurso dele é o mesmo. Coerente. De bom senso. Diz frases que são irrefutáveis. Como, por exemplo: “Temos não só de deixar um mundo melhor para nossos filhos como filhos melhores para o nosso mundo”, enfatizando a importância da educação tão relegada hoje em dia pelos pais e pelos governos.
Dentro desta lógica de sustentabilidade, a indústria de seguros surge como um dos pilares da estratégia do banco e de muitos outros. É um mercado que vem crescendo a passos largos nos últimos anos e assim continuará por mais um bom período. Afinal, os riscos da sociedade moderna, das mudanças climáticas e dos conflitos humanos favorecem o setor, que vende contratos com uma promessa de segurança.
Na América Latina, a situação é animadora. A economia cresce, a renda da população aumenta e os investimentos se alastram. Além disso, a penetração de seguros na região está abaixo da média mundial. Enquanto em nações maduras a penetração de seguros equivale ao tamanho da economia, no Brasil há um descompasso. O país está entre as maiores economias do mundo e entre os vinte maiores mercados de seguros. Em relação ao PIB, mercados maduros apresentam indicador de 8% e o Brasil de apenas 3%.
Fora isso, temos uma inclusão social pouco vista em outros países. Nos últimos cinco anos, o Brasil ganhou 30 milhões de novos consumidores e a previsão é ganhar outros 30 milhões nos próximos cinco. O ganho de renda da população estimula o consumo, que por sua vez aumenta a demanda por seguros. Há negócios para as seguradoras em todas as frentes. Seja para garantir a exploração do Pré-Sal, a expansão da fábrica, seja para garantir a reposição do primeiro carro em caso de roubo ou acidente ou mesmo para satisfazer o desejo das classes de menor poder aquisitivo de proporcionar um funeral digno ao ente querido.
Isso mesmo. O seguro funeral é um dos mais vendidos na categoria microsseguros, nicho que aguarda regulamentação do governo para ser assim chamado. Enquanto as normas não saem, o jeito é chamar de seguro popular. Tudo isso torna a indústria de seguros um dos grandes alvos para investimentos. Até mesmo quem sempre relutou em investir em seguros cedeu a modernização do arcabouço regulatório e da governaça. Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco, apostou em uma parceria com a Porto Seguro no ano passado. Pouco a pouco, o resultado começa a aparecer e a participação de seguros a evoluir até mesmo para seguros populares ligados a microfinanças.
Eis aqui um nicho onde a parceria Zurich Santander deverá proliferar. A Zurich, uma das principais seguradoras de microsseguros no mundo, iniciou um projeto com o Banco Palmas, no Nordeste. O projeto ficou famoso no mundo todo por ser agora um exemplo a ser repicado em vários países pelo grupo suíço. Também contou pontos na avaliação da escolha pelo Santander, que tem um dos programas de microfinanças mais bem desenvolvido do Brasil.
Bem, como dizem os concorrentes, trata-se de uma bela parceria, que deverá render bons frutos para todos. Traz ao Santander a oportunidade de explorar a venda de seguros de grandes riscos aos clientes, assim como uma enorme variedade de produtos antes não comercializados. Para a Zurich, a associação traz a oportunidade de aumentar a escala e consequentemente o lucro, atraindo cada vez mais o capital do acionista para a operação. E para os clientes, produtos inovadores, como o recém lançado Melhor Idade, para atender idosos, um nicho relegado por quase todos.
Em breve novas parcerias deverão ser anunciadas no mercado brasileiro, que é considerado o mais dinâmico pela indústria mundial de seguros. Digo é, pois ainda há uma chance de o governo rever as mudanças efetuadas em dezembro de 2010 na legislação do resseguro.
Caso o governo aceite renegociar a regra que proibe a retrocessão de resseguro entre empresas do mesmo grupo, a entrada de capital estrangeiro no setor deverá manter o ritmo acelerado. Caso contrário, além de suspender investimentos na ampliação das operações, os estrangeiros darão menos recursos para garantir os milionários contratos de infraestrutura. Recentemente, uma das sócias de Belo Monte ficou sem garantias e teve de sair da sociedade de uma as maiores usinas do mundo.
Santander e Zurich: acordo de US$ 3,2 bi na AL
Por Denise Bueno em 22/02/2011
Depois de meses em negociação, o banco espanhol Santander e o grupo segurador suíço Zurich anunciaram hoje a criação de uma holding para a venda de seguros por 25 anos em cinco países da América Latina, sendo o Brasil o maior mercado da região. Esta parceria, avaliada em US$ 3,2 bilhões, reforça a atuação dos dois grupos na região e deverá incomodar a concorrência.
A Zurich, com o controle de 51% da nova empresa, ganha 5,6 mil agências do Santander para vender seguros. Já o Santander, com 49% do capital da holding, ganha produtos sofisticados do grupo suíço e 51% do valor da negociação no ato da assinatura. Os recursos serão usados para reforçar o caixa do banco espanhol. Os segmentos de automóvel e de capitalização ficaram fora do acordo.
Veja abaixo o comunicado:
O Grupo Santander e a seguradora Zurich Financial Services Group chegaram a um acordo para formar uma parceria estratégica que potencializará o negócio de seguros nos cinco mercados chave para o Grupo na América Latina: Brasil, Chile, México, Argentina e Uruguai.
A parceria combina a experiência e a liderança da Zurich no desenvolvimento e gestão de produtos de seguros com a forte capacidade de distribuição do Banco Santander, a franquia líder na região. Após esse acordo, o Santander reforçará sua oferta comercial de seguros de vida, previdências, crédito e gerais, através de sua rede de mais de 5.600 agências nesses cinco mercados. Com isso, prevê incrementar de forma significativa sua receita relativa à distribuição de produtos de seguro, que, em 2010, atingiu US$ 972 milhões.
“Com essa parceria, os clientes do Santander serão beneficiados por um catálogo de produtos de seguros bancários mais amplo e inovador, gerenciado por um líder global. O acordo permitirá a aceleração de nosso crescimento no segmento de seguros, combinando os pontos fortes de cada sócio”, diz Javier Marín, diretor geral responsável pela divisão de Banco Privado Global, Gestão de Ativos e Seguros do Banco Santander Espanha.
O Santander criará uma holding para integrar a produção de seguros na América Latina. A Zurich adquirirá 51% do capital e ficará responsável pela gestão das empresas. O Santander manterá 49% do capital dessa holding e assinará um acordo de distribuição para a venda de produtos de seguro em cada país durante 25 anos.
As unidades de seguros do Banco Santander nesses cinco mercados geraram prêmios de US$ 4,2 bilhões em apólices de vida e 574 milhões de dólares em apólices de não vida em 2010, ao passo que as da Zurich aumentaram para US$ 670 milhões em vida e para US$ 1,3 bilhões em não vida.
A operação, que inclui as empresas de seguros da América Latina e os acordos de distribuição, foi avaliada em US$ 3,2 bilhões. A Zurich pagará ao Santander, na data de fechamento da operação, 51% do referido valor, US$ 1,6 bilhões. Além disso, o acordo inclui pagamentos diferidos em função do cumprimento do plano de negócio nos próximos 25 anos e de um esquema de proteção caso sejam produzidos cumprimentos inferiores ao mesmo.
Esta operação, que está sujeita às autorizações pertinentes dos diferentes reguladores, gera ao Grupo Santander, pelo conjunto das receitas a que se refere o parágrafo anterior, acréscimos por quantia de 1,210 bilhões de dólares, que serão destinados ao reforço do saldo do Banco na Espanha.
No Brasil – De acordo com José Paiva Ferreira, vice-presidente executivo sênior de Varejo do Santander Brasil, os benefícios originados nessa parceria fortalecerão o negócio do banco no País especialmente por conta do elevado grau de complementaridade existente entre as duas empresas. “A maior parte dos produtos oferecidos pela Zurich não está no portfólio da Santander Seguros, que tem uma atuação bastante focada em produtos simples de vida e previdência. Com a união, esperamos poder enriquecer nossa oferta de produtos financeiros mais sofisticados, dado que a Zurich tem uma oferta completa de seguros para todos os ramos de atuação.”
Para o diretor executivo de Seguros do Santander Brasil, Gilberto Abreu, a novidade trará vantagens diretamente ao cliente final. “O Santander possui grande capilaridade e capacidade de distribuição, enquanto a Zurich tem expertise diferenciada no desenvolvimento de produtos. O encontro desses atributos significa que o consumidor terá acesso mais fácil e a um portfólio de seguros mais variado”, finaliza.
Travelers passa a deter 43% da JMalucelli
Por Denise Bueno em 04/11/2010
Mais um estrangeiro investindo na indústria de seguros do Brasil. Desta vez o anúncio vem do Paraná Banco e do grupo americano Travelers, segunda maior seguradora dos EUA. Em nota, as empresas afirmam que assinaram, hoje um contrato para investimento na JMalucelli Participações em Seguros e Resseguros, holding de seguros controlada pelo Paraná Banco. Esta é a segunda vez que o grupo tem um sócio. O primeiro foi o fundo de private equity Advent.
Segundo nota, o investimento da Travelers possibilitará às empresas JMalucelli Seguradora, JMalucelli Resseguradora e a JMalucelli Seguradora de Crédito uma alavancagem operacional com ganhos estratégicos em diversos ramos de seguros. Mediante aporte no valor de R$ 625 milhões e a distribuição de dividendos ao Paraná Banco no valor de R$ 110 milhões, a Travelers tornar-se-á titular de 43,4% do capital votante da JMalucelli Participações em Seguros e Resseguros, avaliada previamente à realização do investimento e a distribuição de dividendos em R$ 925 milhões. A Travelers terá a opção, pelo prazo de 18 meses após a conclusão da operação, de aumentar sua participação para até 49,9% do capital votante da Companhia.
A conclusão da operação está sujeita a autorização da SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) e também será submetida à aprovação pelas autoridades do sistema brasileiro de defesa da concorrência.
Veja a íntegra do comunicado:
O Paraná Banco e a Travelers entendem que os benefícios do contrato assinado, além da capitalização na holding de seguros, potencializando uma maior retenção de prêmios de seguro, proporcionarão o fortalecimento das operações de seguro garantia no Brasil, a exploração do mercado de resseguro garantia na América Latina e benefícios decorrentes de sinergia em know how. Além disto, o suporte de uma marca conhecida e respeitada internacionalmente como a Travelers, proporcionará à JMalucelli Seguradora e à JMalucelli Resseguradora um maior apoio de resseguradores internacionais, que são fundamentais na emissão de apólices de grande porte.
Outro ponto positivo desta operação será o ingresso das companhias de seguro JMalucelli no segmento de ramos elementares (Property and Casualty). A intenção é aproveitar a sinergia com a Travelers e todo o seu expertise neste produto para iniciar a atuação da JMalucelli neste segmento no Brasil.
Para Jay Fishman, Presidente do Conselho e Diretor Presidente da Travelers, “esta será uma grande oportunidade para a seguradora norte americana de ter acesso, por meio de um líder de mercado, a um país com uma das economias que crescem mais rápido no mundo”.
Já para Alexandre Malucelli, Diretor Vice-Presidente da JMalucelli Seguradora e Diretor Presidente da JMalucelli Resseguradora, esta parceria deve proporcionar as seguradoras JMalucelli uma maior rentabilidade dos seus negócios de seguro garantia no território brasileiro adicionado à expansão de suas atividades para o mercado latino e o ingresso em outros ramos de seguro. “Estamos entusiasmados com esta parceria que nos dará a oportunidade de atingir um outro patamar em termos de tamanho e abrangência das nossas operações. Isto é extremamente benéfico frente ao mar de oportunidades que virá com obras de infra-estrutura que o Brasil aguarda para os próximos anos e o próprio desenvolvimento do país”, conclui Malucelli.
O Paraná Banco e a J. Malucelli tiveram como assessor financeiro exclusivo para a operação o Banco BTG Pactual e como assessor jurídico o escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados.




