Seguros projetam 2026 de crescimento acima do PIB e região Norte/Nordeste é alvo de investimentos

O setor de seguros entrou em 2026 com uma mensagem de confiança, mesmo em um ambiente econômico ainda marcado por incertezas. Esse foi o tom do painel “Cenários para o Brasil em 2026”, realizado no ConsegNNE 2026, em Salvador, que começou nesta sexta-feira, 13, e termina amanhã.

Dados apresentados pela CNseg, a confederação das seguradoras, com base em dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), e pelo Sindseg NNE reforçam o potencial da região no avanço do mercado segurador. O mercado segurador do Norte e Nordeste movimentou R$ 39,5 bilhões em arrecadação em 2025, o que representou 9,5% da arrecadação nacional, acima dos 9,1% registrados em 2024.

Embora o volume regional tenha recuado 1% na comparação anual, o desempenho foi melhor do que o do Brasil como um todo, que teve queda nominal de 4,8%, o que evidencia ganho de participação da região no mercado nacional. Dentro desse resultado, o segmento de Danos e Responsabilidades arrecadou R$ 11,26 bilhões, com alta de 10,4%, enquanto o Automóvel respondeu sozinho por R$ 5,55 bilhões, também com avanço de 10,4%. O ramo Patrimonial somou R$ 2,13 bilhões, e os produtos massificados cresceram com força, alcançando R$ 1,03 bilhão, alta de 22%.

Pelo lado das indenizações, benefícios, resgates e sorteios, a região também avançou. Em 2025, o volume pago pelo setor a consumidores e empresas no Norte e Nordeste totalizou R$ 10,3 bilhões, crescimento de 8,9% em relação a 2024, acima da média nacional, de 5,6%. Com isso, a participação regional no total desembolsado no país subiu de 7,6% para 7,8%. Pernambuco, Ceará e Pará lideraram os pagamentos, com R$ 2,3 bilhões, R$ 1,8 bilhão e R$ 1,5 bilhão, respectivamente. O segmento de Danos e Responsabilidades respondeu por 44% do total pago na região, equivalente a R$ 4,5 bilhões, enquanto o seguro Automóvel desembolsou R$ 3,4 bilhões em indenizações, com expansão de 14,5%, acima dos 7,6% observados no Brasil, reforçando o peso desse ramo na estratégia de crescimento das seguradoras na região.

Na abertura oficial do 6º ConsegNNE, o presidente do Sincor-BA, Josimar Antunes – anfitrião do evento – destacou a relevância do papel exercido pelo Corretor de Seguros. “Este congresso não é apenas um evento técnico. É, acima de tudo, um encontro de propósito. É o momento em que reafirmamos o valor do Corretor de Seguros como agente de confiança, como educador financeiro da população e como pilar fundamental da sustentabilidade do mercado. O corretor de seguros não vende apenas apólices. ele constrói relações, traduz riscos em soluções e transforma incertezas em proteção”, pontuou.

Por sua vez, o presidente da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Lucas Vergilio, anunciou que a instituição trouxe uma grande novidade para o evento, que pode representar um salto de qualidade para os Corretores de Seguros. “Instalada aqui na feira de negócios, a ENS TechVillage será uma experiência imersiva voltada à conexão entre tecnologia, educação e aplicação prática. A iniciativa resulta de parceria da instituição com a SOSA, empresa israelense de inovação com atuação global e forte presença no desenvolvimento de soluções para o mercado de seguros”, acentuou, acrescentando que, no espaço, quatro empresas apresentarão ferramentas tecnológicas que poderão ser testadas pelos Corretores de Seguros, com foco na incorporação dessas soluções às jornadas de captação, vendas e pós-venda. 

O presidente da Fenacor, Armando Vergilio, manifestou a certeza de que a perfeita sinergia entre as entidades do setor é vital para o crescimento do mercado de seguros. Ele classificou o 6º ConsegNNe como um evento “diferente” e de extrema relevância. “O evento terá 67 painéis com mais de 80 painelistas e palestrantes. Além disso, haverá 11 salas de negócios com palestras simultâneas. Todos os temas de importância para o mercado estarão sendo discutidos aqui”, assegurou Vergilio.

Após a formalidade da abertura com políticos e entidades responsáveis pela organização do evento, começou o debate sobre como fazer o setor de seguros alcançar o tamanho necessário para o Brasil ter uma sociedade protegida de riscos previstos e imprevistos. Um plano previsto é sair dos 6,4% de participação do PIB brasileiro para 10% até 2023, o que depende do desenvolvimento do país, das seguradoras e dos consumidores.

Perspectivas econômicas e de crescimento de seguros caminham de mãos dadas

O professor da Fundação Dom Cabral, Gilmar Mendes, e executivos do mercado compartilharam com mais de 2 mil participantes, em sua maioria corretores de seguros e assessorias, uma leitura macroeconômica do país que pode ser traduzida em oportunidades concretas para o setor de seguros. Marcelo Goldman, diretor de produtos massificados da Tokio Marine; Ney Dias, presidente da Fenseg; e Rafael Amaral, diretor da HDI Seguros, reforçaram a avaliação de que o seguro seguirá crescendo acima da economia, apoiado por mudanças estruturais no consumo, pela ampliação do uso da tecnologia e pelo ainda elevado gap de proteção no país.

Gilmar Mendes traçou um cenário de cautela, mas sem pessimismo. Na visão do professor da Fundação Dom Cabral, o Brasil chega a 2026 em uma posição melhor do que a percepção geral costuma sugerir, sustentado por um mercado de trabalho resiliente, por atividade econômica ainda firme e pela perspectiva de continuidade do crescimento. Ao mesmo tempo, o país segue exposto a riscos externos e a entraves internos que limitam uma expansão mais robusta, como o ambiente global mais lento, a necessidade de maior previsibilidade regulatória e os desafios fiscais. A mensagem central foi a de que o Brasil tem condições de avançar, mas dependerá de sua capacidade de transformar potencial em crescimento sustentado.

Essa leitura macroeconômica encontrou eco imediato nas falas dos executivos do setor, que fizeram a ponte entre o cenário do país e a dinâmica dos negócios. Embora Norte e Nordeste tenham um peso ainda discreto se comparado a São Paulo, Rio, região Sul, é citada com relevância pelas seguradoras. Norte e Nordeste são vistos como territórios estratégicos para a expansão do mercado, tanto pelo crescimento da mobilidade, da atividade econômica e do agronegócio quanto pelo enorme espaço ainda existente para ampliar a proteção de pessoas, veículos, residências, empresas e operações logísticas.

Marcelo Goldman levou ao debate uma leitura bastante objetiva sobre o seguro automóvel, um dos principais ramos da carteira de seguros gerais. Segundo ele, o segmento segue promissor, mas vem convivendo com um ritmo de expansão mais moderado, refletindo o desempenho da própria indústria automobilística. O executivo observou que o mercado de veículos novos ainda não recuperou plenamente o patamar pré-pandemia e lembrou que, antes da crise sanitária, o Brasil vendia cerca de 2,8 milhões de veículos por ano, enquanto 2025 terminou em torno de 2,6 milhões. Para ele, essa desaceleração impacta diretamente o seguro auto, que depende fortemente da entrada de veículos novos na frota segurada.

Goldman destacou, porém, que há transformações estruturais relevantes em curso. Uma delas é o aumento do valor médio dos veículos no Brasil, movimento que elevou a importância segurada e, por consequência, a arrecadação do ramo. Outra é o crescimento dos veículos eletrificados, que vêm ganhando espaço na indústria automobilística e exigem adaptação técnica das seguradoras e dos corretores. Mas o fenômeno que mais chamou atenção em sua fala foi o avanço das motos, especialmente importante no Nordeste. Segundo ele, esse mercado deixou de vender algo próximo de 1 milhão de unidades por ano para superar 2,2 milhões em 2025, abrindo uma oportunidade clara para expansão do seguro voltado a esse tipo de veículo. Na leitura do executivo, os corretores precisam estar atentos a esse movimento, porque ele pode representar uma importante frente de crescimento nos próximos anos.

O diretor da Tokio Marine também ressaltou que, apesar de o seguro automóvel não estar vivendo hoje os mesmos ritmos de alta de outros momentos, continua sendo um ramo relevante e com forte capacidade de reação. Ele lembrou que o mercado de auto movimenta cerca de R$ 62 bilhões por ano e segue altamente dependente do corretor, principal canal de distribuição da carteira. Ao mesmo tempo, ponderou que o avanço dos multicálculos, das novas ferramentas tecnológicas e da própria sofisticação do produto transformou o ramo nos últimos anos, exigindo maior capacidade consultiva dos profissionais que atuam nessa frente.

Se Marcelo Goldman olhou para o automóvel, Ney Dias ampliou a lente para os demais ramos e reforçou que o mercado segurador brasileiro continua exibindo um desempenho robusto. Segundo ele, os seguros gerais cresceram acima da média da indústria e devem seguir avançando em 2026, impulsionados por linhas como patrimonial, transporte, riscos financeiros, habitacional e rural. Na sua avaliação, o patrimonial tem sido puxado especialmente pela demanda de pequenas e médias empresas e pelo residencial, enquanto o transporte ganhou novo impulso com fatores regulatórios e com o crescimento do comércio eletrônico.

Ao comentar a carteira de riscos financeiros, Dias destacou o seguro garantia como uma das linhas que seguem ganhando espaço, em um contexto de maior discussão tarifária, judicialização e necessidade de soluções para operações empresariais. Também chamou atenção para o desempenho do seguro habitacional e para a importância do agronegócio, que sustenta a expansão de coberturas rurais e de seguros para máquinas e equipamentos cada vez mais sofisticados. Em sua leitura, o principal pano de fundo para tudo isso é o tamanho do gap de proteção brasileiro.

Para o presidente da Fenseg, o mercado ainda tem uma fatia enorme de residências, empresas, patrimônios e atividades econômicas sem cobertura adequada. É justamente esse vazio que sustenta a convicção de que o seguro pode continuar crescendo acima do PIB. Ney Dias defendeu que a combinação entre corretor, seguradora e novas tecnologias pode acelerar a formação de consciência sobre proteção no Brasil. Em vez de limitar o profissional à burocracia e às tarefas operacionais, o uso de inteligência artificial e de ferramentas digitais tende a liberar tempo para uma atuação mais consultiva, voltada à prospecção, ao aconselhamento e ao desenho de soluções mais aderentes à necessidade do cliente.

A fala de Rafael Amaral acrescentou ao painel uma dimensão estratégica adicional: a percepção do investidor estrangeiro. Representando a HDI Seguros, integrante de um grupo alemão presente em diversas economias, o executivo afirmou que o Brasil continua sendo um mercado potencial para companhias globais com ambição de expansão internacional. Ele argumentou que o país reúne características que inspiram confiança: é o maior mercado de seguros da América Latina, mantém rentabilidade, apresenta sofisticação crescente e avança em tendências como o uso de inteligência artificial, que já mobiliza investimentos relevantes no setor, segundo estudo da CNseg em parceria com a EY.

Na visão de Amaral, há ainda um fator decisivo: o mercado brasileiro continua grande, resiliente e subpenetrado. Em outras palavras, apesar do crescimento recente, o seguro ainda ocupa uma participação relativamente baixa diante do potencial da economia e da dimensão dos riscos existentes no país. Isso significa que ainda há muito espaço para ampliar cobertura na frota, no patrimônio, nas empresas e nas cadeias produtivas. Para grupos estrangeiros, esse conjunto de fatores torna o Brasil uma escolha natural, sobretudo quando se considera a solidez institucional e o papel do seguro como mecanismo de redução de volatilidade econômica.

Em conversa com executivos na feira de negócios que acontece na parte da tarde, a leitura de crescimento regional ganhou reforço nas falas de Fabio Morita, diretor de Automóvel, Massificados e Vida da Allianz, e de Patricia Chacon, CEO da Porto. Morita destacou que a Allianz tem intensificado sua presença em Norte e Nordeste com uma estratégia centrada na proximidade com o corretor e na adaptação de produtos e processos às necessidades locais. De acordo com os dados disponibilizados pela Susep de 2025, a Allianz está entre as top 5 seguradoras da região Norte e entre as top 7 seguradoras da região Nordeste.

Segundo ele, a companhia vem ampliando o apetite em diferentes frentes, com maior aceitação no seguro empresarial, expansão da atuação em veículos de alto valor, avanço em frotas e foco renovado em vida. O executivo afirmou que a seguradora quer crescer de forma diversificada e estruturada, apoiando-se em uma presença comercial mais forte nas praças regionais e em programas de capacitação voltados aos corretores.

Morita reforçou que a Allianz tem investido na escuta ativa do corretor e em uma atuação mais próxima nas diferentes cidades do Norte e do Nordeste. Ele citou visitas recentes da liderança da companhia a capitais como Rio Branco, Manaus e Porto Velho como parte de uma estratégia mais ampla de presença territorial. Também destacou o lançamento de um novo sistema de vida coletivo, com usabilidade mais amigável, além do fortalecimento da estrutura comercial voltada tanto ao seguro de vida coletiva quanto ao individual. Para ele, o crescimento do mercado regional passa não apenas por ampliar a oferta, mas por capacitar o corretor a diversificar a carteira e atuar em linhas além do automóvel.

Patricia também ressaltou a importância estratégica de Norte e Nordeste para o grupo Porto. Segundo ela, a região reúne fatores que reforçam seu potencial de expansão, como aumento dos investimentos, crescimento do agro, fortalecimento do turismo e demanda crescente por soluções mais aderentes à realidade local. A executiva afirmou que a Porto tem avançado fortemente no automóvel, tanto com a marca Porto quanto com a Azul, e citou como exemplo o lançamento de produtos voltados ao motorista de aplicativo, segmento que ganhou relevância e passou a exigir soluções específicas. Entre eles estão opções como cobertura de roubo e furto e modalidades compactas com proteção para perda parcial por colisão.

Outro destaque trazido por Patricia foi o lançamento do serviço de atendimento em até 15 minutos, com expansão para Salvador a partir de 1º de abril, no período entre 22h e 5h. A proposta, segundo ela, reforça a busca da companhia por maior agilidade e melhor experiência para o segurado. A executiva fez questão de enfatizar que a estratégia regional da Porto não se limita ao automóvel. O grupo também quer ampliar sua presença em residencial, empresarial e vida, com produtos mais personalizados, simples de contratar e capazes de facilitar o cross selling dentro da carteira do corretor. Nesse contexto, ela mencionou a proteção combinada, que reúne carro, casa e celular em uma mesma apólice, e as condições comerciais reforçadas para o seguro de vida, incluindo benefícios como assistência funeral para os pais.

Tanto Allianz quanto Porto convergiram em um ponto central: o corretor segue no centro da estratégia de crescimento. Em regiões como Norte e Nordeste, onde o potencial de expansão ainda é elevado e a diversificação das carteiras é um desafio constante, ouvir o corretor, simplificar produtos, investir em treinamento e adaptar soluções às características locais aparecem como fatores decisivos. A mensagem dos executivos foi a de que não basta apenas oferecer mais produtos; é preciso tornar a venda mais simples, ampliar a percepção de valor do seguro e ajudar o corretor a identificar novas oportunidades dentro da própria base de clientes.

CNseg e Susep defendem inovação, acesso e nova regulação para ampliar penetração do seguro no Brasil

A ampliação da participação do seguro no Brasil depende de uma combinação entre inovação, regulação eficiente, tecnologia bem aplicada e comunicação mais clara com o consumidor. Essa foi a mensagem central transmitida pelo presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, e pelo superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, ao debaterem os caminhos para fazer o seguro avançar em um país ainda marcado por baixa cobertura em áreas estratégicas e por forte lacuna de proteção diante de tragédias climáticas e riscos econômicos.

Para Dyogo Oliveira, o ponto de partida é lembrar que o arcabouço legal do setor deve servir ao consumidor. “A legislação está aqui para proteger o segurado e não as seguradoras ou os corretores”, afirmou. A partir dessa premissa, ele defende que o mercado concentre esforços em soluções que gerem expansão real, com produtos mais aderentes ao perfil da população e linguagem menos técnica. Na avaliação do executivo, não basta sofisticar sistemas e normas se o setor não conseguir chegar ao consumidor com clareza e valor percebido.

Dyogo sustenta que o desafio passa por rever prioridades. “Temos de focar no crescimento do mercado, em gerar novos produtos, com custo mais baixo, linguagem e capacidade de chegar no consumidor com um linguajar mais acessível e que seja entendido”, disse. A observação dialoga com um problema recorrente apontado pelo setor: boa parte dos consumidores não compreende plenamente os termos das apólices, o que dificulta a contratação e enfraquece a percepção do seguro como instrumento de proteção essencial. Para ele, ampliar a penetração exige traduzir melhor o papel do seguro no cotidiano das famílias e empresas.

Ao mesmo tempo, o presidente da CNseg ressalta que a transformação tecnológica em curso abre oportunidades concretas para acelerar esse movimento. “80% das seguradoras brasileiras estão utilizando inteligência artificial em alguns dos seus processos”, afirmou. Segundo Dyogo, o uso de IA já melhora a velocidade de resposta, amplia a capacidade de identificar fraudes e aumenta a eficiência operacional. Ainda assim, ele pondera que tecnologia não pode ser tratada apenas como modernização interna: ela precisa ajudar a reduzir custos, ampliar acesso e sustentar um modelo de crescimento mais inclusivo.

A preocupação com tecnologia, porém, não se limita aos ganhos de produtividade. Dyogo também fez um alerta sobre a concentração de dados em poucos operadores do mercado, especialmente no ambiente dos multicálculos e das plataformas que intermediam fluxos de informação, como as SPOC, corretores dentro do Open Insurance. Na sua leitura, esse modelo traz riscos operacionais, concorrenciais e até estratégicos para o setor. Por isso, a discussão sobre Open Insurance e compartilhamento de dados, defende ele, deve ser conduzida com atenção à competição, à segurança da informação e ao real benefício entregue ao consumidor.

Do lado da Susep, Alessandro Octaviani vem reforçando que ampliar a cobertura securitária no Brasil é uma agenda urgente não apenas para o mercado, mas para o país. Ao comentar a baixa proteção diante de tragédias recentes, ele tem insistido que o setor precisa ganhar escala social. “O seguro precisa ser conhecido e, portanto, acessado pela população”, afirmou. A frase resume a visão de que a expansão do mercado depende de democratização, visibilidade e acesso — e não apenas de crescimento dentro da base tradicional de clientes já segurados.

Octaviani tem associado esse debate ao impacto das mudanças climáticas e ao tamanho da lacuna de proteção brasileira. Ao citar o caso do Rio Grande do Sul, lembrou que as perdas econômicas superaram R$ 100 bilhões, enquanto as indenizações do mercado ficaram em torno de R$ 6 bilhões. Para ele, esse descompasso mostra que o país ainda deixa desprotegida uma parte muito grande da sociedade. Daí a defesa de novos instrumentos capazes de distribuir melhor os riscos e envolver mais participantes na proteção coletiva.

Nessa linha, o superintendente sustenta que o avanço do seguro precisa se apoiar em uma lógica mais ampla de compartilhamento social dos riscos. “Temos de ser capazes de colocar a conta organizada e distribuída por todos os ofertantes; isso significa uma sociedade mais resiliente”, afirmou. O raciocínio é que, quanto maior a base de segurados e quanto mais disseminada estiver a proteção, maior será a capacidade de resposta da economia diante de eventos extremos. Trata-se, em sua visão, de fortalecer uma espécie de solidariedade securitária, em que mais pessoas participam do sistema e ajudam a sustentar sua capacidade de indenização.

O titular da Susep também chama atenção para o desenho da infraestrutura tecnológica que vai sustentar essa expansão. “Temos de pensar uma tecnologia de dados que não leve à concentração”, disse. A observação mostra que, para a autarquia, a digitalização do setor não pode resultar em poucos agentes controlando volumes excessivos de informações estratégicas. Ao contrário, a meta deve ser criar um ambiente com mais participação, maior concorrência e melhor distribuição das oportunidades de mercado.

A convergência entre CNseg e Susep aparece justamente nesse ponto: ambos reconhecem o peso da inovação, mas rejeitam a ideia de que a modernização por si só resolverá o problema da baixa penetração. O que está em jogo é construir um setor capaz de sair de um modelo ainda muito concentrado em consumidores de renda média e alta e alcançar uma parcela mais ampla da sociedade, com soluções compreensíveis, acessíveis e compatíveis com os riscos do presente.

Nesse contexto, a agenda regulatória tende a ganhar ainda mais relevância. Enquanto a Susep avança em regulamentações ligadas a cooperativas, proteção patrimonial mutualista e novos marcos legais, a CNseg insiste que o sucesso dessas mudanças dependerá de sua capacidade de se converter em crescimento efetivo do mercado. Em comum, Dyogo Oliveira e Alessandro Octaviani defendem que o futuro do seguro no Brasil passa por uma equação clara: menos barreiras de linguagem, mais tecnologia útil, mais competição, mais acesso e maior capacidade de responder a riscos que já não podem mais ser tratados como excepcionais.

Seguradoras estimam R$ 38,4 milhões em indenizações após chuvas na Zona da Mata mineira

As fortes chuvas que atingiram municípios da Zona da Mata mineira entre 23 de fevereiro e 2 de março devem gerar cerca de R$ 38,37 milhões em indenizações de seguros de automóveis, segundo levantamento parcial da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).
 

O estudo reúne dados de 14 seguradoras, que representam aproximadamente 84% do mercado de seguro auto, e contabiliza 679 sinistros envolvendo automóveis e 30 ocorrências com motocicletas no período analisado. Além disso, foram registradas 902 solicitações de assistência, como serviços de guincho e apoio emergencial aos segurados.
 

Entre os municípios analisados, Ubá concentra o maior número de sinistros com automóveis (303), seguida por Juiz de Fora (277), Matias Barbosa (25) e outros municípios da região (74). No caso das motocicletas, foram 15 ocorrências em Ubá, 10 em Juiz de Fora, 4 em outros municípios e 1 em Matias Barbosa.
 

As assistências também tiveram forte concentração em Juiz de Fora (511 atendimentos) e Ubá (251), além de 102 registros em outros municípios e 38 em Matias Barbosa.
 

Em termos financeiros, Ubá concentra a maior estimativa de indenizações, com cerca de R$ 22,2 milhões, seguida por Juiz de Fora (R$ 13,2 milhões), outros municípios da região (R$ 1,65 milhão) e Matias Barbosa (R$ 1,25 milhão).
 

Segundo Jaime Soares, presidente da Comissão de Automóvel da FenSeg, a prioridade do setor é garantir rapidez no atendimento aos segurados afetados pelos eventos climáticos. “A orientação das seguradoras e dos nossos corretores é prestar atendimento ágil aos segurados, mobilizando as estruturas de assistência e regulando os sinistros com rapidez, para que as indenizações sejam pagas no menor prazo possível”, afirma.

A FenSeg destaca que os números fazem parte de um levantamento preliminar do setor segurador e podem ser atualizados à medida que novos avisos de sinistro forem registrados pelas seguradoras.
 

O episódio reforça também a necessidade de ampliar a qualidade das informações disponíveis sobre impactos econômicos de eventos climáticos no país. Para contribuir nesse diagnóstico, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) desenvolveu o Radar de Eventos Climáticos e Seguros no Brasil, uma metodologia que cruza dados oficiais do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID) — base utilizada pelas Defesas Civis para registro de ocorrências — com bases internacionais consolidadas, como a Emergency Events Database (EM-DAT), mantida por um centro de pesquisa europeu e reconhecida mundialmente como referência em estatísticas sobre desastres.
 

O Radar identifica eventos relevantes, estima perdas por setor — agropecuária, indústria, infraestrutura e setor público — e constrói uma linha de base técnica independente de limitações operacionais locais.

Bradesco Capitalização lança edição especial do “Meu Primeiro Milhão”

A Bradesco Capitalização acaba de lançar o “Meu Primeiro Milhão – Edição Especial”. Por meio de uma assinatura de R$ 10, o produto une premiações instantâneas, sorteios mensais, super sorteio milionário e benefícios adicionais, como cupons de desconto e cashback em diversas lojas, oferecendo uma proposta atrativa.

Enquanto a assinatura estiver ativa, o cliente concorre, todos os meses, a 40 prêmios de R$ 10 mil e um prêmio especial de R$ 1 milhão. Além das premiações mensais, o produto disponibiliza mais de 40 mil prêmios instantâneos de até R$ 50 mil, ampliando significativamente as oportunidades de ganho. O produto reforça o posicionamento da Bradesco Capitalização de democratizar o acesso a grandes premiações e ampliar a sua participação em outras modalidades. “O ‘Meu Primeiro Milhão – Edição Especial’ nasce com o propósito de realizar sonhos. Um produto simples e acessível”, afirma José Pires, Diretor-Presidente da Bradesco Capitalização.

A contratação é realizada de forma rápida e totalmente digital pelo app Bradesco e a experiência inclui uma dinâmica interativa para participação nos prêmios instantâneos, tornando a jornada mais envolvente e reforçando o compromisso da instituição com inovação e praticidade nos canais digitais.

Tokio Marine reforça parceria com corretores no ConsegNNE e mira expansão no Norte e Nordeste

A Tokio Marine reuniu, nesta quinta-feira, Corretores de Seguros que participarão do 6º ConsegNNE, evento que acontece dias 13 e 14, em um almoço no restaurante Amado, em Salvador, em mais uma iniciativa voltada ao fortalecimento do relacionamento com parceiros estratégicos e à valorização do Norte e Nordeste no plano de expansão da companhia.

Realizado em um dos espaços mais emblemáticos da gastronomia baiana, com vista para a Baía de Todos os Santos, o encontro teve tom descontraído, mas carregou uma mensagem clara dos principais executivos da companhia: as duas regiões estão no centro da estratégia de crescimento da subsidiária do maior grupo segurador do Japão no Brasil.

Durante o encontro, Marcos Kobayashi, diretor comercial Varejo e Vida da Tokio Marine, compartilhou com os convidados os recordes alcançados pela seguradora e fez um agradecimento direto aos corretores. “Graças ao trabalho de vocês, temos conquistado números recordes”, afirmou, reforçando o papel do canal de distribuição no desempenho da companhia.

Segundo ele, a participação da Tokio Marine no ConsegNNE ocorre em um momento em que a seguradora busca aprofundar sua presença regional, combinando expansão geográfica, diversificação de portfólio, tecnologia e proximidade com o mercado local. “As regiões Norte e Nordeste são estratégicas para a Tokio Marine, pois concentram um relevante potencial de crescimento impulsionado por setores como infraestrutura, turismo e transportes”, disse.

De acordo com o executivo, a estratégia para crescer em um ambiente macroeconômico e regulatório mais desafiador está baseada em presença local, oferta aderente às especificidades de cada praça e fortalecimento do relacionamento com corretores. “Nossa estratégia está fundamentada na proximidade com o mercado local, na ampliação da presença regional e na oferta de soluções alinhadas às demandas específicas de cada praça”, afirmou. Nesse movimento, a companhia inaugurou em 2025 duas novas sucursais, em São Luís e Vitória da Conquista, reforçando o processo de interiorização da operação.

Kobayashi destacou que a atuação da Tokio Marine nas duas regiões é ampla e contempla seguros empresariais, Auto, Vida e produtos massificados, sempre respeitando o perfil econômico e as oportunidades de cada mercado. Para ele, o corretor ocupa posição central nesse avanço. “O corretor de seguros exerce papel central. Ele é o principal elo com o Cliente, compreende as necessidades específicas de cada realidade e contribui para a construção de relacionamentos duradouros”, ressaltou. Ainda segundo ele, o plano de expansão regional está diretamente apoiado no fortalecimento dessa parceria, com investimento contínuo em capacitação, suporte e desenvolvimento de negócios.

No evento, a Tokio Marine também levou ao debate temas como inovação, inteligência artificial, operações de sinistro e assistência 24 horas, buscando mostrar como vem integrando tecnologia e dados à rotina operacional para ganhar eficiência e melhorar a jornada do segurado. Kobayashi citou como exemplo o uso de IA generativa na orçamentação e na análise de sinistros de automóveis de pequena e média monta a partir de imagens. “Com essa solução, eliminamos a necessidade de vistoria presencial e conseguimos autorizar reparos e calcular indenizações com muito mais agilidade”, explicou.

A tecnologia, afirma, também tem permitido acelerar a identificação de perda total, a remoção do veículo, o pagamento ao cliente e a gestão do salvado, além de apoiar a triagem de fraudes por meio de modelos preditivos. Outro avanço mencionado foi a automação do ressarcimento em sinistros de automóveis, com ferramentas de inteligência artificial que ajudam os especialistas a identificar casos com potencial de recuperação sem uso de dados sensíveis dos clientes. “Ampliamos nossa capacidade de processamento de sinistros, ganhamos eficiência operacional e direcionamos nossas equipes para atividades mais estratégicas e de maior valor agregado”, afirmou.

Em relação ao equilíbrio entre crescimento e rentabilidade, um dos desafios centrais do mercado em meio à maior competição e à pressão sobre margens, o diretor destacou que a companhia vem reforçando critérios de subscrição, aprimorando a precificação e ampliando o uso de dados para tornar a seleção de riscos mais assertiva. “Nosso foco está em crescer com disciplina técnica e eficiência operacional”, disse. “O avanço da automação, especialmente nas áreas de Auto e Sinistros, tem ajudado a reduzir custos operacionais, elevar a produtividade e preservar margens mesmo em um ambiente mais exigente”, acrescentou.

Para 2026, a Tokio Marine vê oportunidades relevantes na expansão do seguro Empresarial, sobretudo entre pequenas e médias empresas e setores mais dinâmicos da economia, além do fortalecimento de Auto, Massificados e soluções de proteção pessoal. A estratégia passa também por incentivar o corretor a ampliar sua atuação junto à base de clientes que já possui, diversificando a carteira com apoio especializado da seguradora em áreas como PJ, Vida, Garantia e Transportes. “Seguiremos estimulando o Corretor a diversificar sua carteira, ampliando a oferta de produtos aos Clientes com quem já possui relacionamento”, afirmou Kobayashi.

Seguradora cresce 11% na região Nordeste em 2025

Para o Diretor Comercial Regional Nordeste da Tokio Marine, Ronaldo Dalcin, os resultados são consequência direta de uma estratégia clara de especialização, disciplina comercial e investimento consistente em pessoas. “Crescer em um ambiente cada vez mais competitivo exige muito mais do que volume. Exige conhecimento, preparo técnico e capacidade de execução. A Tokio Marine vem investindo fortemente na capacitação e especialização de seus Corretores e equipes, pois acreditamos que o diferencial competitivo sustentável está nas pessoas”, afirma.

Segundo Dalcin, esse direcionamento estratégico permitiu à Regional Nordeste manter crescimento de dois dígitos mesmo em um cenário extremamente desafiador, além de posicionar a região como destaque nacional no agrupamento de Produtos PJ, na visão dos últimos 12 meses, conforme os dados mais recentes da Susep. “Esse reconhecimento não é circunstancial. Ele reflete um modelo de atuação baseado em eficiência operacional, inteligência comercial e aprofundamento técnico dos nossos parceiros”, reforça.

Para 2026, o executivo avalia que o nível de exigência do mercado será ainda maior. “O próximo ciclo será marcado por margens mais pressionadas e decisões mais estratégicas. Nesse contexto, só terão espaço aqueles que estiverem preparados. A Tokio Marine vem se antecipando a esse movimento, investindo continuamente em treinamento, especialização por produto e no aculturamento da venda consultiva, sempre buscando uma carteira mais diversificada”, destaca.

Dalcin ressalta que produtos como Empresarial, Garantia, Frotas, RC Geral, Fiança e Vida seguirão como pilares relevantes de crescimento, porém com uma abordagem cada vez mais técnica e segmentada. “Nosso papel é preparar e apoiar o Corretor para atuar com profundidade, segurança e diferenciação. Seguiremos oferecendo suporte próximo, inteligência de mercado e soluções que gerem valor real para Clientes e Parceiros”, conclui.

AXA no Brasil expande seguro garantia com lançamento da modalidade recursal trabalhista

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A AXA no Brasil anuncia a ampliação de seu portfólio de Seguro Garantia com a chegada da modalidade Recursal Trabalhista, uma solução indicada para empresas que precisam garantir recursos judiciais em processos trabalhistas sem comprometer sua liquidez. O lançamento reflete o apetite da companhia para diversificar sua atuação e reforça o movimento de massificação da seguradora, que busca crescer ao oferecer produtos mais acessíveis e digitais para o mercado corporativo. 

Ao substituir o depósito judicial em dinheiro por uma apólice, a nova solução permite que as empresas mantenham seu fluxo de caixa disponível para a operação e planos de curto prazo, garantindo eficiência financeira justamente em momentos de disputa jurídica.

O produto já nasce com plataforma digital para simplificar a jornada de corretores e clientes, inclusive com a possibilidade de integração via API para os parceiros que contam com esse canal de atendimento. Com a nova modalidade, a implementação do seguro ocorre em poucos minutos após a intimação, atendendo à velocidade exigida pela dinâmica judicial brasileira e eliminando burocracias desnecessárias.

O fortalecimento da linha de Garantia é visto pela companhia como um passo fundamental para escalar sua presença no segmento, unindo segurança técnica a um processo de contratação extremamente rápido.

Segundo Denis Maelaro, Diretor de P&C e Specialties da AXA no Brasil, “o Seguro Garantia Recursal Trabalhista nasce para apoiar decisões de empresários em um momento em que liquidez e previsibilidade são cruciais para a saúde dos negócios”. 

E ele ressalta que a empresa já tem uma posição bem estabelecida em P&C e tem buscado ampliar de maneira complementar seu portfólio, atendendo às necessidades do mercado. “O Recursal Trabalhista é um exemplo perfeito, pois leva aos clientes uma solução que torna processos menos onerosos. Tudo em um formato digital, que torna sua contratação mais simples, ágil e segura para todas as partes envolvidas”, finaliza.

 

Icatu Seguros: brasileiro pensa na própria morte, mas apenas 16% se organizam financeiramente

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Pensar na própria morte não é um tema distante para a maioria dos brasileiros. É o que mostra uma pesquisa nacional realizada pela Icatu Seguros, em parceria com a Conversion, agência especializada em dados, SEO e inteligência de comportamento digital. Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados afirmam pensar na morte com alguma frequência, seja “de vez em quando” (47%) ou “com frequência” (20%). Ainda assim, essa reflexão raramente se transforma em planejamento concreto: apenas 12% dizem ter seguro de vida, enquanto 43% afirmam já ter conversado com a família sobre o tema sem, de fato, organizar nada.

Os dados revelam um descompasso relevante do ponto de vista econômico e social: consciência alta, organização baixa. Embora a maioria reconheça a importância de proteger quem fica, a ausência de estrutura financeira e de educação sobre o tema  podem transformar o momento do luto em uma etapa marcada por custos adicionais, conflitos e insegurança.

“O que a pesquisa mostra é que o problema não está na falta de consciência, mas na dificuldade de transformar essa reflexão em organização prática. O seguro de vida entra justamente como uma ferramenta para reduzir incertezas em momentos críticos, sejam eles morte, doença grave ou afastamento temporário do trabalho”, afirma Luciana Bastos, diretora de produtos de vida da Icatu Seguros.

Do ponto de vista comportamental, a resistência em transformar preocupação em planejamento também está ligada à forma como o tema da morte é culturalmente percebido e evitado no país. 

A advogada Cynthia Araújo, autora do livro A Vida Afinal: Conversas difíceis demais para se ter em voz alta(Paraquedas, 2023) e uma das editoras do blog Morte sem Tabu, da Folha de S. Paulo, avalia que o tema é frequentemente tratado como algo a ser evitado ou deslocado para o campo do outro.

“Os brasileiros ainda sentem que, se falarem da morte, vão atraí-la, como se ela estivesse à espreita”, aponta ela. “A experiência de morrer, nessa lógica, é sempre vivida pelos outros, nunca por mim. Quem morre é sempre ‘o outro’. Por outro lado, cada classe social, cada cor de pele, gênero, vive isso de um jeito”, observa.

Gatilhos reais, decisões travadas 

A pesquisa mostra que a reflexão sobre a morte não surge de forma abstrata, mas é acionada por eventos concretos. Entre os principais gatilhos estão a perda de alguém próximo (67%), o avanço da idade (33%), o contato com notícias sobre violência (33%) e a realização de procedimentos médicos (30%).

Esses gatilhos influenciam decisões financeiras. Ao pensar na finitude, 40% passam a considerar a organização do patrimônio, 34% dizem começar a guardar dinheiro e 25% afirmam buscar a quitação de dívidas. Ainda assim, 18% admitem que pensam no tema, mas não se organizam, evidenciando a fricção entre intenção e ação.

Diferenças entre gêneros

O levantamento também revela diferenças relevantes por gênero. Entre as mulheres, a violência aparece como um dos principais gatilhos para pensar na morte, citada por 36% das entrevistadas, percentual superior ao observado entre os homens (29%). O dado reflete um contexto social que impacta diretamente a percepção de risco e vulnerabilidade feminina. Entre os homens, a reflexão tende a ser mais acionada por fatores ligados à idade e à trajetória de vida (39%)

Os dados mostram ainda que homens declaram maior nível de organização financeira (20%), enquanto mulheres aparecem mais frequentemente entre aquelas que se preocupam com a família, mas sem uma estratégia bem definida (26%). O estudo também aponta que o luto tende a ser percebido de forma mais solitária no círculo social dos homens entrevistados (27%) na comparação com o das mulheres (23%). Elas relatam ainda buscar mais apoio para enfrentá-lo (23%), contra (19%) no caso dos homens.

Patrimônio é comum; proteção formal, não

Um dos achados centrais do levantamento é a diferença entre acumular patrimônio e estruturar proteção. Questionados sobre produtos financeiros que ficariam para a família em caso de morte, 53% afirmam ter investimentos, como poupança ou aplicações financeiras. Ao mesmo tempo, 22% dizem não ter nenhum produto que ficaria para os familiares, e 13% declaram possuir dívidas ativas que seriam herdadas.

Apesar disso, apenas 12% mencionam possuir seguro de vida, percentual que se mantém baixo e relativamente estável entre gêneros e gerações.

“Ainda existe uma percepção limitada de que o seguro de vida está ligado apenas à morte. Na prática, ele é um instrumento de proteção para imprevistos que afetam a renda e a estabilidade financeira, sendo também por exemplo um instrumento importante de sucessão patrimonial. Planejar é garantir continuidade, não apenas herança”, destaca Luciana Bastos.

Conversa existe, mas não vira plano

O estudo indica que o tema já circula no ambiente familiar. Cerca de 59% afirmam já ter conversado com a família sobre organização financeira em caso de morte. No entanto, esse diálogo nem sempre se traduz em ação: 43% conversaram, mas não organizaram nada, enquanto apenas 16% dizem ter deixado tudo organizado.

Além disso, 29% ainda não conversaram, mas pretendem fazê-lo, e 11% afirmam não ter conversado nem ter intenção de tratar do assunto, reforçando o caráter intermitente e, muitas vezes, evitativo do tema.

Diferenças por geração 

O levantamento aponta que a Geração Z (16-28) e Millennials (29-44) são os grupos que mais pensam na própria morte, com 22% e 24% afirmando refletir sobre o tema com frequência, respectivamente. O índice cai para 15% na Geração X (45-60) e chega a 7% entre Boomers (61-80), uma diferença de 15 pontos percentuais em relação à Geração Z, contraste que evidencia uma mudança geracional relevante na forma de encarar o tema.

Apesar dessa maior consciência entre os mais jovens, a taxa de organização financeira segue baixa em todas as faixas etárias. A proporção de pessoas que dizem ter seguro de vida varia entre 11% e 13%, enquanto o percentual de quem afirma ter investimentos gira em torno de 50% em todos os grupos.

Impacto social e econômico

Outro achado relevante é a forma como o luto é vivido socialmente. 44% dizem que as pessoas ao seu redor evitam falar sobre o tema, e 25% relatam vivenciar o luto de forma solitária. Apenas 22% mencionam buscar apoio profissional, indicando que, além da dimensão financeira, a perda ainda é tratada de maneira privada e pouco estruturada.

Do ponto de vista econômico, os dados sugerem que a falta de planejamento amplia riscos, como custos inesperados, conflitos familiares, dificuldades de liquidez e herança de passivos financeiros. Para especialistas, o levantamento reforça a necessidade de avançar da educação financeira conceitual para uma educação financeira aplicada, que ajude a transformar a reflexão em proteção concreta.

Metodologia

A pesquisa foi realizada em novembro de 2025, com 500 pessoas conectadas à internet, de todos os estados do Brasil.
Abrangência: nacional
Plataforma: Pollfish
Questionário: 10 perguntas (múltipla escolha, escolha única e discursivas)
Foco: percepção, experiência e comportamento

Perfil da amostra: 

  • Gênero: 52% mulheres e 48% homens
  • Idade: respondentes a partir de 18 anos, com recorte por gerações (Geração Z, Millennials, Geração X e Boomers)
  • Região: Sudeste, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte
  • Situação profissional: empregados, desempregados, autônomos, estudantes, aposentados, entre outros

Dados gerais da pesquisa:

  • 67% dos brasileiros já refletiram sobre a própria morte
    • 47% de vez em quando
    • 20% com frequência
  • Essa reflexão é mais frequente entre:
    • Millennials (24%)
    • Geração Z (22%)
  • Apenas 7% dos babies boomers e 15% da geração X pensam na morte com frequência

Principais gatilhos para pensar na morte:

  • Perda de alguém próximo (67%)
  • Percepção da idade (33%)
  • Notícias sobre violência (33%)
  • Procedimentos médicos (30%)

Eventos que mais despertaram reflexões:

  • Experiências pessoais (doenças, acidentes e perdas): 61%
  • Pandemia da Covid-19: 44%
  • Guerras em curso: 31%
  • Mudanças climáticas: 30%

Organização financeira:

  • 59% já conversaram ou pretendem conversar com a família sobre os impactos financeiros da própria morte
  • Apenas 16% deixaram tudo organizado
  • 43% ainda não organizaram nada
  • 29% nunca conversaram, mas pretendem
  • 11% não conversaram e nem pretendem

Produtos financeiros:

  • 53% têm algum investimento que ficará para a família
  • 22% não têm nenhum produto financeiro
  • 13% deixariam dívidas
  • 12% possuem seguro de vida 

Luto:

  • 47% vivem o luto com apoio de amigos e familiares
  • 44% evitam falar sobre o tema
  • 25% vivem o luto de forma solitária
  • 22% buscam apoio profissional

Gênero

Gatilho para pensar na própria morte 

Notícias sobre violência:

36% mulheres

29% homens

Consumos de notícias sobre morte:

27% mulheres

19% homens

Pensar na idade e experiências vividas

38% mulheres

29% homens

Procedimentos médicos

30% mulheres

30% homens

Percepção da vivência do luto no círculo social

Evitam falar sobre o luto:

43% mulheres

46% homens

Vivem o luto de forma solitária

23% mulheres

27% homens

Buscam apoio profissional

23% mulheres

19% homens

Amil lança planos com cobertura médica internacional de US$ 300 mil e remoção aérea

por Amil

A Amil promoveu um almoço de lançamento dos produtos Black I e Black II, ambos voltados para o segmento de alto padrão, para um grupo de corretores, nesta quarta-feira (11 de março), no Rosewood Hotel, em São Paulo (SP). No evento, os profissionais de vendas foram apresentados a uma série de benefícios especiais que os planos disponibilizam, como: tratamento VIP nos principais hospitais; o melhor e mais rápido sistema de reembolso; concierge exclusivo; inclusão de vacinas recomendadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações; atendimento odontológico premium; e uma cobertura médica internacional de 300 mil dólares e remoção aérea de até 150 mil dólares – ambas sendo as maiores do mercado brasileiro.

“Mas o Amil Black é mais do que ter o melhor conjunto de atributos do mercado. Queremos e vamos proporcionar a melhor experiência para os nossos clientes. Estamos prontos para isso”, assegurou o vice-presidente Comercial da Amil, Conrado Cavalcanti. “A Amil foi a operadora de planos de saúde que mais cresceu em 2025 e passou da barreira de 6 milhões de clientes. A carteira cresceu 17% em relação a 2024. Agora, vamos focar em um segmento que a empresa já atuava muito bem, tendo mais de 120 mil beneficiários, que é o premium. É uma parcela de clientes que pode ajudar a crescer toda a carteira, já que reúne muitos tomadores de decisões de empresas”, prosseguiu Conrado Cavalcanti.

CNseg: seminário sobre seguro de crédito abre inscrições

A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), em parceria com a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), promove no próximo 1º de abril, das 14h às 18h30, o Seminário de Crédito à Exportação (doméstico e exportação). O encontro reunirá especialistas do mercado segurador, do setor produtivo e de instituições financeiras para discutir como o seguro de crédito pode fortalecer as transações comerciais e apoiar a expansão de negócios no Brasil e no exterior.

O evento, que conta com apoio das seguradoras associadas Allianz, Avla, Chubb e Coface, é voltado a profissionais do mercado segurador, executivos de empresas com atuação no comércio exterior, especialistas em financiamento e crédito, além de todos os interessados em compreender melhor o papel do seguro como ferramenta de proteção contra riscos comerciais e estímulo ao crescimento das exportações.
 

Em um ambiente econômico marcado por volatilidade e incertezas geopolíticas, mecanismos de mitigação de risco ganham ainda mais relevância. O seguro de crédito tem se consolidado como uma solução capaz de proteger empresas contra inadimplência, ampliar o acesso ao financiamento e permitir a expansão segura das operações comerciais, tanto no mercado doméstico quanto no internacional.
 

A programação será dividida em dois painéis temáticos. O primeiro discutirá “Crédito doméstico e externo: diferenças e conceitos aplicáveis ao seguro como ferramenta de estabilidade em tempos de incerteza e exportação segura”, com mediação de Laíne Meira, superintendente de Relacionamento com o Poder Executivo da CNseg.

Participam do debate Luciano Mendonça, diretor comercial da Allianz Trade; Tales Leão, vice-presidente da Comissão de Crédito e Garantia da FenSeg e diretor de Expansão de Crédito e Riscos Políticos da Chubb; e André de Barros Ruttiman, da área de Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O segundo painel abordará “Seguro de crédito e expansão comercial – como o seguro de crédito impulsiona a expansão comercial e sua integração com estratégias de financiamento”, com mediação de Evaristo Pinheiro, do escritório Barral Parente Pinheiro Advogados.
 

Entre os participantes confirmados estão Isabelle Heude, diretora comercial e de operações da Coface Brasil; Caio Lhano, diretor de Seguro de Crédito da Avla; Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI); e Patricia Gomes, diretora de Mercado Externo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ).
 

Ao reunir representantes do mercado segurador, da indústria e de instituições financeiras, o seminário pretende aprofundar o debate sobre como o seguro de crédito pode contribuir para ampliar a segurança das transações comerciais e fortalecer a presença das empresas brasileiras no comércio internacional.

Seguro construção e reforma chega a 500 apólices emitidas na Bradesco Seguros

 

Um ano após o lançamento, o Seguro Engenharia – Construção e Reforma, desenvolvido pela joint venture da Bradesco Seguros com a Swiss Re Corporate Solutions, apresenta os primeiros resultados de seu desempenho no mercado. O levantamento inédito da Bradesco Seguros aponta que, durante este período, até novembro de 2025, o produto registrou cerca de 500 apólices emitidas, sendo 60% voltadas a obras de reformas não estruturais e 40% para novas construções.
 

As coberturas mais acionadas no período foram aquelas relacionadas a erros de execução e de projeto, classificadas dentro da cobertura básica e da adicional de Risco Fabricante/Erro de Projeto. Esses dados refletem um dos principais desafios do setor: segundo estudo da Universidade de Brasília (UnB), retrabalhos em obras podem elevar os custos totais em até 42%.
 

“Os resultados mostram que o produto vem atendendo demandas reais de construtoras e proprietários que buscam minimizar riscos e manter o controle financeiro das obras. A maior concentração de contratações está entre construtoras de pequeno e médio porte e pessoas físicas ligadas a reformas residenciais, principalmente em São Paulo (capital e interior) e na Região Sul”, afirma Ney Dias, Diretor-presidente da Bradesco Auto/RE.
 

O produto oferece cobertura de até R$ 100 milhões e proteção contra danos decorrentes de eventos naturais, como, por exemplo, alagamentos e vendavais, falhas de execução ou projeto, além de roubos e furtos qualificados durante o período da obra. O processo de contratação é 100% digital, com cotações automatizadas para o corretor e emissão rápida, mediante aprovação de proposta pelo Segurado e envio da documentação necessária.
 

Mercado de construção civil em expansão
 

O desempenho do seguro acompanha a tendência positiva do setor no país. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o PIB da construção civil cresceu 4,3% em 2024, e a projeção para 2025 é de alta entre 1,3% e 2,3%, mantendo a trajetória de expansão mesmo com o cenário de crédito mais restrito. Já o setor de materiais de construção deve crescer 2,8% neste ano, conforme dados da Abramat.
 

O movimento também se reflete nos investimentos totais: levantamento da Apemec estima que os segmentos de construção e imóveis movimentem cerca de R$ 417 bilhões até o fim de 2025, impulsionados pela demanda por reformas e novas edificações.
 

“O primeiro ano do Seguro Engenharia – Construção e Reforma nos trouxe aprendizados valiosos sobre o comportamento de risco do setor e a importância da agilidade operacional. É um seguro flexível e livre de processos burocráticos, com processamento automático de cotaçõe

s e emissões das apólices após aprovação das propostas pelo corretor e pelo segurado, além do envio digital da documentação básica do projeto”, destaca Guilherme Perondi, Presidente e CEO da Swiss Re Corporate Solutions Brasil.

Agenda Jurídica 2026 reforça alerta sobre saúde, tributação e segurança prudencial

A CNseg lançou a Agenda Jurídica 2026 do mercado segurador com uma mudança relevante de escopo: além do acompanhamento dos processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal, a publicação passa a reunir também os temas repetitivos do Superior Tribunal de Justiça, num movimento que reflete o peso crescente da jurisprudência infraconstitucional para o setor.O evento aconteceu no dia 11 de março, na sede da OAB Seccional Rio de Janeiro.

No conjunto, a Agenda Jurídica 2026 mostra um setor que entra neste novo ciclo legislativo e regulatório com três frentes bem definidas: acompanhar de perto a formação da jurisprudência do STJ sob o novo marco legal do seguro, enfrentar a pressão da judicialização na saúde suplementar e defender, no STF, teses consideradas decisivas para a estabilidade prudencial e econômica do mercado, como créditos de carbono e PIS/Cofins sobre reservas técnicas.

A edição deste ano foi atualizada até 24 de fevereiro de 2026 e consolida-se como um instrumento de monitoramento dos temas mais sensíveis para seguros, previdência, saúde suplementar e capitalização. Segundo a própria CNseg, a inclusão do STJ amplia a visão sobre a atuação do mercado perante os tribunais superiores e ganha ainda mais importância diante da entrada em vigor do novo marco legal dos seguros. 

Na apresentação da agenda, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, destaca que 2026 será um ano de transição jurídica importante para o setor, com novos institutos, conceitos e formas de interpretação trazidos pela nova lei do contrato de seguro. “Esse contexto exige acompanhamento mais estruturado da jurisprudência e maior cuidado regulatório para preservar a segurança jurídica do mercado”, afirmou.

Na mesma linha, a diretora jurídica da CNseg, Glauce Carvalhal, afirmou que a entrada dos repetitivos do STJ atende a uma demanda antiga do setor e se tornou ainda mais necessária diante do volume já existente. “Hoje são 21 temas repetitivos em matéria de seguros no tribunal, com potencial de repercussão nacional. A própria agenda informa que o novo capítulo do STJ foi dividido entre 15 temas em que a CNseg ou as federações atuam como amicus curiae e outros 6 em monitoramento”, detalhou.

No STF, 41% das ações acompanhadas são de natureza cível e regulatória, seguidas por 29% de matérias tributárias. Questões constitucionais e de trânsito representam 12% cada, enquanto 6% envolvem temas ambientais. Um dos pontos que mais chamam atenção é o peso da saúde suplementar nesse contencioso. “Quase metade dos repetitivos do STJ envolve saúde, num cenário que ajuda a explicar o elevado grau de judicialização do segmento”, disse. Esse diagnóstico aparece em linha com o material da agenda, que incorporou entre os novos processos do STF a ADI 7.265, sobre critérios para cobertura de tratamentos fora do rol da ANS.

Para a diretora, o julgamento mais relevante para o setor em 2025 foi justamente o dessa ação, porque o Supremo, ao tratar da Lei 14.454/2022, teria adotado uma solução técnica e equilibrada. “O STF admitiu exceções ao rol, mas com critérios objetivos, como requerimento administrativo prévio, deferência ao processo regulatório da agência e exigência de comprovação científica”, comentou.

Na avaliação de Glauce, 2026 já começou em ritmo acelerado para o setor nos tribunais superiores. Ela ressaltou que, mesmo ainda no início do ano judiciário, o mercado segurador já acumulava cinco casos repetitivos julgados no STJ, o que, segundo ela, mostra a velocidade com que as teses vêm sendo formadas.

Entre os precedentes mais relevantes, citou o Tema 1385, considerado estratégico para o seguro garantia, ao consolidar o entendimento de que esse instrumento se equipara à fiança bancária para fins de garantia em execução fiscal. Para a diretora, foi um julgamento importante por afastar dúvidas que persistiam mesmo entre especialistas da área. A agenda da CNseg destaca esse tema entre os repetitivos acompanhados no STJ e reforça a relevância do precedente para a utilização do produto em disputas tributárias. 

Glauce também chamou atenção para decisões recentes em saúde suplementar, como a validade da rescisão de contratos empresariais com menos de 30 vidas, desde que haja justificativa idônea, e os julgamentos envolvendo bomba de insulina, terapias para transtorno do espectro autista e dano moral por negativa de cobertura. Na leitura dela, o STJ vem, em alguns casos, reproduzindo balizas regulatórias já existentes, inclusive as vinculadas ao rol da ANS, mas ainda restam desafios de interpretação prática e de contenção de excessos.

A Agenda Jurídica 2026 efetivamente inclui, entre os repetitivos do STJ, temas sobre rescisão unilateral de contratos coletivos com menos de 30 beneficiários e outros litígios relevantes de saúde suplementar, o que evidencia o protagonismo desse segmento na formação da jurisprudência do setor. 

Na parte regulatória, o diretor da Susep, Carlos Queiroz, afirmou que a autarquia acompanha com atenção a adaptação do mercado ao novo marco legal e reconheceu que a construção da regulação infralegal demanda cautela justamente para garantir segurança jurídica ao regulador, ao regulado e ao mercado como um todo.

Ele disse que a Susep continua ouvindo propostas e novas teses apresentadas pelo setor mesmo após a fase de consulta pública, o que ajuda a explicar o tempo maior de maturação das normas. Na visão do supervisor, esse cuidado é indispensável num ambiente em que a nova legislação traz institutos e conceitos inéditos e exige reflexão antes da consolidação regulatória.

Queiroz também reforçou a preocupação prudencial da Susep com dois julgamentos que aparecem entre os mais sensíveis da agenda: a ação sobre créditos de carbono e o debate sobre PIS/Cofins sobre receitas financeiras das reservas técnicas, que pode chegar a alguns bilhões de reais. No caso da ADI 7.795, a publicação da CNseg registra que a controvérsia envolve a obrigatoriedade de aplicação de pelo menos 0,5% ao ano das reservas técnicas, hoje totalizam R$ 2,5 trilhões, em créditos de carbono ou fundos de ativos ambientais.

A entidade sustenta a inconstitucionalidade da exigência, e o andamento do processo mostra parecer da PGR pela inconstitucionalidade, além de votos de Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli no mesmo sentido, antes da suspensão por pedido de vista de Cristiano Zanin. 

Ao comentar o tema, Queiroz afirmou que a discussão preocupa a supervisão prudencial porque envolve ativos de elevada subjetividade, com dúvidas sobre natureza, recuperabilidade e critérios de avaliação contábil. Segundo ele, esse tipo de ativo exige cautela redobrada tanto na carteira própria das supervisionadas quanto, principalmente, quando se pensa em provisões vinculadas à poupança previdenciária e ao cumprimento futuro de obrigações com consumidores.

A posição converge com a da CNseg, que argumenta na agenda que a vinculação compulsória das reservas técnicas a um mercado ainda incipiente pode gerar riscos de liquidez, distorções e prejuízos à proteção dos segurados e participantes. 

Sobre o PIS/Cofins, o diretor da Susep afirmou que a discussão também tem forte impacto prudencial, inclusive por envolver passivos relevantes acumulados ao longo dos anos e já monitorados pela autarquia nas supervisionadas. Na visão dele, há confusão quando se tenta aproximar a atividade das seguradoras da lógica bancária, já que a seguradora não opera como instituição financeira típica nem pode livremente emprestar recursos, sendo a gestão das reservas vinculada a exigências regulatórias de solvência.

“A CNseg sustenta que a tributação das receitas financeiras das reservas técnicas encarece o seguro e cria barreiras de acesso, especialmente para as camadas mais vulneráveis da população”, finalizou Oliveira.