Taxas globais de seguros comerciais caem pelo segundo trimestre consecutivo

De acordo com o Global Insurance Market Index, divulgado hoje pela Marsh, maior corretora de seguros e consultora de riscos do mundo, as taxas globais de seguros comerciais caíram 2% no quarto trimestre de 2024, após uma queda de 1% no terceiro trimestre do mesmo ano. Esse é o segundo declínio trimestral consecutivo, após sete anos de aumentos contínuos.

O resultado mantém a tendência de moderação nas taxas observada desde o primeiro trimestre de 2021, impulsionada pela intensificação da concorrência no segmento de seguros de propriedade comercial, pela desaceleração nos aumentos das taxas de casualty (responsabilidade civil), pela estabilização dos preços nas linhas financeiras e pelas reduções aceleradas nos riscos cibernéticos.

Por região, o Pacífico (-8%), o Reino Unido (-5%), a Ásia (-3%), a Europa (-2%) e o Canadá (-2%) registraram quedas nas taxas compostas no quarto trimestre, em comparação com o mesmo período de 2023. Já a América Latina e o Caribe (LAC) e a região que inclui Índia, Oriente Médio e África (IMEA) tiveram aumentos de 1%. Nos Estados Unidos, as taxas permaneceram estáveis, após um aumento de 3% no terceiro trimestre de 2024.

  • Seguros de propriedade: As taxas caíram 3% globalmente, após uma queda de 2% no terceiro trimestre. A região do Pacífico registrou a maior redução (8%), enquanto EUA e Reino Unido tiveram quedas de 4%. Canadá, LAC e Ásia apresentaram reduções de um dígito. Na Europa, as taxas permaneceram estáveis, e a IMEA teve aumento de 3%. O mercado global de propriedade continua sensível a eventos de perda, especialmente os incêndios florestais em Los Angeles, que devem impactar as perdas agregadas por catástrofes em 2025.
  • Seguros de casualty: As taxas subiram 4% globalmente, após um aumento de 6% no trimestre anterior. Nos EUA, os aumentos continuaram superiores aos de outras regiões (7%). A LAC registrou alta de 5%, enquanto outras regiões variaram entre quedas de 2% e aumentos de 1%.
  • Linhas financeiras e profissionais: As taxas caíram 6% globalmente, marcando o décimo trimestre consecutivo de declínios. Todas as regiões registraram reduções, impulsionadas pela forte concorrência e pela capacidade disponível no mercado.
  • Seguros cibernéticos: As taxas diminuíram 7% globalmente, após uma queda de 6% no trimestre anterior. Todas as regiões tiveram reduções, influenciadas pela forte concorrência entre seguradoras tradicionais e novas, além de melhorias contínuas na cibersegurança em muitas empresas.

John Donnelly, diretor global de Placement da Marsh, comentou os resultados: *”A suavização das taxas em propriedade, linhas financeiras e ciberseguros é um desenvolvimento positivo para os clientes, enquanto os desafios em outras áreas do mercado, especialmente no *casualty* dos EUA, são agudos. Estamos comprometidos em ajudar os clientes a gerenciar custos, proteger seus balanços e navegar com sucesso pelas condições em evolução do mercado.”*

Centro de Formação da Mapfre registra crescimento de 282% de cursos concluídos

karine barros mapfre

 A Mapfre registrou um aumento de 282% de corretores parceiros e colaboradores de corretoras que concluíram os cursos do Centro de Formação da seguradora, plataforma disponível de forma on-line e gratuita. 

O levantamento foi feito com base no número de parceiros que acessaram o canal e finalizaram alguns dos 130 conteúdos disponíveis na comparação entre o ano passado com 2023. Este ano, o Centro de Formação completa 18 anos e possui tradição em oferecer conhecimento e desenvolver a carreira nos negócios dos corretores de seguros. Em 2024, sua plataforma foi atualizada e renovada, oferecendo um design mais moderno com mecanismos de usabilidade atualizados e novos conteúdos.

A proposta é oferecer uma experiência de aprendizagem completa e interativa, com conteúdos em diferentes formatos para que cada corretor possa optar pelo modelo que melhor o atende. São videoaulas, e-books, podcasts, cursos, trilhas de aprendizagem, e links de inscrição para turmas de capacitação online ao vivo. Todos os cursos e treinamentos são certificados pela MAPFRE. Durante o ano de 2025, novos cursos serão lançados nas linhas de Vida, Agro, conteúdos para apoio à vendas e gestão das corretoras, além de soft skills.

“Temos conseguido avanços importantes em relação ao uso da ferramenta pelos corretores, que são fundamentais para os objetivos e negócios da Mapfre. Ao oferecermos ferramentas e capacitações contínuas, estamos fortalecendo nossa parceria. Como oferecemos cursos para corretores e demais colaboradores das corretoras, buscamos apoiar no desenvolvimento dessas equipes, agregando conhecimento de produtos, processos e de diversas outras frentes”, afirma a diretora de desempenho comercial e experiência do cliente, Jacqueline Izabel. 

“Nossos corretores são a nossa maior força. Por isso, estamos sempre buscando novas formas de valorizar e apoiar nossos parceiros. A educação continuada é uma das nossas premissas, pois acreditamos que ao investir no desenvolvimento profissional dos nossos corretores, estamos reforçando nosso vínculo e compromisso com eles. Com mais conhecimento e habilidades, os corretores de seguro estão impulsionando seus resultados e expandindo sua carteira de clientes, o que nos leva a um crescimento ainda mais sólido”, destaca a diretora executiva do Canal Corretor, Karine Brandão.

Entre os novos cursos adicionados recentemente na plataforma, estão: “Doenças Graves”, “Patrimonial Rural”, “RC Profissional da Saúde”, “Por Dentro do Chat GPT” e “Como Tirar Proveito da IA”. 
 

XS Global Brasil contrata dois executivos

A XS Global Brasil, subsidiária da XS Global, inicia o ano ampliando seu time executivo recebendo dois novos especialistas. Alex Cunha e Marcos Meleiro se juntam a equipe, composta ainda por Rodrigo Granetto, diretor de Riscos Long Tail Brasil, e a Newton Queiroz, CEO e Country Manager Brasil.

Alex Cunha, com mais de 10 anos de experiência no mercado segurador brasileiro, destaca-se pela sua expertise em Responsabilidade Civil Geral. Sua trajetória inclui passagens por renomados grupos multinacionais, onde liderou equipes e contribuiu significativamente para o desenvolvimento do segmento de RCG. Como Head de Responsabilidade Civil Geral na XS Global Brasil, sua missão será impulsionar o desenvolvimento de produtos e a carteira da companhia no país.

Marcos Meleiro, com mais de 30 anos de atuação nos mercados segurador e ressegurador, possui um vasto conhecimento nas áreas de Property e Engenharia. Sua experiência foi forjada em grandes grupos no Brasil e na Europa. Marcos se junta à XS Global Brasil como Head de Risco Short Tail, trazendo consigo um sólido conhecimento técnico que será fundamental para a evolução da empresa.

“A chegada de Alex e Marcos reflete o compromisso da XS Global com um de nossos grandes diferenciais, que é o profundo conhecimento técnico. Estes profissionais são amplamente reconhecidos no Brasil e no exterior por sua habilidade em desenvolver projetos significativos em suas áreas de atuação. Além disso, a chegada deles reafirma nosso contínuo compromisso em crescer de forma sustentável no país e expandir a gama de soluções oferecidas ao mercado segurador e ressegurador brasileiro”, afirma Newton Queiroz, CEO & Country Manager da XS Global Brasil.

Artigo: Uma nova era para o mercado de seguros

por Marco Antonio Gonçalves, membro do conselho da MAG Seguros

O mercado de seguros brasileiro acaba de dar um passo crucial rumo à modernização e ao fortalecimento de suas bases com a promulgação da Lei 15.040/2024. Mais do que um conjunto de regras operacionais, essa legislação representa um avanço estratégico para a previsibilidade e segurança jurídica do setor, trazendo impactos profundos para seguradoras, corretores e segurados.

A experiência internacional comprova os benefícios de marcos regulatórios sólidos para o crescimento sustentável do mercado de seguros. Países como Portugal, Itália, Alemanha e Argentina já adotaram modelos que reforçam a transparência e a equidade nas relações contratuais, o que resultou em maior confiança por parte dos consumidores, crescimento do volume segurado e um ambiente mais competitivo e profissional.

No Brasil, essa nova legislação se alinha a essa tendência global ao estabelecer diretrizes que garantem maior clareza na comunicação entre seguradoras e segurados, fortalecem a previsibilidade dos contratos e evitam decisões arbitrárias. Com regras mais estáveis e um ambiente mais seguro, o mercado ganha robustez e atratividade, estimulando investimentos e ampliando a penetração do seguro no país.

Para os corretores, a Lei 15.040/2024 abre novas oportunidades. Com contratos mais claros e equilibrados, cresce a confiança do consumidor no setor, tornando o papel consultivo do corretor ainda mais relevante. A transparência nas relações fortalece a percepção de valor do seguro, reduzindo resistências e facilitando a adesão de novos clientes.

Essa mudança é uma resposta a um movimento global e representa um novo patamar de maturidade para o seguro no Brasil. Com a entrada em vigor da lei em 11 de dezembro de 2025, temos diante de nós a oportunidade de consolidar um mercado mais forte, previsível e confiável para todos os envolvidos.

O futuro do seguro já começou – e ele é mais transparente, seguro e promissor.

Prudential do Brasil tem novo vice-presidente financeiro

André Lauzana assume a vice-presidência Financeira da Prudential do Brasil a partir deste mês e passa a integrar o comitê executivo da companhia. Com uma sólida carreira nos mercados de seguros e financeiro, Lauzana retorna à Prudential após quase duas décadas. Ao longo de sua trajetória profissional, André esteve à frente de posições executivas na Icatu Seguros e Sulamérica e tornou-se sócio e membro do comitê executivo do Banco Modal.

“André Lauzana fez parte do início da nossa história e agora retorna à Prudential após uma trajetória de sucesso e realizações por mais de mais de 20 anos no mercado segurador e financeiro. Ele conhece muito bem o nosso setor, propósito e modelo de negócios. Tenho certeza de que fará contribuições importantes para um crescimento ainda mais forte e sustentável da companhia no país”, diz a CEO da Prudential do Brasil, Patricia Freitas.

Rafaela Silva e Raíssa Machado são as novas embaixadoras da MAG

A MAG, empresa especializada em vida em previdência, anunciou nesta segunda-feira (3) o patrocínio às atletas Rafaela Silva – medalhista olímpica e bicampeã mundial de judô – e Raíssa Machado – medalhista paralímpica e campeã parapanamericana de lançamento de dardo. As atletas, que no ano passado foram medalhistas em Paris, são as novas embaixadoras da marca.

Helder Molina, CEO do Grupo MAG, destacou que a parceria reforça o compromisso da companhia no incentivo ao esporte. “Acreditamos no poder do esporte como agente de transformação da sociedade. Por isso, estar ao lado de atletas como a Rafaela e Raíssa, que escreveram suas histórias com tanta determinação, é motivo de grande orgulho para nós.”

Campeã olímpica nos Jogos do Rio, em 2016, e bronze em 2024 nas olimpíadas de Paris, Rafaela Silva foi a primeira brasileira campeã mundial de judô, em 2013. Cria da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, a carioca deu seus primeiros passos no judô no Instituto Reação, projeto social liderado pelo ex-judoca Flávio Canto. Rafaela destaca a alegria em ser a nova embaixadora da MAG e a importância de ter ao lado um parceiro que possui os mesmos valores.

“É importante para o atleta ter parceiros que acreditam, que apoiam e entendem a força e o poder do esporte. Fico muito feliz em ser embaixadora da MAG em ver que compartilhamos dos mesmos propósitos, objetivos e valores. É motivo de orgulho ter essa marca comigo, me apoiando para seguir em frente em busca de novas conquistas no tatame”, comenta Rafaela.

Duas vezes medalha de prata consecutivas, nas paralimpíadas de Tóquio e Paris, Raíssa Machado foi também campeã parapanamericana em 2019, nos jogos de Lima. Conhecendo o esporte na juventude, Raíssa também conquistou medalhas no Parapan de Toronto, em 2015, além dos mundiais de Paris (em 2013), Doha (2015) e Dubai (2019). A atleta do lançamento de dardo destaca como o apoio da MAG pode contribuir para o ciclo paralímpico, visando os Jogos de Los Angeles, em 2028.


“É uma honra fechar essa parceria com a MAG, uma empresa com uma história de 190 anos, que acredita no esporte de forma genuína e apoia também o paralímpico. Com esse patrocínio, eles estarão comigo em todas as competições deste ano, o que me dará muito orgulho”, comenta Raíssa.

O anúncio do patrocínio também foi divulgado nas redes sociais da MAG. No decorrer do ano, novas ações em parcerias serão realizadas.

MAPFRE integra informações de seguros à carteira digital dos sistemas iOS e Android

A MAPFRE, companhia global do mercado segurador e financeiro, dá mais um passo em sua estratégia de digitalização de serviços ao lançar a integração da carteirinha de seguros à Carteira Digital (Wallet) disponível para celulares com sistemas iOS e Android. Inicialmente, a funcionalidade estará acessível para novos clientes e para aqueles que renovarem suas apólices ou solicitarem alterações nos produtos Auto Individual e Residencial.
 

Essa inovação visa proporcionar aos clientes um acesso mais rápido, prático e seguro às informações da apólice, incluindo formas de contato direto com a seguradora, especialmente importantes para a solicitação de assistências e/ou comunicação de sinistros. A Carteira Digital permite que o cliente armazene a carteirinha da companhia diretamente no celular, eliminando a necessidade de guardar ou carregar documentos físicos e modernizando o processo de consulta.
 

“A Carteira Digital (Wallet) elimina a complexidade dos processos e oferece ao segurado a tranquilidade de ter tudo o que ele precisa na palma da mão, permitindo uma experiência mais ágil e segura. Integrando a carteirinha do seguro à Carteira Digital, além de facilitar o acesso às informações essenciais, também promove mais confiança na nossa relação com os segurados”, afirma o diretor-geral de operações da MAPFRE, Roberto de Antoni.
 

A iniciativa faz parte da estratégia da MAPFRE de digitalizar seus serviços e proporcionar mais conveniência aos clientes. Com 98% da população brasileira possuindo smartphones, a solução está ao alcance da maioria dos segurados, permitindo acesso imediato às informações do seguro. Em caso de sinistro ou necessidade de assistência, o cliente pode acionar a MAPFRE rapidamente pelo aplicativo ou WhatsApp, garantindo um atendimento ágil.

MDS Brasil e Grupo Multiplica anunciam aliança para a comercialização de seguros

A MDS Brasil fechou um acordo com o Grupo Multiplica. O acordo garante à MDS a exclusividade, em conjunto com a Multiplica Seguros – corretora do Grupo Multiplica – na distribuição de seguros à sua base de clientes, pelo período de 10 anos. A operação alcançou R$30 Milhões em prêmios no ano de 2024 e a expectativa é que, durante o período do acordo, seja superada a marca de R$ 500 Milhões em prêmios comercializados.

Essa iniciativa é parte do sólido plano de expansão da empresa que, entre outras ações, realizou 14 aquisições nos últimos seis anos, consolidando a MDS Brasil como uma das líderes do setor no país. A parceria com o Grupo Multiplica, uma boutique de crédito e investimentos com mais de R$ 15,5 bilhões em ativos sob gestão (AuM), representa um passo estratégico fundamental. Com essa aliança, a MDS Brasil terá acesso privilegiado aos canais de distribuição do Grupo Multiplica, ampliando significativamente sua base de clientes e fortalecendo sua atuação no mercado de seguros brasileiro.

“A forte expansão da MDS no Brasil nos últimos anos é resultado de uma estratégia que combina o crescimento orgânico e o inorgânico e seguiremos com essa abordagem pelos próximos anos. A parceria com o Grupo Multiplica representa mais um passo importante nessa direção, disponibilizando à MDS o acesso à uma ampla e qualificada base de clientes – a quem passaremos a oferecer toda a nossa gama de produtos e serviços, complementando a oferta atual. A operação reforça a nossa estratégia de investimento, que além da aquisição de corretoras e carteiras, passa também pela incorporação de canais de distribuição. Acreditamos muito no sucesso dessa parceria e na capacidade de juntos gerarmos valor real para os clientes do Grupo Multiplica”, afirma Ariel Couto, CEO da MDS Brasil, em nota.

“Reestruturamos a área de Consumer na companhia há um ano por perceber a crescente necessidade dos Canais de distribuição de serviços financeiros em oferecer a seus clientes produtos de seguros através de soluções de tecnologia que ampliam seu portifólio e por consequência o engajamento e relacionamento com sua marca. Além disso, ao se conectar com a MDS, os parceiros contam com a relevância da companhia no mercado segurador para ter acesso as principais soluções de seguros para seus clientes. Depois de parcerias consolidadas no último ano com no setor bancário, o acordo com o Grupo Multiplica evidencia nosso compromisso em estar presente onde o consumidor necessita e permite que mais clientes tenham acesso a soluções de seguros de forma integrada e eficiente. Seguimos ampliando nossa presença de forma inteligente e estratégica, sempre focados em oferecer produtos que agreguem valor real para nossos clientes”, explica Thomaz Tescaro, CEO da MDS Consumer.

“Essa parceria marca um novo patamar para a Multiplica Seguros. Com a expertise e o suporte operacional da MDS, passamos a oferecer um portfólio ainda mais completo e robusto para nossos clientes, garantindo acesso a soluções personalizadas, eficiência e um atendimento ainda mais ágil e especializado. Esse movimento fortalece nosso compromisso em entregar excelência e inovação no mercado de seguros”, ressalta Fernando Martinez, sócio diretor da Multiplica Seguros.

Já Mickael Paolucci, Sócio-fundador da Multiplica, finaliza: “A parceria com a MDS representa um marco na trajetória da Multiplica. Unimos forças com um dos principais players do setor para ampliar nossa oferta de serviços e reforçar nossa capacidade operacional. Essa aliança não apenas valida o trabalho que temos desenvolvido, mas também cria um ecossistema ainda mais sólido para atender nossos clientes com soluções estratégicas e diferenciadas”.

Seguro auto deve ser um dos primeiros ramos a ser regulamentado

Por Jamile Niero, do Infomoney

A regulamentação da Lei 15.040/2024, conhecida como Lei do Contrato de Seguro ou Marco Legal dos Seguros, é um dos temas prioritários que a Susep (Superintendência de Seguros Privados) vai tratar em 2025, segundo o plano de regulação para o ano aprovado pela autarquia federal responsável por fiscalizar o mercado de seguros no país. Após anos de debate, a lei foi sancionada no apagar das luzes de 2024 e agora o foco está na regulamentação, que será conduzida em etapas ao longo do ano.

De acordo com o superintendente, Alessandro Octaviani, o novo marco legal visa equilibrar as relações no setor e garantir maior transparência para consumidores e empresas. Entre as principais mudanças, ele destaca a definição de prazos para regulação de sinistros (ocorrência do risco previsto no contrato de seguro) e pagamento de indenizações, o que, segundo Octaviani, representa uma “revolução copernicana” no setor.

Entre os desafios da regulamentação, Octaviani destaca que a lei cria um microssistema jurídico específico para os contratos de seguro, tornando as regras mais claras e afastando interpretações divergentes. “Saímos daquele ambiente geral do Código Civil, com alguns pouquíssimos artigos referentes ao contrato de seguro, para uma lei muito mais robusta e específica”, diz o superintendente.

Próximos passos

Para garantir a adequação do mercado à nova legislação, a Susep irá revisar sua regulamentação, adaptando normas sem criar exigências extras. O processo será realizado por etapas, priorizando os temas que demandam maior adaptação do mercado.

Segundo a diretora da autarquia, Jéssica Bastos, a etapa atual é a de planejamento, ou seja, identificar o que será necessário mudar. O que deve entrar na ‘primeira leva’ da regulamentação, ou seja, das normas que deverão ser adaptadas à nova lei, são as que envolvem o mercado de seguro automóvel – um dos maiores segmentos do setor.

“Estamos fechando o planejamento do ano, mas entendemos que em alguns casos o mercado precisaria de mais tempo para se adaptar, como o seguro auto, por exemplo. Para mexer na norma de auto, precisamos mexer primeiro nas normas de seguros de danos, que são um pouco mais gerais, antes de ir para as específicas. É uma verdadeira orquestra que vamos ter que conduzir esse ano na Susep para fazer todos os instrumentos funcionarem ao mesmo tempo”, diz a diretora.

No caso do ramo de seguro automóvel, há também outra novidade: a recém sancionada lei das cooperativas de seguros. Essa nova legislação traz para dentro do guarda-chuva de fiscalização da Susep as associações de proteção veicular, aumentando a “concorrência” legal no segmento, e que também precisará de uma regulamentação que converse com as demais normas.

Apenas para se ter uma ideia, de janeiro a novembro de 2024, as receitas do mercado segurador totalizaram R$ 394,16 bilhões, um crescimento de 12,3% em relação ao mesmo período de 2023, segundo dados da própria Susep. 

Só o seguro auto arrecadou R$ 53,20 bilhões no mesmo período, linha de negócios responsável por 42,4% dos prêmios (valor pago pelo consumidor à seguradora ao comprar o seguro) dos seguros de danos no ano até o mês de referência. E isso porque o mercado estima que apenas 30% da frota automotiva brasileira tenha algum seguro.

Outro exemplo de nova exigência que o mercado precisará se adaptar é a divulgação de decisões arbitrais. Segundo Octaviani, no Brasil há uma regra na lei que determina como vão ser feitas as arbitragens envolvendo o mundo do seguro e do resseguro, que obriga que os termos das decisões sejam tornados públicos. 

O papel da Susep será reunir as partes envolvidas no processo de arbitragem – seguradoras, segurados, resseguradores e as entidades que oferecem serviço – para informar que, a partir de agora, os contratos de seguro podem prever arbitragem em determinados termos e, especificamente, sobre a sua decisão final, “ter uma disciplina jurídica da publicidade”.

“Isso tudo é muito relevante porque senão, como aconteceu em outros países, as decisões vão sendo tomadas em arbitragem e não vão sendo conhecidas. O conhecimento sobre aquilo é muito importante, só que ao mesmo tempo nós temos que garantir o sigilo sobre aquelas partes e sobre pedaços daquele negócio. Isso só dá para ser feito chamando as entidades de arbitragem e organizando isso com eles”, acrescenta o superintendente.

Desafios

Para o advogado Ernesto Tzirulnik, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro (IBDS), a regulamentação deve reforçar os avanços da lei e garantir que ela seja aplicada de forma eficaz. 

“É importante que a lei não sofra diáspora semântica nesse momento, que mantenha a unidade tal como já vem e que ainda os direitos do segurado que são garantidos como regime geral sejam ainda mais bem especificados conforme o caso”, comenta o advogado.

Na avaliação de Tzirulnik, a regulamentação da Susep deverá olhar primeiro para normas ligadas aos questionários das seguradoras, pagamentos e prazos da regulação de sinistro (ocorrência do risco previsto no contrato de seguro, como um acidente ou roubo do carro, por exemplo), além de resoluções sobre os ramos de seguros de pessoas, automóveis e grandes riscos também. 

“Terá que ser feito com muita rapidez e no primeiro semestre, porque as seguradoras precisarão de um tempo para se adaptar e a lei foi generosa dando o prazo de vacância de um ano”, aponta o advogado.

Para Jaqueline Suryan e Marcella Hill, advogadas sócias de Seguros e Resseguros do escritório Campos Mello, a nova lei pode representar desafios para o setor. 

“Nos preocupa o fato de que a lei não distingue claramente os seguros massificados dos grandes riscos. O comprador de um seguro de grande risco é muito diferente do comprador pessoa física”, alega Hill, o que pode engessar o mercado e aumentar os custos operacionais. “Esperamos que essa nova lei não traga empecilhos para a continuidade do desenvolvimento do mercado brasileiro”, complementa.

Na análise de Suryan, apesar de a lei ser bastante protetiva com o consumidor, deixou um ponto relevante sem aprofundamento, que é a responsabilização também do corretor de seguros no esclarecimento do que é vendido ao consumidor.

Isso porque, diz Suryan, muitas vezes a pessoa física acaba não compreendendo direito o que está adquirindo. “O que vemos muitas vezes, principalmente em questionamentos perante o judiciário, é uma subscrição não esclarecida das pessoas, que não sabem exatamente o que estão contratando ou achavam que tinha cobertura e não tinham. A responsabilidade de tudo isso nunca foi partilhada com o corretor”, observa a advogada.

O Globo: Com alta de roubos de carros, valor do seguro sobe no Rio

Fonte: O Globo

Uma ação articulada pelo Comando Vermelho que levou pânico a motoristas com 798 roubos de veículos em apenas quatro dias também provoca impacto no bolso de quem tem carro no Rio. O preço do seguro dos automóveis ficou mais alto em algumas áreas da Região Metropolitana, segundo a Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg), devido ao incremento de 39% desse tipo de crime no ano passado no estado. Caso se estenda por um período mais longo, a explosão de casos nos últimos dias poderá deixar as apólices ainda mais caras. As seguradores explicam que os valores são calculados com base nos dados dos últimos 12 meses.

De quinta-feira a domingo, foram registrados, em média, 200 roubos de veículos por dia no estado. O número representa um crescimento de 175% em relação à média de 2024. Segundo a polícia, traficantes estariam agindo nas ruas para pressionar pelo fim das operações em comunidades controladas pela facção criminosa.

— Na hora que começa a ter uma tendência de sinistros (roubos) numa região, o interesse pelo seguro aumenta e, quanto mais aumentar a frota segurada, esse custo também é pulverizado. Mas, sim, tem uma tendência de aumento de preço de seguro em relação ao roubo e ao furto. Não tem o que fazer, a conta não fecha — explicou Keila Farias, vice-presidente da Comissão de Seguro Auto da Fenseg.

CEP interfere no valor

A Fenseg não revelou o percentual médio de aumento, mas informou que o valor do seguro é calculado levando em consideração o endereço do proprietário do veículo — baseado no Código de Endereçamento Postal (CEP) — e o histórico de sinistros registrados pela seguradoras na região. Por isso, o seguro é mais caro onde a violência é maior.

José Varanda, professor e coordenador acadêmico da graduação em Gestão de Seguros, da Escola de Negócios e Seguros (ENS), afirmou que o valor médio do custo das apólices de seguro aumentou no Rio. Segundo ele, a alta pode estar ligada aos índices de criminalidade.

— Embora não haja uma estimativa exata do impacto específico desse aumento da violência nos preços dos seguros, um levantamento da Minuto Seguros (infomoney.com.br) indicou que, em dezembro de 2024, o valor médio das apólices aumentou 47,2% para homens e 37,8% para mulheres, em relação ao mês anterior. As seguradoras ajustam os valores das apólices com base no nível de risco de cada região e na frequência de sinistros. Com o crescimento de 39% nos roubos de veículos em 2024 em comparação com 2023 e a continuidade dessa tendência nos primeiros meses de 2025, observa-se um aumento nos preços dos seguros, especialmente em áreas com maior incidência de crimes — disse o especialista.

Segundo levantamento obtido pelo GLOBO, as áreas com mais registros de roubos de veículos entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro foram São Gonçalo, com 120 casos, Méier, com 96, Irajá, com 83, e Duque de Caxias, com 82.

A origem dessa recente onda de roubos de veículos foi descoberta pela polícia após um adolescente, de 16 anos, ser detido, na Zona Norte do Rio, com um Jeep Renegade roubado. Ao ser ouvido pelos policias, ele contou ter roubado outros dois carros naquele mesmo dia e que estaria obedecendo a uma ordem de traficantes dos complexos da Penha e do Alemão. A determinação teria se espalhado para outras comunidades do Comando Vermelho, gerando uma escalada de ataques a motoristas.

Mil reais por carro

Suspeito de participar da Equipe do Ódio, grupo de adolescentes do CV especializado no roubo de veículos, o jovem detido revelou ainda que recebia uma recompensa de mil reais por cada carro roubado e que ficava com os pertences das vítimas. Os traficantes também tinham interesse em ficar com alguns modelos de celular.

A Polícia Civil descobriu que essa ordem teria partido de Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefe do Complexo da Penha, após a operação no último dia 24, em que cinco pessoas morreram e nove ficaram feridas nos complexos.