A Porto Seguro registrou lucro líquido, sem considerar a combinação dos negócios com o Itaú, de R$ 158 milhões no terceiro trimestre de 2012, queda de 1% em relação ao mesmo periodo do ano anterior. No acumulado dos nove meses do ano, o ganho avançou 8%, para R$ 448 milhões, segundo dados divulgados hoje no final do dia. O grupo atingiu 12 milhões de itens segurados e o ROAE foi de 14,9%.
De acordo com a mensagem da admnistração transmitida no release de divulgação, no 3° trimestre do ano o grupo enfrentou um cenário competitivo mais racional no segmento de automóvel, proporcionando melhores condições de precificação, o que contribuiu para a recomposição das margens. As receitas totais evoluiram 11%, em grande parte impulsionada pelo crescimento dos produtos auto (+14%). O grupo destacou a marca Azul que apresentou aumento de prêmios de 43%.
Em saúde, o grupo alcancou crescimento de 11%, impulsionado pelos reajustes de preços. No segmento odontólogico os prêmios aumentaram 45% devido ao crescimento de itens segurados. O total de vidas seguradas (saúde + odontológico) alcançou a 545 mil vidas. O índice combinado atingiu 98,2%, reflexo principalmente de uma menor sinistralidade e da melhoria de eficiência operacional (no trimestre o indíce de despesa administrative reduziu 0,3 p.p. e 0,8 p.p. no ano.
A frequência de roubo e furto de automóveis apresentou queda, interrompendo uma tendência de alta no ano. De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de SP, o número de carros roubados na cidade de São Paulo decresceu 5% (3T12 vs. 3T11).
As receitas de outros negócios não seguros evoluíram 43% no trimestre e 40% no acumulado do ano, principalmente intensificados pelo crescimento das operações de crédito (cartão e financiamento). O retorno sobre capital nestes negócios atingiu 20,6% no acumulado do ano (+1 p.p. vs 9M11).
A estratégia de investimentos produziu um resultado financeiro de R$ 225 milhões (170% do CDI), com rentabilidade nominal muito próxima a do ano anterior (3,25% no 3T12 x 3,32% no 3T11), mesmo com o CDI 38% mais baixo. Tanto as alocações estruturais quanto a gestão ativa (vs cenário econômico) produziram resultados superiores neste trimestre.
“Continuamos a investir na expansão da empresa. Inauguramos 3 centros automotivos (CAPS), 3 centros de atendimento de sinistros (CARS), e mais 2 sucursais, reforçando nossa estrutura comercial. Prosseguiremos com nossa estratégia de crescimento com rentabilidade, privilegiando a expansão geográfica e buscando alavancar a nossa marca nos diversos segmentos e canais onde atuamos”, informou.
A AIG, que recebeu US$ 182,5 bilhões a título de socorro financeiro dos contribuintes americanos no auge da crise financeira, quatro anos atrás, vem se empenhando em saldar sua dívida com o governo, a fim de recuperar a sua credibilidade. O grupo volta ao mercado brasileiro, depois de o Itaú Unibanco ter colocado um fim na parceria que a seguradora americana tinha com o Unibanco, no auge da crise, seguindo uma carreira solo, com a mesma marca, mesmo apetite ao risco e mesmo estilo inovador de ser.
Release
A American International Group, Inc. (NYSE: AIG) anunciou hoje que a AIG é mais uma vez a marca de mercado de seu negócio global de property casualty na maioria dos locais, e que o segmento de vida e aposentadoria da companhia é agora AIG Vida e Aposentadoria.
Como parte da mudança, a AIG também introduziu uma nova promessa: Prontos para o amanhã.
“A AIG como uma marca global de seguros está de volta”, disse o Presidente e CEO da AIG Robert H. Benmosche. “O relançamento do nome AIG sinaliza uma importante conquista para a nossa empresa. ‘Prontos para o amanhã’ ressalta a tremenda tenacidade e ambição da AIG – para resolver problemas, inovar para o benefício de nossos clientes, e para atuar como uma poderosa equipe global. Estes são os atributos que permitiram à AIG conseguir com que todos o Estados Unidos investissem em nossa empresa, além de um retorno positivo de mais de US$ 15 bilhões”
“Agora vamos olhar para o amanhã, e estamos entusiasmados com o potencial que vemos lá. Estamos empolgados para começar a trabalhar vendo, construindo e garantindo um futuro melhor – para nossos clientes, para nós mesmos, e para as comunidades ao redor do mundo. Eu acredito que o espírito de criatividade e adaptabilidade da AIG trará oportunidades e portas abertas que redefinirão o que é possível, ajudando nossos clientes a prosperar e fazer o máximo todos os dias.”
A partir de hoje, a franquia mundial AIG de property casualty começará a usar o nome da AIG, e implantará o novo logotipo da empresa e a promessa de marca em marketing e publicidade, como apropriado. Na região da América Latina, o nome vai voltar para a AIG com base nas diretrizes regulatórias de cada país.
“É um ótimo momento para o rebranding no Brasil, temos grandes oportunidades de mercado para crescer com inovação, tanto para indivíduos quanto para empresas. Temos todos os tipos de produtos, energia, linhas financeiras, aviação e garantia, incluindo produtos para ameaças cibernéticas e os riscos ambientais. No Brasil, nós forneceremos soluções de seguros para a população ativa, tais como seguros de automóveis, vida, acidentes e viagens. Nós estamos ‘Prontos para o amanhã’, diz Jaime Calvo, Presidente da AIG Brasil*”.
A ajuda total autorizada pelo governo dos Estados Unidos de US$ 182 bilhões foram totalmente reembolsadas, e a Receita Federal e o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos até à data receberam um retorno positivo combinado de cerca de 15,9 bilhões dólares em seus investimentos na empresa.
A corretora PrevQuali Administradora de Benefícios (www.prevquali.com.br) firmou convênio com a União, por intermédio do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, via Secretaria de Gestão Pública, o qual permite a consignação em folha de pagamento dos Servidores Públicos do Poder Executivo em todo o País que aderirem aos Planos de Saúde e Odontológicos disponibilizados pela PrevQuali.
Segundo dados do Ministério do Planejamento, o Poder Executivo tem uma média salarial de R$ 5.906 e cerca de 1,2 milhão de Servidores, que passam a ser beneficiados com mais essa grande conquista da PrevQuali Administradora. Para atender a este público, a Empresa desenvolveu um portal exclusivo, que vai facilitar ainda mais a prestação dos serviços. No site www.SAUDESERVIDOR.com.br, o Servidor Público poderá fazer a adesão ao Plano escolhido totalmente online, fazer simulações de planos, além de diversos outros serviços.
QUEM É. O Grupo Prevquali iniciou suas atividades há menos de dois anos e já possui uma carteira de mais de 120 mil beneficiários nas empresas que o compõem: PrevQuali Administradora de Benefícios, PrevQuali Consultoria em Benefícios e Abnara Corretora de Seguros.
Segundo o diretor do Grupo, Farias de Sousa, a PrevQuali tem feito investimentos contínuos em tecnologia e capital humano com o objetivo de oferecer produtos e serviços desenvolvidos estrategicamente para atender a característica de cada cliente.
A CicloFaixa de Lazer São Paulo – que conta com o apoio do Grupo Bradesco Seguros – ganhou, neste domingo, 11 de novembro, nova extensão de 19,2 km interligando Avenida Paulista à Ciclofaixa das zonas Oeste/Sul (a mais antiga em operação), chegando à região do Parque do Ibirapuera. Com essa nova conexão, a cidade passa a contar com 108,5 km de ciclofaixas. O projeto é coordenado pela Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Transportes (SMT) e da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Com a incorporação do novo trecho, São Paulo passa a contar com 108,5 km de ciclofaixas (ida e volta) que reúnem em média 110 mil pessoas a cada domingo ou feriado nacional. O Grupo Bradesco Seguros apoia o projeto desde a sua inauguração, em 2009. A CicloFaixa de Lazer São Paulo integra movimento “Conviva”, uma iniciativa do Grupo Segurador, que visa promover a convivência harmoniosa entre motoristas, ciclistas e pedestres. É uma maneira de pensar e agir com cidadania.
Para marcar a abertura do novo trecho, o Grupo Bradesco Seguros disponibilizou tendas do SOS Bike – oferecendo pequenos reparos nas bicicletas, como troca de corrente, acerto na altura do banco e calibragem de pneu –, além do serviço de empréstimo de bicicletas.
Os 108,5 km de ciclofaixas de lazer estão distribuídos da seguinte forma:
Zona Oeste – são 45 km de ciclofaixas de lazer ligando os parques das Bicicletas, do Ibirapuera, do Povo, Villa-Lobos, Avenida Chedid Jafet, Rua Funchal, Avenida Eng. Luís Carlos Berrini e Avenida Jornalista Roberto Marinho (até o futuro Parque Clube do Chuvisco).
Zona Norte – a Ciclofaixa de Lazer da ZN possui 8,5 km de extensão. O maior trecho, com 8 km de extensão (4 km por sentido), liga a Praça Heróis da FEB até a estação Parada Inglesa do Metrô. No feriado de 12/10, entrou em operação o prolongamento interligando a ciclofaixa à Ciclovia Braz Leme. O percurso é feito pela Av. Santos Dumont e possui 500 metros de extensão nos dois sentidos.
Zona Leste – a Ciclofaixa de Lazer da Zona Leste, inaugurada em 25 de março deste ano, funciona com 14 km de extensão (7 km em cada sentido). Ela foi implantada ao longo da Avenida Gov. Carvalho Pinto onde está situado o Parque Linear Engenheiro Werner Zuluaf-Tiquatira, passando também pelas avenidas Dom Hélder Câmara e Calim Eid.
Paulista-Centro – O circuito Paulista – Centro – Ibirapuera totaliza 41 km de extensão. Na Paulista, a ciclofaixa é operada em toda a avenida, em ambos os sentidos, ligando a Rua da Consolação à Praça Osvaldo Cruz. Esse trecho é interligado ao Centro da cidade através do eixo Vergueiro-Liberdade. Ao chegar à região central, o percurso passa por pontos turísticos históricos, como o Teatro Municipal, o Viaduto do Chá, o Mosteiro São Bento, as praças Dom José Gaspar, Franklin Roosevelt e da Luz, conectando-se ao Elevado Costa e Silva. Com nova extensão inaugurada neste domingo, a Av. Paulista interliga-se com a região do Ibirapuera pelo eixo Vergueiro-Domingos de Morais-Jabaquara-Indianópolis.
Os desafios são tão gigantes como as oportunidades de negócios. Essa opinião é praticamente uma unanimidade entre clientes, corretores, seguradores e resseguradores presentes no evento “Pensando o Futuro”, promovido pela Munich Re do Brasil, em São Paulo, no dia 8 de novembro e que reuniu cerca de 350 participantes, entre clientes empresariais, de seguradoras e corretores, bem como executivos da resseguradora.
Trata-se de um evento semelhante aos tradicionais encontros internacionais promovidos anualmente em Monte Carlo (setembro) ou Baden-Baden (outubro), onde todos se reúnem para discutir as renovações dos principais contratos de seguros do mundo. Ao contrário dos eventos internacionais, que mostrou tendência “flat”de preço, ou taxas estáveis nas renovações, o evento da Munich Re do Brasil sinaliza uma queda de preços para os principais contratos em período de renovação e também para os novos contratos que são desenhados para transferência de parte dos riscos dos projetos de infra-estrutura em andamento.
“Acho que chegamos ao chão. As taxas do seguro de riscos de engenharia já declinaram cerca de 70% de 2008 para cá”, diz Kurt Muller, CEO da Munich Re Brasil. No entanto, ele acredita que ainda presenciará mais uns dois ou três anos de mercado “soft” no Brasil. Segundo ele, as perdas causadas pela passagem do furacão Sandy provavelmente não terá qualquer impacto nas taxas praticadas no Brasil. “A concorrência local é muito forte e há muitos projetos em andamento. O foco no Brasil é prestar serviços diferenciados e atrair todo o programa de seguros do cliente para compensar a queda nas taxas”, informou Kurt, apresentando um enorme leque de produtos e uma equipe especializada em cada segmento para os convidados.
As reuniões de Baden-Baden ou Monte Carlo têm o objetivo de pré estabelecer uma tendência para os contratos, tanto de preços, como de franquias, exclusões, clausulados e mecanismos de conciliação em caso de possíveis conflitos. Trazer esse debate para o Brasil, neste evento, que reuniu 350 executivos, é uma tentativa de transformar a realidade das negociações pós em pré, bem como divulgar os produtos diferenciados que a maior resseguradora do mundo tem para ofertar às empresas e investidores brasileiros.
Pareceu haver um consenso entre todos os envolvidos, inclusive advogados, em investir tempo e paciência nas negociações de coberturas para evitar discussões futuras. “Esse comportamento de fechar o seguro na última hora tem de ser corrigido, pois traz desgaste para o relacionamento do cliente com o corretor, do corretor com a seguradora, da seguradora com o ressegurador e de todos com o prestador de serviço de regulação de perdas”, comentou Carlos Leon, da Munich Re, especializado em riscos de energia.
Segundo executivos entrevistados, a maioria dos contratos de grandes riscos é assinada às pressas. “Precisamos participar mais das discussões dos projetos ao lado dos clientes e também dos investidores. O mais correto é estarmos envolvidos na concepção do fluxo de caixa do empreendimento, na gestão de risco. Isso significa trazer a discussão para o momento da subscrição. Se isso acontecer, evitaremos discussões na hora que o segurado mais precisa de apoio, que é a hora do acidente, ou sinistro no jargão do setor”, comenta Wady Cury, diretor de riscos patrimoniais da BB Mapfre.
Tal indisciplina é conseqüência de um setor acostumado a se relacionar em um mercado que ficou por quase 70 anos fechado. O monopólio de resseguros foi flexibilizado a partir de 2008. Para muitos especialistas, em raão disso, é normal ter um volume assustador de discussões sobre o que está ou não coberto nos contratos ainda sem precisão jurídica e técnica e recheados de jargões traduzidos erroneamente da língua inglesa para o português. “Os problemas que enfrentamos hoje são fruto de um momento de transição de um mercado fechado para um mercado aberto”, comentou Mario Bicalho, executivo do Itaú Unibanco.
Todos concordam, no entanto, que os processos em discussão, que pipocam em várias esferas judiciais, já foram suficientes para todos acordarem para a realidade de um mercado aberto, competitivo e que busca a sustentabilidade nas relações como forma de manter a lucratividade, item vital neste momento de queda da taxa Selic no Brasil e de juros reais negativos nos principais países da Europa.
Diante disso, a subscrição se tornou um item prioritário nos contratos para garantir o ganho operacional e, consequentemente, o retorno ao acionista. Sem isso, eles vão aportar seus recursos em um setor com ganhos menos arriscados. “É preciso profissionalizar a gestão do risco em razão do grande volume de negócios que estão por vir a partir de 2013”, comentou Paulo Resende, professor da Fundação Dom Cabral.
Na mesma linha, Paolo Bussolera, chefe de indenizações para a Europa e América Latina, aconselhou. ”O Brasil tem uma indústria judicial bem desenvolvida, porém esse não é o objetivo de empresas como a Munich Re, cujo foco é ser parceira no longo prazo”. A sugestão do executivo é discutir o risco durante o momento de subscrição e não deixar para saber o que está coberto ou excluído no momento do acidente.
O conflito judicial mais citado tem sido o caso da hidrelética de Jirau, no Rio Madeira, com prejuízo estimado pelo consórcio Energia Sustentável, que tem a construtora Camargo Correa como acionista, em R$ 400 milhões com a destruição do canteiro de obras pelos funcionários insatisfeitos com as condições de trabalho. Já as seguradoras calculam um valor bem menor, em torno de R$ 100 milhões.
Um dos questionamentos durante os debates foi: por que a perda do Consórcio Norte Energia, que comanda as obras de Belo Monte, no Pará, localizada ao lado de Jirau, foi bem menor? As obras foram paralisadas por uma semana em agosto e o consórcio contabilizou um prejuízo de R$ 12 milhões por dia, insuficiente para acionar o seguro em razão do valor ser inferior ao da franquia da apólice. Katia Luz, gerente de risco da OCS, corretora de seguros do grupo Odebrecht, creditou o fato aos princípios de sustentabilidade adotados construtora responsável pela usina Santo Antonio. “Temos uma política de valorização do trabalho e investimos em treinamento para qualificar os moradores das regiões. Neste caso específico, treinamos mais centenas de pessoas e contratarmos boa parte delas para as obras”.
Segundo Resende, há oportunidades fantásticas de negócios no Brasil para as seguradoras. Mas para ser rentável, é preciso investir na qualidade da mão de obra. “Além disso, o mercado tem de se adaptar a dois fatores”, afirmou o professor. O primeiro deles é aprender a atender contratos no formato de concessão, com coberturas que sejam importantes para mitigar os riscos da iniciativa privada. O risco deixa de ser do governo e passa a ser da iniciativa privada no momento em que a empresa assume o contrato de concessão pelos serviços públicos. ”São mais de R$ 750 bilhões em obras que terão o formato de concessão no Brasil nos próximos anos”, informou durante o painel “Infra-estrutura e seguros: a quantas vai?”.
Outra vertente de desafio está em saber lidar com os investidores dos projetos, que cada dia querem participar mais ativamente do desenho da apólice. “Temos percebido que os financiadores querem mais coberturas, principalmente aquelas que garantem o fluxo de caixa futuro do empreendimento, como as ofertadas nas apólices de garantia e de lucro cessante”, comenta Rodrigo Belloube, executivo da Munich Re. O risco ambiental e o de greves estão entre os mais temidos atualmente.
Mario Bicalho, executivo do Itaú Unibanco, líder do segmento de seguros de grandes riscos, afirmou que o setor já tem um bom nível de qualificação. “Precisamos aprimorar, mas já demos um grande passo. O que precisamos agora é assumir que o Brasil é uma grande potência, com um PIB maior do que o da Inglaterra, berço de seguros do mundo. Temos de sentar na mesa para negociar e não para aceitar todas as condições impostas”, disse num tom desafiador.
Uma sugestão de Bicalho para reduzir conflitos sobre os valores a serem indenizados é que os estrangeiros invistam em entender melhor o funcionamento das regras brasileiras. “Fomos questionados sobre pagar juros e correção em uma indenização. A regra brasileira é clara. Se não pagar o valor em até 30 dias da entrega do último documento, é preciso corrigir o valor. Se o ressegurador soubesse disso, ganharíamos tempo e deixaríamos o cliente mais satisfeito”.
O advogado Luis Felipe Pellon também defendeu a união de todos para reduzir os pontos cinzentos que existem hoje nos contratos de seguros, bem como tornar empresas e judiciário mais conscientes do papel do seguro. “O seguro cobre prejuízos consequentes de riscos, acordados previamente, e não todos os riscos da operação. É preciso entender isso para que os contratos sejam respeitados e se tenha segurança jurídica para atuar no Brasil”, explicou. Segundo ele, um levantamento do HSBC em todo o mundo revelou que de 100 contratos em discussão judicial do grupo no mundo, 80 estavam no Brasil.
Marina Ribeiro, executiva da AIG Chartis, ponderou a discussão levantada pelos dois colegas durante o debate. Katia, da Odebrecht, afirmou que para o setor melhorar, é preciso mais serviços, produtos inovadores e preços menores. Para Wady Cury, da BB Mapfre, participar das negociações do projeto é uma condição sine qua non para elevar as vendas e a rentabilidade da carteira de grandes riscos. “O preço já caiu tanto, que os sinistros estão representativos. Segundo levantamento interno, a sinistralidade bate a casa dos 120% no final do contrato de grandes obras, com vigência entre 5 e 7 anos”, afirmou Marina aos presentes.
Tania Amaral, executiva da Munich Re, fez um resumo dos quatro anos de abertura do resseguro. Ela mostrou manchetes dos jornais da época da abertura do resseguro, em 2008, com a festa dos novos entrantes para concorrer com o IRB Brasil Re, dono do mercado por quase 70 anos e que ainda permanece por ter privilégios concedidos pelo governo.
Passados quase quatros anos, as manchetes dos jornais estão menos otimistas. Os investimentos não são realizados na velocidade esperada, gerando um mudança significativa no risco do contrato. Há muitos competidores, o que fez o preço despencar. A próxima safra de notícias tende a ser um grande volume de discussões sobre o que está ou não coberto.
Isso porque, afirmam Marina e Tânia, a subscrição das seguradoras tem enfoque no curto prazo. “Conseguem prêmio rápido e lucro momentâneo. Mas à medida em que os riscos se desenvolvem na linha do tempo, será que as contas estão sendo realizadas de forma corretas para garantir a rentabilidade da carteira lá na frente”, questionaram.
Wady Cury concordou plenamente com as executivas. “Precisamos sentar todos para arrumarmos as amarras que nos impedem de fazermos contratos sustentáveis, sejam eles provenientes da falta da pró atividade de participar das discussões dos projetos desde o seu nascimento até as urgentes mudanças na regulamentação do setor, que determina até mesmo como os produtos devem ser desenhados”, comentou o executivo da BB Mapfre.
Ao que tudo indica, ainda levará um tempo razoável para a indústria de seguros conseguir reduzir as discussões no momento de regular o pagamento de indenizações, criando uma cultura globalizada de risco. No entanto, faz parte do amadurecimento de um setor que começa a entrar na adolescência no Brasil, com participação de apenas 3% no PIB. Menos da metade da média mundial.
Segundo o economista Eduardo Giannetti , o brasileiro está apenas começando a descobrir o valor do amanhã, depois de anos convivendo com pacotes econômicos criados pelos governos com o intuito de driblar a escalada da inflação. “Brasil e seguradoras precisam vencer desafios e aproveitar a grande oportunidade de estarem bem posicionados em um momento em que países de ponta sofrem com recessão, desemprego, ajustes fiscais e também políticos”, cita o economista, que encerrou o evento da Munich Re com sua tradicional palestra “O Valor do Amanhã”.
O negócio internacional volta a crescer e já representa 67% dos prêmios e mais da metade dos lucros.
Na Espanha aumenta o volume de prêmios em seguros de Empresas, Residência, Saúde, Decessos e os ramos de Automóveis e de Vida registram um comportamento melhor que o do mercado.
Todos os países da América Latina crescem com força, especialmente o Brasil, que já representa mais de 20% dos prêmios totais do Grupo e avança rumo aos 45%.
Nos demais negócios internacionais, merece destaque o avanço dos Estados Unidos, que triplica seus resultados.
A divisão de Negócios Globais (MAPFRE RE, GLOBAL RISKS e ASSISTÊNCIA) aumentou o resultado em 36% e ampliou mais de 13% o volume de prêmios.
A MAPFRE obteve, nos nove primeiros meses deste ano, rendimentos de 19.412,6 milhões de euros, 10,5% a mais em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionado pelo contínuo crescimento do negócio internacional.
Os prêmios do Grupo superaram 16.571,9 milhões de euros, com um aumento de 13%. Os negócios Não Vida (11.906,5 milhões de euros) cresceram 9,8% em prêmios e em Vida 22,3% (4.665,4 milhões) neste período.
O lucro atribuível da MAPFRE, nos nove primeiros meses de 2012, chega a 655,9 milhões de euros, 14,3% menos, devido, principalmente, às provisões e às deteriorações realizadas por conta da crise dos mercados. O lucro recorrente, entretanto, cresce 9,1%, alcançando 737,8 milhões de euros, refletindo a solidez operacional do Grupo, que permite conter os efeitos da crise financeira.
Ademais, destaca a favorável evolução do índice combinado do Grupo, que reduziu 1,4 pontos, situando-se em 95,3%, graças à queda da sinistralidade, pela menor incidência das catástrofes naturais e ao rigor na gestão técnica. Também é significativo o aumento do patrimônio líquido do Grupo em mais de 400 milhões de euros durante o exercício, situando-se em 10.140,2 milhões, bem como, a contenção nos níveis de dívida, que se situam em 1.893,3 milhões de euros.
1- Evolução do negócio
A Divisão de Seguro Espanha, que representa 32,5% dos prêmios totais do Grupo, superou 5.772 milhões de euros em prêmios, com uma redução de 4,7%, devido à diminuição da demanda do mercado espanhol, que caiu 5,9%:
Os prêmios Não Vida superaram 3.499,5 milhões de euros, 4,6% menos. É significativa a positiva evolução dos seguros de Empresas (+4,8%) e Residência (+2%). O negócio de Automóveis registrou queda de 5,1%, frente a uma redução de 5,4% do setor em seu conjunto. Destaca a positiva contribuição de VERTI, que cresce 64,8%, até 28,2 milhões de euros. Por outro lado, o índice combinado da MAPFRE FAMILIAR e da MAPFRE EMPRESAS se situa em excelentes índices de 91,1% e de 80,2%, respectivamente.
Os prêmios de Vida alcançaram 2.272,5 milhões de euros (-5%), em um ambiente de menor renda disponível e de forte concorrência dos bancos para a captação de passivo. Na Rede de Agências os prêmios crescem 12%. As provisões técnicas se situaram em 18.109,2 milhões de euros, com aumento de 1,4% e a poupança gerida de 25.545,4 milhões, que cresce 0,7%.
A Divisão de Seguro Internacional, que engloba as atividades seguradoras no exterior, alcançou 8.270 milhões de euros (+30,3%) e já representa 46,6% dos prêmios totais do Grupo.
Nos países da América Latina, o Grupo alcançou um volume de prêmios de 6.604,3 milhões de euros, 34,6% superior. Merece destaque o forte crescimento do negócio no Brasil (+44,8%, alcançando 3.577,1 milhões de euros), país que representa 54,1% do negócio da MAPFRE na região. Ademais, foram registrados aumentos em todos os países da zona, com destaque para os da América Central (+32%), Colômbia (+31,4%), Peru (+28,8%), Venezuela (+26,6%), México (+24,5%) e Chile (+15,2%).
Nos demais países onde o Grupo mantém operações em seguros -Estados Unidos, Filipinas, Malta, Portugal e Turquia- se alcançou um volume de prêmios de 1.665,7 milhões de euros, 15,9% superior. Merece destaque o aumento nos Estados Unidos, que alcançou 1.172,4 milhões de euros (+9,4%) e na Turquia, 279,1 milhões (+32,7%).
O lucro antes de impostos melhora significativamente: na América Latina cresceu 11,5% e nos demais países da Divisão, 77,6%, destacando o espetacular crescimento dos Estados Unidos (+218,3%), devido, na maior parte, às melhorias na gestão e a não incidência de catástrofes devido às favoráveis condições meteorológicas.
A Divisão de Negócios Globais, que representa 21,5% dos prêmios do Grupo e integra suas atividades de Resseguro, Global Risks e Assistência, alcançou 3.825,6 milhões de euros em prêmios e receitas operacionais, um aumento de 13,2%:
Os prêmios aceitos de Resseguro alcançaram 2.277 milhões de euros, com aumento de 11,8%. A favorável evolução do negócio implica crescimento em todos os ramos, e, particularmente, no negócio de Vida.
Os prêmios de Global Risks aumentaram 6,7%, alcançando 867,8 milhões de euros, com forte crescimento em novos mercados internacionais. Merece destaque especial, a evolução do ramo de Danos.
As receitas do negócio de Assistência (prêmios e receitas por serviços) registraram aumento de 28,8%, alcançando 680,8 milhões de euros. Merece destaque a positiva evolução do Seguro de Extensão de Garantias nos Estados Unidos e o Seguro de Assistência em Viagens no Reino Unido, na França e na China.
2- Dividendo:
O Conselho acordou pagar um dividendo como consequência dos resultados do exercício 2012 de 0,04 euros por ação, pelo que o dividendo total pago no ano se situa em 0,12 euros por ação. A quantia total paga por dividendos em 2012 será de 369,6 milhões de euros.
3- Mudanças nas estruturas do Grupo:
Dando continuidade ao processo de reorganização das estruturas operacionais, a MAPFRE decidiu:
A integração das Cias. do Grupo em Portugal, MAPFRE SEGUROS GERAIS e sua filial de seguros de Vida, na Divisão Seguro Direto Espanha, que passa a denominar-se Divisão de Seguro Espanha e Portugal. Com esta integração serão aproveitadas as sinergias entre os negócios do Grupo em ambos os países, que permitirão desenvolver de maneira relevante as atividades do Grupo em Portugal e ampliar a gama de produtos e serviços oferecidos neste país.
A integração da MAPFRE PORTO RICO, atualmente filial da MAPFRE AMÉRICA, na MAPFRE USA, dentro da Divisão de Seguro Internacional, com o objetivo de aproveitar as sinergias entre todas as Cias. do Grupo.
Ambas as operações passarão vigorar a partir de 1 de janeiro de 2013.
Em meados de 2008, as seguradoras brasileiras foram autorizadas pela Susep a comercializar apólice de seguro-resgate, pago às vítimas de sequestro. Esta modalidade sempre foi contratada no exterior, principalmente por grandes corporações interessadas em proteger o patrimônio de seus executivos.
Ontem, a LIU – divisão de produtos especiais da Liberty Seguros – apresentou ao mercado brasileiro a sua apólice de seguro sequestro e extorsão, durante o evento Be The Expert, dirigido a corretores de seguros. Segundo Renato Rodrigues (foto), diretor de grandes riscos e riscos especiais da seguradora, este é o primeiro produto disponível no mercado brasileiro e oferece reembolso para executivos e empresas que passem por uma situação de sequestro e extorsão.
Os clientes potenciais para estas apólices são grandes corporações e locais de grandes circulação de pessoas, como shoppings, escolas, hospitais, hipermercados. “Neste caso, eles contratam a cobertura para o caso de as pessoas sofrerem sequestro-relâmpago em suas dependências”, esclarece.
“O produto pode ser oferecido para as empresas juntamente com o seguro de D&O”, informa Rodrigues, acrescentando que na mesma apólice estão cobertos também os familiares dos executivos.
Além do reembolso financeiro, o produto oferece todo o acompanhamento necessário em caso de sequestro. “A partir da comunicação do evento, é acionado um serviço que atua junto aos negociadores, apoiando a família como gerenciadores de crise. Eles são profissionais e sabem como agem os criminosos e o que é preciso ser feito para que o sequestro se resolva da melhor forma possível. Passado o evento, há serviços também de apoio médico e psicológico, cobertura para cirurgias plásticas e reabilitação do segurado”, ressalta o executivo. As coberturas podem ser de R$1 aR$ 50 milhões.
Em outro painel do evento, Mauricio Giuntini apresentou o produto de Marine, que cobre todos os tipos de embarcações em diversas situações diferentes, desde a sua construção até suas operações. Ele informou que o potencial para este produto é imenso, se pensarmos que há 200 embarcações em fase de construção apenas para a prospecção do pré-sal, transporte de petróleo e containers.
O principal mercado para a Liberty neste setor é os Estados Unidos, principalmente Houston. “O Brasil ainda possui um mercado imaturo na área de marine, porque antes tudo dependia do IRB. É um setor que necessita de grande especialização e é por isso que atuamos sempre como líderes das apólices, para podermos precificar de forma correta e conduzir a regulação dos sinistros”, avalia Giuntini.
Conforme dados levantados pela camara-e.net, o numero de consumidores online chegou a 31,9 milhões em 2011. A expectativa é que ao final de 2012 a movimentação deste público alcance R$ 23,4 bilhões, valor 25% superior ao ano passado. De olho no potencial do comércio eletrônico brasileiro, a Via Internet (gestora da Rede ICP Seguros) lançará, a partir de 2013, uma plataforma aos corretores interessados em comercializar produtos online. “Já temos 78 corretoras que utilizarão a plataforma, com sua própria marca, e a cada mês de 5 a 7 corretoras novas são cadastradas”, informou o diretor de e-commerce e marketing da Via Internet, Rodrigo Paiva, durante almoço com a imprensa nesta segunda-feira (05/11).
Em um primeiro momento, os corretores usuários da plataforma comercializarão a certificação digital. Depois, outros produtos poderão ser incluídos, como, por exemplo, seguros. De acordo com Paiva, dependerá de negociação com as seguradoras que quiserem fazer parceria, pois, para a venda de seguros online funcionar, o sistema entre seguradora e a plataforma deverão estar integrados. “Estamos conversando com algumas seguradoras, mas ainda não há nada definido”, comentou o executivo.
Resultados e expectativas
Durante o almoço, o presidente da Rede ICP Seguros, Manuel Matos (foto), apresentou os números alcançados pela empresa durante sua atuação – que iniciou suas atividades, efetivamente, a partir de 2010 (entre 2005 e2009 aempresa realizou um projeto piloto no estado de São Paulo).
Segundo Matos, atualmente a Rede ICP Seguros está presente em 74 cidades brasileiras e coloca 20 mil consumidores na frente dos corretores mensalmente. As corretoras parceiras da rede cresceram, em média, 25% em 2011 e, até setembro deste ano, 40%. “A certificação digital é um instrumento estratégico pra construir e manter relacionamentos. Ocorretor se viaafastado do consumidor por conta das novas relações de consumo. Esta é uma forma de valorização do corretor independente. Queremos crescer ajudando o corretor a competir com vantagens”, disse Matos.
Entre as novidades, está a ampliação da parceria com sindicatos de outros estados. Acordo com a Fenacor e o Sincor-RJ possibilitará redução de 50% dos custos de implantação da certificação digital – antes este beneficio era apenas para o sindicato de São Paulo. A nova parceria com o Sincor-Rj, por exemplo, já trouxe 80 novos pontos para a Rede ICP Seguros.
Os usuários da certificação digital da rede também terão acesso gratuito às informações do site seguros.com.br.
Para os próximos anos, a projeção é que sejam credenciados 1.500 pontos de atendimento da Rede ICP Seguros. A partir de 2013, a expectativa de crescimento da rede é de 300 pontos por ano.
A curiosidade das pessoas em saber como fiquei tão especializada em seguros aumentou depois de ganhar mais um prêmio. Esse foi o sexto. Cinco com seguro e um da revista Imprensa, chamado Jornalista do Futuro, numa premiação promovida pela editora Abril em 1990, logo quando me formei.
Bem, nada melhor para explicar minha origem em seguros — cobertura que me rendeu três troféus da Allianz, um Gaivota, da revista Seguro Total, e um da Segurador Brasil — do que o capítulo escrito por mim para o livro “Matías M. Molina – O Ofício da Informação – Um perfil com vários autores”.
Como diz Vera Brandimarte, diretora da redação do Valor Econômico, “o rigor e dedicação do editor marcaram a formação de mais do que uma geração de jornalistas econômicos e foram fundamentais na construção de um dos mais reputados jornais econômicos dos anos 1980 e 1990. Historiador meticuloso e culto… profissional que inspira admiração e respeito…amigo de todas as horas”. E eu tive o grande privilégio de aprender muito com ele.
(Thomaz Souto Correia, Celso Nucci, Denise Bueno e Cristiane Segatto na premiação Jornalista do Futuro)
Segue o texto publicado no livro citado:
Peinnnnnnnnnnnnnnnnn. A estridente campainha, tocada por Matías M. Molina, editor chefe da Gazeta Mercantil, rompia o silêncio matinal da redação do principal jornal de economia do Brasil na época. Eu chegava quase sempre antes dele, as 9 horas da manhã. Arrumava tudo na minha mesa. Checava a agenda, lia os títulos do jornal, comparava com os concorrentes, me detinha em uma ou outra matéria.
Tudo isso para ficar antenada e decifrar com mais facilidade o que o seu Molina, com seu sotaque espanhol, iria me pedir ao longo do dia. Poucos entendiam de bate e pronto o que ele falava. Tanto pelo sotaque como pela pressa. Ele corria muito naquela época para produzir um jornal sem internet. É. Não tinha internet. O telex era o que existia de mais moderno.
Quando o tom do noticiário era o dólar, sabia que chamaria a Ângela Bittencourt e a Maria Cristina Carvalho várias vezes. Se era a crise externa, Mara Luquet e os correspondentes de Londres e de Washington, Celso Pinto e Getúlio Bittencourt. E assim seguia com Márcia Raposo comandando a editoria de indústria, Marília Stabile em nacional, Vera Brandimarte em agribusiness.
Seu Molina admirava o interesse das pessoas por informações. Pelo saber. Não se importava de explicar quantas vezes fosse necessário. Ou repetir, pois tinha consciência de que poucos o entendiam. A pessoa podia não entender nada de economia. Mas tinha de ter boa vontade para ganhar pontos com aquele senhor tímido e estilo sabe tudo.
No início, fiquei perdida em exercer meu papel como secretária. Não podia mexer na mesa dele. Segredos? Não. Pelo contrário. Jornalistas adoram revelar segredos. Milhões de jornais recortados e tiras que ele cortava do rolo trazido da sala de telex espalhados por toda a sala. Claudia, a secretária anterior, já tinha me alertado: você tem cara de certinha. Mas vou avisar. Se quiser se dar bem com ele, não tire nenhum papel do lugar.
Difícil conviver com aquela bagunça sem poder arrumar. Para ele aquele caos era a mais completa ordem. Impressionante como ele encontrava tudo que procurava. E sabia quando eu mexia. As vezes não resistia e juntava tudo em um canto da mesa para abrir um lugar para ele trabalhar. Ele ficava doido por alguns segundos. Sim. Só por alguns segundos, pois sua mente era inundada o tempo todo por centenas de informações úteis para produzir o jornal que pautaria os concorrentes do pais e também do mundo.
Desisti de tentar dar um tom de ordem naquela sala típica de jornalista de uma época sem internet quando percebi a verdadeira intenção daquele senhor de cabelos e barbas grisalhos, que aparentava ter mais idade do que realmente tinha. Apesar de seu Molina dirigir um dos principais jornais de economia do mundo e estar ligado em tudo o que acontecia no globo terrestre – desde um leilão de sucata até o que seria discutido no Palácio do Planalto –, o principal fato do dia para ele era uma banalidade para muitos: a vida.
Ele se empenhava em levar conhecimento e sabedoria aos que o cercavam. Ele sabia que para fazer um jornal digno tinha de respeitar a inteligência do leitor. A sua equipe precisava estar comprometida a transformar o “economês” dos economistas, o discurso dos políticos e o poder dos banqueiros em uma mensagem simples para a sociedade: as atitudes tomadas por eles vão mexer com o seu bolso e, portanto, com a sua vida.
Tal propósito me encantou e por isso foi fácil me acostumar a entrar em sua sala pela manhã para tirar uma xícara de chá e um pratinho onde colocava, diariamente, às 17 horas, sua fruta do dia. Fora isso, só entrava lá quando me chamava ou quando eu percebia que o clima estava ficando muito tenso. “Aceitam um chá”, perguntava com a intenção de fazer o grupo parar para respirar.
Para ele era vital que as pessoas estivessem conectadas com a família, com os amigos. Ao mesmo tempo tinham de cultivar a individualidade e se dedicarem ao próprio crescimento pessoal e profissional. Estimulava que todos apreciassem obras de arte e escutassem seus corações, despertando assim a intuição, matéria prima da ética e, consequentemente, das entrevistas. De forma singela, ele construía o caminho mais seguro para seus pupilos produzirem um jornal impresso de economia cada dia melhor. Assim, teria fôlego para enfrentar o que já estava por vir: a democratização da informação por meio da internet.
Depois de perceber esse jeitão Molina de ser, comecei a me concentrar em ajudá-lo a ganhar tempo, já que esse era seu maior desafio: dar conta de tudo que acontecia no mundo sem ter internet. Isso fazia dele uma espécie de google dos jornalistas, que recorriam a ele como fonte de dados e de pesquisa. E ele encontrava tudo naquele monte de papéis apinhados em sua mesa.
Seu humor era influenciado pelos altos e baixos da economia na década de 90, marcada pelas sucessivas crises externas, guerra cambial, aceleração inflacionária e desigualdade de renda da população brasileira. Ele entrava feito uma bala na sala no quarto andar, a única fechada da redação. Se eu não estivesse atenta, achava que tinha visto apenas um vulto passar. Nada de bom dia ou boa tarde. Mais lia do que falava.
Eu gostava de contar para medir o humor dele. Ao cruzar a baia para o salão da redação, dividido por grupos de mesas que representavam as editorias, ligava o cronometro mental. Um, dois, três….Mal me mandava distribuir os picotes nas mesas da redação e ele já tocava a campainha de novo. Quando a contagem chegava ao dois, era certo que seria um dia agitado. Se chegava ao dez antes do “peinnnnnn, todos teriam um dia mais tranqüilo.
Poucas vezes fui fazer algo a seu pedido e voltei sem ser aterrorizada pelo som estridente daquele arcaico chamador de secretaria e pelo olhar dos editores que acompanhavam o meu corre-corre. Muitas vezes sentia olhares de compaixão. No meu íntimo eu achava engraçada aquela situação. Todos pensavam que eu estava triste e humilhada. E eu estava feliz, adorando conhecer o bastidor do quarto poder de um país.
Minha principal tarefa era mantê-lo calmo. Todos ganhariam com esse esforço. O dia seria produtivo, os jornalistas poderiam se dedicar com mais calma a suas entrevistas e textos. Como resultado, um jornal respeitado por sua veracidade e autenticidade e responsável por educar financeiramente a sociedade. Essa era a meta do seu Molina. E também a minha. Tal sonho, dizia ele, só seria conquistado com uma população mais culta, capaz de eleger políticos mais comprometidos.
Tive o melhor estágio que uma estudante de quarto ano de jornalismo poderia sonhar. Cheguei na redação em março de 1990, logo após Fernando Collor de Mello ter assumido como presidente da República e confiscado todos os ativos financeiros do país da noite para o dia. Ou seja, aquela campainha passou a ser música para meus ouvidos logo de cara.
Para compensar o estresse de cada dia (afinal, não é fácil conviver com uma pessoa tão ansiosa como seu Molina), eu era recompensada pelo conhecimento. Passava dez horas por dia ao lado do cérebro do melhor jornal de economia do Brasil. Aprendia a cada minuto a importância de se preparar para uma entrevista, o que deveria observar no entrevistado para saber o rumo das perguntas. “Ele respondeu isso olhando nos seus olhos?”, perguntava o editor a seus repórteres quando desconfia da informação. “Como ele tratou a secretária?”, continuava, caso ainda quisesse checar a veracidade das informações passadas pela fonte ao seu repórter.
Queria muito retribuir a ele a tremenda oportunidade que estava me dando de desfrutar de seu experiência. Fazia de tudo para livrá-lo das mínimas coisas, pois nas grandes sua equipe dava conta. Como quem não quer nada, quando chamava os jornalistas que ele solicitava, ia dizendo no caminho de volta: “Nossa, seu Molina tá bem agitado com as noticias hoje”. Essa era a frase mais comum para alertar a todos que o melhor a fazer era escutar e ficar quieto. Sem justificar nada naquele momento.
Outra frase típica para sinalizar que o dia seria exaustivo e seria melhor cancelar todos os compromissos pessoais era: “Acredita que seu Molina chegou na redação hoje com todos os jornais já recortados de casa?” Nesses dias, o lucro era do disk pizza e dos leitores, que apreciavam um jornal repleto de furos. Muitos deles gerados pela leitura do Diário Oficial, função delegada por seu Molina ao Yves Leon.
Dessa forma contribuía para equilibrar as expectativas de cada um. Geralmente dava certo. As vezes não. Quando alguém tentava justificar algo no dia em que ele estava na contagem dois da campainha, já ia marcando o nome na agenda. Seria o próximo a ser chamado para um bate papo informal durante os 15 minutos do tradicional cafezinho no Estadão, bar que ficava em frente ao jornal. Nesses minutos, nada de falar de trabalho. Só da vida. Era uma forma de pedir desculpas pela falta de paciência.
Enquanto ele era um furação para as coisas do intelecto, era sutil como um pássaro para ver a alma das pessoas. Da mesma forma que ficava furioso quando via um título errado, ficava com seu coração partido ao sentir que alguém estava triste. Quando percebia, como quem não quer nada, colocava as duas mãos no ombro da pessoa, geralmente sentada em frente a máquina de datilografar ou a espera do telefone (os repórteres dividiam o telefone naquela época) e dava um sorriso: “me paga um café?”. Ele nunca almoçava. Se o assunto era mais sério, ele chamava para uma pizza após o fechamento do jornal. Depois das 23 horas.
Essa foi a rotina que compartilhei com seu Molina durante um ano como sua secretaria. Um dos melhores anos da minha vida. Período marcado por um grande desenvolvimento da minha mente e da minha alma. Segundo ele, a melhor secretária do mundo. Quem o conhece, sabe que ele não é de fazer elogios. Quando faz, acredite. Você mereceu.
Foi com muita tristeza que deixei esse cargo e ainda para ganhar um salário 25% menor como repórter na redação. A tristeza de deixar de ser sua secretaria fez parte da dor do crescimento. Minha sorte foi continuar tendo o privilégio, por muitos anos, de ser uma de suas pupilas e poder contar com seus ensinamentos. “Você vai cobrir seguros. Hoje esse setor não é nada no Brasil. Mas logo será e você vai ser uma grande referência nesse setor. Tenho certeza”.
Como sempre, ele vislumbrou o futuro. Assim como o seu Molina vê o Lloyd`s of London, o berço do seguros do mundo, com três séculos de existência, único capaz de ter a inteligência e flexibilidade para desenhar proteção para qualquer tipo de risco, eu o vejo: se ele não existisse, ninguém tentaria inventá-lo. Inovou, ousou e foi original para acompanhar o pulsar da vida. E os dois tinham outra característica comum: tocavam o sino para divulgar uma notícia.
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