O fato de o País conviver numa zona do imponderável no plano político atualmente fez com que os dois especialistas convidados para discutir os desdobramentos da crise política brasileira adotassem um tom cauteloso nas palestras proferidas no 5° Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro. No painel Panorama da Política Atual no Brasil, o cientista político Fernando Schuler, do Insper, e Cristiano Noronha, sócio da Arko Advice, os dois palestrantes, ao lado de Marcelo Haddad, da banca Mattos Filho, reconheceram que o atual ainda é muito nebuloso para ter uma resposta pronta do provável desfecho do impasse político.
O cientista político Fernando Schuler, do Insper, afirmou que, mais do que crise, existe um vácuo político nesse momento, tornando difícil qualquer prognóstico mais assertivo.
E cada mexida nesse jogo de xadrez político pode produzir situações inesperadas. Não há certeza por exemplo se o processo de impeachment será aprovado, tendo em vista a ação do governo de assediar parlamentares indecisos com a oferta de cargos nos órgãos públicos federais. E mesmo se confirmado o afastamento, existe a possibilidade de judicialização da matéria, já que a AGU poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A posse do vice-presidente também não está assegurada. O processo que visa a anular o resultado da eleição presidencial de 2014 ainda tramita no TSE, sem contar a ordem do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, para que seja aberto também processo de impeachment contra Michel Temer, lembrou ele. A crise parece não ter solução, chegou a dizer, lembrando não haver consenso para encerrá-la.
Acrescente-se ao turbilhão a proposta de renúncia coletiva e convocação imediata de eleições presidenciais e no Legislativo. Independente dos próximos capítulos, está claro que a guerra política vai se prolongar e não há garantias de que Lula e o PT, os mais desgastados nesta crise ética, estarão mortos nas próximas eleições, assinala Noronha. Para ele, a proibição de financiamento as campanhas políticas e o risco do uso e máquina pública pelo atual governo podem fazer a diferença nas próximas eleições.
Até lá, as reformas estruturantes necessárias para o crescimento sustentado, como reforma da Previdência, continuarão sendo jogadas para debaixo do tapete. Em risco, conquistas caras para a população brasileira, como a estabilidade econômica, a responsabilidade fiscal e o combate à pobreza.
A Bradesco Seguros está em negociações exclusivas e avançadas com a Swiss Re para uma joint venture na área de grandes riscos, segundo apurou o Broadcast. Detalhes ainda estão sendo discutidos, mas já estaria definido que o controle (60%) da empresa, conforme fontes, ficará com a sócia suíça e os outros 40% com a seguradora do Bradesco.
O valor do negócio teria ficado entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões. O pagamento se dará, de acordo com fontes, em troca de ações por ativos. No final, a Bradesco Seguros, que entrará com os ativos, ficará com 40% da Swiss Re Corporate Solutions.
A expectativa, de acordo com as mesmas fontes, é que o contrato definitivo seja assinado em breve, e o anúncio deve acontecer até em maio. Já há, inclusive, um contrato de memorando assinado.
Com valor estimado em cerca de R$ 800 milhões, o ativo, que é cobiçado há anos pelo setor, foi ofertado, conforme fontes, a outras multinacionais, como as japonesas Tokio Marine e Yasuda Marítima, as alemãs HDI e Munich Re e a norte-americana AIG. No final, ficaram, conforme fontes, HDI e Swiss Re, mas a Suíça se saiu melhor. A operação está sendo assessorada pelo Bradesco BBI.
Seguradoras nacionais têm abandonado a atuação na área de grandes riscos devido ao fato de o segmento exigir especialização e grande escala, deixando o espaço aberto para as multinacionais focadas no setor de seguros. Isso porque, embora movimente cifras elevadas em prêmios, exige também fôlego para grandes sinistros.
Em 2014, a americana Ace comprou a carteira de grande risco do Itaú por R$ 1,5 bilhão e em maio do ano passado foi a vez da francesa Axa levar a operação da SulAmérica por R$ 135 milhões.
Procurada pela reportagem, a Bradesco Seguros e a Swiss Re não comentaram.
A apólice de seguro dos Jogos Olímpicos tem cerca de US$ 900 milhões colocados em primeiro risco em exposição na apólice de US$ 2 bilhões, liderada pela Swiss Re e Munich Re. O programa mundial contempla os jogos olímpicos e os jogos de inverno. Esse valor foi tomado como base para se proteger das perdas que um cancelamento poderia gerar, informou Margo Black, executiva da Swiss Re que está a frente deste contrato, durante sua palestra no 5. Encontro de Resseguros, realizado no Rio de Janeiro nos dias 5 e 6 de abril. Os principais riscos cobertos na apólices são os direitos e custos de transmissão do evento. São 5 bilhões de pessoas que vão assistir os jogos, tornando os direitos de transmissão importantes. O risco é que os jogos sejam cancelados ou abandonados.
O primeiro evento coberto é o terrorismo, risco que conta com um sinal de alerta sensível depois dos acontecimentos na Europa. Caso aconteça um ataque terrorista em um estádio, os jogos continuam. Mas um ato terrorista na solenidade de abertura poderia fazer o comitê a cancelar os jogos e ai sim acionar a apólice de seguro, explica Margô.
Catástrofes naturais também são contemplados na cobertura do programa liderado pela Swiss Re e Munich Re, assim como excesso de chuva, mas ambos riscos são considerados como pouco provável. A terceira possibilidade seria uma pandemia, com agravamento para aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, febre amarela, chikungunya e zika virus. O comitê olímpico consultou os resseguradores e foi tranquilizado com a resposta d euma baixa probabilidade de ter um cancelamento do evento por conta disso.
O quarto risco é o tema protesto e manifestações, também com baixa probabilidade de levar ao cancelamento dos jogos.
Algo próximo de R$ 100 milhões. Esse é o calculo aproximado dos valores roubados em seis assaltos a empresas de transporte de valores e sedes de instituições financeiras neste ano. Praticamente todos eles contavam com uma apólice de seguros. Os atos de violência geraram uma reunião de emergência entre corretores, seguradores e resseguradores, que buscam formas de mitigar o risco e assim evitar a ocorrência de novos episódios como esse, que acabam por financiar novas investidas das quadrilhas organizadas.
Um dos ataques mais recentes noticiado pela imprensa foi no dia 14 de março, quando cerca de 20 bandidos, fortemente armados, atacaram a base da Protege, empresa de transporte de valores, localizada no bairro São Bernardo, em Campinas (SP). O assalto levou pânico aos moradores vizinhos na madrugada do dia 14 de março. Houve intensa troca de tiros, descrita por testemunhas como um cenário de guerra. Os ladrões teriam levado cerca de R$ 50 milhões da empresa, segundo estimativa não oficial obtida pela EPTV, afiliada da TV Globo.
“Estamos nos reunindo com profissionais da Espanha e da Itália, que já enfrentaram o agravamento de roubo de valores diante de um período de economia em recessão e embate político. O objetivo é criar mecanismos de segurança para evitar mais armamento”, comentou um corretor especializado em transporte de valores que pediu anonimato. Segundo relatos de policiais envolvidos nas investigações, os valores são usados para despesas com novos assaltos. Nas planilhas de custo há valores para construir tuneis, pontes, contratar engenheiros, motoristas, aviões. Um esquema sofisticado e assustador.
“Só a polícia pode mitigar esse risco. No caso de uma explosão ou incêndio em uma empresa podemos criar um plano de gerenciamento de risco, investir em treinamento, hidrantes, rotas de fuga entre outras medidas para evitar a recorrência do acidente. Mas para enfrentar bandidos fortemente armados como vimos nesses eventos, o que fazer?”, questiona um segurador. Uma das medidas já adotadas e que ajudou a reduzir o prejuízo em um dos assaltos recentes foi a cortina de fumaça. “Os ladrões levaram apenas 25% dos valores que estavam no cofre porque a cortina de fumaça foi disparada”, comentou um corretor, com base nas declarações colhidas pelos investigadores.
Boa parte dos contratos de transportes e armazenamento de valores é ressegurado no exterior. A grande preocupação dos resseguradores é que a crise econômica brasileira persista, agravando o atual cenário de violência. “O seguro existe para proteger nossos clientes, mas num cenário como esse que temos vivido, os resseguradores acabam perdendo o apetite pelo segmento por não verem perspectivas de mudança no médio prazo”, disse. E sem o apoio do resseguro, dificilmente uma seguradora vai atuar no segmento.
O presidente da Federação Nacional das Resseguradoras (Fenaber), Paulo Pereira, anunciou hoje, durante o 5º. Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, que o projeto de criação do Polo Regional de Resseguro deve ser enviado ao Ministério da Fazenda até o início de junho. Caso o polo seja implementado, segundo ele, poderá ajudar a dobrar o tamanho do mercado ressegurador brasileiro. “Estamos criando condições para que os resseguradores se instalem no Brasil para subscreverem riscos de fora do país, principalmente da América Latina. O mercado brasileiro de resseguro hoje é de US$ 2,5 bilhões e o da América Latina, de US$ 21 bilhões. Portanto, se conseguirmos atrair 10% desse mercado, nós estaremos dobrando de tamanho”, estimou. Pereira ressaltou, porém, que será necessário construir um bom motivo para atrair esses grandes players para o país. “Os resseguradores já operam na América Latina e, para mudarem, o desafio é grande. Significa que teremos que alterar o nosso ambiente trabalhista, regulatório e tributário também”, defendeu o executivo.
De acordo com Paulo Pereira, a proposta é ter uma alíquota de Imposto de Renda diferenciada para que seja possível maior competitividade, sem significar renúncia fiscal. “O Governo já entendeu a importância de desenvolver o polo. Mas o fato é que teremos algo completamente diferente do que temos hoje no Brasil. É preciso ter regras novas para os investimentos”, afirmou. Nesse aspecto, no trabalho a ser apresentado ao Governo, de acordo com o presidente da Fenaber, constarão propostas nos campos tributário, trabalhista e regulatório.
Pereira lembra ainda que hoje os principais resseguradores mundiais operam no mercado brasileiro. Ele ressalta que na lista das 16 resseguradoras locais que atuam no Brasil estão as maiores empresas desse mercado no mundo. Isso demonstra, a seu ver, o forte interesse no país. “Só que hoje essas empresas pagam os maiores impostos do mundo no Brasil e ainda estão concorrendo com o mercado lá fora. Um dos incentivos que tentaremos propor para que estas empresas entrem no polo é fazer com que os impostos gerados sejam creditados a estas resseguradoras. Se isso acontecer, será um incentivo importante para trazermos as maiores companhias do mundo para o projeto. Quem não estiver aqui, vai perder negócios na América Latina”, elucidou. O executivo esclarece, porém, que não há qualquer intenção de se indicar qualquer diminuição de impostos. Muito pelo contrário. “Estamos propondo uma operação nova que vai gerar novos impostos para o Brasil. Ainda que parte dos impostos seja utilizada para dar crédito às resseguradoras locais, a conta será positiva para o Governo”, reforçou.
Roberto Westenberger observou que o polo é um núcleo fora da economia e das regras brasileiras negociais. “O Brasil será um hospedeiro físico do polo. Espero que o polo sinalize experiências, especialmente no setor regulatório, alinhado à regulação internacional. Outro ponto é que as leis trabalhistas, por exemplo, terão que ser adaptadas,” acrescentou. Para o titular da Susep, este é o momento de aproveitar a oportunidade que se apresenta. “A Argentina está se estruturando e é um potencial concorrente sim, como é o Panamá, Porto Rico e a Colômbia. Temos que ser rápidos. Não importa tanto, nesse momento, o cenário de crise econômica do Brasil. “Quem pensa de forma macroeconômica, pensa a longo prazo”, ressaltou.
Já o Diretor Geral da Terra Brasis RE, Rodrigo Botti, disse que o Polo Regional de Resseguro é um projeto ambicioso, que colocará o Brasil como “exportador deste segmento”, considerando aspectos positivos como o fato do país ter baixa exposição catastrófica. “O Brasil tem todas as condições para desenvolver o Polo, o que trará muitos benefícios diretos e indiretos para o país. Para isso será necessário um trabalho conjunto em diversas frentes e apoio do mercado e de órgãos governamentais e regulatórios”, finalizou.
Novo seguro para obras de infraestrutura
Outra frente de trabalho do mercado ressegurador, conforme informou o presidente da Fenaber, é o desenvolvimento, em parceria com a Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) do seguro garantia para grandes obras civis de infraestrutura. Segundo o executivo, a intenção é atender a uma necessidade do Governo de garantir a entrega das obras importantes para o país. “O Governo foi claro ao dizer que não quer um cheque, mas a obra pronta. Isso quem decide é a seguradora na hora da contratação do produto. Nós estamos trabalhando nessa proposta e a expectativa é de que saia ainda em 2016. Mesmo diante da crise, as grandes obras têm que acontecer e o mercado de seguros e resseguros responderão com a capacidade que o país precisa”, afirmou o representante das resseguradoras.
O representante das resseguradoras destacou, também, que a importância segurada média de seguro garantia para grandes obras, que hoje é de 5%, poderá chegar a 30%. “Temos grandes chances de alavancar bastante o seguro garantia no Brasil”, estimou o presidente da Fenaber. Para Westenberger, o papel do ressegurador é também o de prover produtos. “O país precisa do seguro garantia para grandes obras e acredito que este será um alavancador de desenvolvimento”, pontuou. Na avaliação do presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), Marcio Serôa de Araújo Coriolano, além do mercado de infraestrutura, é importante identificar e investir em outras oportunidades que se apresentam nesse momento. “Nesse sentido, além da ampliação da atuação do seguro garantia, é importante mencionar ainda as possibilidades que surgem, por exemplo, para o resseguro no segmento de saúde privada. Além disso, há outras frentes de atuação promissoras como o resseguro rural e os produtos ligados aos riscos financeiros, cibernéticos e eletrônicos”, acentuou Coriolano.
Para Marcio Coriolano, a abertura do mercado de resseguro trouxe, sem sombra de dúvida, muitas vantagens competitivas para o país. Ele avalia que os grandes players mundiais investiram no Brasil em razão da dimensão, do potencial e das oportunidades vislumbradas em território brasileiro. “Hoje temos um mercado que vem se consolidando a cada ano, sobretudo em relação à profissionalização e exercício das melhoras práticas internacionais”, acrescentou o presidente da CNseg. Na visão do presidente da Escola Nacional de Seguros, Robert Bittar, quando se fala em resseguro no Brasil é natural que o consumidor ainda tenha a imagem do IRB. “O mercado aberto ainda precisa ser desmitificado, melhor conhecido por toda a cadeia consumidora. Ações como o polo e o seguro garantia trazem mais exigências técnicas e de mão de obra, fortalecendo o mercado de resseguros no Brasil”, analisou.
Como a mudança tecnologia pode mudar a relação das pessoas e o mercado tradicional? Essa foi a questão que norteou a palestra “Inovação – Uma perspectiva para o Mercado”, proferida por Ronaldo Lemos – também apresentador do programa Navegador da GloboNews, e mediada pelo presidente da FenSeg, João Francisco Borges da Costa, e tendo como debatedora Marcia Cicarelli, do Demarest Advogados, durante o “5º Encontro de Resseguros”, que acontece hoje e amanhã no Rio de Janeiro.
“Muda tudo”, afirma o palestrante. O melhor exemplo para ilustrar a afirmação é a rede social WhatsApp, comprada pelo Facebook por US$ 19 bilhões em 2014. “O impacto desse aplicativo no setor de telecomunicação foi brutal, 140 minutos para 111 minutos do primeiro trimestre de 2014 para o primeiro trimestre de 2105”, citou o palestrante. O declínio na receita liquida no uso de voz também foi expressiva, saindo de R$ 78 bilhões para R$ 66,9 bilhões de 2009 para 2014. É uma transformação importante e que traz muitas consequências e exige mudanças daqueles que querem ter uma empresa de sucesso.
A conclusão é que é muita nostalgia chamar o celular de telefone. “Usamos muito mais como câmera e acesso a internet do que para ligações de voz, que é hoje a quarta função do aparelho”, citou Lemos. Quando a internet surgiu, ela servia para conectar computadores. Posteriormente, passou a conectar pessoas, como nas redes sociais. Agora, entramos na era da internet das coisas, ou seja, da conexão de todo e qualquer objeto utilizado pelo homem, um mercado estimado em US$ 4 trilhões.
O lançamento hoje do Android Auto muda muita coisa para as seguradoras. Muitas montadoras já declararam que vão adotar o sistema e os carros já sairão com a tecnologia embarcada de fábrica com dispositivos de segurança, com o software monitorando tudo, com grande impacto na atribuição de risco para as companhias.
Em saúde, as mudanças podem vir da utilização de dispositivos que monitorem uma infinidade de informações pessoais, tais como a frequência cardíaca, a quantidade diária de atividade física, o tempo de sono, o consumo de calorias. Aqui também as seguradoras podem usar os dados objetivos pela concectividade para precificar de forma diferenciada as pessoas que se cuidam e também pode ajudar de forma mais eficiente pessoas que necessitam de cuidados. Ele citou uma start-up, a Fit Coin, que paga as pessoas para fazerem atividades físicas, com bit coins, que depois pode converter para outras moedas. A lógica é que se gasta menos com uma pessoa saudável do que com uma sedentária.
Outro ponto da palestra foi como a tecnologia muda a relação com as cidades, que se transformam em “smart”. A cidade do futuro vai precisar ser inteligente e isso muda todos os negócios. Um dos exemplos é Susan Crawford, autoria do livro The Responsive City, no qual cita que 50% da população vive em cidades. Em 2050, 75%. Mas as cidades só representam 2% da área do planeta. “Esse processo de adensamento é extraordinário e vai exigir muito das seguradoras para gerenciar o risco de tanta gente vivendo junto”, citou.
Para gerir a conectividade, será preciso uma segunda eletrificação. As cidades serão cada vez mais cobertas por telas e sensores. Cada smartphone anda pela cidade coletando dados. Graças a esses sensores ambulantes, é possível criar aplicativos para monitorar o trânsito, por exemplo. A visão sobre essas tecnologias é claramente positiva, pois sem elas a gestão pública não dará conta da crescente complexidade urbana em que vivemos. Não só com serviços públicos. Com tudo”, cita o jornalista. E há também desafios. Os mesmos sensores que melhoram a vida na cidade podem ser usados em países au toritários como ferramenta de controle sobre cidadãos.
Negócios – São inúmeros os exemplos de sites curiosos, avaliados em vários bilhões de dólares, que vão de aluguel de casas, como o Airbnb, ao portais que já oferecem carros compartilhados, e todos eles têm um requisito básico: a confiança. E o mercado segurador é o que está mais preparado para lidar com isso, pois trabalha com o gerenciamento de risco todos os dias. “O grande capital dessas empresas é a confiança. As seguradoras estão com um pote de ouro na mão e podem pensar modelos de negócios que tem como princípio a confiança”, afirma o palestrante.
Estudos recentes feitos pela Universidade Stanford mostram que o índice de confiança aumenta quando há publicação de ao menos dez resenhas positivas. No caso do Airbnb, hóspedes e anfitriões se avaliam publicamente, e um só pode ver a resenha do outro após escrever a sua ou após 15 dias.
A economia gerada as pessoas por não precisar lembrar de comprar coisas essenciais também é um nicho para as seguradoras, segundo o jornalista. Seguro de carro, de casa. São coisas essenciais. É preciso ter a memoria armazenada e vender por assinatura”, enfatizou, citando uma lista do The Wall Street Journal, com empresas unicórnio, sinônimo para companhias de tecnologia novatas avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.
Outra tendência que não pode ser ignorada é a moeda virtual Bitcoin, que vale hoje R$ 1,2 mil. Ainda é um desafio para os reguladores ao mesmo tempo que gera uma inovação gigantesca para todos. Uma empresa argentina, por exemplo, já oferece um cartão de crédito só para bitcoin. Vários estabelecimentos no Brasil já aceitam pagamento em moeda virtual. Outra moeda virtual é a Stellar, que opera em vários países e busca incluir pessoas que não operam no mercado virtual.
Em países da África, como no Brasil, há muitos desbancarizados, ou seja, pessoas sem acesso aos serviços bancários. No Quênia a maioria das pessoas uma hoje um sistema denominado M Pesa, que envia dinheiro como mensagem pelo celular. Isso fez surgir vários serviços enviados virtualmente, baseado em crédito de celular, como o funcionamento de geradores. Criou-se infraestrutura financeira que viabiliza serviços antes não disponíveis”, citou.
De todas as tecnologias citadas, ele cita a Blockchain, criada como um efeito colateral das moedas virtuais. Trata-se de uma escritura de moedas, impossível de ser fraudado, que vem revolucionar os registros públicos. No Brasil, empresas fazem certificação de árvores já usando essa tecnologia. “O setor bancário inteiro irá migrar para a tecnlogia disruptiva revolucionária em no máximo dez anos”, aposta Ronaldo Lemos.
Para finalizar, o especialista em inovação dá a dica: ”É preciso conhecer o seu cliente. Ter uma relação permanente e de proximidade com seu cliente”, diz, reforçando a importância do Brasil desenvolver uma lei brasileira que regulamente a segurança do uso de dados de clientes. O Brasil está mais de 30 anos atrasado na definição de uma lei de proteção de dados pessoais, que poderia, além de proteger os cidadãos, permitir que os reguladores atuassem com tranquilidade dentro das definições da lei.
Big Data – Como aproveitar toda essa tecnologia para não sermos substituídos por tantos serviços que também vendem proteção e não são seguros? Esse foi o norte da matéria da advogada Márcia Cicarelli, que citou o show do lendário Mick Jagger, que recentemente se apresentou no Brasil. “As pessoas preferem filmar e compartilhar do que assistir. Esse é o momento que vivemos. O estagiário não larga o celular. Eles que são nosso futuro. Temos de pensar nesse perfil de pessoas”, enfatizou.
Segundo ela, a informação dá poder à indústria de seguros, tanto para precificação como para ter mais agilidade na entrega do produto para o cliente. “’É impensável que o mercado que está aqui para antecipar risco não utilize o big data. Não podemos nos basear só na proposta quando temos essa magnitude de dados disponíveis para aprimorar tudo o que oferecemos para clientes e acionistas”, disse.
Ela também citou a revolução que a tecnologia traz a distribuição dos produtos e, principalmente no resseguro. “Temos uma série de produtos que não foram lançados por escassez de informações que agora estão disponíveis. Um caso como Samarco, se tivéssemos sensores básicos, conectados, poderíamos ter ajudado o segurado no monitoramento do risco. A tecnologia é uma ferramenta incrível, disponível, que pode ser explorada para prevenção e regulação de sinistro. O ressegurador tem fome de informação para decidir a fatia do risco que pode assumir e podemos conseguir muitos benefícios com o empoderamento das informações disponíveis”.
Para Cicarelli, a simplificação da informação securitária é uma das ordens do dia para o setor, segundo a advogada. E a personalização. Temos condições de fazer que os produtos atendam diversos segmentos de clientes. “Temos de encontrar as ferramentas para chegar ao consumidor e elevar a participação do setor no Produto Interno Bruto”. A advogada ponderou que a legislação e a regulação estão sempre um passo atrás do mercado. São mudanças rápidas e drásticas. Por isso é necessário correr riscos, que o mercado perceba outras formas de regulação eficazes, como mostrou o Uber, para que se possa avançar. “É necessário sair da zona de conforto para sobreviver e ter sucesso. Quanto estamos investindo em inovação, para fazer o mercado de seguros estar de acordo com essa nova realidade. Isso tem de estar na nossa agenda, principalmente em tempos de crise.
João Francisco encerrou o painel afirmando que o mercado segurador tem muitos campos para avançar com a tecnologia, principalmente na área rural e nas cidades. “Os prefeitos têm um desafio pela frente para investir em infraestrutura e melhorar a conectividade das cidades, dando a base para tantos negócios”.
Tudo depende do Bradesco. Engana-se quem pensa que o investidor aguarda o fim da crise política brasileira com os possíveis cenários da aprovação ou não do impeachment da presidente Dilma Rousseff, cassação do vice Michel Temer ou do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A venda do bloco de controle ou de parte do IRB Brasil Re vai ser definida depois de concluída a negociação da carteira de grandes riscos do Bradesco. Essa foi a principal aposta dos executivos de resseguros para a pergunta: quem você acha que pode comprar o IRB Brasil Re no leilão anunciado pelo governo ontem para o jornal O Estado de S.Paulo, após a desistência da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês)?
Ainda não se sabe como será o modelo de venda do IRB anunciado por fontes do governo em “off” ao jornal. O anúncio, aliás, feito justamente no dia de abertura do 5o. Encontro de Resseguros, que acontece no Rio de Janeiro e reúne mais de 500 pesos pesados do mercado local e mundial, pegou todos de surpresa. Até mesmo o presidente executivo do IRB, José Cardoso. “São negociações tratadas pelos acionistas, as quais terei acesso quando engatilhadas e confirmadas”, disse. Esse formato de venda por leilão era o que vinha sendo perseguido pelo IRB antes da decisão de fazer o IPO, que também foi colocado de lado em razão do agravamento do cenário politico e econômico no Brasil no ano passado.
A União é sócia majoritária do IRB, com 27,4% de participação, seguida de Banco do Brasil e Bradesco (20,4% cada um), Itaú (15%), e dos fundos de pensão e funcionários. Boa parte dos executivos acostumados a gerenciar riscos e fazer apostas afirma que a definição da venda da carteira de grandes riscos do Bradesco, que já está em curso desde meados do ano passado, é importante para definir o valor do IRB. “Apesar de o Bradesco já ter tirado o pé do acelerador em grandes riscos, ele ainda é um grande cliente do IRB, além de um dos principais acionistas”, disse uma fonte qualificada que pediu anonimato.
A negociação envolvendo a carteira de grandes riscos do Bradesco voltou a ficar intensa novamente há poucos dias, com a definição do executivo Randal Zanetti no comando do grupo Bradesco Seguros, responsável por gerar cerca de 30% do lucro do banco. Zanetti assumiu como interino em novembro, após a morte de Marco Antonio Rossi em acidente aéreo. “Nesta semana já foram realizadas algumas vídeo conferências para ajustar com será realizada a venda, se terá exclusividade entre outros detalhes”, confirmou um pessoa próxima do bloco de executivos envolvidos na venda.
A aposta é que a disputa pela carteira de grandes riscos do Bradesco está entre a resseguradora Swiss Re e alemã HDI. Já sobre o interesse na compra pelo pedaço que for colocado à venda pelo IRB, a Swiss Re desponta novamente como favorita para adquirir o controle, seguida pela Munich Re, as mesmas favoritas quando se começou a discutir o leilão de privatização do IRB em 2000 e que só tomou forma depois de 13 anos, quando se optou pela venda do controle da União para BB Seguridade, o equivalente a 21,24% do capital total da companhia, por por R$ 547,4 milhões em 2013.
“O governo precisa de caixa e isso também pode determinar o formato da venda. Pode entrar um fundo de private equity para dar saída para o Itaú, que já declarou que não quer manter esse ativo, ainda mais com a venda da carteira de grandes riscos para a ACE, hoje Chubb”, analisou outro executivo. Um fundo ou uma resseguradora internacional também poderiam entrar como estratégia para o IPO do IRB em um momento de melhora dos mercados financeiros. “Faz sentido para o IRB ter um parceiro internacional para dar apoio a estratégia de internacionalização que tem dado bons resultados neste momento em que o mercado local está praticamente parado”, disse um outro executivo. Praticmaente 20% da receita do IRB já vem do mercado internacional.
Sem comentar detalhes da intenção do governo com a venda do IRB, Cardoso ressaltou o lucro recorde obtido em 2015 e que em 2016 o crescimento das vendas e da rentabilidade será uma realidade mesmo diante da crise do país, como mostrará o balanço do primeiro trimestre a ser divulgado na próxima semana. Entre as ofensivas para driblar a crise brasileira, ele citou o atendimento diferenciado aos clientes locais e parcerias em contratos de resseguros com outros players, que já apresentam bons resultados. Entre as parceiras ele citou Chubb, Korea Re e Factory Mutual.
Resultados do IRB
No ano de 2015, o lucro líquido recorrente da companhia foi de R$ 764 milhões, 97% maior se comprado ao ano anterior, de R$ 388 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido, em bases recorrentes, foi de 29%, praticamente o dobro, quando comparado ao índice de 2014 que foi de 15%.
O volume total de prêmios emitidos pelo IRB Brasil RE no ano de 2015 totalizou R$ 4,3 bilhões, um aumento de 35% em relação a 2014. Desse montante, R$ 3,3 bilhões foram prêmios emitidos no Brasil e R$ 1,0 bilhão no exterior, que ampliou sua participação de 11% dos prêmios emitidos para 24% em 2015. Os prêmios emitidos no Brasil avançaram 15%, com as contribuições positivas dos ramos de Property, Rural e Vida. No exterior, o crescimento foi de 203% no volume de prêmios emitidos, explicado pela estratégia da Companhia de ampliar sua presença na América Latina e fortalecer sua presença no mercado global, bem como pela variação positiva da moeda estrangeira em relação ao Real.
“Não podemos omitir que o Brasil vive momentos bastante complexos, que atingem indistintamente todos os setores da economia brasileira, colocando vários desafios também para o mercado segurador. Mas é justamente nesse momento que a missão, natureza, objetivos e propósitos do setor de seguros e resseguros podem contribuir ainda mais para a recuperação da economia e proteção dessa imensa legião de brasileiros que precisa preservar seu patrimônio, vida e saúde”.
Essa foram as palavras que marcaram a fala do presidente da CNseg, Marcio Coriolano, durante a abertura do 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro, que teve início hoje, dia 5, no Hotel Sofitel, em Copacabana, reunindo mais de 400 representantes do mercado segurador e ressegurador brasileiro.
Marcio também apresentou alguns números do mercado ressegurador que demonstram sua resiliência à crise, à semelhança do setor segurador. Em 2015, disse ele, o volume de seguros cedidos pelas seguradoras brasileiras foi de 10 bilhões e 100 milhões de reais, representando um aumento de 12% em relação ao ano anterior, sendo que mais de 60% desse montante foi colocado em resseguradoras locais.
Da esquerda para a direita: Robert Bittar, presidente da Escola Nacional de Seguros; João Francisco Borges, presidente da FenSeg; Marco Barros, presidente da FenaCap; Marcio Coriolano, presidente da CNseg; Roberto Westemberger, superintendente daSusep; Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da FenaSaúde; Paulo Pereira, presidente da Fenaber, e Roberto Rocha Azevedo, vice-presidente da Abecor
E ainda há espaço para mais crescimento, de acordo com o presidente da CNseg, que lembrou das oportunidades que podem ser exploradas nos ramos ligados à infraestrutura, por meio da ampliação do seguro garantia, e no seguro saúde devido ao aumento do valor das indenizações cobradas às operadoras. “O seguro rural, a partir da prevalência da política agrícola no Brasil, certamente é outro que merecerá uma atenção especial por parte dos resseguradores”, disse ainda.
Também compondo a mesa de abertura do evento, o superintendente da Susep, Roberto Westemberger, lembrou que, entre as várias funções do resseguro está a de ser a ser locomotiva da indústria de seguros no sentido do desenvolvimento de novos produtos. E falando sobre novos produtos, Westemberger cobrou a criação de alguns para atender ao mercado de longevidade de fundos de pensão, que é de torno de 20 bilhões de reais e já possui todo o aparato regulatório necessário.
Westemberger ainda aproveitou a oportunidade para falar sobre o seguro auto popular, cuja norma que libera a comercialização foi aprovada na semana passada. “Há um ou outro detalhe que ainda não está perfeito, mas vamos corrigir para que atinja o que foi pensado e atenda uma parcela da população que precisa de proteção para suas necessidades e não tem condição de pagar o preço oferecido por uma apólice tradicional, que utiliza sempre peças novas.”
O 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro prossegue hoje à tarde e amanhã, debatendo questões estratégicas, com a apresentação de temas correntes que estão em evidência nos diversos mercados ao redor do mundo.
US$ 2,5 bilhões é o tamanho do mercado de resseguros no Brasil. A meta é dobrar esse valor a partir da criação do polo de resseguros da América Latina, com sede no Brasil. O projeto está sendo construído pela Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber), que prevê para o final de maio e início de junho a conclusão de uma primeira etapa do projeto do polo para que seja apresentado ao Ministério da Fazenda. “Para isso temos de ter apoio de algumas reformas tiributárias e trabalhistas”, disse Paulo Pereira, presidente da entidade, na abertura do 5º Encontro de Resseguro do Rio de Janeiro promovido pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), em parceria com a Federação Nacional das Empresas de Resseguros (Fenaber) e com a Escola Nacional de Seguros.
Outro projeto tocado pela federação de resseguros é reformular o seguro garantia. O governo disse que não quer só um seguro. Quer a obra pronta. E nós estamos trabalhando no desenvolvimento desta demanda do governo e vemos um grande potencial para o setor se elevarmos a garantia do produto para 30% do valor da obra, disse Pereira.
Marcio Coriolano, presidente da CNseg, citou a importância do mercado ressegurador para o Brasil e a importância de se desenvolver o lado empreendedor de todos para que o segmento siga sendo resiliente diante da crise que o Brasil atravessa. Roberto Westenberg, titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep) destacou o crescimento das vendas das resseguradoras locais, que avançaram 30% em 2015, em termos reais. “Isso mostra que tem muito espaço para crescimento se ofertarem novos produtos e produtos que realmente atendam as demandas do governo e das empresas”, citou.
Para Westenberg, o papel do ressegurador é prover produto. “Precisamos que os seguradores pensam mais. Onde tenho maior oportunidade de retorno. Mas tem outra forma de pensar: vamos desenvolver produtos que atendam as necessidades do mercado e se for bem desenvolvido ele vai gerar a lucratividade esperada”, sugeriu.
Ele citou o seguro garantia para obras, que o governo demanda que ele seja responsável pela conclusão da obra e não meramente para pagar uma parte da indenização que não é suficiente para colocar o projeto acordado em pé diante do não cumprimento por uma das partes.
O evento começa com notícias de fusões e aquisições nos bastidores. Fontes informam que fundos de equity que ingressaram em resseguros ficam em media há cinco anos e por isso estariam dispostos a passar o negócio adiante. Paulo Botti, presidente da Terra Brasis, que tem Plural e IFC como acionistas, busca um sócio para alavancar mais a operação. “Temos um capital de R$ 100 milhões e queremos parceiros que nos apoiem para avançarmos no mercado”, disse Botti ao blog Sonho Seguro. Segundo ele, as conversas se desenvolvem com três investidores estratégicos. Estrangeiros? “Tem de tudo”, disse ele.
Segundo apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o Ministério da Fazenda está conversando com os sócios privados do IRB para tentar fazer um leilão na Bolsa de Valores para alienação da resseguradora no segundo semestre. O governo tem recebido sinalizações importantes de grandes empresas resseguradoras internacionais interessadas na compra do IRB. Executivos do IRB presentes nesta manhã no evento do Rio comentaram, em off, que foram surpreendidos pela notícia e que vão buscar mais informações sobre como essa venda será estruturada. “Qualquer estrangeiro que acompanha o mercado local sabe que é um bom investimento aportar no IRB”, comentaram.
O evento acontecerá nos dias 5 e 6 de abril, terça e quarta-feira e trará discussões técnicas, políticas e econômicas. O Encontro terá palestrantes nacionais e internacionais sobre o polo de resseguro brasileiro; os aspectos das regulações de sinistros em grandes riscos; gestão de riscos dos jogos Rio 2016; tendências globais no seguro agrícola; potencial de resseguro na área de Saúde; riscos para cobertura de terrorismo; e cobertura para seguro de drones.
Os aportes a planos abertos de caráter previdenciário (que incluem os PGBLs e os VGBLs) somaram R$ 6,3 bilhões no primeiro mês do ano, registrando crescimento de 24,3% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram aplicados R$ 5,1 bilhões. No mês de janeiro, a captação líquida, diferença entre captação e resgates, por sua vez, registrou saldo positivo de R$ 1,7 bilhão. No mesmo mês do ano anterior o saldo foi de R$ 1,5 bilhão. Os dados são da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), que representa 69 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no país.
“Mesmo com a economia em situação difícil, os participantes do sistema seguem fazendo reservas para a aposentadoria, o que mostra que a previdência complementar aberta segue ocupando papel de destaque no investimento de longo prazo dos brasileiros”, diz Edson Franco, presidente da FenaPrevi.
Os dados do balanço da FenaPrevi mostram também que o sistema registrou em janeiro um total de 85.516 pessoas já usufruindo benefícios (aposentadorias, pecúlios, por morte e por invalidez, e pensões, por morte e por invalidez) pagos por planos abertos de caráter previdenciário. No período, foram contabilizados um total de 12.271.620 pessoas com planos contratados, sendo que deste total 9.241.272 são pessoas com planos individuais (já computados os planos para menores) e 3.030.348 pessoas com planos empresariais.
Os planos individuais foram os que mais receberam recursos no primeiro mês do ano. No total, foram investidos R$ 5,5 bilhões, enquanto que no ano anterior foram registrados R$ 4,3 bilhões. Os planos para menores, por sua vez, acumularam R$ 152,5 milhões, alta de 15% em relação ao mesmo mês do ano anterior (R$ 132,6 milhões).
Os recursos destinados a planos empresariais também avançaram e somaram R$ 627 milhões em contribuições em janeiro de 2016, representando crescimento de 6,7% em relação aos R$ 588 milhões arrecadados em janeiro de 2015.
Na análise por modalidade de plano, o VGBL (indicado para quem não tem como se beneficiar da dedutibilidade fiscal prevista no formulário completo de I.R.P.F.), recebeu contribuições de R$ 5,7 bilhões em janeiro de 2016.
O PGBL (modalidade de plano indicada para quem tem como se beneficiar da dedutibilidade prevista no formulário completo de I.R.P.F.) registrou R$ 558 milhões. Os planos tradicionais, por sua vez, registraram R$ 63 milhões.
A opção por planos de caráter previdenciário deve considerar e priorizar uma visão de longo prazo, dada a tributação diferenciada para o poupador. No PGBL, modalidade de plano indicada para quem declara o Imposto de Renda (IR) pelo formulário completo, o poupador pode deduzir anualmente da base de cálculo do tributo, o valor total das contribuições efetuadas a planos de previdência complementar, durante o exercício social, até o limite de 12% da sua renda bruta, reduzindo o imposto a pagar ou, até mesmo, podendo ter direito à restituição.
É o chamado diferimento fiscal, ou seja, o pagamento do IR devido sobre esses recursos, acrescidos dos rendimentos auferidos, é realizado apenas no momento do resgate total ou parcial, ou do recebimento do benefício.
Para usufruir da dedução, o participante da previdência complementar aberta tem de estar contribuindo para a previdência oficial, inclusive no caso do titular, com mais de 16 anos, ser dependente de quem faz a declaração.
Já no VGBL, modalidade de plano indicada para quem declara o Imposto de Renda pelo formulário simplificado, para quem se encontra na faixa de isenção do IR, ou para quem já atingiu o limite de dedução previsto para a previdência complementar (12% da renda bruta), não é possível deduzir da base de cálculo do IR os valores dos aportes realizados ao plano. No entanto, no momento do resgate ou do recebimento do benefício, o IR incide apenas sobre o valor dos rendimentos auferidos, e não sobre o valor total do resgate ou do benefício recebido, como ocorre no PGBL.
De acordo com o presidente da FenaPrevi, é importante destacar que, para ambas as modalidades de planos (PGBL e VGBL), não há cobrança do imposto de renda a cada seis meses, sobre os rendimentos obtidos, como ocorre em alguns tipos de aplicações.
Outra característica do PGBL e do VGBL é a possiblidade do poupador optar pelo regime de alíquotas progressivas ou de alíquotas regressivas do imposto de renda, significando, neste último caso, que, quanto mais tempo os recursos permanecerem aplicados, menor será a alíquota do Imposto de Renda incidente.
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