Venda mundial de seguros recua 1,1% em 2009

Por Denise Bueno em 29/06/2010

swiss-reUS$ 4 trilhões. Este é o tamanho da indústria mundial de seguro, segundo a nova versão do estudo “O seguro no mundo em 2009″, divulgado hoje pela Swiss Re, consolidando dados de 159 mercados de seguro. De acordo com o relatório, o volume mundial dos prêmios de seguro caiu 1,1%, valor com ajuste da inflação. Os prêmios de vida recuaram 2%, enquanto os de não-vida ficaram estáveis.

O aumento dos prêmios nos mercados emergentes diminuiu, mas permaneceu positivo. Houve uma recuperação significativa da lucratividade e do capital no setor; porém, os níveis vigentes antes da crise ainda não foram atingidos. Segundo nota divulgada pelo grupo, em 2009, os prêmios de seguro cresceram mais rapidamente que o PIB na maioria dos países, o que evidencia a solidez do setor. Os mercados de crédito e de ações recuperaram-se, aumentando a lucratividade e o capital do setor securitário. Em 2010, espera-se que o crescimento geral dos prêmios torne-se positivo. É muito provável que a lucratividade e o capital continuem aumentando.

Os prêmios globais no ramo vida caíram 2% para US$ 2,3 trilhões em 2009. Os prêmios foram mais duramente atingidos nos EUA e no Reino Unido, pois a crise financeira teve forte impacto sobre a venda dos produtos unit-linked, sobretudo no primeiro semestre do ano.

Daniel Staib, um dos autores do novo estudo sigma comenta: “Apesar do leve declínio geral nos prêmios globais de vida, o segmento vida teve incremento na Itália, Alemanha e França com a retomada das vendas de apólices de vida tradicionais com garantias. Estes produtos foram considerados particularmente atrativos na comparação com produtos bancários devido às baixas taxas de juros e às incertezas que rondam os mercados financeiros.”

Nos mercados emergentes, os prêmios de vida subiram 3,4%. O aumento foi mais vigoroso na Ásia Meridional e Oriental, atingindo a marca dos 10%, liderado pela China e Índia. O crescimento dos prêmios de vida na América Latina e no Caribe também se mostrou firme, chegando a 7,8%. O mercado brasileiro de vida teve um desempenho excepcionalmente bom graças ao aumento da popularidade dos VGBL, um produto unit-linked com acumulação de recursos.

O negócio de seguro não-vida foi afetado apenas marginalmente pela recessão mundial. Em 2009, os prêmios de não-vida recuaram somente 0,1%, atingindo US$ 1,7 trilhão, sobretudo devido à fraca demanda por coberturas e às taxas mais brandas. Segundo Staib: “Ao passo que os preços mais baixos no segmento não-vida prejudicaram a lucratividade em 2009, houve um incremento na comparação com 2008 devido à recuperação dos mercados de crédito e de ações.”

Os prêmios de não-vida caíram nos Estados Unidos, no Reino Unido e no Japão, mas aumentaram nos países emergentes. Os prêmios não-vida cresceram, por exemplo, 19% na China. “A estabilidade dos prêmios bem como a recuperação da lucratividade e do capital revelam bons resultados em vista do ambiente econômico difícil observado em 2009. O que nos preocupa, entretanto, é que os resultados técnicos subjacentes tenderam a enfraquecer”, explica Staib.

O estudo mostra que em oito dos principais mercados, que representam 70% do volume global de prêmios, os resultados da subscrição tornaram-se negativos em 2009, apesar das menores perdas decorrentes de catástrofes naturais e das menores perdas relacionadas ao negócio de garantias financeiras nos EUA.

Com a contínua melhora da economia mundial, a expectativa é de aumento nos prêmios. “O crescimento geral dos prêmios se tornará positivo em 2010 e a lucratividade e o capital do setor deverão continuar aumentando”, observa Staib. O negócio de vida será o mais beneficiado. “Se os mercados financeiros continuarem com sua recuperação, o negócio de unit-linked, que foi duramente afetado, também apresentará nítidas tendências de alta. No longo prazo, o seguro de vida se beneficiará com o envelhecimento da população, o que impulsionará as vendas de pensão, invalidez, doenças graves e cuidados de longa duração”, acrescenta Staib.

Também há expectativas de que o segmento não-vida volte a crescer nos países industrializados. “Em virtude das fortes pressões competitivas exercidas no setor securitário, dificilmente haverá melhora significativa na lucratividade. Este ano também já sofremos algumas catástrofes naturais custosas, o que afetará os resultados técnicos. Além da alta nas taxas de prêmios, o que é necessário para levar o segmento primário do seguro nãovida de volta a níveis de lucratividade adequados é a expectativa de aumento nas taxas de juros no médio prazo”, comenta Daniel Staib.

tabela-swiss-re1

 

Envie esse post por e-mail | Comente esta notícia | Compartilhar:

 

Swiss Re leva opções de resseguro para governo*

Por Denise Bueno em 12/05/2010

*matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010

Swiss Re, segunda maior resseguradora do mundo, vai apresentar ao secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, as opções financeiras que o mercado de seguros tem a oferecer para ajudar o Brasil a reduzir os custos dos financiamentos em infraestrutura.

“Queremos entender o que o governo precisa, porque temos muitos produtos que se encaixam nas necessidades citadas pelos participantes dos debates, inclusive pela pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff”, disse Filipe Bonetti, diretor da Swiss Re. Nelson Machado aceitou a oferta, que veio em boa hora diante da necessidade do governo em atrair a iniciativa privada para os investimentos em projetos de infraestrutura, que hoje contam com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo Barbosa, os investimentos privados nos projetos de infraestrutura representam um desafio. “Desafio tangível tendo as políticas adequadas, com aumento da poupança interna e mecanismos para baixar o custo da estrutura do financiamento como os que foram divulgados na semana passada pelo governo”, afirma.

Ele se referia a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS). “A seguradora vai administrar os vários fundos garantidores, criados para apoiar o desenvolvimento e também poderá fazer resseguro para contribuir com a iniciativa privada em projetos que excedam a capacidade da indústria”. Mas, só isso não basta, principalmente diante do risco da crise na Europa aumentar. “Caso isso se confirme, veremos falta de capacidade para projetos, como na época do ápice da crise em setembro de 2008″, afirmou Jacques Bergman, presidente da subsidiária local da seguradora canadense FairFax.

Bonetti explicou que a Swiss Re desenhou para o governo da China um instrumento financeiro para viabilizar a transferência de riscos agrícolas ao setor privado. No México, este mesmo produto, conhecido como “insurance linked securities”, foi desenhado para transferir ao mercado de capitais os riscos do governo com terremoto. “No Brasil, podemos ter como fator de transferência os riscos de infraestrutura para o mercado de capitais”, diz Bonetti.

Segundo ele, além de mitigar o risco dos projetos, por ser um instrumento usado no exterior e conhecido dos investidores estrangeiros, o produto ainda baixa o custo do financiamento, um dos pontos que precisa ser melhorado para atrair os bilhões de dólares da poupança dos asiáticos e países árabes, que buscam retornos mais elevados do que os títulos soberanos de países como Estados Unidos, muito baixos atualmente.

“Tenho certeza que se todos sentarem para achar soluções, o mercado de seguros pode se tornar um importante aliado na estruturação de financiamentos com um custo melhor”, disse Otavio Azevedo, diretor-presidente da Andrade Gutierrez. Hoje, segundo ele, a indústria de seguros precisa se organizar de forma mais eficiente para ter capacidade de ofertar garantias que os clientes precisam neste cenário de crescimento.

 

Envie esse post por e-mail | Comente esta notícia | Compartilhar:

 

Indenizações por catástrofes somam US$ 26 bi

Por Denise Bueno em 16/03/2010

terremoto11As catastrofes naturais e os desastres causados pelo homem causaram perdas econômicas de US$ 62 bilhões e de 15 mil vidas em 2009, segundo estudo divulgado ontem pela Sigma, divisão de estudos da Swiss Re. No início do ano o grupo havia publicado um resultado parcial e agora disponibiliza em seu site a pesquisa completa.

Do valor total de perdas, US$ 26 bilhões foram pagos pela indústria de seguros, sendo US$ 22 bilhões em indenizações por catástrofes naturais e US$ 4 bilhões em catástrofes feitas pelo homem, sendo os mais custosos os acidentes aéreos. A América do Norte foi a região que recebeu a maior parte das indenizações, com US$ 12,7 bilhões. Já a Ásia liderou em número de mortes, com 9,4 mil do total, e apenas US$ 2,4 bilhões em pagamentos de seguro.
Comparado com anos anterior, 2009 foi um ano de poucas perdas, com 133 catástrofes e 155 desastres causados pelo homem, com apenas seis eventos excedendo US$ 1 bilhão. O evento mais caro foi a tempestade Klaus, com perdas seguradas próximas de US$ 3,4 bilhões.

As mudanças climáticas têm causado uma grande volatilidade nas perdas geradas com catástrofes naturais e a tendência de um aumento significativo de eventos naturais. “Temos vistos eventos significativos em 2010, com a tempestade Xynthia na Europa e os terremotos no Haiti e Chile”, comentou Thomas Hess, economista chefe da Swiss Re. A perda recorde é de US$ 120 bilhões, com indenizações pagas em 2005. “Eu não me surpreenderei se este recorde for quebrado num futuro não muito distante”.

Segundo Hess, as maiores perdas são registradas em países menos desenvolvidos, com uma participação ínfima de seguro na vida da população. Já em países desenvolvidos, as indenizações ajudam o país a se recuperar mais rapidamente. “Governos e indústria de seguros têm se unido para desenvolver soluções para ajudar a criar uma maior estabilidade nos mercados emergentes, mas isso está só no começo”, disse. Estas soluções, como resseguro para catástrofes que também contam com emissão de títulos no mercado de capitais, têm fornecido ajuda financeira significativa para países como Chile e Haiti, por exemplo.

O estudo pode ser acessado no site www.swissre.com

 

Envie esse post por e-mail | Comente esta notícia | Compartilhar:

 

Swiss Re divulga lucro de US$ 468 milhões

Por Denise Bueno em 18/02/2010

swiss-reA Swiss Re voltou a lucrar em 2009 depois das perdas registradas em 2008, período que foi obrigada a pegar empréstimo com o megainvestidor Warren Buffett e principal controlador do grupo segurador Berkshire Hathway. O lucro da segunda maior resseguradora do mundo foi de US$ 468 milhões em 2009, comparado a perdas de US$ 800 milhões no ano anterior. O resultado do quarto trimestre foi o mais importante do ano, com lucro de US$ 373 milhões, comparado a perdas de US$ 1,7 bilhão do mesmo período do ano anterior.

Segundo comunicado do grupo, o lucro foi afetado por perdas de US$ 1,8 bilhão na carteira de produtos securitizados e por perdas de marcação a mercado de US$ 1,7 bilhão. O resultado traz boas notícias aos investidores, incluindo Buffett. O patrimônio líquido da resseguradora aumentou para US$ 24,2 bilhões em 2009 e o retorno sobre o capital voltou a ficar positivo em 2,3%.

O lucro operacional das operações de riscos patrimoniais foi de US$ 790 milhões no quarto trimestre, praticamente o dobro dos US$ 378 milhões do mesmo período do ano anterior. A baixa ocorrência de catástrofes ajudou o grupo a melhorar o resultado, assim como o índice combinado, que ficou em 88,3%, comparado a 97,9% de 2008.

 

Envie esse post por e-mail | Comente esta notícia | Compartilhar:

 

Swiss Re projeta avanço e obstáculos para 2010

Por Denise Bueno em 02/12/2009

swiss-reOs economistas da Swiss Re apostam na manutenção da recuperação do mercado de seguros em 2010. Segundo evento realizado ontem, o economista chefe Thomas Hess informou que os balanços apresentados até agora de seguradoras e resseguradoras mostram uma retomada no lucro e nas vendas. Aliado a isto, temos o fato da situação financeira mundial estar mais animadora do que um ano atrás. No entanto, o setor tem um longo caminho pela frente, com alguns potenciais obstáculos a serem superados, como o aumento da regulamentção, baixo retorno nas aplicações financeiras e mudanças climáticas.

“A economia global cresceu no segundo semestre de 2009, mas a recuperação é frágil”, disse. Sem impactos relevantes da crise financeira dos Emirados Árabes em outras partes do mundo, os economistas do grupo suíço acreditam que o crescimento será pequeno em 2010, mas vai acelerar moderadamente em 2011. A política monetária passará a ficar mais apertada no final de 2010 e reduções de estímulo fiscal vai seguir pouco depois até os mercados se equilibrarem”.

Segundo o estudo da Swiss Re, o crescimento real do PIB nos países da OCDE é estimado em 2,5%. Já nos mercados emergentes, a alta é animadora: 6%. Em relação as commodities, o estudo mostra que os preços do petróleo devem continuar bastante próximos dos níveis atuais, aumentando ligeiramente em 2011 e 2012, quando a atividade econômica deve se acelerar. A redução da flexibilização da política monetária poderá valorizar os rendimentos dos títulos do governo, especialmente em 2011.

O obstáculo a ser transposto pelas seguradoras está numa maior regulação da indústria de seguros, como conseqüência das perdas registradas pelas seguradoras de crédito, como as monolines, com Fannie, e principalmente AIG. Ele acredita que as seguradoras e resseguradoras ainda precisam melhorar o relacionamento com os governos e autoridades monetárias para enfatizar a diferença operacional entre seguradoras e bancos. Desta forma, evitarão que o setor fique engessado com amarras que não refletem a realidade da indústria.

Diante da boa performance dos mercados emergentes durante a crise, é esperado um crescimento maior na indústria de seguros nesses países em relação às economias desenvolvidas. Os BRIC (Brasil, Rússia, China e Índia) continuarão liderando o crescimento, com exceção da Rússia, mas afetada pela crise financeira.

Quando o assunto são as catástrofes naturais, a conseqüência vem para todos os países. “Perdas de catástrofe natural global têm aumentado significativamente nas últimas décadas e devem crescer ainda mais”, disse Matt Weber. “A Europa tem registrado perdas acima da média em 2009. O impacto das alterações climáticas poderá causar mais catástrofes com mais freqüência em todo o mundo no futuro, principalmente no que diz respeito a enchentes.”

De acordo com o estudo, a média mundial de perdas seguradas com catástrofe natural entre 1970 e 1989 foi de US$ 5,1 bilhões por ano. Mas aumentou para US$ 27,1 bilhões por ano entre 1990 e 2009. Como resultado, podemos ver a demanda crescente de coberturas por catástrofe natural. Diante deste cenário, torna-se cada dia mais prioritário o estabelecimento de parcerias público-privado na luta contra o risco de um aumento substancial dos riscos gerados com a mudança climática.

 

Envie esse post por e-mail | Comente esta notícia | Compartilhar:

 

Perdas com catástrofes chegam a US$ 52 bilhões

Por Denise Bueno em 01/12/2009

raios1Segundo estudo divulgado ontem pela Swiss Re, as catástrofes naturais e feitas pelo homem já acumulam um total de US$ 52 bilhões em 2009, bem abaixo dos US$ 267 bilhões de 2008. O total das perdas seguradas chega a US$ 24 bilhões, sendo US$ 21 bilhões em catástrofes naturais e US$ 3 bilhões em acidentes causados pelo home, segundo dados preliminares.

Praticamente o dobro do valor registrado em 2008, quando as indenizações atingiram US$ 50 bilhões, diz o estudo. A fraca safra de furacões nos Estados Unidos é a razão do valor das indenizações pagas pelas seguradoras estarem muito aquém do valor registrado nos últimos anos. Na Europa, no entanto, o custo com enchentes tiveram forte elevação na média de indenizações pagas.

As indenizações nos sete primeiros meses do ano apresentam o dobro da media dos últimos 20 anos. Entre janeiro e julho deste ano, cinco eventos ultrapassaram os custos em US$ 1 bilhão. A chuva de inverno chamada de Klaus, que em janeiro castigou França e Espanha, foi o evento mais caro, com perdas de US$ 3,5 bilhões. Em julho, as chuvas com fortes raios na Suíça e Áustria custaram outros US$ 1,25 bilhão. Nos EUA, as chuvas de inverno e dois tornados geraram perdas seguradas de US$ 3,5 bilhões, segundo informa o estudo.

Em todo o mundo, aproximadamente 12 mil pessoas morreram nas catástrofes, comparadas com 240 mil em 2008. A região mais afetada foi a Ásia, com o terromoto na Indonésia em setembro, onde mil vidas foram perdidas. A passagem de três tufões tirou outras 2 mil vidas. Segundo Thomas Hess, economista chefe da Swiss Re, comentou que em 2009 todos agradecem de ter não ter visto algo como o furacão Katrina, que em 2005 causou perdas de US$ 71 bilhões.

 

Envie esse post por e-mail | Comente esta notícia | Compartilhar:

 

Bill inaugura temporada de furacões no Atlântico

Por Denise Bueno em 19/08/2009

images11A temporada de formação de furacões no Atlântico, entre junho e novembro, tem o seu primeiro evento depois de quase dois meses em razão do El Nino, que inibe a formação de furacões no Atlântico, levando-os para o oceano Pacífico. Depois das tempestades Ana e Claudette, veio o Bill, que ganhou força e já passou da categoria 2 do último dia 17 para a categoria 4 nesta quarta-feira, segundo informou o National Hurricane Center dos Estados Unidos. Bill está nas ilhas Bermudas, com ventos de 215 quilômetros por hora e poderá ganhar ainda mais intensidade.

Os especialistas prevêem a formação de até três furacões nesta safra. Apesar de reduzido número, os estragos que eles podem causar são incalculáveis. O furacão Katrina foi responsável pelo maior prejuízo financeiro em 2005. Segundo cálculos da Swiss Re, só esse furacão gerou perdas econômicas superiores a US$ 135 bilhões, sendo US$ 40 bilhões indenizadas pelas seguradoras, superando o furacão Andrew, ocorrido em 1992, com indenizações de US$ 22 bilhões e os atentados terroristas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, com US$ 21 bilhões.

A principal preocupação das seguradoras está com o Golfo do México, local de grande concentração de plataformas de petróleo, que consumiu metade das indenizações do Katrina. O setor de energia, que engloba riscos de petróleo, embarcações e mineração, movimenta prêmios anuais de US$ 4 bilhões.

A grande perda aconteceu em 2005, com a ocorrência de quatro furacões – Katrina, Rita, Wilma e Dennis-, com intensidade elevada. Mas foi o Katrina que causou boa parte das perdas de US$ 20 bilhões registradas no Golfo do México nas plataformas de petróleo. O efeito foi a saída de várias seguradoras do ramo, aumento do preço do seguro e conseqüentemente a redução de capacidade de capital para segurar os riscos.

Curiosidade – Os nomes dos furacões são retirados de uma lista de mais de 100 nomes, que são repetidos em um ciclo de 6 anos. Segundo explicam os especialistas, os nomes dos furacões e das tempestades tropicais são dados sempre que seus ventos atingem 62 quilômetros por hora.

Quando um furacão causa danos excessivos seu nome é retirado da lista. Isso já aconteceu com mais de 60 nomes, entre eles o Katrina.

O nome Bill foi utilizado em junho de 2003. A tempestade tropical Bill que devastou o estado norte-americano da Louisiana em junho causou prejuízos de US$ 22 milhões para as seguradoras e pelo baixo custo, o nome Bill permaneceu na lista de nomes de furacões e está agora sendo usado novamente.

Cerca de 5 mil moradores pediram indenização por danos causados às suas residências atingindo o montante de US$ 9,1 milhões. Além deles, 2.128 motoristas exigiram indenização por ferimentos sofridos nos acidentes provocados pelas chuvas e outros 252 motoristas reivindicaram US$ 656 mil pelos danos aos seus veículos. Estas indenizações somaram US$ 5,1 milhões. Os prejuízos causados a 1.555 estabelecimentos comerciais custaram quase US$ 4,5 milhões em indenizações.

Classificação – Existe uma escala que mede o poder de destruição dos furacões a partir da intensidade dos ventos. A escala vai de 1 a 5, sendo o quinto grau o mais violento e arrasador. Segundo o site apolo11.com, somente três furacões categoria 5 atingiram a costa dos EUA no século passado: um deles, sem nome, atingiu a Flórida em 1935, Furacão Camille em 1969 e Furacão Andrew em 1992.

Categoria 1 – ventos entre 119 e 153 km/h
Categoria 2 – ventos entre 154 e 177 km/h
Categoria 3 – ventos entre 178 e 209 km/h
Categoria 4 – ventos entre 210 e 249 km/h
Categoria 5 – ventos maiores que 249 km/h

 

Envie esse post por e-mail | 1 comentário | Compartilhar:

 

Swiss Re surpreende analistas ao divulgar perdas

Por Denise Bueno em 05/08/2009

A Swiss Re registrou prejuízo de 381 milhões de francos suíços no segundo trimestre deste ano, um resultado que surpreendeu analistas internacionais, que apostavam em uma boa performance da segunda maior resseguradora do mundo, tendo em vista os ajustes implementados deste o final do ano passado. Segundo nota do grupo, perdas com investimentos e ajustes no valor de ativos consumiram os esforços obtidos na subscrição de riscos.

O lucro operacional das operações de resseguros de ramos elementares subiu para 1 bilhão de francos suíços no segundo trimestre deste ano, acima dos 900 milhões registrados em mesmo período do ano anterior. O índice combinado melhorou, saindo de 91% para 89%. Já as operações de vida e saúde registraram perda operacional de 10 milhões de francos suíços, comparado com um lucro de 535 milhões de francos suíços em mesmo período do ano anterior.

 

Envie esse post por e-mail | Comente esta notícia | Compartilhar:

 

Crise reduz vendas mundiais, mas AL avança

Por Denise Bueno em 01/07/2009

O volume mundial de prêmios recuou 2%, para US$ 4,27 trilhões em 2008, segundo estudo divulgado pela Swiss Re. A receita com seguro de vida e contribuições de previdência registrou queda de 3,5%, para US$ 2,5 trilhões. O recuo foi puxado pelos produtos individuais nos países industrializados. No segmento de ramos elementares, houve redução de 0,8% nos prêmios, para US$ 1,77 trilhão.

Os países emergentes seguiram uma rota inversa dos países industrializados. Os prêmios nos emergentes cresceram 11%, para US$ 513 bilhões, com destaque para o Brasil, cujos prêmios avançaram 8,4% em relação a 2007, dando ao país a 17º colocação no ranking mundial e a liderança na América Latina.

Segundo o estudo, a crise afetou fortemente o seguro de vida, principalmente no auge da crise, a partir de setembro de 2008, quando o mercado acionário começou a registrar fortes perdas com o anúncio de falência de grandes corporações, como o quarto maior banco dos EUA, o Lehman Brothers, e da maior seguradora do mundo naquele momento, a AIG. A insegurança dos mercados fez os seguros de vida nos países industrializados cair 5,3% para US$ 2,2 trilhões.

Em contraste, os mercados emergentes registraram crescimento acelerado em vida, com 14,6%. Segundo Daniel Staib, um dos autores do estudo, apesar do recuo dos preços das commodities, os países emergentes continuaram a ter um bom desempenho em suas economias.

Como resultado da crise financeira, o capital segurado no segmento vida recuou entre 30 a 40%, com algumas companhias chegando a 70%. Segundo Staib, isso mostra que as companhias não só assumem riscos, como também gerenciam riscos.

Em ramos elementares, a redução do prêmio se deu basicamente pela queda da demanda e pelas baixas taxas cobradas neste período caracterizado como “soft market”, diz o estudo. Enquanto o volume de prêmios de ramos elementares caiu 1,9% nos países industrializados, nos países emergentes o volume registrarou alta de 7,1%.

O cenário para 2009 continua vulnerável, com uma perspectiva de melhora pela redução da pressão nos mercados acionários. Em vida, a expectativa é de estabilidade, com os consumidores poupando mais com receio da crise, compensando assim os efeitos do desemprego e necessidade das pessoas em usar suas reservas financeiras.

Em ramos elementares, a projeção é de redução do volume segurado em razão da recessão econômica em diversos países. A necessidade de recompor capital poderá fazer as taxas do seguro subirem e assim compensar o volume de prêmios perdido com menos bens segurados.

O estudo completo pode ser acessado no link “estudo” neste blog ou no site www.swissre.com

swiss-re-vale

swiss-re-vale-2

 

Envie esse post por e-mail | Comente esta notícia | Compartilhar:

 

Governos podem reduzir perdas com catástrofes*

Por Denise Bueno em 22/04/2009

images13Uma grande preocupação dos governos em todo o mundo em relação a ocorrência de catástrofes é ter um planejamento em como reconstruir o país diante da destruição. Várias medidas podem ser tomadas. Melhorar a atratividade dos seguros oferecidos no país, introduzir alguns seguros obrigatórios, assegurar a idoneidade dos canais de distribuição, investir na conscientização dos riscos a que a população está exposta e também na credibilidade da indústria de seguros.

Trazer soluções para ajudar governos a mitigarem os riscos de vulnerabilidade financeira com catástrofes faz parte do dia a dia de Nikhil da Victoria Lobo, gerente de desenvolvimento de negócios com o setor público, da divisão de riscos financeiros da Swiss Re. “Uma catástrofe pode trazer perdas sérias para o Produto Interno Bruto (PIB) de um país”, comenta o executivo que está no Brasil para participar do Fórum Econômico Mundial, realizado no Rio de Janeiro, onde o debate gira em torno dos impactos da crise financeira na América Latina.

Os governos ficariam menos expostos a um rombo financeiro caso adotassem algumas medidas. Além das já citadas, Nikhil cita outros instrumentos, como ter um canal aberto para a negociação de empréstimos a taxas mais acessíveis, contar com a ajuda de entidades sem fins lucrativos, comprar um programa de resseguro, bem como criar um fundo onde os recursos seriam usados como um adiantamento para a reconstrução da região atingida pela catástrofe.

Os recursos deste fundo teriam o objetivo de auxiliar na reconstrução da infra-estrutura básica de um país após um desastre natural. “O governo do México tem tido iniciativas interessantes, como a criação de um fundo financeiro em 1996 para ajudar as vítimas de catástrofes”, informa. Este foi o primeiro fundo soberano de catástrofe criado na América Latina e aprimorado nos anos seguintes.

Algo semelhante se tenta fazer no Brasil para a agricultura, atividade que mais sofre na ocorrência de uma catástrofe natural e também com as mudanças climáticas. O fundo, administrado pela iniciativa privada, prevê um suporte às seguradoras para garantir a cobertura de todos os segurados em caso de grandes perdas nas lavouras. A idéia é que o fundo esteja à disposição das seguradoras já na próxima safra. Isto ajudaria a reduzir o custo do seguro e, consequentemente, aumentaria o número de agricultores protegidos por um seguro.

O executivo da Swiss Re, especializado em negócios com a América Latina, afirma que os que mais sofrem são os países emergentes. Sendo assim, são os que mais necessitam de instrumentos para minimizar as perdas com catástrofes. “A região tem apresentado um desenvolvimento econômico constante nos últimos anos, especialmente o Brasil. E por isso se torna ainda mais interessante que os governos, federal e estaduais, tenham um colchão financeiro em caso de catástrofes”, diz.

Caso o governo de Santa Catarina tivesse algo parecido, a região estaria numa situação melhor do que a atual, em razão das enchentes que castigaram várias cidades no final do ano passado, como mostra a foto acima. Por ser um Estado com muitos descendentes europeus, o índice de penetração de seguros está entre os mais elevados do Brasil. As indústrias catarinenses estimaram perdas superiores a R$ 350 milhões. Foram 12 mil desabrigados e 135 mortes.

O governo do Estado de São Paulo, por exemplo, o maior mercado de seguro do País, tenta viabilizar um seguro que indenize a população de baixa renda com perdas por enchentes no valor de até R$ 20 mil. Apesar de ter sido criado pela lei 14.493, em agosto de 2007, a eficácia deste instrumento ainda causa polêmica. A população de baixa renda está muito exposta a riscos. Somente nos últimos dois anos a indústria de seguros passou a criar produtos para esta camada da população, nicho que ainda representa um pequeno percentual entre os consumidores de seguros.

Segundo estudo de autoria de Nikhil, enquanto nos países desenvolvidos as perdas seguradas chegam a 25% do total dos prejuízos, nos países emergentes este percentual cai para apenas 7%. O Tsunami, na Indonésia, em 2004, por exemplo, trouxe perdas econômicas que representaram 5% do PIB do país. O excesso de chuvas, em Honduras, em 1998, causou perdas equivalentes a 95% do PIB.

Quanto mais pobre o país, maior a perda para o governo, pois a população não tem acesso ao seguro. Em países desenvolvidos, o impacto para o governo é menor em razão da forte penetração do seguro em todas as camadas da população. Outros fatores que tornam a situação ainda mais grave nos países emergentes é a concentração da população em grandes centros urbanos e a qualidade da infra-estrutura básica, desde a construção das casas até as pontes que ligam o mar ao sertão. Isto fica comprovado com o número de mortes. Os mercados emergentes são responsáveis por 94% das mortes ocorridas em catástrofes, ficando apenas 6% com os mercado maduros.

O Japão, por exemplo, além de ter um dos mais elevados índices de consumo per capita de seguro, conta com um fundo do governo para perdas catastróficas. Dos US$ 75 bilhões de perdas com o terremoto Kobe, em 1995, quase metade veio deste fundo. O Estado da Flórida, nos Estados Unidos, região onde ocorre a maioria dos mais violentos furacões da história, também tem um fundo público para ajudar a economia local a se levantar após a passagem de um furacão.

Nikhil acha pouco provável que o governo da Itália ou da região de Abruzzo tenham verba de um fundo para socorrer os habitantes de L’Aquila. O tremor, de 6,3 graus na escala Richter, causou até agora quase 300 mortes e cerca de 40 mil pessoas estão desabrigadas, tornando o termo “cidade fantasma” usual para retratar o estado caótico da região atingida.

Matéria produzida exclusivamente para o site www.fenaseg.org.br

 

Envie esse post por e-mail | Comente esta notícia | Compartilhar:

 

« Textos anteriores | Textos posteriores »