Desordem pode anular avanços da globalização, aponta Global Risks 2012
Por Denise Bueno em 11/01/2012
A vulnerabilidade do mundo a novos riscos de choques econômicos e turbulência social está enfraquecendo o progresso gerado pela globalização. É o que mostra o Global Risks 2012, relatório da Marsh & McLennan Companies produzido em parceria com a Swiss Re, Wharton Center for Risk Management e Zurich. O Global Risks 2012, apresentado hoje em Londres, será debatido no próximo Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, de 25 a 29 de janeiro.
Nota do grupo Marsh informa que de acordo com o Global Risks 2012, desequilíbrios fiscais crônicos e crescente disparidade de renda são os riscos de maior probabilidade de ocorrência nos próximos 10 anos. Tais fatores conjugados também ameaçam o crescimento global e favorecem o nacionalismo, o populismo e o protecionismo, enquanto o mundo continua vulnerável a uma crise financeira sistêmica e à escassez de água e alimentos. Este cenário resulta de uma pesquisa que detectou a opinião de 469 especialistas e líderes setoriais. Em comparação com um ano atrás, o foco das preocupações se deslocou dos riscos ambientais para os riscos socioeconômicos.
O relatório analisa três grandes e preocupantes áreas de riscos. O primeiro deles é a crescente população de jovens com poucas perspectivas, crescente número de aposentados dependentes de Estados presos ao fardo da dívida (alimentando, por sua vez, desequilíbrios fiscais) e o abismo cada vez maior entre ricos e pobres são fatores que geram indignação. Juntas, essas tendências arriscam desfazer o progresso promovido pela globalização.
Segundo John Drzik, diretor geral do Oliver Wyman Group (Marsh & McLennan Companies), os indivíduos são cada vez mais levados a arcar com riscos que, anteriormente, eram assumidos por governos e empresas para obter uma aposentadoria segura e acesso a serviços de saúde de qualidade. “Este relatório é um alerta para que os setores público e privado encontrem maneiras construtivas de reajustar as expectativas de uma comunidade global cada vez mais ansiosa”, afirma o executivo no comunicado.
Outros riscos evidentes são as políticas públicas. As normas e as instituições do Século XX não asseguram mais a proteção necessária diante de um mundo mais complexo e interdependente. As salvaguardas atuais são vulneráveis aos riscos relacionados às tecnologias emergentes, interdependência financeira, esgotamento de recursos naturais e mudanças climáticas. “Já vimos exemplos de regulamentação excessiva, como na reação às erupções vulcânicas na Islândia, ou regulamentação deficiente, como na crise do subprime ou na crise da zona do euro. Precisamos restabelecer o equilíbrio com regulamentações adequadas e, para tal, nossas salvaguardas têm de ser baseadas na ação proativa em vez de reativa. É igualmente importante que as regulamentações sejam mais flexíveis para responder com eficácia às mudanças”, afirma David Cole, Diretor de Riscos da Swiss Re, em nota.
Segundo o relatório, as “vidas” cotidianas são quase totalmente dependentes de sistemas on-line conectados, tornando-nos suscetíveis a indivíduos mal intencionados, instituições e nações que detêm a capacidade de desencadear ataques cibernéticos devastadores, de maneira anônima e à distância. “A Primavera Árabe demonstrou o poder dos serviços de comunicação interconectados na construção das liberdades individuais, mas a mesma tecnologia facilitou os tumultos de Londres. Governos, sociedades e empresas precisam compreender melhor a interconectividade dos riscos nas tecnologias da atualidade a fim de podermos aproveitar, de forma legítima, os benefícios que elas oferecem”, explica o diretor de riscos de seguros gerais da Zurich, Steve Wilson.
Além disso, as calamidades naturais nos lembram do poder devastador da natureza e dos limites da tecnologia, conforme demonstrado pelo Grande Terremoto do Leste do Japão no ano passado e pela subsequente tragédia na usina nuclear de Fukushima. Em um capítulo especial sobre as principais lições a serem extraídas da calamidade, o relatório salienta que as organizações estarão mais bem preparadas para lidar com grandes choques se tiverem claras linhas de comunicação e se os seus funcionários, em todos os setores, atuarem com maior autonomia para a tomada de decisões.
O relatório descreve 50 riscos globais, agrupando-os nas categorias de riscos econômicos, ambientais, sociais, geopolíticos e tecnológicos. Em cada categoria, é selecionado o risco sistêmico mais significativo. O relatório destaca novas preocupações que demandam mais pesquisas em decorrência das suas consequências desconhecidas. Estas preocupações, denominadas “Fatores X”, incluem entre outros a ocorrência de invernos vulcânicos, o neotribalismo cibernético e a epigenética.
De acordo com Howard Kunreuther, professor da James G. Dinan e de Teoria da Decisão e Políticas Públicas da Wharton School, Universidade da Pensilvânia, EUA, o relatório mostra que a governança global está estreitamente entrelaçada com todos os demais riscos globais. O relatório propõe que sejam repensadas as responsabilidades públicas e privadas para fomentar maior confiança. Esta é a base essencial para um diálogo sobre os impactos adversos do pensamento míope e sobre a importância de se desenvolver estratégias de longo prazo que sejam factíveis e bem recebidas.
Cada uma das três áreas de riscos será foco de sessões especiais durante a Reunião Anual de 2012 do Fórum Econômico Mundial, que acontecerá em Davos-Klosters, Suíça, de 25 a 29 de janeiro.
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Planeta requer novas atitudes para riscos globais
Por Denise Bueno em 12/01/2011
A crise financeira reduziu a capacidade do mundo de lidar com choques. A severidade e a frequência dos riscos para a estabilidade econômica global cresceram enquanto a capacidade dos sistemas de governança global de enfrentar esses riscos estagnou. Essas são as conclusões da sexta edição do relatório Riscos Globais 2011 do World Economic Forum, lançado hoje.
“Os sistemas do século 20 não conseguem administrar os riscos do século 21; precisamos de novos sistemas em rede capazes de identificar e resolver riscos globais antes que se tornem crises globais,” afirma Robert Greenhill, Managing Director e Chief Business Office do World Economic Fórum, segundo nota distribuída a imprensa.
Publicado em cooperação com a Marsh & McLennan Companies, a Swiss Reinsurance Company, Wharton Center for Risk Management e Zurich Financial Services, o relatório Riscos Globais 2011 representa a experiência de 580 profissionais de vários grupos e regiões que responderam à Pesquisa de Riscos Globais 2010 do World Economic Forum, mensurando a percepção da probabilidade de risco, seu impacto e suas interconexões em relação a 37 riscos globais em um prazo de 10 anos. Os resultados da pesquisa são incluídos no relatório. Riscos Globais 2011 também analisa uma série de riscos emergentes e resultados atípicos do cenário de risco global desse ano que podem nos surpreender no futuro.
Veja a seguir um resumo do estudo divulgado pela Swiss Re:
Aspectos específicos, como a disparidade global e as falhas da governança global estão moldando a evolução de muitos outros riscos mundiais e reduzem a nossa capacidade de enfrentá-los. A interconexão e complexidade dessas questões levam à consequências imprevistas, e, com frequência, os mecanismos tradicionais de responder a esses riscos simplesmente transferem os riscos para outras partes interessadas ou áreas da sociedade.
Combinando metodologias de pesquisa quantitativa e qualitativa, Riscos Globais 2011 revela três principais grupos de riscos que estão criando grandes problemas para a próxima década:
· Riscos Macroeconômicos: a crise financeira global nasceu de fraquezas estruturais de longo prazo da economia global. Os desequilíbrios macroeconômicos, as crises fiscais em economias desenvolvidas, imensos prejuízos sociais e mercados financeiros enfraquecidos representam um eixo complexo de riscos econômicos. O endividamento causado pela crise reduziu a capacidade de enfrentar choques futuros a níveis extremamente baixos. “Na maioria dos países industrializados as atuais políticas fiscais não são sustentáveis. Na ausência de correções estruturais mais profundas, enfrentamos um risco muito alto de calotes em dívidas soberanas”, explica Daniel M. Hofmann, Economista Chefe da Zurich Financial Services. Christian Mumenthaler, Chief Marketing Officer, Resseguro e Membro do Conselho Executivo da Swiss Re, da Suíça, comentou que: “As despesas no longo prazo que carecem de recursos, criadas pelo envelhecimento da população, sinalizam o crescimento contínuo das pressões fiscais. É somente com a adoção de parcerias público-privadas que podemos garantir uma resolução para os desafios financeiros associados a esse fenômeno e assegurar que a questão de maior longevidade continue sendo uma tendência positiva para a sociedade.”
· O mercado paralelo: um número maior de Estados frágeis e fracassados, o crescimento do mercado negro, o crime organizado e a corrupção representam um eixo de risco criminal. Um mundo em rede, falhas de governança e desequilíbrios econômicos criam oportunidades para o crescimento da ilegalidade. Em 2009, o valor do comércio ilegal no mundo foi estimado em US$ 1,3 trilhão e está crescendo. Esses riscos criam custos muito altos para atividades econômicas legítimas, enfraquecem Estados, ameaçam oportunidades de desenvolvimento, desmoralizam a lei e mantêm países em um ciclo de pobreza e instabilidade. Precisamos de cooperação internacional efetiva com urgência.
· Crescimento limitado por recursos: o mundo enfrenta limites rígidos em relação à água, alimentos e a energia. O crescimento da população e o consumo, junto com as mudanças climáticas, criam esse desafio enquanto as ligações entre essas questões dificultam uma reação. Grande parte das intervenções simplesmente criam problemas novos e piores ou transferem o risco para uma outra área. A escassez de recursos básicos deve criar mais conflito entre os grupos sociais, as nações e as indústrias que precisam deles.
“A demanda por alimentos, água e energia está crescendo em dois dígitos. Mesmo assim, déficits fiscais crônicos estão ameaçando investimentos importantes em infra-estrutura para aumentar a disponibilidade e o acesso a esses recursos. A escassez resultante é uma ameaça para a prosperidade global”, afirma John Drzik, Presidente e CEO do Oliver Wyman Group (Marsh & McLennan Companies).
Além desses três grupos, o relatório Riscos Globais 2011 identifica cinco riscos emergentes:
Segurança de redes: a nova fronteira para o controle da informação, desde hackers até falhas de serviços em grande escala e a possibilidade de ciberataques entre países.
Alto crescimento populacional: em países frágeis e com poucos recursos, o crescimento da população deve levar a “bombas populacionais”, maior violência e ao colapso de estados
Escassez de recursos: as limitações nas áreas de commodities, água e energia criam limites para o o crescimento e criam pontos de conflito.
Redução da globalização: com a crescente desigualdade econômica, uma reação populista contra a globalização pode romper a integração econômica e política
As ameaças de armas nucleares e biológicas: representam uma preocupação renovada para um mundo frágil.Nesse contexto, o World Economic Forum planeja o lançamento de uma nova Rede de Resposta ao Risco durante a reunião Anual 2011 do World Economic Forum, em Davos-Klosters, na Suíça, que será realizada entre os dias 26 e 30 de janeiro.
A nova rede deve criar uma nova abordagem para lidar com os riscos complexos enfrentados pelos líderes e permitir que capturem o lado positivo desses riscos. “Se os líderes empresariais e tomadores de decisões conseguem superar a tendência comportamental de adotar soluções imediatas e de curto prazo e começam a pensar no longo prazo, isso será um grande passo no sentido de adotar uma atitude condizente com a maior complexidade e interconexão dos riscos globais”, afirma Howard Kunreuther, Diretor Conjunto do Wharton Risk Management and Decision Processes Center.
A íntegra do relatório pode ser acessada no http://scpro.streamuk.com/uk/player/Default.aspx?g=21ddc642
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Regras podem gerar perda com investimento
Por Denise Bueno em 23/11/2010
Segundo estudo divulgado pela Swiss Re, o desempenho dos investimentos transformou-se na principal preocupação de muitas seguradoras. As seguradoras investem cerca de US$ 23 trilhões em todo o mundo. Isso mesmo. Trilhões, o que faz delas o terceiro maior investidor institucional do planeta. São superadas pelos fundos de pensão e pelos fundos mútuos. O estudo “Investimentos de seguros em um ambiente global desafiador” alerta que, combinado com padrões regulamentares mais rígidos, um ambiente de rendimentos baixos poderia prejudicar o retorno dos investimentos das seguradoras, levando a lucros mais baixos para o setor e a prêmios mais elevados para os segurados.
Ou seja, a tendência é de que o seguro vai aumentar de preço. Isso também explica porque tantos investidores estão vindo para o Brasil, um país que tem uma das maiores taxas de juros do mundo para remunerar investimentos. No entanto, é preciso saber onde colocar o dinheiro, ainda mais quando ele pertence a terceiros, como é o caso de seguros e previdência.
Em seguros o compromisso é pagar uma indenização na ocorrência de um acidente,. Esse segmento responde por US$ 4 trilhões das aplicações financeiras. Já a previdência conta com a maior fatia, de US$ 19 trilhões, por acumular as reservas para a aposentadoria da população que busca no setor privado um complemento aos benefícios concedidos pelos governos.
As seguradoras tendem a investir de forma conservadora. David Laster, um dos autores do novo estudo sigma, comenta: “As empresas dos segmentos vida e não vida mantêm a maior parte de seus ativos em obrigações públicas e em obrigações privadas com elevada classificação de crédito. As empresas do segmento não vida detêm proporcionalmente mais recursos em caixa e ações, enquanto as do ramo vida possuem mais empréstimos e instrumentos de renda fixa e menos liquidez.”
A crise financeira criou um ambiente novo e desafiador para os gestores de investimentos das seguradoras para fazerem frente as obrigações assumidas. Em razão da crise, os rendimentos dos títulos públicos atingiram níveis historicamente baixos, que poderão persistir até que a economia global realmente se recupere. O grande desafio está em achar boas oportunidades de investimentos, que combinem boa rentabilidade e baixo risco. Segundo os executivos de private equity e venture capital que entrevistei recentemente, o Brasil está cheio de pequenas e medias empresas com grande potencial.
Segundo o estudo, as seguradoras não devem estar sujeitas a restrições excessivas em suas decisões de investimento, pois a diversificação proporciona diversos benefícios Normas contábeis e regulamentares mais rígidas bem como custos de capital mais elevados em alguns investimentos podem estimular as seguradoras a alocar uma maior parcela de seus ativos a títulos públicos no momento em que seus rendimentos forem extremamente baixos e os papéis soberanos deixarem de ser investimentos totalmente seguros.
Raymond Yeung, co-autor do estudo, declara: “Os rendimentos das obrigações de países considerados portos seguros, como a Alemanha e os EUA, estão em seus mínimos históricos e estão mais baixos ainda no Japão. A escalada da dívida nacional aumentou a vulnerabilidade financeira dos governos.” Ele acrescenta: “Fazendo algumas alocações a classes de ativos adicionais, como ações de mercados emergentes e imóveis, as seguradoras podem estruturar carteiras com retorno esperado maior, porém sem risco adicional. Quaisquer restrições desnecessárias a tais alocações podem comprometer o desempenho de seus investimentos bem como sua capacidade de atingir um perfil de risco/retorno que atenda melhor às necessidades dos segurados e acionistas.”
Para as seguradoras dos EUA, uma exigência de alocar metade de seus ativos a notas do Tesouro e metade a obrigações do Tesouro norte-americano teria levado a uma redução anual de 1,5% nos retornos entre 1991 e 2008. Laster afirma: “Se fosse aplicada aos USD 23 trilhões de ativos do setor segurador global, esta exigência custaria às seguradoras mais de USD 1 trilhão no período de três anos.”
Determinar que as seguradoras invistam amplamente em títulos públicos reduziria o retorno dos investimentos, pressionando as empresas de seguro do segmento vida e não vida a aumentar seus prêmios para manter sua rentabilidade. Yeung destaca: “Prêmios maiores afetariam adversamente os segurados, já que alguns consumidores e empresas reduziriam a cobertura ou a abandonariam totalmente.” Laster acrescenta: “Beneficiários de anuidades e pensões receberiam pagamentos menores e mais clientes optariam por outros investimentos, de maior risco, consequentemente deixando de se beneficiar da experiência obtida pelas seguradoras em matéria de investimentos.”
O relatório também salienta que a crise financeira alterou o comportamento de muitos gestores de ativos de seguradoras. Em primeiro lugar, muitas seguradoras estão gerindo seus investimentos com a consciência de que as crises ocorrem regularmente. Em segundo, o aumento da alocação a ações melhora o perfil geral de risco de algumas seguradoras com aplicações baixas ou negligenciáveis em tais títulos. Terceiro, em função das perspectivas sólidas para os mercados emergentes, as alocações a estes países estão aumentando. Quarto, as seguradoras preocupadas com a inflação estão atenuando tal risco com mais investimentos em commodities, imóveis e títulos atrelados à inflação. E, por último, as seguradoras estão recorrendo cada vez mais a gestores externos para gerir pelo menos uma parcela de suas carteiras.
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Swiss Re dobra lucro no terceiro trimestre
Por Denise Bueno em 05/11/2010
A Swiss Re obteve lucro líquido de US$ 618 milhões no terceiro trimestre deste ano, quase o dobro do resultado de US$ 314 milhões do mesmo período do ano passado. Um destaque do balanço da segunda maior resseguradora do mundo é o pagamento do empréstimo feito no auge da crise financeira de 2008. “Temos a satisfação de informar que a melhora na nossa posição de capital nos permitiu chegar a um acordo para reembolsar a Berkshire Hathaway sem ônus adicional por adiantar a data de pagamento”, comentou Stefan Lippe (foto), CEO da Swiss Re, em nota.
Segundo o comunicado, a Swiss Re irá contabilizar os encargos de juros e 20% de prêmio no quarto trimestre, ajustados ao câmbio. A variação nos lucros deverá ser de aproximadamente US$ 1 bilhão antes de impostos. Mesmo após efetuar o pagamento da liquidação, a Swiss Re ainda apresentará um excedente de capital significativo acima do nível ‘AA’.
O patrimônio líquido aumentou em US$ 2,4 bilhões para US$ 29,9 bilhões no terceiro trimestre de 2010. O retorno sobre o patrimônio para o terceiro trimestre foi de 9,5%, frente a 6,1% no período correspondente do ano anterior. O valor patrimonial por ação ordinária foi de US$ 79,65 no final de setembro de 2010, frente a US$ 72,51 no final de junho de 2010.
Os ramos elementares apresentaram uma receita operacional excelente de US$ 1,1 bilhão no terceiro trimestre de 2010, comparado a US$ 900 milhões no terceiro trimestre de 2009. O índice combinado melhorou de 84,5% no período correspondente do ano passado para 76,4, apesar do terremoto na Nova Zelândia, que teve um impacto de US$ 160 milhões na receita operacional. O índice combinado para os primeiros nove meses de 2010 foi de 95,6%. O resultado do terceiro trimestre de 2010 beneficiou-se de incidências de catástrofes naturais abaixo da média, da continuidade do enfoque de subscrição disciplinado e uma inteligente gestão dos cliclos do negocio e do desenvolvimento positivo do ano anterior.
O ramo de Vida e Saúde apresentou uma receita operacional de US$ 119 milhões no terceiro trimestre de 2010, frente aos US$ 363 milhões no período correspondente do ano passado. A taxa de lucro aumentou para 93,3% no terceiro trimestre de 2010, frente aos 81,1% no mesmo trimestre de 2009. A variação deveu-se principalmente à ausência de ganho reconhecido no resultado do ano anterior, juntamente com o impacto de certas comutações.
A gestão de ativos contribuiu novamente com uma receita operacional vigorosa de US$ 1,2 bilhão para o terceiro trimestre de 2010, frente a US$ 697 milhões no terceiro trimestre de 2009. O retorno sobre o investimento anualizado foi de 2,8% no terceiro trimestre de 2010, frente a 1,6% no período correspondente do ano anterior.
Segundo a nota, isso ocorreu basicamente devido ao menor impacto de hedges e prejuízos, mas foi neutralizado em parte pelo impacto dos movimentos cambiais. O retorno sobre o investimento total anualizado foi de 10,6% no terceiro trimestre de 2010, frente a 14,3% no período correspondente do ano passado.
“Em vista do desafio representado pelo ambiente de taxas de juros baixas, a Swiss Re irá continuar a concentrar-se na subscrição de negócios lucrativos enquanto explora novas fontes de renda através de sua capacidade de inovação. A carteira de (res)seguro da empresa está bem posicionada”, afirma o comunicado. Stefan Lippe resume: “No início de 2009, estabelecemos uma série de compromissos visando recobrar a confiança na Swiss Re. Cumprimos nossas promessas e conseguimos reverter o desempenho da empresa. Agora estamos firmemente voltados para o futuro, implementando nossa estratégia e alavancando nossas principais capacidades.”
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Swiss Re avalia impacto da inflação no setor
Por Denise Bueno em 19/10/2010
Os picos atingidos recentemente pelos preços das commodities e o afrouxamento atual da política monetária intensificaram os temores de inflação. Muitas seguradoras identificaram estas circunstâncias como um de seus principais riscos. O mais recente estudo sigma da Swiss Re “O impacto da inflação sobre as seguradoras” sugere que as seguradoras podem limitar o impacto da inflação sobre os retornos dos investimentos, avaliações de ativos e compromissos futuros de seguros aplicando hedging de inflação, incluindo cláusulas de indexação aos contratos e adquirindo resseguro.
Segundo release distribuído pela resseguradora, a inflação é o fenômeno econômico de aumento dos preços de bens e serviços. Ela influencia as despesas com reclamações de sinistro e despesas em geral, o valor dos passivos e, menos diretamente, o valor dos ativos. Em termos históricos, o aumento dos custos das reclamações de sinistro ultrapassou a inflação devido a fatores adicionais conhecidos como “escaladas dos custos sociais” que, somadas aos custos da inflação, incluem os efeitos do aumento do número de litígios, mudanças nas normas sociais e crescentes despesas com tratamento médico.
A inflação afeta as seguradoras de vida e não-vida de diferentes maneiras Para as seguradoras do ramo não-vida, uma inflação súbita leva a maiores custos de reclamações de sinistro, minando sua rentabilidade. Thomas Holzheu, um dos autores do novo estudo sigma, comenta: “Períodos prolongados de inflação galopante são problemáticos sobretudo para os segmentos de negócios long-tail. Ainda segundo Holzheu: “As seguradoras podem atenuar o impacto ajustando as taxas de prêmio; porém, às vezes isto não é possível se as regulamentações ou o ambiente competitivo não permitirem tais ajustes.”
Para as seguradoras de vida, tanto a inflação quanto a deflação constituem riscos. Geralmente a inflação vem acompanhada de um aumento das taxas de juros, o que reduz o valor das garantias de retorno. Uma inflação em alta pode ter efeito negativo sobre a O novo estudo sigma da Swiss Re analisa o impacto da inflação sobre as
seguradoras e as maneiras de enfrentar este desafio página 2/4 demanda, podendo levar a cancelamentos de apólices pelos tomadores de seguro bem como acarretar crescentes custos para as seguradoras.
Em caso de deflação, ou se uma inflação muito baixa persiste, as taxas de juros tendem a cair. Kurt Karl, economista chefe da Swiss Re nos EUA e um dos autores do estudo, comenta: “Isto dificulta às seguradoras de vida, com grandes carteiras de produtos de poupança com garantia de taxa de juros mínimo, obterem o retorno esperado dos ativos.”
As seguradoras têm diversas opções para atenuar o risco de inflação. As seguradoras preocupadas com o risco de inflação podem atenuar este risco de diversas maneiras. David Laster, um dos autores do estudo, comenta: Quanto aos ativos, as seguradoras podem investir em commodities, imóveis e títulos indexados à inflação, que consideramos os hedges de inflação mais viáveis. Tais investimentos têm obtido bom desempenho durante períodos de inflação alta.”
As seguradoras também podem modificar os contratos de seguro para encurtar o prazo e, consequentemente, reduzir o risco de desenvolvimento. Holzheu afirma: “As seguradoras podem introduzir apólices ‘claims made’ ou cláusulas ‘sunset’ para solucionar a questão de sinistros latentes, além de poderem incluir cláusulas de indexação vinculando prêmios, limites e dedutíveis/retenção a um índice atrelado à inflação.”
O resseguro também pode oferecer às seguradoras proteção contra surpresas inflacionárias, o que se revela particularmente útil em mercados emergentes, onde o risco de inflação alta é mais elevado. A inflação é uma possível ameaça no médio prazo Karl afirma: “Embora as políticas monetárias agressivas e os gastos públicos em nível recorde tenham causado inquietações com a possibilidade de um drástico crescimento inflacionário, é improvável que isso ocorra nos próximos um a três anos, uma vez que as taxas de desemprego estão elevadas e há poucas restrições de capacidade.” “Mas a inflação poderá aumentar se o afrouxamento da política monetária for mantido por muito tempo e se houver forte aceleração no crescimento”, acrescenta Karl.
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Governo, Swiss Re e IFC inovam para fazer o Brasil crescer com sustentatilidade
Por Denise Bueno em 28/09/2010
Mais uma etapa vencida rumo ao crescimento da indústria de seguros brasileira, que a cada dia encontra formas de ajudar a baratear os financiamentos para as obras de infraestrutura que o Brasil precisa para dar sequência ao crescimento da economia. Ontem o ministro da Fazenda Guido Mantega informou que a criação da Agencia Brasileira de Garantias será instituída por medida provisória.
A decisão vem contra o que os executivos de seguros aguardavam. Era previsto que a agência seria criada por Projeto de Lei, que levaria algum tempo para entrar em vigor, e não como Medida Provisória, com chances de entrar em vigor em até 30 dias. Segundo o ministro, a MP será escrita e, após assinada pelo presidente da República, o Brasil terá uma agência de fomento que ajudará a baratear o custo financeiro dos empréstimos para as obras de infraestrutura do Brasil, estimada em algo próximo de R$ 1 trilhão, segundo levantamento do PAC-2.
O interesse em fazer o Brasil dar certo gerou outra grande notícia ontem. Interessada em dar garantias ao crescimento do país, a Swiss Re e o IFC, braço financeiro do Banco Mundial, aportaram R$ 40 milhões na UBF Seguros. Especializada em seguro garantia e agrícola, a seguradora estava fora do mercado a espera de capital. Capitalizada, o presidente Roberto Foz, auxiliado pelo jovem Felipe Bonetti, que o ajudará neste período de transição, colocará a equipe da UBF para arquitetar programas de seguros para projetos, tendo como garantia a credibilidade da Swiss Re, com 80% do capital, e o IFC, com 20%.
A parceria entre Swiss Re e IFC foi iniciada no alto escalão. “O assunto começou a ser discutido pelo president do IFC e pelo presidente da Swiss Re”, contou Rudi Flunger, diretor da divisão de seguros e linhas especiais da Swiss Re. O investimento do megainvestidor Warren Buffett, que tem boa parte da sua fortuna vinda do controle do grupo segurador Berkshire Hathway, em resseguradoras concorrentes em 2009 e 2010, especialmente na Swiss Re e na Munich Re, foi um estimulo e tanto para o IFC olhar com mais atenção a indústria de seguros, acredita Pedro Mader Meloni, advisor do IFC para a America Latina e Caribe.
Durante coquetel realizado ontem, a resseguradora Swiss Re informou que vai atuar como seguradora e também resseguradora nesses dois nichos. Mundialmente, apenas 10% do faturamento do grupo suíço vem de seguro, sendo resseguro a atividade principal. “Isso mostra o interesse do grupo no Brasil, que tem ainda duas resseguradoras admitidas”, diz Foz.
Para a Swiss Re, o mercado de seguros brasileiro é de extrema importância. Segundo Fluger além do aporte de capital, o grupo empenha-se em compartilhar conhecimentos e capacidades técnicas e assim auxiliar a expansão da UBF Seguros para outras linhas de negócios. “A transação reflete o compromisso da Swiss Re com o mercado brasileiro, que tem importância estratégica destacada e onde estamos fazendo negócios há mais de 80 anos. Além disso, estamos satisfeitos por este investimento criar a oportunidade de fortalecer nossa parceria com a IFC ao redor do mundo.”
O IFC ressaltou a força do mercado de seguros no Brasil. “Decidimos fazer este investimento porque acreditamos no crescimento da indústria de seguros como um fator chave para dar sustentabilidade ao desenvolvimento do Brasil”, disse Meloni. O foco do IFC é investir em setores que, embora tenham boas perspectivas de crescimento e rentabilidade precisam ganhar mais eficiência em termos de competição.
Este é o primeiro investimento da agência de fomento em seguros no Brasil. O IFC opera em mais de 100 países e no Brasil contava com investimentos apenas em bancos. O próximo passo no mercado de seguros poderá ser em microsseguro. “Estamos com projetos em microfinanças e quando este estiver viabilizado pode ser um passo natural apoiar o microsseguro, que complementa a microfinança”, disse.
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Swiss Re e IFC investem US$ 40 milhões na UBF
Por Denise Bueno em 27/09/2010
A UBF Seguros anunciou hoje que a Swiss Re e a International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, concordaram em investir US$ 40 milhões na companhia, passando a resseguradora a ser a acionista majoritária controladora da UBF Seguros e a IFC o único investidor minoritário. O anúncio ao mercado será feito nesta noite, em coquetel no restaurante Leopoldo, em São Paulo, com a presença de pesos pesados da indústria local e internacional de seguros e de resseguros.
Sediada em São Paulo, a UBF Seguros atua com seguro garantia e agrícola. O capital adicional fortalecerá a capacidade da empresa para concorrer no mercado de seguros de linhas especiais no Brasil, em rápido crescimento, onde a demanda está sendo impulsionada por investimentos significativos em infraestrutura, energia e agricultura, diz a seguradora em nota divulgada.
“Esta é uma transação bastante atraente dos pontos de vista estratégico e financeiro, que cria valor significativo para a UBF Seguros”, declarou Luiz Foz (foto), Diretor Presidente da UBF Seguros, na nota. “O endosso de um líder setorial global como a Swiss Re e de um investidor com a reputação da IFC proporciona uma combinação de negócios poderosa, que oferece uma oportunidade extraordinária para fortalecer nossos negócios e fornecer soluções para o mercado brasileiro.”
A liberalização do mercado brasileiro de (res)seguros aumentou a concorrência e a necessidade por inovação de produtos, experiência em subscrição e gestão de riscos. “A UBF Seguros foi pioneira no desenvolvimento dos mercados de garantias e seguros agrícolas no Brasil”, declarou Rudi Flunger, Diretor da Divisão de Seguros e Linhas Especiais da Swiss Re.
“A Swiss Re apoiou a companhia desde sua fundação e continuará a fazê-lo cada vez mais, fortalecendo sua base de capital, implementando ainda mais nossos conhecimentos e capacidades técnicas e auxiliando a expansão da UBF Seguros para outras linhas de negócios. A transação reflete o compromisso da Swiss Re com o mercado brasileiro, que tem importância estratégica destacada e onde estamos fazendo negócios há mais de 80 anos. Além disso, estamos satisfeitos por este investimento criar a oportunidade de fortalecer nossa parceria com a IFC.
O primeiro investimento da IFC no setor segurador brasileiro facilitará o desenvolvimento de projetos de infraestrutura por meio da expansão do mercado de garantias, além de ajudar também o desenvolvimento de novos produtos de seguros agrícolas, ampliando o acesso a esquemas de seguros públicos e privados de mais de 2 milhões de agricultores.
Loy Pires, Gerente da IFC para o Brasil, declarou na nota: “Este investimento acionário na UBF fortalece o relacionamento estratégico global entre a IFC e a Swiss Re. Facilitando a expansão do mercado de garantias, esperamos ajudar a aliviar os gargalos de infraestrutura no Brasil e a apoiar os produtos agrícolas, colaborando assim para aumentar a renda nas regiões rurais de todo o país.”
Em conexão com a capitalização, a UBF Seguros anunciou hoje também que Filipe Bonetti e José Cullen passarão a participar de sua alta administração. Bonetti é Vice-presidente Sênior da Swiss Re e conta com mais de 15 anos de experiência internacional em crédito, garantias e infraestrutura. Cullen é Vice-presidente da Swiss Re e conta com mais de 15 anos de experiência internacional em seguros agrícolas e ambientais e no mercado de commodities. Ambos irão se unir a Luís Pestana, executivo com grande experiência nos mercados locais de garantias e riscos de engenharia, contratado recentemente pela UBF.
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Normas precisam melhorar, diz Swiss Re
Por Denise Bueno em 14/09/2010
*matéria extraída do site da CNSeg www.viverseguro.org.br
Embora o setor de seguros tenha resistido relativamente bem à crise financeira, agindo como uma fonte de estabilidade do sistema financeiro global, o tumulto expôs falhas no modo como as seguradoras estão regulamentadas. O estudo sigma mais recente da Swiss Re “Questões regulamentares no seguro” aponta a necessidade de melhora no ambiente regulador das seguradoras, mas alerta para os possíveis danos de uma reação exagerada à crise. O estudo sugere que, ao considerar reformas, deve-se dispensar atenção especial à supervisão dos grupos securitários, à gestão do risco de liquidez e ao caráter pró-cíclico dos custos do risco de capital.
Durante a crise financeira, o setor de seguros continuou operando normalmente e as regulamentações do seguro se mostraram razoavelmente adequadas. Salvo poucas exceções, as seguradoras não necessitaram do apoio governamental. Contudo, mudanças substanciais no ambiente regulador vêm sendo cogitadas, que poderia criar distorções no mercado, prejudicando, consequentemente, os segurados e a economia de modo geral.
Os setores securitário e bancário requerem diferentes abordagens regulatórias. A reforma regulatória voltou-se sobretudo para o setor bancário, mas, no interesse de uma maior solidez, algumas regulamentações têm sido estendidas aos seguros.
Kurt Karl, economista chefe da Swiss Re nos EUA e um dos autores do novo estudo sigma, comenta: “Há uma diferença básica entre o modelo empresarial das seguradoras e dos bancos, pois as obrigações das primeiras não são pagáveis à vista, uma vez que elas geralmente pressupõem um evento segurado. Portanto, as seguradoras podem falhar sem ameaçar a estabilidade do sistema financeiro, por não estarem tão interconectadas como os bancos e pelo fato de suas obrigações poderem ser arrastadas por um período de tempo estendido.”
Uma das maiores preocupações geradas pelas possíveis mudanças na regulamentação refere-se ao fato de que as exigências de capital excessivamente rigorosas poderiam forçar as seguradoras a tomar decisões de investimento demasiado conservadoras, o que poderia diminuir os retornos para os segurados. “Do ponto de vista macroeconômico, tal alteração nos investimentos não seria bem vinda para a economia como um todo, pois reduziria o montante de capital disponível para o crescimento financeiro”, acrescenta Karl.
Embora as seguradoras tenham contornado bem a crise, os graves problemas enfrentados por alguns grupos de bancos/seguros revelaram a importância de uma supervisão efetiva dos grupos. Os problemas surgiram invariavelmente de suas operações bancárias, mas afetaram os grupos todos.
Quando as operações bancárias colocavam os grupos em dificuldades, eram canceladas ou recorria-se à assistência governamental. Para Astrid Frey, uma das autoras do estudo,”apesar dos veículos de seguros desses grupos terem sofrido com a crise, eles permaneceram suficientemente capitalizados. No entanto, esta crise despertou a consciência para o fato de que a supervisão dosgrupos de seguradoras, principalmente daqueles que operam internacionalmente, se faz necessária para a compreensão do perfil geral de risco da empresa.” Recentemente, a Associação Internacional de Supervisores de Seguros (IAIS) lançou uma iniciativa para intensificar e tornar mais eficaz a supervisão dos grupos de seguros que operam em nível internacional.”
Durante a crise, o risco de liquidez – que não constitui um grande problema para as seguradoras – tornou-se uma questão crucial para certas companhias que se viram forçadas a obter liquidez suficiente para cumprir obrigações de curto prazo. Algumas seguradoras do segmento vida aumentaram sua exposição à liquidez, emprestando uma quantidade excessiva de seus ativos através de programas de empréstimo de títulos sem a devida fiscalização e investindo parte da garantia em ativos que se tornaram ilíquidos durante a crise.
Rebaixamentos na classificação de ativos ou das próprias (res)seguradoras também aumentaram as exigências de liquidez. Segundo Karl, “(Res)seguradoras devem monitorar regularmente essas possíveis exigências de liquidez com base em cenários de estresse intenso. Tais cenários devem incluir uma situação na qual os mercados de capital se tornem, em parte, temporariamente ilíquidos e talvez tenham que incluir um cenário onde o estresse de mercado esteja associado a um evento catastrófico segurado.”
A crise também colocou em evidência alguns fatores pró-cíclicos das exigências regulamentares fundamentados nos valores do mercado. Quando o preço dos ativos cai, pode surgir uma espiral descendente, pois algumas companhias tentam alienar seus ativos de maior risco no intuito de preservar uma capitalização adequada, o que por sua vez pode desencadear maiores reduções nos preços, forçando companhias a continuarem a eliminar o risco de suas carteiras. Como observa Frey, “este é um resultado indesejado de alguns conceitos baseados em risco e deve ser atenuado sempre que possível. As autoridades estão desenvolvendo mecanismos para reduzir as exigências de capital em períodos de estresse intenso no mercado.”
Para o estudo, conceitos regulatórios com enfoque econômico e baseados no risco dão suporte à eficiência e crescimento do seguro. A fiscalização do setor securitário é necessária para proteger os segurados. Os modernos regimes de supervisão e regulamentação, como o Solvency II ou o Swiss Solvency Test, assumem um enfoque econômico e são baseados no risco. “Se forem implementados adequadamente, tais regulamentações criarão um ambiente no qual o setor do seguro poderá operar de modo eficaz e promover estabilidade financeira e crescimento econômico”, afirma Karl.
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Swiss Re desenha resseguro para governos
Por Denise Bueno em 05/08/2010
Assim como os gargalos da infraestrutura comprometem o crescimento do Brasil, encontrar capacidade suficiente para o seguro garantia tem atrapalhado a concretização de estruturas financeiras complexas que financiam os empreendimentos brasileiros. A parte a incansável discussão sobre a criação ou não da seguradora estatal, há produtos no mundo que podem contribuir para mitigar os riscos inerentes de megaempreendimentos que não começam sem antes ter um seguro. Assim como no Jurassic Park. Toda a trama do filme começa com o empreendedor do projeto levando seguradores para o parque e assim conseguir o seguro que daria o aval para a abertura do local.
Como no filme, muitos empreendimentos só saem do papel depois de uma apólice de seguro que garanta o retorno dos investimentos, aconteça o que for. Muitas vezes, usar um exemplo de referência e adaptá-lo as necessidades do cliente pode ser uma boa solução. Assim como a indústria de seguros tem tropicalizado váris produtos de seguros, o mesmo pode ser feito no resseguro.
Recentemente, a Swiss Re anunciou um tipo de resseguro que pode ser adaptado para as necessidades brasileiras e assim estimular mais o uso de produtos da indústria de seguros na estruturação dos grandes financiamentos para empreendimentos de infraestrutura no Brasil. Em julho, foi assinado um acordo histórico com o Alabama State Insurance Fund (“SIF”), proporcionando três anos de cobertura de seguro paramétrico para a exposição primária a catástrofes decorrentes de furacões. As soluções paramétricas indenizam o segurado com base nas características físicas do desastre. O pagamento pode ser utilizado para qualquer fim, incluindo custos de medidas emergenciais, reposição da perda de receita de impostos e financiamento para cobrir o aumento dos custos de seguro.
Segundo nota da Swiss Re, este acordo assinala a primeira vez que o governo de um estado norte-americano utiliza uma modalidade tão inovadora para transferir ao setor privado sua exposição financeira advinda de catástrofes naturais. É um passo crucial para enfrentar os custos potencialmente enormes associados a desastres da natureza.
“Temos o prazer de trabalhar com o Alabama State Insurance Fund, apoiando suas necessidades de gestão de riscos através deste programa pioneiro em sua modalidade”, comenta Raj Singh, membro do Comitê Executivo e Diretor Executivo de Riscos da Swiss Re, em nota. “Até agora, os governos – e por fim os contribuintes – acabavam tendo que arcar com a responsabilidade de pagar as despesas emergenciais e de reconstrução bem depois de ocorrido o desastre. Em outros países, a Swiss Re tem trabalhado com êxito junto às organizações governamentais para dar conta dessa exposição.
Segundo a resseguradora, essas soluções inovadoras são aplicáveis a estados de quaisquer dimensões e podem ser adotadas em estados dos EUA onde haja exposição econômica a catástrofes – como furacões, incêndios florestais, terremotos, entre outras.”
Ben Spillers, Gestor de Riscos do Departamento de Finanças do Alabama, informou na nota que a negociação representa um marco para o estado do Alabama em termos de identificação e gestão dos principais riscos. “Simplesmente com base na velocidade dos ventos de um furacão, podemos agora receber rapidamente fundos para cobrir nossos custos imediatos. Nossa responsabilidade pela proteção dos cidadãos do Alabama nos inspira a trabalhar com uma indústria líder como a Swiss Re, que tem uma considerável experiência de cooperação com entidades governamentais.”
A Swiss Re tem uma longa história de sucesso na oferta de soluções inovadoras e individualizadas para a transferência de riscos a governos, bancos de desenvolvimento internacionais e organizações não governamentais, tendo em vista auxiliá-los a enfrentar as consequências financeiras dos maiores eventos catastróficos.
Em 2009, a Swiss Re colaborou com o Ministério das Finanças do México e o Banco Mundial para desenvolver o programa MultiCat Mexico, oferecendo uma cobertura de US$ 290 milhões para terremotos e furacões. A cobertura de seguro proporciona ao México fundos emergenciais após um grande desastre, dando apoio ao governo para responder às necessidades pós-desastre dos cidadãos.
A Swiss Re é também a resseguradora líder da Caribbean Catastrophe Risk Insurance Facility (CCRIF), a primeira solução de seguro paramétrico que cobre vários governos regionais do Caribe. Testemunhando as capacidades das soluções paramétricas, a apólice de CCRIF para o Haiti foi acionada em seguida ao terremoto de janeiro de 2010, fornecendo ao governo haitiano os fundos emergenciais mais necessários logo após o desastre.
Com a conclusão da negociação do State Insurance Fund, o governo do Alabama comprovou que soluções semelhantes podem ser disponibilizadas para cobrir os riscos de desastres nos Estados Unidos assim como em outras regiões.
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Swiss Re lucra US$ 812 milhões no trimestre
Por Denise Bueno em 05/08/2010
A Swiss Re reverteu o prejuízo do ano passado e divulgou lucro líquido de US$ 812 milhões no segundo trimestre de 2010, apesar do ambiente de mercado desafiador, com volatilidade nos mercados acionários, fraco crescimento econômico e dois importantes eventos catastróficos neste ano, como o terremoto no Chile e o pior desastre ecológico já registrado com a explosão da plataforma da British Petroleum no Golfo do México.
“Os negócios da Swiss Re tiveram bom desempenho no segundo trimestre de 2010. Nosso poder de geração de lucros continua forte e tiramos proveito, este trimestre, de um resultado excelente na área de Gestão de Ativos”, comentou Stefan Lippe (foto), executivo-chefe da Swiss Re em comunicado.
Nos últimos dois anos, a resseguradora reposicionou a carteira de (res)seguro para um mercado menos aquecido. “As renovações de julho de 2010 demonstraram que continuamos a nos concentrar na gestão de ciclos disciplinados, tendo a lucratividade com nossa prioridade clara”, acrescentou.
O patrimônio líquido aumentou em US$ 1,3 bilhão, chegando a US$ 27,5 bilhões no segundo trimestre de 2010. O retorno sobre o patrimônio no segundo trimestre de 2010 foi de 13,4%, em comparação com os –7,4% no mesmo período do ano anterior. Os ramos elementares registraram um resultado operacional de US$ 455 milhões, em comparação com os US$ 896 milhões no mesmo período do ano anterior, mantendo a lucratividade das subscrições, apesar das altas indenizações reclamadas.
Conforme divulgado, o resultado sofreu o impacto do aumento de US$ 130 milhões nos sinistros estimados devido ao terremoto no Chile, chegando a US$ 630 milhões, e sinistros estimados em cerca de US$ 200 milhões no caso da explosão da plataforma Deepwater Horizon, antes dos impostos, em ambos os casos. A sinistralidade combinada para o segundo trimestre de 2010 foi de 102,0% (ou 100,2% se excluirmos a reversão de descontos), em comparação com os 89,4% (87,6%) no mesmo período do ano anterior.
Os segmentos de vida e saúde alcançaram lucro operacional de US$ 142 milhões no segundo trimestre de 2010, em comparação com o prejuízo operacional de US$ 8 milhões no mesmo período do ano anterior. A melhora no resultado operacional se deve aos resultados visivelmente melhores em anuidades variáveis, compensados em parte pela queda dos retornos oferecidos pelos investimentos. A relação de benefícios aumentou para 93,5%, em comparação com os 78,6% no mesmo trimestre de 2009.
A gestão de ativos teve excelente desempenho, com resultado operacional de US$ 1,2 bilhão no período, em comparação com US$ 472 milhões no segundo trimestre de 2009. O retorno anualizado sobre os investimentos foi de 5,8% no segundo trimestre de 2010, comparado com 0,5% no segundo trimestre de 2009. O retorno total sobre o investimento durante o trimestre atingiu o excelente nível de 13,2%, em comparação com os 2,4% para o mesmo período no ano anterior. Os resultados também sofreram a influência positiva de ganhos de câmbio e ajustes dos investimentos ao mercado.
No segundo trimestre de 2010, a Swiss Re continuou a reduzir significativamente os riscos da carteira legada, com a venda de todas as posições restantes da antiga Structured CDS e a comutação de US$ 1 bilhão de exposição referencial na Financial Guarantee Re. No segundo trimestre de 2010, a carteira legada gerou um prejuízo operacional líquido de US$ 54 milhões.
Perspectivas – “No futuro, vamos continuar a consolidar nossos pontos fortes. A expectativa é de que o setor de resseguros tenha um crescimento moderado, porém estável, nos próximos anos. Prevemos que o mercado de ramos elementares cresça, em média, 6,5%, e o de vida e saúde, 3,7% ao ano na próxima década. A Swiss Re está bem posicionada para atender a demanda desses mercados e se tornar a participante líder no setor atacadista de (res)seguros”.
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