Risco de crédito e debêntures preocupam Susep

Por Denise Bueno em 27/10/2010

nakao*matéria feita com exclusividade para a CNSeg

O risco de crédito é hoje uma das principais preocupações da Superintendência de Seguros Privados (Susep), segundo Eduardo Nakao, que deixou a presidência do IRB Brasil Re no início deste ano para assumir a secretaria geral da autarquia. “Estamos com o assunto em audiência pública e pretendemos implementá-lo no próximo ano”, disse ele durante sua palestra no Seminário de Resseguro, promovido pela Funenseg e CNSeg, em São Paulo.

De acordo com Nakao, o risco de crédito em resseguro é um assunto novo para as seguradoras, que enfrentaram quase 70 anos de monopólio de resseguro. Enquanto o mercado de resseguros era fechado, todas tinham a segurança do pagamento da indenização pelo IRB, um ressegurador que tem o Tesouro Nacional como principal acionista. “Agora as seguradoras negociam com uma grande cadeia de resseguradoras. E como em qualquer contrato que envolve um grande número de contratantes, há mais riscos para gerenciar”, explica ele para o blog Sonho Seguro.

Ele chama a atenção da plateia para este assunto, sem alardes. “Suponha que temos 20 resseguradores em um contrato. Nem todos vão pagar com a mesma agilidade. Por isso a seguradora tem de ter ativos para vender rapidamente e fazer frente a um eventual atraso ou mesmo uma inadimplência”, enfatiza.

“Abrimos o mercado em 2008, mas tivemos a crise financeira, que concentrou as negociações. A realidade de um mercado aberto acontece apenas há dezoito meses, se formos analisar”, comenta. Em razão de ser ainda uma experiência nova para a indústria de seguros brasileira, o risco de crédito tem um peso maior na Susep, que pretende seguir a regulamentação de Basiléia 3, adaptada ao Brasil.

Outra preocupação de Nakao é com a participação das seguradoras na compra de debêntures, um ativo geralmente com um prazo médio de três anos e que o investidor tem de levar até o vencimento. “Este é um ativo que não fará frente a uma necessidade de caixa para casos como o que citei”, comenta.

Nakao também ressaltou o crescimento dos negócios das corretores de resseguro em razão da falta de experiência das seguradoras com a colocação de resseguro. Elas auxiliam as seguradoras na distribuição dos riscos no mercado internacional, bem como na coleta das indenizações. Para Nakao, em dois anos as seguradoras já estarão mais estruturadas em resseguros, o que fará com que as corretoras voltem as suas funções básicas de consultoria e de participação em contratos com riscos diferenciados e não em contratos automáticos.

 

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Susep dá novo passo no controle de solvência

Por Denise Bueno em 10/09/2010

42-20314881A Superintendência de Seguros Privados (Susep) está dando um novo passo no controle da solvência das seguradoras brasileiras, aproximando o arcabouço regulatório das práticas já em vigor no mercado internacional. Segundo nota divulgada ontem no site do órgão regulador, foi colocada em audiência pública minuta de Resolução que institui regras e procedimentos para o cálculo do patrimônio líquido ajustado (PLA) exigido das seguradoras, resseguradoras locais, entidades abertas de previdência complementar e sociedades de capitalização.

PLA é o patrimônio líquido contábil ajustado por adições e exclusões que melhor refletem os recursos disponíveis presentes no balanço patrimonial utilizado para fins de supervisão. Por meio dele, apura-se a possibilidade dos supervisionados continuarem atuando, mesmo diante de situações adversas que possam produzir perdas não esperadas.

Em 2008, entrou em vigor as normas de risco de subscrição, que exigiu um valor significativo de aporte de capital das seguradoras, levando até mesmo algumas ao processo de fusões e aquisições. Já nesta segunda etapa de controle de risco ao capital ajustado a previsão é de um aporte de capital menor. Segundo a nota, apenas 15 seguradoras estariam desenquadradas, sendo que apenas seis já estão com planos de ajustes e três não operam mais.

Os interessados poderão encaminhar suas sugestões e comentários até o dia 29 de setembro de 2010, por meio de mensagem eletrônica dirigida ao endereço ditec.rj@susep.gov.br, devendo ser utilizado o quadro padronizado específico, disponível no site da autarquia (www.susep.gov.br).

No site, a Susep explica que a resolução visa a alinhar a metodologia de cálculo do PLA aos termos da Circular 379/08, bem como excluir do atual cálculo os ativos que não resguardem a solvência ou a liquidez necessária às entidades supervisionadas. A norma proposta utilizou como fonte as pesquisas realizadas por entidades nacionais e internacionais, tais como o Banco Central e a International Association of Insurance Supervisors – IAIS.

Outro ponto importante é a exclusão dos investimentos de caráter permanente em sociedades não financeiras. O objetivo é diminuir o risco de contágio de uma sociedade supervisionada por outra empresa do grupo que seja não financeira e não supervisionada, evitando-se, assim, o que ocorreu, por exemplo, com o Grupo AIG na crise financeira de 2009.

É também prevista a dedução dos fundos de investimentos imobiliários com lastro em imóveis rurais. Isso porque, apesar dos imóveis rurais serem excluídos do PLA, na norma em vigor, há a possibilidade de descumprimento do regramento, por meio da participação em fundos de investimentos imobiliários com lastro em imóveis rurais. Assim, com vistas a excluir ativos cuja liquidez seja extremamente restrita e cuja precificação tenha limitações de controle, procurou-se evitar que eventuais imóveis rurais sejam incluídos nos fundos de investimentos apenas com o intuito de fazer arbitragem.

É proposta ainda a exclusão dos imóveis de renda urbanos e fundo de investimentos imobiliários com lastro em imóveis urbanos, no que exceder a 8% do total do ativo. Neste caso, a intenção é evitar grandes imobilizações em
ativos com baixa liquidez e com carência de fidedignidade nos seus valores, ocasionada pela falta de homogeneidade nas avaliações realizadas pelo mercado imobiliário.

O texto da minuta, na íntegra, é o seguinte:

CAPÍTULO I – DO OBJETO

Art.1º – Instituir regras e procedimentos para o cálculo do patrimônio líquido
ajustado das sociedades supervisionadas.

CAPITULO II – DAS DEFINIÇÕES

Art. 2º – Para fins do disposto nesta Resolução, consideram-se:
I – patrimônio líquido ajustado (PLA): patrimônio liquido contábil ajustado por
adições e exclusões, para apurar, mais qualitativa e estritamente, os recursos disponíveis que possibilitem às sociedades supervisionadas executarem suas atividades diante de oscilações e situações adversas, devendo ser líquido de elementos incorpóreos, de ativos de elevado nível de subjetividade de valoração ou que já garantam atividades financeiras similares, e de outros ativos cuja natureza seja considerada pelo órgão regulador como imprópria para resguardar sua solvência.
II – sociedades supervisionadas: entidades abertas de previdência complementar,
sociedades de capitalização, sociedades seguradoras e sociedades resseguradoras locais.

CAPITULO III – DA APURAÇÃO DO PLA

Art. 3º O PLA será calculado com base no patrimônio líquido contábil, processadas as seguintes deduções:
a) valor das participações societárias em sociedades financeiras e não
financeiras, classificadas como investimentos nacionais de caráter permanente,
considerando ágio e perdas esperadas;
b) valor das participações societárias em sociedades financeiras e não
financeiras, classificados como investimentos de caráter permanente no exterior,
considerando ágio e perdas esperadas;
c) despesas antecipadas não relacionadas a resseguro;
d) créditos tributários decorrentes de prejuízos fiscais de imposto de renda e bases negativas de contribuição social;
e) ativos intangíveis;
f) no que exceder a 8% do total do ativo, imóveis de renda urbanos e fundos de
investimentos imobiliários com lastro em imóveis urbanos, classificados como
investimentos de caráter permanente, considerando reavaliação, perdas esperadas e depreciação;
g) imóveis de renda rurais e fundos de investimentos imobiliários com lastro
em imóveis rurais, classificados como investimento de caráter permanente, considerando reavaliação, perdas esperadas e depreciação;
h) ativos diferidos;
i) direitos e obrigações relativos a operações de sucursais no exterior;
j) obras de arte; e
k) pedras preciosas.

CAPITULO IV – DA UTILIZAÇÃO DO PLA

Art. 4º O PLA será utilizado para verificação da suficiência de capital mínimo
requerido, para cobertura de margem de solvência e para apuração de limite de retenção, conforme normativos específicos vigentes.

CAPITULO V – DISPOSIÇÕES FINAIS

Art.5º Fica a SUSEP autorizada a baixar normas complementares para o adequado cumprimento ao disposto nesta Resolução.

Art. 6º Ficam revogados a Resolução CNSP nº 85, de 19 de agosto de 2002, e o art. 4º da Resolução CNSP n.º 195, de 16 de dezembro de 2008.

Art. 7º Esta Resolução entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2011.

 

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Susep registra queda de 3,8% em reclamações

Por Denise Bueno em 24/08/2010

parceria2Ao que tudo indica, as seguradoras estão tendo um bom retorno do investimento feito na modernização dos produtos, clausulados e atendimento ao cliente nos diversos canais de atendimento. Segundo informa a Susep, foram instaurados 406 processos administrativos contra empresas do setor de janeiro a junho, recuo de 3,8%. O seguro obrigatório Dpvat continua liderando os conflitos, com 26,6% do total, seguido pelo ramo vida, com 20,7%.

Os corretores foram responsáveis por 22 processos administrativos no primeiro semestre deste ano, o que representa uma média de aproximadamente quatro registros a cada mês, ou um por semana, o que significa aumento de 37,5%. Se considerarmos o número de atendimentos, 24.054 no primeiro semestre deste ano, 20% menor do que em mesmo período do ano anterior, diante do volume de processos, podemos notar uma boa vontade das partes em solucionar os problemas num âmbito amigável. Um cenário animador para o crescimento e também para receber uma leva enorme de clientes que começam a ingressar no mercado de seguros.

 

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Mercado de seguros cresce 16,7% no semestre

Por Denise Bueno em 26/07/2010

paulo-santosDados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) divulgados hoje indicam que o mercado de seguros (sem considerar saúde) gerou prêmios de R$ 40,9 bilhões no primeiro semestre deste ano, incremento de 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o superintendente da Susep, Paulo dos Santos (foto), boa parte desse crescimento pode ser atribuída ao aumento do poder de compra de milhões de brasileiros. “Essas pessoas estão adquirindo bens e procuram o seguro para ter uma garantia de que não vão perder o patrimônio conquistado com tanto esforço”, afirma Paulo dos Santos.

Segundo nota da autarquia, os seguros voltados para as classes de menor poder aquisitivo foram o destaque. Nesse contexto, o ramo de pessoas apresentou um crescimento de 19,8%, com receita de R$ 23 bilhões. O seguro prestamista também voltou a apresentar um excelente desempenho, com salto de 22% e receita de R$ R$ 1,6 bilhão. O seguro viagem cresceu 93%, gerando um volume de prêmios de R$ 13 milhões. No seguro residencial a Susep apurou crescimento de 17%, com receita acumulada de R$ 601 milhões no primeiro semestre. Já na carteira de automóveis, a receita somou R$ 9,3 bilhões até junho, com incremento de 16,6%. No seguro de garantia estendido o percentual de crescimento atingiu 49%, para R$ 806 milhões.

Ainda de acordo com a Susep, a taxa média de sinistralidade baixou de 53% para 51% entre os dois períodos comparados. Os sinistros somaram cerca de R$ 11,2 bilhões no primeiro semestre deste ano. Isso significa que, até junho, o mercado devolveu para a sociedade, na forma de indenizações, benefícios, resgates e sorteios, algo em torno de R$ 62 milhões por dia, incluindo finais de semana e feriados.

Já as despesas comerciais – que englobam, em linhas gerais, as comissões pagas aos corretores e os valores investidos em campanhas de vendas – tiveram um crescimento de 22,2% entre os dois períodos comparados, somando R$ 4,9 bilhões no acumulado de janeiro a junho deste ano.

Paulo dos Santos acredita que essa tendência de crescimento do mercado será mantida nos próximos meses. Além dos seguros populares, ele aponta as coberturas para grandes obras como outro foco que merece a atenção do mercado. “As perspectivas são muito positivas”, observa o superintendente da Susep.

 

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Setor cresce 19,8% em maio, informa Susep

Por Denise Bueno em 06/07/2010

Os prêmios acumulados pelas seguradoras de janeiro a maio somaram R$ 34,2 bilhões de janeiro a maio deste ano, 19,8% acima da receita registrada em mesmo periodo do ano anterior, segundo informa a Superintendencia de Seguros Gerais (Susep). O levantamento não inclui apenas o seguro saúde, que está sob a jurisdição da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).

Em maio, o volume de prêmios somou R$ 6,7 bilhões, com queda de 6,8% em relação a abril. Em comparação a maio do ano passado, contudo, foi apurado crescimento de 9,3%.
A taxa média de sinistralidade baixou de 53% para 51% entre os dois períodos comparados.

Os sinistros retidos até maio somaram pouco menos de R$ 9,4 bilhões, o que representou um salto de 9,9% sobre o montante registrado nos cinco primeiros meses de 2009.
As despesas comerciais – que englobam, em linhas gerais, as comissões pagas aos corretores e os valores investidos em campanhas de vendas – tiveram crescimento de 22,7% entre os dois períodos comparados, somando R$ 4,1 bilhões no acumulado de janeiro a maio deste ano.

 

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Sai Armando Vergílio e entra Paulo Santos

Por Denise Bueno em 18/03/2010

susepO superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Armando Vergílio dos Santos Júnior, acaba de anunciar que deixará o cargo nesta sexta-feira, 19, tendo em vista sua decisão de disputar o cargo de Deputado Federal pelo Estado de Goiás nas eleições de outubro próximo, informa o site da CNSeg (www.viverseguro.org.br).

O anúncio de seu afastamento foi feito durante a solenidade de lançamento da Tábua Atuarial do mercado, ocorrida nesta quinta-feira, na sede da autarquia, no Rio de Janeiro.

O economista Paulo dos Santos, atual responsável pela área de Administração da Autarquia desde abril de 2008, assumirá o comando da Susep, a partir do dia 22 de março. Paulo dos Santos é funcionário de carreira do Banco Central há 32 anos, onde já atuou nas áreas de Fiscalização, Internacional, Meio Circulante, Planejamento, Orçamento e Administração em geral. É formado em economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), com cursos de especialização na área de Gestão Empresarial realizados na Fundação Getulio Vargas.

 

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Brasil terá microsseguro tropicalizado

Por Denise Bueno em 23/10/2009

armando-vergilioO microsseguro no Brasil está sendo formatado de uma maneira que respeite as peculiaridades do País. Enquanto a renda anual conjunta dos 100 milhões de brasileiros (público-alvo daquele tipo de seguro) é de US$ 200 bilhões, 700 milhões de indianos e 1 bilhão de chineses sobrevivem com a renda conjunta de US$ 186 bilhões cada. Além disso, mais de 70% da população da Índia e da China é rural, ao passo que 85% dos brasileiros moram nos centros urbanos.

Só esta realidade faz com que o Brasil tenha a necessidade de criar um produto de microsseguro diferenciado. “A rede de proteção social que existe aqui, como o SUS e INSS, por exemplo, contribuem para essa diferença em relação aos outros países em desenvolvimento. São aspectos que foram consideradas no momento de definir o que é microsseguro. Ele atenderá a pessoas que recebem até três salários mínimos”, adiantou Armando Vergilio dos Santos Junior (foto), titular da Susep, em coletiva de imprensa realizada no Congresso da IAIS, realizado no Rio de Janeiro entre 21 e 23 de outubro.

Vergílio contou que existem duas propostas da autarquia para implementação do microsseguro no Brasil. As propostas serão apresentadas aos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e Guido Mantega (Fazenda) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A primeira seria acoplar o produto (voltado para auxílio funeral) ao Bolsa Família, ao custo de R$ 1 por pessoa, e a operacionalização se daria como hoje acontece com o DPVAT. A segunda seria com a participação do setor privado, com subsídio do Estado na forma de incentivo fiscal. “Devemos pensar em uma solução para evitar que as companhias migrem da comercialização do seguro tradicional para os microsseguros em virtude dos incentivos”.

Este modelo difere do que é praticado mundialmente em seu formato, mas a essência está ligada com o programa oficialmente lançado hoje pela IAIS. A Iniciativa de Acesso ao Seguro (A2II) prevê a colaboração das entidades mencionadas acima na elaboração de uma “radiografia específica de cada País” e sugestões para mudanças regulatórias que permitam o desenvolvimento do produto na região. Regina Simões, responsável pela área de Microsseguro da Susep, afirmou que a iniciativa é de grande valia nos países onde não há sequer estrutura de um sistema financeiro.

O tema foi debatido por técnicos especializados. Além de Vergílio e Regina Simões, participaram Peter Braumüller (IAIS), Brigitte Klein (German Federal Ministry for Economic Cooperation and Development, BMZ), Craig Thorburn (Banco Mundial/CGAP) e Maya Makanjee (FinMark Trust, África do Sul).

A A2II é um programa global que terá apoio de agências internacionais de desenvolvimento e especialistas do setor financeiro, além de membros da IAIS. Eles vão trabalhar em conjunto para estimular o crescimento do mercado de microsseguros nos países. Em Uganda e Zâmbia é de 8% e na Etiópia é menos de 1%.

Brigitte Klein acrescentou que a iniciativa terá duração de cinco a sete anos e funcionará em parceria com os órgãos supervisores, que após esse período, poderão continuar com o trabalho sozinhos. Ela explicou que, hoje, a participação do microsseguro no mundo é insignificante, principalmente nos países mais pobres, mas a perspectiva é que ela cresça em no mínimo dez anos.

De acordo com Peter Braumüller, a ideia é que o programa beneficie, a princípio, 18 países selecionados pela A2II, dando preferência àqueles que representem lideranças em cada continente. “Dessa forma eles poderão difundir os resultados do programa entre os países fronteiriços”, afirmou.

 

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Microsseguro será o produto da década, diz FGV

Por Denise Bueno em 10/09/2009

1173996187i0343l11Com matérias nos principais jornais, a pesquisa da FGV diz que a melhora na distribuição de renda no país e a subsequente queda na desigualdade está contribuindo para a área de microsseguros ser o produto da próxima década, assim como o microcrédito tem sido para esta.

Segundo o economista-chefe do Centro, Marcelo Cortes Neri, “o microseguro guarda a promessa de ser na próxima década o que o microcrédito foi no mundo nas últimas duas décadas”. Atualmente, a faixa A e B (renda acima de R$ 4,8 mil) responde por 46% da demanda. As classes C (até R$ 4,8 mil), D (R$ 1,1 mil) e E (R$ 800), que representam 85% da população, contribuem com 15,6%, 4,1% e 1,4% do total de seguros no País, respectivamente. Em todas as classes, a maior preocupação é a saúde. Cerca de 16% da população brasileira já possui algum tipo de seguro – em sua maioria, seguro saúde (12,9%), seguido de seguro de vida (4,3%) e automóvel (2,9%).

No período entre 2003 e 2008, cerca de 27 milhões de pessoas, o equivalente a metade da população da França, saíram das classes D e E, e passaram a fazer parte das classes ABC, a chamada “nova classe média brasileira”.

Um mercado e tanto para os executivos de seguros conquistarem com produtos sustentáveis e evitar o desgaste de imagem que as seguradoras de saúde dos EUA enfrentam hoje, o que acaba atingindo a credibilidade do setor como um todo.

E parece que todos querem realmente conquistar este público. Veja as declarações dos principais executivos do mercado financeiro nas últimas semanas. Itaú Unibanco apostou no setor ao associar-se a Porto Seguro. Banco do Brasil prepara uma engenharia financeira para ser um dos maiores em poucos anos.

No Bradesco, o assunto é “eixo do negócio. “Acredito que o seguro será a indústria que mais vai crescer no século XXI. Podemos ver que é a única que pode quantificar, qualificar e proteger do risco. Assim, me coloco como parceiro e amigo do seguro nacional”. A afirmação é do presidente do Banco Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, ao ser homenageado pelo Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ), durante a realização da 33ª edição de sua tradicional festa dos Destaques 2008-2009 no último dia 8.

 

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Norma global de securitização sai em 2011

Por Denise Bueno em 31/08/2009

ca7be96scakyibvaca6fx09acangzwymca2vuzi8cas3txs8canqq6a1canjqfwkca3tojc0ca3t2tvqcacifx6nca3lavd4caiz67hncar3gyyvcajpjzdfcau04lzocab6v2nvca1q9a42ca4s28gxA Associação Internacional de Supervisores em Seguros (International Association of Insurance Supervisors-IAIS), sediada na Basileia, Suíça, informou que pretende divulgar as novas regulamentações sobre securitização de seguros, bem como orientar os órgãos reguladores de todos os países sobre a transferência de riscos de seguros para o mercado de capitais, apenas em 2011.

A IAIS, que representa 190 reguladores espalhados pelo mundo e realizará no Brasil a sua 16ª conferência anual em outubro, divulgou na semana passada o relatório “Developments in (Re)insurance Securitization”. O estudo identificou a securitização como uma das principais preocupações relacionadas com a transparência e estabilidade financeira da indústria de seguros. Por ser uma atividade de pulverização de risco em todo o mundo e por ter regras diferentes em cada país, a entidade entende que a prática de securitização traz problemas globais e por isso deve ser tratada de forma global para se ter maior coerência na supervisão dos riscos securitizados.

O relatório pode ser acessado no site www.iaisweb.org.

 

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Seguradoras têm prazo maior para portabilidade*

Por Denise Bueno em 29/06/2009

A portabilidade dos planos de previdência terá prazo de até dez dias para ser efetivada pelas seguradoras, e não mais quatro dias como determinava a regulamentação. A mudança começa a valer a partir de agosto assim que for aprovada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). O pedido foi feito pelas seguradoras, que argumentaram que o prazo anterior era insuficiente para a burocracia interna necessária para transferir os recursos.

Os investidores de planos de previdência privada aberta, com R$ 151 bilhões aplicados no primeiro quadrimestre deste ano, intensificaram o uso da portabilidade desde setembro de 2008, com o agravamento da crise. Tanto os que estavam insatisfeitos com a performance do seu plano como os que buscaram nos bancos federais um porto mais seguro descobriram a facilidade de transferir seus recursos usando a portabilidade de forma simples, sem custos e com a manutenção de incentivos fiscais.

Segundo Marco Antonio Rossi, vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), as seguradoras processam uma média de 5 mil pedidos de portabilidade mensalmente entre os 12,2 milhões de planos existentes. Hoje, há pedidos de resgates que podem ultrapassar o prazo médio, o que causa transtorno entre clientes e seguradoras. “Todos estão empenhados em fazer a transferência em até dez dias.”

A agilidade na transferência, que no início chegava a demorar três meses, foi possível em razão da implementação, em maio de 2006, do Sistema para Intercâmbio de Documentos Eletrônicos (Side), uma iniciativa da então Associação Nacional de Previdência Privada (Anapp), atual Fenaprevi.

O sistema funciona como uma câmara de compensação para a portabilidade de planos de previdência aberta e registrou 152 mil de transferências entre abril de 2006 até maio deste ano, segundo dados da entidade. Em 2007, o Side registrou um volume financeiro de R$ 1,46 bilhão. No ano seguinte passou para R$ 2,1 bilhões.

Nos quatro meses deste ano, o volume já atinge R$ 870 milhões e a perspectiva é de que deva superar os valores registrados no ano passado em razão do momento conjuntural. À medida em que a rentabilidade começa a cair, o investidor passa a rever o seu portfólio. No Brasil, o assunto está ainda mais latente em razão da queda da taxa de juros, a Selic, tornando a velha e tradicional caderneta de poupança mais atraente do que muitas aplicações financeiras.

A portabilidade ocorre sem pagamento de multas ou impostos se a migração for feita dentro do prazo de carência. A legislação determina que a carência não pode ultrapassar 60 dias, prazo adotado pela maior parte das empresas do setor. Ou seja: os recursos devem ficar por pelo menos dois meses aplicados no mesmo administrador. A principal vantagem, que vale para todos os planos de previdência, é a manutenção do incentivo tributário.

O uso da portabilidade, segundo os executivos, tem se dado basicamente pela troca de contas dos clientes entre bancos, por mudança de emprego ou para centralizar as operações bancárias em uma única instituição e, assim, ganhar descontos nas tarifas. José Eduardo Vaz Guimarães, diretor de produtos e mercado da Brasilprev, informa que 45% dos clientes que usam a portabilidade buscam concentrar recursos em uma ou duas instituições. A busca por melhores taxas representa 35% da portabilidade registrada pela Brasilprev.

Edson Franco, diretor de previdência do Santander, não acredita num cenário de guerra de preços para conquistar o cliente de previdência. “O relacionamento de longo prazo conta pontos. A portabilidade é mais uma ferramenta de gestão entre as entidades do que um estímulo à redução de tarifas apenas pela concorrência, sem bases técnicas.”

A Icatu Hartford e a HSBC Seguros registraram considerável aumento no volume de portabilidade no quarto trimestre do ano passado, em razão do agravamento da crise. “Foi um período tumultuado para todo o mercado, mas que já retomou para níveis de normalidade neste ano”, diz Luciano Snel, diretor de produtos da Icatu. “Muitos clientes optaram por portar recursos para bancos federais”, acrescenta Edson Lara, do HSBC.

Na Bradesco Previdência e Vida o volume de portabilidade se manteve dentro da normalidade, diz Rossi. A Brasilprev foi beneficiada pela crise, também por contar pontos o fato de ter como um dos principais acionistas o Banco do Brasil. Segundo Guimarães, de cada R$ 1 que perde, traz R$ 3, segundo cálculos baseados no primeiro quadrimestre deste ano.

“É importante levar em consideração pontos técnicos antes de optar, para não perder vantagens que podem estar embutidas numa palavra complicada, como tábua atuarial”, alerta Snel. Ela é que vai determinar a taxa que será cobrada quando o patrimônio do fundo aberto for transformado em renda

*Matéria feita com exclusividade para o suplemento “Portabilidade”, veiculado no jornal Valor Econômico

 

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