Queda da Selic traz desafios às seguradoras
Por Denise Bueno em 23/07/2009
A principal notícia do dia é que mais uma vez o Copom reduziu a taxa de juros da economia. Com a Selic a 8,75%, o nível mais baixo da história, as margens das seguradoras tendem a diminuir e as empresas precisam se tornar eficientes, pois a rentabilidade obtida na aplicação sobre os recursos gerenciados pela seguradora na renda fixa torna-se menor.
Além disso, a concorrência está mais acirrada. Vários bancos, ontem mesmo, divulgaram comunicado sobre redução de juros de diversos financiamentos. Com spread menor, os bancos passam a buscar outras formas de ganhar dinheiro, e o seguro é a que mais tem estado em pauta nas reuniões dos banqueiros.
Isto quer dizer que a concorrência irá aumentar e será difícil para as seguradoras materializarem reajuste no preço do seguro, principalmente no de carro. Algumas já fizeram em março e o resultado tem sido a queda de faturamento no consolidado de junho.
Segundo executivos de várias seguradoras, o balanço semestral já trará um cenário menos positivo do que o apresentado no ano passado. Entre as principais estratégias para se adequar a este novo cenário de taxa de juros de um dígito temos a ampliação da oferta de produtos, busca por canais de distribuição, redução de despesas e migração do portfolio de aplicações para ativos de maior risco, deixando o porto seguro dos títulos públicos, onde estão mais de 90% da carteira de investimentos de quase R$ 180 bilhões das companhias de seguros.
Várias opções de títulos privados começam a surgir. Ontem, a Brasil Foods, novo nome Perdigão, encerrou captação de R$ 5,3 bilhões. A Natura deve captar R$ 1,6 bilhão na oferta que se encerra no próximo dia 28. O apetite dos investidores está mais aquecido, como mostrou o IPO da Visanet, o maior do mundo até agora neste ano, com R$ 8,4 bilhões. Só deve perder a liderança com a emissão da China State Construction Engineering, que deve captar quase US$ 6 bilhões, ou seja, R$ 11,4 bilhões. Com taxas de juros menores, o investimento tende a ser canalizado para a produção, gerando empregos, aumentando a renda, girando o crédito. O que trará mais desenvolvimento para o País, com oportunidades para todos os setores, especialmente o de seguros.
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As maiores de ramos elementares dos EUA
Por Denise Bueno em 10/07/2009
A revista britânica Reactions divulgou o ranking das maiores seguradoras de ramos elementares dos EUA em 2008 produzido pela AMBest. A AIG ainda aparece em boa colocação, segundo lugar. Boa parte dos problemas enfrentados pelas companhias no pior momento da crise financeira no ano passado será refletido no ranking de 2009, que já começa a trazer os impactos das perdas financeiras e redução de vendas causada pela recessão econômica.
As seguradoras de ramos elementares dos Estados Unidos registraram perdas líquidas de US$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período do ano passado as companhias obtiveram lucro líquido de US$ 8,5 bilhões, segundo revela pesquisa divulgada por instituições, entre elas o Insurance Services Office (ISO) e o Insurance Information Institute (III).
Trata-se de pior resultado desde 1986, início da formação do banco de dados das entidades, que reúne informações das seguradoras privadas responsáveis por 96% do volume de vendas de ramos elementares. O volume de prêmios no período registrou queda de 3,6%, para US$ 106 bilhões, conseqüência do recuo da demanda e da redução no preço do seguro.
Segundo o estudo, este grupo de seguradoras divulgou perdas de US$ 16,4 bilhões no período, que não estão computadas nas contas de cálculo do lucro. Desta forma, o índice combinado superou 102,2% no primeiro trimestre deste ano, acima dos 99% do mesmo período do ano passado.
O patrimônio deste grupo de seguradoras foi reduzido em 15%, para US$ 438 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Diante dos números, o ISS acredita que haverá uma recomposição de preços para que as companhias possam recompor seus patrimônios e adequar-se aos níveis de solvência exigidos pelos órgãos reguladores e agências de classificação de risco.

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Partner Re compra Paris Re por US$ 2 bilhões
Por Denise Bueno em 06/07/2009
A consolidação prevista pelos analistas para a indústria de seguros está a todo vapor. A Partner Re anunciou neste domingo que comprou a resseguradora francesa Paris Re, colocando-a entre as quatro maiores resseguradoras do mundo, atrás de Munich Re, Swiss Re e Berkshire Hathaway. O negócio deve ser finalizado por US$ 2 bilhões, considerando-se a troca de ativos, pagamento a vista e transferência de portfolio de investimentos.
A Partner Re, oitava maior resseguradora mundial, foi criada em 1993 e já fez aquisições de porte em sua história, como a resseguradora francesa SAFR e a Winterthur Re. Foi uma das poucas a divulgar elevação nos ganhos no primeiro trimestre desta ano, quando reportou aos acionistas lucro líquido de US$ 141 milhões, acima dos US$ 129 milhões do mesmo período do ano anterior. Em prêmios, divulgou ligeira queda, passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,3 bilhão no período analisado. O índice combinado no trimestre apresentou melhora de cinco pontos percentuais, para 87%.
A Paris Re, que durante o ano de 2008 inteiro movimentou prêmios de US$ 1,4 bilhão e acumulou patrimônio de US$ 2,1 bilhões, é uma companhia mais jovem. Nasceu no auge da melhor épopa em termos de rentabilidasde e vendas do setor, em 2006, com a criação de um consórcio de investidores liderados pelo fundo Trident III, gerenciado pela Stone Point Capital, um fundo de priivate equity da corretora de seguros Marsh & McLennan.
No final da negociação, os ativos totais deverão superar US$ 23 bilhões, o número de funcionários passará a 1,4 mil, sendo 1 mil da Partner Re e 400 da Paris Re. Ambas tem autorização da Susep para operar no Brasil.
Segundo nota divulgada pela Partner Re, o CEO Patrick Thiele disse que esta é uma importante aquisição para o grupo e que vai trazer oportunidades aos clientes tanto em diversificação de produtos como ampliação da capacidade de resseguro. “Nossa forte presença no mercado, diversificação de risco, solidez de capital e escala proporcionara um balanço mais estável diante da volatilidade financeira dos mercados”.
Mais detalhes podem ser acessados no site www.partnerre.com
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Seguradoras dos EUA registram perda recorde*
Por Denise Bueno em 30/06/2009
As seguradoras de ramos elementares dos Estados Unidos registraram perdas líquidas de US$ 1,3 bilhão no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período do ano passado as companhias obtiveram lucro líquido de US$ 8,5 bilhões, segundo revela pesquisa divulgada por instituições, entre elas o Insurance Services Office (ISO) e o Insurance Information Institute (III).
Trata-se de pior resultado desde 1986, início da formação do banco de dados das entidades, que reúne informações das seguradoras privadas responsáveis por 96% do volume de vendas de ramos elementares. O volume de prêmios no período registrou queda de 3,6%, para US$ 106 bilhões, conseqüência do recuo da demanda e da redução no preço do seguro.
Segundo o estudo, este grupo de seguradoras divulgou perdas de US$ 16,4 bilhões no período, que não estão computadas nas contas de cálculo do lucro. Desta forma, o índice combinado superou 102,2% no primeiro trimestre deste ano, acima dos 99% do mesmo período do ano passado.
O patrimônio deste grupo de seguradoras foi reduzido em 15%, para US$ 438 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Diante dos números, o ISS acredita que haverá uma recomposição de preços para que as companhias possam recompor seus patrimônios e adequar-se aos níveis de solvência exigidos pelos órgãos reguladores e agências de classificação de risco.
*matéria produzida com exclusividade para o site www.viverseguro.org.br, da CNSeg
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É preciso investir em educação, diz Mercer
Por Denise Bueno em 22/05/2009
Enganou-se quem achou que a crise é a preocupação número um dos executivos de recursos humanos responsáveis por planos de aposentadoria em grandes empresas. Investir em educação financeira é a prioridade.
A resposta “Esperar para ver o que vai acontecer” foi dada por 80% dos 200 executivos questionados sobre a crise presentes na pesquisa realizada durante a abertura do seminário Mercer de Previdência, ocorrido na última terça-feira, em São Paulo.
Obviamente eles estão preocupados com a crise. Mas sabem que aposentadoria é um investimento de longo prazo. Estão acostumados com o movimentos ciclícos da econômia e já passaram por várias crises. Mas muitos de seus participantes não. E se assustam de ver o sobe e desce da bolsa. Pior ainda nesta crise, com uma curva decrescente para lá de acentuada no último trimestre do ano passado.
Por isso, a prioridade é a educação financeira. Cerca de 73% dos 200 profissionais que participaram da pesquisa buscam formas de melhorar a comunicação com os participantes dos planos basicamente por duas razões: reduzir o volume de saques e estimular aportes, tanto para que o indivíduo tenha uma reserva maior para fazer frente a longevidade, como para compensar o desequilíbrio nos fundos que ainda tem em carteira o plano de benefício definido, que geralmente garantem uma rentabilidade mínima. Esses planos não são mais vendidos. Foram substituídos pelo modelo de contribuição definida, onde não há garantia de rentabilidade.
A educação financeira ficou ainda mais evidente com o resultado apresentado pela Mercer de outras duas pesquisas realizadas com cerca de 150 empresas. Elas mostram que realmente incentivar a conscientização das pessoas em relação a poupança de longo prazo é um assunto prioritário. O índice de resgate dos planos de aposentadoria, segundo a pesquisa na base de clientes da Mercer, era de 82% entre setembro de 2007 e março de 2008, período em que os brasileiros apenas ouviam falar da crise das hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos. Quando a crise se agravou e chegou de fato no Brasil, entre setembro de 2008 e março de 2009, a Mercer fez novamente a pesquisa e o índice de resgate dos planos passou para 83%. Ou seja: nada mudou em razão da crise. O resgate já era elevado e permaneceu.
Ao contrário dos Estados Unidos, onde a educação financeira está incluída nos primeiros anos escolares, o índice de resgate lá aumentou por duas razões: insegurança com as instituições financeiras causada pela crise e por necessidade dos recursos para enfrentar o desemprego.
O temor dos americanos é fácil de entender. Segundo estatísticas mundiais, os ativos de previdência registraram perdas de US$ 5,3 trilhões em todo o mundo. Ou seja, três vezes e meia o PIB do Brasil. A estimativa dos consultores da Mercer é de que parte disso será recuperada entre 2 e 15 anos, dependendo da política de investimento de cada fundo de aposentadoria.
Com os juros baixos e a aversão do investidor a risco, ficará dificil recuperar a perda rapidamente. Por isso trazer informações que tornem o setor mais claro para o consumidor é importante. Como previdência é um investimento de longo prazo, é preciso arriscar para ter um rendimento melhor. Mesmo que a bolsa caia hoje, pode subir amanha. No ano passado, por exemplo, o Ibovespa ficou negativo em mais de 40%. Neste ano está positivo em mais de 30%.
São detalhes como esse que precisam ficar claro para as pessoas para que se consiga ter uma poupança de longo prazo, algo muito novo para o brasileiro. “Sem educação financeira, aportar recursos em um plano de previdência é um péssimo investimento. As pessoas que fazem saques não fazem contas. Não tem noção dos benefícios tributários no longo prazo ou do custo tributário no curto prazo”, diz Carolina Wanderley, consultora da Mercer especializada em previdência e finanças pessoais. A executiva proferiu a palestra “Educando seus participantes para o futuro”.
Com este volume de saques, o argumento para convencer uma empresa a investir em um plano de previdência cai por terra, uma vez que o produto deixa de ser um benefício e passa a ser um custo. Para reverter esta situação e também trazer novos aportes para fundos com planos de benefício definido, que sofrem déficits atuariais com a queda da taxa Selic, a saída é a educação financeira.
Entre os principais tópicos, a conscientização de que governos e empresas buscam reduzir custos com benefícios, de que cada vez mais a qualidade da aposentadoria dependerá do esforça de cada indivíduo fazer a sua própria poupança; que quanto mais cedo começar, melhor será; maior clareza em relação ao ganho dos benefícios fiscais e perdas que podem sofrer com o saque antecipado e, entre outras dicas, o efeito dos juros compostos.
“A rentabilidade sobre o patrimônio acumulado chega a representar 67% da poupança no prazo de 20 anos, enquanto o valor aportado representa 33%. O efeito de juros sobre juros é muito estimulante para quem tem o hábito de poupar”, diz a consultora. Uma economia de R$ 550 por mês gera em 30 anos mais de R$ 1,1 milhão, considerando-se juros nominais de 10% ao ano.
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