Governo deve adiar mudanças no resseguro

Por Denise Bueno em 24/01/2011

42-22634068Adoro fazer aniversário. Tantas ligações e desejos de saúde, paz, amor e sucesso. Neste ano fiquei impressionada com a rede de amigos que tenho. Ainda não tinha dado conta, mas o Facebook, que manda alerta dos aniversariantes, me fez perceber o quanto sou querida. Por outro lado, as facilidades das redes sociais deixam aquela saudade do abraço carinhoso.

Essa também é uma data em que fico prá lá de bem informada. Como as fontes também estão na rede social, acabam sabendo do aniversário. Mas optam por ligar. O que é ótimo, ainda mais numa entressafra de notícias como o período de janeiro. Conversa vai e conversa vem e acabo me atualizando das notícias com a parada do fim de ano. Que aliás não aconteceu em seguros desta vez. Todos trabalharam duro. Seja para atender as vítimas das chuvas, seja para negociar com o governo mudanças nas regras do resseguro divulgadas em dezembro.

Só nesta semana, o Brasil recebe três pesos pesados da indústria mundial de seguros. Eles se deslocaram dos EUA e da Europa até aqui para conversar com o governo brasileiro. O objetivo é mostrar que as mudanças nas regras do resseguro, previstas para entrarem vigor em fevereiro, são totalmente fora de qualquer política de boa vizinhança.

Afinal, o mercado de resseguros demorou quase uma década para derrubar o monopólio, diante de tanto estudo e regras elaboradas. Tudo dentro da lei. Pouco mais depois de dois anos, tudo muda do dia para a noite e sem qualquer consulta pública. Pior. De forma inconstitucional, alegam executivos envolvidos nas negociações com o governo, que além de receber os principais executivos do setor do Brasil e do mundo, também tem sido procurado pelos diplomatas. Os consulados estão preocupados com a relação dos países diante da falta de segurança jurídica causada por esse fato e que pode prejudicar investimentos que estavam programados em outros setores.

Diante de tantas conversas, parece que o governo vai adiar o início das novas regras para março. Até lá, a expectativa é de que haja tempo suficiente para que todos possam conversar, discutir e achar uma saída menos traumática para problemas eventuais que surgiram nesses dois anos de mercado livre de resseguro.

De um lado, o governo se defende alegando que algumas companhias burlaram as regras. A lei determina a oferta preferencial dos contratos de resseguro para as resseguradoras locais, instaladas no Brasil. Algumas companhias, interessadas em passar todo o contrato para a matriz, ofertavam um contrato com clausulas adicionais para as locais com o firme propósito delas declinarem do negócio. Com o “não aceito” em mãos, passavam todo o risco para a matriz, sem as tais cláusulas que dificultaram a negociação local.

Os resseguradores estrangeiros se defendem alegando que as mudanças no resseguro visam beneficiar o IRB Brasil Re, que deteve o monopólio por quase 70 anos. Dizem que o ressegurador que tem Bradesco e Itaú como principais acionistas privadas, além do governo que negocia a venda das suas ações para o Banco do Brasil, perdeu muito market share em seguro garantia e riscos de engenharia. Para frear a queda vertiginosa nas vendas de resseguro de infraestrutura, a saída foi mudar as regras.

A primeira mudança foi trocar a oferta antes preferencial para obrigatória. Até aqui não há tantas queixas, pois tudo pode ser contornado com acordos entre as seguradoras e resseguradoras. Nesta também o prazo já está previsto para março. O custo para o cliente vai aumentar em razão de ter mais um procedimento a ser negociado, mas os executivos até são pacientes com isso.

Mas não poder retroceder o contrato de resseguro captado no Brasil para a matriz no exterior é algo fora de qualquer entendimento. Esta resolução está prevista para entrar em vigor dia 31 de janeiro e é o foco de negociações com o governo. Mais de cem empresas vieram para o Brasil com esse objetivo. E vieram porque as regras eram claras. E depois de aqui estar mudar tudo, ninguém aceita. Bem, parece que um primeiro round já foi vencido, adiando a validade para final de março. Falta agora a articulação política das estrangeiras nesses próximos meses para realmente mostrar ao governo como funciona o resseguro em todo o mundo.

Se conseguirem, a indústria de seguros brasileira continuará no seu vertiginoso crescimento dentro de padrões mundiais. Se não, voltaremos a ter um mercado insignificante, com produtos padronizados, preço alto e comandado por poucos muito mais interessados em ter lucro do que criar produtos para dar proteção aos indivíduos, às famílias, às empresas e ao próprio governo. O que seria muito ruim, principalmente porque todos os países que se desenvolveram fortemente contam com uma indústria de seguros robusta para dar sustentabilidade ao crescimento.

 

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Novas regras devem ser questionadas na Justiça

Por Denise Bueno em 16/12/2010

42-17992394O consultor jurídico e membro da Comissão de Seguro e Resseguro da OAB-RJ, Fábio Torres, afirmou em nota, nesta quinta-feira, que as resoluções que alteraram as regras nas operações de resseguro, aprovadas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), não têm “amparo legal”. Segundo ele, empresas afetadas por essas regras podem recorrer à Justiça para assegurar os seus direitos. “O CNSP deve revogar tais resoluções, evitando conflitos judiciais, aumento da insegurança jurídica e que sejam retardados os investimentos previstos pelos grupos estrangeiros no País”, comentou Fábio Torres.

Ele explicou que a resolução que veda as operações intergrupos é inconstitucional porque “agride a livre iniciativa, favorece grupos econômicos e prejudica o consumidor, pois encarece o preço do produto final”. Fábio Torres assegura ainda que a resolução que tornar compulsória a colocação de 40% do risco em resseguradoras locais não tem valor jurídico, pois vai de encontro ao que estabelece a Lei Complementar 126, que regulamentou as operações de resseguro no Brasil.

 

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A quem interessa a mudança no resseguro?

Por Denise Bueno em 14/12/2010

polidoAs novas regras para estimular o mercado de resseguros não melhoram as operações de resseguro no país. “Muito pelo contrário. Podem, inclusive, diminuir a oferta de capacidade de resseguro ao país”, diz o advogado especializado em seguros, Walter Polido. Segundo ele, quando a lei que abriu o mercado foi feita, houve debate. Agora, mudam procedimentos significativos e sequer discutem com o mercado? Veja abaixo a íntegra da entrevista com Polido.

O que mudou no resseguro?

As Resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados – CNSP – n.ºs 224 e 225, de 17.12.2010, mudarão, drasticamente, as regras determinadas em 2008 quando da regulamentação das operações de resseguro no Brasil, após a edição da Lei Complementar 126/2007.

Mas isso não foi discutido anteriormente?

As normas iniciais e anteriores foram objeto de ampla discussão prévia com os agentes pertencentes ao mercado segurador e seus principais “players” interessados: resseguradores internacionais e o nacional IRB-Brasil Re, seguradoras, brokers de resseguro, segurados, entidades representativas de classes, segurados, sociedade civil. Assim, o Órgão Regulador (a Susep) promoveu audiência pública na ocasião, democratizando de maneira ampla a regulamentação do processo de abertura do resseguro no Brasil, após os 69 anos de monopólio estatal no setor. As mencionadas Resoluções, surpreendentemente, foram apenas publicadas no DOU, sem que tivessem sido previamente discutidas com os seus principais interessados.

O que efetivamente essa regras mudam na vida das empresas e dos clientes?

O CNSP alterou substancialmente o teor do processo de retrocessão, na medida em que impediu – já com vigência a partir de 31.01.2011, que os Resseguradores Locais retrocedam a outros Resseguradores ligados ou pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro sediado no exterior. Vários Resseguradores Locais com capital internacional e estabelecidos no Brasil se enquadram nessa nova regra.

E quem se beneficia?

Apenas os Resseguradores Locais, com capital brasileiro, estarão livres da nova norma, podendo retroceder para quem eles quiserem (daqueles registrados na Susep). É sabido que os Resseguradores Internacionais aportaram no Brasil para fazerem negócios e terem lucros, não há nenhuma dúvida sobre isso. É bem verdade, também, que aqueles que decidiram se estabelecer como Locais tomaram essa decisão baseados nas regras vigentes: percentual significativo das ofertas obrigatórias (60% nos dois primeiros anos e 40% nos demais) e a possibilidade de retrocessão às suas respectivas matrizes sediadas no exterior. O resseguro, enquanto operação financeira especialmente constituída tem caráter internacional por excelência, em face mesmo da requerida pulverização dos riscos em diversos mercados, cuja transferência minimiza a possibilidade de haver concentração de perdas em apenas uma área geográfica. Não é diferente no Brasil, apesar da possibilidade mais reduzida de que o país tem em relação aos eventos naturais.

As medidas terão efeito benéfico para o Brasil?

Pretender que os Resseguradores Locais Internacionais se capitalizem suficientemente no Brasil para então poderem tomar mais riscos, diante das novas regras que vigerão, é algo extremamente improvável e que certamente contraria as bases mais elementares da indústria mundial de resseguro, a qual não pulveriza o capital pelos países onde opera. Não seria diferente no Brasil, apesar dos anseios mais populistas e conservadores que podem movimentar as regras do jogo, colocando até mesmo o país em situação de desvantagem competitiva no âmbito internacional. Não é bom para o Brasil ser diferente em resseguro do resto do mundo internacional. Não ganhamos nada com isso. Muito pelo contrário. As novas regras, portanto, são aproveitadas por poucos, se de fato tiver como tirar algum proveito delas.

Quem então as aproveita? A quem interessa?…

O Brasil precisa de competição saudável no setor, propugnando mesmo pela modernização da atividade securitária, a qual se situa muito aquém contemporaneamente do nível de qualidade exigido. Os modelos de procedimentos (da angariação até o pagamento dos sinistros) e também os produtos de seguros nacionais foram todos esgotados nas décadas de monopólio, tendo encerrado este ciclo conservador e atrasado com a edição da Lei Complementar 126/2007. O mercado de resseguro deve ser livre em ofertas e precificação, de maneira que este sistema possa propiciar que o benefício da livre concorrência chegue até o consumidor final de seguros: o segurado.

Então, conclui-se, que as novas regras não melhoram as operações de resseguro no país.

Muito pelo contrário. Podem, inclusive, diminuir a oferta de capacidade de resseguro ao país, tão decantada nos últimos tempos e em razão dos grandes eventos esportivos que acontecerão no Brasil nos próximos anos.

Por que então foram determinadas pelo CNSP e de maneira tão solitária?

Que o próprio Órgão responda às questões que têm sido levantadas desde o “susto” inicial com a publicação das Resoluções no DOU de sexta-feira passada. A insegurança jurídica, acarretada por este tipo de ação do poder público, não contribui em nada para o desenvolvimento do país. Que possa prevalecer o bom senso, reconduzindo o tema ao seu devido lugar.

Walter Polido, consultor em seguros e resseguros. www.polidoconsultoria.com.br

 

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Mudança no resseguro agita setor

Por Denise Bueno em 13/12/2010

42-20292342Desde sexta-feira os bastidores das empresas da indústria de seguros estão em alerta, na busca de mais informações sobre a Resolução 225, publicada no Diário Oficial da União pelo CNSP, com novas regras para operações no resseguro. A norma altera artigos da resolução CNSP Nº 168, de 17 de dezembro de 2007, responsável pela abertura do setor de resseguros, que trouxe ao país mais de cem empresas estrangeiras em busca de contratos mundiais.

O que mais se comenta é que a oferta preferencial de 40% dos contratos aos resseguradores locais agora passa a ser obrigatória. Até ai, tudo bem. Segundo fontes que preferem ficar anônimas, o governo aposta que a medida forçará muitas resseguradoras admitidas a se transformarem em locais. No entanto, outra norma que proibe que os locais repassem o resseguro para empresa do mesmo grupo derruba essa meta. “Quem vai se transformar em local se não pode passar parte do contrato para a matriz?”, indaga um analista.

O que deve se proliferar, segundo executivos, é o número de acordos entre empresas de diferentes grupos, o que encarecerá o custo pelo efeito cascata de impostos. “Se a ação foi tomada para privilegiar o IRB, que perdeu significativmente market share, especialmente em seguro de riscos de engenharia, também não dará certo, pois o mercado irá se adequar sem o IRB”, diz um executivo de resseguradora admitida. “Principalmente porque o IRB não tem rating e muitas resseguradoras são proibidas de atuar com empresas sem um determinado rating. A melhor saída seria ajustar de vez as anomalias na regulamentação para que o setor cresça de forma ágil, transparente e sustentável”, resume um segurador estrangeiro.

Segundo fontes estatais, houve abuso por parte da iniciativa privada em tirar contratos do IRB e na oferta preferencial. Os executivos privados se defendem alegando que o mercado se ajuste as regras de forma a otimizar a concorrência de preço para beneficiar o consumidor final com preços mais competitivos, contratos mais ágeis e segurança. “Precisamos dos consumidores para continuar vendendo. Só assim os acionistas continuarão injetando recursos na operação”, afirma um executivo de resseguradora local.

Muitos executivos estão reunidos hoje para avaliar profundamente as mudanças e assim poder propor algo mais eficiente e claro para o governo. Segundo comunicado publicado no site da Susep, o objetivo dessa medida é “fomentar o mercado local de resseguro”. Infelizmente a nota no site da Susep não estava disponível para leitura na íntegra.

 

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Munich Re realiza seminário para contribuir com a qualificação profissional do setor

Por Denise Bueno em 17/09/2010

munich-re“Queremos apoiar os grandes investimentos em infraestrutura, exploração de petróleo e em produção de energia que estão em curso no Brasil”. Assim Kurt Muller, presidente da Munich Re do Brasil, abriu o evento Munich Ressegurando o Futuro, realizado no dia 17 de setembro, em São Paulo.

São mais de 1,2 mil projetos dentro de várias estimativas oficiais, com investimentos próximos de R$ 1 trilhão considerando-se os números divulgados pelo governo na edição do Progama de Aceleração do Crescimento (PAC-2). Em infraestrutura, os projetos apontam para investimentos de R$ 310 bilhões, segundo estudo do BNDES. “Todos esses contratos oferecem um grande potencial de novos negócios de seguros e resseguros. Queremos apresentar toda a gama de serviços, trocar ideias com o mercado de seguros e mostrar as áreas de atuação de nossa empresa”, disse o executivo a cerca de 400 convidados que lotaram as duas salas reservadas para as doze palestras apresentadas ao longo do dia.

A Munich Re vem atuando no mercado de resseguro no Brasil desde 1996 com um escritório de representação e em 2008, quando o resseguro foi aberto, o grupo alemão abrir uma resseguradora local. “Fomos a primeira resseguradora internacional a obter esta licença”, orgulha-se Kurt, informa o blog Sonho Seguro.

Hoje a Munich Re Brasil conta com cerca de 50 funcionários no Brasil com o apoio permanente, assessoria e com a capacidade da matriz, líder mundial em resseguros. Segundo o executivo, a participação no mercado de resseguro, entre as resseguradoras locais, supera os 10% em termos de prêmio de resseguro. “Conseguimos obter um resultado favorável nesses dois anos de abertura como consequência de nossas políticas técnicas de subscrição e de análise de risco”, comenta em seu discurso. No mundo, o grupo alemão anunciou lucro liquido de 1,2 bilhão de euros no primeiro semestre do ano e meta de encerrar 2010 com 2 bilhões de euros.

Pelos indicadores promissores do Brasil nos últimos anos, e pelos prognósticos favoráveis da economia brasileira, Kurt vê um grande potencial de crescimento no mercado de seguro e de resseguro no Brasil. “O nosso propósito é contribuir para esse desenvolvimento com nossa capacidade, transferência de conhecimento e oferecendo soluções para os desafios que o futuro próximo exigirá de nós”.

“As seguradoras aguardam iniciativas como esta da Munich Re, que traz conhecimento e experiências mundiais para enriquecer o profissionalismo da indústria brasileira”, disse Maria Elena Bidino, diretora da CNSeg. “São parcerias como esta da Munich Re, principalmente no que diz respeito ao gerenciamento de risco, que ajudarão as seguradoras a conquistarem cada dia mais clientes e levar um retorno adequado ao acionista para ele manter sua aposta nesta indústria, que crescerá muito daqui para frente”.

 

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Perdas já divulgadas com a Deepwater Horizon

Por Denise Bueno em 14/06/2010

Veja as perdas já divulgadas pelas seguradoras e resseguradoras com o afundamento da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México:

Swiss Re US$ 200 milhões
Munich Re US$ 80 milhões
PartnerRe US$ 65 milhões
Hannover Re US$ 53 milhões
Validus Holdings US$ 42 milhões
Catlin Group US$ 40 milhões
Lancashire US$ 25 milhões
Chaucer Holdings US$ 25 milhões
Montpelier Re US$ 20 milhões
Amlin US$ 15 milhões
Transatlantic US$ 15 milhões
Hiscox4 US$ 15 milhões
RJ Kiln & Co4 US$ 10 milhões
Beazley US$ 6 milhões
Total US$ 611 milhões

Fonte: Moody’s

 

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Saída de Eduardo Nakao do IRB surpreende setor

Por Denise Bueno em 17/04/2010

nakaoA notícia da saída de Eduardo Nakao da presidência do IRB Brasil Re, maior ressegurador do Brasil com quase 80% dos negócios, surpreendeu os executivos do mercado de seguros nesta sexta-feira.As apostas eram de que Leonardo Paixão, presidente do conselho de administração do IRB, irá acumular a presidência executiva até que seja definida a participação do Banco do Brasil no IRB, o que está previsto para acontecer ainda neste mês.

Durante a posse do novo presidente da CNSeg, Jorge Hilário, realizada no Rio no dia anterior, as conversas entre executivos do setor e membros do governo davam conta de que haveria mudanças. “Mas ninguém esperava que fosse acontecer algo antes de a compra da participação do Tesouro pelo Banco do Brasil ser definida”, informou um executivo que pediu anonimato.

A idéia do governo ao mexer no comando do ressegurador controlado pelo Tesouro e que tem Bradesco e Itaú como principais acionistas privados é tornar o IRB mais competitivo. Após 69 anos de monopólio, o IRB há dois anos enfrenta a concorrência de mais de 75 resseguradoras instaladas no Brasil, que abriram escritórios no eixo Rio São Paulo bem antes da abertura do mercado de resseguros ocorrida em 2008.

A concorrência tem ficado cada dia mais acirrada.A medida que o temor com o risco de crédito agravado com a crise financeira recua diante da melhora das economias mundiais, mais seguras as companhias brasileiras ficam de negociar com estrangeiros. Com isso, seguradoras que tinham no IRB um porto seguro, mesmo com as limitações de produtos, custo administrativo mais elevado e morosidade nos processos de avaliação de risco, começaram a fechar negócios com as resseguradoras estrangeiras.

Praticamente todas as seguradoras já negociaram contratos exclusivos com as resseguradoras estrangeiras que apresentam propostas irrecusáveis para as seguradoras brasileiras. O apetite estrangeiro é grande. As companhias priorizam contratos em locais menos expostos a catástrofes naturais, uma vez que as perdfas do primeiro trimestre do ano já se mostram significativas com o terremoto do Chile e as tempestades na Europa. Aliado a isso, há previsão de um número maior de furacões nos EUA neste ano, acima do registrado nos dois últimos.

Os resseguradores correm para conquistar clientes com grande potencial de crescer juntamente com a economia brasileira. Além do natural avanço orgânico, as companhias contam com contratos de resseguro provenientes das obras de infraestrutura para preparar o Brasil para a Copa e Olimpiadas.

A mais recente a anunciar parceria foi a Bradesco com a Munich Re. O Itaú Unibanco também já negociou vários contratos após ter encerrado a parceria que tinha com o grupo XL Re. As seguradoras estrangeiras, como Mapfre, Allianz, Liberty, ACE, Tokio Marine entre outras trouxeram para o Brasil a resseguradora do grupo.

Com isso, espera-se que a participação do IRB diminua paulatinamente. Para evitar perder mercado, o ressegurador brasileiro busca agilizar o atendimento, reduzir seus custos e até mesmo se prepara para a internacionalização, como comentou em recente entrevista Eduardo Nakao, funcionário de carreira do Banco Central, que ocupa a presidência do IRB desde abril de 2006.

Na última semana, Nakao participou de audiência da comissão especial que discute o projeto 3554, do deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), que cria uma lei específica para os contratos de seguros privados. O executivo fez críticas ao projeto, alegando que ele é prejudicial as resseguradoras e que se for aprovado pode engessar o mercado de grandes riscos por inviabilizar os contratos juridicamente e comercialmente.

 

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Resseguro está recuperado, diz Aon Benfield

Por Denise Bueno em 23/03/2010

aon-benfieldO setor de resseguros apresentou notável recuperação em 2009 apesar de turbulências econômicas, diz a Aon Benfield, maior corretora de resseguros do mundo, em relatório sobre o mercado divulgado ontem. A baixa ocorrência de furacões em 2009 ajudou a recuperar as perdas financeiras da crise e isso trouxe um volume maior de capital para o setor, retornando aos níveis que estavam sendo praticados em 2007.

Segundo o estudo, a capacidade de recursos para realizar negócios aumentou 16,6%, recuperando a queda registrada de 16,9% entre 2008 e final de 2009. Com o cenário positivo, as renovações realizadas em janeiro de 2010, período em que se concentra boa parte das negociações dos contratos mundiais no ano, a “rate online” termo conhecido pela sigla ROL, apresentou variação negativa entre 5% e 15%, com consequente queda no preço do seguro.

Com isso, a Aon Benfield tem boas perspectivas para as próximas renovações de contratos que começam agora em abril e junho são positivas, mas sinalizam uma seletividade grande de negócios, uma vez que a demanda mundial por resseguros está acelerada e os riscos de aperto na regulamentação e novas perdas nos mercados acionários ainda preocupam. Ainda neste período poderá ainda registrar queda das taxas, uma vez que a safra de furacões nos Estados Unidos, principal motivo de impacto nos balanços das companhias nos últimos anos – tanto para cima como para baixo –, começa apenas em agosto, após as renovações.

 

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Fundos de pensão e resseguradoras: parceria

Por Denise Bueno em 07/03/2010

parceriasOs fundos de pensão podem ser clientes e também investidores nas resseguradoras, numa grande parceria nos próximos anos. Assim começou Leonardo Paixão, do Conselho Nacional de Administração (Conad), sua palestra proferida no segundo dia do II Brazilian Reinsurance Conference, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.

Os fundos de pensão contam hoje com ativos de R$ 512 bilhões, sendo 272 privados e 82 estatais, e tem compromissos com seus participantes de R$ 445 bilhões. Atualmente, 2,6% da população tem um plano de previdência fechado e o potencial estimado em pesquisas é de que este número pode chegar a 8%, considerando-se o perfil de pessoas com emprego formal. Apesar de o sistema de aposentadoria complementar no Brasil já ter 100 anos, há muito mais gente na fase laborativa do que recebendo beneficio.

“Os fundos querem transferir boa parte desses compromissos de pagamentos aos beneficiários para as seguradoras. Um deles é o risco de sobrevivência. Mas temos também seguro por morte, seguro para auxílio doença, seguro para invalidez”, acrescentou Paixão, ex-titular da Secretaria de Previdência Complementar (SPC). E as resseguradoras têm grande interesse neste nicho de negócios, garante Ronaldo Kalffmann, executivo da Scor, patrocinadora do evento promovido pela revista britânica Reactions.

O que tem atrapalhado o desenvolvimento de negócios é a avaliação jurídica da contratação do resseguro. Os fundos querem comprar o resseguro diretamente das resseguradoras. As seguradoras, por sua vez, alegam que a legislação permite apenas que seguradoras comprem resseguro, ficando assim elas com a permissão de intermediar os contratos. No entanto, isto encarece a operação e faz com que as discussões contratuais avancem, ficando os negócios para um futuro próximo.

Sem tomar partido nesta briga jurídica, Paixão acredita-se que cerca de 2/3 do patrimônio dos fundos hoje aplicados em papeis de renda fixa vão precisar migrar para outros ativos. “À medida que os títulos de renda fixa forem vencendo, a partir de 2012, dificilmente os administradores vão achar títulos com taxas equivalentes as que tem hoje. Os resseguradores podem receber parte dos R$ 400 bilhões que vão buscar uma aplicação nos próximos anos”, acrescentou.

Se levarmos em conta a aposta do megainvestidor Warren Buffett, o mercado de resseguros parece ser promissor. Recentemente Buffett investiu nas duas maiores resseguradoras do mundo, Munich Re e Swiss Re.

Para a parceria entre fundos e resseguradoras se consolidar há dois desafios: a formatação de produtos que de fato faça sentido para os fundos e capacidade de resseguro para os passivos de quase meio trilhão de reais que os fundos exibem hoje. “Sem capacidade não há como assumir parte dos riscos para os quais os fundos fazem reservas”, diz.

Paixão incentiva os seguradores e os resseguradores a desenvolverem produtos para os fundos de pensão. Talvez um segurador possa ofertar algo para o participante com um custo mais apropriado do que o fundo oferece hoje para produtos como auxílio doença, aposentadoria por invalidez. Por outro lado, os fundos têm interesse em comprar seguros para se protegerem de riscos, como o de sobrevivência dos participantes.

O aumento da expectativa de vida é um risco que interessa aos fundos. “É bom saber que estamos vivendo mais. Porém isto coloca um desafio para os fundos que não se programaram para pagar benefícios por um tempo tão longo. As seguradoras poderiam vender um produto que hoje tem grande demanda”, disse.

Segundo Ronaldo Kalffmann, executivo da Scor Global Life, o grupo francês tem grande interesse em ofertar produtos para os fundos de pensão. Durante sua palestra sobre aposentadoria e poupança de longo prazo no evento, ele falou que está convicto de que virá por aí uma nova geração de produtos, adicionando valor e proteção para as pessoas. “Acredito que com esta nova família de produtos que surge no Brasil com a abertura do mercado de resseguros servirá de alavanca para que o ramo “Vida” possa dobrar de tamanho de cinco a oito anos em termos de penetração.

Um dos produtos é chamado na França de seguro de dependência de longo prazo. Trata-se de um seguro que propicia uma renda ou um capital para que as pessoas possam usar para cobrir algum tipo de dependência física. “O capital servirá para que estas pessoas possam ter condição de ter ajuda em um determinado momento da vida caso não possam tomar banho, se alimentar ou se higienizar sozinhas”, explica. Esta apólice já é vendida na Espanha, em Portugal e em Israel e deverá chegar em breve ao Brasil.

Segundo Kallfmann, existe uma enorme busca pela melhor distribução de seguros, o que permitirá o acesso de um grande número de participantes ao setor e conseqüentemente aumente a participação da indústria de seguros no PIB brasileiro, hoje próxima de 3%, abaixo da média mundial de 7%. “O microsseguros é um capítulo à parte e poder oferecer a 90 milhões de pessoas proteção para os riscos inerentes da vida”, finaliza o executivo da Scor.

A Scor já oferece ferramentas para que as seguradoras possam ter mais facilidades no desenvolvimento e comercialização de seus produtos. Ele lembra que já está à disposição a empresa de marketing do grupo, a Remark, que fornece treinamento e tecnologia às companhias para aprimorar mecanismos de venda através da mala direta, internet, pontos de venda. “É importante neste momento que os produtos de vida já desenvolvidos cheguem ao consumidor”, comenta.

Outro serviço disponível é o Telemed, que oferece um conjunto de metodologias para facilitar a análise do segurado e o processo de seleção de riscos. “Esse serviço, que é amplamente utilizado na Europa, utiliza pessoas da área médica para obter informações mais objetivas dos segurados nas entrevistas”, explica Kauffmann. Com este mecanismo, o preço do seguro é mais fiel ao perfil de cada segurado.

 

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Começam os debates sobre resseguros no Rio

Por Denise Bueno em 04/03/2010

Teve início há pouco o II Congresso Internacional sobre Resseguros, o Brazilian Reinsurance Conference, no Rio de Janeiro. Cerca de 300 profissionais estão se acomodando no auditório para assistir a abertura do evento. José Carlos Cardoso, diretor-presidente da Scor Global P&C no Brasil, uma das principais patrocinadoras do evento, fará a abertura do encontro, passando a palavra para o Secretario de Finanças do Estado do Rio de Janeiro, Joaquim Levy.
Após o discurso do secretário, que abordará os investimentos do governo para fazer do Rio de Janeiro a capital latina do resseguro, Pierre L. Ozendo, Chairman & CEO, Swiss Re America Corporation, abordará o resseguro como um instrumento financeiro para aliviar o balanço das seguradoras de aumento de capital, uma vez que ao transferir parte do risco para uma resseguradora as exigências de capital baseado em risco diminuem.
O painel seguinte, previsto para as 9h40, reunirá resseguradores, para um breve balanço dos quase dois anos de abertura do setor. Estarão presentes Alberto de Almeida Pais, vice- presidente do IRB-Brasil Re, Benjamin Gentsch, da, SCOR Global P&C, Mark Byrne, president da FlagstoneRe, Paulo Pereira, president da ABER & responsável pela operação da TRC no Brasil; Rolf Steiner, executive da Swiss Re; e Mark Geske, atuário da Transamerica Re.
Em seguida será a vez dos CEOs de seguradoras dizerem o que clientes e seguaradoras esperam dos resseguradores. Estão confirmados no painel Akira Harashima, da Tokio Marine, Luis Maurette, da Liberty, Frederico Baroglio, da Generali, Antonio Trindade, do Itaú, Arthur Santos, da Mapfre, Marcos Couto, da ACE, com José Rubens Alonso, consultor da KPMG, como mediador.

 

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