Lucro da Porto no trimestre sobe 103%

Por Denise Bueno em 04/08/2010

A Porto Seguro viu seu lucro líquido mais do que dobrar no segundo trimestre do ano, fechando o período em R$ 136,3 milhões, 103% superior aos R$ 67 milhões reportados no mesmo periodo do ano passado, segundo balanço divulgado ontem pela seguradora. Os prêmios cresceram 46%, para R$ 1,85 bilhão. Automóvel ficou com 68,4%, Saúde com 9,6% e Patrimonial com 8,1%.

Sem considerar o Itaú Seguros Auto e Residência, o lucro líquido da empresa foi de R$ 100,6 milhões e os prêmios auferidos alcançaram R$ 1,42 bilhão, crescimento de 15% e 12%, respectivamente, na mesma base de comparação. De acordo com o balanço, a rentabilidade anualizada sobre o patrimônio médio correspondeu a 16,4% no segundo trimestre, o que representa um incremento de 3,4 pontos percentuais.

Segundo especialistas, o resultado positivo foi direcionado pelo aumento dos prêmios de 45,9%, atingindo R$ 1,8 bilhão. Desse total de prêmios, o segmento de automóveis representou uma fatia de 68,4%.

 

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Forbes divulga os mais ricos do mundo

Por Denise Bueno em 11/03/2010

ricosJayme Garfinkel, presidente da Porto Seguro, permaneceu na lista dos homens mais ricos do mundo, segundo a edição da revista Forbes divulgada ontem. Ele aparece na 828º colocação, com forturna pessoal avaliada em US$ 1,2 bilhão.

O empresário mexicano Carlos Slim Helu é o homem mais rico do mundo, com fortuna de US$ 53,5 bilhões, segundo a edição da revista. Bill Gates vem em segundo lugar, com US$ 53 bilhões, seguido por Warren Buffett, com US$ 47 bilhões, Mukesh Ambani, com US$ 29 bilhões, e Lakshmi Mittal, com US$ 28,7 bilhões.

Veja os outros brasileiros listados pela Forbes, segundo divulgou o jornal Estado de São Paulo na edição de hoje.

8. Eike Batista: US$ 27 bilhões
48. Jorge Paulo Lemann: US$ 11,5 bilhões
64. Joseph Safra: US$ 10 bilhões
136. Dorothea Steinbruch e família: US$ 5,5 bilhões
152. Marcel Herrmann Telles: US$ 5,1 bilhões
176. Carlos Alberto Sicupira: US$ 4,5 bilhões
201. Aloysio de Andrade Faria: US$ 4,2 bilhões
316. Abilio dos Santos Diniz: US$ 3 bilhões
316. Antonio Ermírio de Moraes e família: US$ 3 bilhões
421. Moise Safra: US$ 2,3 bilhões
437. Elie Horn: US$ 2,2 bilhões
437. Antonio Luiz Seabra: US$ 2,2 bilhões
463. Guilherme Peirão Leal: US$ 2,1 bilhões
463. Rubens Ometto Silveira de Mello: US$ 2,1 bilhões
582. Liu Ming Chung: US$ 1,7 bilhão
616. João Alves de Queiroz Filho: US$ 1,6 bilhão
828. Jayme Garfinkel: US$ 1,2 bilhão
880.Julio Bozano: US$ 1,1 bilhão

 

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Lucro da Porto Seguro cresce para R$ 328 milhões

Por Denise Bueno em 09/02/2010

portoSimultaneamente a divulgação do Itaú Unibanco, a Porto Seguro também divulgou seus resultados de 2009. Os número incluem a Itaú Seguros Auto e Residência (ISa+r), empresa pela qual o Itaú detém 30% do capital da Porto Seguro.

O lucro líquido da Porto Seguro foi de R$ 328,4 milhões em 2009, alta de 13,2% sobre os R$ 290,2 milhões de 2008. A melhora do resultado foi creditada a contabilização do resultado da ISa+r, do crescimento de 19,8% dos prêmios auferidos e de uma redução da participação das despesas administrativas e tributos de 0,8 ponto percentual, segundo informou a seguradora em nota divulgada. Desconsiderando a ISa+r, o lucro recua para R$ 289,3 milhões em 2009. A rentabilidade sobre o patrimônio apresentou ligeiro recuo, para 14%.

Os prêmios, incluindo a ISa+r, totalizaram R$ 5,78 bilhões em 2009, 19,8% acima dos R$ 4,8 bilhões de 2008. O acréscimo de prêmios no último trimestre de 2009 chegou a 46%, para R$ 1,8 bilhão, principalmente em razão da transferência das operações do Itaú. O seguro de carro representa a maior fatia do faturamento da Porto Seguro, com R$ 3,8 bilhões, alta de 24,5% em relação a 2008, considerando-se a ISa+r.

Sem considerar a operação do Itaú, os prêmios em automóvel da Porto apresentaram evolução de 12,6%, para R$ 3,5 bilhões. Um fato que chama a atenção no balanço é o índice de sinistralidade das operações. Enquanto a Porto Seguros tem uma sinistralidade de 51% em automóvel, a carteira do Itaú e da Azul, a seguradora light da Porto, exibe quinze pontos percentuais a mais no índice, ou seja, 70%.

 

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Porto Seguro lucra R$ 73,3 milhões no trimestre

Por Denise Bueno em 12/11/2009

A Porto Seguro divulgou ontem lucro líquido de R$ 73 milhões no terceiro trimestre deste ano, queda de 2,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado do ano até setembro, o lucro totaliza R$ 209,6 milhões, recuou de 0,6%. Segundo a empresa, o resultado reflete o aumento de 3,6 pontos percentuais no índice de sinistralidade total e a queda de 2,2 % no resultado financeiro em função da marcação de mercado dos títulos pré-fixados. A receita total cresceu 11,5%, para R$ 1,65 bilhão. O total de prêmios auferidos atingiu R$ 1,4 bilhão, com alta de 10,9% no trimestre.

A sinistralidade total da companhia subiu 3,6 pontos percentuais, para 58,4%. O maior aumento veio da carteira de automóveis, com alta de 5,7 pontos, para 56,7%. Segundo a nota, o grupo está otimista com 2010, quando começará a implementar a parceria com o Itaú. Em outubro foi criada a Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar), que já recebeu autorização preliminar da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

O comunicado divulgado ontem, no qual a Porto Seguro fala sobre o andamento da associação, diz que os ativos e passivos da Itaú Seguros relacionados às atividades de seguros residenciais e de automóveis foram transferidos para uma companhia denominada Itaú Seguros de Auto e Residência (Isar) — que já não traz mais o nome Unibanco –, será incorporada. A Porto Seguro fará aumento de capital de R$ 950 milhões, mediante a emissão de 98.292.519 ações ordinárias, que serão transferidas ao Itaú Unibanco.

 

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Jayme Garfinkel, o cabeça dura

Por Denise Bueno em 04/11/2009

jayme-garfinkelRealmente algumas matérias e personalidades valem a pena na vida. Fazem a total diferença. Jayme Garfinkel (foto), presidente da Porto Seguro, é uma delas. Ele faz a diferença para toda a indústria de seguros, servindo de exemplo. Pouco fala de negócios e por isso aparece menos do que deveria na mídia.

Hoje, a Vanessa Adachi, jornalista do Valor Econômico, publicou uma matéria muito interessante. De tirar o chapeú. Soube usar com muita elegância todas aquelas conversas que ficaram na memória, pois o momento do encontro das entrevistas era negócios e Jayme mais falava da vida.

Assim como Jayme, eu também sei o que não quero. Ir a um funeral por exemplo. Entre as coisas que quero continuar fazendo na vida é divulgar o setor de seguros para que ele cresça e proteja o mundo dos riscos inerentes da sociedade moderna.

Por isso ai vai a matéria da Vanessa. Acrescentaria apenas mais um detalhe: a Porto fez um concurso para escolher o nome da hoje seguradora Azul. No final, quem escolheu foi o determinado Jayme, que realmente pode ser chamado de cabeça dura. Minha filhota está ao meu lado dizendo que este título vai me trazer inimigos. Uma grande oportunidade de ensiná-la que, às vezes, ser cabeça dura traz alegrias na vida. Na nossa e na dos outros.

Apesar de ser um texto grande, principalmente para um blog, se cortasse uma linha sequer os leitores iriam perceber e se chatear. Por isso, vai na íntegra. Boa leitura.

Um homem que sabe o que não quer
Vanessa Adachi, de São Paulo

http://funenseg.empauta.com/funenseg/index.php?action=999&data=20091104&cod_noticia=953754165

 

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Porto Seguro lucra ao agradar o cliente

Por Denise Bueno em 29/09/2009

images15A inovação na Porto Seguro é uma realidade que chega a assustar. A flexibilidade da seguradora, adaptando a sua realidade ao contexto, é algo admirável. Veja só. Ela desenvolveu a Felisa, uma bicicleta elétrica que até agora era utilizada exclusivamente para atendimento de vistoria e socorro aos clientes no seguro de auto. Uma forma de ser mais sustentável e poluir menos o planeta.

A Felisa, produzida no Brasil em 2008 com apoio de designers, construtores e ciclistas, recebeu o nome originado das sílabas iniciais de Felicio Sadalla (Feli-Sa), para homenagear o inspirador do projeto, que há 30 anos já utilizava uma bicicleta elétrica, montada por ele mesmo, para percorrer os 13 km que separavam sua casa do trabalho.

O design encantou os brasileiros. Pronto. Para agradar os clientes, a Porto disponibiliza a bicicleta para venda por R$ 2,39 mil para segurados e R$ 2,99 mil para não clientes. O pagamento pode ser facilitado no cartão Porto Seguro Visa, em até 10 vezes sem juros. Veja só. Isto que é saber ganhar em todas as pontas: ajuda o planeta, incentiva o segurado a praticar esporte, aumenta as vendas no cartão próprio e de quebra atende ao pedido dos clientes que querem a bike que permite que o ciclista pedale em trechos fáceis e acelere nas subidas.

Os dois modelos das bicicletas elétricas estão expostas nos Centros Automotivos Porto Seguro Aeroporto, Aricanduva, Indianópolis, Bela Vista, Morumbi, Nove de Julho, Pacaembu, Penha, Rio Branco e Santo Amaro.

“O objetivo é propor essa nova solução de mobilidade na cidade, no qual experimentamos e apostamos para nossos serviços. Esse conceito já é muito comum na Ásia e vem ganhando espaço na Europa, onde o uso da bicicleta vai muito além do lazer”, afirma o vice-presidente executivo da Porto Seguro, Fábio Luchetti, em nota de divulgação.

A discussão sobre o desenvolvimento de veículos elétricos vem crescendo, na medida em que a sociedade e lideranças de todo o mundo discutem formas de reduzir a emissão de poluentes e suas consequências danosas ao meio-ambiente e à vida na Terra. Nesse contexto, a bicicleta cumpre seu papel sustentável e ainda oferece uma vantagem adicional na complicada fluidez do tráfego.

Desde 2008, a Porto Seguro aposta na bicicleta como transporte urbano viável. As ações da companhia incluem empréstimo e estacionamento nos bicicletários do UseBike em parceria com o Metrô, onde já contabilizou 4 mil empréstimos e guarda de outras 4 mil bicicletas ao mês.

Os serviços de socorro e vistoria de veículos realizados por ciclistas - Bike Socorro e Bike Vistoria - já somaram 40 mil atendimentos. Até o fim do ano serão 50 bicicletas elétricas em serviço na Grande SP, informa a companhia, que também oferece assistência técnica domiciliar às bicicletas pessoais dos segurados Auto.

 

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Analistas aprovam negociação entre Porto e Itaú

Por Denise Bueno em 27/08/2009

As notícias da indústria de seguros continuam em torno da negociação entre Porto Seguro e Itaú Unibanco. É unânime a opinião de que este foi o grande negócio do século para ambos. Além de conquistar uma carteira de bom tamanho, Jayme Garfinkel ainda ganhou uma rede de distribuição de mais de 4,5 mil pontos, tem a confiança dos corretores e a perspectiva de internacionalização junto com os planos do Itaú. Além disso, a negociação agregou valor para as ações, uma vez que a expectativa de ganhos de sinergia, pelo mercado, seja em receita ou despesa, supera R$ 404 milhões.

A seguir, os comentários de analistas e profissionais do setor sobre a negociação.

Standard & Poor’s
De acordo com Standard & Poor”s Ratings Services, o negócio de seguros a ser transferido a Porto Seguro é pequeno para o conglomerado financeiro do Itaú Unibanco e, portanto, não terá impacto sobre o resultado da instituição. “No entanto, esperamos que o Itaú Unibanco se beneficie da expertise reconhecida da Porto Seguro no ramo de seguros de automóveis e da posição de mercado mais robusta das operações combinadas. Potenciais sinergias e a alavancagem por meio da rede de distribuição deverão possibilitar ao Itaú Unibanco se favorecer de seu investimento na área de seguros e melhorar sua rentabilidade”, explica o relatório divulgado pela instituição. A S&P destaca que a associação para unificar suas operações de seguros residenciais e de automóveis não terá impacto imediato sobre os ratings do Itaú Unibanco (BBB/Estável/A-3 e brAAA/Estável/brA-1).

Credit Suisse
A recomendação do Credit Suisse para as ações do Itaú Unibanco é de outperform. Os analistas avaliam que a transação é muito positiva para o banco, que combina a sua ampla rede de distribuição com a Porto Seguro, que detém forte expertise no seguro de carro. A pequena participação do segmento de seguros no resultado do banco, em torno de 12%, tende a crescer após a associação. No primeiro semestre, o negócio representou pouco menos 12% do lucro da instituição. Os analistas do Credit acreditam que as operações com seguros passem a ser um importante driver de crescimento dos resultados do banco nos próximos anos, diante da potencial de penetração adicional dos produtos, especialmente dentro da base de clientes ex-Unibanco. Por este motivo,

Merill Lynch
Jorg Friedemann, analista do Merill Lynch Bank of América, recomenda a compra das ações do Itaú Unibanco. O preço alvo é de R$ 35 para as ações. O acordo anunciado é classificado como positivo, já que se enquadra perfeitamente na força da carteira de financiamento de veículos do banco, o que permite oportunidades de venda para seguros de automóveis. A Porto Seguro tem uma marca forte em seguros de veículos e experiência no ramo de auto, com 21% de market share.

Ativa Corretora
A Ativa Corretora afirma que o negócio é positivo principalmente para a Porto Seguro, que continuará listada no Novo Mercado e ainda usará a rede de agências do Itaú Unibanco para distribuir seus produtos. Já para o Itaú, a parceria foi bastante barata. Pelos cálculos da corretora, o Itaú pagou um múltiplo de 1,66 vez a relação preço\/valor patrimonial (P\/VPA) pela ação da Porto Seguro, bem abaixo das 5 vezes pagas pela Yasuda na compra de 50% da Marítima em maio. Para o Itaú, uma maior exposição no setor de seguros é positiva, uma vez que diversifica o ramo de atuação num momento de crescimento menor das carteiras de crédito e dos “spreads”.

Austin Asis
A incorporação da carteira de seguro para veículos do Itaú Unibanco reforça a liderança da Porto Seguro no mercado, segundo levantamento de Erivelto Rodrigues, da Austin Rating. Para ele, a proposta do Itaú foi melhor que a do Bradesco para a seguradora. “Ela mantém o controle da empresa e pode oferecer o produto na rede do banco. Se tivesse fechado com o Bradesco, sua carteira seria incorporada”, disse para a Folha. Para o Itaú, a vantagem é que poderá focar no setor bancário e não no de seguro automotivo.

Alfa Seguradora
“Esta recente associação, gerou de fato uma grande empresa do setor, que possuirá o expertise da Porto ,mais o grande balcão do Itaú/Unibanco a sua disposição, para fazer o que bem entender. Mas nós acreditamos que as seguradoras de pequeno e médio porte, assim como a Alfa, sofrerão menos o impacto, se comparadas aos “big players”, por estarem firmes na operação com alguns corretores de seguros e principalmente por terem escolhido nichos específicos de mercado”.

Sincor-RS
O presidente do Sincor-RS, Celso Marini, avaliou a associação entre Itaú Unibanco Seguros e Porto Seguros. “Por um lado isto demonstra um fato preocupante, que é a redução do número de seguradoras no Brasil. O leque se reduz cada vez mais e isto representa a concentração do mercado nas mãos de poucos. Por outro lado, temos o prenúncio de uma companhia muito forte, com grandes reservas técnicas e uma carteira operacional gigantesca. Em relação aos corretores de seguros, fica a esperança de que a nova companhia mantenha e amplie a política de parceria com nossa categoria”.

Flávio Faggion, consultor da Siscorp, especializada em seguro
Como não vejo que, pelo menos a curto prazo, a Porto venha a mudar os preços (para baixo), o mercado de seguro de automóveis não vai aumentar de tamanho. A Porto terá que pensar numa estratégia de preços dos seguros vendidos pelos corretores e aqueles vendidos nas agências do Itaú. Acredito que vai haver certa homogeneização. Os concorrentes ficarão muito atentos no comportamento da Porto bem como os concorrentes. É muito provável que as seguradoras tomem atitudes mais agressivas do que vem fazendo até hoje. Se esses movimentos forem na linha de redução de preço (que não tenho muitas expectativas) poderá, aí sim, representar algum aumento do tamanho do mercado, mas mesmo assim não muito significativo. Quanto aos investimentos dos estrangeiros nos seguros de massa, acredito que essa parceria tenha arrefecido um pouco a vontade deles.

Luis Roberto Castiglione, consultor
Luis Roberto Castiglione, consultor e membro da Academia Nacional de Seguros e Previdência (ANSP) e do Instituto Roncarati de Seguros, diz que o principal ganho da negociação entre Porto e Itaú será o aumento da margem para a Itaú Unibanco. No longo prazo, a Porto Seguro poderá atingir rentabilidade melhor para a carteira do Itaú, cujos sinistros retidos somaram R$ 1,1 bilhão no primeiro semestre. Caso o índice de sinistralidade fosse o mesmo da Porto, a margem líquida seria 4,5 vezes maior para o banco.

 

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Garfinkel e Setubal, a semelhança dos opostos

Por Denise Bueno em 25/08/2009

images5 Finalmente os opostos se atraíram. Jayme Garfinkel, um apaixonado por seguro, e Roberto Setubal, conhecido na indústria de seguros por sua aversão ao produto, anunciaram ontem a criação da maior seguradora de automóvel e de residência do Brasil: Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar).

Há anos (muitos mesmo, mais de 15), escuto opiniões de seguradores, analistas, consultores, corretores, consumidores sobre os mais diversos assuntos da indústria de seguros do Brasil e do mundo. Alguns me despertam mais a curiosidade.

Em automóvel, um assunto que sempre chamava a minha atenção, era a resistência de Jayme Garfinkel, presidente da Porto Seguro, a maior seguradora de automóvel do Brasil, em ter um sócio estrangeiro ou mesmo abrir o capital da seguradora. Uma história, verdadeira ou não, que ilustra o comportamento de Jayme, foi uma conversa que teve com sua mãe, dona Rosa, sobre o assunto. Segundo contam pessoas próximas à família, ao pronunciar a frase “mãe estava pensando em ter um sócio na Porto”, dona Rosa rapidamente respondeu com uma pergunta: “mas meu filho, por que você não disse que estava precisando de dinheiro?”.

Tais alternativas eram consideradas pelos especialistas um caminho natural para poder otimizar o crescimento da companhia diante de um cenário promissor para a indústria de seguros no Brasil, que chamava a atenção do mundo pela discrepância de um indicador. Nas economias maduras há um paralelismo entre o tamanho da economia e o da indústria de seguros. No Brasil há uma vala. Temos a décima maior economia do mundo e somos o 19º maior mercado de seguros.

Enquanto Jayme pensava, os estrangeiros investiam em parcerias ou na carreira solo no Brasil. Jayme ficou quase uma década conversando com estrangeiros, sem conseguir se convencer de que este era o caminho do sucesso. Muitos dos estrangeiros que vieram desistiram do Brasil, inclusive a francesa AXA, cuja carteira de automóvel foi comprada pela Porto e deu origem a Azul.

Quando Garfinkel decidiu abrir o capital da Porto foi atropelado pelas crises econômicas da década de 90. Foi só quatro anos depois, em novembro de 2004, que a Porto fez o primeiro IPO. E o fez mais para resolver o impasse com familiares, que queriam vender a participação que tinham, do que para capitalizar a seguradora. A abertura colocou a Porto em destaque, ao ser a única seguradora a ingressar no mais alto nível de governança corporativa do mercado acionário.

Outra atitude que me aguçava o interesse era a antipatia com que Roberto Setubal, presidente do Itaú, um banco sustentável, tratava o assunto seguro, mesmo diante de um cenário tão promissor traçado por analistas financeiros e tendo um potencial de vendas fantástico, uma vez que menos de 10% dos clientes do banco tinham um seguro de carro com a seguradora do grupo. Seu concorrente Bradesco, por exemplo, tem 35% do lucro do banco proveniente das operações das seguradoras, principalmente da área de vida e previdência. No Itaú esta relação não chega a 10%.

O pai, Olavo Setubal, falecido em agosto do ano passado, nutria simpatia pela indústria de seguros. Tanto que em 1921 foi fundada a Companhia Ítalo-Brasileira de Seguros Geraes, uma das pedras fundamentais do Grupo Itaúsa. Todos os envolvidos com seguro tentavam mostrar o lado bom de seguros para Setubal. Até mesmo com a hipótese de venda da operação. Muitas foram as conversas no passado, inclusive com a Porto e com estrangeiras. Mas nada, o que me deixava mais curiosa e atenta em relação ao mercado de seguros.

Uns diziam que as perdas com o Hospitaú – um seguro saúde ótimo para o cliente e caríssimo para a seguradora - pareciam que jamais seriam esquecidas. Além do mau negócio com seguro saúde, Setubal não queria correr o risco de perder um cliente do banco por ter sido mal atendido pelos serviços da seguradora, comentavam os mais experientes.

Mas o argumento mais convincente vinha das contas matemáticas. Banqueiros do mundo todo argumentam que ganham mais disponibilizando o canal bancário para uma seguradora especializada, que chegam a pagar comissão de até 30% das vendas para remunerar o balcão de vendas. E isso sem ter de correr o risco de garantir o pagamento de indenizações em caso de acidentes e livres de administrar funcionários, corretores, oficinas mecânicas, rede de prestadores de serviços entre outros.

Para as seguradoras independentes, ter um canal de distribuição para produtos massificados é praticamente uma questão de sobrevivência, principalmente quando os maiores bancos do país afirmam que a área de seguros passou a ser uma prioridade para compensar a queda da rentabilidade.

Bem, depois de tantos anos, com mudanças na regulamentação do setor, adoção de critérios internacionais como Solvência II, criação de código de éticas das seguradoras, reformulação de produtos e serviços e aumento do poder aquisitivo da população, Roberto Setubal passou a apoiar algumas ações. Autorizou a criação de uma seguradora de grandes riscos em parceria com o grupo XL Capital, das Bermudas, formando a Itaú XL Seguros Corporativos. Também anunciou a abertura de uma seguradora de vida no Chile.

E agora, com o seguro próximo de chegar a 4% do PIB, o dobro da participação que tinha há 15 anos, indicadores macroeconômicos estáveis e o Brasil sendo um país considerado seguro para investimentos pelas agências de rating, Garfinkel e Setubal finalmente se encontraram com estratégias opostas no que diz respeito a seguro. Um precisa ter escala em seguro para manter o interesse dos acionistas no negócio. O outro necessita maximizar o ganho do banco e assim partir para a internacionalização com mais “gás” para enfrentar concorrentes de peso.

A combinação perfeita, principalmente se levarmos em conta a semelhança no jeito de ser. Ambos são herdeiros e por apostarem em atitudes sustentáveis tornaram suas empresas líderes nos segmentos em que atuam. Afinal, é preciso ter amor pelo que faz para fazer bem feito. O lucro, vital para reinvestir no negócio, é uma consequência da boa gestão. A quantidade é importante, desde que inseparável da qualidade. Assim, tanto Garfinkel como Setubal, mesmo sem focar a liderança, se tornaram líderes. A nova seguradora é líder disparada do segmento de automóvel, com 28% das vendas do primeiro semestre. Praticamente o dobro do segundo colocado.

Por isso, analistas acreditam que Garfinkel e Setubal fecharam um dos maiores negócios da indústria de seguros, que servirá para ilustrar, como um caso de sucesso, a história de um novo mercado de seguro no País. O mais famoso até ontem, em termos de estratégia, volume financeiro e sucesso da parceria era a associação do Unibanco com a AIG, em 1996.

A similaridade aqui é que José Rudge, hoje vice-presidente do Itaú Unibanco, esteve à frente das duas negociações. Outro grande negócio deverá ser anunciado em breve pelo Banco do Brasil, envolvido em uma verdadeira engenharia financeira há quase dois anos para ser um dos maiores neste segmento.

Vapt vupt - O curioso foi a forma como os executivos contaram a negociação. Para um desatento, parece que foi por acaso. Segundo eles, a Porto negociava há meses com o Bradesco, que a cortejava desde meados dos anos 90. No dia 30 de junho deste ano, a Porto precisou fazer um comunicado à CVM pois a notícia havia vazado. Explicou em nota que mantinha conversas, mas não envolvia o controle da companhia.

Um dia, enquanto almoçava com sua mãe, Garfinkel foi procurado pela jornalista da revista Época, dizendo o que todos comentavam. Havia boatos de que o Bradesco havia dito que as negociações com a Porto estavam difíceis. Aparentemente, ambos queriam o controle, o que estaria emperrando a negociação.

Magoado pela forma com que o assunto estava sendo tratado, com o vazamento de informações, Garfinkel ligou na manhã seguinte, dia 14 de agosto, para o Itaú. Em nove dias fecharam um acordo. Possível? “A Porto Seguro tem tradição, reputação, marca e performance invejável. Temos confiança na parceria que estamos criando, por isso fizemos em velocidade recorde”, afirma Pedro Moreira Salles, presidente do Conselho do Itaú Unibanco.

Não querer ter o controle da operação e o ranking não ser uma prioridade de Setubal facilitaram as conversas. “Em ranking, não temos a liderança porque o controle da operação é da Porto e por isso não podemos consolidar os números”, comentou tranqüilamente Setubal durante a coletiva de imprensa.

Mas quando o assunto é rentabilidade…”Estou noites sem dormir para negociar a criação desta nova empresa. Agora ficarei muitas outras para ajudar a colocar a empresa em operação e conseguir o lucro que eles esperam que a seguradora apresente”, disse Garfinkel, para quem “o sucesso de um negócio depende de trabalho, inteligência e sorte. Como sorte e inteligência a gente não controla, o negócio é trabalhar muito”, acrescentou o herdeiro da Porto Seguro.

Líder de mercado - A Psiupar, a mais nova seguradora da indústria de seguros, será formada por uma troca de papeis entre Porto Seguro e Itaú Unibanco, num negócio avaliado em R$ 1,7 bilhão, segundo informou Setubal. A Psiupar nasce com a transferência das carteiras de seguro automóvel e de residência do Itaú Unibanco para a Porto, com a transferência do patrimônio líquido consolidado de R$ 3,050 bilhão (R$ 950 milhões do Itaú e R$ 2,1 bilhão da Porto).

Em prêmios, a nova empresa passa a ter R$ 2,32 bilhões em veículos e de R$ 198 milhões em residências. Em clientes são 3,4 milhões de automóveis (1.250 do Itaú e 2.150 da Porto) e 1,2 milhão de residências seguradas (810 do Itaú e 425 da Porto). O Itaú Unibanco vai deter 43% da Psiupar e os controladores da Porto 57%. A nova empresa, por sua vez, deterá 70% da Porto Seguro SA e os 30% restante ficarão no mercado.

A nova seguradora agradou o mercado. As ações da Porto Seguro apresentaram alta de quase 10% ontem e as do banco Itaú Unibanco evoluíram quase 1%. A Psiupar será gerida pela Porto Seguro e venderá, no Brasil e no Uruguai, três marcas: Porto Seguro, Itaú Unibanco e Azul. Por deter exclusividade na venda de produtos residenciais e de automóvel nas agências do banco, a Psiupar pretende oferecer produtos diferenciados para agradar todos os segmentos de clientes do Itaú Unibanco, desde o mais rico até o de menor renda.

Segundo os executivos, nada muda para os clientes, com as apólices e os serviços já contratados vigorando normalmente. Os funcionários do Itaú Unibanco que fazem parte da operação serão transferidos para a nova empresa, que ocupará o espaço onde estava o Unibanco, no prédio da avenida Eusébio Matoso. Neste local está concentrada toda a operação de seguros do segundo maior banco do Brasil por ativos. “Pretendemos fazer como fizemos na Azul, respeitando a identidade do negócio. Por isso, funcionários, clientes e corretores não precisam se preocupar”, disse Garfinkel.

Uma das preocupações do grupo era com os corretores, sempre avessos a concorrência das vendas pelo canal bancário. “O Itaú já tinha um bom relacionamento com os corretores, assim como o Unibanco. Agora quem vai pilotar isso é o Jayme”, disse Setubal, apostando no sucesso, uma vez que a Porto Seguro desenvolveu sua liderança com base no relacionamento com o seu maior canal de vendas. São cerca de 20 mil corretores de seguros cadastrados na maior seguradora de carro do Brasil.

XL em discussão - Segundo Roberto Setubal, a associação começou com automóvel e residência, mas pode se estender para outros produtos. Em grandes riscos, a atuação do Itaú Unibanco está sendo rediscutida. O Itaú tem uma joint venture com a XL na Itaú XL Seguros Corporativos. Com a fusão com o Unibanco, comprou a participação da AIG na Unibanco AIG Seguros. Ficou com a maior operação de grandes riscos da indústria de seguros. “Estamos rediscutindo com a XL o negócio, mas não pretendemos sair da operação de grandes riscos”. Os segmentos de Previdência e Vida, bem como as operações de títulos de capitalização, permanecem sem alterações.

Concorrência - A conclusão da operação depende de aprovação dos acionistas, da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do Sistema Brasileiro de Defesa de Concorrência (SBDC). Setubal está tranqüilo quanto a aprovação, uma vez que a concorrência existe com a oferta de três marcas e os produtos em questão, auto e casa, são pulverizados no mercado.

No entanto, as seguradoras sem canal bancário com certeza perderão noites de sono para descobrir uma fórmula de sobreviver a este novo cenário do seguro automóvel no Brasil dominado pelas seguradoras ligadas a bancos. “Assim como eu, todos vão perder noites de sono”, comentou Garfinkel, referindo-se a tendência mundial de bancassurance (vendas de seguros nas agências bancárias).

Este era um encontro que já estava marcado. A parceria era apenas uma questão de tempo. O encontro do Bradesco pode estar com alguma seguradora de A a Z, bem como o da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil e do Santander. Entre os acordos mais recentes temos Liberty com Indiana, Yasuda com Maritima, e Zurich com Minas Brasil.

A disputa nos canais bancários por seguros patrimoniais envolve, oficialmente, a espanhola Mapfre e a SulAmérica. Nas duas o segmento de automóvel representa no mínimo 40% das vendas totais. Há até quem fale na volta da parceria desenhada na decada de 80 entre SulAmérica e Bradesco. Quem imagina que a concorrência está no limite, preste atenção ao que diz o tio de Garfinkel, segundo ele um simples filósofo de Atibaia: “Tudo pode piorar”.

Segundo os especialistas, ainda serão anunciadas muitas outras operações envolvendo fusões e aquisições na indústria de seguros, principalmente quando as regras de exigência de capital baseado em risco forem estendidas às operações de previdência privada. O que já está sendo discutido pela Susep.

 

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Porto Seguro e Bradesco encerram negociações

Por Denise Bueno em 21/08/2009

Segue a íntegra do comunicado da Porto Seguro enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM): Em atendimento à Instrução CVM n.º 358/02, Porto Seguro S.A. (”Porto Seguro”) informa a seus acionistas e ao mercado que não tiveram sequência seus entendimentos com a Bradesco Seguros S/A (”Bradesco”), informados à CVM nos dias 30.6.2009 e 5.8.2009, visando a eventual combinação dos investimentos detidos pela Porto Seguro nas seguradoras por esta controladas com o investimento detido por Bradesco na seguradora Bradesco Auto RE.

 

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Lucro da Porto Seguro fica estável no semestre

Por Denise Bueno em 10/08/2009

A Porto Seguro registrou lucro líquido de R$ 136 milhões no primeiro semestre, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, a queda de 27,5% no lucro líquido, para R$ 67 milhões, foi decorrente do aumento de 1,5 ponto percentual no índice de sinistralidade total; da queda de 12,5% no resultado financeiro em função da queda da taxa básica de juros; e do aumento de 0,5 ponto percentual no índice de despesas de comercialização, principalmente pelo investimento em campanhas de vendas de seguros.

“No primeiro semestre de 2009 tivemos um ambiente de recuo da economia brasileira e a manutenção de forte concorrência, principalmente no produto automóvel. Embora o ambiente de negócios tenha sido adverso, os prêmios totais cresceram 10,1% no semestre, para R$ 2,5 bilhões, e os prêmios do produto automóvel cresceram 8,1%”, informa a seguradora.

O retorno sobre o patrimônio ficou em 13,5% e o índice combinado ultrapassou 100%, para 100,6%. No entanto, quando considerado o ganho financeiro, o índice combinado ampliado recua para 90,5%. O índice de sinistralidade aumentou 1,5 ponto percentual, para 58,6%, principalmente em decorrência do maior índice na Azul Seguros, que foi impactado, principalmente, pela maior freqüência de roubo e furto; da maior sinistralidade na carteira de seguros de pessoas, devido, principalmente, ao aumento da freqüência e da severidade.

Os prêmios da carteira de automóveis da Porto Seguro atingiram R$ 1,2 bilhão no semestre, 5,6% maior que no mesmo período do ano passado. Segundo o grupo, o aumento decorre, principalmente, do crescimento de 11,8% na quantidade de itens emitidos, parcialmente compensado pela redução de 5,6% no prêmio médio.
A frota de veículos segurados atingiu 1,6 milhão em junho de 2009 em relação aos 1,5 milhão em junho de 2008.

Na Azul, os prêmios de automóveis atingiram R$ 322,1 milhões, 19,7% maior, com aumento de 15,7% na quantidade de itens emitidos e do aumento de 3,5% no prêmio médio. A frota de veículos segurados aumentou 32,1%, atingindo 555 mil.

Segundo os executivos do grupo, com os sinais de recuperação da economia brasileira no segundo trimestre, o grupo acredita na continuidade da expansão dos nossos negócios. “Ratificamos a nossa orientação estratégica de compromisso com a qualidade dos nossos produtos e serviços e na busca contínua pela excelência no atendimento”.

 

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