O impacto da crise no mercado internacional*
Por Denise Bueno em 27/04/2009
Acostumadas a exibir índices de faturamento e de rentabilidade crescentes nos últimos anos, as resseguradoras e seguradoras internacionais terão de suar a camisa para apresentar bons resultados neste ano – principalmente enfrentando um cenário em que a taxa de juros é declinante, o volume de pedidos de indenização ascendente e o mercado acionário, ainda volátil.
“Em 2008 os resultados já não foram bons. E em 2009 veremos balanços ainda ruins”, diz David O’Brien, vice-presidente sênior de Desenvolvimento de Negócios Internacionais da Transamérica-Re, resseguradora especializada em vida, registrada no Brasil como admitida. O pessimismo de David O’Brien tem coro internacional. “Seguradoras e resseguradoras que nunca haviam apresentado perdas foram atingidas nesta crise”, diz Graham Clarke, CEO mundial da Miller Insurance (foto), uma das maiores corretoras de resseguros do Reino Unido, durante visita ao Brasil.
Este cenário vale tanto as empresas que atuam no segmento de vida (life) como em ramos elementares (property & casualty). As consequências da crise financeira internacional, desencadeada pelos Estados Unidos e que já atingiu vários continentes, afetam o balanço das seguradoras em diversos itens, desde o patrimônio das companhias com ações em bolsa – pela acentuada queda do valor dos ativos – até o índice combinado. “A performance das ações das seguradoras de vida tem sido negativa e bem pior do que a média de mercado”, ressalta David O’Brien.
Além dos impactos financeiros, as seguradoras de ramos elementares desembolsaram elevados volumes de indenizações decorrentes da crise, com os pedidos de ressarcimento com apólices de Directors & Officers (D&O), e também para repor prejuízos causados por eventos naturais, o terceiro maior ano em perdas dos últimos tempos, com cerca de US$ 80 bilhões em indenizações, segundo estudo da resseguradora Munich-Re.
Os executivos acreditam em novas notícias negativas sobre dificuldade de instituições financeiras e empresas até o final do ano. Para David O’Brien, o grande desafio das seguradoras será o de manter as vendas elevadas para ter rentabilidade dentro do custo administrativo necessário para retomarem o crescimento com o fim da crise, previsto para 2010 – o que significa ter balanços sólidos. A busca de market share por guerra de preço ou taxas de juros com ativos e passivos descasados, para atrair os detentores de apólices de acumulação de recursos, pode acarretar o rebaixamento de rating pelas agências de classificação. “Sem rating, os corretores deixam de recomendar a seguradora para seus clientes”, afirma.
Este cenário difícil poderá estimular as vendas de resseguro, bem como fusões e aquisições. De 2000 a meados de 2008, explica David O’Brien, as seguradoras buscaram recursos via mercado acionário para se capitalizarem. Até então a opção era a compra de resseguro financeiro para terem índices de alavancagem de acordo com o nível permitido pela regulamentação de solvência. “Como o cenário não é apropriado para emissões em razão dos elevados spreads, a demanda por resseguro tem aumentado”, disse.
E o Brasil? Os estrangeiros entrevistados vieram ver de perto como vai este País que não entrou em recessão no rastro de economias fortes como Estados Unidos, Inglaterra e Japão. Todos reconhecem que o Brasil está muito bem posicionado para enfrentar a crise – seja em termos macroeconômicos ou solvência do sistema financeiro. “Os fundamentos econômicos são sólidos e muitos investimentos têm a promessa de manutenção do Governo como forma de estimular a economia”, diz Benjamin Gentscht, executivo responsável pela área internacional de property & casuality da Scor-Re, quinta maior resseguradora do mundo.
As seguradoras têm seus ativos aplicados em títulos do governo brasileiro, com juro real de 6,5% ao ano, uma das mais elevadas taxas do mundo. E também está livre de catástrofes naturais de grande porte. O País ainda teve o benefício da abertura do resseguro em abril de 2008, que atraiu investimentos de mais de 80 estrangeiros desde então.
Apesar da forte concorrência, as seguradoras brasileiras pulverizam o risco em todo o mercado internacional. Em grandes riscos, o mercado internacional é quem dita o preço do seguro por ficar com a maior parcela do contrato. Sendo assim, o impacto aqui será sentido.
A abertura trará novos produtos e serviços, com certeza, além de novas tecnologias para gestão de riscos. Porém, a manutenção de preços menores com coberturas abrangentes ainda é uma incógnita, segundo a avaliação de diversos executivos reunidos na I Conferência Brasileira de Resseguros, realizada no Rio de Janeiro, no início de março. “Capital escasso, perdas e recessão, redução do volume de contratos – é um cenário propício para a alta de preços e severidade na negociação de coberturas”, explica Paulo Pereira, presidente da Associação Brasileira de Resseguradores (Aber) e representante da Transatlantic-Re no Brasil.
Eduardo Nakao, presidente do IRB Brasil Re, que tem concentrado boa parte dos negócios de resseguros no País, também está reticente quanto a manutenção da queda dos preços, mas aposta no crescimento e prevê prêmios de resseguros de cerca de US$ 2 bilhões para os próximos dois anos. “O setor deve crescer mais que o PIB, principalmente por dois aspectos: a inovação de produtos a serem oferecidos pelos resseguradores no ambiente concorrencial e a demanda de empresários por redução de riscos”.
É um momento e tanto para o Brasil. Principalmente porque o Governo estima investimentos públicos e privados próximos de R$ 600 bilhões dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) até 2010. E esses projetos precisam de seguro e de resseguro para se tornarem sustentáveis.
*Matéria produzida para a Revista de Seguros, da CNSeg, edição janeiro, fevereiro, março/2009
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Regulação será mais rígida, diz pesquisa*
Por Denise Bueno em 24/04/2009
A indústria de seguros mundial ficará mais regulada. Esta é a conclusão de uma pesquisa feita pela Geneva Association (Associação de Genebra), entidade que reúne cerca de 80 CEOs da indústria de seguros mundial. A pesquisa foi realizada durante encontro que reuniu cerca de 70 especialistas para comemorar o 25º aniversário do grupo de estudo de em regulação, supervisão e questões legais. Entre os profissionais estiveram presentes Peter Braumüller, presidente da International Association of Insurance Supervisors (IAIS) e Roger Sivegny, presidente da National Association of Insurance Commissioners (NAIC), responsável pela fiscalização das seguradoras nos Estados Unidos.
Cerca de 80% dos profissionais acreditam que a crise vai elevar a carga regulatória no futuro; 71% apostam em um comportamento mais protecionista dos países, que afetará os negócios internacionais de seguros; e 57% consideram que as perspectivas de futuro para a venda de seguro por meio de agências bancárias – bancassurance – sejam afetadas pela crise financeira mundial, informa o comunicado da entidade, da qual Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica, e Osvaldo do Nascimento, da Itaú Unibanco, participam.
Segundo secretário geral e diretor da Geneva Association, Patrick Liedtke, o estudo revela que o excesso de regulação é uma ameaça real para a indústria de seguros. Segundo os entrevistados, o padrão contábil é o que mais necessita de revisão. Alguns argumentam que é preciso rever alguns padrões contábeis em razão da crise financeira e outros justificam que é necessária uma mudança para que a real situação da companhia seja mais fidedigna, tornando a leitura do balanço mais realista aos analistas.
Para José Rubens Alonso, da KPMG, o segmento de seguro foi o menos afetado pela crise entre as instituições financeiras. As companhias que sofreram foram as que tinham um perfil de investimento mais agressivo. No Brasil, a regulamentação mais severa, o conservadorismo e as atraentes taxas de juros de títulos de renda fixa blindaram as seguradoras nesta crise. “No Brasil, as seguradoras não aproveitam de todos os limites que têm para aplicar em ativos de maior risco. Por isso, a tendência de aumento de regulamentação é menor no Brasil comparada a expectativa demonstrada na pesquisa da Geneva Association”, diz Alonso.
Outro ponto levantado na pequisa da Geneva Association é se o seguro perderá competitividade para outros tipos de produtos financeiros. Para Alonso não. Pelo contrário. “A transferência de risco por meio de produtos financeiros sofisticados mostrou-se ineficiente e arriscada. Acredito que o seguro ganhe mais espaço como um instrumento de transferência de risco.”
Para o sócio da KPMG, o grande desafio contábil é fazer com que a regra contábil não seja um alimentador de crises em períodos de turbulências. Isso porque as normas determinam que os ativos sejam contabilizados pelo valor justo, que tem como parâmetro o valor de mercado. “No entanto, o valor justo não foi concebido para período de alta volatilidade como o verificado nesta crise”, diz. O mundo ideal é que a regra contábil seja neutra e não alimente a deteriozação dos ativos num ciclo vicioso como o que tem sido observado nesta crise. Um desafio e tanto.
Mais detalhes da pesquisa podem ser consultados no link http://www.genevaassociation.org/PDF/Progres/Questionnaire.pdf
*Matéria produzida com exclusividade para o site www.fenaseg.org.br
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Olho vivo nas turbulências econômicas*
Por Denise Bueno em 20/04/2009
Os efeitos da crise já são sentidos no Brasil. Ao mesmo tempo em que há sinais de vitalidade, com fila de espera para a compra de alguns modelos de veículos zero quilômetro, há também uma dura realidade, como os 100 mil veículos já recuperados pelos bancos até fevereiro em razão da inadimplência. Segundo especialistas, a intensidade com que o País será atingido dependerá do esforço de cada indivíduo, de cada empresa, de cada governo.
Todos concordam que 2009 será um ano difícil porque as turbulências econômicas vão gerar mudanças em custos e receitas. “Vai dar trabalho gerenciar todos os riscos a que estamos expostos e serão necessários ainda mais esforços para oferecer melhores produtos e serviços”, diz Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica.
Os indicadores no Brasil começaram a apresentar piora desde o início de 2009. “No setor industrial, a última coisa que a empresa corta é o seguro, pois os ativos têm de estar garantidos. No varejo, o consumidor elimina itens básicos. Se for demitido e não usar o carro, o segurado pode cancelar o seguro. É uma experiência nova e não podemos subestimar as conseqüências”, comenta Luis Maurette, presidente do grupo Liberty Seguros (foto acima).
Veja a seguir os principais riscos que as seguradoras terão de gerenciar para manter o crescimento do setor na cadsa dos dois dígitos em 2009.
Cenário internacional – Acompanhar o cenário internacional é de extrema importância para as seguradoras e grandes clientes segurados no Brasil. “O mercado de resseguros acaba de abrir no Brasil. É preciso estar atento aos movimentos externos para mitigar riscos e poder agir de forma rápida e preventiva”, diz Marcos Couto, presidente da ACE Seguros. As seguradoras estavam habituadas a colocar seus riscos no IRB Brasil Re nos últimos 70 anos, onde o risco de crédito era praticamente inexistente por ser o ressegurador controlado pelo Tesouro Nacional. Agora, precisam de uma avaliação de risco de crédito mais precisa do que aquelas feitas pelas agências de rating.
Indicadores econômicos – As seguradoras estão mais atentas às variações que podem ter no valor dos ativos e passivos em razão da volatilidade dos preços dos seguros e das taxas de mercado, considerando-se aqui juros, ações, moedas, desemprego, inadimplência, recessão, déficit primário, exportações, importações, bem como indicadores que afetam diretamente a indústria de seguros, como custo de reposição de peças automotivas e de medicamentos e serviços médico-hospitalar, por exemplo.
Crédito e poupança – Crédito mais caro e cliente mais consciente da necessidade de poupar. Este é um momento de desafio para que todos aprendam a viver com seus próprios recursos e reflitam mais sobre a necessidade de poupar, na opinião de Fernando Moreira, presidente da HSBC Seguros. “A questão foge da área econômica e aumenta a percepção do cliente em relação aos produtos e serviços prestados pelas companhias”. Segundo ele, para competir é preciso investir na prestação de serviços e trazer o cliente para dentro do grupo. Investimentos é o grande foco para os próximos anos. “O cliente no centro de tudo”, resume.
Consolidação – A indústria de seguros passa por um momento de consolidação, com algumas mudanças importantes como a fusão do Itaú e Unibanco e a remodelação na área de seguridade pelo Banco do Brasil. A reorganização e a força da atuação de grupos importantes como os citados trazem mudanças significativas para a estratégia das companhias. “É preciso acompanhar de perto a concorrência para antecipar tendências e assim reter os clientes com preços e serviços diferenciados”, diz Fábio Luchetti, diretor vice-presidente executivo da Porto Seguro.
Custos – Adequar os custos à nova realidade econômica fará com que o processo de gestão e de controle de risco das seguradoras continue submetido a revisões periódicas. Será preciso ter uma gestão ainda mais eficiente para remunerar o acionista e assim mantê-lo no negócio, como também encantar os consumidores. “Isso requer uma revisão de processos e produtos para ter o melhor retorno aos investidores”, diz Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica. “Praticar o preço justo será uma questão de sobrevivência neste cenário de baixa de juros, volatilidade dos mercados financeiros, aumento da criminalidade e da ocorrência de catástrofes naturais”, diz Luis Maurette, da Liberty.
Veículos – O melhor dos mundos para as seguradoras, segundo Max Thierman, presidente da Allianz, seria continuar com o nível de vendas de seguro automóvel obtido em 2008, quando os prêmios chegaram a R$ 15,3 bilhões, alta de 13%. Para manter o ritmo seria necessário manter o nível de vendas de carro. “O gGoverno tem sido um grande aliado ao estimular a indústria, e esperamos que persista nas medidas de isenção de alguns impostos e do crédito mais acessível”. Segundo estudo divulgado pela PricewaterhouseCoopers em fevereiro, a produção brasileira vai cair 13%, interrompendo uma sequência de alta média de 10% verificada a partir de 2003.
Mudanças climáticas – Max Thierman acredita no aumento da frequência cada vez maior da ocorrência de eventos climáticos incomuns, como os registrados entre outubro do ano passado e janeiro deste ano. “Alagamentos como o de Santa Catarina e granizo como em Minas Gerais certamente causarão impacto negativo para a nossa indústria”, diz. Praticamente todas as seguradoras participam do grupo de discussão criado pela FenSeg para viabilizar iniciativas que mitiguem riscos.
Regulamentação – A crise levantou uma série de questionamentos sobre a eficiência da normatização que visa transparência e solvência das companhias. “Quem poderia imaginar que a maior seguradora do mundo, a AIG, teria de ser socorrida pelo governo dos EUA para não ir à falência? Quem não investiria numa empresa que tinha o segundo mais alto rating mundial dado por agências de classificação? Como conseqüência, o mundo todo discute mudanças nas regras. “É preciso ficar atento para sugerir idéias coerentes, que não amarrem o crescimento das empresas e ao mesmo tempo tragam mais transparência aos investidores”, diz Samuel Monteiro, Diretor Geral Administrativo e Financeiro do Grupo Bradesco de Seguros e Previdência.
*Matéria produzida com exclusividade para a Revista de Seguros, da CNSeg, edição de janeiro/fevereiro/março de 2009.
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Portabilidade em saúde requer atenção
Por Denise Bueno em 14/04/2009
Começa a valer nesta quarta-feira, dia 15, a portabilidade dos planos de saúde. O consumidor que não estiver satisfeito pode mudar de empresa sem ter de cumprir novamente as carências, que vão de 24 horas para urgência até 300 dias para gravidez. Alguns procedimentos têm carências de até 180 dias, como para cirurgias e procedimentos de alta complexidade e dois anos para doenças pré-existentes.
A medida é válida para planos individuais, já que os planos coletivos são isentos desta exigência e também menos regulados pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Segundo a consultoria Capitólio, dos 52 milhões de usuários de planos de saúde, incluindo odontológico, cerca de 20% são individuais. A saúde complementar faturou R$ 55 bilhões em 2008, sendo o prêmio médio mensal pago por pessoa de R$ 116. As despesas assistenciais somaram R$ 44,8 bilhões, ou R$ 1,1 mil por beneficiário ao ano, informa a ANS.
A intenção da ANS é aumentar a concorrência entre as empresas, uma vez que o consumidor poderá migrar para outra operadora caso esteja insatisfeito com os serviços prestados. No entanto, há regras. A portabilidade é permitida para aqueles consumidores que assinaram contratos após janeiro de 1999, quando começou a valer a Lei 9656/98. Para pedir a transferência, o consumidor terá de estar no atual plano de saúde pelo prazo mínimo de dois anos. Entre outras exigências que serão observadas no pedido de portabilidade é mês de aniversário do contrato e as mesmas características do plano, que deverá ser similar ao que a pessoa tem.
Mas é preciso muito cuidado na hora de mudar de plano. Deixar um plano individual para fazer parte de um coletivo, por exemplo, significa sair da proteção da ANS, que regulamenta preços e coberturas nos planos individuais e familiares. O valor mensal chega a ser 30% menor, mas há diferenças em valores de reembolso de consultas e serviços laboratoriais e hospitalares, a ANS permite a livre negociação anual e também reajustes para equilibrar receitas e despesas da operadora do plano.
“É preciso ler com muita atenção o contrato, pois os produtos e cobertura diferem de um plano para outro. Inclusive no atendimento de hospitais e laboratórios, pois as negociações entre as empresas e os prestadores são dinâmicas e envolvem pacotes de serviços. Muitas vezes um exame rotineiro é permitido em um hospital e outro, mais específico, só pode ser feito em um especialista”, explica João Alceu Moroso de Lima, da corretora Qualicorp. Uma regra básica, segundo ele, é: quanto menor o preço, menor a cobertura e serviços oferecidos.
Segundo José Cechin, diretor do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo realizar estudos sobre saúde complementar, o plano individual está caro pois é sujeito a vários índices de incerteza. “Qual o índice que a ANS vai autorizar, qual o rol de procedimentos que as operadoras terão de seguir na próxima tabela, além da incerteza jurídica. Mesmo quando não há cobertura para o atendimento no contrato, os juizes acabam dando parecer favorável ao consumidor”, comenta.
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Pirataria torna seguro sequestro mais caro
Por Denise Bueno em 13/04/2009
O custo de seguro sequestro está hoje dez vezes mais caro do que em outubro de 2008 para navios em razão do grande número de ataques de piratas, principalmente no golfo Anden, onde as embarcações no oceano Índico precisam atravessar para chegar ao Canal Suez.
Segundo estudo divulgado pela filial do grupo Aon em Londres, a demanda de proprietários de navios por seguro de seqüestro aumentou muito no ano passado. O risco das seguradoras cresceu com mais segurados em carteira. Com o agravamento da crise mundial, a criminalidade evoluiu e tornou os ataques piratas uma rotina, levando a sinistralidade da carteira para níveis insuportáveis. Em 2008, 49 navios foram atacados e 889 tripulantes mantidos como reféns, segundo estatísticas da International Maritime Bureau’s Piracy.
Para equilibrar receitas e custos, as seguradoras aumentaram o preço do seguro e passaram a exigir mais segurança em determinados locais. O custo por viagem está acima de US$ 30 mil em prêmios para uma cobertura de US$ 3 milhões, revela o estudo divulgado pela Aon Risk Service. Em janeiro e fevereiro, a segurança em locais já conhecidos inibiram os ataques. Mas mesmo assim, foram registrados 14. Em março, 25. Em abril, pelo menos seis.
Com os navios de guerras na região, os piratas foram mais ao sul, onde o cargueiro Maersk, com bandeira americana, foi atacado na semana passada por piratas da Somália. O assunto ganhou as manchetes dos noticiários mundiais. O presidente Barack Obama autorizou a Marinha dos Estados Unidos a usar a força para libertar Richard Phillips, capitão do navio cargueiro americano Alabama Maersk, caso estivesse em perigo. Três piratas foram mortos e Phillips passa bem mesmo depois de ter tentado fugir a nado, sido recapturado e mantido por cinco dias em um bote salva-vidas por cinco dias.
Notícia veiculada no site www.fenaseg.org.br
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IRB, preferência nacional*
Por Denise Bueno em 20/03/2009
Há uma frustração geral dos executivos de seguros com a abertura do mercado de resseguros no Brasil. Não com a regulamentação preparada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Pelo contrário. Neste quesito há unanimidade de que foi feito o possível por ser o primeiro passo. A melhor demonstração é o interesse de quase 60 empresas estrangeiras já autorizadas a operar pela Susep.
“O Brasil é um país prioritário para nós e estamos satisfeitos com o processo de abertura”, diz Benjamin Gentscht, executivo responsável pela área internacional de property & casuality da Scor Re, quinta maior resseguradora do mundo e principal patrocinadora da Conferência Brasileira de Resseguros, realizada no Rio de Janeiro nos dias 4 e 5 de março, que teve o objetivo de traçar um cenário do mercado de resseguros do Brasil nestes primeiros dez meses de abertura.
“Estou aqui há seis anos, mas acompanho o processo de abertura há dez anos. E acho que o mercado aproveitou para se preparar. Acho que a maior parte dos atores tem tornado este desafio um compromisso importante”, comentou Max Thiermann, presidente da Allianz Seguros, em sua palestra no evento.
A grande expectativa era de redução de preços, concorrência, produtos e serviços inovadores. O que ninguém esperava era uma crise financeira de proporções globais, com conseqüências parecidas com as que fizeram o governo brasileiro criar o IRB em 1939, dez anos após a pior crise mundial, gerada pelo crash da bolsa de Nova York e que se estendeu por vários anos em razão da grande recessão e período de guerras.
“Naquela época as seguradoras não encontravam coberturas adequadas a preços acessíveis com as companhias locais. Como não havia nada que as impedisse de acessar o mercado internacional, as estrangeiras passaram a buscar o mercado internacional, gerando evasão de divisas e incerteza em relação ao pagamento no caso de ocorrência de acidentes”, conta Sebastião Pena, executivo do IRB Brasil Re, principal player do mercado local mesmo com tantos concorrentes cadastrados.
E depois de quase 70 anos de monopólio, sendo 12 deles marcados pela luta da maioria de executivos pela abertura, ocorre uma crise financeira internacional que mergulha as maiores economias do mundo em recessão. “Bons tempos os primeiros meses de 2008, quando a grande preocupação de todos era preparar a documentação exigida pela Susep. Agora as preocupações são outras e bem mais complexas”, diz Paulo Pereira, da Transatlantic Re.
A crise afetou os ganhos das seguradoras em todo o mundo em vários pontos: reduziu o patrimônio daquelas com ações em bolsas; a volatilidade dos mercados corroeu a rentabilidade da carteira de investimentos; aumentou o volume de pedidos de indenizações, principalmente nos seguros financeiros e de responsabilidade civil; além da forte safra de eventos naturais, o terceiro maior ano em perdas dos últimos tempos, com cerca de US$ 80 bilhões em indenizações.
“Capital escasso, perdas e recessão, que deverá reduzir o volume de seguros contratos. Um cenário propício para a alta de preços e severidade na negociação de coberturas”, explica Pereira. No entanto, esta realidade não chegou ao Brasil, onde as seguradoras ainda obtêm redução de taxas para seus clientes e são surpreendidas com produtos e serviços que chegam aos poucos para aquelas que já se prepararam para operar dentro das normas internacionais dos resseguradores estrangeiros.
Porém a crise tem gerado estresse nos grandes segurados, antes assediados por todos e que conseguiam as melhores reduções de preço e abrangência de cobertura nos últimos anos. A Petrobras, maior compradora de seguro do país, está preocupada se encontrará capacidade para colocar o seu programa de seguro com valores em riscos acima de R$ 40 bilhões neste ano em razão da crise.
A abertura do mercado de resseguros no Brasil também pode atrapalhar a negociação. Isso porque a legislação local só permite a compra de resseguro de empresas instaladas no Brasil. Apesar de o País já contar com tantos resseguradores, ainda não é o suficiente para comportar a necessidade de capital da Petrobras.
Segundo o advogado Luiz Felipe Pellon, a legislação poderá ser contornada com uma autorização da Susep caso a capacidade das empresas instaladas no País não seja realmente suficiente. “O mais interessante seria flexibilizar as exigências dos resseguradores eventuais como forma de aguçar mais o apetite daqueles que frearam seus planos de vir ao Brasil em razão da crise”, diz o advogado.
A grande dúvida é o preço, abrangência de coberturas e franquias que serão oferecidas pelos resseguradores, uma vez que precisam recuperar capital e conseqüentemente seus ratings. Segundo Luiz Otavio Mello, gerente de risco da petrolífera, apesar de já atuar junto ao mercado internacional há vários anos para a colocação dos riscos, havia sempre a contrapartida do IRB Brasil Re.
“Temos um programa de seguro volumoso e as perdas registradas pelas seguradoras e resseguradoras em razão da crise reduziu a capacidade do mercado”, disse durante o evento. “Só vamos saber na prática como ficará assim que começarmos a renegociar o contrato”, disse ele.
Para Alexis Bergun, responsável por gerenciamento de risco da Arcelor Mittal, o segredo para conseguir bons preços e coberturas abrangentes em tempos de crise é “fazer a lição de casa”. “Conseguimos multiplicar nossa capacidade por seis e reduzir o custo em 70% tendo boas informações e parceiros globais”. Já empresas que não tem um bom histórico de relacionamento com o setor, como a CSN, a situação ficou ainda pior. Nem com preços altos e coberturas restritas a siderúrgica tem encontrado cobertura.
Este cenário faz com que, apesar do enorme esforço de todos, a preferência nacional continue sendo o IRB, que tem aproveitado o momento para estreitar seu relacionamento com todo o mercado. Apesar de toda a concorrência, o balanço de 2008, que será divulgado até abril, mês de aniversário de 70 anos, será invejável, com lucro e faturamento em alta, adianta Eduardo Nakao, presidente do IRB.
“O principal desafio das seguradoras com o mercado aberto é saber avaliar bem o risco de crédito”, ressalta Angelo Colombo, diretor da Allianz. Missão que nem mesmo as maiores agências de rating do mundo foram capazes de obter sucesso diante da crise.
As seguradoras estavam acostumadas a operar com o IRB, considerado um risco praticamente zero por ser controlado pelo Tesouro Nacional. “Agora elas terão de avaliar bem os seus parceiros”, reforça Jacques Bergman, da Itaú XL Seguros. Quem poderia imaginar que uma gigante como a AIG, dona do rating mais alto entre as seguradoras, poderia falir se não fosse socorrida com US$ 150 bilhões pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos.
Algumas resseguradoras, como Swiss Re, XL entre outras tiveram suas notas rebaixadas. Uma situação complicada, principalmente porque as empresas de primeira linha exigem um rating mínimo para poder negociar contratos. Tem seguradora, como a Allianz, por exemplo, que exige uma classificação tão elevada que em certa época a própria resseguradora do grupo não tinha a classificação exigida pela controladora.
“Nós estamos cada vez mais criteriosos na escolha de nossos parceiros”, informa o presidente do IRB. Segundo Nakao, os contratos mantidos com a AIG, que teve seu rating rebaixado, estão sendo renegociados na data do vencimento em razão da necessidade de uma classificação mínima exigida pelas normas do ressegurador local. “Só podemos trabalhar dentro das regras de governança explícitas em nosso site, onde o nível de rating exigido é detalhado”.
Tirando a crise e as adaptações necessárias na regulamentação, principalmente em relação a tributos, Maria Larrea, executiva da Allianz, ressaltou os esforços das companhias de seguros para ofertar melhores produtos e serviços. “O mercado tem de ser capaz de se adequar às necessidades dos segurados e não mais fazer com que eles se adaptem ao que as seguradoras têm a oferecer”, diz. Marco Antonio Castro, representante do Lloyd’s, afirma que os sindicatos representados pelo mercado londrino têm produtos e serviços para trazer inovação ao programa de seguro de qualquer segmento da economia brasileira.
O controle interno das companhias e a qualidade das informações prestadas sobre os riscos a serem segurados são outros pontos que precisam de reparos. “Pedimos a paciência e o entendimento dos resseguradores, pois o mercado agiu por muitos anos de uma forma e agora se esforça bastante para chegar aos padrões internacionais”, diz Maria.
*matéria escrita para a Revista Apólice*
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Taxas de seguros caíram em 2008*
Por Denise Bueno em 26/01/2009
As taxas dos seguros empresariais continuaram registrando queda no quarto trimestre de 2008, segundo pesquisa realizada pelo Risk and Insurance Management Society Inc (Rims), entidade americana semelhante à Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR) no Brasil.
De acordo com o levantamento, as taxas dos seguros patrimoniais, responsabilidade civil geral e directors & officers (D&O) foram as que mais apresentaram redução, informaram os gerentes de riscos das corporações norte americanas. A média de prêmios no seguro de responsabilidade civil geral caiu 5,9% no quarto trimestre de 2009. No trimestre anterior, o recuo verificado nas taxas foi de 9,6%. Em seguros patrimoniais, o recuo foi de 3,8%, taxa modesta perante os 8,5% verificados no terceiro trimestre.
O seguro de D&O continuou com a tendência dos trimestres anteriores: alta dos prêmios em razão da elevação das taxas e de um número maior de contratos por parte das instituições financeiras, as mais afetadas pela crise do subprime, e redução dos prêmios para os demais segmentos. As taxas recuaram 1,2% abaixo dos 2,1% do terceiro trimestre de 2008.
Excluindo as instituições financeiras, os prêmios recuaram 4,5%, comparado com 7,5% do terceiro trimestre. No entanto, a tendência é de que o ciclo de queda das taxas esteja perto do fim, após um período de quase cinco anos de baixa.
De acordo com os autores do estudo, as perdas financeiras com a crise internacional, elevado índice de indenizações com as catástrofes naturais e práticas contábeis inadequadas, incluindo o escândalo Madoff, farão com que as seguradoras tenham de recuperar capital para continuar dentro das margens de rentabilidade exigidas pelos acionistas. Eles acreditam na estabilidade das taxas até o terceiro trimestre de 2009, quando começam a entrar num ciclo de alta até o início de 2010.
*matéria escrita com exclusividade para o site www.fenaseg.org.br
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Rumo à nova indústria de seguro*
Por Denise Bueno em 30/09/2008
As mudanças demoraram a acontecer na indústria de seguros brasileira. Mas agora parecem não ter fim. Todo dia tem novidade. Seguradora ampliando atuação para um nicho ou região. Executivos trocando de desafios, como Sérgio Santiago deixando o IRB Brasil Re para fazer parte da equipe da J.Malucelli Re. Uma seguradora transformando prejuízo em lucro, como a MetLife, com ganhos de R$ 21,7 milhões neste primeiro semestre do ano. Na outra ponta, a Porto Seguro registrando queda de quase 36% no lucro líquido acumulado do ano até julho, com R$ 160 milhões. Até eu, que escrevo desde 1992 (com algumas saídas) sobre o setor para a Gazeta Mercantil, deixei o jornal no final de agosto.
Tudo isso mostra que a indústria de seguros traz grandes desafios e oportunidades para todos. Para os estrangeiros, as notícias sobre o Brasil os motivam a mudar estratégia e rever o peso do País na obtenção de metas traçadas pelos acionistas. A grande maioria dos CEO de seguradoras estrangeiras que entrevistei neste ano foi unânime em afirmar que o Brasil é prioritário para que os grupos atingirem as metas de crescimento, uma vez que em seus países de origem enfrentam crise financeira, perdas com catástrofes e acirrada concorrência, típica de mercados maduros.
A estratégia para convencer os analistas de mercado responsáveis por recomendar a venda ou a compra de ações é de que o futuro é brilhante em razão do desenvolvimento das operações internacionais, em países emergentes, principalmente aqueles que compõem o bloco conhecido como BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Além do positivo discurso em entrevistas, o Brasil foi destacado no balanço semestral de grande parte delas. AIG, Mapfre, Allianz, ACE, Chubb. Liberty entre tantas outras destacaram a operação local pelo crescimento das vendas e da rentabilidade.
Ou seja, o Brasil está no topo da lista entre os países para receber investimentos de resseguradores. Patrick Thiele, presidente e CEO da PartnerRe, disse que o Brasil lidera entre os Brics. “O Brasil é o que tem o maior potencial no prazo de cinco anos. A Rússia e a Índia ainda apresentam regulamentações restritivas, que inibem investimentos estrangeiros. A China será um grande mercado nos próximos dez ou 15 anos”, disse.
Fora todos esses elogios dos principais CEOs de seguradoras e resseguradoras, um dos mais respeitados estudos da indústria de seguros mundial destacou o Brasil. Segundo análise da Swiss Re, o mercado brasileiro de seguros cresceu 10,3% em termos reais, três vezes mais que a média global de 3,3% em 2007, passando a ser o 19º no mundo em volume de prêmios, com R$ 75,5 bilhões. O seguro de vida foi responsável por R$ 35,6 bilhões, alta de 15,5%, ocupando a 22º colocação. O segmento não-vida, ou ramos elementares, ficou com R$ 39,9 bilhões, evolução de 6,1%, o que dá ao Brasil a 14ª posição do ranking global.
E o céu é de brigadeiro. A Swiss Re prevê que em 2008 os prêmios de ramos elementares continuarão a aumentar com os investimentos em infra-estrutura previstos e também pelo próprio crescimento do País, do aumento da renda da população e acesso das classes de menor renda ao crédito. Tudo isso se o Brasil continuar imune à desaceleração econômica global.
Aproveitando tal cenário, a Confederação de Seguros, Previdência e Capitalização (CNSeg) tem divulgado o Brasil no exterior. Em agosto um grupo foi para Japão, Coréia do Sul e Taiwan. Em setembro, Londres. Lá eles mostram tudo aquilo que sabemos aqui. O potencial do mercado em todos os nichos, de automóvel a usina nuclear; a necessidade de novos produtos para atingir as classes de menor renda e o grande desafio da distribuição.
Tendo por base o balanço do primeiro semestre, onde boa parte registrou lucro menor do que no mesmo período do ano passado, a competição ficará ainda maior a partir de agora, com produtos, serviços e preço. Segundo Bill Yates, presidente da Prudential, o crescimento da empresa no primeiro semestre veio do maior interesse dos consultores financeiros em vender o produto. “Os clientes têm interesse. Crescemos porque aumentou a produtividade de nossos vendedores”, informou.
Bem, vamos lá então. Vamos aproveitar esta onda do setor e abraçar desafios para crescermos junto com o Brasil e conseqüentemente com a indústria de seguros.
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Grandes riscos: mais coberturas por um preço menor*
Por Denise Bueno em 25/04/2008
As grandes empresas do Brasil serão beneficiadas por um programa de seguros mais amplo e com um custo mais acessível. Essa é a aposta da grande maioria dos executivos de seguradoras e corretoras. A avaliação tem como base a abertura do mercado de resseguros no País e o ciclo de farta oferta de capacidade no mercado internacional. “Em função principalmente de ausências de grandes catástrofes naturais nos dois últimos anos, o mercado internacional está em um ciclo de baixa de preços”, lembra Carlos Almeida, vice-presidente de Riscos Industriais e Comerciais da SulAmérica. Situações favoráveis à queda de preço.
A abertura do resseguro traz, de imediato, benefícios para as maiores empresas do Brasil. Isso porque são elas que demandam quase a totalidade dos R$ 3,5 bilhões em resseguro que é contratado no País. “O principal impacto deve ser nos grandes negócios, especialmente property e riscos de engenharia, aonde a disputa por clientes é constante. Com base nesse cenário, esperamos uma competição mais acirrada entre as empresas, resultando em conseqüente redução de preços. Novos produtos e maior agilidade no mercado também devem ser conseqüências da abertura do resseguro no País”, acredita Felipe Smith, diretor técnico da área corporate da Tokio Marine.
Porém este cenário é traçado para clientes com bom histórico de acidentes. Algumas empresas poderão encontrar dificuldades de renovar o seguro, como as que têm um grande índice de acidentes e um histórico de perdas razoável. A parceria entre cliente, corretor, seguradora e ressegurador será fundamental daqui para frente, uma vez que o mercado de resseguros está aberto e as empresas não podem contar mais com a cobertura quase obrigatória que o IRB Brasil Re, que deteve o monopólio por quase 70 anos, dava por ser monopolista.
O IRB já disse não para alguns segurados, que levaram um susto e tanto. A siderúrgica CSN foi um deles. Apesar de seu tamanho, o grupo enfrenta dificuldades para obter o valor de cobertura de seguro necessária a um preço razoável por atuar em um nicho de restrita oferta de cobertura, com poucos operadores e ainda ter um histórico de grandes perdas e troca de parceiros a todo ano.
A abertura traz automaticidade para as empresas. As seguradoras já desenharam contratos automáticos com seus parceiros de resseguro. Isso dará agilidade e melhores condições nos contratos. Para Jacques Bergman, diretor da Itaú XL, os programas com importância segurada entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões é que serão os mais afetados. “Valores abaixo dos R$ 100 milhões já eram atendidos pelas seguradoras dentro de suas capacidades de retenção. Os acima de R$ 300 milhões eram tratados como facultativos, diretamente com o mercado internacional”, diz.
A competição e mudanças estarão nos contratos entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões. “Esses terão uma modificação grande em termos de preços e serviços”, aposta Bergmann. A projeção é de que 70% dos riscos que eram colocados de forma facultativa, acima dos limites determinados pelo IRB, sejam agora colocados dentro dos contratos automáticos negociados pelas seguradoras. Ficando apenas 30% como facultativo. Essa mudança poderá reduzir o prazo de cotação dos contratos de em alguns casos chegavam a até três meses para três a cinco dias.
Em segmentos que o IRB não operava, como seguro multirisco de até R$ 100 milhões de importância segurada, transporte nacional rodoviário, aeronaves de pequeno porte, produtos financeiros e de responsabilidade civil, por já haver uma livre concorrência de preço, pouca mudança deverá ocorrer.
O gerente de risco terá um papel fundamental a partir de agora. Quanto mais informações armazenadas, mais correto será o cálculo do preço do seguro. Quanto maior o investimento em segurança, melhor as condições do contrato de seguro. Em contrapartida, as empresas seguradas terão a sua disposição um farto leque de produtos, coberturas e preços.
As seguradoras e corretoras terão um grande desafio. Com a possibilidade de cotação através de diversos brokers ou diretamente através de resseguradores, os preços podem ser os mais diversos. “Dependendo de que mercado seja contatado nas negociações, as ofertas de preço podem mudar e ocorrer casos de reduções de preços”, explica Luiz Carlos Nabuco, diretor gerente comercial da Bradesco Auto/RE Corporativo.
Apesar da tentação de ter um preço melhor, todo cuidado será pouco. “O risco do IRB era nulo por ter o Tesouro como controlador. Agora será preciso avaliar a solvência das empresas envolvidas no contrato”, diz Pedro Purm, presidente da Zurich Seguros. “Será muito importante os clientes/segurados estarem atentos exatamente para quem estará dando suporte nestas condições. O risco de crédito passa a ser uma realidade que antes ficava garantida pelo único ressegurador em atividade no mercado”, reforça Nabuco.
Outro ponto importante é a volatilidade. Se por um lado o monopólio de resseguros gerava um preço, em geral, igual para todos e acima da média do mercado internacional, por outro os clientes estavam protegidos de flutuações acentuadas. “Com a desregulamentação o mercado fica alinhado com os preços dos mercados internacionais, podendo assim ter variações positivas ou negativas de maneira a refletir mais imediatamente as flutuações do mercado internacional de resseguro”, diz o executivo da SulAmérica.
A qualidade dos serviços deverá melhorar. Bergmann acredita que a abertura do resseguro fará com que as seguradoras busquem diferenciação por qualidade de serviço. “Isso será visto pelo cliente como um diferenciador forte”, diz.
A regulação de sinistros entra neste quesito. Antes o IRB era responsável por decidir sobre o levantamento das perdas em um acidente. Agora, o segurado terá a responsabilidade de escolha da empresa que prestará este serviço. Ela é a responsável por determinar o valor a ser pago, a velocidade que o sinistro será finalizado e também será a prestadora que cobrará a conta dos resseguradores”, diz Bergmann, que também presidente da comissão de riscos especiais e de resseguro da Fenseg.
Apesar da projeção de queda do preço do seguro, a expectativa é de um aumento significativo no volume de prêmios na carteira de riscos patrimoniais. Com produtos limitados e preços elevados, uma situação típica de um mercado monopolista, a compra de seguros pelas multinacionais se limitava a contratação de um seguro básico de incêndio ou de roubo para mercadorias no Brasil. As apólices mais complexas eram contratadas em países onde o resseguro é aberto.
Tal comportamento fica evidente pelo medíocre desempenho do ramo empresarial, com faturamento que não chega a representar 10% das vendas totais de seguro no Brasil. Em 2007, esse segmento movimentou prêmios de R$ 3,3 bilhões, decréscimo de 12%. A expectativa agora é de as multinacionais passem a ter um programa de seguro mais completo no País, além de novos produtos que estimulem mais empresas a protegerem seus patrimônios.
Afinal, o que seria das ações da Petrobras em 2001 se não tivesse o seguro de US$ 500 milhões para recuperar a perda da P-36? E da CNS, que já recebeu aproximadamente US$ 400 milhões pelo acidente com o alto forno em janeiro de 2006? Sem falar nos acidentes das empresas aéreas Tam e Gol, tendo algo próximo de US$ 40 milhões cada uma só considerando-se a aeronave, e o Consórcio Via Amarela que acionou a Unibanco AIG para indenizar e prestar um pronto atendimento às vítimas da cratera que se abriu nas obras de expansão da Linha Amarela do Metrô de São Paulo.
*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em abril de 2008
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Brasil tem a maior indústria de seguros da América Latina e a que mais cresce entre os países do Bric*
Por Denise Bueno em 25/04/2008
Apostas no mercado de seguros do Brasil não faltam. “O crescimento da economia brasileira impulsiona a indústria de seguros, que deverá crescer num ritmo muito superior ao esperado em outros países”, diz Jérôme Cazas, CEO mundial da Coface, uma das maiores seguradoras do mundo em seguro de crédito.
“Entrarmos no mercado brasileiro irá nos ajudar a alavancar a rentabilidade dos negócios na região”, afirmou Herman Weiss, vice-presidente sênior da Chubb & Son e diretor para a América Latina da Chubb Corp, ao anunciar o investimento de US$ 5 milhões do grupo para criar uma resseguradora admitida no País.
Depoimentos como esses se tornaram uma rotina no Brasil desde a abertura do mercado de resseguros, em dezembro de 2007, e também pelos projetos de infra-estrutura que deixaram a gaveta para ser executado. Para se ter uma idéia do potencial do Brasil, os dois maiores contratos de seguros do mundo são brasileiros. O Projeto Rio Madeira tem garantias de US$ 2 bilhões e o programa de investimentos em expansão da Petrobras conta com suporte de US$ 1,2 bilhão para cada projeto.
Desde o início de 2008, muitos grupos estrangeiros anunciaram investimentos, seja na abertura de empresas, seja no aporte de capital na subsidiária local ou mesmo na compra de carteiras, companhias ou parcerias estratégicas. Entre as notícias mais recentes figuram negociações entre seguradoras, resseguradoras e corretoras.
A Indiana Seguros, com 60% do capital nas mãos da família Afif e 40% com o Bradesco, foi comprada pela americana Liberty. A espanhola Mapfre fez aporte de R$ 300 milhões para sustentar o crescimento da seguradora do grupo em 2007; adquiriu a Vida Seguradora do grupo americano Nationwide; e investirá 25 milhões de euros para abrir uma resseguradora local e uma eventual no Brasil.
“É muito fácil convencer acionistas a colocar dinheiro no Brasil, que será uma grande potência nos próximos anos”, diz Ramón Aymerich, executivo da Mapfre Re, resseguradora do grupo. Doze grupos resseguradores já entraram com pedidos na Susep e onze corretores de resseguros. Entre os locais, com aporte mínimo de R$ 70 milhões, estão o grupo paranaense Malucelli, a alemã Munich Re e a americana XL Capital, além da Mapfre Re.
A corretora Aon, uma das maiores do mundo, fez sua nona compra desde 2000. Neste ano, foi a vez da Wappen Corretora de Seguros, especializada no segmento sucroalcooleiro. A Marsh focou seus negócios e vendeu para o Bradesco a sua consultoria em previdência, a Mercer. A Lazam MDS também aumentou seu market share com fusões e aquisições em 2007.
Os investimentos são justificados pela ausência de catástrofes naturais na região; pela baixa penetração de seguro no PIB do País, que precisaria triplicar para ficar dentro da média de países de primeiro mundo; e também por ainda pagar a maior taxa de juro do mundo para remunerar aplicações financeiras feitas em títulos do governo.
De acordo com Luiz Carlos Trabuco Cappi (foto), presidente da Bradesco Seguros e Previdência, o maior grupo segurador da América Latina, seja qual for o quadro de referência que o País estiver incluído, América Latina ou Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é importante para o mercado de seguros internacional.
Comparativamente ao mundo, a América Latina representa 13% da população e 5,2% do PIB. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América Latina é um dos indicadores positivos para o crescimento das vendas de seguros. Em 1995, o IDH era de 0,755 e dez anos depois passou para 0,797. O seguro, por sua vez, representa apenas 1,5% das vendas mundiais. Segundo as estatísticas, quanto maior o IDH de um país, maior a participação de seguro no PIB.
Quando o seguro penetra nas populações carentes há uma melhoria na manutenção social pela proteção financeira e patrimonial. “Estabilidade econômica e desenvolvimento social, aliados com uma baixa penetração de seguros, resultam em um imenso mercado a ser explorado. Podemos triplicar de tamanho para estar compatível com o PIB”, disse.
No Brasil, a indústria de seguros movimentou prêmios de US$ 55 bilhões em 2007, o que representou 4,59% no PIB. Mas há grandes desafios para triplicar de tamanho. Aumentar a base consumidora de seguros com coberturas adequadas e preços acessíveis para as classes C, D e E, que representam 80% da população, é o principal foco.
Também há muito a fazer para aumentar a base de consumo em diversas carteiras. Da frota nacional de veículos, estimada em 49,6 milhões, apenas 8,5 milhões contam com seguro, um índice de 17%. Das 5,7 milhões de empresas existentes no País, apenas 641 mil contam com seguro. Um índice de 11,2%. Das 54,7 milhões de domicílios cadastrados no Brasil, 7,6 milhões (ou 14%) contam com uma apólice de seguro para danos físicos.
Em saúde, Trabuco informou que as operadoras privadas contam com 39,7 milhões de clientes, 20,6% da população de 191,8 milhões. Já das 5,7 milhões de empresas, 7,1% ou 400 mil têm um plano de saúde para seus funcionários. “Temos um grande potencial em apólices individuais, mas falta uma regulamentação adequada para operar esta carteira”, informou.
Além do potencial da indústria de seguro na venda de riscos patrimoniais e de saúde, Trabuco ressaltou o segmento de previdência privada. Em 1991, tínhamos 16 idosos para 100 crianças. Em 2000, 30. Nos próximos 20 anos, a população com 60 anos ou mais deve atingir 30 milhões, representando 13% da população brasileira. Temos de amadurecer o nosso sistema enquanto somos um País jovem. Quando o País envelhecer, a maior parte do orçamento vai ser usada para cuidar do idoso, tirando recursos da educação. Por isso a reforma da previdência não pode ser mais adiada”, reforçou.
Todos esses dados — expansão da atividade econômica, aumento da renda, melhoria das condições de vida e a retomada dos investimentos — têm um impacto direto no mercado de seguros. “O nosso grande desafio é a criação de novos produtos, redução dos custos de comercialização e desenvolvimento de canais de distribuição de baixos custos”, concluiu Trabuco.
*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em abril de 2008
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