Queda da Selic traz desafios às seguradoras
Por Denise Bueno em 23/07/2009
A principal notícia do dia é que mais uma vez o Copom reduziu a taxa de juros da economia. Com a Selic a 8,75%, o nível mais baixo da história, as margens das seguradoras tendem a diminuir e as empresas precisam se tornar eficientes, pois a rentabilidade obtida na aplicação sobre os recursos gerenciados pela seguradora na renda fixa torna-se menor.
Além disso, a concorrência está mais acirrada. Vários bancos, ontem mesmo, divulgaram comunicado sobre redução de juros de diversos financiamentos. Com spread menor, os bancos passam a buscar outras formas de ganhar dinheiro, e o seguro é a que mais tem estado em pauta nas reuniões dos banqueiros.
Isto quer dizer que a concorrência irá aumentar e será difícil para as seguradoras materializarem reajuste no preço do seguro, principalmente no de carro. Algumas já fizeram em março e o resultado tem sido a queda de faturamento no consolidado de junho.
Segundo executivos de várias seguradoras, o balanço semestral já trará um cenário menos positivo do que o apresentado no ano passado. Entre as principais estratégias para se adequar a este novo cenário de taxa de juros de um dígito temos a ampliação da oferta de produtos, busca por canais de distribuição, redução de despesas e migração do portfolio de aplicações para ativos de maior risco, deixando o porto seguro dos títulos públicos, onde estão mais de 90% da carteira de investimentos de quase R$ 180 bilhões das companhias de seguros.
Várias opções de títulos privados começam a surgir. Ontem, a Brasil Foods, novo nome Perdigão, encerrou captação de R$ 5,3 bilhões. A Natura deve captar R$ 1,6 bilhão na oferta que se encerra no próximo dia 28. O apetite dos investidores está mais aquecido, como mostrou o IPO da Visanet, o maior do mundo até agora neste ano, com R$ 8,4 bilhões. Só deve perder a liderança com a emissão da China State Construction Engineering, que deve captar quase US$ 6 bilhões, ou seja, R$ 11,4 bilhões. Com taxas de juros menores, o investimento tende a ser canalizado para a produção, gerando empregos, aumentando a renda, girando o crédito. O que trará mais desenvolvimento para o País, com oportunidades para todos os setores, especialmente o de seguros.
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Em busca do poupador da caderneta*
Por Denise Bueno em 29/05/2009
O anúncio de que o governo realmente vai mudar a forma de calcular o rendimento da velha caderneta de poupança criou um clima de grande expectativa entre as empresas de previdência privada aberta. A grande questão é como atrair a atenção dos investidores que questionam mudar o perfil de investimento diante das mudanças. Afinal, a caderneta totalizou em abril deste ano patrimônio superior a R$ 270 bilhões. Quase o dobro do volume depositado em fundos de previdência aberta, com pouco mais de R$ 140 bilhões.
“A previdência aberta é o melhor investimento de longo prazo do Brasil em razão dos benefícios fiscais que o governo concede”, dispara Osvaldo do Nascimento, diretor de previdência do Itaú Unibanco (foto). “Quem sabe usar o benefício concedido pelo governo ganha dinheiro. Mas é preciso se planejar. Se sacar antes pode perder a vantagem fiscal”, acrescenta o especialista no assunto.
O ciclo de queda da taxa básica de juro da economia, com a Selic em 10,25% em abril, acabou tornando a caderneta de poupança mais rentável que algumas aplicações financeiras de renda fixa. Para que o produto continue voltado para o pequeno investidor, os bancos teriam de baixar as taxas cobradas nos fundos de investimentos para evitar saques de investidores de fundos de investimentos migrando para a poupança. Outra saída é o governo alterar a forma de cálculo do rendimento, que atualmente rende a Taxa Referencial mais 6% ao ano. Em abril, por exemplo, a poupança rendeu 0,55%, empatando com fundos de renda fixa.
De um lado os bancos sem ânimo para baixar as taxas que remuneram a administração dos recursos dos fundos. De outro o governo temeroso de que os principais compradores de títulos públicos, os fundos, deixem de aplicar nos papéis do governo, que rendem em média 11% ao ano, para ter um rendimento maior na caderneta de poupança. Deste rendimento, o banco cobra uma taxa de administração e o governo imposto de renda. A poupança, isenta de taxas e imposto, totaliza, em média, 7% ano ano. Ou seja, dependendo das taxas cobradas a rentabilidade da poupança pode superar a dos fundos.
Segundo cálculos de consultores, um fundo de investimento em renda fixa, com ativos aplicados por mais de um ano para considerar tributação de 20% de imposto de renda, com taxa de administração de 1,5% já começa a apresentar uma rentabilidade líquida igual a da tradicional caderneta. Os fundos de previdência para pequenas quantias costumam cobrar taxas de administração entre 1,5% e 2,5% ao ano sobre o patrimônio e também cobram a taxa de carregamento sobre os aportes.
A vantagem dos produtos vendidos pelas empresas de previdência, PGBL e VGBL, é o benefício fiscal, argumentam os executivos. “É possível ganhar mais na previdência porque se paga menos imposto. A caderneta não é tributada sobre o ganho, mas tem um rendimento limitado”, diz Nascimento.
Para ilustrar sua afirmação, o executivo usa o exemplo de um pai que quer poupar para a educação do filho. O PGBL permite o abatimento de até 12% da renda bruta na declaração anual completa de imposto de renda. Ou seja, o participante poderá reduzir o valor do imposto a pagar ou aumentar a restituição de IR. Ao aplicar em um VGBL, a cobrança do imposto será sobre o rendimento e não sobre o valor total como no PGBL. Usando a tabela progressiva, é possível recuperar o imposto pago na declaração anual de ajuste caso o jovem ainda esteja fora do limite de renda exigido pela Receita Federal ao ter o abatimento de despesas com educação. “A sofisticação tributária tem um grande efeito para quem a entende”, diz o executivo da Itaú Unibanco.
Além do argumento do incentivo fiscal, as empresas correm atrás de diferenciais para conquistar os clientes da caderneta. As taxas e o valor mínimo dos depósitos mensais são as primeiras iscas. A Caixa Seguros, de olho no pequeno investidor da caderneta de poupança, baixou o valor do depósito mínimo de R$ 50 para R$ 25, informa Juvêncio Braga, diretor de previdência da Caixa. “Nossas taxas também estão sendo realinhadas. Hoje temos taxas de carregamento de 0,7%”.
Na Porto Seguro, o diferencial vem da cobrança da taxa de carregamento feita somente na saída. E se a aplicação superar 60 meses, o custo é zero, informa Silas Kasahaya, gerente comercial de Vida e Previdência da Porto Seguro. Parece um benefício banal, mas não é. No investimento de longo prazo e com juros reais baixos, qualquer ponto percentual faz uma grande diferença.
Uma contribuição de R$ 500 mensal, por exemplo, vai toda para a reserva. Se houvesse cobrança da taxa de carregamento, de 3%, por exemplo, a reserva contaria com R$ 485. Ao final de 20 anos, considerando-se uma taxa de juro de 10% e 1,5% de taxa de administração anual, a reserva será de 296,4 mil. Se considerar a taxa de carregamento, o valor acumulado cairá para R$ 287 mil. Quase R$ 10 mil de diferença.
A Brasilprev, braço de previdência do Banco do Brasil, lançou um simulador para facilitar a compreensão do consumidor sobre o efeito dos juros compostos, ou seja, juros sobre juros. Com poucos cliques o internauta pode saber quanto precisa depositar mensalmente para ter uma poupança no período que desejar. “O sistema mostra qual o plano mais apropriado, bem como o fundo que os recursos serão alocados”, informa em nota o diretor de produtos e mercado da Brasilprev, José Eduardo Vaz Guimarães.
Segundo Edson Franco, diretor de previdência do Santander, uma das vantagens do plano de previdência é a flexibilidade. “É possível interromper a contribuição em um momento de dificuldade e fazer aportes esporádicos quando tiver uma renda extra para seguir o objetivo de acumulação traçado no início do investimento”, diz.
A Icatu Hartford criou um serviço diferenciado para clientes e não clientes. Trata-se do site www.felicidadeinternabruta.com.br. Nele é possível acompanhar dicas de como cuidar bem do bolso, da mente, do corpo e do mundo. Uma delas é investir em alguma coisa que você só vai usar no futuro.
A MetLife lançou um produto que calibra as aplicações de acordo com a idade dos clientes. Quanto mais jovem, maior o percentual investido em ações. E quanto mais próximo de atingir o objetivo, maior é a fatia da renda fixa para que o participante não corra o risco de ter uma baixa dos mercados acionários e ficar sem tempo de recuperar.
Renato Russo, vice-presidente da SulAmérica, e Bento Zanzini, vice-presidente da Mapfre, enumeram outras vantagens das empresas independentes, como a variedade de gestores de recursos, taxas de rentabilidade mais competitivas, custos menores e treinamento do canal de distribuição de produtos. Ambos afirmam investir muito no treinamento dos corretores para que eles sejam consultores financeiros de seus clientes.
A conquista de novos clientes é uma boa oportunidade para os corretores, que ainda evitam o produto. Podem aumenta a receita com a comissão, melhorar o relacionamento com a seguradora e ajudar seus clientes a formarem uma poupança para realizarem projetos no futuro. “Mas a previdência é um bom investimento no longo prazo e para quem usa os benefícios fiscais”, alerta Renato Russo. Para quem tem poucos recursos e corre o risco de precisar sacar no curto prazo, a velha e tradicional caderneta é a mais recomendada.
*Artigo publicado na revista Apólice - Maio 2009
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Yasuda capitalizará Marítima em R$ 200 milhões
Por Denise Bueno em 20/05/2009

A Marítima Seguros divulgou hoje comunicado sobre o acordo de compartilhamento de seu controle acionário com a Yasuda Seguros. Segundo a nota, a associação, que depende da aprovação da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Agência Nacional de Saúde (ANS), mantém a independência operacional das empresas.
A Marítima será capitalizada em R$ 200 milhões pelo grupo japonês e fará oferta privada para aquisição das ações dos minoritários pelo mesmo valor por ação da capitalização, o que fará com que a operação atinja até R$ 336 milhões.
Várias foram as tentativas de estrangeiros e grupos locais para a compra da Marítima, uma seguradora independente, considerada uma das mais atualizadas em tecnologia e com um relacionamento sólido com os corretores de seguros. Foi por cinco anos sócia da americana Nationwide, parceria rompida em 2005. Depois disso, o grupo passou a analisar algumas parcerias propostas por grupos locais e estrangeiros. No entanto, a exigência da família Vidigal em manter o controle e o preço esfriavam as conversas com os vários candidatos.
Em 2007, no entanto, com a divulgação de novas regras de capital mínimo que começariam a valer em 2008, a capitalização da Marítima se tornou uma necessidade. Em março do ano passado, a Marítima fez um aporte de R$ 76 milhões para adequar a companhia as normas de exigências de capital mínimo da indústria de seguros. O grupo vinha tentando fazer IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) desde 2007. Com a piora do cenário externo para captações, optou pela emissão de bonds, estratégia abortada com o endurecimento da crise financeira.
A presidência da diretoria e do Conselho de Administração da Marítima Seguros continuarão a ser exercidas por Francisco Caiuby Vidigal e a Vice-presidência, por Francisco Caiuby Vidigal Filho. A nota diz que a companhia manterá os diretores estatutários e agregará dois novos diretores, também estatutários, indicados pela Yasuda. O Conselho de Administração será compartilhado entre a Família Caiuby Vidigal e a Yasuda, com três conselheiros cada uma.
A Marítima, que por cinco anos teve uma parceria com a americana Nationwide na área de vida, contará agora com o know-how internacional em seguros do Grupo Sompo Japan, através da Yasuda Seguros.
O J.P. Morgan atuou como assessor financeiro da Marítima Seguros S.A. e Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados atuou como assessor jurídico.
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Como será a aposentadoria daqui a 20 anos?
Por Denise Bueno em 19/05/2009
Criar um provável cenário de aposentadoria e saúde para daqui a 20 anos. Este é o desafio de um grupo de trabalho internacional do qual a Mercer, uma das principais consultoria de benefícios do mundo, faz parte, juntamente com a OCDE e outros colaboradores.
Robert Dumas, especialista da Mercer, que participa do desafio, detalhou a primeira fase do trabalho durante palestra no seminário Mercer, Gerenciando o plano de previdência em um cenário de incertezas, realizado hoje em São Paulo.
”É mais fácil projetar um futuro distante atualmente”, comentou o especialista em previdência para uma platéia composta por mais de 200 executivos de Recursos Humanos. Os estudos iniciaram há pouco tempo e está na primeira fase, onde seis grupos, entre eles governo, empresas e famílias, estão sendo pesquisados.
Para tal previsão, diante de tanta voltatilidade verificada nos últimos meses com a crise financeira, o grupo traça três possibilidades, considerando principalmente as diferenças demográficas, as inovações financeiras, as mudanças climáticas, os sistemas de previdência em cada país, entre outros. No entanto, todas as variáveis levam em conta o crescimento econômico e as atitudes sociais e políticas de cada país.
O primeiro cenário é “Os vencedores e o resto”. Ou seja, um grande crescimento global atrasará as consequências da explosão demográfica, mantendo os sistemas oficiais generosos. No entanto, o déficit do sistema oficial é mantido, forçando os governos a empurrar a população para uma poupança individual. Neste cenário, as pessoas mais qualificadas terão um plano privado administrado com um grau acentuado de sofisticação de riscos e retorno, e os menos qualificados teriam o beneficio mínimo do governo.
“Todos no mesmo barco” é o segundo cenário. Crescimento moderado, retorno sobre capital mais baixo e busca por instrumentos moderadores seriam o tom deste período. Nos países desenvolvidos haveria uma reforma do sistema oficial, com aumento da idade de aposentadoria e planos sustentáveis. Nos países em desenvolvimento seria a mesma realidade, com melhora da qualidade dos serviços.
O terceiro cenário seria “Cada um por si”. Neste mundo, o grupo de estudo projeta uma prolongada recessão, até 2020, dificuldade fiscal com os serviços de pensão e de saúde públicos, exigindo medidas agressivas dos governos para passar a responsabilidade para os indivíduos. A oferta de uma garantia mínima por parte dos governos e enfoque para melhorar a educação financeira para a população poupar mais seriam as prioridades de governos e empresas para ter um futuro com menos custos sociais envolvendo a aposentadoria e saúde da população.
Na fase dois do programa a missão do grupo será criar opções para melhorar a sustentabilidade dos planos de pensão e de saúde, como gerenciar melhor os gastos, aumentar a idade de aposentadoria, opções de transferência de riscos para seguradoras e mercado financeiro e assim fortalecer a poupança individual da população, o que definirá a situação econômica e social de cada pais.
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Lucro da indústria de seguros cresce 24% no tri
Por Denise Bueno em 16/05/2009
A crise financeira global pouco afetou a indústria de seguros brasileira em lucro e faturamento até o momento. Mas os balanços do primeiro trimestre já começaram a apresentar um viés de baixa. Praticamente todas as maiores seguradoras apresentaram lucro no trimestre, mas o índice combinado (faturamento menos indenizações de despesas), que mede a eficiência operacional das companhias, já começa a apresentar piora. Quanto mais próximo de 100%, pior.
Segundo informou a Porto Seguro na divulgação do balanço, o volume de roubo e furto de carros já apresentou alta no trimestre. Aliado a isso, as seguradoras têm dificuldade em aumentar o preço do seguro em razão do desemprego e o lucro com investimentos apresenta queda com o ciclo decrescente da taxa básica de juros, principal índice de correção das reservas das companhias.
Segundo estudo da Siscorp, o lucro líquido do setor no trimestre foi de R$ 2,1 bilhões, alta de 24%. No entanto, o lucro registrado pela Tokio Marine, de R$ 377 milhões, distorce as estatísticas, uma vez que o valor é fruto da venda da participação do grupo japonês na Real Tokio Marine Vida e Previdência para o banco espanhol Santander.
Em faturamento, o setor totalizou R$ 21 bilhões, evolução de 4%, sem considerar o seguro saúde. Seguros movimentou prêmios de R$ 7,9 bilhões, crescimento de 8%. Vida e previdência foi responsável por contribuições e prêmios de R$ 10,9 bilhões e títulos de capitalização acumularam vendas de R$ 2,1 bilhões.
A divulgação de balanços trimestrais no Brasil só foi feita por seguradoras ligadas a bancos ou com ações em bolsa, como Porto Seguro e SulAmérica. Os destaques dos balanços nacionais ficaram com Bradesco e Itaú com queda no ganho, e Porto Seguro e JMalucelli com alta.
O lucro da Bradesco Seguros e Previdência chegou a R$ 650 milhões no primeiro trimestre de 2009, alta de 2,74% em relação ao mesmo período do ano passado. Isso representou 38% do lucro líquido de R$ 1,7 bilhão do conglomerado agora presidido por Luiz Carlos Trabuco Cappi. O grupo faturou R$ 5,5 bilhões no trimestre, com seguros, previdência e capitalização.
A Itaú Unibanco Seguros, que tem José Rudge no comando da integração das operações de seguros, respondeu por 7% dos resultados. Durante coletiva de imprensa, o porta voz do Itaú afirmou que há espaço para crescer, principalmente explorando os clientes do próprio banco. Os prêmios cresceram 6% em comparação a dezembro. O lucro do segmento ficou em R$ 293 milhões, alta de 10,6%.
A área de seguros e de resseguro do Paraná Banco, controlador da JMalucelli Seguradora e JMalucelli Resseguradora, respondeu por 55% do lucro líquido de R$ 20 milhões do grupo no primeiro trimestre deste ano, percentual muito acima da contribuição de 31% registrada no quarto trimestre de 2008. O volume de prêmios totais emitidos pela JMalucelli Seguradora em 75,7%, para R$ 85,2 milhões.
Mundialmente, o grande destaque ficou para o prejuízo da AIG, reduzido em 44%, e para as perdas de US$ 1,5 bilhão da Berkshire Hathway, do megainvestidor Warren Buffett, que teve a primeira perda desde 2001. Nos primeiros três meses do ano, a empresa registrou perdas de US$ 4,35 bilhões. O resultado é 93% inferior ao obtido no quarto trimestre de 2008: US$ 61,7 bilhões, o maior prejuízo de uma empresa norte-americana para um trimestre.
Tiveram redução no lucro Munich Re, Scor, Swiss Re, Zurich e Liberty. Já Hannover Re, Everest e ACE divulgaram ganhos maiores. As corretoras de seguros – Aon, Marsh e Willis - registraram queda nas vendas, mas mantiveram o lucro.
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AIG divulga perdas e recomeço com a AIU
Por Denise Bueno em 08/05/2009
A American International Group (AIG) divulgou perdas de US$ 4,35 bilhões no primeiro trimestre deste ano, uma melhora comparada ao prejuízo de US$ 7,8 bilhões o mesmo período anterior e dos US$ 60 bilhões do último trimestre de 2008.
O CEO Edward M. Liddy informou em nota divulgada no site do grupo que o resultado reflete o esforço do corpo executivo para tornar a companhia, controlada pelo governo americano desde setembro do ano passado, rentável e devolver aos contribuintes americanos o capital injetado pelo Federal Reserve, superior a US$ 180 bilhões.
Lidds também informou que a direção da companhia tem acelerado o processo de tornar a AIU uma holding distinta do grupo para num futuro próximo iniciar o processo de IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês). A AIU Holdings concentrará as operações de seguros comerciais da AIG, operações internacionais, e unidades de clientes especiais, com participação também da empresa de leasing e na resseguradora Transatlantic.
No Brasil, país que tem sido o porto seguro dos grupos seguradores estrangeiros que amargam perdas com a crise financeira, o grupo AIU deu início nesta semana a um processo de reposicionamento estratégico. O comando da AIU no Brasil ficará a cargo de Guillermo León, que há 30 anos atua no grupo, enquanto para o Conselho de Administração foi eleito Cesar Saad, executivo com mais de 35 anos de experiência e ampla atuação no mercado de seguros, ressaltou a nota divulgada no Brasil.
O Unibanco comprou a participação da AIG na Unibanco Seguros por US$ 820 milhões logo após a fusão com o Itaú. A parceria entre Unibanco e AIG tinha 11 anos, período em que houve a expansão de 1% para 8% de sua participação no mercado brasileiro de seguros e previdência, principalmente em seguros de grandes riscos. Agora, o grupo AIG inicia uma carreia solo no Brasil, com escritório em São Paulo, por meio da seguradora AIU Seguros, nova denominação da AIG Brasil, e com a American Home, uma resseguradora admitida. Segundo a nota, as duas companhias obtiveram receita de prêmios superior a R$ 110 milhões nos quatro primeiros meses de 2009.
A holding é líder internacional em seu segmento de atuação, contando com 90 anos de experiência. As operações das seguradoras que hoje a constituem alcançaram, em 2008, patrimônio líquido de US$ 38 bilhões e receita bruta de prêmios de seguros de mais de US$ 50 bilhões e liquida de US$ 36 bilhões. O grupo conta com 44 mil funcionários, operações em 130 países e jurisdições e com portfólio de mais de 500 produtos e serviços disponíveis em todo o mundo.
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Ganho da Zurich recua 75% no trimestre
Por Denise Bueno em 08/05/2009
O grupo suíço Zurich Financial Services divulgou hoje queda de 75% no lucro líquido do primeiro trimestre do ano, para US$ 362 milhões, comparado com US$ 1,42 bilhão do mesmo período do ano anterior. O lucro operacional recuou 40%, para US$ 1 bilhão. Os prêmios brutos em ramos elementares recuaram 12%, para US$ 9,8 bilhões, e o índice combinado da operação ficou em 95,8%. Em vida, os prêmios evoluíram 2%, para US$ 5,5 bilhões.
Segundo o CEO James Schiro informou na nota divulgada pelo grupo, “o resultado apresentado mostra a melhora contínua da solidez do grupo diante das turbulências financeiras e revela a nossa habilidade em manter nosso nível de solvência”.
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Perda com investimentos reduz lucro da Liberty
Por Denise Bueno em 08/05/2009
As vendas do grupo Liberty Mutual no primeiro trimestre deste ano evoluíram 7,6%, para US$ 7,03 bilhões, crescimento de US$ 521 milhões sobre mesmo período de 2008. O lucro líquido, excluindo-se as perdas provenientes da desvalorização de ativos, foi de US$ 270 milhões, comparada a US$ 321 milhões no ano anterior. O lucro líquido final do trimestre foi de US$ 28 milhões e os ativos avançaram em US$ 414 milhões sobre dezembro, totalizando US$ 104,7 bilhões. Um resultado significativo, levando-se em consideração a queda de 6% no PIB americano.
No entanto, as perdas com catástrofes e com investimentos reduziram a rentabilidade no período. As indenizações no período passaram de US$ 166 milhões para US$ 326 milhões nos três primeiros meses do ano. Além disso, a volatilidade dos mercados acionários e os efeitos da crise financeira causaram perdas financeiras de US$ 373 milhões, comparada ao ganho de US$ 60 milhões em mesmo período do ano passado.
“O resultado operacional do Grupo mostra o nosso foco contínuo em crescer com rentabilidade. No entanto, nós sentimos o impacto negativo do mercado de capital como mostra a queda nos valores dos ativos de nosso portfolio de investimento”, disse o CEO do grupo Edmund Kelly, em nota divulgada sobre os resultado do trimestre. E completou: “A recente aquisição da Safeco resultou em crescimento de receitas e melhorou nossos resultados o que demonstra que a integração está atingindo nossas expectativas.”
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Seguro gera 55% do lucro do Paraná Banco
Por Denise Bueno em 07/05/2009
A área de seguros e de resseguro do Paraná Banco, controlador da JMalucelli Seguradora e JMalucelli Resseguradora, respondeu por 55% do lucro líquido de R$ 20 milhões do grupo no primeiro trimestre deste ano, percentual muito acima da contribuição de 31% resgistrada no quarto trimestre de 2008. Segundo nota divulgada pelo Paraná Banco, a crise financeira estimulou a
demanda por seguro garantia, tendo em vista que a instabilidade financeira limitou o acesso a fiança bancária, substitutivo direto do seguro garantia.
Além disso, diz a nota, o governo federal vem investindo no setor de infraestrutura, como medida anticíclica, e estes são projetos que demandam a contratação do seguro garantia. Este cenário, aliado a estratégia do grupo em atuar em resseguro, contribuiu para elevar o volume de prêmios totais emitidos pela JMalucelli Seguradora em 75,7%, para R$ 85,2 milhões.
Um dos destaques do grupo na área de seguro neste primeiro trimestre foi a criação de uma holding operacional, a JMalucelli Participações em Seguros e Resseguros, que desde janeiro de 2009 concentra toda a estrutura funcional e organizacional comum das três empresas: JMalucelli Seguradora, JMalucelli Re e JMalucelli Vida e Previdência. Segundo o banco, esta estrutura permite, além dos ganhos de produtividade e escala, a manutenção de políticas uniformes de subscrição e análise de crédito, mantendo a independência comercial e técnica. A JMalucelli Vida e Previdência deverá ser convertida para JMalucelli Seguradora de Crédito após homologação do órgão regulador.
Segundo dados disponíveis na Susep até fevereiro de 2009, a JMalucelli Seguradora detinha 51,3% de participação de mercado, em prêmios emitidos, e sinistralidade de 1,0%. A JMalucelli Seguradora possui ratings A-(Bra), perspectiva Positiva, pela Fitch Ratings e BrA- / estável pela Standard & Poors.
Cerca de 94% dos prêmios emitidos pela JMalucelli Re foram provenientes da seguradora do grupo, sendo o restante originado por outras seguradoras nacionais. O volume de prêmios de resseguros emitidos totalizou R$ 61,6 milhões, lucro líquido de R$ 3,6 milhões e ROAE anualizado de 20%. Classificada como resseguradora local, a JMalucelli Re está no grupo de resseguradoras que tem o direito de primeira recusa de 60% dos prêmios ressegurados até 2012 e 40% após este período, segundo regulamentação do setor.
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Fôlego jovem*
Por Denise Bueno em 01/05/2009
Garantir a educação dos filhos está no topo da lista de preocupações de pais e avós quando o assunto é o futuro. “Fiz um plano de previdência para Gabriela e Luiz Gustavo logo que nasceram”, conta o atleta e empresário que acaba de lançar o livro para crianças “Tchibum!”, Gustavo Borges.
O nadador recordista em medalhas das Copas do Mundo (31, ao todo) e a esposa Bárbara (foto) esperam poder pagar a faculdade das crianças sem mexer no fundo, deixando a poupança para ser usada como um presente de formatura. “Mas, como o futuro é imprevisível, optamos por garanti-lo agora”, diz.
Assim também desejam os pais dos gêmeos Rafael e Daniela. O susto foi tão grande com a gravidez de gêmeos que até o plano de previdência veio em dose dupla. “Quando fui contar para meu sogro que tinha começado a poupança para garantir a educação das crianças, ele me disse que também havia adquirido o mesmo produto financeiro para elas”, conta Alexandre Pereira dos Santos. A mãe, Renata Húngaro, agradece, pois qualquer iniciativa para assegurar a educação dos filhos é preciosa, ainda mais num cenário profissional tão competitivo como o atual.
Motivado pela maior consciência dos pais em garantir uma educação diferenciada aos filhos, o segmento de previdência infantil cresce em média mais de 50% ao ano, passando de R$ 833 milhões em 2005 para R$ 2,9 bilhões em 2008. Já os planos voltados para aposentadoria registraram evolução média de 18% no mesmo período, encerrando 2008 com contribuições de R$ 31,8 bilhões e reservas superiores a R$ 140 bilhões.
“Hoje, de cada R$ 1 milhão destinados a planos de previdência, quase R$ 100 mil são investidos em planos para menores. Há 4 anos, eram R$ 40 mil”, compara Lúcio Flávio Conduru de Oliveira, diretor geral responsável pela Bradesco Vida e Previdência, dona de 63,7%, ou seja, mais da metade de toda a receita de planos para menores arrecadada no ano passado.
Uma das explicações para o interesse é que os pais despertaram para a necessidade de poupar. “A educação não se restringe a escola. É fundamental que ela seja dada em casa. E mexer com dinheiro é um dos pontos mais importantes da educação de uma criança”, diz Willian Eid, especialista em finanças pessoais da Faculdade Getúlio Vargas e autor de diversos livros.
A primeira lição que os pais podem dar aos filhos é a da disciplina. Uma recente pesquisa da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) mostrou que as pessoas tendem a poupar mais em momentos de crise. Por isso, o setor de previdência privada tende a sofrer impacto menor que outros setores com a desaceleração da economia e a evolução do desemprego. As estatísticas mostram que em momentos de dificuldades os saques ou suspensão dos depósitos ficam dentro da média nos planos de aposentadoria mas são raros nos planos infantis. “Se o pai precisa de recursos, busca em outras aplicações para evitar mexer na poupança do filho”, afirma Luis Martinez, gerente de produtos de previdência Icatu Hartford.
Outro ponto positivo para o setor é a intenção do governo em mudar o cálculo da rentabilidade da caderneta de poupança. “Sempre é o momento certo de pensar no futuro. As pessoas vão refletir sobre suas aplicações e perceberão as vantagens tributárias da previdência como uma aplicação de longo prazo”, diz Tarcísio Godoy, presidente da Brasilprev e diretor da Fenaprevi. Com tais justificativas, a estimativa da entidade é de contribuições de R$ 35 bilhões em planos de previdência em 2009, mantendo a expansão de 13% registrada em 2008, com o jovem vitalizando a demanda.
Para quem acha que a educação é o melhor investimento que se pode fazer para os filhos é bom pesquisar bem antes de contratar um plano. E mesmo aqueles que já o têm, como Gustavo Borges, precisam ficar atentos às novidades lançadas pelas empresas. “Será que estou pagando taxas muito elevadas por ter um plano antigo?”, questiona Borges ao parar para pensar no assunto.
É bom investigar, recomendam os analistas, pois a competição entre as empresas está acirrada. De um lado, grandes grupos beneficiados pela solidez diante da crise. Por outro, empresas independentes, com estrutura mais enxuta e que buscam atrair o consumidor com gestores diferenciados, isenção de taxa de carregamento, rentabilidade acima da média e serviços.
Antes de tomar qualquer decisão, é preciso ter em mente o objetivo para aproveitar o benefício fiscal que os produtos de previdência oferecem. “O Brasil tem os melhores incentivos fiscais do mundo. É preciso entendê-los. Quem souber usar, otimizará os ganhos no longo prazo”, afirma Osvaldo do Nascimento, diretor de produtos de previdência do Itaú Unibanco, que conta com mais de 250 mil planos para jovens em carteira.
O PGBL é indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda. Ele permite o abatimento de até 12% da renda bruta. Já o VGBL tem o ganho tributado no saque. É possível optar por duas tabelas de IR. A regressiva tem tributação de 35% de IR sobre os rendimentos no primeiro ano e cai para 10% no décimo ano, alíquota menor do que a aplicada em fundos de investimentos, de 15%. Já a tabela progressiva é mais indicada para quem vai compensar a alíquota de até 27,5% sobre os rendimentos na declaração anual de IR. “São vantagens importantes e que ficaram ainda mais competitivas com a tabela regressiva de Imposto de Renda”, diz Juvêncio Braga, diretor da Caixa Seguros.
O plano de previdência, ao contrário de outros produtos financeiros, traz a possibilidade do titular de agregar um seguro de risco, por um custo próximo a 2% do aporte mensal. “Em caso da morte ou invalidez do titular, o filho receberá o valor total previsto pelo participante”, explica Edson Franco, diretor de produtos de previdência do grupo Santander, onde o plano infantil representa 5% da base total de clientes de previdência, com reservas de R$ 47 milhões.
Este foi o diferencial que atraiu o casal de médicos Vera Lúcia Tavares Nakamura e Marcelino Yoshikazu. “Além dos benefícios fiscais, poder agregar um seguro de vida que complete o valor que estimamos que será necessário para nosso filho cursar o ensino médio no exterior foi decisivo para a nossa opção de poupança”, conta a endocrinologista Vera Lúcia. “E é melhor poupar desde já, pois estou com 46 anos. Daqui a dez, quando ele for para a universidade, terei 56 anos e a disposição para fazer plantões e ter uma renda extra diminui muito.”
Quanto mais cedo se começa a poupar, maior será o efeito no longo prazo. O fim da inflação trouxe mais transparência aos ganhos das aplicações financeiras, facilitando a comparação entre fundos. “E a portabilidade existe não só para celular e plano de saúde. Ela também existe para a previdência. Quem não estiver satisfeito com rentabilidade ou com os serviços prestados pode mudar, sem qualquer custo”, diz Bento Zanzini, vice-presidente responsável por vida e previdência na Mapfre Seguros, que viu sua carteira crescer no primeiro trimestre deste ano, principalmente pela portabilidade.
Mais recentemente, com a queda da taxa básica de juro, a Selic, o investidor passou a ter mais clareza ainda do efeito multiplicador dos juros. Um cálculo tradicional dos consultores financeiros mostra que um rendimento de 1% ao mês durante dez anos significa 230% no final do período em razão dos juros compostos, ou seja, juros sobre juros.
Segundo cálculos de Edson Lara, diretor de varejo do HSBC Seguros, quem comprar um plano para o filho assim que nascer e projetar uma renda de R$ 60 mil aos 18 anos - valor estimado do custo de uma universidade -, terá de fazer aportes mensais de R$ 130. Se começar esta poupança quando o filho tiver dez anos, terá apenas oito anos para compor os R$ 60 mil e precisará contribuir mensalmente com R$ 480, considerando-se rentabilidade anual de 6%.
Por isso, é bom ficar de olho nas taxas cobradas pelas empresas, pois meio ponto percentual faz uma grande diferença no longo prazo. A taxa de administração é cobrada anualmente sobre o patrimônio e a de carregamento é aplicada sobre os aportes. A concorrência tem feito com que várias empresas isentem os clientes com aportes elevados da taxa de carregamento. A taxa de administração, que há pouco tempo superava 4%, pode ser encontrada por menos de 1% ao ano.
Novos benefícios fiscais para tornar o produto ainda mais atrativo são negociados com o governo. A Fenaprevi tenta convencer o governo de que dar incentivos para educação e saúde desonera o governo, a medida empurra as pessoas para a iniciativa privada. “Estimular a poupança de longo prazo é um benefício enorme para as pessoas e também para o governo”, diz Renato Russo, vice-presidente da SulAmérica e da Fenaprevi.
Além disso, o estímulo amenizaria os impactos diretos na previdência oficial no longo prazo. O tema “custo da educação” tem tido o poder de mudar o futuro de um país. Ele tem sido muitas vezes um fator decisório no planejamento familiar. Já se tornou rotina escutar a célebre frase “se não fosse tão caro educar, teria outro” de mães de filho único. E o efeito de baixa natalidade pode ser devastador para um país. Afinal, quem alimentará a receita da previdência oficial para pagar os benefícios dos idosos de amanhã?
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