Em busca do poupador da caderneta*

Por Denise Bueno em 29/05/2009

images7O anúncio de que o governo realmente vai mudar a forma de calcular o rendimento da velha caderneta de poupança criou um clima de grande expectativa entre as empresas de previdência privada aberta. A grande questão é como atrair a atenção dos investidores que questionam mudar o perfil de investimento diante das mudanças. Afinal, a caderneta totalizou em abril deste ano patrimônio superior a R$ 270 bilhões. Quase o dobro do volume depositado em fundos de previdência aberta, com pouco mais de R$ 140 bilhões.

“A previdência aberta é o melhor investimento de longo prazo do Brasil em razão dos benefícios fiscais que o governo concede”, dispara Osvaldo do Nascimento, diretor de previdência do Itaú Unibanco (foto). “Quem sabe usar o benefício concedido pelo governo ganha dinheiro. Mas é preciso se planejar. Se sacar antes pode perder a vantagem fiscal”, acrescenta o especialista no assunto.

O ciclo de queda da taxa básica de juro da economia, com a Selic em 10,25% em abril, acabou tornando a caderneta de poupança mais rentável que algumas aplicações financeiras de renda fixa. Para que o produto continue voltado para o pequeno investidor, os bancos teriam de baixar as taxas cobradas nos fundos de investimentos para evitar saques de investidores de fundos de investimentos migrando para a poupança. Outra saída é o governo alterar a forma de cálculo do rendimento, que atualmente rende a Taxa Referencial mais 6% ao ano. Em abril, por exemplo, a poupança rendeu 0,55%, empatando com fundos de renda fixa.

De um lado os bancos sem ânimo para baixar as taxas que remuneram a administração dos recursos dos fundos. De outro o governo temeroso de que os principais compradores de títulos públicos, os fundos, deixem de aplicar nos papéis do governo, que rendem em média 11% ao ano, para ter um rendimento maior na caderneta de poupança. Deste rendimento, o banco cobra uma taxa de administração e o governo imposto de renda. A poupança, isenta de taxas e imposto, totaliza, em média, 7% ano ano. Ou seja, dependendo das taxas cobradas a rentabilidade da poupança pode superar a dos fundos.

Segundo cálculos de consultores, um fundo de investimento em renda fixa, com ativos aplicados por mais de um ano para considerar tributação de 20% de imposto de renda, com taxa de administração de 1,5% já começa a apresentar uma rentabilidade líquida igual a da tradicional caderneta. Os fundos de previdência para pequenas quantias costumam cobrar taxas de administração entre 1,5% e 2,5% ao ano sobre o patrimônio e também cobram a taxa de carregamento sobre os aportes.

A vantagem dos produtos vendidos pelas empresas de previdência, PGBL e VGBL, é o benefício fiscal, argumentam os executivos. “É possível ganhar mais na previdência porque se paga menos imposto. A caderneta não é tributada sobre o ganho, mas tem um rendimento limitado”, diz Nascimento.

Para ilustrar sua afirmação, o executivo usa o exemplo de um pai que quer poupar para a educação do filho. O PGBL permite o abatimento de até 12% da renda bruta na declaração anual completa de imposto de renda. Ou seja, o participante poderá reduzir o valor do imposto a pagar ou aumentar a restituição de IR. Ao aplicar em um VGBL, a cobrança do imposto será sobre o rendimento e não sobre o valor total como no PGBL. Usando a tabela progressiva, é possível recuperar o imposto pago na declaração anual de ajuste caso o jovem ainda esteja fora do limite de renda exigido pela Receita Federal ao ter o abatimento de despesas com educação. “A sofisticação tributária tem um grande efeito para quem a entende”, diz o executivo da Itaú Unibanco.

Além do argumento do incentivo fiscal, as empresas correm atrás de diferenciais para conquistar os clientes da caderneta. As taxas e o valor mínimo dos depósitos mensais são as primeiras iscas. A Caixa Seguros, de olho no pequeno investidor da caderneta de poupança, baixou o valor do depósito mínimo de R$ 50 para R$ 25, informa Juvêncio Braga, diretor de previdência da Caixa. “Nossas taxas também estão sendo realinhadas. Hoje temos taxas de carregamento de 0,7%”.

Na Porto Seguro, o diferencial vem da cobrança da taxa de carregamento feita somente na saída. E se a aplicação superar 60 meses, o custo é zero, informa Silas Kasahaya, gerente comercial de Vida e Previdência da Porto Seguro. Parece um benefício banal, mas não é. No investimento de longo prazo e com juros reais baixos, qualquer ponto percentual faz uma grande diferença.

Uma contribuição de R$ 500 mensal, por exemplo, vai toda para a reserva. Se houvesse cobrança da taxa de carregamento, de 3%, por exemplo, a reserva contaria com R$ 485. Ao final de 20 anos, considerando-se uma taxa de juro de 10% e 1,5% de taxa de administração anual, a reserva será de 296,4 mil. Se considerar a taxa de carregamento, o valor acumulado cairá para R$ 287 mil. Quase R$ 10 mil de diferença.

A Brasilprev, braço de previdência do Banco do Brasil, lançou um simulador para facilitar a compreensão do consumidor sobre o efeito dos juros compostos, ou seja, juros sobre juros. Com poucos cliques o internauta pode saber quanto precisa depositar mensalmente para ter uma poupança no período que desejar. “O sistema mostra qual o plano mais apropriado, bem como o fundo que os recursos serão alocados”, informa em nota o diretor de produtos e mercado da Brasilprev, José Eduardo Vaz Guimarães.

Segundo Edson Franco, diretor de previdência do Santander, uma das vantagens do plano de previdência é a flexibilidade. “É possível interromper a contribuição em um momento de dificuldade e fazer aportes esporádicos quando tiver uma renda extra para seguir o objetivo de acumulação traçado no início do investimento”, diz.

A Icatu Hartford criou um serviço diferenciado para clientes e não clientes. Trata-se do site www.felicidadeinternabruta.com.br. Nele é possível acompanhar dicas de como cuidar bem do bolso, da mente, do corpo e do mundo. Uma delas é investir em alguma coisa que você só vai usar no futuro.

A MetLife lançou um produto que calibra as aplicações de acordo com a idade dos clientes. Quanto mais jovem, maior o percentual investido em ações. E quanto mais próximo de atingir o objetivo, maior é a fatia da renda fixa para que o participante não corra o risco de ter uma baixa dos mercados acionários e ficar sem tempo de recuperar.

Renato Russo, vice-presidente da SulAmérica, e Bento Zanzini, vice-presidente da Mapfre, enumeram outras vantagens das empresas independentes, como a variedade de gestores de recursos, taxas de rentabilidade mais competitivas, custos menores e treinamento do canal de distribuição de produtos. Ambos afirmam investir muito no treinamento dos corretores para que eles sejam consultores financeiros de seus clientes.

A conquista de novos clientes é uma boa oportunidade para os corretores, que ainda evitam o produto. Podem aumenta a receita com a comissão, melhorar o relacionamento com a seguradora e ajudar seus clientes a formarem uma poupança para realizarem projetos no futuro. “Mas a previdência é um bom investimento no longo prazo e para quem usa os benefícios fiscais”, alerta Renato Russo. Para quem tem poucos recursos e corre o risco de precisar sacar no curto prazo, a velha e tradicional caderneta é a mais recomendada.

*Artigo publicado na revista Apólice – Maio 2009

 

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Brasil é destaque no balanço da Mapfre

Por Denise Bueno em 13/05/2009

images12Os investimentos do grupo espanhol Mapfre na América Latina começam a dar retorno, principalmente agora que o país sede é o que mais tem sofrido com a crise financeira dentro da União Europeia. O lucro mundial totalizou 287 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, praticamente estável ao resultado obtido no mesmo período do ano passado. Os prêmios avançaram 11%, para 4,5 bilhões de euros.

A Mapfre América, unidade que centraliza as operações dos Estados Unidos e da América Latina, foi a grande responsável pelo bom desempenho do grupo. O lucro proveniente das Americas avançou quase 50%, para 29 milhões de euros, elevando o retorno sobre o patrimônio de 9,7% para 10,9%, segundo comunicado do grupo. Os prêmios evoluíram 25,8%, para 1 bilhão de euros, sendo o segmento de ramos elementares responsável por 774 milhões de euros (alta de 20%) e o de vida e previdência por 230 milhões de euros (incremento de 50%). O índice combinado de ramos elementares ficou em 101%, dois pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.

De acordo com o comunicado, a Venezuela se destacou entre os países latinos, com alta de 105% no volume de prêmios, para 187 milhões de euros. Mas o Brasil é o maior mercado, com prêmios de 358 milhões de euros, alta de 9,3%. A operação mexicana crescer 7,7% no período, para 97 milhões de euros. Na Argentina os prêmios da Mapfre cresceram 27%, para 108 milhões de euros e em Porto Rico 9%, para 68 milhões de euros.

Mais detalhes podem ser obtidos na teleconferência de divulgação dos resultados do primeiro trimestre, disponível no site www.mapfre.com, na pagina dedicada aos investidores.

 

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Lucro da Mapfre cresce 33%

Por Denise Bueno em 02/03/2009

A Mapfre Brasil obteve lucro, antes dos impostos e participações, de R$ 280,3 milhões em 2008, 33,2% superior ao de 2007. O lucro líquido da seguradora alcançou R$ 218,6 milhões de janeiro a dezembro do ano passado, incremento de 41,4% sobre o ano anterior. O faturamento em prêmios e contribuições totalizaram R$ 3,6 bilhões, aumento de 20,7%  em relação a 2007.

 

Segundo nota divulgada pelo grupo, os números de 2008 são resultado de uma série de ações e medidas construídas ao longo dos últimos cinco anos, decorrentes de investimentos em tecnologia e capacitação dos colaboradores. “Os investimentos continuarão em 2009 por meio da construção de centros de atendimento para os nossos clientes, além de oferecer novas modalidades de seguros”, afirma o presidente das empresas do grupo Mapfre no Brasil, Antonio Cássio dos Santos.


Os ativos totais consolidados atingiram a cifra de R$ 5,5 bilhões, volume 21,3% superior ao ano anterior. As provisões técnicas cresceram 33% encerrando o ano passado com R$ 3,1 bilhões, e o patrimônio líquido foi incrementado em 8,5%, saindo de R$ 1,305 bilhão para R$ 1,416 bilhão. Já as reservas de previdência alcançaram R$ 1,1 bilhão contra R$ 873 milhões em 2007, um crescimento de 28,2%.

 

As despesas administrativas da companhia mantiveram-se no mesmo patamar de 2007, representando 11% dos prêmios retidos, e o índice de sinistros sobre prêmios ganhos teve uma leve alta de 0,4%, atingindo 52,3% em 2008. A Mapfre ainda atingiu a marca de 97,4% de índice combinado no ano passado, o que representou uma significativa melhora de 1,7% em relação a 2007.

 

Em vida, a seguradora ocupou a terceira posição, com participação de mercado de 11,1%.  No segmento de automóveis, passou a ser a quinta maior colocada, com 6,94% de market share.


Os resultados obtidos pela Mapfre Seguros também apontam crescimento na área de seguros gerais. A companhia encerrou o exercício com aumento significativo, consolidando-se na quarta posição no ranking deste segmento, com 6,57% de participação de mercado. Em garantias e crédito, a Mapfre ocupa a terceira posição, com market share de 8,76%.

 

 

 

 

 

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Microsseguro, apelo mundial*

Por Denise Bueno em 26/12/2007

42-21521755O microsseguro virou a bola da vez para governos e executivos de seguros dos países pobres e dos emergentes. Mundialmente, o assunto ganhou mais força depois de Mohammed Yunus e Grameen Bank serem premiados com o Nobel da Paz em 2006 por desenvolverem ferramentas para impulsionar a microfinanças, onde está inserido o microsseguros. No Brasil, até mesmo o presidente Lula notou que as pessoas de menor renda estão consumindo. “Essas pessoas estão tendo uma ascensão na sua vida social, estão virando consumidores, o que é uma coisa extremamente importante. Quem está indo no shopping percebe que o povo pobre está comprando”, disse ele no programa de rádio “Café com o Presidente”.

Mas, afinal, o que vem a ser microsseguro? “A definição que mais gosto é pela condição social do segurado e não pelo produto oferecido, que abrange da classe C até a E. Nesta faixa, há microsseguros sociais, como o Bolsa Família, e aqueles complementados pela iniciativa privada, como o auxílio funeral, por exemplo”, explica Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre, da FenaPrevi (Federação Nacional de Previdência e Vida) e líder do comitê recentemente criado pela Fenaseg (Federação das Seguradoras) para estudar o assunto. E microsseguro não é filantropia. “É uma oportunidade de inserção social ou manutenção do estatus obtido pela pessoa de menor renda, com rentabilidade para os operadores. As seguradoras lucram com o produto.”

Para José Rubens Alonso, sócio da KPMG especializado em seguros, atingir esses novos consumidores é uma forma que o setor, em todo o mundo, tem para crescer tendo em vista a maturação dos gastos medida pelo consumo per capita no PIB.

A demanda maior da população pobre é por produtos de saúde e vida, seguida pelo seguro do imóvel e cobertura em caso de morte acidental e invalidez, segundo o estudo da MicroInsurance Centre. Entre as quase 80 milhões de pessoas atendidas por microsseguros em todo o mundo, 6,8 milhões são pessoas em saúde, 35,3 milhões em vida, 12,6 milhões para acidentes e invalidez e 7,8 milhões com apólices de residência. O mercado potencial é cerca de 30 vezes maior para todos os produtos.

Tal projeção explica o interesse pelo microsseguro. Os pobres representam a maior parte da população nos países emergentes. Tirá-los da linha de pobreza é um sonho que poucos governos conseguem realizar de fato. E quando conseguem, querem mantê-los nesse patamar para que eles deixem se ser um custo para o Estado e passem a contribuir para a riqueza nacional. E um seguro que ajude a manter a qualidade de vida conquistada por essas pessoas é visto como um dos pilares das estratégias governamentais.
Segundo discurso do ministro das Finanças da Índia, Mr. Sri P.

Chidambaram, durante a Conferência de Microsseguros realizada em outubro, “um dos pilares do forte crescimento da economia do país está em levar ferramentas financeiras às pessoas pobres e o microsseguro é uma delas”. Na Índia, o potencial é estimado em 250 milhões, ou seja, 3% da população pobre do mundo.

No Brasil, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, colocou o seu ministério à disposição dos responsáveis por desenvolver o microsseguro. “O governo é parceiro desta idéia. Nós gostaríamos de ter sugestões de como regulamentar, como implementar, porque temos certeza que a população quer um produto como esse”, disse em evento da Fenaseg.

Para a iniciativa privada, o interesse vem pela inserção de novos consumidores no mercado de seguros, item fundamental para o crescimento do setor. Por isso, as seguradoras buscam identificar tudo que causa aflição nas pessoas para criar produtos. Não ter condições de pagar um enterro digno a um parente. Perder a casa, o emprego. Se machucar e não ter como trabalhar e manter a família. A aflição de pagar as contas do dia-a-dia. Para todas essas situação há um seguro.

Mas, para que o microsseguro seja ofertado em escala, será preciso superar várias barreiras. Entre elas o desenvolvimento de canais de venda baratos, de produtos adequados. Outras barreiras estão relacionadas à percepção das pessoas a respeito de seguro em geral. No Brasil é preciso criar uma regulamentação. “Ela não pode ser tão rígida para poder baratear o custo. Por outro lado, é preciso ter um controle rígido das companhias, pois um problema com solvência poderá deixar milhões de pessoas sem cobertura”, diz o presidente da FenaPrevi.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 26/12/2007

 

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