Ganho da Zurich recua 75% no trimestre

Por Denise Bueno em 08/05/2009

images11O grupo suíço Zurich Financial Services divulgou hoje queda de 75% no lucro líquido do primeiro trimestre do ano, para US$ 362 milhões, comparado com US$ 1,42 bilhão do mesmo período do ano anterior. O lucro operacional recuou 40%, para US$ 1 bilhão. Os prêmios brutos em ramos elementares recuaram 12%, para US$ 9,8 bilhões, e o índice combinado da operação ficou em 95,8%. Em vida, os prêmios evoluíram 2%, para US$ 5,5 bilhões.

Segundo o CEO James Schiro informou na nota divulgada pelo grupo, “o resultado apresentado mostra a melhora contínua da solidez do grupo diante das turbulências financeiras e revela a nossa habilidade em manter nosso nível de solvência”.

 

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Perda com investimentos reduz lucro da Liberty

Por Denise Bueno em 08/05/2009

images16As vendas do grupo Liberty Mutual no primeiro trimestre deste ano evoluíram 7,6%, para US$ 7,03 bilhões, crescimento de US$ 521 milhões sobre mesmo período de 2008. O lucro líquido, excluindo-se as perdas provenientes da desvalorização de ativos, foi de US$ 270 milhões, comparada a US$ 321 milhões no ano anterior. O lucro líquido final do trimestre foi de US$ 28 milhões e os ativos avançaram em US$ 414 milhões sobre dezembro, totalizando US$ 104,7 bilhões. Um resultado significativo, levando-se em consideração a queda de 6% no PIB americano.

No entanto, as perdas com catástrofes e com investimentos reduziram a rentabilidade no período. As indenizações no período passaram de US$ 166 milhões para US$ 326 milhões nos três primeiros meses do ano. Além disso, a volatilidade dos mercados acionários e os efeitos da crise financeira causaram perdas financeiras de US$ 373 milhões, comparada ao ganho de US$ 60 milhões em mesmo período do ano passado.

“O resultado operacional do Grupo mostra o nosso foco contínuo em crescer com rentabilidade. No entanto, nós sentimos o impacto negativo do mercado de capital como mostra a queda nos valores dos ativos de nosso portfolio de investimento”, disse o CEO do grupo Edmund Kelly, em nota divulgada sobre os resultado do trimestre. E completou: “A recente aquisição da Safeco resultou em crescimento de receitas e melhorou nossos resultados o que demonstra que a integração está atingindo nossas expectativas.”

 

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Lucro da Scor Re cai e da Everest Re cresce

Por Denise Bueno em 04/05/2009

s0205-931A safra de balanços da indústria de seguros mundial continua apresentando resultados diferenciados. A maioria das empresas que já divulgou o relatório financeiro tem ressaltado as operações internacionais e a parceria de longo prazo com clientes como fatores positivos dos resultados do primeiro trimestre.

A resseguradora francesa Scor, presente no Brasil como resseguradora admitida para atuar em ramos elementares e também vida, registrou queda de 30% no lucro líquido do primeiro trimestre deste ano, para € 93 milhões. No mesmo período do ano anterior, o ganho do grupo foi de € 133 milhões. A rentabilidade sobre o patrimônio caiu de 15,7% para 11,1%, segundo informa o grupo em seu balanço trimestral.

Os prêmios, por sua vez, cresceram 15,4%, para 1,5 bilhão. Os prêmios de vida totalizaram € 693 milhões, evolução de 12,2%. O índice combinado de ramos elementares subiu um ponto percentual, para 99,4%. Um dos pontos destacados no balanço do grupo foi o crescimento das operações internacionais de ramos elementares e o sucesso das renovações dos contratos no mês de janeiro e abril, quando acontecem as principais negociações da indústria de seguros.

Segundo comentou na nota Denis Kessler, presidente e CEO da Scor, o sucesso das renovações no mês de abril, com incremento de preços de 4,1%, pouco acima dos 3,1% registrados em janeiro, demonstram a seriedade da subscrição e a estratégia do grupo em continuar apresentando resultados e capacidade financeira sólidos em um cenário de crise.

O grupo Everest Re, presente no Brasil como ressegurador admitido, conseguiu elevar em 40% o lucro líquido do primeiro trimestre deste ano, para US$ 108,6 milhões, segundo balanço mundial divulgado pelo grupo. Os prêmios evoluíram em um ritmo menor, passando de US$ 877,5 milhões para US$ 997,8 milhões, alta de 14%. Os prêmios de resseguros puxaram o crescimento, com índice de 19%, enquanto os prêmios de seguros registraram baixa de 3%.

De acordo com a nota divulgada pelo grupo, as operações internacionais puxaram o crescimento das vendas. O índice combinado ficou praticamente estável comparado ao mesmo período do ano anterior, em 89%. Segundo informou na nota Joseph Taranto, presidente da Everest Re, o relacionamento de longo prazo com clientes foi um dos fatores que ajudou o grupo a registrar um resultado sólido mesmo em cenário de crise mundial.

 

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Uma árvore chamada Allianz*

Por Denise Bueno em 01/05/2009

42-21521900Nasce uma árvore especial em meu condomínio. “É preciso salvar o planeta”, dizem os que conhecem a história da árvore batizada de Allianz.

Para a indústria seguradora, a mudança climática já é um fato. É o risco que mais preocupa executivos das seguradoras em todo o mundo quando vão traçar suas estratégias de atuação, desenvolvimento de mercados e precificação de produtos. Seguradores e resseguradores afirmam em seus discursos que o setor mudará radicalmente sua forma de avaliar suas exposições aos riscos diante de uma mudança tão abrupta no clima.

Até 2005, muitas seguradoras não computavam custos com mudanças climáticas em seus preços. No entanto, depois de perdas superiores a US$ 80 bilhões e mais de 150 milhões de pessoas afetadas com catástrofes naturais naquele ano, tendo o furacão Katrina como o principal, muitas passaram a considerar o custo em suas apólices e investir em estudos e campanhas, além de estimular projetos sustentáveis, que respeitem o meio ambiente e a sociedade, com taxas de prêmios mais acessíveis.

Algumas empresas do setor foram além. Querem mais do que apenas criar produtos que reduzam os riscos de prejuízos e insolvência que as mudanças climáticas podem causar. Querem realmente ajudar a salvar o planeta. O grupo Allianz é um dos maiores incentivadores de medidas para reduzir a poluição do planeta. Internacionalmente, informa, o grupo comprometeu-se em reduzir a emissão de CO2 em 20%, até 2012, além de investir 500 milhões de euros em fontes renováveis de energia, assim como em outros projetos sociais e sustentáveis.

O Lloyd’s of London entre várias ações lançou o projeto Risco 360, que tem como meta estudar tendências na freqüência de catástrofes, estimulando discussões sobre como gerenciar o risco no ambiente. Segundo a instituição, com mais de três séculos de experiência em seguros, em 2050 catástrofes como o furacão Katrina se tornarão quatro vezes mais freqüentes do que no início do século.

Em 2005, a Munich Re lançou a “Iniciativa de Seguro da Mudança Climática de Munique”, que reúne seguradores, climatologistas, economistas e organizações independentes (ONGs), com o objetivo de desenvolver soluções do ponto de vista securitário para as perdas crescentes decorrentes de eventos extremos relacionados ao clima.

A Swiss Re, além de um amplo programa relacionado à mudança climática, mantém um banco de dados que associa estatísticas relativas a catástrofes naturais com informação sobre seguros, dados econômicos e um mapa interativo com estimativas sobre o risco climático. O programa de mudança climática da seguradora também se baseia no tripé pesquisa de risco climático, desenvolvimento de produtos e conscientização.

As seguradoras no Brasil começam a avançar em seus esforços. Até 2005, a iniciativa se resumia na economia de luz e uso de papel reciclado. Em 2006, algumas partiram para calcular a emissão de CO2 e plantar as árvores necessárias para neutralizar a poluição gerada pela empresa. Já em 2007, novas atitudes. Porto Seguro e Mapfre auxiliam na vistoria de automóveis e informam motoristas sobre medidas para reduzir a poluição. HSBC e Bradesco Capitalização revertem uma parte da receita de produtos para entidades ligadas a projetos ecológicos e sociais.

Em 2009, o ano começou com atitudes invejáveis. Depois de lançar o Ecoblos, uma biblioteca virtual sobre temas sustentáveis no ano passado, a Mapfre inaugurou em março a Villa Ambiental, primeira iniciativa do governo dentro do Programa Criança Ecológica, que prevê 37 projetos que serão desenvolvidos do Governo do Estado de São Paulo com o apoio da iniciativa privada.

A Allianz lançou o kit digital na Ecogerma – Feira e Congresso de Tecnologias Sustentáveis, organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanhã, realizada em março, em São Paulo. Ele estava entre os vários destaques da feira, ao lado dos elevadores ecoeficiente da ThyssenKrupp, do plástico biodegradável da Basf, da linha de aquecimento solar e de ferramentas à bateria com tecnologia de íons de lítio da Bosch.

Realmente a ação da Allianz é um exemplo para a indústria local de seguros, que já reduziu o envio de papel aos corretores e segurados. Na Allianz, o segurado recebe apenas a carteirinha e pela Internet. O restante está na página da seguradora na web para consultas. O kit imprensa foi entregue em um moderno pen drive. Encantou os jornalistas. E para fechar com chave de ouro, a empresa entregou um cartão de visitas em papel reciclado, com sementes. Ao chegar em casa, anota-se os dados do executivo na agenda e o cartão deve ser picado e plantado em um jardim. Assim nasce a Allianz no meu condomínio.

Mas será que atitudes tão pequenas farão a diferença diante de tantas calamidades previstas com as mudanças climáticas para um futuro próximo? “Sim, todas as atitudes são benéficas. Pequenas atitudes podem mudar o mundo”, respondem prontamente os especialistas. E você, o que está fazendo para ajudar a salvar o planeta?

*Articulista da Revista Apólice

 

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Lucro da ACE cresce 50%, para US$ 567 milhões

Por Denise Bueno em 30/04/2009

images81O grupo ACE Limited registrou lucro líquido de US$ 567 milhões no primeiro trimestre deste ano, 50% acima dos US$ 377 milhões registrados no mesmo período de 2008. O lucro operacional aproximou-se de US$ 670 milhões. Segundo comunicado do grupo, a rentabilidade anualizada sobre o patrimônio ficou em 18,4%. O valor de mercado da ACE registrou alta de 2% no final de março deste ano, para US$ 272 milhões, comparado com dezembro último. O índice combinado das operações de ramos elementares chegou a 87,5%.

Em nota, o CEO Evan G. Greenberg comentou que a ACE teve um bom trimestre, ressaltando o lucro e o ganho operacional. Ele lembrou que a consolidação da compra da of Combined Insurance Company ajudou a fortalecer os resultados do trimestre, assim como pelas taxas de subscrição firmes registradas no período. Mesmo com elevação das taxas, os prêmios registraram pequeno aumento, passando de US$ 2,9 bilhões para US$ 3,1 bilhões. A América do Norte respondeu por US$ 1,4bilhão, operações internacionais por US$ 1,1 bilhão, o segmento de resseguros por US$ 238 milhões e vida por US$ 335 milhões.

O executivo acredita no crescimento do faturamento ao longo do ano. Se por um lado há menos volume de bens para fazer seguro em razão da recessão mundial, os clientes estão buscando alternativas para proteger patrimônio diante da crise.

 

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Recessão impacta balanços de resseguradoras

Por Denise Bueno em 29/04/2009

42-21521781Começou a safra de balanços do primeiro trimestre do ano. A expectativa de analistas em relação ao desempenho das companhias de seguros e de resseguros é de resultados positivos, porém menores do que os registrados em mesmo período do ano passado, quando a crise financeira ainda se espalhava vagarosamente.

Neste ano, as consequências da crise começam a aparecer nos números. O PIB dos EUA, por exemplo, no primeiro trimestre deste ano teve redução de 6%. Como consequência, as seguradoras tiveram menos bens para proteger. O primeiro trimestre do ano também é um período fraco no que diz respeito a ocorrência de catástrofes naturais em países onde a penetração de seguros é elevada, como EUA, países da Europa e Japão.

Boa parte da redução do lucro nas resseguradoras que já divulgaram o balanço do primeiro trimestre vem da perda com investimentos. Já o declínio dos prêmios resulta da desaceleração das economias mundiais e redução dos capitais segurados pelas empresas como contenção de custos.

A resseguradora PartnerRe divulgou lucro líquido de US$ 141,5 milhões no primeiro trimestre deste ano, acima dos US$ 129 milhões do mesmo período do ano passado. Os prêmios no período registraram ligeiro declínio, para US$ 1,3 bilhão. O índice combinado das operações de ramos elementares ficou em 87% no trimestre, melhora de cinco pontos comparado aos 92,3% do mesmo período do ano anterior. Segundo nota da empresa, o retorno sobre o patrimônio foi de 16,9%. Patrick Thiele, CEO do grupo, lembrou, no comunicado, que o primeiro trimestre do ano foi um período sem registro de catástrofes naturais. O balanço completo pode ser consultado no site www.partnerre.com.

O grupo XL Capital, que no Brasil tem uma parceria com o Itaú Unibanco, divulgou lucro de US$ 3 milhões no primeiro trimestre deste ano, diante dos US$ 244 milhões do mesmo período do ano anterios. O balanço traz perdas de US$ 251 milhões nos investimentos do primeiro trimestre deste ano, acima dos US$ 102,3 milhões do mesmo período do ano anterior. Os prêmios registraram declínio de 29,6% no período, para US$ 1,5 bilhão. Em nota, o grupo atribui a perda às condições gerais do mercado de seguros, com a queda dos valores segurados, e também pela desaceleração da economia. O índice combinado ficou em 93%, praticamente estável comparado ao mesmo período do ano anterior. O balanço completo pode ser consultado no site www.xlcapital.com

A Montpelier Re comemorou alta de US$ 300 mil em seu lucro do primeiro trimestre, para US$ 53,2 milhões. Os prêmios líquidos totalizaram US$ 237,8 milhões no período, 7,5% acima do mesmo perído de 2008. O índice combinado, que mede a eficiência da companhia ao considerar faturamento menos indenizações e despesas (quanto mais abaixo de 100% melhor), ficou em 74%, melhor do que os 89,7% do período anterior. O balanço completo pode ser consultado no site www.montpelierre.com

Já a Axis Capital divulgou queda de 49% no ganho do primeiro trimestre deste ano, para US$ 124,9 milhões. A justificativa, segundo comunicado do grupo, foi a perda com investimentos, que chegaram a US$ 40,6 milhões nos três primeiros meses do ano, comparado com ganhos de US$ 35,7 milhões no primeiro trimestre de 2008. Os prêmios tiveram incremento de 6%, para US$ 1,1 bilhão. O índice combinado registrou piora, passando de 81% para 86%. O balanço completo pode ser consultado no site www.axisre.com

 

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Lucro da Chubb cai para US$ 341 milhões no 1º tri

Por Denise Bueno em 28/04/2009

images7O balanço da Chubb Corporation traz uma amostra da deteriorização das classes mais ricas nos Estados Unidos, afetados tanto pelas perdas de investimentos no mercado acionário como pelo desemprego. O grupo, um dos maiores em seguros diferenciados para a alta renda, registrou lucro líquido de US$ 341 milhões no primeiro trimestre de 2009, abaixo dos US$ 664 milhões registrados em 2008.

Os prêmios registraram queda de 7%, para US$ 2,7 bilhões. Desconsidando-se a flutuação cambial, o declínio seria de 2%. Nos EUA, a queda chegou a 5%. Nas operações internacionais, o recuo foi de 12%. Considerando-se as moedas locais, o balanço registra incremento de 5%.

Segundo o balanço divulgado pelo grupo, perdas com investimentos e cancelamentos de seguro de por parte dos clientes em razão da crise foram as principais razões da queda do ganho no primeiro trimestre. O índice combinado foi de 88,1% em 2009. Excluindo catástrofes, o índice combinado do primeiro trimestre foi de 87,2%.

Sobre os resultados, John D. Finnegan, presidente e CEO da The Chubb Corporation afirmou que “mesmo em meio a dificuldades econômicas, a Chubb continuou a apresentar um bom desempenho no primeiro trimestre. Esses números são reflexo do bom desempenho de nossas unidades de negócios e da performance de nossos investimentos, que estão sólidos, apesar da volatilidade do mercado global de capitais”.

 

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O impacto da crise no mercado internacional*

Por Denise Bueno em 27/04/2009

images93Acostumadas a exibir índices de faturamento e de rentabilidade crescentes nos últimos anos, as resseguradoras e seguradoras internacionais terão de suar a camisa para apresentar bons resultados neste ano – principalmente enfrentando um cenário em que a taxa de juros é declinante, o volume de pedidos de indenização ascendente e o mercado acionário, ainda volátil.

“Em 2008 os resultados já não foram bons. E em 2009 veremos balanços ainda ruins”, diz David O’Brien, vice-presidente sênior de Desenvolvimento de Negócios Internacionais da Transamérica-Re, resseguradora especializada em vida, registrada no Brasil como admitida. O pessimismo de David O’Brien tem coro internacional. “Seguradoras e resseguradoras que nunca haviam apresentado perdas foram atingidas nesta crise”, diz Graham Clarke, CEO mundial da Miller Insurance (foto), uma das maiores corretoras de resseguros do Reino Unido, durante visita ao Brasil.

Este cenário vale tanto as empresas que atuam no segmento de vida (life) como em ramos elementares (property & casualty). As consequências da crise financeira internacional, desencadeada pelos Estados Unidos e que já atingiu vários continentes, afetam o balanço das seguradoras em diversos itens, desde o patrimônio das companhias com ações em bolsa – pela acentuada queda do valor dos ativos – até o índice combinado. “A performance das ações das seguradoras de vida tem sido negativa e bem pior do que a média de mercado”, ressalta David O’Brien.

Além dos impactos financeiros, as seguradoras de ramos elementares desembolsaram elevados volumes de indenizações decorrentes da crise, com os pedidos de ressarcimento com apólices de Directors & Officers (D&O), e também para repor prejuízos causados por eventos naturais, o terceiro maior ano em perdas dos últimos tempos, com cerca de US$ 80 bilhões em indenizações, segundo estudo da resseguradora Munich-Re.

Os executivos acreditam em novas notícias negativas sobre dificuldade de instituições financeiras e empresas até o final do ano. Para David O’Brien, o grande desafio das seguradoras será o de manter as vendas elevadas para ter rentabilidade dentro do custo administrativo necessário para retomarem o crescimento com o fim da crise, previsto para 2010 – o que significa ter balanços sólidos. A busca de market share por guerra de preço ou taxas de juros com ativos e passivos descasados, para atrair os detentores de apólices de acumulação de recursos, pode acarretar o rebaixamento de rating pelas agências de classificação. “Sem rating, os corretores deixam de recomendar a seguradora para seus clientes”, afirma.

Este cenário difícil poderá estimular as vendas de resseguro, bem como fusões e aquisições. De 2000 a meados de 2008, explica David O’Brien, as seguradoras buscaram recursos via mercado acionário para se capitalizarem. Até então a opção era a compra de resseguro financeiro para terem índices de alavancagem de acordo com o nível permitido pela regulamentação de solvência. “Como o cenário não é apropriado para emissões em razão dos elevados spreads, a demanda por resseguro tem aumentado”, disse.

E o Brasil? Os estrangeiros entrevistados vieram ver de perto como vai este País que não entrou em recessão no rastro de economias fortes como Estados Unidos, Inglaterra e Japão. Todos reconhecem que o Brasil está muito bem posicionado para enfrentar a crise – seja em termos macroeconômicos ou solvência do sistema financeiro. “Os fundamentos econômicos são sólidos e muitos investimentos têm a promessa de manutenção do Governo como forma de estimular a economia”, diz Benjamin Gentscht, executivo responsável pela área internacional de property & casuality da Scor-Re, quinta maior resseguradora do mundo.

As seguradoras têm seus ativos aplicados em títulos do governo brasileiro, com juro real de 6,5% ao ano, uma das mais elevadas taxas do mundo. E também está livre de catástrofes naturais de grande porte. O País ainda teve o benefício da abertura do resseguro em abril de 2008, que atraiu investimentos de mais de 80 estrangeiros desde então.

Apesar da forte concorrência, as seguradoras brasileiras pulverizam o risco em todo o mercado internacional. Em grandes riscos, o mercado internacional é quem dita o preço do seguro por ficar com a maior parcela do contrato. Sendo assim, o impacto aqui será sentido.

A abertura trará novos produtos e serviços, com certeza, além de novas tecnologias para gestão de riscos. Porém, a manutenção de preços menores com coberturas abrangentes ainda é uma incógnita, segundo a avaliação de diversos executivos reunidos na I Conferência Brasileira de Resseguros, realizada no Rio de Janeiro, no início de março. “Capital escasso, perdas e recessão, redução do volume de contratos – é um cenário propício para a alta de preços e severidade na negociação de coberturas”, explica Paulo Pereira, presidente da Associação Brasileira de Resseguradores (Aber) e representante da Transatlantic-Re no Brasil.

Eduardo Nakao, presidente do IRB Brasil Re, que tem concentrado boa parte dos negócios de resseguros no País, também está reticente quanto a manutenção da queda dos preços, mas aposta no crescimento e prevê prêmios de resseguros de cerca de US$ 2 bilhões para os próximos dois anos. “O setor deve crescer mais que o PIB, principalmente por dois aspectos: a inovação de produtos a serem oferecidos pelos resseguradores no ambiente concorrencial e a demanda de empresários por redução de riscos”.

É um momento e tanto para o Brasil. Principalmente porque o Governo estima investimentos públicos e privados próximos de R$ 600 bilhões dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) até 2010. E esses projetos precisam de seguro e de resseguro para se tornarem sustentáveis.

*Matéria produzida para a Revista de Seguros, da CNSeg, edição janeiro, fevereiro, março/2009

 

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Regulação será mais rígida, diz pesquisa*

Por Denise Bueno em 24/04/2009

images31A indústria de seguros mundial ficará mais regulada. Esta é a conclusão de uma pesquisa feita pela Geneva Association (Associação de Genebra), entidade que reúne cerca de 80 CEOs da indústria de seguros mundial. A pesquisa foi realizada durante encontro que reuniu cerca de 70 especialistas para comemorar o 25º aniversário do grupo de estudo de em regulação, supervisão e questões legais. Entre os profissionais estiveram presentes Peter Braumüller, presidente da International Association of Insurance Supervisors (IAIS) e Roger Sivegny, presidente da National Association of Insurance Commissioners (NAIC), responsável pela fiscalização das seguradoras nos Estados Unidos.

Cerca de 80% dos profissionais acreditam que a crise vai elevar a carga regulatória no futuro; 71% apostam em um comportamento mais protecionista dos países, que afetará os negócios internacionais de seguros; e 57% consideram que as perspectivas de futuro para a venda de seguro por meio de agências bancárias – bancassurance – sejam afetadas pela crise financeira mundial, informa o comunicado da entidade, da qual Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica, e Osvaldo do Nascimento, da Itaú Unibanco, participam.

Segundo secretário geral e diretor da Geneva Association, Patrick Liedtke, o estudo revela que o excesso de regulação é uma ameaça real para a indústria de seguros. Segundo os entrevistados, o padrão contábil é o que mais necessita de revisão. Alguns argumentam que é preciso rever alguns padrões contábeis em razão da crise financeira e outros justificam que é necessária uma mudança para que a real situação da companhia seja mais fidedigna, tornando a leitura do balanço mais realista aos analistas.

Para José Rubens Alonso, da KPMG, o segmento de seguro foi o menos afetado pela crise entre as instituições financeiras. As companhias que sofreram foram as que tinham um perfil de investimento mais agressivo. No Brasil, a regulamentação mais severa, o conservadorismo e as atraentes taxas de juros de títulos de renda fixa blindaram as seguradoras nesta crise. “No Brasil, as seguradoras não aproveitam de todos os limites que têm para aplicar em ativos de maior risco. Por isso, a tendência de aumento de regulamentação é menor no Brasil comparada a expectativa demonstrada na pesquisa da Geneva Association”, diz Alonso.

Outro ponto levantado na pequisa da Geneva Association é se o seguro perderá competitividade para outros tipos de produtos financeiros. Para Alonso não. Pelo contrário. “A transferência de risco por meio de produtos financeiros sofisticados mostrou-se ineficiente e arriscada. Acredito que o seguro ganhe mais espaço como um instrumento de transferência de risco.”

Para o sócio da KPMG, o grande desafio contábil é fazer com que a regra contábil não seja um alimentador de crises em períodos de turbulências. Isso porque as normas determinam que os ativos sejam contabilizados pelo valor justo, que tem como parâmetro o valor de mercado. “No entanto, o valor justo não foi concebido para período de alta volatilidade como o verificado nesta crise”, diz. O mundo ideal é que a regra contábil seja neutra e não alimente a deteriozação dos ativos num ciclo vicioso como o que tem sido observado nesta crise. Um desafio e tanto.

Mais detalhes da pesquisa podem ser consultados no link http://www.genevaassociation.org/PDF/Progres/Questionnaire.pdf

*Matéria produzida com exclusividade para o site www.fenaseg.org.br

 

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Governos podem reduzir perdas com catástrofes*

Por Denise Bueno em 22/04/2009

images13Uma grande preocupação dos governos em todo o mundo em relação a ocorrência de catástrofes é ter um planejamento em como reconstruir o país diante da destruição. Várias medidas podem ser tomadas. Melhorar a atratividade dos seguros oferecidos no país, introduzir alguns seguros obrigatórios, assegurar a idoneidade dos canais de distribuição, investir na conscientização dos riscos a que a população está exposta e também na credibilidade da indústria de seguros.

Trazer soluções para ajudar governos a mitigarem os riscos de vulnerabilidade financeira com catástrofes faz parte do dia a dia de Nikhil da Victoria Lobo, gerente de desenvolvimento de negócios com o setor público, da divisão de riscos financeiros da Swiss Re. “Uma catástrofe pode trazer perdas sérias para o Produto Interno Bruto (PIB) de um país”, comenta o executivo que está no Brasil para participar do Fórum Econômico Mundial, realizado no Rio de Janeiro, onde o debate gira em torno dos impactos da crise financeira na América Latina.

Os governos ficariam menos expostos a um rombo financeiro caso adotassem algumas medidas. Além das já citadas, Nikhil cita outros instrumentos, como ter um canal aberto para a negociação de empréstimos a taxas mais acessíveis, contar com a ajuda de entidades sem fins lucrativos, comprar um programa de resseguro, bem como criar um fundo onde os recursos seriam usados como um adiantamento para a reconstrução da região atingida pela catástrofe.

Os recursos deste fundo teriam o objetivo de auxiliar na reconstrução da infra-estrutura básica de um país após um desastre natural. “O governo do México tem tido iniciativas interessantes, como a criação de um fundo financeiro em 1996 para ajudar as vítimas de catástrofes”, informa. Este foi o primeiro fundo soberano de catástrofe criado na América Latina e aprimorado nos anos seguintes.

Algo semelhante se tenta fazer no Brasil para a agricultura, atividade que mais sofre na ocorrência de uma catástrofe natural e também com as mudanças climáticas. O fundo, administrado pela iniciativa privada, prevê um suporte às seguradoras para garantir a cobertura de todos os segurados em caso de grandes perdas nas lavouras. A idéia é que o fundo esteja à disposição das seguradoras já na próxima safra. Isto ajudaria a reduzir o custo do seguro e, consequentemente, aumentaria o número de agricultores protegidos por um seguro.

O executivo da Swiss Re, especializado em negócios com a América Latina, afirma que os que mais sofrem são os países emergentes. Sendo assim, são os que mais necessitam de instrumentos para minimizar as perdas com catástrofes. “A região tem apresentado um desenvolvimento econômico constante nos últimos anos, especialmente o Brasil. E por isso se torna ainda mais interessante que os governos, federal e estaduais, tenham um colchão financeiro em caso de catástrofes”, diz.

Caso o governo de Santa Catarina tivesse algo parecido, a região estaria numa situação melhor do que a atual, em razão das enchentes que castigaram várias cidades no final do ano passado, como mostra a foto acima. Por ser um Estado com muitos descendentes europeus, o índice de penetração de seguros está entre os mais elevados do Brasil. As indústrias catarinenses estimaram perdas superiores a R$ 350 milhões. Foram 12 mil desabrigados e 135 mortes.

O governo do Estado de São Paulo, por exemplo, o maior mercado de seguro do País, tenta viabilizar um seguro que indenize a população de baixa renda com perdas por enchentes no valor de até R$ 20 mil. Apesar de ter sido criado pela lei 14.493, em agosto de 2007, a eficácia deste instrumento ainda causa polêmica. A população de baixa renda está muito exposta a riscos. Somente nos últimos dois anos a indústria de seguros passou a criar produtos para esta camada da população, nicho que ainda representa um pequeno percentual entre os consumidores de seguros.

Segundo estudo de autoria de Nikhil, enquanto nos países desenvolvidos as perdas seguradas chegam a 25% do total dos prejuízos, nos países emergentes este percentual cai para apenas 7%. O Tsunami, na Indonésia, em 2004, por exemplo, trouxe perdas econômicas que representaram 5% do PIB do país. O excesso de chuvas, em Honduras, em 1998, causou perdas equivalentes a 95% do PIB.

Quanto mais pobre o país, maior a perda para o governo, pois a população não tem acesso ao seguro. Em países desenvolvidos, o impacto para o governo é menor em razão da forte penetração do seguro em todas as camadas da população. Outros fatores que tornam a situação ainda mais grave nos países emergentes é a concentração da população em grandes centros urbanos e a qualidade da infra-estrutura básica, desde a construção das casas até as pontes que ligam o mar ao sertão. Isto fica comprovado com o número de mortes. Os mercados emergentes são responsáveis por 94% das mortes ocorridas em catástrofes, ficando apenas 6% com os mercado maduros.

O Japão, por exemplo, além de ter um dos mais elevados índices de consumo per capita de seguro, conta com um fundo do governo para perdas catastróficas. Dos US$ 75 bilhões de perdas com o terremoto Kobe, em 1995, quase metade veio deste fundo. O Estado da Flórida, nos Estados Unidos, região onde ocorre a maioria dos mais violentos furacões da história, também tem um fundo público para ajudar a economia local a se levantar após a passagem de um furacão.

Nikhil acha pouco provável que o governo da Itália ou da região de Abruzzo tenham verba de um fundo para socorrer os habitantes de L’Aquila. O tremor, de 6,3 graus na escala Richter, causou até agora quase 300 mortes e cerca de 40 mil pessoas estão desabrigadas, tornando o termo “cidade fantasma” usual para retratar o estado caótico da região atingida.

Matéria produzida exclusivamente para o site www.fenaseg.org.br

 

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