Resseguro foi tema da abertura da VIII ABGR

Por Denise Bueno em 26/10/2009

images31Uma grande expectativa de melhora no cenário do resseguro em 2010 deu o tom da abertura do VIII Seminário Internacional de Gerência de Riscos e Seguros, evento tradicional promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de RIsco (ABGR), patrocinado pelas seguradoras, corretores e resseguradoras e que teve início hoje e termina na quarta-feira, em São Paulo.

Um fato que todos lamentam é o país ter esperado tantos anos pela abertura do mercado de resseguros e quando ela efetivamente aconteceu, em abril de 2008, o mundo é abalado por uma crise financeira sem precedentes. “Afortunadamente, no Brasil a crise chegou mais tarde e mais leve. Assim, o País sai da crise antes do que outros países”, diz Andres Holownia, presidente da ABGR e gerente de riscos da Scania.

Todos concordam que o Brasil é o país do momento e que a abertura de resseguros dá mais brilho e sustentabilidade ao mercado. No entanto, os executivos são unânimes em afirmar que é preciso melhorar algumas regras e procedimentos. “Esta abertura, ainda que imperfeita, com um complexo sistema de diferentes tipos de resseguradores, restrições e exigências, precisa ser aprimorada para atrair a farta capacidade de capital que o Brasil precisa diante de um potencial tão relevante de crescimento para os próximos anos”, acrescenta Holownia.

Segundo o Banco Mundial, o Brasil pode se tornar a quinta maior potência do mundo até 2016. Hoje, o país ocupa a décima colocação no ranking das maiores economias do mundo. Segundo o presidente Lula, em seu discurso no “Café da manhã com o presidente” hoje, o Brasil terá de se esforçar muito para que esta previsão se torne realidade.

O mercado de seguros também terá de continuar se esforçando para que os efeitos positivos da abertura do resseguro sejam efetivados. Felipe Smith, diretor de grandes riscos da Tokio Marine, disse se sentir frustrado com a abertura. “A nossa expectativa era ter mais produtos, mais capacidade e preços mais acessíveis logo no primeiro ano de abertura para ofertar aos nossos corretores e segurados. Mas não é bem este cenário que estamos vivenciando com quase um ano e meio de mercado livre e quase 70 resseguradores instalados no País”.

Segundo o executivo da Tokio, grupo japonês que tem três braços de resseguros no Brasil, sendo duas resseguradoras e o Klin, um dos maiores sindicatos do Lloyd’s of London, o que se vê hoje no Brasil são produtos que já estavam disponíveis no mercado brasileiro e eram pouco comercializados. “Como o POSI, um seguro para proteger os diretores de empresas envolvidos em emissões de ações”, comentou durante a abertura do evento da ABGR.

Os palestrantes citaram outros problemas, além da falta de produtos. “Temos uma série de ações que precisam ser tomadas para atrair um número maior de resseguradores para o Brasil”, diz Francisco Pinho, executivo da Aon Benfield Re. Seu concorrente, Eduardo Hussen, executivo do grupo Marsh McLennan, que tem corretoras na área de seguros e de resseguros, concorda. “Nosso grande desafio é como atrair resseguradores internacionais. Apesar do grande número já instalado no Brasil, ele significa menos de 50% dos resseguradores mundiais”, enfatiza.

Segundo avaliação de números divulgados pela Superintendência de
Seguros Privados (Susep), dos 67 resseguradores listados no site da autarquia, os cinco locais têm 85% do prêmio de R$ 2,4 bilhões dos prêmios de resseguro até agosto. Mesmo com tantas resseguradoras, Pinho acredita que o Brasil enfrentará dificuldades para fazer a colocação de riscos facultativos em razão de a legislação limitar a atuação dos resseguradores eventuais, geralmente empresas especializadas em nichos de negócios complexos e de riscos vultosos.

“A legislação para eventuais já foi flexibilizada, mas é preciso um pouco mais de estímulo para que estes resseguradores eventuais se interessem mais pelo Brasil”, diz Pinho. A Petrobras é um dos clientes que precisa encontrar mais capacidade para a colocação de seu milionário contrato de resseguros. Segundo um executivo da Petrobras, o contrato foi prorrogado em razão da necessidade de buscar uma capacidade acima da que estava disponível no mercado brasileiro para riscos facultativos.

A redefinição da estratégia das seguradoras brasileiras dentro deste momento de crise e de consolidação do mercado brasileiro de seguros também é um dos fatores que frustrou os compradores de seguro. “Alguns clientes se queixam da falta de oferta, mas acreditamos que este novo cenário do setor estará definido em 2010”, diz Pinho, da Aon.

No entanto, uma simples volta na feira que acontece paralelamente ao evento, se nota a falta de interesse de seguradoras locais. Apenas a Allianz, Itaú, Tokio Marine e J.Malucelli tinham estandes no evento, em um local pequeno e dividido com corretores como Marsh e Aon, além dos prestadores de serviços da indústria de seguros. Na última edição, Bradesco, SulAmérica e Mapfre disputavam a tapa cada milímetro da feira de exposição.

Para Jacques Bergmann, executivo que deixou o grupo Itaú no início deste ano para montar a operação da seguradora canadense Fairfax no Brasil, elogiou a abertura e enfatizou que ela foi feita da melhor forma que pode e que como acontece em todos os mercados requer aperfeiçoamentos. Principalmente na parte tributária.

Segundo os palestrantes, é preciso definir melhor a tributação do mercado de resseguros, pois está havendo bitributação dos contratos de seguro. Também é importante avaliar as regras de solvência das seguradoras. “Muitas vezes o banco não está preparado para fazer a operação de câmbio para as seguradoras por falta de uma regulamentação mais clara e isso acaba gerando risco de oscilações das moedas. Esta situação pode afetar a capacidade de subscrição das seguradoras”, comenta Bergmann.

Fazer o repasse de riscos para seguradoras cativas de clientes também se tornou um problema na indústria de seguros. Antes da abertura do resseguro, esta operação, conhecida como fronting, era disputada pelas seguradoras, uma vez que o risco de crédito era nula por ser o IRB Brasil Re, detentor do monopólio nos últimos 69 anos, ser controlado pelo Tesouro Nacional.

Com a abertura, as seguradoras passaram a ter o risco de crédito da operação de resseguro e isso praticamente inviabilizou os contratos de fronting. Segundo os seguradores, é difícil calcular o preço de uma operação de fronting, principalmente em um momento onde a crise ainda pode esconder surpresas. Diante do risco, a opção tem sido não atuar neste tipo de operação.

Afinal, ninguém quer arriscar fazer parte dos grupos que foram engolidos pela crise, como AIG, Lehman Brothers e outros 101 bancos americanos. Ou memso o grupo ING, que anunciou hoje que venderá das operações de seguros no mundo para pagar o empréstimos de 10 bilhões de euros que teve de solicitar ao governo holandês. “As empresas que sobrevirão a esta crise não são as maiores e sim as que se adaptarem mais rapidamente às mudanças”, diz o executivo da Marsh.

 

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Copa e Olimpíada vão render gordos contratos*

Por Denise Bueno em 22/10/2009

*Matéria feita com exclusividade para o especial de Seguros do Jornal Valor Econômico, que circulou no dia 19 de outubro, Dia dos Securitários

Copa 2014. Olimpíada 2016. Bilhões em investimentos potenciais. Investidores em busca de proteção para os riscos inerentes aos contratos milionários. É um cenário apetitoso. Mas como todo setor que vive de lucros, as seguradoras apostam onde têm quase certeza de que sairão vencedoras. E isso vale desde as apólices que custam alguns reais como para o seguro incluído no ingresso para garantir despesas médicas hospitalares em caso de acidentes dentro do estádio. Ou mesmo planos que custam alguns milhões para garantir desde o projeto até a operação do trem bala no trajeto Rio de Janeiro a São Paulo, orçado em mais de R$ 20 bilhões.

A Fifa, por exemplo, um dos principais clientes das seguradoras no mundo, negociou coberturas para proteger-se de eventuais prejuízos com o investimento na Copa da África do Sul durante meses. As seguradoras só aceitaram fazer o seguro depois de realmente comprovado que o país conseguiria fazer as reformas necessárias para o mundial dentro do cronograma estabelecido. Mesmo assim, o contrato tem coberturas limitadas, exclusões e custou caro. O prejuízo gerado pela greve dos funcionários do setor de construção civil em agosto, por exemplo, consta das exclusões previstas.

“Ter os Jogos Olímpicos, com investimentos previstos na casa dos R$ 90 bilhões, e que certamente precisarão de seguros, é uma notícia e tanto para as seguradoras”, comemora Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica. Além de se preparar para conquistar os grandes contratos, a seguradora está desenvolvendo novos produtos e serviços. “Estamos criando coberturas interessantes para os estrangeiros que virão para o Brasil, como assistência 24 horas”, acrescenta.

A Bradesco também já começou a investir em produtos. Segundo Carlos Eduardo Corrêa do Lago, diretor gerente da Bradesco Auto/RE, o grupo criou um comitê responsável por estudar a experiência de outros países com a realização de mundiais e já prepara produtos específicos para as necessidades dos participantes.

Assim como as seguradoras já começaram a desenvolver produtos, os segurados devem pensar o quanto antes no assunto. A primeira dica dos corretores de seguros acostumados com a cobertura de grandes eventos é antecedência. Para a realização da última Olimpíada, realizada no ano passado na China, a seguradora PICC Property and Casuality Company Limited (PICC P&C), a maior seguradora estatal de ramos elementares do país sede, fechou o primeiro acordo em 2005. Ou seja, três anos antes da abertura oficial do evento.

O comitê organizador da Olimpíada em Londres, em 2012, por exemplo, contratou a corretora inglesa JLT em 2006 para mapear os riscos envolvidos na realização do mundial. “A indústria de seguros é uma importante peça dentro de eventos dessa grandeza, uma vez que ajuda a prever riscos e sugere formas de mitigá-los.

A antecedência é a senha para obter preços melhores, assim como as franquias devem ser vistas com muita atenção, pois são uma ferramenta importante para se compatibilizar necessidades de coberturas com os orçamentos disponíveis”, diz Marcio Correia, da Miller Insurance, corretora responsável pela colocação do seguro dos Jogos Panamericanos realizados no Brasil em 2007.

O segundo conselho é fazer um raio X dos riscos envolvidos nos investimentos. “Fazer o mapeamento possibilita mitigar e gerenciar os riscos e assim saber decidir o que é mais vantajoso assumir, ter garantias ou transferir para as seguradoras”, diz Fernando Pereira, vice-presidente da Aon Risk Services, uma das maiores corretoras de seguros do mundo.

Há muitos riscos envolvidos nos grandes contratos, principalmente nos de infraestrutura. “Temos de levantar prejuízos que podem ser causados pela realização do evento, desde a parte ambiental, o relacionamento com o público, o nível de contrato que terá com prestador de serviço”, cita Marcelo Elias, diretor da Marsh McLenann, que disputa com a Aon cada milímetro do mercado mundial de corretagem e consultoria em seguros. A partir dessa etapa é que o investidor fará uma concorrência para contratar uma seguradora para fazer a administração e gestão do programa de seguros.

Geralmente o valor investido em seguros em grandes contratos gira em torno de 0,5% e 1% do valor da importância segurada. Essa é uma mera média do mercado, pois contratos como esses são feitos sob medida e não existe um igual ao outro. Tudo dependerá do risco, da disposição e do capital dos resseguradores em assumir riscos.

Estudos prévios usados por gestores públicos e privados, ligados aos eventos, apontam para valores entre RS$ 60 bilhões e R$ 110 bilhões, especialmente na área de infraestrutura, sem considerar gastos na construção e modernização de estádios para a Copa 2014 e outros R$ 30 bilhões para a Olimpíada no Rio de Janeiro.

Além desses investimentos, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) avalia investimentos em nove áreas: mobilidade urbana, como investimentos em metrôs, corredores de ônibus e estacionamentos, portos, aeroportos, telecomunicações, energia, saneamento básico, rede hospitalar, rede hoteleira e segurança. Como nenhum aeroporto do país está pronto para receber os 500 mil turistas esperados para o evento, segundo cálculos do Ministério do Turismo, há necessidade de uma participação maciça da iniciativa privada na ampliação de terminais e construção de novos aeroportos.

Como o Brasil vai virar um canteiro de obras, as primeiras apólices a serem cotadas são as que dão garantia que os contratos serão cumpridos e também as de risco de engenharia, assegurando prejuízos causados durante a execução das obras. Alexandre Malucelli, vice-presidente da seguradora JMalucelli, líder do mercado de seguro garantia, diz que os Jogos Olímpicos terão, isoladamente, condições de ampliar em 70% o volume de receitas geradas por apólices desse tipo.

“Uma realização como a Copa do Mundo provoca impactos em toda a comunidade onde é sediada, com reflexos de curto, médio e longo prazos”, diz Virgil de Souza, diretor da área de garantia da Liberty International Underwriters (LIU), divisão de grandes riscos do grupo Liberty Mutual, empresa que participa da Olimpíada de Londres 2012.

Além dos seguros envolvidos nos contratos privados, há várias apólices de seguros que são exigidas pelos organizadores. Entre as principais coberturas estão as de responsabilidade civil para indenizar terceiros prejudicados com a realização do evento, seja por produtos, profissionais tercerizados ou funcionários, montagem e desmontagem de estruturas e equipamentos. Estão cobertos riscos por contaminação de alimentos, direitos autorais, segurança e serviços médicos, bem como cobertura de acidentes pessoais para os atletas previstos na participação do evento.

Uma apólice importante é a da não realização do evento, conhecida como “no show”. Se os espectadores de algum dos jogos, por exemplo, ficarem impossibilitados de chegar ao local ou os jogadores ficarem impedidos de jogar, os custos da promotora com a devolução do valor do ingresso ou de agendamento de uma nova data, corre por conta do seguro.

 

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ABGR discute perfil do gerente de risco*

Por Denise Bueno em 22/08/2008

images6A Associação Brasileira de Gerência de Riscos (ABGR) comemora hoje 25 anos. Neste ano, a festa tem um sabor especial. O gerente de risco, na maioria das vezes um profissional sem muito destaque dentro das corporações, passou a ser valorizado diante da necessidade de uma maior regulação por parte de órgãos reguladores, que buscam informações para efetuarem uma fiscalização mais eficiente da solvência das companhias. “A tendência é profissionalizar a função de gerente de risco, um profissional que agrega valor ao acionista ao mensurar riscos e formas de mitigá-los”, diz Andres Holownia, presidente da ABGR e gerente de riscos da Scania.

*matéria da autora publicada no jornal Gazeta Mercantil, em 22/08/2008
O gerenciamento de risco ganhou tanta importância que até mesmo para a agência de classificação de riscos Standard & Poor’s informou que este será um item analisado e que contará pontos na emissão de ratings das empresas a partir do terceiro trimestre deste ano. “O gerente de risco não é um comprador de seguro e sim quem planeja o progresso da empresa”, diz o executivo que assumiu a associação em janeiro deste ano.

A abertura do mercado de resseguros no Brasil é um dos eventos que obrigou as empresas a repensar suas estruturas, processos, relatórios e controles. Isso porque quem não conhecer bem seus riscos, terá dificuldade de contratar seguro e resseguro. Com o monopólio, o IRB Brasil Re aceitava todos os riscos e a garantia de honrar o contratado era de 100%, uma vez que o órgão é controlado pelo Tesouro Nacional.

Num mercado aberto, a realidade é bem diferente daquele que os brasileiros estavam acostumados. “É preciso saber vender bem o seu peixe e para quem, pois de nada adianta obter o melhor preço e depois ficar sem cobertura”, diz o presidente da ABGR, uma entidade sem fins lucrativos e que conta hoje com 100 associadas.

Holownia ressalta a importância da abertura para as empresas que compram seguro. “Acredito que teremos grandes benefícios como compradores, tanto em novos players, preço, qualidade de serviços, agilidade, contratos modernos e novos produtos quando o setor estiver organizado.” Segundo ele, apesar da abertura ter sido discutida por tanto tempo, apenas a partir de abril é que todos começaram a se preparar para este novo cenário. “Faltam profissionais que entendam do assunto e será preciso muito investimento em treinamento. É um grande desafio”, diz.

Mundialmente, o gerente de risco ganhou mais destaque após as regulamentações criadas para melhorar a qualidade e transparências das informações financeiras das empresas após as grandes fraudes nos Estados Unidos. Entre elas Sarbanes&Oxley e o Committe of Sponsoring Organization of the Tradeway Commission (COSO), criado em 1992, normatizando padrões de controle baseado em riscos. Depois vieram novas edições, como COSO 1, COSO – Enterprise Risk Management (ERM) ou COSO II entre outros. “Há oportunistas dizendo que o ERM vai gerar uma maior necessidade de seguro quando muito provavelmente seja o contrário. O importante é detectar o risco e buscar a melhor forma de mitigá-lo para proteger o patrimônio do acionista”, diz.

Segundo ele, o objetivo é o de promover a gerência de riscos nas empresas, em linha com as mais modernas tendências e técnicas do mercado, permitindo um controle efetivo de seus riscos, dentro das especificações definidas pela sua direção. “Riscos podem ser tanto ameaças como oportunidades. É preciso analisá-los para garantir o crescimento sustentável”, diz.

 

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Energia, um mercado aquecido para seguros*

Por Denise Bueno em 25/04/2008

O crescimento da economia mundial exige investimentos milionários no setor de energia. O mercado de seguros conhecido como “energy”, que engloba riscos de petróleo, embarcações e mineração, está apostando suas fichas neste setor que prevê investimentos de US$ 21,8 trilhões em todo o mundo até 2030. Na América Latina, a projeção é de US$ 1 trilhão no período. Do valor total, energia fica com US$ 11,6 trilhões, exploração de petróleo com US$ 4 trilhões, gás com US$ 4,2 trilhões e a construção de navios com US$ 600 bilhões.

Segundo Willian Lynch, especialista do grupo Aon Risk, o setor de energia movimenta prêmios anuais de US$ 4 bilhões. A grande perda aconteceu em 2005, com a ocorrência de quatro furacões com intensidade elevada. Mas foi o Katrina que causou boa parte das perdas de US$ 20 bilhões registradas no Golfo do México nas plataformas de petróleo. O efeito foi a saída de várias seguradoras do ramo, aumento do preço do seguro e conseqüentemente a redução de capacidade de capital para segurar os riscos.

“Foi um momento difícil, mas as empresas conseguiram se recuperar rapidamente. Os ganhos obtidos em 2006 e 2007 foram suficientes para repor as perdas e por isso vemos agora um mercado com flexibilidade para negociações”, acrescenta. O lado positivo foi que o mercado melhorou bastante de 2005 para cá. “As petrolíferas aprimoraram seus processos de gerenciamento de risco, as seguradoras seguem uma política de subscrição mais estável e as parcerias se mostram em contratos de longo prazo”, diz.

Trata-se de um cenário excelente para clientes, com preço em baixa, capacidade em alta e muitos investimentos que necessitam de seguro para dar sustentabilidade aos projetos. Os investidores contam com um cenário de taxas de seguro de energia reduzida desde o ano passado em razão do excesso de oferta na capacidade de assumir riscos, além da forte competição. No entanto, a crise americana acendeu a luz amarela no mundo para este setor, que poderá sofrer com a perda de capacidade financeira de alguns investidores atropelados pelos prejuízos do subprime.

Também há uma apreensão mundial entre os executivos de seguros em razão do aumento do preço do petróleo, do aço, de materiais de construção de infra-estrutura, do custo de mão de obra e no fornecimento de equipamento. Tudo isso pode gerar aumento no custo de reposição, ou seja, da indenização a ser paga. Isso porque o contrato levou em consideração um custo “x” e como são apólices de longa duração, em média três anos, o custo pode passar a ser “x + y”.

No Brasil, a disputa por este segmento é grande. Os investimentos de R$ 275 bilhões previstos pelo governo brasileiro no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) até 2010 para o setor de energia, que abrange geração, transmissão e distribuição, petróleo e gás, fez com que as seguradoras e resseguradoras criassem novas estruturas para atender a demanda de seguro que tais projetos demandam.

Pesquisas do setor mostram mais de 250 projetos de usinas para serem aprovados pela (Aneel) Agência Nacional de Energia Elétrica. São investimentos privados e também os que estão incluídos no PAC, que destina R$ 66 bilhões para projetos de geração de 12 mil megawatts, incluindo o do Rio Madeira, e R$ 12,4 bilhões em transmissão, com 13 mil quilômetros de linhas de transmissão, cuja apólice é considerada a maior do mundo, com garantias de US$ 2 bilhões obtidas pela Unibanco AIG.

O Brasil tem um tratamento diferenciado por não apresentar o risco político de seus vizinhos latinos. Entre as seguradoras estrangeiras que disputam o mercado local estão a AIG, sócia do Unibanco, a inglesa Royal & SunAlliance, a XL, sócia do Itaú, e o grupo alemão Allianz, maior seguradora do mundo em ramos elementares, e a ACE, das Bermudas. Segundo projeções da Royal, somente com energia alternativa a estimativa da matriz é de que os prêmios de seguros movimentem R$ 5 bilhões até 2015.

A construção de uma hidrelétrica, por exemplo, envolve dezenas de apólices para viabilizar e garantir o investimento, com custos estimados em 10% do valor total da obra. O seguro começa na garantia de que o investidor vai manter o valor da proposta apresentada no leilão até as perdas e danos quando o projeto estiver concluído. A Unibanco se dedica a elaboração do project finance, onde o seguro é apenas uma parte da estrutura do financiamento.

A estratégia das seguradoras é conquistar o cliente desde a apólice de garantia conhecida como performance bond, que assegura o valor ofertado no leilão, até que o projeto esteja em funcionamento. Essa estratégia cria maior valor ao investidor por vários motivos. A seguradora pode acompanhar cada etapa da obra, criando alternativas para que um acidente não acarrete atraso na entrega do empreendimento, o que evitará o acionamento do seguro garantia, por exemplo, que garante perdas causadas pelo não cumprimento do prazo.

*Matéria da autora divulgada na Gazeta Mercantil em abril de 2008

 

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Os riscos mais temidos pelas grandes corporações

Por Denise Bueno em 25/04/2008

A abertura favorecerá a contratação de apólices mais sofisticadas, que vão muito além do risco de acidentes com incêndio, roubo e perdas com transporte. “É preciso pensar nos riscos que podem comprometer a sustentabilidade da empresa. O aquecimento global, a emissão de CO2, o aumento do nível da água são problemas que podem comprometer o futuro do planeta e, conseqüentemente, das empresas. É preciso pensar em soluções agora”, alertou Peter Breitstone, executivo da corretora Aon Risk Services, em palestra promovida no Brasil.

Uma pesquisa realizada pela corretora com 320 executivos de diversos segmentos, em 29 países revelou que o risco mais temido pelas grandes corporações é “danos à reputação da empresa”.
A reputação é encarada como a maior fonte de vantagem competitiva. O estudo traz uma fotografia dos riscos empresariais e o quanto eles são parecidos, independentemente do setor de atuação. Os executivos responderam duas perguntas básicas: Você conhece os riscos potenciais da sua empresa? O quanto sua empresa está preparada para gerenciar esses riscos?

Mais da metade dos entrevistados disse não estar preparada para o risco classificado como o mais preocupante, dano à reputação. O segundo risco potencial citado foi a interrupção de negócios, para o qual 30% dos entrevistados disseram que a empresa não está preparada para enfrentar o problema. Segundo os executivos, há uma percepção de que a interrupção de negócios pode representar uma ameaça ainda maior do que o dano físico em si.

O terceiro maior risco citado pelos executivos foi o de responsabilidade civil, potencializado pela globalização e influência de culturas mais litigiosas como nos Estados Unidos, onde processar virou um hábito.

Entre outras principais preocupações de riscos se destacam: o risco de falha na distribuição ou na cadeia de fornecimento e o risco de ambiente de mercado. Na América, a preocupação com a falha na tecnologia e a perda de dados é uma preocupação de risco maior do que em outros países. Já na Europa, o medo em termos de fusão, aquisições e reestruturação é mais presente no dia a dia dos executivos. Os desastres naturais e climáticos são os mais temidos por executivos da Ásia e Pacífico.

RISCOS TEMIDOS
O principal temor é aquele que pode causar danos à reputação da empresa

Danos para a reputação
Interrupção de negócios
Responsabilidade civil de terceiros
Falha na venda de produtos em canais de distribuição
Risco de meio ambiente de mercado
Mudanças regulatórias
Riscos financeiros
Danos físicos
Problemas com fusões, aquisições ou reestruturação

Fonte: Aon Risks

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercanti em abril de 2008

 

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Grandes riscos: mais coberturas por um preço menor*

Por Denise Bueno em 25/04/2008

As grandes empresas do Brasil serão beneficiadas por um programa de seguros mais amplo e com um custo mais acessível. Essa é a aposta da grande maioria dos executivos de seguradoras e corretoras. A avaliação tem como base a abertura do mercado de resseguros no País e o ciclo de farta oferta de capacidade no mercado internacional. “Em função principalmente de ausências de grandes catástrofes naturais nos dois últimos anos, o mercado internacional está em um ciclo de baixa de preços”, lembra Carlos Almeida, vice-presidente de Riscos Industriais e Comerciais da SulAmérica. Situações favoráveis à queda de preço.

A abertura do resseguro traz, de imediato, benefícios para as maiores empresas do Brasil. Isso porque são elas que demandam quase a totalidade dos R$ 3,5 bilhões em resseguro que é contratado no País. “O principal impacto deve ser nos grandes negócios, especialmente property e riscos de engenharia, aonde a disputa por clientes é constante. Com base nesse cenário, esperamos uma competição mais acirrada entre as empresas, resultando em conseqüente redução de preços. Novos produtos e maior agilidade no mercado também devem ser conseqüências da abertura do resseguro no País”, acredita Felipe Smith, diretor técnico da área corporate da Tokio Marine.

Porém este cenário é traçado para clientes com bom histórico de acidentes. Algumas empresas poderão encontrar dificuldades de renovar o seguro, como as que têm um grande índice de acidentes e um histórico de perdas razoável. A parceria entre cliente, corretor, seguradora e ressegurador será fundamental daqui para frente, uma vez que o mercado de resseguros está aberto e as empresas não podem contar mais com a cobertura quase obrigatória que o IRB Brasil Re, que deteve o monopólio por quase 70 anos, dava por ser monopolista.

O IRB já disse não para alguns segurados, que levaram um susto e tanto. A siderúrgica CSN foi um deles. Apesar de seu tamanho, o grupo enfrenta dificuldades para obter o valor de cobertura de seguro necessária a um preço razoável por atuar em um nicho de restrita oferta de cobertura, com poucos operadores e ainda ter um histórico de grandes perdas e troca de parceiros a todo ano.

A abertura traz automaticidade para as empresas. As seguradoras já desenharam contratos automáticos com seus parceiros de resseguro. Isso dará agilidade e melhores condições nos contratos. Para Jacques Bergman, diretor da Itaú XL, os programas com importância segurada entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões é que serão os mais afetados. “Valores abaixo dos R$ 100 milhões já eram atendidos pelas seguradoras dentro de suas capacidades de retenção. Os acima de R$ 300 milhões eram tratados como facultativos, diretamente com o mercado internacional”, diz.

A competição e mudanças estarão nos contratos entre R$ 100 milhões e R$ 300 milhões. “Esses terão uma modificação grande em termos de preços e serviços”, aposta Bergmann. A projeção é de que 70% dos riscos que eram colocados de forma facultativa, acima dos limites determinados pelo IRB, sejam agora colocados dentro dos contratos automáticos negociados pelas seguradoras. Ficando apenas 30% como facultativo. Essa mudança poderá reduzir o prazo de cotação dos contratos de em alguns casos chegavam a até três meses para três a cinco dias.

Em segmentos que o IRB não operava, como seguro multirisco de até R$ 100 milhões de importância segurada, transporte nacional rodoviário, aeronaves de pequeno porte, produtos financeiros e de responsabilidade civil, por já haver uma livre concorrência de preço, pouca mudança deverá ocorrer.

O gerente de risco terá um papel fundamental a partir de agora. Quanto mais informações armazenadas, mais correto será o cálculo do preço do seguro. Quanto maior o investimento em segurança, melhor as condições do contrato de seguro. Em contrapartida, as empresas seguradas terão a sua disposição um farto leque de produtos, coberturas e preços.

As seguradoras e corretoras terão um grande desafio. Com a possibilidade de cotação através de diversos brokers ou diretamente através de resseguradores, os preços podem ser os mais diversos. “Dependendo de que mercado seja contatado nas negociações, as ofertas de preço podem mudar e ocorrer casos de reduções de preços”, explica Luiz Carlos Nabuco, diretor gerente comercial da Bradesco Auto/RE Corporativo.

Apesar da tentação de ter um preço melhor, todo cuidado será pouco. “O risco do IRB era nulo por ter o Tesouro como controlador. Agora será preciso avaliar a solvência das empresas envolvidas no contrato”, diz Pedro Purm, presidente da Zurich Seguros. “Será muito importante os clientes/segurados estarem atentos exatamente para quem estará dando suporte nestas condições. O risco de crédito passa a ser uma realidade que antes ficava garantida pelo único ressegurador em atividade no mercado”, reforça Nabuco.

Outro ponto importante é a volatilidade. Se por um lado o monopólio de resseguros gerava um preço, em geral, igual para todos e acima da média do mercado internacional, por outro os clientes estavam protegidos de flutuações acentuadas. “Com a desregulamentação o mercado fica alinhado com os preços dos mercados internacionais, podendo assim ter variações positivas ou negativas de maneira a refletir mais imediatamente as flutuações do mercado internacional de resseguro”, diz o executivo da SulAmérica.

A qualidade dos serviços deverá melhorar. Bergmann acredita que a abertura do resseguro fará com que as seguradoras busquem diferenciação por qualidade de serviço. “Isso será visto pelo cliente como um diferenciador forte”, diz.

A regulação de sinistros entra neste quesito. Antes o IRB era responsável por decidir sobre o levantamento das perdas em um acidente. Agora, o segurado terá a responsabilidade de escolha da empresa que prestará este serviço. Ela é a responsável por determinar o valor a ser pago, a velocidade que o sinistro será finalizado e também será a prestadora que cobrará a conta dos resseguradores”, diz Bergmann, que também presidente da comissão de riscos especiais e de resseguro da Fenseg.

Apesar da projeção de queda do preço do seguro, a expectativa é de um aumento significativo no volume de prêmios na carteira de riscos patrimoniais. Com produtos limitados e preços elevados, uma situação típica de um mercado monopolista, a compra de seguros pelas multinacionais se limitava a contratação de um seguro básico de incêndio ou de roubo para mercadorias no Brasil. As apólices mais complexas eram contratadas em países onde o resseguro é aberto.

Tal comportamento fica evidente pelo medíocre desempenho do ramo empresarial, com faturamento que não chega a representar 10% das vendas totais de seguro no Brasil. Em 2007, esse segmento movimentou prêmios de R$ 3,3 bilhões, decréscimo de 12%. A expectativa agora é de as multinacionais passem a ter um programa de seguro mais completo no País, além de novos produtos que estimulem mais empresas a protegerem seus patrimônios.

Afinal, o que seria das ações da Petrobras em 2001 se não tivesse o seguro de US$ 500 milhões para recuperar a perda da P-36? E da CNS, que já recebeu aproximadamente US$ 400 milhões pelo acidente com o alto forno em janeiro de 2006? Sem falar nos acidentes das empresas aéreas Tam e Gol, tendo algo próximo de US$ 40 milhões cada uma só considerando-se a aeronave, e o Consórcio Via Amarela que acionou a Unibanco AIG para indenizar e prestar um pronto atendimento às vítimas da cratera que se abriu nas obras de expansão da Linha Amarela do Metrô de São Paulo.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em abril de 2008

 

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Braskem renova apólice com limite de risco*

Por Denise Bueno em 19/12/2007

A Braskem acaba de renovar o milionário seguro das petroquímicas que compõem o grupo, que inclui também Ipiranga Petroquímica e Copesul.

A Braskem acaba de renovar o milionário seguro das petroquímicas que compõem o grupo, que inclui também Ipiranga Petroquímica e Copesul. A Unibanco AIG continua sendo a seguradora líder do contrato da Braskem, com participação da Bradesco e da SulAmérica. O IRB Brasil Re reteve a capacidade máxima do contrato automático de resseguros que mantém com parceiros estrangeiros, o que representou 16% do risco. O mercado internacional absorverá 84% do contrato, o que faz com que a definição do preço venha do exterior.

Em razão disso, uma equipe da Braskem e da corretora cativa do grupo, a OCS, fez uma série de apresentações para os resseguradores internacionais. Segundo Isabel Figueiredo, diretora de logística e suprimentos da Braskem, vários fatores garantiram um preço diferenciado.

Segundo ela, a Braskem tem investido nas recomendações dos resseguradores para melhorar a taxa do seguro do grupo. Em 2006, por exemplo, investiu R$ 10 milhões em sistemas de detecção de gases. “Neste ano, investimos US$ 2 milhões em válvulas que separam a linha de produção do estoque”, conta, sem revelar o valor do prêmio pago pelo programa de seguro. Outro ponto positivo foi ser integrante do ISE (Índice de Sustentabilidade Empre-sarial), da Bovespa, do qual participam apenas empresas com programas de responsabilidade social e ambiental.

A inclusão das petroquímicas Ipiranga também ajudou, uma vez que dá poder de barganha pelo aumento do volume a ser negociado. “A Copesul já era negociada em bloco pois o grupo Braskem era co-controlador”, informa Marcelo Neves, responsável pela área petroquímica na OCS. As instalações petroquímicas seguradas têm valores em risco de US$ 8,9 bilhões em danos materiais e de US$ 2,6 bilhões para interrupção de negócios, totalizando US$ 11,5 bilhões.

O contrato de seguro da Braskem prevê um (LMI) Limite Máximo Indenizável de US$ 1,9 bilhão, que é a perda máxima que o grupo pode sofrer com acidentes. Caso ocorra um acidente que consuma indenizações de US$ 1 bilhão, por exemplo, no dia seguinte a capacidade do contrato de seguro volta a ser de US$ 1,9 bilhão novamente, em razão da cláusula de integração automática, explica Neves.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 19/12/2007, Finanças, B-3

 

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Usina do Madeira gerará R$ 350 milhões em apólices*

Por Denise Bueno em 12/05/2007

O consórcio Madeira Energia - através de um pool do qual a OCS Corretora de Seguros, do grupo Odebrecht - começa a dar prosseguimento ao pacote de seguros para respaldar o “projetc finance” desenvolvido para o financiamento da construção da hidrelétrica Santo Antonio, no Rio Madeira. Os gastos com seguros deverão representar algo próximo a 3,5% do valor de construção do empreendimento, estimado em R$ 10 bilhões.

Ou seja, somente este projeto (ver mais detalhes na página C2) trará para o mercado de seguros algo próximo a R$ 350 milhões em 2008 com apólices diversas, que vão desde a garantia de contratos entre os integrantes do consórcio até o dano causado a um equipamento no percurso entre a fábrica e o complexo de obras. “Buscamos identificar, quantificar e mitigar os riscos de todas as etapas da operação. O objetivo é assegurar o início da operação e o repagamento da dívida contraída e assim estimular que outros projetos deste porte tenham investidores dispostos a apostar seus recursos com um custo de financiamento menor em razão do gerenciamento dos riscos”, informa Laudelino Soares, diretor OCS, trabalhou no programa de garantias.

Dois importantes agentes envolvidos no projeto, Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) determinaram a contratação de programas de seguros como uma forma de mitigar o risco e garantir a finalização do empreendimento.

Unibanco AIG lidera pool O BNDES publicou condições para financiamento do projeto, entre elas a apresentação de seguro garantia. As apólices serão compradas antes de começar a obra e visam assegurar o cumprimento dos contratos entre as diversas empresas envolvidas. A Unibanco AIG é a líder dos contratos de seguro garantia, juntamente com a J Malucelli e Áurea, que tem entre seus acionistas Bradesco e Munich Re.

Já os seguros que envolvem a construção foram exigidos no edital da Aneel. Para assinar o contrato de concessão, previsto para maio de 2008, segundo cronograma oficial, o Consórcio Madeira Energia terá de apresentar atestado de viabilidade do programa de seguros, emitido por uma seguradora de eficiência comprovada no segmento.

Nesta fase de construção da hidrelétrica, com capacidade prevista em 3,15 mil MW, estão previstos vários tipos de proteção e aqui a concorrência entre as seguradoras será muito acirrada. Isso porque muitas companhia estrangeiras e nacionais anunciaram investimentos na criação de uma diretoria focada em programas de seguros para o setor de energia.

Os seguros mais comuns para garantir eventuais prejuízos em um projeto deste porte são: risco de engenharia, danos materiais, erro de projeto, de fabricação de equipamentos, tumultos greves, transporte nacional e internacional dos equipamentos, responsabilidade civil para indenizar terceiros prejudicados com a construção, risco de contaminação ao meio ambiente, entre outros. “Se uma turbina for danificada durante o transporte e isso atrasar a entrega da obra, por exemplo, poderá haver cobertura para a perda de receita esperada em razão do acidente”, explica o executivo.

Por conta dos princípios de pulverização de riscos grande parte dos contratos, tanto de seguros dos riscos de construção como de seguro garantia, será repassado ao mercado internacional em forma de resseguro. Muitas resseguradoras estrangeiras se preparam para atuar no mercado brasileiro a partir de 2008, quando terá início a abertura do resseguro, há mais de 65 anos uma operação monopolizada pelo IRB Brasil Re. Segundo depoimento dos estrangeiros, o investimento em energia no Brasil era um dos fatores que tornava o País atrativo para este setor.

Será formada pelo consórcio uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). Assim que ela for criada, se prevê a compra do seguro Director & Officers (D&O), para garantir perdas que os administradores possam sofrer com ações judiciais de pessoas que se sintam prejudicadas com a gestão da SPE.

Segundo Soares, com um empreendimento desta natureza o mercado de seguros começa a se adequar às práticas internacionais. Um exemplo disso foi a criação do sistema de peritos independentes, que vão acompanhar o andamento das obras, para evitar dúvidas e discussões em casos de sinistros. “É um mecanismo mas ágil e menos burocrático, vital para se mostrar que o seguro garantia é um instrumento eficiente para garantir as obrigações contratuais.”

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 12/12/2007, Finanças, B-2

 

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