Seguradoras lucram com boa safra de satélites

Por Denise Bueno em 01/12/2009

sateliteEstudo da corretora Aon divulgado em Londres revela que o seguro de satélites tem se mostrado muito rentável nos últimos cinco anos. De acordo com a publicação, a previsão de lucro para 2009 é de US$ 400 milhões, caso não haja pedido de indenizações até o final deste ano. Este valor significa exatamente a metade do volume de prêmios do mercado mundial, de US$ 800 milhões, pagos pelos segurados para satélites lançados e também em órbita. Mas como as seguradoras tiveram um grande déficit em 2007, o lucro servirá para amenizar a perda passada e com isso os preços deverão apresentar apenas uma ligeira queda.

No terceiro trimestre de 2009, foram ao ar segurados cinco lançamentos: dois Ariane 5s, dois Protons e um Long March 3B, o que gerou cerca de US$ 154,6 milhões de faturamento para o mercado de seguros. O Long March 3B ficou aquém da órbita de destino, devido a uma anomalia na terceira fase, mas os engenheiros conseguiram manobrar a nave, o que resultou em uma perda de apenas um terço da vida da nave espacial.

Segundo Clive Smith, líder da unidade de negócios espaciais, disse no comunicado que a demanda de empresas de comunicação por satélite continua crescente, principalmente para aumentar a capacidade de banda larga e teve a cabo. Há também muitos lançamentos para vigiar a poluição da terrae monitorar movimentos de desastres naturiais.

A crise financeira reduziu o lançamento de satélites, uma vez que faltou capital para novos projetos. “Mas o ritmo começa a voltar a esta indústria, com projetos interessantes”, diz Smith. “A saúde da indústria de seguros significa que ela está bem posicionada para apoiar programas de satélites, oferecendo uma capacidade suficiente para satisfazer as exigências dos investidores”.

 

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Recessão é o risco mais temido pelas empresas

Por Denise Bueno em 08/07/2009

42-21523245Recessão, insegurança jurídica, responsabilidade civil e danos físicos. Estes são os riscos mais temidos pelos executivos da América Latina entrevistados pelo grupo Aon na edição do Estudo Global de Gerenciamento de Riscos 2009, divulgado há poucos dias no Brasil. No mundo, os riscos que mais preocupam os 551 executivos de empresas com faturamento acima de US$ 1 bilhão espalhados em 40 países é recessão, mudanças regulatórias e interrupção dos negócios.

O estudo revela, de certa forma, a modernidade trazida com o crescimento. As empresas temem hoje lidar com consumidores mais conscientes de seus direitos. Tanto que a responsabilidade civil ficou em segundo lugar no ranking da América Latina, juntamente com insegurança jurídica. No ranking geral, responsabilidade civil nem aparece, pois já é um risco mitigado pelas empresas, seja através de uma atuação onde o direito do consumidor é respeitado, seja pela compra de apólices de seguros para cobrir riscos improváveis.

O aumento da competição é o quarto risco que mais preocupa os empresários no ranking geral e quinto na América Latina, onde o temos de danos materiais aparece na terceira posição. Fluxo de caixa, falha na distribuição, confiabilidade de terceiros e dificuldade de manter ou atrair talentos para trabalhar no grupo são outros riscos que podem afetar o bom desempenho das organizações, segundo informaram os executivos entrevistados na pesquisa da Aon.

 

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Aon divulga alta de 20% na receita até abril

Por Denise Bueno em 10/06/2009

images7O otimismo das empresas brasileiras talvez seja o principal ingrediente para o Brasil amenizar os efeitos da crise mundial. O grupo Aon no Brasil é prova disso. Apesar da segunda queda consecutiva no PIB brasileiro, com o recuo de 0,8% no primeiro trimestre deste ano, a Aon informou que bateu recordes no País no primeiro quadrimestre de 2009, com receita 20% maior do que em 2008 no mesmo período.

Na cidade de São Paulo, maior fonte de faturamento das seguradoras, a receita da Aon cresceu 22%, enquanto as 11 filiais acumularam alta de 31% em comparação ao ano anterior. A área que mais cresce é a de benefícios, com evolução de 28%, seguida por ramos elementares, com 18%.

Segundo Marcelo Homburger, vice-presidente da unidade Aon Risk Services, o crescimento do grupo neste ano está fundamentado nos investimentos realizados na empresa através de produtos e serviços diferenciados, atendendo assim uma maior gama de segmentos.

Mesmo com a piora prevista pelos bancos, como mostra o aumento do spread bancário para empresas, a Aon aposta que o mercado de seguros continuará crescendo, devido ao espaço que ainda existe em produtos que estão sendo ofertados para empresas e para pessoas. A sinistralidade é um assunto que preocupa, principalmente em seguros patrimoniais e transportes.

Os produtos que tiveram melhor desempenho nas vendas do quadrimestre estão os de riscos de engenharia, garantia, gestão de saúde, previdência e gerenciamento de riscos. O ano também deverá trazer um estímulo a mais nas vendas em razão da definição das 12 cidades que sediaram os jogos da Copa de 2014. “Vemos oportunidades nos riscos de engenharia, garantias e em todos os investimentos necessários em infraestrutura que demandarão seguros”.

O objetivo da Aon é crescer 17% este ano em receita. A estratégia, informa, é continuar investindo na força comercial buscando novos negócios, foco na retenção de clientes, manutenção do time e buscar novas aquisições”. A próxima deverá ser anunciada em breve, disse José Felipe, presidente da Aon Risk, em nota.

 

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Brasil fica estável no mapa de risco político da Aon

Por Denise Bueno em 03/04/2009

O Brasil manteve a avaliação de médio-baixo risco político na 16º edição do mapa mundial de risco político elaborado por especialistas da Aon Corporation e da Oxford Analytica, divulgado hoje no País. Mesmo com o agravamento da crise internacional, a percepção da consultora de riscos foi de manutenção (estabilidade), mas com perspectiva de melhora. Para os outros países da América Latina, que dependem excessivamente da exportação de commodities, como a Venezuela, as perspectivas não são muito positivas.

“Esses países vem sentindo muito a depreciação no preço das commodities, mas mesmo assim continuam com a tendência de nacionalização em cima de recursos naturais”, informa a Aon em comunicado. Em relação ao mercado de seguros, a região da AL, com exceção do Brasil e, de certa forma, da Argentina, é uma região sem grandes problemas.

A percepção de risco é melhor em comparação a outras regiões, mas a AL é propensa a sentir com mais gravidade a depreciação dos custos das commodities (commodity crunch). Na América do Sul, o destaque ficou para Colômbia, que passou do risco médio-alto para média. A percepção de risco político melhorou em geral nos países com risco médio-baixo.

O contrário ocorreu com países do Leste Europeu, em razão do risco de crédito. Países que estavam com uma situação muito ruim estão se deteriorando ainda mais, como Afeganistão, Irã, Iraque, Zimbábue, que passaram do risco alto para o muito alto.

O mapa é uma ferramenta que auxilia as empresas a identificar e conhecer com mais profundidade os riscos políticos que impactam diretamente nas atividades comerciais em cada país. O mapa quantifica e qualifica os riscos políticos e econômicos de 209 países. O objetivo é qualificar os riscos de transferências e não convertibilidade de moedas, greves, desordem e comoção civil, guerra, terrorismo, dívida soberana, interferência política, interrupção da cadeia de suprimentos, riscos legais e regulatórios.

Por meio do cruzamento das informações econômicas e políticas reunidas pelos acadêmicos da Oxford com o conteúdo do banco de dados mundial da Aon sobre o mercado de seguro político mundial é possível traçar um cenário tanto para os clientes como para a própria corretora na formatação de programas mundiais de seguros.

Ao identificar riscos políticos, além de poder assessorar clientes em formas de mitigá-los, a corretora faz uma sintonia fina na apresentação de coberturas e preços. Dessa forma, torna o trabalho de colocação do programa de seguros no mercado mundial uma tarefa mais fácil nestes tempos de falta de liquidez e insegurança sobre se o pior da crise realmente já passou.

Os três principais riscos políticos desta edição envolvem inconvertibilidade de moeda (inabilidade de converter a moeda local em moeda forte para fazer pagamento abroad, não apenas de compras, mas dividendos, repagamento de dívidas, etc); violência política (danos físicos à ativos de empresas causados por guerra, revolução, sabotagem, terrorismo, etc) ; expropriação (ações ilegais, arbitrárias e discriminatórias por parte do governo local, que venham impedem as empresas de terem acesso aos investimentos, ativos que o país tenha, etc).

*matéria veiculada no site www.fenaseg.org.br

 

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Energia, um mercado aquecido para seguros*

Por Denise Bueno em 25/04/2008

O crescimento da economia mundial exige investimentos milionários no setor de energia. O mercado de seguros conhecido como “energy”, que engloba riscos de petróleo, embarcações e mineração, está apostando suas fichas neste setor que prevê investimentos de US$ 21,8 trilhões em todo o mundo até 2030. Na América Latina, a projeção é de US$ 1 trilhão no período. Do valor total, energia fica com US$ 11,6 trilhões, exploração de petróleo com US$ 4 trilhões, gás com US$ 4,2 trilhões e a construção de navios com US$ 600 bilhões.

Segundo Willian Lynch, especialista do grupo Aon Risk, o setor de energia movimenta prêmios anuais de US$ 4 bilhões. A grande perda aconteceu em 2005, com a ocorrência de quatro furacões com intensidade elevada. Mas foi o Katrina que causou boa parte das perdas de US$ 20 bilhões registradas no Golfo do México nas plataformas de petróleo. O efeito foi a saída de várias seguradoras do ramo, aumento do preço do seguro e conseqüentemente a redução de capacidade de capital para segurar os riscos.

“Foi um momento difícil, mas as empresas conseguiram se recuperar rapidamente. Os ganhos obtidos em 2006 e 2007 foram suficientes para repor as perdas e por isso vemos agora um mercado com flexibilidade para negociações”, acrescenta. O lado positivo foi que o mercado melhorou bastante de 2005 para cá. “As petrolíferas aprimoraram seus processos de gerenciamento de risco, as seguradoras seguem uma política de subscrição mais estável e as parcerias se mostram em contratos de longo prazo”, diz.

Trata-se de um cenário excelente para clientes, com preço em baixa, capacidade em alta e muitos investimentos que necessitam de seguro para dar sustentabilidade aos projetos. Os investidores contam com um cenário de taxas de seguro de energia reduzida desde o ano passado em razão do excesso de oferta na capacidade de assumir riscos, além da forte competição. No entanto, a crise americana acendeu a luz amarela no mundo para este setor, que poderá sofrer com a perda de capacidade financeira de alguns investidores atropelados pelos prejuízos do subprime.

Também há uma apreensão mundial entre os executivos de seguros em razão do aumento do preço do petróleo, do aço, de materiais de construção de infra-estrutura, do custo de mão de obra e no fornecimento de equipamento. Tudo isso pode gerar aumento no custo de reposição, ou seja, da indenização a ser paga. Isso porque o contrato levou em consideração um custo “x” e como são apólices de longa duração, em média três anos, o custo pode passar a ser “x + y”.

No Brasil, a disputa por este segmento é grande. Os investimentos de R$ 275 bilhões previstos pelo governo brasileiro no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) até 2010 para o setor de energia, que abrange geração, transmissão e distribuição, petróleo e gás, fez com que as seguradoras e resseguradoras criassem novas estruturas para atender a demanda de seguro que tais projetos demandam.

Pesquisas do setor mostram mais de 250 projetos de usinas para serem aprovados pela (Aneel) Agência Nacional de Energia Elétrica. São investimentos privados e também os que estão incluídos no PAC, que destina R$ 66 bilhões para projetos de geração de 12 mil megawatts, incluindo o do Rio Madeira, e R$ 12,4 bilhões em transmissão, com 13 mil quilômetros de linhas de transmissão, cuja apólice é considerada a maior do mundo, com garantias de US$ 2 bilhões obtidas pela Unibanco AIG.

O Brasil tem um tratamento diferenciado por não apresentar o risco político de seus vizinhos latinos. Entre as seguradoras estrangeiras que disputam o mercado local estão a AIG, sócia do Unibanco, a inglesa Royal & SunAlliance, a XL, sócia do Itaú, e o grupo alemão Allianz, maior seguradora do mundo em ramos elementares, e a ACE, das Bermudas. Segundo projeções da Royal, somente com energia alternativa a estimativa da matriz é de que os prêmios de seguros movimentem R$ 5 bilhões até 2015.

A construção de uma hidrelétrica, por exemplo, envolve dezenas de apólices para viabilizar e garantir o investimento, com custos estimados em 10% do valor total da obra. O seguro começa na garantia de que o investidor vai manter o valor da proposta apresentada no leilão até as perdas e danos quando o projeto estiver concluído. A Unibanco se dedica a elaboração do project finance, onde o seguro é apenas uma parte da estrutura do financiamento.

A estratégia das seguradoras é conquistar o cliente desde a apólice de garantia conhecida como performance bond, que assegura o valor ofertado no leilão, até que o projeto esteja em funcionamento. Essa estratégia cria maior valor ao investidor por vários motivos. A seguradora pode acompanhar cada etapa da obra, criando alternativas para que um acidente não acarrete atraso na entrega do empreendimento, o que evitará o acionamento do seguro garantia, por exemplo, que garante perdas causadas pelo não cumprimento do prazo.

*Matéria da autora divulgada na Gazeta Mercantil em abril de 2008

 

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Os riscos mais temidos pelas grandes corporações

Por Denise Bueno em 25/04/2008

A abertura favorecerá a contratação de apólices mais sofisticadas, que vão muito além do risco de acidentes com incêndio, roubo e perdas com transporte. “É preciso pensar nos riscos que podem comprometer a sustentabilidade da empresa. O aquecimento global, a emissão de CO2, o aumento do nível da água são problemas que podem comprometer o futuro do planeta e, conseqüentemente, das empresas. É preciso pensar em soluções agora”, alertou Peter Breitstone, executivo da corretora Aon Risk Services, em palestra promovida no Brasil.

Uma pesquisa realizada pela corretora com 320 executivos de diversos segmentos, em 29 países revelou que o risco mais temido pelas grandes corporações é “danos à reputação da empresa”.
A reputação é encarada como a maior fonte de vantagem competitiva. O estudo traz uma fotografia dos riscos empresariais e o quanto eles são parecidos, independentemente do setor de atuação. Os executivos responderam duas perguntas básicas: Você conhece os riscos potenciais da sua empresa? O quanto sua empresa está preparada para gerenciar esses riscos?

Mais da metade dos entrevistados disse não estar preparada para o risco classificado como o mais preocupante, dano à reputação. O segundo risco potencial citado foi a interrupção de negócios, para o qual 30% dos entrevistados disseram que a empresa não está preparada para enfrentar o problema. Segundo os executivos, há uma percepção de que a interrupção de negócios pode representar uma ameaça ainda maior do que o dano físico em si.

O terceiro maior risco citado pelos executivos foi o de responsabilidade civil, potencializado pela globalização e influência de culturas mais litigiosas como nos Estados Unidos, onde processar virou um hábito.

Entre outras principais preocupações de riscos se destacam: o risco de falha na distribuição ou na cadeia de fornecimento e o risco de ambiente de mercado. Na América, a preocupação com a falha na tecnologia e a perda de dados é uma preocupação de risco maior do que em outros países. Já na Europa, o medo em termos de fusão, aquisições e reestruturação é mais presente no dia a dia dos executivos. Os desastres naturais e climáticos são os mais temidos por executivos da Ásia e Pacífico.

RISCOS TEMIDOS
O principal temor é aquele que pode causar danos à reputação da empresa

Danos para a reputação
Interrupção de negócios
Responsabilidade civil de terceiros
Falha na venda de produtos em canais de distribuição
Risco de meio ambiente de mercado
Mudanças regulatórias
Riscos financeiros
Danos físicos
Problemas com fusões, aquisições ou reestruturação

Fonte: Aon Risks

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercanti em abril de 2008

 

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Brasil tem a maior indústria de seguros da América Latina e a que mais cresce entre os países do Bric*

Por Denise Bueno em 25/04/2008

images1Apostas no mercado de seguros do Brasil não faltam. “O crescimento da economia brasileira impulsiona a indústria de seguros, que deverá crescer num ritmo muito superior ao esperado em outros países”, diz Jérôme Cazas, CEO mundial da Coface, uma das maiores seguradoras do mundo em seguro de crédito.

“Entrarmos no mercado brasileiro irá nos ajudar a alavancar a rentabilidade dos negócios na região”, afirmou Herman Weiss, vice-presidente sênior da Chubb & Son e diretor para a América Latina da Chubb Corp, ao anunciar o investimento de US$ 5 milhões do grupo para criar uma resseguradora admitida no País.

Depoimentos como esses se tornaram uma rotina no Brasil desde a abertura do mercado de resseguros, em dezembro de 2007, e também pelos projetos de infra-estrutura que deixaram a gaveta para ser executado. Para se ter uma idéia do potencial do Brasil, os dois maiores contratos de seguros do mundo são brasileiros. O Projeto Rio Madeira tem garantias de US$ 2 bilhões e o programa de investimentos em expansão da Petrobras conta com suporte de US$ 1,2 bilhão para cada projeto.

Desde o início de 2008, muitos grupos estrangeiros anunciaram investimentos, seja na abertura de empresas, seja no aporte de capital na subsidiária local ou mesmo na compra de carteiras, companhias ou parcerias estratégicas. Entre as notícias mais recentes figuram negociações entre seguradoras, resseguradoras e corretoras.

A Indiana Seguros, com 60% do capital nas mãos da família Afif e 40% com o Bradesco, foi comprada pela americana Liberty. A espanhola Mapfre fez aporte de R$ 300 milhões para sustentar o crescimento da seguradora do grupo em 2007; adquiriu a Vida Seguradora do grupo americano Nationwide; e investirá 25 milhões de euros para abrir uma resseguradora local e uma eventual no Brasil.

“É muito fácil convencer acionistas a colocar dinheiro no Brasil, que será uma grande potência nos próximos anos”, diz Ramón Aymerich, executivo da Mapfre Re, resseguradora do grupo. Doze grupos resseguradores já entraram com pedidos na Susep e onze corretores de resseguros. Entre os locais, com aporte mínimo de R$ 70 milhões, estão o grupo paranaense Malucelli, a alemã Munich Re e a americana XL Capital, além da Mapfre Re.

A corretora Aon, uma das maiores do mundo, fez sua nona compra desde 2000. Neste ano, foi a vez da Wappen Corretora de Seguros, especializada no segmento sucroalcooleiro. A Marsh focou seus negócios e vendeu para o Bradesco a sua consultoria em previdência, a Mercer. A Lazam MDS também aumentou seu market share com fusões e aquisições em 2007.

Os investimentos são justificados pela ausência de catástrofes naturais na região; pela baixa penetração de seguro no PIB do País, que precisaria triplicar para ficar dentro da média de países de primeiro mundo; e também por ainda pagar a maior taxa de juro do mundo para remunerar aplicações financeiras feitas em títulos do governo.

De acordo com Luiz Carlos Trabuco Cappi (foto), presidente da Bradesco Seguros e Previdência, o maior grupo segurador da América Latina, seja qual for o quadro de referência que o País estiver incluído, América Latina ou Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é importante para o mercado de seguros internacional.

Comparativamente ao mundo, a América Latina representa 13% da população e 5,2% do PIB. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América Latina é um dos indicadores positivos para o crescimento das vendas de seguros. Em 1995, o IDH era de 0,755 e dez anos depois passou para 0,797. O seguro, por sua vez, representa apenas 1,5% das vendas mundiais. Segundo as estatísticas, quanto maior o IDH de um país, maior a participação de seguro no PIB.

Quando o seguro penetra nas populações carentes há uma melhoria na manutenção social pela proteção financeira e patrimonial. “Estabilidade econômica e desenvolvimento social, aliados com uma baixa penetração de seguros, resultam em um imenso mercado a ser explorado. Podemos triplicar de tamanho para estar compatível com o PIB”, disse.

No Brasil, a indústria de seguros movimentou prêmios de US$ 55 bilhões em 2007, o que representou 4,59% no PIB. Mas há grandes desafios para triplicar de tamanho. Aumentar a base consumidora de seguros com coberturas adequadas e preços acessíveis para as classes C, D e E, que representam 80% da população, é o principal foco.

Também há muito a fazer para aumentar a base de consumo em diversas carteiras. Da frota nacional de veículos, estimada em 49,6 milhões, apenas 8,5 milhões contam com seguro, um índice de 17%. Das 5,7 milhões de empresas existentes no País, apenas 641 mil contam com seguro. Um índice de 11,2%. Das 54,7 milhões de domicílios cadastrados no Brasil, 7,6 milhões (ou 14%) contam com uma apólice de seguro para danos físicos.

Em saúde, Trabuco informou que as operadoras privadas contam com 39,7 milhões de clientes, 20,6% da população de 191,8 milhões. Já das 5,7 milhões de empresas, 7,1% ou 400 mil têm um plano de saúde para seus funcionários. “Temos um grande potencial em apólices individuais, mas falta uma regulamentação adequada para operar esta carteira”, informou.

Além do potencial da indústria de seguro na venda de riscos patrimoniais e de saúde, Trabuco ressaltou o segmento de previdência privada. Em 1991, tínhamos 16 idosos para 100 crianças. Em 2000, 30. Nos próximos 20 anos, a população com 60 anos ou mais deve atingir 30 milhões, representando 13% da população brasileira. Temos de amadurecer o nosso sistema enquanto somos um País jovem. Quando o País envelhecer, a maior parte do orçamento vai ser usada para cuidar do idoso, tirando recursos da educação. Por isso a reforma da previdência não pode ser mais adiada”, reforçou.

Todos esses dados — expansão da atividade econômica, aumento da renda, melhoria das condições de vida e a retomada dos investimentos — têm um impacto direto no mercado de seguros. “O nosso grande desafio é a criação de novos produtos, redução dos custos de comercialização e desenvolvimento de canais de distribuição de baixos custos”, concluiu Trabuco.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em abril de 2008

 

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D&O: cresce o interesse e taxas recuam

Por Denise Bueno em 17/03/2008

A crise americana com créditos hipotecários de alto risco, conhecida como subprime, já traz efeitos para o seguro de responsabilidade civil de executivos, conhecido como Directors & Officers (D&O). Segundo Enrico Nanni, diretor-executivo da divisão Aon Network Solutions, do grupo Aon, dono de uma das maiores consultoras de seguros do mundo, 47 empresas avisaram que acionistas questionam judicialmente a responsabilidade dos executivos diante das milionárias perdas divulgadas até agora, superiores a US$ 200 bilhões.

“Acredito que haverá uma pressão para a subida do preço nos próximos meses mas, para empresas fora do mercado financeiro, essa tendência não deverá se consolidar, permanecendo o ciclo de taxas decrescentes”, disse Nanni, durante a 10ª Conferência Latino Americana de Seguros em Energia, promovida entre 10 e 12 deste mês, em Buenos Aires.

Eduardo Pitombeira, responsável pelos seguros financeiros da Zurich na América Latina, as instituições financeiras já encontram dificuldades para negociar suas apólices de responsabilidade civil do executivos, onde investidores questionam a perda de rentabilidade; de D&O, contra ações de acionistas; e de fraude, onde a beneficiária é a instituição financeira. “Além da crise do subprime, temos o choque de credibilidade que veio à tona com a fraude do Société Générale. As várias leis internacionais exigidas pelos órgãos reguladores para controlar riscos de gestão se mostraram frágeis e isso pode gerar uma revisão no cálculo do preço do seguro com o agravamento do risco. Se um grupo do porte do SocGen registrou perdas de US$ 4,9 bilhões, outros podem estar oferecendo o mesmo risco para o setor de seguros”, explica Pitombeira.

A situação fica ainda mais grave com as perspectivas de que o prejuízo com o subprime pode chegar a US$ 600 bilhões, segundo divulgou a agência Fitch. Entre as seguradas que já reportaram avisos que seus executivos foram intimados pela Justiça, 25 são do mercado financeiro. Além de cobrir o valor indenizatório determinado pela Justiça, desde que o executivo não tenha agido de ma fé, o seguro de D&O cobre custas judiciais e adianta valores financeiros para que o empresário possa ter dinheiro para as contas cotidianas caso seus bens sejam apreendidos.

Nanni, da Aon, informou em sua palestra que a crise do subprime ainda deve trazer mais acionamentos nos Estados Unidos. “Esse movimento não deverá agravar os preços do seguro em países da América Latina, onde México e Brasil são os maiores compradores do produto, pois há muita oferta de capacidade”, disse. Segundo o executivo, é possível achar com facilidade no mercado de resseguros capacidade de US$ 300 milhões por risco a um preço razoável.

O temor das seguradoras é ter um ano como no início do século 21. As maiores perdas em D&O foram iniciadas com a quebra da Enron, que gerou acordos com acionistas de US$ 7,1 bilhões. A WorldCom é a vice líder em indenizações, com US$ 6,1 bilhões. A Cedant gerou indenizações de US$ 3,5 bilhões.

As empresas que mais contratam o seguro de D&O são aquelas que negociam seus papéis no mercado acionário. Os Estados Unidos são os campeões em compra de D&O nas Américas. As empresas latinas que negociam ADR na bolsa de valores americana ocupam a segunda colocação no ranking do segmento. “Tem sido uma carteira tranqüila, com pouquíssimos acionamentos em países da America Latina. E por isso, acredito que o preço continuará com margens para negociação”, aposta Nanni, da Aon.

No Brasil, que até o momento não tem qualquer reflexo das crises, a procura pelos seguros tem crescido nos últimos anos. Principalmente agora que o Banco Mundial passou a reduzir significativamente a taxa de juros em empréstimos às instituições que têm essas apólices”, diz.

Marcelo Neves, diretor da OCS, corretora de seguros cativa do grupo Odebrecht, aposta na tendência de baixa das taxas. “Não há subprime no Brasil e por isso não há porque pagarmos a mais por um risco que não oferecemos”, argumenta o dono de uma das maiores apólices de seguros do Brasil.

Segundo dados da Susep organizados pela consultoria Siscorp, o seguro de D&O movimentou prêmios de R$ 96,4 milhões em 2007, alta de 9,3% em relação a 2006. A Unibanco AIG é a maior do Brasil, com prêmios de R$ 42,4 milhões. A Chubb é a segunda maior, com R$ 12,3 milhões, seguida pela ACE (R$ 11,6 milhões), SulAmérica (R$ 10,5 milhões), e Itaú XL (R$ 8,4 milhões)

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil

 

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Seguro de entretenimento ganha espaço no Brasil

Por Denise Bueno em 20/04/2007

O cenário para o seguro de entretenimento não poderia ser melhor: o Brasil está na rota de vários astros internacionais, produtores passaram a priorizar o seguro após grandes perdas no ano passado e o aumento do número de processos judiciais envolvendo danos causados a terceiros.

“Os advogados estão espertíssimos com esse assunto, o que preocupa os organizadores de eventos. Apesar de o Brasil ter um índice pequeno de pedidos de indenizações de acidentes sofridos em eventos, esse número tem crescido”, diz Dulce Thompson, especialista em seguro de entretenimento da corretora Aon.

O seguro da oitava edição do Skol Beats, o maior evento de música eletrônica da América Latina, acaba de ser fechado pela ACE. Só neste ano, foram segurados os shows de Roger Waters, Keane, Aerosmith, Cold Play e Simple Plan. Se a Madona não tivesse cancelado o Brasil de sua turnê, seria mais um para a lista, além dos longas-metragens “Meu tio matou um cara”, “Lisbela e o Prisioneiro” e “Cidade Baixa”. Mais de 50 feiras realizadas neste ano também contaram com cobertura de seguro garantida pela Chubb.

O seguro da ACE no Skol Beats visa ressarcir qualquer tipo de incidente provocado por tumultos relacionados à organização do evento. Também cobre possíveis danos corporais sofridos pelos profissionais de 10 empresas envolvidas com os serviços de instalação e desmontagem, além do percurso de ida e volta do trabalho em veículos contratados pela organização.

“O produto da ACE ainda fornece proteção para o uso de cerca de 1,3 mil vagas do estacionamento VIP”, acrescentou Robert Hufnagel, executivo de responsabilidade civil da ACE, a seguradora mais presente nas apólices de responsabilidade civil de eventos. Hufnagel estima que a área de eventos deverá prosseguir neste ano com a mesma performance de crescimento de 2006, quando fechou o ano com 540 eventos cobertos.

Nada melhor do que uma perda para fazer a demanda pelo seguro aumentar. O cancelamento do show de Luciano Pavarotti em Belo Horizonte, em março do ano passado, custou US$ 1,5 milhão ao mercado de seguros, livrando a produtora do show das despesas causadas pela não realização do show, é uma boa propaganda do produto.

“A demanda está muito aquecida tanto para coberturas tradicionais como também por novidades, como o seguro de erros e omissões, uma demanda das produtoras de longrametragem”, disse Dulce Thompson, especialista em seguro de entretenimento da corretora Aon. Um filme contando a história da vida de alguém e essa pessoa ou a família processa a produtora porque a história foi contada de forma errada. Esse tipo de prejuízo estaria coberto na apólice.

Segundo Juliana Santos, executiva da carteira de entretenimento da Chubb, que atua nesse nicho desde 2001, com todas as coberturas que um promotor de evento ou de filmes necessita, poucas produtoras de longas conhecem o seguro, mas as que já compraram, não iniciam uma filma-gem sem comprar a apólice. “A nossa carteira ainda é pequena, porém vem apresentando um crescimento superior a 50% no último ano”, disse Juliana.

Outra novidade é o seguro de insucesso de bilheteria, mais voltado para shows. “Mas esse ainda é muito caro. Estamos desenvolvendo essa cobertura no Brasil, mas ele chega a custar cerca de 10% do valor do orçamento da produtora”, disse Dulce.

O custo se justifica pela especialização e complexidade para mapear o risco do motivo da fraca bilheteria. “Se o evento foi realizado no mesmo dia de um outro megashow, se foi divulgado corretamente para o público alvo. São muitas nuances”, acrescentou. Aqui não se encaixaria uma bilheteria menor do que a prevista em razão dos espectadores que pagam meia, como os estudantes e os idosos.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil

 

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