TI a serviço da eficiência no atendimento
Por Denise Bueno em 02/02/2011
matéria publicada no site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)
Centralizar as decisões estratégicas. Esta é a proposta de Scott Horwitz, diretor da FICO, empresa de gerenciamento de decisões, que promoveu nesta terça-feira um debate sobre o potencial e desafios da indústria de seguros no Brasil. Segundo o executivo, as seguradoras têm um grande volume de informações dos clientes coletados durante a subscrição do risco.
Muitas vezes, porém, esses preciosos dados estão dispersos em vários departamentos. Para piorar, as unidades operacionais não se conversam, gerando um grande desperdício de oportunidades que poderiam ser desenvolvidas com o cruzamento de dados estratégicos. Quando bem trabalhadas, o histórico dos clientes permite lançamento de produtos e serviços mais adequados aos clientes e até mesmo um melhor gerenciamento de risco para a própria companhia.
“A conexão dos dados em um centro estratégico de decisão ajuda a gerenciar riscos, a prestar um melhor atendimento ao cliente, a gerenciar ações de marketing coordenadas com todos os departamentos da companhia, além da prevenção de fraude”, afirma. Em atendimento, um grande aliado do atendente é ter todo o histórico do segurado. “Um cliente espera que a equipe de indenizações saiba o que foi garantido no contrato e combinado com o corretor para ser atendido de forma ágil e não uma conversa marcada pela falta de informação sobre o contrato fechado”.
Diante do cenário de crescimento do Brasil e da indústria de seguros, ter sistemas integrados se torna cada dia mais prioritário para o sucesso empresarial. Samy Hazan, diretor de vida da Marítima, acredita que sistemas como o ofertado pela FICO são cada dia mais preciosos para as seguradoras conquistarem os clientes com ofertas diferenciadas.
“Até pouco tempo atrás, as companhias ofereciam coberturas padronizadas. Hoje o cliente é mais exigente e a concorrência muito mais acirrada. Esse cenário exige uma atuação diferenciada e por isso usar as informações armazenadas de forma inteligente se torna cada dia mais prioritário para ter uma atuação de sucesso”, comenta Hazan.
Angelo Colombo, diretor da Allianz, era um dos ouvintes do evento. “Acredito que daqui para frente teremos de ter sistemas que nos ajudem muito, pois o crescimento previsto é grande e requer sistemas modernos e eficientes”, comentou. Além da tecnologia como aliada para crescer com sustentabilidade, a Allianz tem investido no treinamento de profissionais para grandes riscos, área beneficiada pelo crescimento do País e também pela realização da Copa em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016. “Dos 3 mil inscritos, 15 foram recrutados e estão a todo vapor na companhia”, contou.
Segundo Scott Horwitz, a análise preditiva possibilita gerenciar o futuro. “Em seguros, já ajudamos mais de 300 seguradoras em todo o mundo na melhora da eficácia de suas operações e na redução de fraudes e solicitações abusivas”, contou. No mundo, entre os clientes da indústria de seguros a FICO citou a AIG, Zurich e Aviva. No Brasil, SulAmérica e Liberty.
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Novamente finalista do Prêmio Allianz!!!!
Por Denise Bueno em 20/10/2010
Finalista do Premio Allianz novamente!!! Neste ano, com materia produzida para a revista Conjuntura Economica!!! Tambem estao no pareo Janes Rocha, do Valor, Giulianna Napolitano, da Exame, Thais Folego, do Brasil Economico, e Fabiola Gomes, da Agencia Estado. Sorte a todos!!! Resultado final sai em 9 de novembro. Ano passado levei o prêmio com matéria produzida para a revista Valor 1000 e no ano anterior por um caderno especial de seguros feito para o jornal Gazeta Mercantil, que não existe mais (uma peninha). Veja abaixo a matéria deste ano, terceiro consecutivo entre as finalistas.
Governo quer pôr a mão no seguro
Denise Bueno e Aline Bronzati, de São Paulo
O desejo do governo em atuar no mercado segurador roubou a cena nos debates do I Seminário Nacional sobre Seguros no Brasil, promovido pela revista Conjuntura Econômica, em 22 de junho, na capital de São Paulo. Por ora, há apenas uma Medida Provisória, ainda em discussão. Mas foi o suficiente para movimentar a indústria de seguros mundial, que por anos esperou a abertura do mercado de resseguros no Brasil e agora, dois anos após a flexibilização da operação, se vê diante da ameaça de uma nova estatização.
“A indústria cresceu a taxas três vezes superiores ao Produto Interno Bruto (PIB) na última década. Isso mostra que é dinâmica e com capacidade de atender a demanda de um país que se prepara para estar entre as cinco maiores economias do mundo”, disse Jorge Hilário Gouveia Vieira, presidente da Confederação Nacional de Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNSeg), entidade que reúne as principais seguradoras e resseguradoras do país.
Para mostrar o ritmo de desenvolvimento do mercado de seguros, o diretor regional da Escola Nacional de Seguros (Funenseg) São Paulo e da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (Fenacor), João Leopoldo Bracco de Lima, apresentou alguns números do setor. Segundo ele, o faturamento da indústria chegou a R$ 111 bilhões, em 2009, cifra que há cerca de 20 anos não passava dos US$ 10 bilhões, quando o seguro
correspondia a 1% do PIB. “Nós já temos 7% do PIB, levando em conta os resultados das áreas de saúde e previdência privada fechada”, comparou. “Para os próximos anos, a nossa expectativa é dobrar o volume de arrecadação do setor.”
O presidente do Sindicato das Seguradoras, Previdência e Capitalização do Estado de São Paulo (Sindseg-SP), Mauro Batista, ressaltou as expectativas otimistas de crescimento. De acordo com pesquisas entre os executivos, o crescimento da indústria de seguros deverá chegar a 15%, em 2010. No entanto, dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram que o mercado teve expansão de 20% nos quatro primeiros meses deste ano na comparação com o mesmo período de 2009. “O setor tende a evoluir em meio à expansão da economia e o comportamento da sociedade, com destaque, para as classes C, D e E e também pelos gigantescos projetos de infraestrutura para tornar este crescimento econômico sustentável”, afirmou.
O desenvolvimento da economia, atrelado a abertura do mercado de resseguros, atraiu para o Brasil 118 companhias, sendo 86 resseguradoras e 32 corretores de resseguros. Elas investiram na abertura de escritórios no país e representam mais de 90% da capacidade do resseguro mundial. Por isso, a notícia de que o governo brasileiro está criando uma seguradora estatal repercutiu de forma negativa. “Há farta capacidade de recursos ofertados pelas seguradoras e resseguradoras no Brasil. Caso os grandes projetos hoje em andamento necessitem de mais recursos, eles serão obtidos com as matrizes das companhias que aqui estão”, disse Jorge Hilário.
A ideia original do governo era criar uma seguradora estatal, denominada inicialmente de Empresa Brasileira de Seguros (EBS), para atender às necessidades de seguro garantia por parte das construtoras brasileiras. Grande parte delas tem obras cujos valores ultrapassam o limite de risco de crédito, inviabilizando a emissão de mais garantias por parte de seguradoras e de resseguradoras. “Este é problema que ocorre em todo o mundo e o setor privado tem resolvido bem a questão”, argumentou Fernando Zamboim, responsável pelas operações de resseguros da seguradora suíça Zurich.
Diógenes Gonçalves, sócio do escritório Pinheiro Neto e Advogados, compartilhou da mesma opinião. De acordo com ele, esta é uma ideia similar a vista na Venezuela, decorrente do risco político local. No Brasil, o assunto começou a ser discutido por conta da crise econômica mundial, em meados de 2009. “A criação da seguradora estatal surgiu diante da possibilidade de faltar capacidade para as garantias locais, porém, isso não decorre das seguradoras e sim das empresas tomadoras de seguros, que são sempre as mesmas e participam de vários projetos”, explicou ele.
O que preocupa o governo é ficar sem o seguro em razão do agravamento da crise europeia. E não é só o governo que se preocupa. Duas das maiores empresas do mundo, a seguradora Allianz e a resseguradora Munich Re, informaram que redobram atenção na hora de fazer contratos com empresas ligadas aos países mais afetados, como Grécia, Espanha e Portugal, porque a sinistralidade tende a aumentar neles.
“Existe uma preocupação muito grande e quase não fazemos mais negócios na Espanha”, disse Tânia Amaral, superintendente de Riscos Financeiros da Munich Re do Brasil. Na Allianz, a mesma situação. “Na Espanha não fazemos mais seguro garantia”, acrescentou Edson Toguchi, superintendente de Produtos Financeiros e Responsabilidades da empresa.
A situação, entretanto, torna o Brasil ainda mais importante na indústria mundial de seguros. O fato de a economia brasileira estar com sólidos fundamentos para seguir por mais alguns anos um próspero período de crescimento, contribui para manter a rentabilidade das empresas, reduzida com a crise em outros países. “No Brasil, todos os segmentos da economia são promissores e atraem a atenção dos investidores em todo o mundo”, disse Toguchi. Por isso, acrescentou, há farta capacidade de oferta de seguro garantia no país. O Brasil tem 22 seguradoras e 18 resseguradores em operação. Ofertaram cerca de R$ 100 bilhões em limite de garantias, em 2009. “São projetos enormes, que chegam a surpreender a matriz”, comentou a executiva da Munich Re.
Para o setor privado, o assunto estava resolvido em relação à estatal. No entanto, a preocupação se transformou em um assunto prioritário e urgente ao vazar para todo o mercado uma cópia da minuta da Medida Provisória que criará a seguradora. O documento diz que a estatal atuará em vários segmentos e não apenas em seguro garantia, como havia sido divulgado pelo ministro Guido Mantega, da Fazenda. No texto da minuta, o governo mostra interesse em operar em diversas frentes: seguros habitacionais para baixa renda, de crédito à exportação, compra de maquinário agrícola e micro, pequenas e médias empresas; e seguros de crédito, garantia ou engenharia em projetos de infraestrutura e de construção naval.
“Não há um relato de caso em que o segurado tenha ficado sem cobertura de risco de engenharia ou de incêndio para pequenas e médias empresas, um setor totalmente atendido pelas seguradoras. Em seguro habitacional, um setor que há uma imensa concorrência, faz menos sentido ainda a interferência do governo”, afirmou o advogado Diógenes Gonçalves. Segundo a minuta da MP, será constituído um fundo R$ 11 bilhões. “O montante não será suficiente frente às estimativas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de desembolso de R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões para os próximos quatro anos”, relembrou Gonçalves.
De acordo com o superintendente da Susep, Paulo dos Santos, a autarquia não foi convocada, por isso desconhece o projeto. “O mercado continuará se expandindo e as novas necessidades que surgirão diante de projetos como o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), Olimpíadas, Copa, entre outros, serão atendidas”, afirmou. Durante painel sobre o tema disse que “pode haver algum problema localizado, mas aparentemente para os próximos anos a indústria de seguros tem capacidade”, afirmou. Ele ressaltou que caso a Medida Provisória demore mais de seis meses para ser aprovada, poderá caducar. “Ela não pode ser mais reeditada infinitamente”, observou.
Para o presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado do Rio de Janeiro (Sincor-RJ), Henrique Brandão, a criação de uma seguradora estatal é desnecessária. O fator mais preocupante, segundo ele, é a amplitude dada a esta nova empresa conforme o artigo 11 da MP, que cria a EBS. “Nele, é ressaltado que a seguradora será criada para qualquer tipo de atuação e ramo. Mais uma vez, o Governo está colocando a mão no setor privado, que não precisa”, criticou.
Na visão de Gonçalves, é natural o interesse do governo em grandes investimentos, assim como acontece na França, Alemanha e Inglaterra, entretanto, ele não deve ser o player que comandará a operação em seguros. “É inconsistente o Estado ser garantidor do seu próprio dinheiro. São duas chances de se perder recursos”, enfatizou. Além disso, a nova estatal está na contramão do princípio securitário, que é a transferência de risco. “A filosofia do setor é transferir o risco e sempre que possível pulverizá-lo por meio de consórcio, cosseguro, resseguro e retrocessão”, complementou.
A CNSeg tem um grande numero de argumentos tecnicos a convencer o governo a estimular a concorrência da indústria de seguros e focar-se em áreas prioritárias para a atuação estatal. “Não faz sentido o governo usar o dinheiro para abrir uma seguradora para concorrer com a iniciativa privada num momento em que é preciso tantos recursos para aprimorar a infraestrutura do país capaz de sediar dois mundiais esportivos”, diz Vieira. O argumento jurídico de grande peso é a inconstitucionalidade. “A Constituição diz que seguro é uma atividade privada e também há a Lei 5627, art. 9o, de 1o de dezembro de 1970, que impede que o estado tenha controle em atividade de seguro.”
Seguros
Um apaixonado pela sustentabilidade
Qualquer pessoa que queira debater o tema “sustentabilidade” em seguros pode procurar Fernando Moreira, presidente da HSBC Seguros. Apaixonado pelo assunto, Moreira consegue convencer qualquer pessoa a reciclar lixo ou trocar o sistema de aquecimento da casa ou da empresa. “Garanto. O investimento se paga em no máximo quatro anos”, disse ele durante a sua palestra no I Seminário do Mercado de Seguros, promovido em São Paulo, pela revista Conjuntura Econômica, no dia 22 de junho.
O executivo foi convidado para presidir a comissão de sustentabilidade da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Capitalização (CNSeg), pela nova diretoria que assumiu o comando da entidade em maio. A ideia, segundo Moreira que aguarda a oficialização do convite, é aproveitar a sua experiência internacional para ajudar as seguradoras na criação de práticas sustentáveis.
Moreira foi indicado, no início do ano, como co-presidente do grupo de seguros para a América Latina do programa de políticas ambientais das Nações Unidas. A entidade reúne cerca de 200 instituições financeiras no mundo, que voluntariamente discutem práticas socioambientais relacio- nadas ao setor.
Recentemente, Moreira enviou aos principais executivos do setor uma carta convite para juntos criarem “Os Princípios Sus- tentáveis do Setor de Seguros”. “Acreditamos que a adesão a esta iniciativa pelas instituições de seguros poderá ajudá-los a fazer melhores negócios, de acordo com as políticas sustentáveis do século XXI”, diz.
O objetivo é criar “Os Princípios Sustentáveis do Setor de Seguros” como base da informação para o setor e seus acionistas, com a finalidade de atuar como um marco de melhores práticas, criando consenso global sobre sustentabilidade para integrar e adotar soluções inovadoras e ações coletivas frente aos desafios globais que afetam a continuidade e o meio ambiente.
Moreira representa um grupo de Instituições de Seguros da América Latina, membros da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEPFI). Na carta enviada a vários profissionais do mercado de seguros, ele detalha o que é a instituição e o projeto e convida os profissionais a se juntar ao programa.
A UNEP FI é uma entidade público-privada, entre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e o setor financeiro mundial, reunindo em torno de 200 instituições finan- ceiras. Os membros da UNEP FI assinaram a Declaração do setor de seguros da PNUMA e desenvolvimento sustentável. O grupo de trabalho das Instituições financeiras de Seguros fundamenta suas ações na materialidade dos temas sócio ambientais.
Os membros comprovaram a necessidade de considerar as questões ambientais, sociais e de governança empresarial (ASG) nas atividades de seguros, já que estes fatores extrafinancei- ros podem afetar diretamente nossas instituições de seguros e acionistas, especialmente a longo prazo.Segundo Moreira, a adesão a esta iniciativa é voluntária e a Declaração é um ideal a que aspirar.
“Não é um clube fechado. Nosso planejamento está em “aprender fazendo”, o enfoque da Iniciativa consiste em fomentar a colaboração e o intercâmbio entre pares para aprender de um para outro, elaborar publicações que alimen- tem o conhecimento de melhores práticas relacionadas ao setor de seguros, criando fóruns e diálogos entre instituições, desenvolver ferramentas práticas e guias setoriais/temáticos apropriados para o setor, capacitação, eventos e reuniões”, explica na carta.“Juntem-se a nós nesta iniciativa financeira da PNUMA, com o objetivo de trabalhar em conjunto para adotar melhores práticas e se envolver no desenvolvimen- to dos Princípios Sustentáveis de Seguros (PSI)”, finaliza Fernando Moreira (DB).
Oferta de riscos
Fernando Zamboim, diretor de resseguros da Zurich, afirma que há capacidade de sobra em todo o mundo para ofertar os riscos brasileiros. “Tanto a Zurich como seus concorrentes disputam os contratos no Brasil. Prova disso é o nosso interesse na realização de debates como este, quando podemos mostrar o que temos a oferecer para contribuir com o crescimento sustentável do Brasil”, disse o executivo durante o I Seminário sobre a Indústria de Seguros, organizado pela revista Conjuntura Econômica.
A Zurich lidera o mercado mundial de riscos de enge- nharia, com especial destaque nos Estados Unidos. Tem mais de 500 subscritores de riscos, responsáveis por mensurar as probabilidades de acidentes de um empreendimento, 200 engenheiros de risco e 350 inspetores de sinistro, além de 65 mil clientes. Ter esta retaguarda traz ao grupo contratos significativos, que ajudam a ampliar ainda mais a experiência mundial — opera em 15 países da Europa, Ásia e Américas. Hoje, a empresa tem em carteira contratos de seguros com 17 das 25 maiores construtoras do mundo. Em crédito, é a terceira maior seguradora nos Estados Unidos, com uma carteira de prêmios de US$ 645 milhões.
No Brasil, a seguradora suíça foi a pioneira no lançamento do seguro de risco político. Segundo o diretor de linhas financeiras da Zurich, Eduardo Pitombeira, este seguro oferece três diferenciais: prazo máximo de 15 anos; até US$ 150 milhões de limite de cobertura; e indenização de até 100% do investimento. “Somos a seguradora privada que oferece a maior e mais longa cobertura de risco político do mercado. Além disso, uma vez firmada a apólice, a seguradora não pode cancelar a cobertura durante a vigência por causa de eventuais mudanças polí- ticas e sociais no país aonde o investimento foi firmado”, afirma.
A Zurich também tem obtido forte crescimento no segmento de seguros de responsabilidade civil para executivos (D&O). O produto cobre despesas de defesa (judicial ou administra- tiva), eventuais indenizações e multas de executivos em virtude do exercício de seu cargo. Em dezembro de 2009, a Comissão de Valores Imobi- liários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais bra- sileiro, editou novas normas para tornar mais transparente a divulgação de informações por parte das companhias de capital aberto. As regras elevam consideravelmente o nível de detalhamento das informações que devem ser divulgadas pelas companhias abertas. A maior transparência facilita o processo de análise de risco de um lado e deixa as empresas menos expostas a questionamentos sobre omissão de informações de outro.
Segundo Zamboim, uma parte significativa dos litígios e controvérsias que põem os executivos no banco dos réus diz respeito à suposta falta de transparência ou a não divulgação de informações relevantes sobre os negócios da companhia. Espera-se que ao adotar este novo padrão, os executivos estarão intera- gindo mais eficazmente com o mercado e, principalmente, com seus acionistas, levando ao conhecimento público não apenas dados esporádicos, mas de fato uma visão panorâmica de toda a companhia, reduzindo assim as chances de serem eles próprios contestados e de tornarem-se alvo de processos.
Com mais transparência, a competição entre as seguradoras cresce e o preço do seguro fica mais acessível. Consequentemente, esse é um nicho de negócio que deverá apresentar um forte crescimento no Brasil nos próximos anos. “E a Zurich desenvolveu coberturas diferenciadas para atender às necessidades dos clientes e ser reconhecida pela inovação e prestação dos serviços, dentro de um mercado cada dia mais competitivo”, afirma Fernando Zamboim. (DB).
Diversidade
Poupar para garantir um futuro melhor é preocupação da população mundial. Pesquisas mostram que as pessoas estão conscientes de que elas é que tem de assegurar o amanhã, pois a dependência de uma aposentadoria oficial tem se mostrado cada dia mais um benefício insuficiente por vários motivos, entre eles o avanço da longevidade e o recuo da natalidade. Além de ter menos gente para pagar a conta dos anos a mais que se vive, a crise financeira elevou os déficits de muitos governos em razão do socorro financeiro dado às instituições com problemas de caixa.
Considerando-se apenas Grécia, Espanha, Irlanda e Portugal, o total de dívida que vence somente neste ano é de € 291,7 bilhões. Somando os vencimentos de títulos desses quatro países, em 2011, de € 590,1 bilhões, o total chega a € 881,80 bilhões. Isso deverá gerar algum impacto de redução de custos e a previdência oficial pode ser afetada.
Por todo este estresse do cotidiano, a saída é investir, não só para poupar recursos para ter um futuro melhor, como também aplicar em saúde. Pensan- do nisso, a BrasilPrev, empresa de previdência privada do Banco do Brasil em parceria com a norte-americana Principal, lançou o Programa Projeto de Vida. No seminário organizado pela revista Conjuntura Econômica, Mauro Guadagnoli, superinten- dente comercial da BrasilPrev, informou que a iniciativa será apresentada em uma série de 48 programas de cerca de um minuto de duração no Programa Giro Business, transmitido pela rádio e TV BandNews, duas vezes por semana até o final de agosto.
De acordo com a seguradora, o principal objetivo do programa é tratar o tema previdência privada com simplicidade e didatismo, além de explicar a importância das pessoas utilizarem os planos de previdência como meio de acumulação de recursos no presente, visando à concretização de projetos de vida no futuro. Entre os diversos temas abordados, figuram as diferenças entre as modalidades PGBL e VGBL, tipos de tributação e benefícios fiscais, 13o salário e declaração de Imposto de Renda, diferenças entre os fundos de investimentos nos planos de previdência privada, tempo de contribuição e opções de resgate dos recursos, aumento da expectativa de vida e a necessidade de planejamento financeiro no longo prazo.
Para a Brasilprev, esta iniciativa, utilizando o conceito Projetos de Vida, é uma forma diferenciada de prover educação financeira. “Este projeto também contribui para desmistificar a previdência privada”, diz Guadagnoli. “Trata-se de uma forma simples e acessível que, de maneira rápida e prática, ensina os fundamentos dos planos de previdência e auxilia as pessoas a se programarem para os mais diferentes projetos de vida. Fornecer informações didáticas à sociedade sobre o tema é uma maneira de fazê-la conhecer todos os benefícios e vantagens que a previdência privada oferece”, acrescenta Celso Barros, executivo responsável pela iniciativa do projeto da Brasilprev, uma das maiores empresas de previdência privada no Brasil, com mais de 1,2 milhão de clientes em todo o Brasil e R$ 29 bilhões em ativos sob gestão. (DB)
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Allianz patrocina debate sobre mudança climática
Por Denise Bueno em 27/09/2010
A Allianz é a patrocinadora do 2º seminário CC+I (Climate Change and Insurance), promovido pela Geneva Association, realizado nos dias 27 e 28, em São Paulo. O encontro é destinado ao debate das mudanças climáticas na América Latina e Caribe e suas relações com o mercado de seguros. Uma grande preocupação da indústria é com o aumento de ocorrências de catástrofes naturais no Brasil, que até poucos anos atrás eram praticamente inexistentes. Neste ano, por exemplo, já podemos citar o excesso de chuvas em São Paulo, no Rio de Janeiro e nos estados do Nordeste, com prejuízos econômicos significativos para os governos, famílias e seguradoras.
Esta é a primeira vez que o evento acontece no país e discute especificamente os impactos do aquecimento global na região. “É um grande orgulho para nós realizar este evento em São Paulo e assim promover o debate de novas alternativas e gestão de negócios que colaborem para todos terem um futuro melhor”, diz Max Thiermann, presidente da Allianz, na abertura do encontro patrocinado pela subsidiária brasileira do grupo alemão.
Entre os temas prioritários temos a saúde das populações locais, assim como os novos seguros que podem ser desenvolvidos para reduzir as perdas da sociedade e das empresas com as mudanças globais. A grande discussão entre os quase 50 participantes está em como a indústria de seguros pode ajudar o planeta a sofrer menos com o consumo desenfreado, que retira da natureza mais do que esta pode lhe dar. Além disso, como viabilizar produtos que ajudem as pessoas a refazer a vida após a ocorrência de uma catástrofe.
Os debates sobre mudanças climáticas dão uma noção clara do poder das seguradoras em estimular a mudança de relação da sociedade, dos indivíduos, das empresas e dos governos com a qualidade de vida de todos. Além do interesse em criar produtos para mitigar os riscos, o objetivo do encontro é também reunir ideias que possam colaborar para a mudança de atitude das pessoas num apelo que vai além dos benefícios econômicos.
Se nada for feito, a vida na terra ficará comprometida, afirma o professor Germán Poveda, da Universidad Nacional de Colombia, um dos palestrantes do evento. E isso não é apenas conversa de cientista ou ativista. Aliás, o que se constatou até agora é que os estragos na terra já superam as mais catastróficas previsões feitas anos atrás. “O número de furacões e o aumento da intensidade tem sido significativa nos últimos 30 anos”, informou.
Reduzir a emissão de CO2 é uma missão que pode ser perseguida por todos a partir de um consumo mais consciente. “A educação financeira pode ter uma forte contribuição para minimizar os efeitos climáticos e isso pode ajudar a causar menos mortes e direcionar recursos governamentais para investimentos e não para consertar o que está sendo aniquilado”, diz Adriana Boscov, superitendente de sustentabilidade da SulAmérica.
Ela citou como exemplo a iniciativa de ONGs para o recolhimento de óleo nas residências. Somente a ONG Ecoleo.org.br, conseguiu no bairro de Cerqueira Cesar, em São Paulo, fazer com que mais de 1 milhão de litros por mês deixem de ir para esgoto com uma simples atitude de estimular a população a reciclar. “Foi entregue um folheto junto com a conta de água e a adesão foi impressioante”, conta. Com isso, a economia gerada com a manutenção do custo de drenagem da rede de esgoto chegou a 25%, verba que pode ser usada para investimentos na ampliação do sistema de água.
Isso mostra que muito pode ser feito para educar a sociedade e fazer com que o país continue sendo o destino de milhões de turistas. O Brasil do futuro sequer lembrará este país maravilhoso, livre de catástrofes naturais de grandes efeitos e frequência, como outros continentes se a agressão ao planeta continuar. “O norte virará um deserto e o sul um alagado, com pessoas doentes e sem infraestrutura, devastado pelos efeitos das mudanças climáticas. São Paulo corre o risco de sofrer com grandes enchentes, trazendo perdas para todos”, ressalta Juan England, diretor da corretora Willis.
Globalmente, 2010 tem sido o ano mais quente desde que os registros começaram, há mais de 130 anos, sendo que os dez mais quentes caem todos no período dos últimos 12 anos, informa Peter Hoeppe, especialista do departamento de mudanças climáticas da Munich Re. Segundo ele, 725 desastres naturais ligados ao clima no mundo nos primeiros nove meses desde ano trouxeram impactos significativos para o mundo. Este é o segundo maior número em 30 anos. As perdas econômicas ligadas ao clima chegam a um total superior a US$ 65 bilhões nos primeiros nove meses. O valor está abaixo da média dos últimos dez anos, mas as indenizações cobradas das empresas de seguro chegaram a US$ 18 bilhões.
O seminário CC+I é parte integrante do Programa de Gerenciamento de Riscos, criado pela Geneva Association, com o objetivo de dialogar com diversos setores econômicos para enfatizar o papel do seguro na sociedade.
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Allianz prevê lucro de € 7,2 bi em 2010
Por Denise Bueno em 08/08/2010
A Allianz, maior seguradora do mundo em valor de mercado, registrou alta de 35% no lucro líquido do primeiro semestre deste ano, para 2,5 bilhões de euros. No segundo trimestre, no entanto, o lucro líquido recuou 46% em relação a igual período do ano passado, para 1,02 bilhão de euros. O lucro operacional cresceu 23% no segundo trimestre, para 2,19 bilhões de euros e a meta de chegar a 7,2 bilhões foi mantida para 2010. O faturamento cresceu 15%, para 25 bilhões de euros. O índice combinado ficou em 96,3%.
Segundo dados divulgados pela seguradora, o resultado foi impactado pelos mais de 800 milhões de euros pagos em indenizações para as vitimas do terremoto no Chile, ressarcir danos causados pelo vazamento de óleo no golfo do México com a explosão da platamorma de British Petroleum, além das enchentes e inundações na Europa.
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Todos gostam do Brasil, diz conselheiro da Allianz
Por Denise Bueno em 30/07/2010
*entrevista publicada na Revista Apólice
Max Thiermann, presidente da Allianz Brasil, está com tudo. A alta cúpula da maior seguradora do mundo demonstrou completa satisfação com o desempenho da subsidiária brasileira. Para começar, Michael Diekmann, presidente mundial do Grupo Allianz, autorizou que o segundo dia do Encontro Brasil Alemanha, realizado dias 31 de maio e 1º de junho e patrocinado pela Allianz e pela BMW, acontecesse dentro do Allianz Arena, em Munique, considerado um dos mais modernos estádios do mundo.
“Concordei por três razões: a primeira delas para retribuir os bons resultados que o Brasil vem dando ao grupo, com crescimento médio de cerca de 20% nos últimos cinco anos. A segunda razão é pessoal. Fui responsável pela região por vários anos e sei do potencial do país. E a última é porque o Allianz Arena é um ambiente fantástico para o Encontro, por ser símbolo da cooperação entre esporte, política e economia”, disse Diekmann na abertura do segundo dia do evento.
Se não bastassem as honrarias do presidente mundial ao Brasil, Enrico Cucchiani, membro do conselho de Administração da Allianz SE e responsável também pelo Brasil, fez questão de abrir um horário em sua atribulada agenda para atender jornalistas e corretores de seguros brasileiros.
Acostumado a grandes números, Cucchiani vê grande potencial na jovem indústria de seguros do Brasil. “Alocaremos os recursos necessários para o desenvolvimento dos nossos negócios na região”, disse ele, com tranqüilidade e sem tirar um simpático sorriso do rosto durante quase duas horas de perguntas.
Dinheiro parece não ser um problema para o grupo. Em 2009, a Allianz faturou quase € 100 bilhões, mais do que o dobro da indústria de seguros brasileira inteira, com prêmios de R$ 111 bilhões, que convertidos para a cotação de R$ 2,4 do último dia de 2009, significa € 44,4 bilhões. Pagou € 1,9 bilhão em dividendos para os acionistas, € 9,9 bilhões aos funcionários que fazem este enorme conglomerado funcionar, € 16 bilhões em comissões aos corretores, € 8,2 bilhões em indenizações aos clientes. Tem ainda € 1,3 trilhão em recursos administrados em 70 países pela Allianz Global Asset, a segunda maior do mundo, considerando-se também a Pacific Investment Management (Pimco). Ativos de 75 milhões de clientes e que representam pouco mais do que o PIB do Brasil de 2009, R$ 3,1 trilhões (ou € 1,24 trilhão). “Ou 40 vezes o PIB da Colômbia”.
Veja a seguir os principais trechos da entrevista:
São números expressivos. Parte destes recursos administrados pode ser direcionada para investimentos no Brasil, como na construção de estádios ou projetos de infraestrutura, por exemplo?
Estamos preocupados em atender as demandas brasileiras. A alocação de capital para os países depende das oportunidades que são apresentadas. Temos de justificar aos acionistas os aportes de capital que fazemos. Estamos em um mundo capitalista, movido a lucro. Não podemos perder dinheiro. Temos hoje mercados com fortes perdas, como a Espanha. O Brasil está crescendo e vamos suportar o crescimento do país a medida que as oportunidades forem sendo apresentadas.
Há muitas oportunidades no Brasil hoje…
O Brasil tem grande potencial. E nos temos pessoas capacitadas para detectar os movimentos mundiais. Entre nossos executivos temos Mohamed El-Erian, CEO da Pimco e CEO e autor do bestseller “When Markets Collide”. Ele nasceu no Egito, cresceu nos Estados Unidos, trabalhou na França, no FMI. Temos também Bill Gross, que previu a crise da Argentina mesmo antes dela acontecer. Veja como estamos preocupados em contratar os melhores colaboradores para detectar as boas oportunidades de negócios.
Construir um estádio, como fez aqui em Munique, em parceria com os clubes de futebol, ajudaria a tornar a Allianz muito conhecida no Brasil com a Copa de 2014. Afinal, o nome Allianz é novo por lá. Até 2008, os brasileiros conheciam mesmo era a marca AGF.
Esta é uma idéia única realizada aqui em Munique onde está a sede do grupo. Este é de longe o melhor estádio da Europa, mas acredite, custa muito dinheiro mantê-lo. Mas o fato de ser caro, não significa dizer que não vale a pena. Temos um grande retorno de imagem, que chega a € 3,5 milhões a € 4 milhões por ano. Sabemos que é o estádio mais fotografado do mundo e recebemos cerca de 4 milhões de visitantes por ano.
Como o Brasil pode atrair mais investimentos?
Atualmente, quando o assunto é crescimento, logo os investidores pensam em China, o motor do mundo hoje. Todo mundo gosta do Brasil, principalmente os europeus. Futebol, mulheres bonitas. Por muito tempo o Brasil ameaçou avançar, mas as frustradas tentativas não se traduziram em oportunidades de negócios. Agora mudou.Temos uma boa plataforma no país, que está crescendo a taxas anuais de 20%. Isso é impressionante. Além desta taxa, no Brasil o europeu se sente em casa, ao contrário da China, que tem vários dialetos, o que dificulta os negócios. Já na Índia, colonizada por ingleses, temos mais semelhanças no arcabouço jurídico, por exemplo. O Brasil tem recursos naturais, de pessoas. É um grande exemplo para outros países e por isso temos dado oportunidade para a companhia local se desenvolver.
A Allianz está fora de previdência, um dos segmentos que mais cresce no Brasil. Há planos de voltar a atuar neste mercado?
Saímos de previdência no passado, mas vamos voltar no momento oportuno. Já retomamos vida e compramos no início do ano a participação de 14% do capital acionário que o Itaú detinha da subsidiária brasileira. Isso demonstra a relevância do Brasil para o grupo Allianz e sinaliza o compromisso com um mercado que apresenta excelentes oportunidades de crescimento.
A estratégia do grupo também foi ser uma resseguradora admitida e não local, como optaram algumas concorrentes de peso como Munich Re, ACE, Chartis ou XL.
Sim. A Allianz não tem planos no momento de mudar esta estratégia.
A grande preocupação dos clientes brasileiros, que enfrentam um mercado recém aberto de resseguro e que estavam acostumadas com o ressegurador local com o qual tinham relacionamento até mesmo pessoal, é negociar com empresas que realmente sejam comprometidas a pagar as indenizações.
O nosso negócio é pagar indenização. Se não fosse isso, não existiríamos, pois ninguém contrataria seguro. Com a crise, todos estão mais cautelosos, pois o índice de fraude costuma crescer muito. Se pagássemos as fraudes, o preço do seguro ficaria inviável para todos. Temos grande apetite por riscos, mas também temos cautela, principalmente porque a crise trouxe riscos novos, que não estavam computados nos balanços das empresas.
Há planos de investir numa parceria com grandes canais de distribuição, como bancos?
Trabalhamos com diversos canais de distribuição, sendo os corretores os principais.
Nosso objetivo, como disse, é crescer com as parcerias e isso significa dizer que somos leais com quem nos ajudou a chegarmos no estágio que estamos hoje.
Acredita que os corretores podem perder mercado para as novas tecnologias, como a venda por celular, por exemplo?
A venda de seguros é uma negociação complexa. Muitos têm celulares, mas os smartphones, que ainda tem baixa penetração, serão cada dia mais usados como uma ferramenta para divulgar o produto seguro. Como o aumento de ofertas, o corretor se torna ainda mais prioritário para ajudar o cliente a decidir pelo produto que mais se encaixa no seu perfil.
Qual a prioridade do grupo Allianz?
Atender bem os nossos parceiros e clientes. Ontem (dia 1º de junho), recebemos uma carta da United Airlines, que começamos a atender após o fatídico 11 de setembro, de que passamos a ser o principal parceiro da empresa aérea. A escolha de deu, diz a carta, pela forma como a seguradora atende e negocia. Isso é um prioritário para nós. O nosso negócio não é emitir uma apólice. É fazer parcerias.
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Venda de seguro garantia pode duplicar e valor de garantias triplicar em 2010
Por Denise Bueno em 22/06/2010
Aonde será o canteiro de obras? Esta é a primeira pergunta feita pelos subscritores de riscos sediados na matriz da seguradora alemã Allianz, em Munique, aos executivos brasileiros. “A resposta é: o Brasil é um canteiro de obras”, conta Edson Toguchi, superintendente de seguros financeiros da Allianz Brasil, em sua palestra no 5º Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, realizado hoje pela Allianz em São Paulo.
A partir desta afirmação eles apresentam aos estrangeiros o mapa de investimentos do Brasil. Nos próximos seis anos, segundo a Allianz, o país deve receber pelo menos R$ 300 bilhões em investimentos em infraestrutura. O BNDES divulgou estimativas de desembolsar algo entre R$ 40 bilhões a R$ 50 bilhões anualmente nos próximos quatro anos.
Considerando-se o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2), são quase R$ 1 trilhão. Petróleo e petroquímico, bem como energia, papel e celulose e siderurgia, metalúrgica e mineração estão entre os quatro setores que mais aportarão recursos para atender a demanda de crescimento do Brasil. Entre os investimentos já divulgados, a Petrobras é a líder absoluta. Hoje mesmo o grupo divulgou intenção de investir R$ 224 bilhões nos próximos quatro anos. Vale, Eletrobras, Chesf, CNS, Suzano, EDD, Neoenergia, Cosan, Usiminas, MMX, CPFL, Copel e Cemig compõem o grupo dos maiores investimentos anunciados no país.
“O Brasil está no centro do interesse mundial e com chances reais de se tornar a quinta maior economia do planeta. E o segmento de seguro exerce um papel fundamental para garantir esta conjuntura”, diz Max Thiermann (foto), presidente da Allianz Brasil. Uma das formas da indústria de seguros participar deste momento histórico de crescimento do país é com o seguro para garantir que todas as obras em execução sejam finalizadas dentro do prazo e nas condições acordadas.
O seguro garantia é um dos instrumentos que visa assegurar os contratos de financiamentos. Diante dos valores, a parceria entre as empresas é a saída para garantir os contratos. A abertura do resseguro foi um fato importante para o seguro garantia, pois possibilitou a entrada de vários players no Brasil e aumentou a concorrência entre as seguradoras.
Segundo o executivo, há farta capacidade de oferta de seguro garantia no País. O Brasil tem 22 seguradoras e 18 resseguradores operando neste mercado. Eles ofertaram cerca de R$ 100 bilhões em limite de garantias em 2009, que podem até triplicar neste ano, chegando a R$ 300 bilhões com os seguros de infraestrutura e estádios para a Copa 2014. “São projetos enormes, que chegam a surpreender a matriz”, comenta Tânia Amaral, superintendente da área de riscos financeiros da Munich Re do Brasil, uma das palestrantes do evento.
Um problema que tem gerado conflito neste segmento é o excesso de obras das grandes construtoras. Todos os grandes projetos estão na mão de cinco construtoras, o que aumenta muito o risco. “Como um cheque especial, muitas delas já consumiram o limite de crédito que é possível uma seguradora disponibilizar para cada grupo, obedecendo as regras de solvência da indústria”, explica.
São tantos riscos e tanta necessidade de que tudo dê certo, que o governo anunciou em maio a criação da Empresa Brasileira de Seguros (EBS), com o objetivo de se prevenir da crise financeira internacional e apoiar eventuais necessidades de capacidade que as empresas privadas não possam suportar. “Hoje, das 20 maiores exposições da Munich re no mundo, metade é de empresas brasileiras”, acrescenta Tania.
Um dos problemas já detectados, por exemplo, é o atraso nos projetos para a construção dos estádios no Brasil. Este atraso é uma análise crucial para o mercado segurador. “Por exemplo, construir um estádio em dois anos quando o previsto era de três anos, pode inviabilizar a participação da seguradora por motivos técnicos”, comenta Toguchi. O rating da seguradora pode cair, caso ela assuma projetos sem viabilidade técnica, acrescenta.
O volume de prêmios vem crescendo ano a ano e a estimativa é de que em 2010 o mercado irá dobrar de tamanho, diz o executivo da Allianz. Em 2007, os prêmios de garantia somaram R$ 342 milhões, passando para R$ 500 milhões em 2008 e R$ 696 milhões em 2009. Nos quatro primeiros meses deste ano os prêmios de garantia já somam R$ 226 milhões, segundo dados da Susep compilados pela Allianz.
O atual estágio do seguro garantia no Brasil é explicar como funciona o produto. “Muitas vezes se exige garantias elevadas, que não condizem com o contrato, pois o risco de algoacontecer é bem menor do que o exigido. Outra distorção é do responsável pela obra querer passar todo o risco para seguros, sendo que seguro é apenas uma das garantias dentro de uma estrutura financeira de um projeto”, explica Tania Amaral.
A Allianz começou a operar com garantia em 2008, ano em que o mercado apresentou crescimento de 50% no volume de prêmios no segmento. Em 2009, enquanto o mercado evoluiu 40%, os prêmios da Allianz chegaram a R$ 22 milhões, alta de 73%. Em 2010, segundo o executivo, a Allianz já acumula crescimento de 27%. “Temos o apoio da matriz e interesse em atuar em todos os segmentos, tanto com a oferta de coberturas inovadoras como em trazer recursos para o Brasil caso isso seja necessário”, finaliza o executivo da Allianz.
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Allianz debaterá microsseguro e garantia dia 22
Por Denise Bueno em 14/06/2010
A Allianz realizará no próximo di 22 a 5ª edição do Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, que acontece em São Paulo, das 8h30 às 14h. Dois temas serão discutidos: microsseguros e a questão da capacidade de seguro do mercado local para acompanhar o crescimento do país com as obras de infraestrutura do PAC 2, Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Na programação do Fórum preparada pelos executivos da Allianz, os jornalistas poderão conhecer mais sobre o microsseguro na Índia, principal país onde o produto é vendido. O indiano Kamesh Goyal, CEO da Bajaj Allianz Life Insurance Company, contará um pouco da experiência da Allianz no país. Lá, os seguros chegam a ser vendidos a US$ 0,15 mês. Destinado à população de baixa renda, dados levantados pelo Grupo Allianz apontam que 90% dos consumidores de microsseguros nunca tiveram qualquer tipo de apólice.
Segundo informa a Allianz em comunicdo, projeções indicam que o público potencial desse mercado no Brasil gire em torno de 40 milhões de pessoas. O setor de seguros aguarda uma definição do Congresso Nacional sobre o Projeto de Lei 3266/08 que visa regulamentar o microsseguro. Como debatedor para esse painel, está confirmado o professor doutor Lauro Gonzales, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV-SP. Gonzales, além de participar da discussão, fará uma pequena explanação sobre os resultados parciais da pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da FGV sobre microsseguros no Brasil, assim como a ligação que existe entre esse setor e o de microfinanças.
Já o segundo painel do Fórum apresenta a situação atual do mercado segurador brasileiro frente ao desenvolvimento do país. Segundo estudo do BNDES, com estatísticas consideradas conservadoras, indicam que haverá investimentos de R$ 310 bilhões em infraestrutura no Brasil nos próximos seis anos. Nesse contexto, o seguro garantia exerce papel fundamental porque, como o próprio nome diz, serve para garantir que tudo o que foi acordado seja cumprido. No ano passado, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o seguro garantia movimentou R$ 692 milhões. De janeiro a abril deste ano, os prêmios já somaram R$ 221 milhões.
O executivo da Allianz Seguros Edson Toguchi vai explicar o funcionamento dessa modalidade. Serão abordadas questões como até que ponto a falta de capacidade de seguro pode inviabilizar essas obras, por que houve a necessidade do governo criar a Empresa Brasileira de Seguros (EBS) e o que está incentivando grupos nacionais e internacionais a ingressar no segmento de Garantia, seja como seguradora ou resseguradora.
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Solvência II é a melhor regulamentação, diz Allianz
Por Denise Bueno em 05/06/2010
A principal preocupação das seguradoras européias não é com a crise, que traz volatilidade aos mercados financeiros de todo o mundo. O assunto que tem dominado os lobistas da indústria de seguros na Europa é a Solvência II, regras de capital baseado em risco para as seguradoras. Nos bancos, tais regras são conhecidas como Basiléia.
A expectativa é de que as regras comecem a valer em 2012. Muitas companhias terão de aportar capital. Como ainda não se sabe quanto, pois as regras ainda estão sendo debatidas, a saída é ir acumulando capital para não ter de reduzir as vendas ou contratar resseguro.
Tom Wilson, executivo da Allianz, maior seguradora do mundo depois da queda da AIG, é especializado nas regras de Solvência II, que deverão nortear toda a regulamentação mundial da indústria de seguros com o claro objetivo de padronização e assim facilitar a concorrência das empresas globais.
No caso da Allianz, caso tenha de aportar capital, ele está reservado. Se não tiver de aportar, o dinheiro acumulado pode servir para fazer frente a uma esperada onda de fusões e aquisições por conseqüência da necessidade de adaptação ao novo cenário regulatório europeu. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida pelo especialista da Allianz:
Quais os principais impactos para as seguradoras europeias com a implementação de Solvência II?
Eu diria que haverá dois impactos importantes. O primeiro é o fortalecimento da gestão de risco e da cultura de risco, de abordagens técnicas e sistemas para a indústria. Em segundo lugar, haverá algumas implicações para diferentes linhas de negócios e produtos. Enquanto abordagem baseada no risco, a Solvência II é diferente da Solvência I. Dessa forma, alguns produtos ou linhas de negócios serão considerados “melhores” com o modelo II e outros “piores”.
Desde quando as seguradoras vêm se preparando?
A maioria das grandes seguradoras europeias investe na capacidade de gestão de risco há muitos anos. Após a crise de 2001, grande parte implementou abordagens de gestão de risco em empreendimentos, incluindo sistemas, governo, modelos e controles.
A área de vida será mais atingida?
Particularmente, acredito que haverá maiores implicações em termos do acúmulo de ativos no segmento de Vida e da criação de produtos de poupança, estratégias de precificação e investimentos devido aos custos de capital potencialmente mais altos. O impacto será maior para o segmento de Vida comparado a outros segmentos porque a Solvência II foi criada originalmente para ter uma abordagem mais baseada no risco do que a Solvência I, já que esta não tratava explicitamente do risco inerente ao mercado financeiro, sendo que o segmento de Vida está constantemente exposto a riscos de mercado.
Acha que há uma tendência do mundo seguir as regras que forem definidas em Solvência II?
É complicado defender que um modelo de solvência baseado no risco não seja do interesse da indústria, dos detentores de apólices e dos reguladores. Assim, acredito que muitos países seguirão a Solvência II, por exemplo, ao desenvolver uma abordagem de solvência mais baseada no risco. No entanto, eu também acredito que ela não será idêntica ao modelo da Solvência II europeu. Por exemplo, os princípios desenvolvidos para a União Européia podem precisar ser adaptados para refletir os mercados capitais, características de produtos e posições de solvência locais.
Quais as principais regras que podem ser globais e quais o senhor acredita que merecem tratamento personalizado pelos órgãos reguladores de cada país?De maneira geral, a Solvência II foi criada para ser aplicada em todos os negócios e em todos os países em que uma seguradora internacional atue. Assim, o modelo pode a princípio ser adotado localmente pela maioria dos países. No entanto, como já mencionamos, pode ser necessário um ajuste para os mercados emergentes ou com mercado de capitais menos desenvolvido, e isso pode precisar acontecer em nível local. Alem disso, outras adaptações podem ser necessárias para manter os custos de implementação local em um nível que possa ser absorvido pela indústria.
Carlos Montalvo, secretário geral de seguros da Committee of European Insurance and Occupational Pensions Supervisors (Ceiops), afirmou que grande parte das seguradoras européias não precisa de capital adicional para cumprir as regras de Solvência II. Concorda com ele?
O Estudo de Impacto Quantitativo no 4 (QIS4), conduzido em 2007, antes da crise, sugeria uma proporção média de solvência da indústria de aproximadamente 210 % (230% para companhias de Vida e 190% para seguros gerais). Entretanto, desde então as calibrações têm seguido um caminho interessante. Após a crise de 2008/2009, o equivalência proposta foi muito mais conservadora.
Qual era a sugestão?
Na verdade, a indústria estimava, se me lembro corretamente, uma proporção média de solvência abaixo de 100% com base nessa calibração mais conservadora, fazendo com que a indústria negociasse proativamente uma calibração mais racional e econômica. Como se pode imaginar, chegar a este estado foi como um passeio de montanha russa, começando com a calibração QIS4 que foi “razoável”, seguida de uma calibração excessivamente conservadora que causou intensas discussões entre a indústria e os reguladores, mas agora se estabilizando a uma calibração QIS5 um pouco mais razoável.
A Geneva Association, que reúne os principais CEOs do mundo, tem liderado um movimento mundial para explicar aos órgãos reguladores que a dinâmica das seguradoras difere muito da dinâmica dos bancos e assim evitar que as seguradoras sejam prejudicadas por normas que fogem da realidade. Dentro deste contexto, quais as principais diferenças no quesito gestão de risco?
Eu diria que há algumas diferenças bastante importantes entre as indústrias bancária
e a de seguros. A primeira e principal é que as companhias de seguros são mais conservadoras e têm maior responsabilidade e estrutura de financiamento. Resgatamos prêmios e os investimos para assegurar nossas responsabilidades futuras. Enquanto os bancos podem financiar a si próprios com financiamento interbancário e de depósito bastante líquido, o que pode literalmente evaporar durante uma crise de liquidez, as responsabilidades do setor de seguros são muito mais estáveis e têm liquidez baixa, o que representa uma fonte muito mais estável de financiamento.
Só isso basta para diferenciar?
As companhias de seguros desempenham um papel valioso na sociedade ao absorver riscos que não podem ser comercializados, por exemplo o risco de uma residência familiar se incendiar ou o risco do principal provedor da família ficar incapacitado. Como conseqüência, as seguradoras focam na subscrição dos riscos de seguros que planejamos manter, o que exige a criação de um portfólio diversificado de negócios e a contenção ativa de riscos de acúmulo, tais como catástrofes naturais.
Além do risco do negócio, há o risco financeiro, não?
O risco do mercado financeiro também é um risco que se acumula e, como conseqüência, as companhias de seguros per se não necessariamente buscam maiores taxas de juros, ações ou riscos de crédito associados aos ativos de seu balanço. Obviamente, precisamos, sim, aceitar a existência de ativos de risco, mas nossa aceitação do risco do mercado financeiro importa menos que nossos valores de servir aos clientes e à sociedade. Finalmente, a indústria de seguros tem uma estrutura de remuneração diferente que dá menos ênfase ao curto prazo ou a resultados de Marcação-a-Mercado e mais à criação de valor no longo prazo. Naturalmente, isso ajuda a alinhar os interesses da gestão ao dos acionistas, detentores de apólices e reguladores e não promove a tomada de risco excessiva dentro da organização.
Que tipo de regulamentação poderia ser ideal para mitigar o risco financeiro das seguradoras no que diz respeito a aplicações financeiras, sem engessar a criatividade dos gestores e balizar por baixo o rendimento da carteira de investimentos?
Eu diria que se “acertarmos” com a Solvência II não poderia haver um modelo regulatório melhor. No entanto, também acredito que há alguns assuntos que devemos abordar para “acertar”.
Quais são os assuntos?
Há, na verdade, algumas áreas nas quais a indústria do seguro e os reguladores deveriam se concentrar. Primeiramente, temos que garantir que qualquer sistema baseado em risco que coloquemos em ação não promova comportamento excessivamente pró-cíclico de gestão em tempos de mudanças ou crises. Nesse sentido, é importante reconhecer que a Solvência 2 encaixou todo o balanço da área de seguros em um modelo Marcação-a-Mercado ou Marcação-a-Modelo, o que não é o caso na industria bancária.
Poderia explicar isso?
O modelo de Marcação-a-Mercado da Solvência 2 pode ser o mais apropriado de maneira geral, porém em tempos de crise caracterizados por deslocamentos extremos de mercado, ele pode levar a mudanças dramáticas e contra-producentes em termos de proporção de solvência. Assim, acredito que algumas medidas de precaução devem ser planejadas na Solvência 2, tanto no Pilar 1, que define os requerimentos de capital mínimos quantitativos, quanto no Pillar 2, que define o papel da intervenção de supervisão.
E isto basta para garantir a solvência?
Precisamos nos assegurar de que a calibração aplicada em tempos normais seja apropriada para o negócio não apenas para que em tempos de adversidade ela não crie os incentivos errados, mas também para que em tempos normais haja calibração razoável para refletir a economia verdadeira do negócio. Nesse sentido, a Solvência 2 deveria refletir exatamente a diversificação que é a pedra fundamental para se gerir uma companhia de seguros, especialmente a diversificação das responsabilidades. A Solvência II deveria reconhecer a diversificação ao estabelecer o padrão para responsabilidades técnicas por meio da margem de valor de mercado, bem como ao calcular os requerimentos gerais de capital de risco.
Esta regra vale também para vida e previdência?
Isso se aplica mais aos segmentos de seguros gerais (ramos elementares). Para o segmento de vida, particularmente para a acúmulo de ativos e produtos de poupança, precisamos nos assegurar de que os riscos do mercado financeiro estejam calibrados para refletir nossos produtos. Isso significa particularmente uma demonstração correta da falta de liquidez de nossas responsabilidades e das implicações em termos do reconhecimento da falta de liquidez de prêmios para contrabalançar o risco de spread de crédito, assim como a calibração de taxas de juros e de volatilidades intrínsecas para mercados pouco negociados, um ponto particularmente relevante para a aplicação da Solvência 2 em países com um mercado de capitais em desenvolvimento.
Ao mesmo tempo em que aplicar em ações é um risco é uma oportunidade e tanto de aumentar os ganhos?
Nos últimos dez anos, observei por duas vezes um declínio de 20% a 30% nos mercados de ações do G20, em 2001 e em 2008. Se olharmos ainda mais para trás, observamos choques substanciais para mercados locais também em mercados emergentes ou em desenvolvimento. Então, um declínio no mercado de ações da ordem de 20% a 30% não é um evento que acontece uma vez a cada dois mil anos – isso está acontecendo uma ou duas vezes a cada década.
Parece complicado demais isso…
Minha argumentação é simples: enquanto as ações podem ser atraentes, já que têm previsão de retorno alto, também apresentam risco muito maior. Esse risco maior não é necessariamente um problema, contanto que todos estejam conscientes disso e que as companhias de seguros e seus clientes estabeleçam um planejamento financeiro apropriado de forma a manter esses riscos em um nível sustentável ao mesmo tempo em que continuamos a cumprir com nossas promessas aos detentores de apólices. Além disso, também depende da situação financeira do cliente e de seus investimentos ou objetivos de poupança.
Mas na crise vimos que os clientes ficaram frustrados com o rendimento.
Infelizmente, isso pode muitas vezes ser difícil. Considere, por exemplo, a oferta de um produto de poupança garantida a longo prazo sustentado por ações que certamente poderia perder de 20% a 30% de seu valor a cada 10 anos. Agora considere que tal produto ofereça ao detentor da apólice a possibilidade de sacar suas economias a qualquer momento, sem multa. Claramente, há uma desconexão entre a estratégia de investimento e a opção do detentor da apólice de sacar seus fundos.
Acredita que uma boa venda, consultiva, pode ajudar a reduzir os saques e assim manter equilíbrio entre ativos e passivos?
É por isso que é importante nos assegurarmos de que esse tipo de desconexão não ocorra, e isso exige que tudo seja transparente, bem compreendido e adequadamente precificado da perspectiva incluindo tanto os riscos quanto os prêmios em potencial, para o segurado e a seguradora. Se isso for atingido, então claramente há espaço para as ações no balanço das seguradoras.
Acredita que ter conselheiros independentes ajuda a reduzir o risco das companhias?
Minha resposta talvez seja: mal não faz. Além disso, pode ser bastante benéfico se os membros do conselho independente forem profissionais experientes que entendam do negócio, seus riscos e vantagens. Ter uma supervisão e avaliação independente pode a princípio ser um desenvolvimento positivo. Se será traduzido ou não em benefícios dependerá da dinâmica interna do conselho etc. Além disso, sempre achei que se o simples ato de dizer algo em voz alta em frente a alguém pode significar um pouco mais de reflexão sobre o assunto. Então, a simples necessidade de detalhar uma estratégia para um membro do conselho independente pode ter impacto bastante positivo.
O Brasil foi menos afetado na crise financeira do que outros países e parte do mérito deste feito foi creditado ao sistema financeiro e segurador brasileiro ter regras mais rígidas do que nos EUA e Europa. Concorda com isso?
Não me sinto na melhor posição para comentar as especificidades do mercado brasileiro. Na verdade, a maior parte da indústria de seguros foi muito menos impactada que a indústria bancária. Acredito que globalmente o modelo de negócios das seguradoras esteve bastante robusto e resistente à ultima crise financeira. Isso porque temos uma base e uma estratégia de negócios diferente das dos bancos.
Qual a sua opinião a respeito da regulamentação brasileira em seguros, que até agora só regulamentou o risco de subscrição e mesmo assim só para as operações de riscos patrimoniais?
Acredito que qualquer regime de solvência razoável não pode ignorar os riscos do mercado financeiro, tanto para o acúmulo de ativos e produtos de investimento com garantias embutidas que são orientados pelos riscos do mercado financeiro quanto para negócios de propriedade e causalidade em que o retorno sobre o investimento é parte substancial da economia do negócio.
Então, é importante incluir explicitamente os riscos do mercado financeiro? Se você não tem uma abordagem baseada no risco no lado dos ativos, você está perdendo metade da folha de balanço e parte significativa da sua declaração de lucro e prejuízo em termos de retorno sobre investimentos.
Com o crescimento previsto para o mercado de seguros do Brasil, que tipo de riscos o senhor acredita serem prioritários serem implementados para garantir a solvência do setor?Não sou especialista no mercado brasileiro, mas faria duas observações. A primeira é que à medida que o mercado brasileiro amadurece, acredito que a penetração dos seguros e o desejo dos consumidores de proteger seus ativos, seja visando a economia ou a aposentadoria, ativos produtivos ou de cobertura de propriedade etc., apenas tendem a aumentar. Para atender a esse aumento na demanda é importante garantir que o estabelecimento de um modelo regulatório razoável que tanto proteja os detentores de apólices quanto permita às companhias de seguros alcançar suas necessidades de forma lucrativa.
A segunda observação é que o mercado em si passa por algumas mudanças. Acredito que a abertura recente do mercado de resseguros criou novas oportunidades, mas também criou uma necessidade para as companhias de seguros de adaptar seus modelos de negócios à nova situação e à volatilidade potencialmente mais alta, especialmente na área de subscrição de alto risco e otimização do resseguro.
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Allianz disputa contratos da Copa 2014*
Por Denise Bueno em 03/06/2010
* a jornalista viajou para a Alemanha a convite da Allianz Brasil
Cinco dos doze estádios brasileiros que se preparam para a Copa de 2014 já estão praticamente com as apólices de seguros contratadas. As arenas de Brasília, Salvador, Manaus, Cuiabá e Fortaleza contam com apólices de garantia, de responsabilidade civil e de riscos de engenharia. “Estes são os contratos básicos de seguros que envolvem esta fase dos empreendimentos”, diz Angelo Colombo, diretor da Allianz Brasil, seguradora que tem conquistado vários contratos por ofertar valores elevados de cobertura e produtos inovadores trazidos da Alemanha, país sede da Copa de 2006.
“Falta apenas um detalhe para fechar com a Allianz o programa de seguro do estádio de Manaus”, contou Victor Renault, da Union Corretora de Seguros, corretora que tem a Andrade Gutierrez como principal cliente. O projeto do estádio conta com investimentos de quase R$ 500 milhões e a corretora negocia para o consórcio construtor o pacote das três apólices para iniciar a obra.
O estádio de Cuiabá, com investimentos estimados em R$ 430 milhões, que será totalmente demolido pela Mendes Júnior e Santa Barbara também conta com a Allianz entre as favoritas para garantir o seguro das três apólices. “Estamos quase finalizando o processo”, informou Ronaldo Rodrigues, da Crediunsurance, corretora cativa do grupo Mendes Junior, que utiliza a corretora JLT para todo o programa de seguro e de resseguro da construtora.
Os corretores tiveram a chance de ver de perto a experiência do grupo alemão durante visita a Munique, Alemanha, para participar do Encontro Brasil Alemanha 2010, realizado nos dias 30 de maio e 1 de junho. Os alemães demonstraram muito interesse em investir nos projetos brasileiros que envolvem a Copa 2014.
Segundo as palestras realizadas nos dois dias do encontro, a estimativa mais citada pelos palestrantes é de que a participação do investimento alemão pode chegar a 40% do valor total de US$ 50 bilhões previstos para projetos ligados a Copa e às Olimpíadas, considerando estádios e infraestrutura em geral. Dois grandes interesses das empresas alemãs são o fornecimento das coberturas das arenas e engenharia de segurança.
Além da agenda do encontro, o grupo convidado pela Allianz Brasil, patrocinadora oficial do Encontro Brasil Alemanha visitou o Allianz Arena, considerado um dos melhores estádios do mundo, localizado em Munich, sede do grupo alemão.
“Acompanhamos passo a passo o andamento da obra, o que nos dá grande experiência”, afirma Max Thiermann, presidente da Allianz, dentro do estádio que tem capacidade para 69 mil pessoas e que fica lotado em todos os jogos do campeão alemão Bayern, também acionista da arena juntamente com a Allianz e o TSV 1860. “E temos uma ampla capacidade e produtos diferenciados, o que nos facilita fechar negócios com nossos clientes”, acrescenta.
A seguradora alemã foi a primeira a fechar um contrato para a Copa 2014. Em fevereiro, emitiu a apólice do fornecedor de estruturas do Mineirão. “A Copa da Alemanha em 2006 trouxe muita experiência para a Allianz, o que nos traz muito conhecimento e produtos para conquistarmos clientes no Brasil”, diz Ricardo Zhouri, diretor comercial da Allianz responsável por várias regiões, inclusive Minas Gerais.
Nesses cinco estádios, Colombo acredita que os construtores comprarão o pacote de seguros composto por garantia, risco de engenharia e responsabilidade civil, concentrando em apenas uma seguradora. Já para outros estádios, como o do Morumbi, em São Paulo, Inter, em Porto Alegre, ou o Minerão, em Belo Horizonte, a compra de seguro será feita de forma diferente. “No Mineirão, por exemplo, acredito que a apólice contará com um pool de seguradoras, pois a obra necessita de um valor elevado de cobertura”.
“Tudo vai depender dos recursos dos investidores e se a líder do consórcio de construção tem uma corretora especializada para cuidar do programa de seguro”, diz. No caso da Odebrecht, por exemplo, que tem a corretora cativa OCS, a aposta é de que o seguro será comprado em pacotes e pulverizado em várias companhias dado o histórico do grupo em administrar um grande número de contratos.
Além de estar forte na disputa pelos contratos dos estádios escolhidos pela Fipa, a Allianz conquistou no início de junho o seguro garantia do estádio Kleber Andrade, em Vitória (ES), um empreendimento da construtora Blokos Engenharia. A apólice, contratada junto com a Correcta Corretora, tem valor do risco de R$ 100 milhões.
O estádio, com capacidade para 40 mil pessoas, será usado na Copa das Confederações e deverá estar pronto em 2013. Segundo explica Angelo Colombo, diretor de grandes riscos da Allianz, apesar de não estar entre os doze escolhidos pela Fifa, a arena servirá como um estepe, caso algum outro não fique pronto para o mundial.
O pacote de seguros para estádios conta com praticamente todas as coberturas que os construtores precisam para garantir o andamento da construção sem sustos. “Afinal, já estamos atrasados na construção e não podemos perder tempo na solução de imprevistos. Os riscos têm de estar mapeados e provisionados para garantir que tudo acontecerá dentro do cronograma, que já está apertado”, diz Colombo, referindo-se as declarações da Fifa de que o Brasil já deveria ter iniciado as obras.
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Brasil Alemanha, um boom de negócios*
Por Denise Bueno em 30/05/2010
* a jornalista viajou para a Alemanha a convite da Allianz Brasil
24 horas no dia parece ser pouco para os executivos da Allianz, maior seguradora da Europa, quando o assunto é o Brasil. “Ser presidente da Allianz Brasil é a maior oportunidade que tenho na vida”, diz o chileno Max Thiermann (foto), que há sete anos comanda a subsidiária brasileira e em junho completa 21 anos dedicados ao grupo alemão.
Uma das mais recentes conquistas da equipe Allianz Brasil foi realizar as palestras do segundo dia do Encontro Brasil Alemanha 2010 no Allianz Arena, considerado um dos melhores estádios do mundo. “Esta é uma oportinidade única para todos que nunca vieram aqui antes”, comemora Daniela Satake, executiva de comunicação e relações institucionais da Allianz Brasil.
Assim como Max Thiermann estão outras centenas de executivos alemães e brasileiros. Pelos menos os 700 que estavam reunidos no antigo palácio real Residenz em Munique, Alemanha, neste domingo demonstraram enorme desejo de contribuir pela prosperidade da relação Brasil Alemanha. “Em 2008 tivemos 20 delegações empresariais no Brasil. Em 2010 já são mais de 40”, disse Weber Porto, presidente da Câmara Brasil Alemanha de São Paulo em seu breve discurso durante o jantar Premio Personalidade Brasil Alemanha 2010.
São mais de 1,2 mil empresas alemãs no Brasil, empregando 250 mil pessoas. Nos últimos dez anos, elas investiram mais de US$ 10,3 bilhões no Brasil e nos primeiros quatro meses deste ano o volume já chega a US$ 5,8 bilhões, informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, homenageado como a personalidade do ano. “A Alemanha é o maior investimento estrangeiro no Brasil e o quarto considerando-se todos os países do mundo”.
Do lado da Alemanha, o homenageado por contribuir para o estreitamento das relações dos dois países foi Bernd Pfaffenbach, secretário do Ministério da Economia e Tecnologia da Alemanha. “O Brasil passou pela crise de forma muito melhor do que a Alemanha. Os bancos brasileiros pouco sofreram devido ao conservadorismo das aplicações e pelas rígidas regras de controle”, comentou.
Pfaffenbach disse estar disposto a continuar seus esforços para que os dois países permaneçam nesta trilha de prosperidade, ampliando as discussões em âmbito mundial. “Vamos retomar as discussões Mercosul e União Europeia que estavam paradas há seis anos”, afirmou, recebendo uma onda de aplausos da platéia.
Em negócios, a Alemanha contabilizou mais de 14 bilhões de euros em 2009. Este valor representa 40% do volume comercial que a Alemanha tem na América Latina, sendo o Brasil o maior mercado. “As empresas alemãs já representam 10% do PIB do Brasil”, acrescentou o ministro. “O Brasil atrai as empresas alemãs como um imã”, disse o presidente da Câmara de Munique.
Este clima de otimismo deverá perdurar por um bom tempo. Estima-se que a Alemanha será responsável por aproximadamente 40% do investimento previsto de US$ 50 bilhões necessários para deixar o Brasil pronto para a Copa e para as Olimpíadas. E a Alemanha tem experiência nisto.
Preparou o país para a Copa de 2006, onde somente com os ingressos das 64 partidas de futebol arrecadou 9 bilhões de euros. Cerca de 3,4 milhões de turistas gastaram 800 milhões de euros no país e outros 6 milhões de euros em diárias de hotel. No Brasil, temos 12 estádios que precisam ser preparados.
“Construir um novo talvez seja mais interessante do ponto de vista de investimento como a Allianz fez no Allianz Arena, com o uso do nome por 30 anos”, opina Max Thiermann. Isso se investir na imagem do nome for o mais importante para o investidor, como fez a seguradora na Alemanha.
‘São muitas oportunidades e elas estão em todos os setores da economia brasileira”, repete o presidente da Allianz Brasil, patrocinadora máster do Encontro Brasil Alemanha 2010. “E a Allianz vem se preparando há anos e está preparada para captar essas oportunidades e para criar novas frentes que tornem a relação entre os dois países ainda mais estreita”.
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