AIG tem prejuízo de US$ 2,6 bilhões no tri
Por Denise Bueno em 08/08/2010
A AIG, que se prepara para deixar de ser controlada pelo governo dos EUA ao pagar os recursos federais recebidos no auge da crise financeira, registrou prejuízo de US$ 2,66 bilhões no segundo trimestre deste ano, um resultado frustrante diante do lucro de US$ 1,82 bilhão conquistado em igual período do ano passado. O fraco desemenho se deu em razão da baixa contábil de US$ 3,3 bilhões na seguradora de vida Alico, vendida à MetLife por US$ 15,5 bilhões. O faturamento recuou 16%, para US$ 19,9 bilhões.
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AIG lucra US$ 1,45 bilhão no trimestre
Por Denise Bueno em 10/05/2010
A AIG divulgou na sexta-feira lucro de US$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre, No mesmo período do ano anterior, o grupo que recebeu US$ 180 bilhões em ajuda do governo americano reportou prejuízo de US$ 5,1 bilhões..A melhora do resultado é conseqüente de bons resultados com seguros de bens e de responsabilidades, com a Chartis, novo nome da unidade de bens patrimonbiais, e também com o resultado das aplicações financeiras.
Segundo comunicado do grupo, a Chartis,obteve lucro operacional de US$ 879 milhões, 24% acima do resultado obtido no primeiro trimestre de 2009. O resultado teria sido ainda melhor se não tivesse desembolsado quase US$ 485 milhões em indenizações com o terremoto no Chile, tempestades na Europa e cerca de US$ 20 milhões, a títulos de adiantamento, com o afundamento da plataforma no México, evento que deverá ainda gerar perdas para o balanço anual. Em vida, a AIG registrou ganho operacional de US$ 1,12 bilhão, resultado que mostra a retomada da operação, que amargou perdas de US$ 160 milhões no trimestre de 2009.
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Prudential deve comprar AIA por US$ 35,5 bilhões
Por Denise Bueno em 28/02/2010
Uma das maiores aquisições da indústria de seguros mundial deverá ser anunciada nesta segunda-feira. Segundo divulgaram as agências de notícias durante o final de semana, a seguradora britânica Prudential vai ficar com a American International Assurance (AIA), subsidiária de seguros de vida da AIG na Ásia, por US$ 35,5 bilhões, de acordo com fontes próximas à negociação. A próxima negociação da AIG para ser concluída é a venda da Alico para a MetLife, por US$ 15 bilhões.
A idéia inicial era fazer uma oferta inicial pública de ações (IPO, na sigla em inglês) da AIA, mas a disputa das seguradoras pela empresa, assediada há quase um ano por concorrentes, acabou por mostrar ao governo dos Estados Unidos, dono de 80% da AIG, ser um negócio melhor a venda individual. Além disso, a recente volatilidade dos mercados acionários, principalmente com os problemas da Grécia, ajudaram na decisão da suspensão do IPO e aposta na venda da seguradora sediada em Hong Kong e que conta com mais de 20 mil funciona´rios e 250 agentes de seguro.
Para a Prudential, a compra vai acrescentar volume aos negócios que já tem na região, instalada na China, Hong Kong, Índia, Indonésia, Japão, Coreia do Sul, Malásia, Filipinas, Cingapura, Taiwan, Tailândia e Vietnã. Estes países já representam quase 50% das vendas da Prudencial.
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JMalucelli e Chartis lideram renovação da CCR
Por Denise Bueno em 22/12/2009
JMalucelli e Chartis (ex-AIG) foram as principais empresas envolvidas na renovação do seguro da CCR, o maior grupo privado de concessões de infraestrutura do País. O programa de seguros de garantia (Facility) tem valor total de R$ 2,2 bilhões e renova as garantias dadas pela concessionária ao governo de que cumprirá os contratos em vigor. A apólice tem vigência de um ano.
A oferta de capacidade chegou a R$ 3,1 bilhões, o que mostra o apetite das resseguradoras, confirmando a tendência observada nos encontros anuais realizados, sendo o principal em Baden Baden (Alemanha). Durante os quatro dias que se reuniram com clientes, as resseguradoras deixaram claro que disponibilizarão farta capacidade para empresas com bom histórico de riscos.
O contrato contou com a intermediação da corretora CSCR, das seguradoras J. Malucelli, líder no mercado brasileiro, além da Chartis. Entre as resseguradoras, apoiaram o programa a JMalucelli Re, a Munich Re, o IRB – Brasil Re e um pool de resseguradoras mundiais.
“A CCR é uma das maiores compradoras de seguro de arantia do mundo, com uma exposição aproximada de R$ 1,4 bilhão. A conclusão deste negócio nos permite participar das novas oportunidades nos setores de concessão de rodovias, transporte de passageiros e inspeção veicular ambiental que devem surgir em 2010”, afirma o diretor-financeiro e de relações com investidores da empresa, Arthur Piotto, em nota.
A JMalucelli tem investido pesado na especialização. É a seguradora líder do garantia no Brasil há anos e a partir de 2008 também da América Latina. Em 2008, com US$ 115,2 milhões e mais de 42 mil apólices de garantia emitidas, liderou o ranking da região, à frente das três mexicanas que até então reinavam neste setor: Monterrey, Insurgentes e Sofimex. A tendência é de consolidar sua liderança com a resseguradora. A JMalucelli Re obteve recentemente autorização para atuar no Paraguai, Equador, Costa Rica e República Dominicana.
A Chartis volta com tudo depois da imensa crise que abateu o grupo em 2008 e fez o governo americano injetar mais de US$ 180 bilhões para evitar a quebra da maior seguradora do mundo, que levaria junto consigo outras importantes instituições financeiras. A Chartis também viabilizou as garantias do grupo Odebrecht nesta semana para garantir os desembolsos da agência de fomento CAF. Segundo divulgou a Bloomberg, analistas de seguros acreditam que a idéia é reconstruir a AIG por meio da Chartis, uma vez que esta estratégia se mostra mais bem sucedida do que o IPO previsto inicialmente pela direção do grupo.
Entre os futuros projetos no setor de concessão de rodovias estão a licitação dos trechos sul e leste do Rodoanel, a terceira rodada de concessões de rodovias no Estado de São Paulo, cerca de 6 mil quilômetros de estradas em Minas Gerais e a retomada do programa federal. Nas outras áreas de interesse, há a expectativa da expansão do metrô em Curitiba, Brasília e Porto Alegre, além dos projetos do Expresso Aeroporto e do Trem de Alta Velocidade, ligando as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.
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AIG retorna ao lucro no 2º trimestre
Por Denise Bueno em 10/08/2009
A AIG, que ja recebeu US$ 180 bilhões do governo americano, obteve lucro líquido de US$ 1,82 bilhão no segundo trimestre deste ano, saindo do prejuízo líquido de US$ 5,36 bilhões anunciado no mesmo período do ano passado. Esse foi o primeiro lucro do grupo em seis trimestres. No primeiro semestre, a empresa registrou prejuízo de US$ 2,531 bilhões, menor do que os US$ 13,162 bilhões perdidos nos seis primeiros meses do ano passado. A receita saltou 48%, para US$ 29,5 bilhões no trimestre. O resultado é fruto da reestruturação do grupo, informa nota da companhia. Neste ano, a AIG ainda espera levantar US$ 8 bilhões com a venda de ativos. No Brasil, o grupo passou a chamar-se Chartis do Brasil.
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AIG divulga perdas e recomeço com a AIU
Por Denise Bueno em 08/05/2009
A American International Group (AIG) divulgou perdas de US$ 4,35 bilhões no primeiro trimestre deste ano, uma melhora comparada ao prejuízo de US$ 7,8 bilhões o mesmo período anterior e dos US$ 60 bilhões do último trimestre de 2008.
O CEO Edward M. Liddy informou em nota divulgada no site do grupo que o resultado reflete o esforço do corpo executivo para tornar a companhia, controlada pelo governo americano desde setembro do ano passado, rentável e devolver aos contribuintes americanos o capital injetado pelo Federal Reserve, superior a US$ 180 bilhões.
Lidds também informou que a direção da companhia tem acelerado o processo de tornar a AIU uma holding distinta do grupo para num futuro próximo iniciar o processo de IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês). A AIU Holdings concentrará as operações de seguros comerciais da AIG, operações internacionais, e unidades de clientes especiais, com participação também da empresa de leasing e na resseguradora Transatlantic.
No Brasil, país que tem sido o porto seguro dos grupos seguradores estrangeiros que amargam perdas com a crise financeira, o grupo AIU deu início nesta semana a um processo de reposicionamento estratégico. O comando da AIU no Brasil ficará a cargo de Guillermo León, que há 30 anos atua no grupo, enquanto para o Conselho de Administração foi eleito Cesar Saad, executivo com mais de 35 anos de experiência e ampla atuação no mercado de seguros, ressaltou a nota divulgada no Brasil.
O Unibanco comprou a participação da AIG na Unibanco Seguros por US$ 820 milhões logo após a fusão com o Itaú. A parceria entre Unibanco e AIG tinha 11 anos, período em que houve a expansão de 1% para 8% de sua participação no mercado brasileiro de seguros e previdência, principalmente em seguros de grandes riscos. Agora, o grupo AIG inicia uma carreia solo no Brasil, com escritório em São Paulo, por meio da seguradora AIU Seguros, nova denominação da AIG Brasil, e com a American Home, uma resseguradora admitida. Segundo a nota, as duas companhias obtiveram receita de prêmios superior a R$ 110 milhões nos quatro primeiros meses de 2009.
A holding é líder internacional em seu segmento de atuação, contando com 90 anos de experiência. As operações das seguradoras que hoje a constituem alcançaram, em 2008, patrimônio líquido de US$ 38 bilhões e receita bruta de prêmios de seguros de mais de US$ 50 bilhões e liquida de US$ 36 bilhões. O grupo conta com 44 mil funcionários, operações em 130 países e jurisdições e com portfólio de mais de 500 produtos e serviços disponíveis em todo o mundo.
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AIG perde US$ 100 bi
Por Denise Bueno em 02/03/2009
No mesmo dia em que divulga perdas de quase US$ 100 bilhões em 2008, o American International Group anuncia que terá mais US$ 30 bilhões do banco central dos Estados Unidos. O Federal Reserve detém o controle de 80% da AIG por já ter injetado US$ 150 bilhões para salvar a ex-maior companhia de seguros do mundo da falência. A AIG tem tentado vender algumas operações importantes, como a American International Assurance, na Ásia, e a American Life Insurance, que opera em 50 países. Mas até agora não obteve sucesso nas conversas que envolvem as maiores seguradoras do mundo. A operação no Brasil foi adquirida pelo Itaú Unibanco.
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A eficiência dos corretores
Por Denise Bueno em 26/10/2008
Fiquei imaginando o trabalho dos corretores de seguros com os problemas enfrentados pelo American International Group (AIG) nos últimos meses. São milhões de clientes inseguros espalhados por 130 países, desde aqueles que depositaram suas economias para resgatá-las na aposentadoria até mesmo mega-projetos, como a hidrelétrica do Rio Madeira, apólice que conta com uma das maiores garantias do mundo.
Imagina explicar para segurados que a maior seguradora do mundo em valor de mercado, com ativos superiores a US$ 1 trilhão, com rating máxima “AAA” das agências de classificação esteve a beira de quebrar. Não foi à falência porque recebeu US$ 85 bilhões no dia 16 de setembro do banco central dos Estados Unidos, o Fed. Já o Lehman Brothers, quarto maior banco de investimentos dos EUA, não teve a mesma sorte. Pediu concordata dois dias antes.
Se ela, cheia de status financeiro, esteve à beira de um colapso, imagine as outras, pensaria qualquer pessoa com o mínimo de bom senso. E o que dizer aos segurados em geral se nem mesmo os mais renomados economistas conseguem prever quem estaria a salvo? Pior, todos os analistas são unânimes em afirmar que mais notícias de falência de grandes instituições estão por vir.
Alguns clientes da Unibanco AIG me procuraram para saber o que eu achava da situação. A primeira pergunta a eles foi: e o seu corretor? Não tinham. Eles haviam recebido um email da seguradora, assegurando que os problemas enfrentados pela AIG não afetariam a operação local. Mas isso não os tranqüilizou. “Preciso ter certeza. De alguém que me diga se devo mudar ou não de seguradora. Quem enviou o email certamente tem interesse em segurar os clientes para minimizar a crise”.
Eis a mostra da importância do corretor. O consumidor quer alguém que o tranqüilize. Alguém sem vínculos com a instituição. A crise financeira que assola o mundo todo terá poucos reflexos aqui no Brasil. O corretor brasileiro talvez seja poupado deste problema de insolvência das companhias. Até mesmo porque o prazo para elas se adaptarem às regras de solvência foi flexibilizado, dando tempo dos controladores buscarem capital ou um sócio.
Mas os corretores brasileiros têm outros desafios: tornar o seguro um investimento para o segurado. Até mesmo o seguro de automóvel, que aparentemente parece ter serviços iguais e preços diferentes, precisa ser explicado. Os consumidores têm adorado poder chamar um profissional para socorrê-los com uma invasão de vírus ou uma pane no computador.
Porém, quantas vezes eles podem acionar este profissional durante a vigência da apólice? E o motorista amigo para levá-los para casa em caso de mal estar pode ser solicitado sempre que necessário? Imagine o que o segurado irá pensar do seguro na quarta vez que ligar para solicitar o serviço e ouvir da atendente “o senhor já usou o seu limite neste serviço”. Com certeza o arquivo do cérebro do consumidor desavisado não acessará palavras como ética, transparência e bom investimento.
Quando o assunto passa a ser o seguro de vida, a ajuda do corretor é ainda mais prioritária. O consumidor tem sido abordado pelo cartão de crédito, pelo gerente do banco, pelo vendedor de financiamento, pelo call center da seguradora, no caixa das lojas de varejo e por muitos outros profissionais ávidos por ofertar proteção em caso de morte. A grande maioria dos consumidores hoje tem várias apólices. Juntas custam uma fortuna e oferecem uma proteção abaixo das expectativas do cliente.
Ninguém melhor que o corretor para assessorar o cliente sobre as coberturas necessárias para deixar os beneficiários em segurança caso ele venha a falecer antes de seus filhos terem condições de se sustentarem. Quem tem dívidas, pode livrar a família do ônus e proteger o patrimônio da família com o seguro de vida. E mesmo aqueles que tem patrimônio podem ter um seguro para arcar com custos durante o período de levantamento e divisão de heranças.
Os corretores podem mostrar aos clientes que as apólices de seguro são um investimento interessante, sobretudo quando o pior acontece. Ao contrário de muitos funcionários sem especialização, que ofertam o produto de forma comercial, ficando a impressão de ser algo desinteressante e utilizado como troca de favores.
A eficiência dos corretores no mercado de seguros fica evidente quando se levanta o número de queixas do setor na Superintendência de Seguros Privados (Susep) e nos órgãos de consumidores. Em ambos, as reclamações são inferiores a 1% do total das indenizações pagas, que superam 8,5 milhões anualmente. Com certeza isso conta muitos pontos a favor do corretor, que vende um produto complexo para a grande parte da população.
Por isso, só posso finalizar este artigo no mês que se comemora o Dia dos Corretores, com um enorme P A R A B É N S a todos aqueles profissionais dedicados, que priorizam e se dedicam aos seus clientes, tornando o seguro um bem necessário para tornar famílias e empresas sustentáveis. E não se esqueçam de aderir ao Código de Ética lançado pela Fenacor, um selo de qualidade que ficará cada vez mais em evidência depois deste “tisunami” financeiro mundial.
Artigo publicado na Revista Apólice – novembro/2008
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Mimos para conquistar milionários*
Por Denise Bueno em 25/04/2008
A abertura do mercado de resseguros, que possibilita usar a capacidade financeira da matriz para ofertar indenizações maiores aos segurados, traz boas notícias para os endinheirados. Até pouco tempo atrás eles estavam limitados a poucas ofertas de seguro para protegerem seus patrimônios e ainda por um alto custo. Era impossível achar um seguro de vida acima de R$ 1 milhão. Hoje qualquer valor é negociado.
A única seguradora interessada em atender os proprietários de carros acima de R$ 100 mil, de residências a partir de R$ 1 milhão, de barcos com valores acima de R$ 300 mil e aviões de qualquer valor era a Chubb, que nos Estados Unidos é a principal quando o assunto são os milionários.
A falta de interesse por esses clientes era justificada pela fraca demanda. Por outro lado, os ricos preferiam fazer um auto-seguro a pagar taxas elevadas ao serem incluídos na vala comum das estatísticas gerais. Mas o surgimento de novos milionários, a necessidade de aumentar a base de consumidores e poder ofertar coberturas com valores mais elevados em razão da internacionalização da indústria de seguros aguçou o apetite de seguradoras.
De dois anos para cá surgiram alguns concorrentes, como a americana AIG, que criou uma diretoria exclusiva para atender os clientes de alta renda. Assim também tem sido na Alfa, Mapfre, Porto Seguro, SulAmérica, Bradesco, Liberty, na Icatu Hartford. E mesmo após dois anos de concorrência mais acirrada, acredita-se que apenas 20% das pessoas dentro desse perfil fazem seguro dos bens, um percentual muito abaixo dos 80% dos Estados Unidos.
Este cliente não quer saber de publicidade. É discreto. Não tem tempo de fazer o boletim de ocorrência. Irrita-se facilmente se alguém lhe pede um procedimento sem razão. Ofende-se quando é questionado por um detalhe irrelevante. Por isso, o diferencial está nos detalhes.
Grande parte das seguradoras tem uma central de atendimento especializada para atender os clientes “vips”. É possível perceber rapidamente a diferença no trato. Nada de longas esperas. E a pequena que tem é com música de bom gosto. O atendente não entra em discussão e nem se recusa a resolver o problema alegando que o procedimento é aquele do script. Há flexibilidade no tom de voz e também a possibilidade de falar com o gerente se for necessário.
A disputa tem acontecido em diversos produtos. Mas é no seguro de carro onde a concorrência é maior por ser considerada a forma mais fácil de chegar até eles. Para a Chubb, a concorrência é saudável, mas ainda não incomoda. Sidney Munhoz, diretor de linhas pessoais da Chubb Seguros, uma das mais especializadas no mundo neste segmento de alta renda, costuma dizer que a estratégia da Chubb é cuidar do patrimônio do cliente e não apenas do carro, desenvolvendo uma política de relacionamento. Ele também sabe que este tipo de segurado não olha o seguro mais barato e sim aquele que atende melhor.
O fato é que o preço caiu e isso tem atraído mais consumidores para o setor. Jabes de Mendonça, vice-presidente da Mapfre, diz que é preciso diferenciar o preço para o cliente de alta renda. Geralmente ele tem vários carros e usa pouco, o que reduz o risco para a seguradora.
Para se ter uma idéia, o preço de um seguro de carro representava cerca de 8% do valor da importância segurada há 10 anos. Caiu para 5% com o uso de rastreadores há cinco anos. E agora, com a concorrência, as taxas despencaram, chegando em alguns casos a 2%, conta Farid Eid, diretor da Alfa Seguradora, que tem cerca de 20 mil veículos importados em carteira.
Neste ano, as duas principais novidades neste segmento anunciadas na mídia vieram da Liberty e da Mapfre. A Liberty lançou um seguro com serviços sofisticados para carros com valor a partir de R$ 120 mil em janeiro deste ano. A aposta do grupo é no relacionamento com este cliente que tem vários carros, seguranças, utiliza rastreadores, é formador de opinião e fiel quando bem tratado.
“É preciso dar a ele preço e tratamento diferenciados. Apesar de segurar o auto, nosso objetivo é cuidar do seguro de forma pessoal. Por isso a nossa precificação leva em conta a pessoa e não o veículo “, diz Paulo Umeki, diretor de produtos da Liberty. São levados em conta os hábitos do proprietário, como se tem motorista, quantos veículos tem na família, a freqüência que utiliza o carro, se há um esquema de segurança entre outros.
A surpresa veio logo após o lançamento. A base montada para fazer a cotação ficou entupida, o que mostra a demanda por seguros desta classe social com veículos avaliados acima de R$ 120 mil. “Esperávamos 200 cotações por mês e estamos fazendo mais de 1 mil”, conta Umeki. Segundo ele, a equipe teve de ser triplicada, pois todo o processo é feito manualmente e individualmente. Hoje a Liberty tem fechando algo em torno de 200 apólices por mês. A Liberty pretende ter entre 2% e 3% da frota de veículos importados neste primeiro ano. Isso significa 4 mil seguros tendo como base os 15 mil carros importados em 2007. Automóvel é o primeiro produto e ao conquistar o cliente, há uma equipe para ofertar outros produtos, como residência, embarcações e motos.
A Mapfre criou um hotsite exclusivo para sua linha de produtos focada no público de alta renda. O objetivo do espaço na web é interagir com os consumidores, permitindo que eles montem, por meio da nova página, ‘uma vida especial’, além de mostrar que a empresa possui em seu portfólio seguros para motocicletas acima de 500cc e automóveis de luxo com valor superior a R$ 100 mil. Entre os mimos oferecidos pela Mapfre está a assistência a viagem que abrange o veículo e os passageiros, com traslado em classe executiva ou hospedagem em hotel cinco estrelas.
A maioria das seguradoras oferece carro extra em caso de pane mecânica. Se o carro quebrar na estrada, volta para casa de táxi especial. Dependendo da distância, pode voltar de avião. Os passageiros estão cobertos por um seguro de acidentes pessoais. Em caso de perda total no período de 12 meses, a indenização leva em conta o preço de um veículo zero quilômetro. Em caso de conserto do veículo, há serviços de leva-e-traz para oficinas. Há também um valor para despesas extraordinárias e blindagem.
Nas apólices de casa, barco e avião os mimos se repetem, como um sofisticado esquema de segurança pessoal, cobertura para animais de estimação e de competição, cofres em bancos e hospedagem em hotéis de luxo para a família em caso de acidentes. Nos seguros de vida, as coberturas automáticas já chegam a R$ 1,5 milhão. Valores acima deste patamar são negociados caso a caso e há exigências de exames médicos.
Cliente em primeiro lugar
Encantar o segurado é o mote do momento. Nas principais seguradoras do País não se fala em outra coisa. Pudera. Conquistar um cliente custa muito mais do que manter o que tem dentro de casa. Para atender a esta demanda, a Escola Nacional de Seguros realiza cursos em diversas capitais brasileiras com o objetivo de aprimorar o relacionamento com o cliente ao melhorar a auto-estima dos profissionais e, conseqüentemente, promover mudanças de comportamento nas relações comerciais.
O curso “Excelência no Atendimento” será realizado no dia 26 de abril na unidade regional de Goiás da Escola Nacional de Seguros. Com duração de oito horas, o curso será ministrado por professores do mercado goiano com experiência em relacionamento. Os alunos vivenciam situações do dia-a-dia, por meio de dinâmicas e demais questões específicas focadas na prática do atendimento.
Também na capital goiana, informa a Funenseg, acontece, em maio, o curso “Processo de Venda Orientado pelo Cliente”. De forma lúdica, ele desenvolve nos alunos a prática da percepção e da reflexão. De acordo com a gestora das Unidades Regionais da Escola fora do eixo Rio – São Paulo, Celia Pavão, o objetivo é promover mudanças de comportamento nas relações comerciais. Além de Goiânia, outras capitais brasileiras sediarão o curso: Recife (PE) e Salvador (BA), em maio, e Florianópolis (SC) e Curitiba (PR), em junho.
O curso “Atendimento ao Público” visa atender as normas de certificação, definidas pela Susep, nas áreas de seguros, previdência, vida e capitalização, para funcionários de corretoras e seguradoras. A proposta é fazer com o que o profissional enxergue o potencial cliente, a melhor forma de abordagem para efetivar uma negociação e como manter o cliente fidelizado.
Mais informações no site www.funenseg.org.br.
*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em abril de 2008
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Os impactos do subprime*
Por Denise Bueno em 30/03/2008
As perdas geradas pela crise nos mercados mundiais de crédito devem superar US$ 600 bilhões, sendo a maior parte do prejuízo dos bancos e das seguradoras, segundo estudo divulgado no final de fevereiro pelo banco suíço UBS. Juntas, as principais seguradoras do setor garantem dívidas estimadas em US$ 2,4 trilhões.
É muito dinheiro. Tanto que o presidente do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, Ben Bernanke, fez um alerta de que alguns pequenos bancos dos país podem falir. Apesar disso, ele garante que o sistema bancário dos EUA continua sólido.
Essa crise não vai parar por aí. Aliado ao prejuízo com pagamentos de indenizações, as seguradoras registram também perdas na carteira de investimentos em razão da baixa das ações de grupos atingidos pela inadimplência do crédito hipotecário de alto risco (subprime). Muitas seguradoras estão tendo de dar baixa contábil no valor dos títulos conhecidos como credit-default swaps, que garantem o investidor contra a inadimplência da empresa tomadora. Algo parecido com o nosso garantia de crédito interno.
O American International Group Inc. (AIG), a maior seguradora mundial em termos de ativos, afastou o executivo Joseph Cassano, que comandava a divisão de produtos financeiros, depois dos US$ 15 bilhões em prejuízos no último trimestre de 2007 sobre garantias vendidas a investidores em títulos de renda fixa. Trata-se do maior prejuízo trimestral já contabilizado em seus 89 anos de história. E não foi apenas a AIG que perdeu. Swiss Re, XL Re, e muitas outras, além das maiores seguradoras de crédito dos Estados Unidos, conhecidas como monolines: MBIA e Ambac Financial Group.
A Fitch, agência classificadora de rating, mostra que o subprime é uma grande bola de neve. As empresas de hipoteca têm dificuldades para financiar as operações, há uma queda acelerada no preço das moradias, o que, por sua vez, dificulta o refinanciamento das dívidas e o uso da casa como garantia para empréstimo. Com isso, as companhias estão ameaçadas de perder os ratings AAA por causa de prejuízos com papéis atrelados às hipotecas de alto risco.
Se isso ocorrer, novo efeito cascata. Uma queda no rating das seguradoras reduz imediatamente o valor dos papéis que garantem. Além disso, alguns investidores só podem possuir ativos em suas carteiras que tenham o selo AAA. Com o rebaixamento do rating, são obrigados a fazer provisões para perdas, reduzindo seus lucros. Por isso até o megainvestidor Warren Buffett se propôs a ajudar, ofertando US$ 800 bilhões para garantir títulos emitidos por municípios, onde o risco de não pagamento é bem menor do que de uma empresa privada.
E o que nós temos a ver com tudo isso? O impacto no Brasil deverá ser restrito. Algumas empresas brasileiras que contam com seguro dessas seguradoras podem ter de substituir a garantia ou fazer provisionamento para perdas caso a seguradora contratada tenha o rating rebaixado. Investimentos de seguradoras estrangeiras previstos aqui podem ser suspensos até que se saiba qual a verdadeira extensão da crise subprime.
E o pior para todos. A alta do preço de alguns dos seguros que mais cresce nos últimos anos: responsabilidade civil de executivos. Os corretores de apólices de responsabilidade civil receberão pedidos de indenização de diretores e executivos com relação à crise, mas poderão pagar quase sem dificuldade, disse Christian Schmidt, economista sênior da Swiss Re, em evento realizado em Luxemburgo entre 20 e 21 de fevereiro. “Prejuízos ocorrerão, mas o céu não está caindo para o lado dos diretores”.
O executivo acredita que a capacidade de capital possivelmente se tornará mais dispendiosa para as seguradoras, porém deverá permanecer abundante.
O cenário para as seguradoras de crédito, que garantem pagamentos do principal e dos juros sobre os créditos podres, não está tão claro. Seus prejuízos são extremamente pesados e os órgãos reguladores dos EUA tentam analisar como manter as seguradoras saudáveis o suficiente para que possam pagar as indenizações. “O valor dessa parte do setor de seguros recai na reputação, e as seguradoras perderam parte dela”, disse Schmidt. “Portanto precisam ampliar seu gerenciamento de risco para recuperar a confiança do investidor”.
Que esta crise, ou qualquer outra que possa abalar a credibilidade do setor, continue bem longe daqui.
* Articulista da revista Apólice
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