Indústria de seguros no Brasil desenha novo perfil
Por Denise Bueno em 07/03/2010
O novo perfil da indústria de seguros brasileira começa a ficar mais claro, após dois anos de intensas mudanças realizadas para preparar o setor para este ciclo virtuoso de evolução da economia no qual o Brasil está engrenado. “O crescimento do país não é mais uma expectativa e sim uma realidade. As seguradoras têm um papel importante na manutenção deste circulo virtuoso que se criou“, disse Joaquim Levy, secretario de Finanças do Rio de Janeiro, em sua palestra de abertura do II Brazilian Reinsurance Conference, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.
O evento, promovido pela revista britânica Reactions e que teve como principais patrocinadores o grupo francês Scor e o IRB Brasil Re, debateu os desafios e oportunidades da indústria de seguros no Brasil. Tanto um quanto outro são enormes. De um lado, um setor que vem crescendo a taxas de dois dígitos desde 1994, com a estabilização da moeda brasileira. Em 2009, as seguradoras faturaram quase R$ 100 bilhões.
O Brasil é um forte candidato a galgar cinco posições no ranking mundial das maiores economias do mundo. Isto quer dizer que haverá negócios para todos os segmentos da indústria de seguros, desde seguros de R$ 2 para ofertar a uma nova classe de consumidores que se consolida com o crescimento da economia brasileira até garantias para assegurar que os milionários contratos que serão assinados para viabilizar a realização dos dois jogos esportivos mundiais, a Copa Mundial em 2014 e as Olimpíadas em 2016.
Jacques Bergmann, ex-executivo do Itaú na área de grandes riscos e que há quase um ano aguarda a autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para oficializar a atuação da seguradora canadense FairFax no Brasil, prevê que entre 2010 e 2014 os prêmios dos seguros de garantia de contratos e de riscos de engenharia deverão somar R$ 9 bilhões. Hoje as duas carteiras somam menos de R$ 500 milhões.
Prêmios de R$ 9 bi em garantia e riscos de engenharia
“Se levarmos em conta os mais de 200 programas de investimentos estimados com investimentos acima de US$ 200 bilhões já em andamento no Brasil, os prêmios deste dois seguros, presentes em praticamente todos as obras de infraestrutura, representam R$ 3 bilhões. Além dos investimentos já anunciados, muitos outros virão para sustentar o crescimento do Brasil e preparar todos os setores para a demanda da Copa e Olimpíadas”, argumenta o executivo.
Além dos jogos esportivos, Pierre Ozendo, presidente e CEO da Swiss Re América, cita a importância da agricultura brasileira, um mercado ainda incipiente para seguro e resseguro e com grande demanda, os investimentos necessários em energia para suportar o crescimento.
Segundo previsões da segunda maior resseguradora do mundo, os preços das commodities e de alimentos ficarão elevados nos próximos anos, favorecendo o Brasil, tido como a quinta maior economia do mundo em 2050 e o terceiro maior em vendas de automóveis em 2025, atrás da China e Estados Unidos. “Este cenário traz um panorama muito positivo para o crescimento da indústria de seguros e resseguros brasileira”, disse em sua palestra.
Com tais números, o otimismo é uma realidade. Mas os desafios também são, principalmente se considerarmos que este mercado sofre hoje da asfixia que monopólios criam a uma economia. Durante 69 anos as seguradoras conviveram com apenas um ressegurador, o IRB Brasil Re, único autorizado a fazer resseguro, popularmente conhecido como o seguro das seguradoras.
Todos estão animados com a abertura, até mesmo o IRB Brasil Re. Nos dois primeiros anos de mercado, que se completam em abril, o IRB ainda detém quase 80% dos negócios. “É notável que o Brasil já tem quase 70 empresas de resseguros atuando em dois anos de abertura”, diz Joaquim Levy. Cingapura, por exemplo, demorou quase seis anos para ter o número de sindicatos do Lloyd’s of London que o Brasil atraiu em dois anos.
“Estas empresas já movimentam prêmios de R$ 500 milhões e o IRB Brasil Re tem se adaptado ao mercado aberto”, acrescenta Levy. Tanto se adaptada que se prepara para expandir suas operações para a América Latina e também operar com mais força no seguro garantia, ramo que tinha pouco apetite na época do mercado fechado.
Mas se depender dos concorrentes, o market share do IRB vai se reduzido. “Só estamos aqui porque acreditássemos na queda da participação do IRB”, disse Mark Byrne, presidente e fundador da Flagstone Re. Benjamin Gentsch, CEO da Scor Global Property & Casualty, reconhece que a participação do IRB é elevada após dois anos de abertura. “Mas é preciso ressaltar que o mercado não é totalmente aberto e isso justifica a eleva participação”.
Durante os dois primeiros anos de abertura, os resseguradores locais, onde se encaixa o IRB, tiveram o direito da oferta preferencial de 60%. A partir de janeiro, o percentual foi reduzido para 40%. “Isso vai mudar e vamos desenvolver um mercado aberto. A Scor quer otimizar os ramos que são atraentes. Há carteiras muito expostas e que necessariamente não se encaixam no nosso foco de negócios”, acrescenta o executivo da Scor.
IRB mantém a preferência mesmo com abertura
O IRB, que há anos vem se preparando para o mercado aberto, reage a críticas com um tom de parceria. “Estamos motivados e com grande expectativa no curto e médio prazo. Há muitos investimentos programados para acontecer e eles vão precisar de todo o mercado. Há negócios para todos no Brasil”, diz Rogério Acquarone, diretor do IRB.
As seguradoras, por sua vez, correm contra o tempo. João Carlos Botelho, responsável por resseguro no Itaú Unibanco, afirma que as seguradoras demoraram a se preparar para um mercado aberto de resseguro porque não acreditavam que a abertura realmente aconteceria. “Foram tantos anos de discussão, que era difícil acreditar que ela fosse concretizada”.
“Como seguradora esperamos uma contribuição mais profunda e intensa dos resseguradores, que hoje oferecem capacidade. Precisamos, no entanto, de novos produtos e que eles tragam experiência para as seguradoras”, afirmou Akira Harashima, presidente da Tokio Marine.
A vingança do underwriter
A quebra de paradigmas e das mudanças internas dentro das seguradoras é uma realidade no dia-a-dia. Elas investem em tecnologia para ter um banco de dados capaz de ajudar na precificação do contrato de seguro. “Eu diria que é a vingança dos underwriters”, brincou o presidente da Generali, Frederico Baroglio. Ele se refere a mudança de padrão de prioridades no fechamento de contratos, sendo hoje o cálculo técnico mais importante do que o aspecto comercial. Este profissional é importante, pois assim como há grandes contratos para serem segurados, há grandes sinistros para serem pagos caso as contas não sejam bem feitas.
Em razão dos atuários terem sido ignorados durante os anos de monopólio, uma vez que o preço do resseguro era determinado pelo IRB, há uma grande carência de profissionais que façam subscrição de riscos, executivos conhecidos como underwriting. “Nem mais roubar funcionários da concorrência atende a necessidade que temos no mercado. Precisamos preparar nossas equipes para estarem aptas a encarar os desafios do setor nos próximos anos”, afirma Antonio Trindade, executivo do Itaú Unibanco responsável por grandes riscos.
Além dos profissionais, o monopólio podou a criativadade das seguradoras em relação a produtos, uma vez que as apólices eram desenhadas pelo IRB para todo o mercado. Agora é preciso oferecer ao cliente contratos e serviços diferenciados. “Criamos mais de 20 novos produtos neste último”, disse Luis Maurette, presidente da Liberty Seguros, em sua fala no painel onde CEOs de seguradoras analisaram os dois anos de abertura do resseguro. Além dos produtos, a Liberty diversificou a operação, trazendo para o Brasil a subsidiária de gestão de grandes riscos do grupo Liberty Mutual, a Liberty Internacional Underwrinting (LIU).
Marcos Couto, presidente da ACE, aproveitou o momento para ressaltar a importância do cliente. “Neste evento estamos falando nós para nós mesmos. Precisamos envolver o cliente na discussão. Fazer mais evento com o segurado”, reforçou.
Cliente quer ser ouvido pelo setor
A única empresa compradora de seguro com direito a proferir palestra no evento foi Marcos Mendonça de Mello, coordenador de seguros da AES Brasil Company. E ele fez questão de dizer que a parceria entre cliente, seguradora, ressegurador e corretor é prioritária. “Quem conhece o risco é o segurado. Com certeza nós podemos desenvolver juntos soluções para o mercado”, afirmou.
Muitos clientes queixam-se dos preços elevados e da falta de apetite das seguradoras pelo risco. No próximo dia 15, a Petrobrás vai receber as propostas das seguradoras para três apólices de seguros, com riscos avaliados em mais de US$ 50 bilhões e prêmios acima de US$ 25 milhões. “Espero uma boa redução de preço e ampla cobertura, afinal o mercado internacional de seguros está num momento muito favorável”, comentou Luiz Octavio, gerente de risco da Petrobras.
Algumas seguradoras deixaram de operar com grandes riscos. De um lado este fato reduziu a oferta. Umas ficaram temerosas do risco de crédito de resseguradores com a crise financeira, uma vez que na ocorrência de um acidente a seguradora é responsável por pagar a indenização, mesmo se o ressegurador não honrar o contrato. Outras em razão de uma nova estratégia de atuação que privilegia mais os seguros massificados do que grandes riscos.
“Por outro lado, esta realidade acirrou a competição entre as seguradoras especializadas internacionais, como Liberty, ACE, Allianz, Mapfre entre outras”, afirma Paulo Pereira, presidente da Associação dos Resseguradores (Aber) e da Transatlantic Re. Para ele, o que há na verdade é risco mal taxado.
Ou seja, alguns clientes não apresentam informações suficientes para o calculo do risco ou tem um histórico ruim. Como conseqüência, o preço do seguro sobe e as coberturas ficam reduzidas. Alguns sequer encontram ofertas no mercado, como é o caso da CSN, que há mais de dois anos está sem seguro e conta com um reserva para fazer frente a perdas inesperadas. A Celesc também enfrenta dificuldades, com várias licitações já realizadas sem o comparecimento de seguradoras com ofertas.
“Dos dez maiores resseguradores do mundo, nove estão no Brasil, que representa apenas 1% do mercado mundial de resseguros”, informa Pereira. E vai além: “Estes números mostram que quem está encontrando dificuldade de comprar resseguro é quem tem um risco ruim, inadequado ou quer um preço que não condiz com a análise de risco exigida pelo mercado internacional”.
Resseguro da Transnordestina fechado em uma semana
Outros riscos, no entanto, são disputados a tapa e com isso o preço fica competitivo. Rodrigo Protássio, da corretora de resseguros JLT, disse que em uma semana conseguiu fechar o resseguro de riscos de engenharia da rodovia Transnordestina, com mais de R$ 5 bilhões em investimentos. “Fizemos uma análise de risco tão detalhada que o primeiro ressegurador que ofertamos ficou com toda a cobertura”, disse. O contrato foi fechado com a seguradora Mafpre e com a resseguradora alemã Munich Re.
Como bem definiu o secretário de finanças do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, a recente catástrofe que aconteceu no Chile mostra a importância do seguro na reconstrução do país. As indenizações, estimadas em US$ 8 bilhões, serão pagas pelas seguradoras aos clientes que tiveram perdas com terremoto e tsunamis que devastaram o país no início de março, causando mais de 800 mortes.
Apesar de o Brasil contabilizar um pequeno número de catástrofes, elas não são mais um item ignorado dos clientes, investidores e governo. “A crise financeira mostrou que ninguém está inume de riscos, sejam eles criados pelo homem ou pela natureza”, comentou Levy. Diante de um cenário de incertezas, a demanda pelo seguro cresce e isto faz com que as apostas neste mercado sejam animadoras.
Fundos de pensão e resseguradoras: parceria
Por Denise Bueno em 07/03/2010
Os fundos de pensão podem ser clientes e também investidores nas resseguradoras, numa grande parceria nos próximos anos. Assim começou Leonardo Paixão, do Conselho Nacional de Administração (Conad), sua palestra proferida no segundo dia do II Brazilian Reinsurance Conference, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.
Os fundos de pensão contam hoje com ativos de R$ 512 bilhões, sendo 272 privados e 82 estatais, e tem compromissos com seus participantes de R$ 445 bilhões. Atualmente, 2,6% da população tem um plano de previdência fechado e o potencial estimado em pesquisas é de que este número pode chegar a 8%, considerando-se o perfil de pessoas com emprego formal. Apesar de o sistema de aposentadoria complementar no Brasil já ter 100 anos, há muito mais gente na fase laborativa do que recebendo beneficio.
“Os fundos querem transferir boa parte desses compromissos de pagamentos aos beneficiários para as seguradoras. Um deles é o risco de sobrevivência. Mas temos também seguro por morte, seguro para auxílio doença, seguro para invalidez”, acrescentou Paixão, ex-titular da Secretaria de Previdência Complementar (SPC). E as resseguradoras têm grande interesse neste nicho de negócios, garante Ronaldo Kalffmann, executivo da Scor, patrocinadora do evento promovido pela revista britânica Reactions.
O que tem atrapalhado o desenvolvimento de negócios é a avaliação jurídica da contratação do resseguro. Os fundos querem comprar o resseguro diretamente das resseguradoras. As seguradoras, por sua vez, alegam que a legislação permite apenas que seguradoras comprem resseguro, ficando assim elas com a permissão de intermediar os contratos. No entanto, isto encarece a operação e faz com que as discussões contratuais avancem, ficando os negócios para um futuro próximo.
Sem tomar partido nesta briga jurídica, Paixão acredita-se que cerca de 2/3 do patrimônio dos fundos hoje aplicados em papeis de renda fixa vão precisar migrar para outros ativos. “À medida que os títulos de renda fixa forem vencendo, a partir de 2012, dificilmente os administradores vão achar títulos com taxas equivalentes as que tem hoje. Os resseguradores podem receber parte dos R$ 400 bilhões que vão buscar uma aplicação nos próximos anos”, acrescentou.
Se levarmos em conta a aposta do megainvestidor Warren Buffett, o mercado de resseguros parece ser promissor. Recentemente Buffett investiu nas duas maiores resseguradoras do mundo, Munich Re e Swiss Re.
Para a parceria entre fundos e resseguradoras se consolidar há dois desafios: a formatação de produtos que de fato faça sentido para os fundos e capacidade de resseguro para os passivos de quase meio trilhão de reais que os fundos exibem hoje. “Sem capacidade não há como assumir parte dos riscos para os quais os fundos fazem reservas”, diz.
Paixão incentiva os seguradores e os resseguradores a desenvolverem produtos para os fundos de pensão. Talvez um segurador possa ofertar algo para o participante com um custo mais apropriado do que o fundo oferece hoje para produtos como auxílio doença, aposentadoria por invalidez. Por outro lado, os fundos têm interesse em comprar seguros para se protegerem de riscos, como o de sobrevivência dos participantes.
O aumento da expectativa de vida é um risco que interessa aos fundos. “É bom saber que estamos vivendo mais. Porém isto coloca um desafio para os fundos que não se programaram para pagar benefícios por um tempo tão longo. As seguradoras poderiam vender um produto que hoje tem grande demanda”, disse.
Segundo Ronaldo Kalffmann, executivo da Scor Global Life, o grupo francês tem grande interesse em ofertar produtos para os fundos de pensão. Durante sua palestra sobre aposentadoria e poupança de longo prazo no evento, ele falou que está convicto de que virá por aí uma nova geração de produtos, adicionando valor e proteção para as pessoas. “Acredito que com esta nova família de produtos que surge no Brasil com a abertura do mercado de resseguros servirá de alavanca para que o ramo “Vida” possa dobrar de tamanho de cinco a oito anos em termos de penetração.
Um dos produtos é chamado na França de seguro de dependência de longo prazo. Trata-se de um seguro que propicia uma renda ou um capital para que as pessoas possam usar para cobrir algum tipo de dependência física. “O capital servirá para que estas pessoas possam ter condição de ter ajuda em um determinado momento da vida caso não possam tomar banho, se alimentar ou se higienizar sozinhas”, explica. Esta apólice já é vendida na Espanha, em Portugal e em Israel e deverá chegar em breve ao Brasil.
Segundo Kallfmann, existe uma enorme busca pela melhor distribução de seguros, o que permitirá o acesso de um grande número de participantes ao setor e conseqüentemente aumente a participação da indústria de seguros no PIB brasileiro, hoje próxima de 3%, abaixo da média mundial de 7%. “O microsseguros é um capítulo à parte e poder oferecer a 90 milhões de pessoas proteção para os riscos inerentes da vida”, finaliza o executivo da Scor.
A Scor já oferece ferramentas para que as seguradoras possam ter mais facilidades no desenvolvimento e comercialização de seus produtos. Ele lembra que já está à disposição a empresa de marketing do grupo, a Remark, que fornece treinamento e tecnologia às companhias para aprimorar mecanismos de venda através da mala direta, internet, pontos de venda. “É importante neste momento que os produtos de vida já desenvolvidos cheguem ao consumidor”, comenta.
Outro serviço disponível é o Telemed, que oferece um conjunto de metodologias para facilitar a análise do segurado e o processo de seleção de riscos. “Esse serviço, que é amplamente utilizado na Europa, utiliza pessoas da área médica para obter informações mais objetivas dos segurados nas entrevistas”, explica Kauffmann. Com este mecanismo, o preço do seguro é mais fiel ao perfil de cada segurado.
Começam os debates sobre resseguros no Rio
Por Denise Bueno em 04/03/2010
Teve início há pouco o II Congresso Internacional sobre Resseguros, o Brazilian Reinsurance Conference, no Rio de Janeiro. Cerca de 300 profissionais estão se acomodando no auditório para assistir a abertura do evento. José Carlos Cardoso, diretor-presidente da Scor Global P&C no Brasil, uma das principais patrocinadoras do evento, fará a abertura do encontro, passando a palavra para o Secretario de Finanças do Estado do Rio de Janeiro, Joaquim Levy.
Após o discurso do secretário, que abordará os investimentos do governo para fazer do Rio de Janeiro a capital latina do resseguro, Pierre L. Ozendo, Chairman & CEO, Swiss Re America Corporation, abordará o resseguro como um instrumento financeiro para aliviar o balanço das seguradoras de aumento de capital, uma vez que ao transferir parte do risco para uma resseguradora as exigências de capital baseado em risco diminuem.
O painel seguinte, previsto para as 9h40, reunirá resseguradores, para um breve balanço dos quase dois anos de abertura do setor. Estarão presentes Alberto de Almeida Pais, vice- presidente do IRB-Brasil Re, Benjamin Gentsch, da, SCOR Global P&C, Mark Byrne, president da FlagstoneRe, Paulo Pereira, president da ABER & responsável pela operação da TRC no Brasil; Rolf Steiner, executive da Swiss Re; e Mark Geske, atuário da Transamerica Re.
Em seguida será a vez dos CEOs de seguradoras dizerem o que clientes e seguaradoras esperam dos resseguradores. Estão confirmados no painel Akira Harashima, da Tokio Marine, Luis Maurette, da Liberty, Frederico Baroglio, da Generali, Antonio Trindade, do Itaú, Arthur Santos, da Mapfre, Marcos Couto, da ACE, com José Rubens Alonso, consultor da KPMG, como mediador.
Cooper Gay prevê ano desafiador para resseguro
Por Denise Bueno em 03/02/2010
A recuperação geral dos mercados de investimento globais e a ausência de grandes catástrofes que contavam com seguros fizeram de 2009 um ano muito lucrativo para a indústria de resseguros. Segundo relatório divulgado pela corretora de resseguros Cooper Gay, a expectativa para 2010 já não é tão promissora quanto o resultado do ano passado.
De acordo com o estudo, enquanto as seguradoras enfrentaram sérios desafios em manter o faturamento dentro de um cenário de economia em recessão, o setor de resseguros se beneficiou por 2009 ser um ano de baixo volume de pedidos de indenizações causadas por catástrofes naturais. Além disso, as emissões de cat bonds tiveram uma significativa melhora no ano passado, com 19 emissões que totalizaram US$ 3,5 bilhões.
Seymour Matthews, presidente do resseguro da Cooper Gay, disse que 2010 já foi abalado pela terrível perda de vidas no Haiti, embora o impacto financeiro não deverá afetar os preços. No entanto, é provável um aumento na atividade do furacão em 2010, acima da média de anos anteriores.
Perdas com catástrofes chegam a US$ 52 bilhões
Por Denise Bueno em 01/12/2009
Segundo estudo divulgado ontem pela Swiss Re, as catástrofes naturais e feitas pelo homem já acumulam um total de US$ 52 bilhões em 2009, bem abaixo dos US$ 267 bilhões de 2008. O total das perdas seguradas chega a US$ 24 bilhões, sendo US$ 21 bilhões em catástrofes naturais e US$ 3 bilhões em acidentes causados pelo home, segundo dados preliminares.
Praticamente o dobro do valor registrado em 2008, quando as indenizações atingiram US$ 50 bilhões, diz o estudo. A fraca safra de furacões nos Estados Unidos é a razão do valor das indenizações pagas pelas seguradoras estarem muito aquém do valor registrado nos últimos anos. Na Europa, no entanto, o custo com enchentes tiveram forte elevação na média de indenizações pagas.
As indenizações nos sete primeiros meses do ano apresentam o dobro da media dos últimos 20 anos. Entre janeiro e julho deste ano, cinco eventos ultrapassaram os custos em US$ 1 bilhão. A chuva de inverno chamada de Klaus, que em janeiro castigou França e Espanha, foi o evento mais caro, com perdas de US$ 3,5 bilhões. Em julho, as chuvas com fortes raios na Suíça e Áustria custaram outros US$ 1,25 bilhão. Nos EUA, as chuvas de inverno e dois tornados geraram perdas seguradas de US$ 3,5 bilhões, segundo informa o estudo.
Em todo o mundo, aproximadamente 12 mil pessoas morreram nas catástrofes, comparadas com 240 mil em 2008. A região mais afetada foi a Ásia, com o terromoto na Indonésia em setembro, onde mil vidas foram perdidas. A passagem de três tufões tirou outras 2 mil vidas. Segundo Thomas Hess, economista chefe da Swiss Re, comentou que em 2009 todos agradecem de ter não ter visto algo como o furacão Katrina, que em 2005 causou perdas de US$ 71 bilhões.
Catlin registra alta de 5% nos prêmios do trimestre
Por Denise Bueno em 06/11/2009
O grupo Catlin, dono do maior sindicato do Lloyd’s of London e presente no Brasil, anunciou prêmios brutos de US$ 3 bilhões no terceiro trimestre deste ano, alta de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. O Catlin Syndicate no Reino Unido representou US$ 1,9 bilhão, ligeira queda diante dos US$ 2 bilhões do mesmo período anterior. A unidade dos Estados Unidos movimentou prêmios de US$ 429 milhões, acima dos US$ 257 milhões e o Catlin Internacional, onde está incluído o Brasil, foi responsável por US$ 268 milhões, acima dos US$ 210 milhões.
Os contratos de resseguros representam a maior fatia do Catlin, com US$ 999 milhões; responsabilidade civil teve prêmios de US$ 590 milhões; riscos marítimos e de energia US$ 503 milhões; e riscos especiais, de guerra e político, US$ 315 milhões. Stephen Catlin (foto), diretor executivo, comentou que algumas linhas de negócios continuarão apresentando desafios para 2010, mas a meta do grupo é continuar crescendo com rentabilidade.
PartnerRe lucra US$ 1,2 bilhão até setembro
Por Denise Bueno em 28/10/2009
A PartnerRe, que comprou a Paris Re neste ano e está presente no Brasil como resseguradora admitida, apresentou lucro líquido de US$ 566,7 milhões no terceiro trimestre, que inclui ganhos extraordinários de US$ 274 milhões. O resultado é significativo quando comparado ao prejuízo de US$ 151,7 milhões do mesmo período do ano anterior.
O lucro líquido acumulado no ano até setembro totaliza US$ 1,2 bilhão. No mesmo período de 2008, registrou perda de US$ 48,7 milhões. O índice combinado do grupo no trimestre foi reduzido para 78%. Em setembro do ano passado estava em 95,5%. No acumulado do ano, o índice ficou em 82,5% comparado com 91,4%.
O presidente e CEO Patrick Thiele comemorou os resultados. “Obtivemos retorno sobre o capital de 22% e crescimento de 30% em nosso valor de mercado”, informou em nota divulgada a imprensa. Segundo ele, os resultados do grupo foram beneficiados por um baixo nível de perdas e pela melhora dos mercados acionários, o que possibilitou ganhos com investimentos. O balanço pode ser acessado na página do grupo www.partnerre.com.
Baden Baden: queda de preço para 2010
Por Denise Bueno em 27/10/2009
O futuro do resseguro, uma operação que ajuda as seguradoras a mitigar o risco de catástrofes naturais ou feitas pelo homem, está sendo traçado no tradicional encontro em BadenBaden, refúgio de milionários na Alemanha, que teve início no domingo e termina na quinta-feira. Lá, instalados em um belo SPA e cassino, elas se reúnem com seus clientes para discutir a renovação dos maiores contratos de resseguro do mundo que vencem em janeiro de 2010.
A recuperação dos mercados acionários em 2009 ajudou resseguradoras e seguradoras a reconstruir seus balanços financeiros. Aliado a este fato, a natureza foi, digamos, generosa com a indústria de seguros. A safra de furacões nos EUA até agora está bem aquém das previsões, com perdas abaixo do previsto.
Neste cenário, as seguradoras e resseguradoras estão conseguindo recuperar capital, o que já é demonstrado pelo fim do ciclo de alta de preço. Em vários nichos de negócios já se observa descontos, porém as condições de cobertura e exigências de informações permanecem severas.
A demanda por resseguro, até então em queda em razão da recessão da economia, deve crescer em 2010. Tanto pela maior consciência de riscos a que todos estão expostos, percepção aguçada com a crise financeira, como também para fazer frente a uma forte necessidade de capital das seguradoras para cumprir novas regras de Solvência II, elaboradas pela Comissão Europeia.
O objetivo do órgão regulador é fortalecer o capital das seguradoras, impondo que elas priorizem a qualidade na subscrição de risco, tornando o seguro caro e as coberturas limitadas para os segurados com pouca transparência, que não investem em segurança e também em relacionamento duradouro, assim como para aqueles com um histórico de sinistros volumoso e com custos elevados. A compra de resseguro é uma das saídas para dar um fôlego ao comprometimento do patrimômio e poder alavancar as vendas sem ter de injetar capital.
Este é o tom do 25º tradicional encontro de resseguros. Munich Re disse ter uma farta capacidade para ofertar aos clientes. Swiss Re acrescentou que tem uma equipe profissional para buscar as melhores soluções para contratos saudáveis. Hannover Re aposta em queda de preço para os riscos na Alemanha. A Scor disse que irá buscar aumento de preço em algumas carteiras deficitárias. A Guy Carpenter vislumbra um cenário de queda de preços. A expectativa dos analistas que acompanham o encontro é de uma queda média de preço entre 5% e 10%.
Uma das preocupações mundial é com a inflação, que pode vir a prejudicar a rentabilidade dos resseguradores em todas as linhas de negócio, segundo alerta feito pela Towers Perrin durante palestra no evento. Isso porque em muitos contratos há claúsulas onde as reclamações podem ser feitas anos depois de ocorrido o acidente. Com a inflação, pode haver um valor maior do que o previsto de desembolso. Historicamente, a inflação tem gerado créditos futuros. Mas atualmente, a indústria não vinha introduzindo o risco de inflação, que era praticamente um indicador descartado nas economias desenvolvidas.
Uma taxa de inflação de 3% poderia causar um forte impacto nas contas das resseguradoras. Além do valor financeiro, geralmente em economias com um período de inflação mais longo, a ocorrência de sinistros é maior, afetando mais severamente as contas financeiras das companhias.
A Towers mostrou no evento um estudo interessante, segundo divulgaram as agências internacionais. Quando a inflação chegou em 3,4% em 2000, o índice de sinistralidade em 2002 chegou a 99% nas linhas de ramos elementares. Quando em 2002 a inflação teve baixa para 1,6%, a sinistralidade caiu para 73% em 2004.
Resseguro foi tema da abertura da VIII ABGR
Por Denise Bueno em 26/10/2009
Uma grande expectativa de melhora no cenário do resseguro em 2010 deu o tom da abertura do VIII Seminário Internacional de Gerência de Riscos e Seguros, evento tradicional promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de RIsco (ABGR), patrocinado pelas seguradoras, corretores e resseguradoras e que teve início hoje e termina na quarta-feira, em São Paulo.
Um fato que todos lamentam é o país ter esperado tantos anos pela abertura do mercado de resseguros e quando ela efetivamente aconteceu, em abril de 2008, o mundo é abalado por uma crise financeira sem precedentes. “Afortunadamente, no Brasil a crise chegou mais tarde e mais leve. Assim, o País sai da crise antes do que outros países”, diz Andres Holownia, presidente da ABGR e gerente de riscos da Scania.
Todos concordam que o Brasil é o país do momento e que a abertura de resseguros dá mais brilho e sustentabilidade ao mercado. No entanto, os executivos são unânimes em afirmar que é preciso melhorar algumas regras e procedimentos. “Esta abertura, ainda que imperfeita, com um complexo sistema de diferentes tipos de resseguradores, restrições e exigências, precisa ser aprimorada para atrair a farta capacidade de capital que o Brasil precisa diante de um potencial tão relevante de crescimento para os próximos anos”, acrescenta Holownia.
Segundo o Banco Mundial, o Brasil pode se tornar a quinta maior potência do mundo até 2016. Hoje, o país ocupa a décima colocação no ranking das maiores economias do mundo. Segundo o presidente Lula, em seu discurso no “Café da manhã com o presidente” hoje, o Brasil terá de se esforçar muito para que esta previsão se torne realidade.
O mercado de seguros também terá de continuar se esforçando para que os efeitos positivos da abertura do resseguro sejam efetivados. Felipe Smith, diretor de grandes riscos da Tokio Marine, disse se sentir frustrado com a abertura. “A nossa expectativa era ter mais produtos, mais capacidade e preços mais acessíveis logo no primeiro ano de abertura para ofertar aos nossos corretores e segurados. Mas não é bem este cenário que estamos vivenciando com quase um ano e meio de mercado livre e quase 70 resseguradores instalados no País”.
Segundo o executivo da Tokio, grupo japonês que tem três braços de resseguros no Brasil, sendo duas resseguradoras e o Klin, um dos maiores sindicatos do Lloyd’s of London, o que se vê hoje no Brasil são produtos que já estavam disponíveis no mercado brasileiro e eram pouco comercializados. “Como o POSI, um seguro para proteger os diretores de empresas envolvidos em emissões de ações”, comentou durante a abertura do evento da ABGR.
Os palestrantes citaram outros problemas, além da falta de produtos. “Temos uma série de ações que precisam ser tomadas para atrair um número maior de resseguradores para o Brasil”, diz Francisco Pinho, executivo da Aon Benfield Re. Seu concorrente, Eduardo Hussen, executivo do grupo Marsh McLennan, que tem corretoras na área de seguros e de resseguros, concorda. “Nosso grande desafio é como atrair resseguradores internacionais. Apesar do grande número já instalado no Brasil, ele significa menos de 50% dos resseguradores mundiais”, enfatiza.
Segundo avaliação de números divulgados pela Superintendência de
Seguros Privados (Susep), dos 67 resseguradores listados no site da autarquia, os cinco locais têm 85% do prêmio de R$ 2,4 bilhões dos prêmios de resseguro até agosto. Mesmo com tantas resseguradoras, Pinho acredita que o Brasil enfrentará dificuldades para fazer a colocação de riscos facultativos em razão de a legislação limitar a atuação dos resseguradores eventuais, geralmente empresas especializadas em nichos de negócios complexos e de riscos vultosos.
“A legislação para eventuais já foi flexibilizada, mas é preciso um pouco mais de estímulo para que estes resseguradores eventuais se interessem mais pelo Brasil”, diz Pinho. A Petrobras é um dos clientes que precisa encontrar mais capacidade para a colocação de seu milionário contrato de resseguros. Segundo um executivo da Petrobras, o contrato foi prorrogado em razão da necessidade de buscar uma capacidade acima da que estava disponível no mercado brasileiro para riscos facultativos.
A redefinição da estratégia das seguradoras brasileiras dentro deste momento de crise e de consolidação do mercado brasileiro de seguros também é um dos fatores que frustrou os compradores de seguro. “Alguns clientes se queixam da falta de oferta, mas acreditamos que este novo cenário do setor estará definido em 2010”, diz Pinho, da Aon.
No entanto, uma simples volta na feira que acontece paralelamente ao evento, se nota a falta de interesse de seguradoras locais. Apenas a Allianz, Itaú, Tokio Marine e J.Malucelli tinham estandes no evento, em um local pequeno e dividido com corretores como Marsh e Aon, além dos prestadores de serviços da indústria de seguros. Na última edição, Bradesco, SulAmérica e Mapfre disputavam a tapa cada milímetro da feira de exposição.
Para Jacques Bergmann, executivo que deixou o grupo Itaú no início deste ano para montar a operação da seguradora canadense Fairfax no Brasil, elogiou a abertura e enfatizou que ela foi feita da melhor forma que pode e que como acontece em todos os mercados requer aperfeiçoamentos. Principalmente na parte tributária.
Segundo os palestrantes, é preciso definir melhor a tributação do mercado de resseguros, pois está havendo bitributação dos contratos de seguro. Também é importante avaliar as regras de solvência das seguradoras. “Muitas vezes o banco não está preparado para fazer a operação de câmbio para as seguradoras por falta de uma regulamentação mais clara e isso acaba gerando risco de oscilações das moedas. Esta situação pode afetar a capacidade de subscrição das seguradoras”, comenta Bergmann.
Fazer o repasse de riscos para seguradoras cativas de clientes também se tornou um problema na indústria de seguros. Antes da abertura do resseguro, esta operação, conhecida como fronting, era disputada pelas seguradoras, uma vez que o risco de crédito era nula por ser o IRB Brasil Re, detentor do monopólio nos últimos 69 anos, ser controlado pelo Tesouro Nacional.
Com a abertura, as seguradoras passaram a ter o risco de crédito da operação de resseguro e isso praticamente inviabilizou os contratos de fronting. Segundo os seguradores, é difícil calcular o preço de uma operação de fronting, principalmente em um momento onde a crise ainda pode esconder surpresas. Diante do risco, a opção tem sido não atuar neste tipo de operação.
Afinal, ninguém quer arriscar fazer parte dos grupos que foram engolidos pela crise, como AIG, Lehman Brothers e outros 101 bancos americanos. Ou memso o grupo ING, que anunciou hoje que venderá das operações de seguros no mundo para pagar o empréstimos de 10 bilhões de euros que teve de solicitar ao governo holandês. “As empresas que sobrevirão a esta crise não são as maiores e sim as que se adaptarem mais rapidamente às mudanças”, diz o executivo da Marsh.
Lloyd’s já conta com cinco sindicatos no Brasil
Por Denise Bueno em 23/10/2009
A operação do Lloyd’s of London, maior mercado de seguros do mundo, é considerada um sucesso no Brasil. Segundo Marco Antonio de Simas Castro, representante do Lloyd’s no Brasil, o escritório local já conta com cinco sindicatos, ou seja, empresas responsáveis pela subscrição de riscos de resseguros.
“É um ótimo começo. Estamos longe dos quase 80 sindicatos reunidos na matriz em Londres (foto), mas a plataforma do Lloyd’s Ásia, em Cingapura, por exemplo, já existe há 10 anos e tem 15 sindicatos com presença local. O Brasil com apenas um ano e meio já tem cinco sindicatos”, disse Castro em seu discurso durante o coquetel de lançamento do Liberty Syndicates, realizado em São Paulo, no último dia 21.
Além do Liberty Syndicates, com escritório em São Paulo e no Rio de Janeiro e representados por Florian Kummer e Fernando Paes, o escritório do Lloyd’s no Rio conta também com o Catlin Syndicate, com Cid Andrade e Daniel Melnik, o Kiln Syndicate, controlado pelo grupo Tokio Marine, tendo Marcelo Raposo como responsável, e o Marlborough Syndicate, com Mariana Gelbert Luz. O ACE Syndicate, com Hal Rubin, optou por ter escritório próprio em São Paulo.
“É uma facilidade para o corretor de resseguro ir a um local só para colocar os riscos. Esperamos que o número de sindicatos cresça e que o sonho de transformar o Rio em um pólo ressegurador da América Latina possa se concretizar”, finaliza Castro.



