Fundos de pensão e resseguradoras: parceria

Por Denise Bueno em 07/03/2010

parceriasOs fundos de pensão podem ser clientes e também investidores nas resseguradoras, numa grande parceria nos próximos anos. Assim começou Leonardo Paixão, do Conselho Nacional de Administração (Conad), sua palestra proferida no segundo dia do II Brazilian Reinsurance Conference, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.

Os fundos de pensão contam hoje com ativos de R$ 512 bilhões, sendo 272 privados e 82 estatais, e tem compromissos com seus participantes de R$ 445 bilhões. Atualmente, 2,6% da população tem um plano de previdência fechado e o potencial estimado em pesquisas é de que este número pode chegar a 8%, considerando-se o perfil de pessoas com emprego formal. Apesar de o sistema de aposentadoria complementar no Brasil já ter 100 anos, há muito mais gente na fase laborativa do que recebendo beneficio.

“Os fundos querem transferir boa parte desses compromissos de pagamentos aos beneficiários para as seguradoras. Um deles é o risco de sobrevivência. Mas temos também seguro por morte, seguro para auxílio doença, seguro para invalidez”, acrescentou Paixão, ex-titular da Secretaria de Previdência Complementar (SPC). E as resseguradoras têm grande interesse neste nicho de negócios, garante Ronaldo Kalffmann, executivo da Scor, patrocinadora do evento promovido pela revista britânica Reactions.

O que tem atrapalhado o desenvolvimento de negócios é a avaliação jurídica da contratação do resseguro. Os fundos querem comprar o resseguro diretamente das resseguradoras. As seguradoras, por sua vez, alegam que a legislação permite apenas que seguradoras comprem resseguro, ficando assim elas com a permissão de intermediar os contratos. No entanto, isto encarece a operação e faz com que as discussões contratuais avancem, ficando os negócios para um futuro próximo.

Sem tomar partido nesta briga jurídica, Paixão acredita-se que cerca de 2/3 do patrimônio dos fundos hoje aplicados em papeis de renda fixa vão precisar migrar para outros ativos. “À medida que os títulos de renda fixa forem vencendo, a partir de 2012, dificilmente os administradores vão achar títulos com taxas equivalentes as que tem hoje. Os resseguradores podem receber parte dos R$ 400 bilhões que vão buscar uma aplicação nos próximos anos”, acrescentou.

Se levarmos em conta a aposta do megainvestidor Warren Buffett, o mercado de resseguros parece ser promissor. Recentemente Buffett investiu nas duas maiores resseguradoras do mundo, Munich Re e Swiss Re.

Para a parceria entre fundos e resseguradoras se consolidar há dois desafios: a formatação de produtos que de fato faça sentido para os fundos e capacidade de resseguro para os passivos de quase meio trilhão de reais que os fundos exibem hoje. “Sem capacidade não há como assumir parte dos riscos para os quais os fundos fazem reservas”, diz.

Paixão incentiva os seguradores e os resseguradores a desenvolverem produtos para os fundos de pensão. Talvez um segurador possa ofertar algo para o participante com um custo mais apropriado do que o fundo oferece hoje para produtos como auxílio doença, aposentadoria por invalidez. Por outro lado, os fundos têm interesse em comprar seguros para se protegerem de riscos, como o de sobrevivência dos participantes.

O aumento da expectativa de vida é um risco que interessa aos fundos. “É bom saber que estamos vivendo mais. Porém isto coloca um desafio para os fundos que não se programaram para pagar benefícios por um tempo tão longo. As seguradoras poderiam vender um produto que hoje tem grande demanda”, disse.

Segundo Ronaldo Kalffmann, executivo da Scor Global Life, o grupo francês tem grande interesse em ofertar produtos para os fundos de pensão. Durante sua palestra sobre aposentadoria e poupança de longo prazo no evento, ele falou que está convicto de que virá por aí uma nova geração de produtos, adicionando valor e proteção para as pessoas. “Acredito que com esta nova família de produtos que surge no Brasil com a abertura do mercado de resseguros servirá de alavanca para que o ramo “Vida” possa dobrar de tamanho de cinco a oito anos em termos de penetração.

Um dos produtos é chamado na França de seguro de dependência de longo prazo. Trata-se de um seguro que propicia uma renda ou um capital para que as pessoas possam usar para cobrir algum tipo de dependência física. “O capital servirá para que estas pessoas possam ter condição de ter ajuda em um determinado momento da vida caso não possam tomar banho, se alimentar ou se higienizar sozinhas”, explica. Esta apólice já é vendida na Espanha, em Portugal e em Israel e deverá chegar em breve ao Brasil.

Segundo Kallfmann, existe uma enorme busca pela melhor distribução de seguros, o que permitirá o acesso de um grande número de participantes ao setor e conseqüentemente aumente a participação da indústria de seguros no PIB brasileiro, hoje próxima de 3%, abaixo da média mundial de 7%. “O microsseguros é um capítulo à parte e poder oferecer a 90 milhões de pessoas proteção para os riscos inerentes da vida”, finaliza o executivo da Scor.

A Scor já oferece ferramentas para que as seguradoras possam ter mais facilidades no desenvolvimento e comercialização de seus produtos. Ele lembra que já está à disposição a empresa de marketing do grupo, a Remark, que fornece treinamento e tecnologia às companhias para aprimorar mecanismos de venda através da mala direta, internet, pontos de venda. “É importante neste momento que os produtos de vida já desenvolvidos cheguem ao consumidor”, comenta.

Outro serviço disponível é o Telemed, que oferece um conjunto de metodologias para facilitar a análise do segurado e o processo de seleção de riscos. “Esse serviço, que é amplamente utilizado na Europa, utiliza pessoas da área médica para obter informações mais objetivas dos segurados nas entrevistas”, explica Kauffmann. Com este mecanismo, o preço do seguro é mais fiel ao perfil de cada segurado.

 

 

Geneva Association divulga estudo inédito ao G-20

Por Denise Bueno em 26/02/2010

patrick2A Geneva Association divulgou um interessante estudo, com quase 130 páginas, aos ministros das finanças e presidentes de órgãos reguladores das maiores economias do mundo, grupo conhecido como G-20. Quem assina a carta é Nikolaus von Bomhard, presidente da Munich Re, e Patrick Liedtke, presidente da associação que reúne os principais CEOs da indústria de seguros mundial.

Eles explicam que os representantes da indústria de seguros reunidos na associação entendem a necessidade de uma maior regulação nos mercados financeiros para evitar novas crises. Reforçam, no entanto, que a atividade de seguros é diferente da bancária, necessitando de regras diferenciadas. Não menos rígidas, porém os mecanismos de controle de risco devem levar em conta as diferenças entre as instituições bancárias e de seguros para que não crie problemas ainda maiores ou que tire do setor segurador a capacidade nata de assumir riscos.

Uma das diferenças destacadas é gritante. Enquanto os bancos registraram perdas com crédito de US$ 1,7 trilhão, as seguradoras acumularam US$ 271 bilhões, concentradas em companhias europeias, AIG e ING, entre as principais. O baixo volume de perdas com crédito nas seguradoras se refletiu na manutenção de preço do produto para os consumidores em 2008 e 2009. Outra difença ressaltada é no volume do socorro que as instituições buscaram nas linhas que governos disponibilizaram. As seguradoras tomaram empréstimos de US$ 44 bilhões na linha oferecida pelos EUA, conhecida como TARP, enquanto os bancos precisaram de US$ 245 bilhões.

No amplo estudo realizado por um grupo de especialistas anexado a carta o setor de seguros e resseguros não representa um risco para a estabilidade financeira global. Algumas atividades de risco, realizadas em grande escala, sem supervisão adequada, representam risco. Não a indústria como um todo, ressalta a carta. Segundo o estudo, as garantias financeiras, principais responsáveis pelas perdas das seguradoras, representam apenas 0,4% do volume de prêmio de seguro mundial, evidenciando que é preciso ter uma regulamentação a parte para este tipo de atuação.

O relatório avalia a relação entre seguradoras e critérios internacionais de solvência e faz recomendações para que as lacunas legais sejam superadas e sugestões de como reforçar as práticas de gestão de risco da indústria. Segundo Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica e membro da Geneva Association, o principal objetivo do estudo é mostrar o quanto a crise afetou menos as seguradoras em relação aos bancos. “Se houver mudanças regulatórias no sistema financeiro no futuro, e com certeza serão implementadas, que essas mudanças olhem as seguradoras de forma diferente”, diz.

Larragoiti também ressalta que o estudo traz um panorama do que aconteceu no mercado financeiro do Hemisfério Norte, uma realidade bem diferente do Brasil. “A regulação bancária e de seguros do Brasil mostrou estar a frente em vários pontos, o que preservou a economia brasileira durante a crise”, comenta, citando que todos os tipos de instituições financeiras tem regulamentação.

“E com acompanhamento diário das movimentações”, ressalta. Nos EUA, por exemplo, os bancos de investimentos fugiam da regulamentação e as seguradoras eram, na época, fiscalizadas por normas estaduais e não por um órgão regulador nacional, como acontece no Brasil há tempos e agora se começa a implementar no maior mercado de seguros do mundo, com vendas superiores a US$ 1 trilhão.

A primeira parte do estudo se dedica a fazer uma introdução da indústria de seguros, como a função social do seguro, a estrutura do setor, o lado social e econômico, bem como busca diferenciar as diversas modalidades de seguros e de empresas que atuam em um mercado que movimento mais de US$ 4 trilhões por ano e são reconhecidos como um dos maiores investidores institucionais nos países desenvolvidos.

O segundo capítulo analisa o impacto da crise financeira nos bancos e nas empresas de seguros, fazendo um paralelo entre bancos e seguradoras no que diz respeito ao capital e capacidade de assumir risco, volume de risco assumido e preço cobrado. Um capítulo detalhado mostra o diferente impacto da crise em seguradoras independentes, ligadas a bancos e as especializadas em seguros financeiros. Traz gráficos que mostram a folga de capital das maiores seguradoras da Europa, evidenciando a diferença que as regras que fiscalizam bancos e seguros geraram no controle de risco e nas perdas.

Há um capítulo dedicado as atuais regras de seguros adotadas pelos órgãos internacionais, International Association of Insurance Supervisors (IAIS) e Financial Services Board (FSB). O texto começa mostrando as diferenças da regulamentação entre as seguradoras de vida (life) e seguros gerais (no life). Por atuarem em segmentos diferentes, longo prazo para vida e médio e curto prazos em seguros patrimoniais, é preciso diferenciar regras de investimentos, composição de reservas entre outras questões prioritárias.

Outro capítulo se dedica a detalhar como são gerenciados os riscos das atividades que mais demandam gerenciamento e gestão, como aplicações financeiras, derivativos, seguros financeiros, resseguro e retrocessão, seguro de crédito, garantias financeiras entre tantos outros que, mal gerenciados, podem causar riscos sistêmicos ao mercado, como aconteceu com a AIG.

A AIG é um tema recorrente no estudo, uma vez que em razão de uma das subsidiárias do grupo, a de mercado de capitais, colocou todo o grupo, até então o maior do mundo, abaixo. Em razão de uma unidade que faturava menos de US$ 2 bilhões, um império que faturava mais de US$ 100 bilhões precisou ser socorrido com mais de US$ 180 bilhões pelo governo dos Estados Unidos para evitar o efeito cascata em liquidações no mercado financeiro por falta de pagamento de indenização ou de quebra de garantia para milhões de contratos que contavam com uma apólice de seguro com elevada classificação de rating emitido pelas principais agências do mundo. O estudo mostra com detalhes os problemas enfrentados pela AIG, com inicio do agravamento em 2007, e sugere medidas que podem evitar que o caso se repita.

O estudo completo pode ser acessado no site http://www.genevaassociation.org/

 

 

Base avançada*

Por Denise Bueno em 22/10/2009

*Matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico, que circulou dia 19 de outubro, Dia dos Securitários

A indústria brasileira atravessa uma fase movimentadíssima, com notícias de grande importância aparecendo regularmente nas últimas semanas. Na última, por exemplo, o Banco do Brasil anunciou interesse em comprar participação no IRB Brasil Re, ressegurador local e estratégico para todas as seguradoras do mercado.

Na semana anterior já havia anunciado parceria com a Mapfre na área de bens patrimoniais como automóvel, residência, empresas, rural, além de vida. Em agosto, Itaú Unibanco e Porto Seguro anunciaram a criação da Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar), considerado o negócio da década no setor.

“As circunstâncias são extremamente favoráveis para que o país concretize o tão sonhado Brasil do futuro”, diz o presidente da CNSeg, João Elísio Ferraz de Campos. O vento sopra a favor. Os fundamentos sólidos da economia são a base sem a qual o país não teria enfrentado a crise financeira internacional de forma tão positiva, dizem os analistas.

Não bastassem todas essas novidades, os executivos das seguradoras tiveram de correr para refazer as estratégias de 2010, uma vez que o Brasil será o anfitrião da Olimpíada em 2016 e da Copa do Mundo em 2014.

“Tantos investimentos vão gerar empregos e, com certeza, precisarão de proteção de seguros. Um ambiente propício para o crescimento das seguradoras”, comemora Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica.

Apesar do desafio de recuperar a receita perdida com o fim da parceria com o Banco do Brasil na Brasilveículos, Larragoiti está otimista com 2010. “Temos muitas oportunidades de negócios no Brasil a partir de agora.”

As seguradoras viram cair vários obstáculos que travavam o crescimento do setor, como a falta de renda da população, normas antiquadas, produtos ineficientes e caros e profissionais limitados pelas amarras do monopólio de resseguro (o seguro da seguradora).

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) se empenha em modernizar o arcabouço regulatório do setor. Mais de mil normas foram editadas nos últimos cinco anos, desde a obrigatoriedade de criar códigos de ética para os profissionais até a implementação da primeira etapa das normas de Solvência II, semelhante ao acordo da Basileia seguido pelos bancos em todo o mundo. “Esse esforço valeu a pena. As seguradoras brasileiras passaram praticamente ilesas nesta crise”, diz Armando Vergílio, titular da Susep.

Segundo ele, as companhias estão sólidas e capitalizadas para fazer frente ao crescimento esperado para o setor. Hoje, oferecem produtos diferenciados, com coberturas mais adequadas às necessidades do consumidor, contratos claros e preços acessíveis. Como prêmio pelos investimentos feitos na governança corporativa, deixaram de aparecer no ranking de reclamações dos órgãos de defesa do consumidor.

Projeções da autarquia e também das empresas sinalizam que o faturamento do setor crescerá 10% em 2009, para R$ 100 bilhões. Um resultado e tanto considerando que o PIB do país pode crescer 1%, se tanto, segundo as projeções divulgadas até outubro. Para 2010, as expectativas são de vendas 20% maiores diante de um PIB que poderá evoluir 5%.

O presidente do conselho de administração da Mongeral Aegon, Nilton Molina, acredita que, em uma década, o setor poderá responder por até 6% do PIB brasileiro, dobrando sua participação atual.

Para Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência, os produtos de acumulação de recursos, como o VGBL, continuam impulsionando o crescimento do setor. “Mas os seguros de bens também apresentarão desempenho robusto, uma vez que a população hoje tem mais bens para segurar.” O seguro prestamista, que garante o pagamento da dívida em caso de morte do tomador, e os seguros de grandes riscos, em razão dos projetos de infraestrutura, também estão entre as vedetes do setor para 2010.

A crise mundial, além de aumentar a percepção da população aos riscos a que todos estão expostos e estimular as vendas, chamou a atenção dos bancos para o setor. Com a necessidade de recuperar a rentabilidade perdida com a queda dos juros, muitos banqueiros perceberam que o Brasil exibia uma indústria de seguro sólida e rentável, com produtos modernos e com grande potencial de crescimento. Resultado: os quatro maiores bancos - Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander - partiram para uma acirrada disputa na venda de seguros.

O que deixou os corretores e as seguradoras independentes atordoados. “A liderança está com quem negocia através do corretor de seguros, como Porto Seguro e Bradesco. O BB é outro que promete ter o corretor como parceiro. Vamos ver”, avalia Leôncio Arruda, presidente do maior sindicato de corretores de seguros, o Sincor, do Estado de São Paulo.

Bradesco e Santander apostam no setor há tempos. “Estamos bem preparados para o crescimento da economia, que beneficiará muito a atividade seguradora”, diz o executivo da Bradesco, líder do ranking de rentabilidade do setor e que participa com 30% do lucro do banco.

O Santander também vem há tempos desenvolvendo parcerias. Tanto que a seguradora do grupo passou de um market share de 1% em 2005 para 3% em 2008, diz Gilberto Abreu, responsável pela área de seguros dentro do banco espanhol que acaba de fazer a maior captação da história do mercado de ações do Brasil.

Sem poder falar de perspectivas futuras em razão do período de silêncio exigido após um IPO, o executivo diz que os R$ 14 bilhões captados estão previstos para as operações de crédito. “Nossa vantagem é trabalhar com três seguradoras na venda de seguro de carro (SulAmérica, Marítima e Tokio Marine), cada uma com duas opções de produtos.”

 

 

Levene critica excesso de regras e falta de apetite das seguradoras

Por Denise Bueno em 18/09/2009

images2O excesso de regulamentação na indústria de seguros foi o alvo do discurso do Lord Peter Levene, presidente do Lloyd’s, durante o jantar anual do principal mercado de seguros do mundo realizado ontem.

Autoridades reguladoras dos principais países do mundo preparam novas regras para as instituições financeiras, com o objetivo de evitar a ocorrência de uma nova crise financeira. O setor de seguros está incluído neste pacote. Levene buscou mostrar as diferenças entre as seguradoras, bem menos afetadas pela crise, dos bancos, defendendo que as companhias de seguros e de resseguros operam de forma diferente e por isso necessitam de regulamentações distintas.

Outro ponto criticado pelo executivo foi a redução de apetite das seguradoras por risco. “As seguradoras vendem segurança quando compram risco. E sem essa troca, não há crescimento, não há inovação”.

A redução do apetite das seguradoras e resseguradoras praticamente fez desaparecer a oferta de alguns tipos de seguros,como o de crédito e de garantia, além de encarecer outros nichos, como o de responsabilidade civil do executivo.

No Brasil, um caso típico é o da Centras Elétricas de Santa Catarina (Celesc). A estatal já realizou diversas licitações sem conseguir atrair sequer uma seguradora. Segundo informações da empresa, a justificativa das seguradoras locais é a falta de capacidade de resseguro para o risco.

 

 

Norma global de securitização sai em 2011

Por Denise Bueno em 31/08/2009

ca7be96scakyibvaca6fx09acangzwymca2vuzi8cas3txs8canqq6a1canjqfwkca3tojc0ca3t2tvqcacifx6nca3lavd4caiz67hncar3gyyvcajpjzdfcau04lzocab6v2nvca1q9a42ca4s28gxA Associação Internacional de Supervisores em Seguros (International Association of Insurance Supervisors-IAIS), sediada na Basileia, Suíça, informou que pretende divulgar as novas regulamentações sobre securitização de seguros, bem como orientar os órgãos reguladores de todos os países sobre a transferência de riscos de seguros para o mercado de capitais, apenas em 2011.

A IAIS, que representa 190 reguladores espalhados pelo mundo e realizará no Brasil a sua 16ª conferência anual em outubro, divulgou na semana passada o relatório “Developments in (Re)insurance Securitization”. O estudo identificou a securitização como uma das principais preocupações relacionadas com a transparência e estabilidade financeira da indústria de seguros. Por ser uma atividade de pulverização de risco em todo o mundo e por ter regras diferentes em cada país, a entidade entende que a prática de securitização traz problemas globais e por isso deve ser tratada de forma global para se ter maior coerência na supervisão dos riscos securitizados.

O relatório pode ser acessado no site www.iaisweb.org.

 

 

Fenaprevi prioriza medidas de estímulo ao setor

Por Denise Bueno em 31/07/2009

ca3xng3hcaa6mg80cad8pai6cadn6tlxcaz3ottwcaaefyopcar0218rcai1n8cgcaiv3uh4cazkze40calm4084caq5afrfca3akjufcauq8v70caqf8l8ncafd5q9wcan7xydicafdtb0fcaw6ls14A redução da taxa básica de juro da economia num ritmo maior do que o esperado — de 13,75% em janeiro para 8,75% em julho, com viés de baixa — trouxe um desafio a mais para as empresas de previdência privada e vida, que já debatiam formas de elevar a captação de recursos diante dos efeitos da crise mundial.

“Este cenário, que todos nós sonhamos há anos para o Brasil, mudará significativamente os tipos de produtos e a forma de distribuição de planos de previdência e de vida no Brasil”, disse disse Renato Russo (foto), vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), na abertura do II Seminário Internacional de Marketing e Vendas de Vida e Previdência, realizado no dia 30 de julho, em São Paulo.

O grande desafio das empresas, segundo Russo, está em orientar os participantes a buscar novas alternativas de investimentos, com diversificação do portfólio. Com taxas de juros declinantes, os poupadores que quiserem taxas mais elevadas de retorno de capital precisarão aprender a aplicar em ativos de maior risco, como ações. Para ganhar neste tipo de investimento é preciso pesquisar o tema ou recorrer a um consultor financeiro para não perder dinheiro. Ainda mais por envolver benefícios fiscais, que se bem usados podem trazer ganhos significativos no longo prazo.

Como a velha e tradicional caderneta de poupança está oferecendo um rendimento maior do que grande parte dos fundos de previdência — TR mais 6% ao ano, livre de tributos e taxas — , as alíquotas dos planos PGBL e VGBL precisam ser revistas. “Nesta nova realidade, a grande responsabilidade é equacionar as taxas dos planos e buscar formas de rentabilizar a operação para recompor as margens”, diz.

Ao mesmo tempo em que a queda de juros impõe desafios para as empresas de previdência traz também oportunidades. A entidade estima que as vendas do setor evoluam até 12% este ano, para R$ 35,6 bilhões, pouco abaixo da expansão verificada em 2008, de 13,3%, com captação de R$ 31,8 bilhões. Para manter o ritmo de crescimento em dois dígitos, a Fenaprevi elegeu cinco pontos principais para serem tratados pela entidade neste ano.

O primeiro deles e em estágio mais avançado é a aprovação junto ao governo dos novos produtos de previdência privada direcionado a acumulação de reservas para gastos com saúde e educação. Tais produtos, segundo a entidade, terão incentivos fiscais diferenciados, caso o projeto seja aprovado pelo governo. “As negociações com a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Secretaria Econômica estão avançadas e acreditamos que ainda neste ano o projeto estará aprovado”, disse Renato Russo.

O desenvolvimento de uma tábua biométrica de referência, para ser usada por todo o setor no desenvolvimento de produtos com maior segurança estatística, está em estágio avançado. Segundo Renato Russo, o estudo estará finalizado ainda neste ano.

O desenvolvimento do microsseguro é outro tema que está na pauta do dia a dia da Fenaprevi. Um amplo estudo realizado por uma comissão esta sendo finalizado e será entregue para o governo nos próximos dias. O projeto prevê a regulamentação do microsseguro, que visa atender a emergente camada social brasileira que ingressa no mercado de consumo. “Temos de ter produtos que atendem a estes novos consumidores e canais de distribuição que facilitem o acesso deste publico a indústria de seguros”.

Outro desafio do setor é adequar-se as novas regras de solvência que a Susep desenvolve para o segmento de previdência. Até agora, as normas implementadas englobaram as operações de vida em grupo e de ramos elementares. Está em curso a ampliação das regras de capital mínimo baseado em risco para as operações de previdência e de vida individual. “Isto vai demandar novos aportes de capital e estamos empenhados em fazer com que a implementação aconteça de forma coordenada”, diz o representante da Fenaprevi.

O quinto projeto da entidade, e também prioritário, segundo Russo, é a revisão de todas as regras tributárias do segmento, tanto as que se referem aos produtos como às empresas, uma vez que administram recursos de longo prazo, otimizando a poupança interna que dá sustentabilidade ao crescimento do País. “Precisamos desonerar a atividade para buscar maiores taxas de crescimento”.

 

 

Recessão é o risco mais temido pelas empresas

Por Denise Bueno em 08/07/2009

42-21523245Recessão, insegurança jurídica, responsabilidade civil e danos físicos. Estes são os riscos mais temidos pelos executivos da América Latina entrevistados pelo grupo Aon na edição do Estudo Global de Gerenciamento de Riscos 2009, divulgado há poucos dias no Brasil. No mundo, os riscos que mais preocupam os 551 executivos de empresas com faturamento acima de US$ 1 bilhão espalhados em 40 países é recessão, mudanças regulatórias e interrupção dos negócios.

O estudo revela, de certa forma, a modernidade trazida com o crescimento. As empresas temem hoje lidar com consumidores mais conscientes de seus direitos. Tanto que a responsabilidade civil ficou em segundo lugar no ranking da América Latina, juntamente com insegurança jurídica. No ranking geral, responsabilidade civil nem aparece, pois já é um risco mitigado pelas empresas, seja através de uma atuação onde o direito do consumidor é respeitado, seja pela compra de apólices de seguros para cobrir riscos improváveis.

O aumento da competição é o quarto risco que mais preocupa os empresários no ranking geral e quinto na América Latina, onde o temos de danos materiais aparece na terceira posição. Fluxo de caixa, falha na distribuição, confiabilidade de terceiros e dificuldade de manter ou atrair talentos para trabalhar no grupo são outros riscos que podem afetar o bom desempenho das organizações, segundo informaram os executivos entrevistados na pesquisa da Aon.

 

 

Cresce interesse mundial por fusões e aquisições

Por Denise Bueno em 23/06/2009

42-21523608A Deloitte consultoria divulgou ontem um estudo sobre a tendência do aumento de fusões e aquisições na indústria de seguros, tanto no segmento de vida e previdência como em ramos elementares. As perdas com investimentos causadas pelas turbulências dos mercados acionários, uma regulamentação mais rígida em curso pelos órgãos reguladores, aumento do volume de indenizações pagas e redução da poupança individual são alguns dos fatores que estimulam a consolidação do setor.

Segundo o estudo, os investidores chineses e japoneses estão entre os que mais buscam oportunidades entre as seguradoras, principalmente aquelas localizadas em Bermudas e Europa, que precisam de capital para continuar a operar de forma saudável e também necessitam levantar capital para cumprir normas de solvência e manter uma boa classificação de riscos das agências. “The 2009 Insurance M&A Outlook, Opportunity in an Uncertain Environment,” pode ser acessado no site www.deloitte.com/us/insurance.

 

 

Agências de rating têm novas regras na Europa

Por Denise Bueno em 28/04/2009

42-16389461As agências de classificação de riscos poderão recuperar um pouco da credibilidade com as novas medidas aprovadas na semana passada, dia 23, pelo Parlamento Europeu. O comitê dos 27 países membros aprovou novas medidas que pretendem melhorar a transparência e independência das agências de classificação de riscos. As empresas que quiserem atuar na União Européia terão de cumprir as determinações de registro da normativa aprovada por 569 votos a favor, 47 contras e quatro abstenções. As normas passarão a valer 20 dias após a publicação oficial e as empresas terão um prazo de seis meses para se adaptar.

As principais empresas afetadas com o novo posicionamento dos órgãos reguladores são Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch. Também são as mais penalizadas pela opinião pública pela gravidade da crise financeira global. Até mesmo economistas agraciados com prêmio Nobel declararam que as empresas deveriam ter previsto com mais antecedência a fragilidade financeira de grupos como AIG, por exemplo, que tinha o mais elevado rating entre seguradoras mesmo poucos dias antes de ser socorrida pelo Banco Central dos Estados Unidos (Fed), em setembro.

Entre as discussões do novo normativo estão a rotatividade de analistas, a supervisão das empresas, a obrigatoriedade de registro para operar na União Européia, prazo de cinco anos para que um analista responda por uma mesma empresa, a fim de assegurar a independência da classificação, evitando conflitos de interesse. As agências também precisarão contar com dois membros independentes e os critérios utilizados para a formação do rating deverão ser divulgados com clareza.

As medidas não afetam outros países, mas é sempre um exemplo a ser seguido quando o assunto é trazer mais segurança e transparência para acionistas, investidores e governos. Da mesma forma quando explodiu os casos das empresas Enron e Parmalat, colocando em jogo a reputação das empresas de consultoria e de rating, novas normas foram criadas trazendo impactos globais.

No Brasil, o uso de rating começa a ganhar força, principalmente na indústria de seguros que passou, com a abertura do resseguro, a participar mais fortemente do cenário internacional. O rating é o instrumento mais usado pelas empresas para definir se aceitam ou não uma seguradora ou resseguradora em contratos de seguros. Obviamente, que desde setembro, pior período da crise financeira, além do rating as empresas buscam outras garantias.

Em uma recente palestra no Brasil, durante seminário de resseguro promovido pela Revista britânica Reactions, no Rio de Janeiro, Roger Sellek, diretor de gestão da A. M. Best, que cobre 4 mil empresas em 65 países, defendeu a atuação das agências argumentando que nem mesmo a própria direção da AIG sabia das operações de alto risco realizadas pelos funcionários. Ele destacou que as agências levam em conta as informações passadas pelas empresas e também notas públicas.

Segundo Sellek, a deficiência de reservas foi responsável por mais de 38% de todos os casos de insolvência registrados entre 1969 e 2007 no mercado de seguros de ramos elementares. A estatística mostra que o crescimento rápido de uma companhia vem em segundo lugar. Mudança significativa de negócios ficou com 7,5%; perdas com catástrofes com 4,2%; insolvência do ressegurador com 3,5%; e fraudes com 6,9%.

 

 

Regulação será mais rígida, diz pesquisa*

Por Denise Bueno em 24/04/2009

images31A indústria de seguros mundial ficará mais regulada. Esta é a conclusão de uma pesquisa feita pela Geneva Association (Associação de Genebra), entidade que reúne cerca de 80 CEOs da indústria de seguros mundial. A pesquisa foi realizada durante encontro que reuniu cerca de 70 especialistas para comemorar o 25º aniversário do grupo de estudo de em regulação, supervisão e questões legais. Entre os profissionais estiveram presentes Peter Braumüller, presidente da International Association of Insurance Supervisors (IAIS) e Roger Sivegny, presidente da National Association of Insurance Commissioners (NAIC), responsável pela fiscalização das seguradoras nos Estados Unidos.

Cerca de 80% dos profissionais acreditam que a crise vai elevar a carga regulatória no futuro; 71% apostam em um comportamento mais protecionista dos países, que afetará os negócios internacionais de seguros; e 57% consideram que as perspectivas de futuro para a venda de seguro por meio de agências bancárias – bancassurance – sejam afetadas pela crise financeira mundial, informa o comunicado da entidade, da qual Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica, e Osvaldo do Nascimento, da Itaú Unibanco, participam.

Segundo secretário geral e diretor da Geneva Association, Patrick Liedtke, o estudo revela que o excesso de regulação é uma ameaça real para a indústria de seguros. Segundo os entrevistados, o padrão contábil é o que mais necessita de revisão. Alguns argumentam que é preciso rever alguns padrões contábeis em razão da crise financeira e outros justificam que é necessária uma mudança para que a real situação da companhia seja mais fidedigna, tornando a leitura do balanço mais realista aos analistas.

Para José Rubens Alonso, da KPMG, o segmento de seguro foi o menos afetado pela crise entre as instituições financeiras. As companhias que sofreram foram as que tinham um perfil de investimento mais agressivo. No Brasil, a regulamentação mais severa, o conservadorismo e as atraentes taxas de juros de títulos de renda fixa blindaram as seguradoras nesta crise. “No Brasil, as seguradoras não aproveitam de todos os limites que têm para aplicar em ativos de maior risco. Por isso, a tendência de aumento de regulamentação é menor no Brasil comparada a expectativa demonstrada na pesquisa da Geneva Association”, diz Alonso.

Outro ponto levantado na pequisa da Geneva Association é se o seguro perderá competitividade para outros tipos de produtos financeiros. Para Alonso não. Pelo contrário. “A transferência de risco por meio de produtos financeiros sofisticados mostrou-se ineficiente e arriscada. Acredito que o seguro ganhe mais espaço como um instrumento de transferência de risco.”

Para o sócio da KPMG, o grande desafio contábil é fazer com que a regra contábil não seja um alimentador de crises em períodos de turbulências. Isso porque as normas determinam que os ativos sejam contabilizados pelo valor justo, que tem como parâmetro o valor de mercado. “No entanto, o valor justo não foi concebido para período de alta volatilidade como o verificado nesta crise”, diz. O mundo ideal é que a regra contábil seja neutra e não alimente a deteriozação dos ativos num ciclo vicioso como o que tem sido observado nesta crise. Um desafio e tanto.

Mais detalhes da pesquisa podem ser consultados no link http://www.genevaassociation.org/PDF/Progres/Questionnaire.pdf

*Matéria produzida com exclusividade para o site www.fenaseg.org.br

 

 

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