Projeto Estou Seguro realiza mutirão de coleta seletiva

Por Denise Bueno em 13/12/2011

Comunicado da CNseg

O projeto Estou Seguro, da CNseg (Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização) e do IETS (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), vai realizar um mutirão de coleta seletiva de lixo no dia 17, das 9h às 13h, na comunidade Santa Marta, em Botafogo. A iniciativa mobilizará aproximadamente 100 moradores da comunidade, que serão divididos em cinco equipes de limpeza, com apoio técnico de oito garis da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana).

O objetivo da ação é desenvolver entre os moradores conceitos de gerenciamento de riscos e prevenção de doenças e de acidentes pessoais. Este será o primeiro mutirão de coleta seletiva da segunda fase do projeto, de um total de quatro programados até o fim de 2012. “O nosso desafio maior é ampliar o acesso ao seguro às famílias de um estrato social que ganhou renda e consequente poder de compra nos últimos 10 anos. A proposta é orientar esses novos consumidores a planejar suas finanças para garantir suas conquistas e ter melhor qualidade de vida. E o seguro é uma ferramenta estratégica de organização financeira, que cumpre esse papel de proteger o patrimônio das pessoas e instituições”, explica a diretora-executiva da CNseg, Solange Beatriz Palheiro Mendes.

O ponto de encontro será o campo de futebol do pico do morro. Às 9h30, será realizada uma Oficina de Material Reciclável com cerca de 100 crianças. A oficina será conduzida por quatro instrutores do Núcleo de Justiça Comunitária da comunidade, que vão ensinar a fazer brinquedos com sucata e a separar o lixo em suas casas. Paralelamente, os voluntários, divididos em cinco equipes, iniciarão o trabalho de coleta seletiva na Santa Marta.

A equipe Vala, com apoio da Comlurb, será responsável pela limpeza das valas da comunidade. O grupo Sabão em Pó vai lavar o chão por onde o lixo for retirado. A equipe Becos ficará responsável pela coleta nos becos, o grupo Vassouras fará a varrição do caminho principal e a equipe Aromatizadores do Bonde vai amenizar o mau cheiro por onde o lixo é transportado. Também participam desta ação coletiva a Associação de Moradores da Santa Marta, Grupo ECO, Núcleo de Justiça Comunitária, Posto de Saúde da Família, Igreja Batista e Grupo Jiu-Jitsu.

Além do mutirão de coleta seletiva, estão previstas para a segunda fase do projeto Estou Seguro – lançada em 6 de novembro – outras atividades, entre elas: instalação de quiosques móveis para orientação sobre seguro; distribuição da cartilha Família Estou Seguro, preparada a partir da identificação das necessidades de proteção às conquistas das famílias da comunidade; ações na Casa do Seguro, espaço para interação com os moradores; e cursos de habilitação para corretores de Vida e Capitalização para moradores do Santa Marta.

Projeto Estou Seguro

O projeto Estou Seguro foi concebido a partir de um convite da OIT (Organização Internacional do Trabalho). O projeto foi selecionado em 2008 entre 18 propostas inscritas na categoria Educação para a seleção internacional organizada pela OIT, voltada para a promoção de iniciativas pioneiras na área de gestão de risco para populações de baixa renda.

Com foco em seguros, o Estou Seguro visa aumentar a percepção da população de baixa renda sobre a importância do seguro como instrumento de organização financeira, além de apontar os riscos a que estão expostos. Outro objetivo definido para a segunda fase do projeto é desenvolver novos produtos de seguro voltados especialmente para a população de baixa renda.

Na primeira fase, que contou com a adesão de 17 seguradoras, foi realizado um levantamento socioeconômico em três comunidades cariocas (Santa Marta, Chapéu Mangueira e Babilônia) sobre os riscos de perdas financeiras e a percepção dos moradores sobre seguros e gestão de riscos.

O projeto concluiu que, entre as 20 opções apresentadas, os produtos de seguro de maior interesse foram seguro de vida, funeral, saúde, de automóvel e motocicleta, residencial, de acidentes pessoais e seguro desemprego privado.

Microsseguros e seguros populares

A segunda fase do projeto Estou Seguro na comunidade Santa Marta acontece em um momento de perspectiva de desenvolvimento do mercado de microsseguros no Brasil. No dia 29 de novembro, o CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados) aprovou a regulamentação do microsseguro. “O que viabilizará definitivamente os seguros populares e iniciará o processo dos chamados microsseguros no Brasil, um mercado com potencial de mais de 100 milhões de novos consumidores”, diz Solange Beatriz. “Independentemente disso, a indústria de seguros já tem desenvolvido algumas ações para a implementação de seguros voltados para a população de baixa renda, seja com seguros populares ou seguros com características de microsseguros”, completa.

 

 

Susep divulga resolução que regulamenta o microsseguros

Por Denise Bueno em 07/12/2011

Resolução No- 244, De 6 De Dezembro De 2011

Dispõe sobre as operações de microsseguro, os corretores e os correspondentes de microsseguro e dá outras providências.

A SUPERINTENDÊNCIA DE SEGUROS PRIVADOS -SUSEP, no uso da atribuição que lhe confere o art. 34, inciso XI, do Decreto no 60.459, de 13 de março de l967, torna público que o CONSELHO NACIONAL DE SEGUROS PRIVADOS – CNSP, em Sessão realizada em 29 de novembro de 2011, considerando o que consta do Processo CNSP No 6/2011, na origem, e Processo SUSEP no 15414.005235/2011-64, e com base nos incisos II, VI, XI, XII do artigo 32 do Decreto-Lei no 73, de 21 de novembro de 1966, no §1º do art. 3o do Decreto-Lei no 261, de 28 de fevereiro de 1967, nos arts. 73 e 74 da Lei Complementar no 109, de 29 de maio de 2001 e Lei no 4.594 de 29 de dezembro de 1964, resolveu,

Art. 1o Esta Resolução dispõe sobre as operações de microsseguro, os corretores e os correspondentes de microsseguro e dá outras providências.

Art. 2o Todas as operações de microsseguro e a intermediação dessas operações ficam subordinadas às disposições da presente Resolução.

§1o Para fins desta Resolução, define-se como microsseguro a proteção securitária destinada à população de baixa renda ou aos microempreendedores individuais na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 123/2006, com alterações produzidas pela Lei Complementar nº 128/2008, fornecida por sociedades seguradoras e entidades abertas de previdência complementar autorizadas a operar no país, mediante pagamentos proporcionais aos riscos envolvidos.

§2o A Superintendência de Seguros Privados – SUSEP definirá os ramos que poderão ser comercializados em planos de microsseguro, bem como os critérios mínimos a serem observados pelos planos de negócios específicos, com definição objetiva do público alvo a que se destinam.

Art. 3o Consideram-se planos de microsseguro aqueles que contenham a definição objetiva do público-alvo do segmento de baixa renda ou do grupo de microeempreendedores individuais a que estão destinados e que observem o plano de negócios da sociedade ou entidade e, entre outros, os seguintes parâmetros:

I – tipos de produtos e coberturas oferecidos, isoladamente ou em conjunto;

II – limite máximo de garantia e/ou de capital segurado;

III – prazo máximo para pagamento da indenização ou do capital segurado;

IV – prazo de vigência;

V – formas de comercialização, inclusive com a utilização de meios remotos;

VI – formas de contratação por apólices, bilhetes ou certificados individuais, simplificados.

§1o A SUSEP fixará as condições para as contratações por apólices, bilhetes ou certificados individuais, simplificados, bem como para a comercialização por meios remotos, estabelecendo as informações obrigatórias a cada modalidade específica.

§2o Os planos de microsseguro, na forma determinada pela SUSEP, poderão contemplar a prestação de serviços de assistência e a cessão de direitos de títulos de capitalização.

§3o A SUSEP estabelecerá os critérios que poderão ser utilizados nos planos de microsseguro para a definição objetiva do público-alvo a que se destinam.

Art. 4o Consideram-se também como planos de microsseguro os de previdência complementar aberta que atendam ao disposto na presente Resolução e cujos benefícios sejam iguais ou inferiores ao capital segurado máximo estabelecido pela SUSEP para planos de microsseguro de pessoas.

Art. 5o A SUSEP estabelecerá as condições específicas para funcionamento das sociedades e entidades que operem em microsseguro.

Parágrafo único: O capital base para as sociedades que operem exclusivamente em microsseguro será de 20% (vinte por cento) do valor definido na legislação vigente.

Art. 6o A SUSEP poderá estabelecer regras de capital e de provisões técnicas diferenciadas para operações de microsseguros, observado o disposto nas resoluções do CNSP que normatizam a matéria. Art. 7o A SUSEP disciplinará a habilitação e o registro das pessoas naturais que realizem intermediação exclusivamente em microsseguro, os quais serão denominados corretores de microsseguro.

Parágrafo único. O corretor de seguro habilitado a intermediar seguro, previdência complementar aberta e/ou capitalização fica automaticamente autorizado a angariar e promover contratos de microsseguro.

Art. 8o As sociedades e entidades que comercializem microsseguro nos termos desta Resolução poderão contratar e/ou firmar convênio com qualquer pessoa jurídica, na condição de correspondente de microsseguro, que poderá recolher e repassar prêmios e promover quaisquer atos necessários à operacionalização de microsseguro.

§1o O pagamento do prêmio ao correspondente de microsseguro considera-se feito à sociedade seguradora.

§2o A remuneração ajustada entre a sociedade seguradora e o correspondente de microsseguro deverá estar expressa no contrato entre as partes.

§3o Não se aplica ao correspondente de microsseguro de que trata esta Resolução a legislação especial aplicável aos representantes comerciais.

§4o A SUSEP disciplinará a atividade do correspondente de microsseguro.

§5º O correspondente de microsseguro não pode ter como atividade principal a comercialização de seguros.

Art. 9o As sociedades e entidades poderão ofertar planos de microsseguro por intermédio de correspondentes de instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, na forma disciplinada pela SUSEP.

Art. 10 Fica a SUSEP autorizada a adotar as medidas necessárias à execução do disposto nesta Resolução.

Art. 11 Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Luciano Portal Santanna

Superintendente

 

 

Tornar Brasil um gigante no microsseguro é uma prioridade

Por Denise Bueno em 15/11/2011

*matéria extraída do site da CNseg (www.viverseguro.org.br)
Tornar o Brasil um gigante em microsseguros está nas prioridades da iniciativa pública e privada do Pais. Regina Simões, diretora da Superintendência de Seguros Privados (Susep), disse que a regulamentação do segmento vem sendo amplamente discutida desde 2004 e que deve estar aprovada no primeiro semestre de 2012. “Em 2010, o processo foi atropelado por uma série de razões, mas agora em 2011 o tema microsseguros voltou a constar na pauta de prioridades da Susep, e devemos entregar até final do mês um proposta de regulamentação para ser avaliada no âmbito do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP)”, informou.

Segundo ela, a nova proposta de regulamentação foi construída com base nas normas vigentes. Mais de 90 normas foram analisadas, e a conclusão foi de que a legislação brasileira é flexível para ser regulamentada por resoluções do CNSP. “A restrição se dá na forma jurídica, em razão de apenas companhias abertas poderem atuar como seguradoras”, informa.

Assim, o grupo partiu para escrever normas focadas no estabelecimento de canais de distribuição, padrões mínimos de produtos, com valores mínimos de preço e indenizações, tempo máximo para o cliente ser atendido e também de corretores especializados. Incentivo fiscal, um tema importante nesse segmento, está fora da esfera da Susep. A Índia, país onde há forte subsídio governamental, concentra 50% dos 500 milhões de pessoas no mundo que compram microsseguro.“A ideia é dar padrões estabelecidos, como tipos de produtos e coberturas que poderão ser segurados, limite máximos de capital, prazo de pagamento de indenização, formas de comercialização simplificadas, capital mínimo diferenciado para abertura de seguradora especializada e exigências de documentos necessários para validar o contrato”, enumerou Regina Simões. Na minuta, a exigência é de 20% do valor mínimo das seguradoras tradicionais.

Mesmo sem ainda ter oficialmente um mercado de microsseguros, do ponto de vista regulatório, algumas seguradoras já montaram laboratórios para testar produtos e a viabilidade da operação. A Bradesco, uma das apoiadoras da 7ª Conferencia Internacional de Microsseguros, realizada no Rio de Janeiro entre 8 e 10 de novembro, informa que será a primeira seguradora a vender seguro por celular no Brasil. “Também estamos desenvolvendo a venda porta a porta com as vendedoras Avon, treinando corretores especializados e capacitando agentes dos correspondentes bancários”, disse Eugênio Velasques (foto), diretor da Bradesco e um dos principais entusiastas do microsseguro no Brasil.

Segundo Velasques, esse nicho da população não será receptivo com marketing tradicional. “Vamos ter de priorizar a educação financeira, que traz retorno a longo prazo. Não estamos preocupados em vender hoje. Estamos preocupados que as pessoas comprem bem um seguro de US$ 2 hoje para que elas comprem US$ 20 em proteção amanhã como consequência de ter construído um patrimônio por ter tido orientação. Essa é a nossa prioridade”, ressalta Velasques em sua palestra.

A aposta do grupo em microsseguros, segundo ele, é uma consequência da natural dedicação do grupo ao menor renda. “Temos 40 mil pontos de vendas no Brasil, que atendem a 66 milhões de clientes. Pesquisa e tecnologia também são o nosso forte”, acrescenta. Em tecnologia, o Bradesco tem estrutura parruda, com o processamento de 212 milhões de transações por dia. “Isso mostra como estamos preparados para trabalhar em um ambiente de grande demanda, como o microsseguro, um produto de baixo tíquete e enorme volume”, destaca Velasques.

Ele conta que este ano o Bradesco já fez mais de 80 pesquisas para saber o que a população quer. “Só ofertando o produto certo teremos sucesso na nossa abordagem”, afirma. Segundo ele, as pesquisas ajudam muito na condução do negócio. “A necessidade de um futuro cliente no Nordeste é muito diferente daquele que mora no Sul do Pais”.

Segundo ele, nessas pesquisas, o primeiro paradigma foi parar de falar em seguro e começar a falar em proteção. O segundo paradigma quebrado revelado na pesquisa para saber que tipo de risco aflige a pessoa de menor renda. “Não é saúde que o aflige. Esse risco é o último da lista”. Os riscos mais temidos pela população de menor renda entrevistada são de morte acidental, desemprego e funeral. “E não adianta vender barato. Se vender barato, ele pode descartar e não recomendar. Se o produto é desenhado de acordo com as características levantadas, o atendimento poderá ser absorvido pela estrutura da empresas, que comporta o cliente de alta renda e o de menor renda”, entende Velásquez, para quem a classe E tem de ser uma prioridade do governo federal.

A conclusão de Maria Victoria Saenz, especialista em processos e presente na mesa de debates, foi de que o Brasil teve um longo processo de discussões até que o setor descobrisse a melhor forma de caminhar. “Os estudos privados e públicos têm a mesma conclusão. Mostram as tendências necessárias para o desenvolvimento do mercado, fornecem exemplos de incentivos fiscais que podem ser adotados, criam regulamentação específica para suportar esse novo mundo que começa a surgir no Brasil. O resultado estão nos produtos mais adequados que já começam a ser lançados, na regulmentação que esta por vir nos próximos meses e assim tornar o sistema mais sólido com pessoas mais educadas financeiramente.”

 

 

Liberty já conquistou 300 mil clientes em microsseguros na Colômbia

Por Denise Bueno em 10/11/2011

Poucos se arriscam a entrar dentro de uma comunidade, onde vivem milhões de pessoas de baixa renda e que muitas vezes abrigam o centro de comando de quadrilhas especializadas no tráfico de drogas. A Liberty Mutual, umas das maiores seguradoras dos Estados Unidos, é um dos que enfrentou grandes desafios para poder implementar na comunidade de Cali, na Colômbia, um dos projetos sociais mais interessantes do grupo no pais latino.

Trata-se de uma operação de microsseguros, que nesses sete anos já conta com 300 mil clientes protegidos por uma apólice de seguro de vida e acidentes pessoais, criado para garantir o equilíbrio financeiro dos beneficiários, em caso de morte natural ou acidental do titular, ou mesmo da invalidez do próprio segurado, situação que exige um volume significativo de recursos para proporcionar qualidade de vida no núcleo familiar.

O seguro, de US$ 1,60 por mês para garantir indenização de US$ 2 mil, é vendido por meio da oferta realizada em contas de 13 concessionárias de serviços de gás, luz, água e telefone. Além das contas, o produto tem apoio de cerca de 200 pessoas que moram nas comunidades para explicar como funciona o seguro e também atender clientes quando o risco se concretiza, informa José Raul Moreno, gerente nacional de affinity, na Colômbia, presente na 7o Conferencia Internacional de Microsseguros, realizada no Rio de Janeiro nesta semana.

Segundo ele, o principal desafio para se implementar um projeto de microsseguro, com previsão de atingir o ponto de equilíbrio em dois anos, é a falta de cultura da população de menor renda. Também conta pontos na escala de dificuldade a falta de bancarização das classes De E. “Por isso, tão importante quanto criar programas de educação financeira, é treinar as pessoas responsáveis por vender os produtos de forma clara e transparente”, diz Moreno.

Em terceiro lugar, acrescenta, está a busca contínua por redução de custos. “Neste tipo de operação, o que mais importa é criar um ambiente favorável nas comunidades. Porém, num ambiente corporativo, não se pode perder dinheiro. Nossas margens são pequenas, próximas de 2%. A grande recompensa vem do trabalho e do aprendizado que esse projeto traz ao grupo.

A Liberty Brasil investiga oportunidades de atuar em microsseguros. “Não podemos deixar de acompanhar os movimentos de mercado, segundo informou Marcelo Fama, diretor da Liberty Seguros, que esteve presente nos tres dias da conferencia, aprendendo com os especialistas de todo o mundo as experiencias resgistradas nesses 10 anos de surgimento deste segmento da industria de seguros.

Caso decida entrar neste segmento, com publico potencial de 100 milhoes de pessoas nos proximos 20 anos, já conta com a experiencia da subsidiaria da Colombia. “Partilhar conhecimento neste segmento é crucial. Mas com certeza, tudo terá de ser adaptado, pois os produtos podem ser semelhantes, mas as culturas são completamente diferentes”, ressalta Moreno.

 

 

Microsseguro exige clareza e transparência

Por Denise Bueno em 10/11/2011

(matéria escrita com exclusividade para a Cnseg www.viverseguro.org.br) Preto no branco. Todos sabem o que está coberto e o que não está coberto. Sem brechas legais e parceria público privada. Essa frase contém boa parte da poção mágica para tornar o Brasil um case mundial em microsseguro, segundo os principais representantes do setor reunidos na 7º Conferência Internacional de Microsseguros, que teve início hoje no Rio de Janeiro e termina no dia 10.

Craig Churchill, presidente da Microinsurance Network, uma rede mundial que reúne grandes instituições privadas e publicas, além de estudiosos e especialistas no assunto, informou durante a coletiva de imprensa que uma recente pesquisa sobre o tema revelou que há no mundo cerca de meio bilhão de pessoas incluídas no que eles consideram microsseguro. “E 50% delas estão na Índia”, informou.

O Brasil pode ser Índia da America Latina, uma vez que a iniciativa pública e privada estão juntas no desenvolvimento do mercado. Dirk Reinhard, da Munich Re Foundation, afirma com base em sua experiência mundial, que o microsseguro não pode ser feito apenas com base nas iniciativas do governo ou de entidades sem fins lucrativos. ‘Esse é um mercado que necessita do apoio de todos, inclusive da iniciativa privada”, frisou o especialista durante o encontro com jornalistas.

Segundo ele, pelas características dos inscritos no evento realizado no Brasil, o microsseguro começa a ter um equilíbrio interessante. Em 2005, primeira conferencia, tínhamos 90 inscritos, em sua grande maioria estudiosos. Hoje temos 450 inscritos, sendo 45% de empresas com fins lucrativos”, informou.

De um lado a Susep, órgão regulamentador do setor, e de outro as seguradoras interessadas em desenvolver um modelo próprio, que seja atraente o suficiente para convencer o acionista a colocar recursos na operação. Para ser uma operação sustentável, será preciso superar algumas barreiras, como a de custos comerciais e também operacionais.

Segundo a Susep, duas delas já estão em curso, como a criação de regras para que corretores especializados possam levar o produto aos consumidores e também reduzir a necessidade de capital para as empresas interessadas em atuar no segmento. A idéia é que a exigência seja equivalente a 20% do capital exigido hoje de uma seguradora que opera em todos os ramos.

Com tais diferenciais, o interesse das companhias privadas nacionais e internacionais tende a crescer. Depois de uma regulamentação adequada, o próximo passo é criar produtos sob medida, com total transparência entre as partes para gerar a confiabilidade que este tipo de relacionamento exige. Paralelamente, os interessados no desenvolvimento do microsseguro, que pode viabilizar a segurança financeira necessária para o pais crescer de forma sustentável, precisam investir na educação.

“Educar as pessoas sobre como funciona o seguro é garantir boa parte do sucesso dos programas. Na Colômbia, por exemplo, as pessoas gastam tanto em seguro como em loteria”, disse. Nesse sentido, uma das iniciativas em andamento é o projeto Estou Seguro, do qual participam 16 seguradoras. A segunda fase foi lançada no último domingo, numa parceria coordenada pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros (Cnseg). No Brasil, o mercado de microsseguros é estimado em 120 milhões de pessoas, segundo pesquisa realizada pelo Centre for Financial Regulation and Inclusion (Cenfri).

 

 

PPP pode ser trunfo para consolidação do microsseguro

Por Denise Bueno em 09/11/2011

(matéria extraída do site da Cnseg )www.viverseguro.org.br) A parceria público privada tem grande relevância dentro do desenvolvimento do microsseguros. O tema envolve não só produtos, mas também cooperação dos dois lados para montar o sucesso da iniciativa. Assim, Dirk Reinhard, da Munich Re Fundation, abriu o painel 6 da 7ª Conferencia Internacional de Microsseguros, que começou ontem e termina amanhã, no Rio de Janeiro. Tais parcerias são extremamente benéficas para ambos. Na ocorrência de uma catástrofe, por exemplo, com a morte de muitas pessoas, todos perdem. O governo é obrigado a despender recursos para reconstruir a região afetada, as empresas perdem mão de obra, as famílias ficam desestruturadas e a sociedade sofre com as consequências de um número maior de pessoas abaixo da linha da pobreza.

Ou seja, a falta de gerenciamento de riscos como uma catástrofe, por exemplo, recai sobre todos, em um efeito cascata, ocasionando a queda do PIB, de arrecadação de impostos, de renda familiar. Mas de nada adianta uma PPP sem objetivo e comprometimento de todos.“A parceria não se resume à assinatura de um cheque. Tem de ter envolvimento dos parceiros para prestar contas e apresentar resultados”, disse Dirk. De uma plateia formada por cerca de 150 pessoas, com 45% executivos da área pública e 55% das empresas privadas, surgiram vários motivos que justificam a criação de parcerias público privadas.

Para começar, é preciso checar a viabilidade da parceria dar certo. “Precisamos saber de que forma o setor público pode contribuir e como a iniciativa privada pode fazer o projeto avançar”, diz Lambert Muhr, especialista de seguro rural da Munich Re. Excesso de regulamentação por parte do governo e a falta de compremetimento da iniciativa privada são os fatores mais citados para uma PPP não dar certo. Se bem combinada, a PPP potencializa o poder e o foco do projeto, uma vez que interessa para ambos.

Quando se faz algo sozinho, se faz mais rápido. Mas quando se faz juntos, se vai mais longe. Outra justificativa é que as PPPs tornam o projeto viável. Há muitas histórias de projetos que morreram antes de ser implementados em razão da falta de apoio, seja de tecnologia que requer financiamento, seja de conhecimento técnico, muitas vezes concentrado nos membros do governo. A conclusão do painel sobre os fatores de sucesso das PPP no microsseguro é de que a parceria faz com que a gestão de risco torne o projeto viável do ponto de vista financeiro.

 

 

Bradesco inicia venda de seguro popular pelo celular

Por Denise Bueno em 03/11/2011

Juro que vou dar um jeito de ter tempo para escrever algo bem bacana para o blog a partir da semana que vem. Sinto vergonha de não colocar nada. E também acho muito pouco colocar apenas comunicados oficiais. Mas, por enquanto, melhor isso do que nada.

Mais um comunicado oficial só para não ficar sem ter a notícia aqui.

O Grupo Bradesco Seguros começará a operacionalizar vendas de seguros por meio de telefonia móvel e de POS (point of sales), tendo como público-alvo a população urbana de baixa renda das regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em parceria com a Vayon Insurance Solution, empresa de tecnologia e negócios especializada no desenvolvimento de soluções para o mercado de seguros, o Grupo desenvolveu tecnologia inédita no Brasil que possibilita viabilizar a integração dos processos de venda, reduzindo significativamente os custos de aquisição do seguro.

A iniciativa integra o projeto “Proteção Bradesco Fácil Acesso”, que venceu o concurso Innovation Grants 2011, promovido pela Microinsurance Innovation Facility, uma divisão da Organização Internacional do Trabalho (OIT), especializada na promoção do microsseguro. Entre os projetos concorrentes deste ano, de diversas partes do mundo, o trabalho do Grupo foi escolhido por ter apresentado a melhor proposta para o tema “Escala e Eficiência a partir de soluções tecnológicas inovadoras”.

“A expectativa é levar os benefícios do seguro a milhões de brasileiros. São produtos simples de ser entendidos e fáceis de adquirir, a custos muito acessíveis. O crescimento do mercado segurador é bom não apenas para seus participantes diretos, mas, sobretudo, para o País e seu desenvolvimento. Mesmo porque a disseminação desses produtos leva à maior consciência sobre a prevenção dos riscos”, declara Eugênio Velasques, diretor-executivo do Grupo Bradesco Seguros.

Estudos realizados pelo Grupo mostram que os acidentes pessoais são encarados pelo público-alvo como risco prioritário. Assim, o Grupo vai iniciar a comercialização de produtos autorizados pela Susep, com cobertura para acidentes pessoais e assistência funeral. “O potencial é de sete milhões de consumidores somente no Rio de Janeiro e em São Paulo”, afirma Velasques.

As transações continuarão sendo intermediadas pelos corretores de seguros, que eventualmente poderão habilitar prepostos para auxiliar na distribuição, que podem ser os proprietários de pequenos estabelecimentos comerciais, como banca de jornal, mercearia, salão de beleza. Com treinamento e estrutura adequados, eles serão pontos de divulgação, conscientização e venda de seguros. Tanto os corretores quanto seus prepostos farão toda transação por meio de tecnologia móvel gratuitamente.

As vendas serão iniciadas em janeiro de 2012, porém, em dezembro de 2011, serão realizados os primeiros testes. Para comprar, o interessado só vai precisar informar o número do CPF e do telefone. Toda comunicação e relacionamento serão realizados por meio do SMS.

 

 

Bradesco lança seguro residencial no Dona Marta

Por Denise Bueno em 23/09/2010

clip_image002O Bradesco Seguros lançou hoje o Bradesco Bilhete Residencial Estou Seguro, produto precursor e desenvolvido exclusivamente para atender os moradores do Dona Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo nota divulgada pelo grupo, o seguro, que tem contratação simplificada e desburocratizada – custo anual a partir de R$ 9,90 -, integra projeto de educação financeira “Estou Seguro”, criado a partir de convênio assinado, em dezembro de 2009, entre a Confederação Nacional de Seguros (CNSeg) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“Nosso principal objetivo é proporcionar aos moradores do Dona Marta a oportunidade de contar com a cobertura de um seguro para suas residências. Esse novo produto atende especificamente uma classe social que está começando a conhecer os benefícios do seguro”, explica Marco Antonio Gonçalves, diretor gerente do Bradesco, na nota divulgada.

Utilizando como piloto o Dona Marta, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o projeto “Estou Seguro” foi iniciado com uma pesquisa socioeconômica para levantar os riscos que esses moradores estão sujeitos e a percepção que eles têm do seguro. Atualmente, desenvolve a educação financeira do seguro para os moradores e testa a sua eficiência com a oferta de produtos de seguros para aquela comunidade, como o Bradesco Bilhete Residencial Estou Seguro.

A Casa do Seguro, instalada na Rua do Sol Nascente, nº 7, foi criada para ser um posto de informações e vendas de seguros. A comercialização dos produtos é feita pelos voluntários da comunidade, que receberam treinamento do Grupo Bradesco Seguros para conhecer o seguro, sua definição, finalidade e importância na sociedade.

Para divulgar o seguro entre os moradores, a Bradesco elaborou uma cartilha com linguagem objetiva, distribuída gratuitamente, que ajuda a entender melhor os conceitos e especificamente do Bradesco Bilhete Residencial Estou Seguro.

Veja abaixo as principais explicações dadas aos consumidores

Quanto custa o Bradesco Bilhete Residencial Estou Seguro?
A partir de R$ 9,90 (custo único e anual), pagos em uma única vez, é possível contratar o seguro pelo prazo de um ano.

Quem pode contratar o seguro residencial?
O seguro residencial pode ser contratado pelo proprietário, esteja ele morando ou não no imóvel, ou pelo locatário (inquilino) do imóvel.

Que tipo de imóvel pode ser segurado pelo Bradesco Bilhete Residencial Estou Seguro?
Este seguro destina-se a segurar imóveis ocupados exclusivamente por moradia, ou seja, em que não seja desenvolvida no imóvel nenhum tipo de atividade comercial (compra, venda ou estocagem de material), industrial (fabricação) ou prestação de serviços.

O que o Bradesco Bilhete Residencial Estou Seguro oferece de proteção?
Além da cobertura de incêndio, queda de raio e explosão de qualquer natureza, este seguro oferece também as seguintes coberturas: perda ou pagamento de aluguel, vendaval, furacão, ciclone, tornado, granizo, queda de aeronaves, impactos de veículos terrestres e fumaça e responsabilidade civil familiar.

 

 

Allianz debaterá microsseguro e garantia dia 22

Por Denise Bueno em 14/06/2010

allianzA Allianz realizará no próximo di 22 a 5ª edição do Fórum Internacional de Seguros para Jornalistas, que acontece em São Paulo, das 8h30 às 14h. Dois temas serão discutidos: microsseguros e a questão da capacidade de seguro do mercado local para acompanhar o crescimento do país com as obras de infraestrutura do PAC 2, Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.

Na programação do Fórum preparada pelos executivos da Allianz, os jornalistas poderão conhecer mais sobre o microsseguro na Índia, principal país onde o produto é vendido. O indiano Kamesh Goyal, CEO da Bajaj Allianz Life Insurance Company, contará um pouco da experiência da Allianz no país. Lá, os seguros chegam a ser vendidos a US$ 0,15 mês. Destinado à população de baixa renda, dados levantados pelo Grupo Allianz apontam que 90% dos consumidores de microsseguros nunca tiveram qualquer tipo de apólice.

Segundo informa a Allianz em comunicdo, projeções indicam que o público potencial desse mercado no Brasil gire em torno de 40 milhões de pessoas. O setor de seguros aguarda uma definição do Congresso Nacional sobre o Projeto de Lei 3266/08 que visa regulamentar o microsseguro. Como debatedor para esse painel, está confirmado o professor doutor Lauro Gonzales, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV-SP. Gonzales, além de participar da discussão, fará uma pequena explanação sobre os resultados parciais da pesquisa realizada pelo Centro de Estudos da FGV sobre microsseguros no Brasil, assim como a ligação que existe entre esse setor e o de microfinanças.

Já o segundo painel do Fórum apresenta a situação atual do mercado segurador brasileiro frente ao desenvolvimento do país. Segundo estudo do BNDES, com estatísticas consideradas conservadoras, indicam que haverá investimentos de R$ 310 bilhões em infraestrutura no Brasil nos próximos seis anos. Nesse contexto, o seguro garantia exerce papel fundamental porque, como o próprio nome diz, serve para garantir que tudo o que foi acordado seja cumprido. No ano passado, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o seguro garantia movimentou R$ 692 milhões. De janeiro a abril deste ano, os prêmios já somaram R$ 221 milhões.

O executivo da Allianz Seguros Edson Toguchi vai explicar o funcionamento dessa modalidade. Serão abordadas questões como até que ponto a falta de capacidade de seguro pode inviabilizar essas obras, por que houve a necessidade do governo criar a Empresa Brasileira de Seguros (EBS) e o que está incentivando grupos nacionais e internacionais a ingressar no segmento de Garantia, seja como seguradora ou resseguradora.

 

 

Brasil terá microsseguro tropicalizado

Por Denise Bueno em 23/10/2009

armando-vergilioO microsseguro no Brasil está sendo formatado de uma maneira que respeite as peculiaridades do País. Enquanto a renda anual conjunta dos 100 milhões de brasileiros (público-alvo daquele tipo de seguro) é de US$ 200 bilhões, 700 milhões de indianos e 1 bilhão de chineses sobrevivem com a renda conjunta de US$ 186 bilhões cada. Além disso, mais de 70% da população da Índia e da China é rural, ao passo que 85% dos brasileiros moram nos centros urbanos.

Só esta realidade faz com que o Brasil tenha a necessidade de criar um produto de microsseguro diferenciado. “A rede de proteção social que existe aqui, como o SUS e INSS, por exemplo, contribuem para essa diferença em relação aos outros países em desenvolvimento. São aspectos que foram consideradas no momento de definir o que é microsseguro. Ele atenderá a pessoas que recebem até três salários mínimos”, adiantou Armando Vergilio dos Santos Junior (foto), titular da Susep, em coletiva de imprensa realizada no Congresso da IAIS, realizado no Rio de Janeiro entre 21 e 23 de outubro.

Vergílio contou que existem duas propostas da autarquia para implementação do microsseguro no Brasil. As propostas serão apresentadas aos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e Guido Mantega (Fazenda) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A primeira seria acoplar o produto (voltado para auxílio funeral) ao Bolsa Família, ao custo de R$ 1 por pessoa, e a operacionalização se daria como hoje acontece com o DPVAT. A segunda seria com a participação do setor privado, com subsídio do Estado na forma de incentivo fiscal. “Devemos pensar em uma solução para evitar que as companhias migrem da comercialização do seguro tradicional para os microsseguros em virtude dos incentivos”.

Este modelo difere do que é praticado mundialmente em seu formato, mas a essência está ligada com o programa oficialmente lançado hoje pela IAIS. A Iniciativa de Acesso ao Seguro (A2II) prevê a colaboração das entidades mencionadas acima na elaboração de uma “radiografia específica de cada País” e sugestões para mudanças regulatórias que permitam o desenvolvimento do produto na região. Regina Simões, responsável pela área de Microsseguro da Susep, afirmou que a iniciativa é de grande valia nos países onde não há sequer estrutura de um sistema financeiro.

O tema foi debatido por técnicos especializados. Além de Vergílio e Regina Simões, participaram Peter Braumüller (IAIS), Brigitte Klein (German Federal Ministry for Economic Cooperation and Development, BMZ), Craig Thorburn (Banco Mundial/CGAP) e Maya Makanjee (FinMark Trust, África do Sul).

A A2II é um programa global que terá apoio de agências internacionais de desenvolvimento e especialistas do setor financeiro, além de membros da IAIS. Eles vão trabalhar em conjunto para estimular o crescimento do mercado de microsseguros nos países. Em Uganda e Zâmbia é de 8% e na Etiópia é menos de 1%.

Brigitte Klein acrescentou que a iniciativa terá duração de cinco a sete anos e funcionará em parceria com os órgãos supervisores, que após esse período, poderão continuar com o trabalho sozinhos. Ela explicou que, hoje, a participação do microsseguro no mundo é insignificante, principalmente nos países mais pobres, mas a perspectiva é que ela cresça em no mínimo dez anos.

De acordo com Peter Braumüller, a ideia é que o programa beneficie, a princípio, 18 países selecionados pela A2II, dando preferência àqueles que representem lideranças em cada continente. “Dessa forma eles poderão difundir os resultados do programa entre os países fronteiriços”, afirmou.

 

 

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