Setor mantém crescimento na AL, revela estudo

Por Denise Bueno em 08/03/2010

mercedesA indústria de seguros da América Latina figura como uma das mais potenciais do mundo dentro do contexto internacional dos grandes grupos seguradores, que buscam expandir suas operações em mercados que apresentam boas condições macroeconômicas. “E este com certeza é o caso do Brasil, que tem o maior mercado de seguros da região”, diz Mercedes Sanz, uma das responsáveis pela elaboração da oitava edição do estudo “El mercado asegurador latinoamericano”, produzido pela Fundación Mapfre e lançado hoje no Brasil.

O crescimento sólido do Brasil tem ajudado a aumentar a participação da indústria de seguros da região em relação as vendas mundiais. “Graças aos indicadores sólidos, os países da América Latina enfrentaram a crise financeira mundial sem tantos percalços”, comenta a executiva da Fundación Mapfre, que esteve em São Paulo ontem e segue para divulgar o estudo no Rio de Janeiro nesta semana.

Segundo o estudo, a América Latina registrou crescimento nominal das vendas de seguros de 11% em 2008, para € 69 bilhões. “Apesar do índice ter ficado abaixo dos 11,6% registrado no ano anterior, é um resultado bastante positivo diante da crise financeira que iniciou em setembro de 2008 e que abalou a economia mundial”, diz.

Em 2009, a tendência de alta nas vendas se mantém. No primeiro semestre de 2009, os mercados de seguros da América Latina registraram crescimento médio nominal de 7,3%, para € 35,7 bilhões. Apenas Chile e El Salvador reportaram vendas menores, aponta o estudo. O maior incremento foi na área de Seguros Gerais (No Life), com evolução de 13%, com o segmento Vida (Life) recuando 2,5% na região, como conseqüência do menor ingresso de recursos em seguros de vida e planos de previdência na Argentina, Chile, México e Puerto Rico.

“Também é preciso citar dois acordos importantes fechados em 2009 e que terão efeito na nova configuração da indústria de seguros local a partir de 2010”, diz Mercedes. O Itaú Unibanco comunicou associação com a Porto Seguro para a venda de seguro de carro e de casa e o Banco do Brasil e a Mapfre anunciaram uma aliança estratégica para desenvolver as operações de seguros gerais.

As perspectivas para 2010 são ainda melhores, principalmente pelo Brasil ter sido escolhido como anfitrião de dois importantes eventos esportivos mundiais: a Copa Mundial em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. “Estes dois eventos vão atrair muitos investimentos, potencializando ainda mais o crescimento da indústria de seguros na região”, comentou Bento Zanzini, vice-presidente da Mapfre. Segundo ele, os resultados do primeiro bimestre deste ano já mostram uma forte tendência de crescimento da indústria para 2010.

Dados de 2008 - O segmento de Seguros Gerais apresentou comportamento estável, com índice de crescimento de 11,6%, pouco abaixo dos 12% de 2007, o que se explica pela menor expansão da atividade econômica e da forte competição entre as seguradoras. Em Vida, o faturamento chegou a € 25 bilhões, com incremento de 10% em relação ao ano anterior.

Os países que apresentaram maior crescimento em volume de prêmios foram Venezuela (36,3%), Paraguai (33,4%) e Uruguai (26,9%). Como nas edições anteriores, a valorização do euro frente a diversas moedas não favoreceu o crescimento de prêmios na região com a conversão.

A concentração do mercado diminuiu, com as sete maiores indústrias de seguros da região detendo 93,6% das vendas totais. Brasil e México permanecem como os principais mercados da região, seguidos pela Venezuela, Porto Rico, Argentina, Chile e Colômbia.

O segmento de Seguros Gerais responde por 63,9% das vendas totais de seguros na América Latina e Caribe, ficando Vida com 36,1%. O principal seguro vendido na região é o seguro de vida individual e coletivo, com 31,2% dos prêmios totais. Seguro de automóvel é o segundo maior, com 24,8%, seguido por saúde, com 14,5%.

Em relação ao PIB, a indústria de seguros dos países da região apresentou crescimento para 2,6%, tendo Porto Rico na dianteira, com participação de 15,5%, seguido por Chile (3,9%). Panamá, Brasil e Venezuela empatam na terceira colocação, com 3,3%. O Brasil, apesar de ser o maior mercado de seguros da região, ainda tem uma participação no PIB ínfima.

“O lado positivo disso é que este indicador revela o grande potencial brasileiro”, diz Mercedes. Enquanto em nações maduras a penetração de seguros equivale ao tamanho da economia, no Brasil há um descompasso. O país está entre as maiores economias do mundo e entre os vinte maiores mercados de seguros.

Porto Rico registrou o maior prêmio per capita da região, com € 1.625 por habitante em 2008, seguido pelo Chile (€ 270), Venezuela (€ 254), Brasil (€ 186), Panamá (€ 156), Argentina (€130) e México (€ 117). Bolívia e Nicarágua, com €13, são os países com a menor penetração de seguros por habitante na região.

 

 

Baden Baden: queda de preço para 2010

Por Denise Bueno em 27/10/2009

images14O futuro do resseguro, uma operação que ajuda as seguradoras a mitigar o risco de catástrofes naturais ou feitas pelo homem, está sendo traçado no tradicional encontro em BadenBaden, refúgio de milionários na Alemanha, que teve início no domingo e termina na quinta-feira. Lá, instalados em um belo SPA e cassino, elas se reúnem com seus clientes para discutir a renovação dos maiores contratos de resseguro do mundo que vencem em janeiro de 2010.

A recuperação dos mercados acionários em 2009 ajudou resseguradoras e seguradoras a reconstruir seus balanços financeiros. Aliado a este fato, a natureza foi, digamos, generosa com a indústria de seguros. A safra de furacões nos EUA até agora está bem aquém das previsões, com perdas abaixo do previsto.

Neste cenário, as seguradoras e resseguradoras estão conseguindo recuperar capital, o que já é demonstrado pelo fim do ciclo de alta de preço. Em vários nichos de negócios já se observa descontos, porém as condições de cobertura e exigências de informações permanecem severas.

A demanda por resseguro, até então em queda em razão da recessão da economia, deve crescer em 2010. Tanto pela maior consciência de riscos a que todos estão expostos, percepção aguçada com a crise financeira, como também para fazer frente a uma forte necessidade de capital das seguradoras para cumprir novas regras de Solvência II, elaboradas pela Comissão Europeia.

O objetivo do órgão regulador é fortalecer o capital das seguradoras, impondo que elas priorizem a qualidade na subscrição de risco, tornando o seguro caro e as coberturas limitadas para os segurados com pouca transparência, que não investem em segurança e também em relacionamento duradouro, assim como para aqueles com um histórico de sinistros volumoso e com custos elevados. A compra de resseguro é uma das saídas para dar um fôlego ao comprometimento do patrimômio e poder alavancar as vendas sem ter de injetar capital.

Este é o tom do 25º tradicional encontro de resseguros. Munich Re disse ter uma farta capacidade para ofertar aos clientes. Swiss Re acrescentou que tem uma equipe profissional para buscar as melhores soluções para contratos saudáveis. Hannover Re aposta em queda de preço para os riscos na Alemanha. A Scor disse que irá buscar aumento de preço em algumas carteiras deficitárias. A Guy Carpenter vislumbra um cenário de queda de preços. A expectativa dos analistas que acompanham o encontro é de uma queda média de preço entre 5% e 10%.

Uma das preocupações mundial é com a inflação, que pode vir a prejudicar a rentabilidade dos resseguradores em todas as linhas de negócio, segundo alerta feito pela Towers Perrin durante palestra no evento. Isso porque em muitos contratos há claúsulas onde as reclamações podem ser feitas anos depois de ocorrido o acidente. Com a inflação, pode haver um valor maior do que o previsto de desembolso. Historicamente, a inflação tem gerado créditos futuros. Mas atualmente, a indústria não vinha introduzindo o risco de inflação, que era praticamente um indicador descartado nas economias desenvolvidas.

Uma taxa de inflação de 3% poderia causar um forte impacto nas contas das resseguradoras. Além do valor financeiro, geralmente em economias com um período de inflação mais longo, a ocorrência de sinistros é maior, afetando mais severamente as contas financeiras das companhias.

A Towers mostrou no evento um estudo interessante, segundo divulgaram as agências internacionais. Quando a inflação chegou em 3,4% em 2000, o índice de sinistralidade em 2002 chegou a 99% nas linhas de ramos elementares. Quando em 2002 a inflação teve baixa para 1,6%, a sinistralidade caiu para 73% em 2004.

 

 

Brasil terá microsseguro tropicalizado

Por Denise Bueno em 23/10/2009

armando-vergilioO microsseguro no Brasil está sendo formatado de uma maneira que respeite as peculiaridades do País. Enquanto a renda anual conjunta dos 100 milhões de brasileiros (público-alvo daquele tipo de seguro) é de US$ 200 bilhões, 700 milhões de indianos e 1 bilhão de chineses sobrevivem com a renda conjunta de US$ 186 bilhões cada. Além disso, mais de 70% da população da Índia e da China é rural, ao passo que 85% dos brasileiros moram nos centros urbanos.

Só esta realidade faz com que o Brasil tenha a necessidade de criar um produto de microsseguro diferenciado. “A rede de proteção social que existe aqui, como o SUS e INSS, por exemplo, contribuem para essa diferença em relação aos outros países em desenvolvimento. São aspectos que foram consideradas no momento de definir o que é microsseguro. Ele atenderá a pessoas que recebem até três salários mínimos”, adiantou Armando Vergilio dos Santos Junior (foto), titular da Susep, em coletiva de imprensa realizada no Congresso da IAIS, realizado no Rio de Janeiro entre 21 e 23 de outubro.

Vergílio contou que existem duas propostas da autarquia para implementação do microsseguro no Brasil. As propostas serão apresentadas aos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e Guido Mantega (Fazenda) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A primeira seria acoplar o produto (voltado para auxílio funeral) ao Bolsa Família, ao custo de R$ 1 por pessoa, e a operacionalização se daria como hoje acontece com o DPVAT. A segunda seria com a participação do setor privado, com subsídio do Estado na forma de incentivo fiscal. “Devemos pensar em uma solução para evitar que as companhias migrem da comercialização do seguro tradicional para os microsseguros em virtude dos incentivos”.

Este modelo difere do que é praticado mundialmente em seu formato, mas a essência está ligada com o programa oficialmente lançado hoje pela IAIS. A Iniciativa de Acesso ao Seguro (A2II) prevê a colaboração das entidades mencionadas acima na elaboração de uma “radiografia específica de cada País” e sugestões para mudanças regulatórias que permitam o desenvolvimento do produto na região. Regina Simões, responsável pela área de Microsseguro da Susep, afirmou que a iniciativa é de grande valia nos países onde não há sequer estrutura de um sistema financeiro.

O tema foi debatido por técnicos especializados. Além de Vergílio e Regina Simões, participaram Peter Braumüller (IAIS), Brigitte Klein (German Federal Ministry for Economic Cooperation and Development, BMZ), Craig Thorburn (Banco Mundial/CGAP) e Maya Makanjee (FinMark Trust, África do Sul).

A A2II é um programa global que terá apoio de agências internacionais de desenvolvimento e especialistas do setor financeiro, além de membros da IAIS. Eles vão trabalhar em conjunto para estimular o crescimento do mercado de microsseguros nos países. Em Uganda e Zâmbia é de 8% e na Etiópia é menos de 1%.

Brigitte Klein acrescentou que a iniciativa terá duração de cinco a sete anos e funcionará em parceria com os órgãos supervisores, que após esse período, poderão continuar com o trabalho sozinhos. Ela explicou que, hoje, a participação do microsseguro no mundo é insignificante, principalmente nos países mais pobres, mas a perspectiva é que ela cresça em no mínimo dez anos.

De acordo com Peter Braumüller, a ideia é que o programa beneficie, a princípio, 18 países selecionados pela A2II, dando preferência àqueles que representem lideranças em cada continente. “Dessa forma eles poderão difundir os resultados do programa entre os países fronteiriços”, afirmou.

 

 

Otimismo com Brasil marca abertura do IAIS

Por Denise Bueno em 23/10/2009

iaisO Brasil nunca viveu um momento tão positivo como este, segundo os participantes da 16ª Conferência da IAIS, que está sendo realizada esta semana no Rio de Janeiro e encerra-se no sábado. “Brasil é porto seguro para investidores”, disse Armando Vergílio, superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), aos mais de 500 participantes de vários países que participam do evento.

Além de ter sido o último País a entrar na crise e o primeiro a sair em razão dos sólidos indicadores macroeconômicos, o Brasil foi escolhido para ser o anfitrião de dois mundiais, a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Dois eventos que vão impulsionar ainda mais o crescimento do Brasil e da indústria de seguros.

O secretário estadual de Desenvolvimento, Julio Bueno, mostrou o Estado do Rio de Janeiro como uma grande força industrial do País. De acordo com o secretário, de 2010 a 2012, cerca de R$ 126 bilhões serão investidos no estado, boa parte em razão dos dois maiores eventos esportivos do mundo, a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016.

O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado, que representou o ministro Guido Mantega na abertura do evento, comentou algumas das principais realizações do Governo para o desenvolvimento socioeconômico do País, como os aumentos reais do salário mínimo, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o projeto “Minha Casa, Minha Vida”. “O Brasil voltou a crescer em todos os setores e, para 2010, esperamos atingir uma taxa de crescimento da ordem de 5%”, revelou.

Em virtude deste cenário, os investidores querem aportar seus recursos nas empresas brasileiras. “Prova disso são os vultosos aportes que estamos recebendo ultimamente”, acrescentou Vergílio. Realmente este fato pode comprovado pela demanda por emissões de papéis brasileiros, que têm ficado muito acima da oferta, seja pelo governo ou por empresas privadas.

Além dos recursos captados por emissões brasileiras, os recentes movimentos de fusões e aquisições no setor comprovam que a indústria de seguros é um lugar para estar investido nos próximos anos. Só em 2008, foram anunciadas mais de 13 intenções de fusões e aquisições importantes. Entre as mais recentes temos Bradesco e Odontoprev, Banco do Brasil com Mapfre e IRB Brasil Re e Porto Seguro com Itaú Unibanco.

Para acompanhar todas estas mudanças, Vergilio, citou os principais pontos da reestruturação pela qual a autarquia vem passando. “Realizamos grandes investimentos em nossa área de TI e mudamos para uma nova sede, mais moderna e adequada para abrigar nossos servidores”. Além disso, a Susep recebeu autorização ontem do governo para realização do concurso que criará 284 postos na Susep. “Esperamos que o novo organograma proposto, que contempla 34 cargos de direção, seja assinado em breve pelo presidente Lula”, antecipou.

O investimento em pessoas é um ponto importante para a Susep, uma vez que a autarquia adota um modelo de supervisão preventivo, baseado nos controles internos das empresas. “A principal mudança da Susep está em curso e é conceitual, pois queremos ser, cada vez mais, uma entidade de fomento do setor, moderna, forte e atuante, com foco no desenvolvimento com responsabilidade”, disse Vergílio.

Nelson Machado parabenizou a Susep pela condução do setor durante a crise, creditando à autarquia os méritos pelo bom desempenho do mercado. “A indústria do seguro passou incólume pela crise graças ao modelo de solvência adotado pelo órgão regulador. Temos que registrar esse feito e lembrar que o setor movimentou, em 2008, R$ 96 bilhões em prêmios, obtendo expansão de 15% e gerando mais de 200 mil empregos”.

Este modelo de fiscalização foi o responsável pelo mercado de seguros ter passado sem problemas pela crise financeira mundial que assolou várias economias. “O Brasil passou pelo momento mais crítico com robustez inimaginável e o mercado de seguros nacional mostrou extremo vigor, inclusive apresentando expressivo crescimento no primeiro semestre desse ano. Foi um período de reflexão para identificarmos novas oportunidades”, disse o presidente da Escola Nacional de Seguros, Robert Bittar.

E um país se faz por pessoas qualificadas. Por isso a importância da Escola Nacional neste momento em que o mercado de seguros começa a deslanchar, sustentando a economia brasileira. A Escola é a instituição de ensino qualificadora do mercado como um todo. “Sem ela não há mão-de-obra capacitada e, sem educação, não há crescimento do setor.” Na última década, mais de 34 milhões de brasileiros ascenderam de classe social. É um novo país de potenciais consumidores de seguros. Para atender a essa nova classe compradora, Bittar acredita que o corretor de seguros tem papel fundamental. “O corretor é o grande sustentáculo de crescimento do setor, pois pode identificar nichos pouco explorados e conferir capilaridade ao seguro”, afirmou.

 

 

Fusões levam adrenalina ao mercado*

Por Denise Bueno em 22/10/2009

*matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico, que circulou dia 19 de outubro, Dia do Securitário

Quem pensa que as notícias sobre fusões, aquisições e parcerias na indústria de seguros se esgotaram está enganado. Muita coisa ainda vai acontecer para o setor atingir o nível de consolidação esperado pelos especialistas, principalmente na área de saúde.

De 2008 até outubro deste ano, foram divulgadas doze importantes transações entre seguradoras. As conversas não se limitam a seguradoras. Envolvem também resseguradoras e corretores. Algumas delas são fruto de negociações mundiais, um mercado aquecido em razão das perdas geradas pela crise financeira.

“Essa tendência deve se manter por mais algum tempo, porque grande parte das negociações visa fortalecer as empresas em função da concorrência”, diz o consultor de seguros Luiz Roberto Castiglione. As empresas buscam escala para compensar a perda do ganho financeiro gerada pela queda das taxas de juros, que até então compensavam os prejuízos operacionais, principalmente em segmentos como o de seguro de carro. “É fundamental reduzir custos neste cenário competitivo, onde o aumento de preço é praticamente um tiro no pé.”

As empresas também buscam fazer frente à necessidade de capital determinada pelas regras de risco, implementadas em 2008, com exigência gradual de aporte de recursos até 2011. Além do risco de subscrição, outros de mercado e financeiro serão incluídos na regulamentação que visa adequar a indústria de seguros brasileira aos padrões internacionais.

Planos de previdência, seguro de vida individual e títulos de capitalização são segmentos que serão incluídos nas normas e exigirão um robusto aporte de capital.

Aliado a este fato, os bancos passaram a se interessar pelo setor e são responsáveis pelos acordos que mudam a configuração do setor. A criação da Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar), anunciada em agosto, onde a Porto Seguro deterá o controle, ganhando o rótulo de “o negócio da década do setor de seguros”. No entanto, em outubro, o Banco do Brasil e a Mapfre anunciaram uma associação que deixou os analistas e concorrentes em dúvida sobre qual delas era a mais importante.

A disputa pelo canal de vendas do Banco do Brasil envolve um enorme número de seguradoras. A Mapfre foi a escolhida e deverá ficar com boa parte dos negócios. Segundo Aldemir Bendine, presidente do BB, a similaridade na cultura dos dois grupos teve peso importante.

Outro fator decisivo foi o contrato bem feito da Mapfre em 2005, quando comprou com ágio de 46%, por R$ 225 milhões, 51% da Nossa Caixa Vida e Previdência do governo do Estado de São Paulo, com direito de exclusividade de venda no balcão do banco, mesmo se vendido, por 20 anos. O banco paulista foi parar nas mãos do BB, que ficou preso ao contrato, e quer elevar o faturamento atual de R$ 10 bilhões com seguros para R$ 25 bilhões até 2012.

A Porto Seguro, apesar de liderar com folga as vendas em automóvel, vinha perdendo rentabilidade pela forte concorrência desencadeada pelos bancos. Resolveu seu problema ao associar-se ao Itaú Unibanco numa negociação que durou nove dias.

“A Porto Seguro e o Itaú Unibanco passarão a oferecer o que há de mais completo no mercado brasileiro para seus milhões de clientes e, em especial, para os corretores. Estamos nos entendendo muito bem e vejo que temos muito a fazer”, diz Jayme Garfinkel, presidente da Porto, que passou a deter 28% de market share em automóvel, com R$ 3,6 bilhões em prêmios até agosto. A parceria Mapfre e BB ficou em segundo, com R$ 1,8 bilhão.

Entre as outras aquisições de seguradoras há o Santander, que comprou a participação da Tokio Marine na Real Vida e Previdência e negocia o acordo de exclusividade de venda da seguradora japonesa garantido por dez anos na época da negociação, em 2005. Outra japonesa, a Yasuda, comprou 50% da Marítima Seguros, que ensaiou anos abrir o capital sem sucesso. A Minas Brasil, seguradora controlada pelo Banco Mercantil, foi comprada pelo grupo Zurich. A Mongeral, especializada em vida, fez acordo com a Aegon. A Liberty comprou a Indiana, da família Afif Domingos.

O setor de resseguros recebeu quase 70 resseguradoras desde 2008, quando o mercado foi aberto após 69 anos de monopólio. Na semana passada, o Banco do Brasil informou que pretende comprar a participação do governo no IRB Brasil Re, empresa de economia mista, com 100% das ações ordinárias nas mãos do Tesouro.

Das preferenciais, sem direito a voto, 50% pertencem ao governo e 50% estão pulverizadas entre as seguradoras, sendo Bradesco dona de 21% e Itaú Unibanco 18%. Trata-se de uma compra estratégica, que tirará os resseguradores da zona de conforto. Afinal, trata-se do governo aumentando sua fatia em um setor que acaba de privatizar.

Os corretores de seguros também são protagonistas de boa parte das fusões realizadas no setor. O grupo Aon tem sido um dos mais ativos, com mais de 15 compras nos últimos anos de corretores especializados, seja em nichos de negócios ou em regiões do país. “Estamos atentos a novas aquisições, pois nosso objetivo é estar ao lado do nosso segurado”, diz Fernando Pereira, vice-presidente da Aon.

A Lazam MDS aproveitou a crise para partir para um processo de internacionalização. “Estamos avaliando dez propostas de aquisição em seis países”, diz Eduardo Bom Ângelo, presidente da corretora que tem como controlador o grupo Suzano.

Depois de anunciar duas aquisições no início do ano, o grupo assinou em setembro um contrato para a formação de uma joint venture envolvendo quatro empresas, criando uma holding com uma carteira de prêmios superior a US$ 1,8 bilhão, o que lhe garante a 15ª colocação no ranking mundial de corretores.

 

 

Concentração do setor estimula especialização*

Por Denise Bueno em 22/10/2009

*Matéria feita com exclusividade para o especial Seguros do Jornal Valor Econômico que circulou no dia 19 de outubro de 2009, Dia dos Securitários

O crescimento do mercado de seguros estimula parcerias entre as empresas e a maior concentração nas vendas de apólices para veículos. A Porto Seguro, maior seguradora de carro do Brasil, ganha mais 4,5 mil pontos de distribuição do Itaú Unibanco. A Mapfre também agrega ao seu principal canal de vendas, o corretor, outros 12,5 mil pontos de atendimento, sendo 3.155 agências do Banco do Brasil.

Além disso, elas ganham abrangência nacional e internacional, uma vez que a parceria visa acompanhar a expansão dos bancos no exterior, além da disposição dos bancos em ofertar seguros para o consumidor. Até então, seguro perdia espaço para produtos financeiros como crédito, fundos e previdência. Tanto que a penetração de seguros na base dos clientes dos bancos não chega a 10%. “Temos muito para crescer”, afirma Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, que pretende saltar dos atuais R$ 10 bilhões em faturamento para R$ 25 bilhões até 2012.

O desenho que se forma no setor é um em que os bancos dominam a venda de seguros massificados, com a presença do corretor nos negócios. A negociação entre Itaú e Porto e entre Banco do Brasil e Mapfre torna o setor de automóvel extremamente concentrado, com as cinco maiores donas de 90% das vendas. Mas isso não assusta as seguradoras especializadas, como Liberty, Allianz, Chubb e ACE. “Somos a única puro sangue do setor”, diz Acácio Queiroz, presidente da Chubb, seguradora sem vínculos bancários, que se destaca na oferta de apólices desenhadas sob medida para pessoas de alto poder aquisitivo.

Luis Maurette, presidente das empresas do grupo Liberty Mutual no Brasil, aposta na especialização. “Formatamos produtos sob medida, desde o seguro de automóvel até riscos específicos como os de satélites, e facilitamos a vida do corretor com investimentos em tecnologia”, afirma.

Max Thierman, presidente da Allianz, aposta também na especialização do maior grupo segurador da Europa, responsável por boa parte do seguro da Copa na Alemanha em 2006. “Nossa área de grandes riscos está mais do que preparada para conquistar as apólices de riscos de engenharia que serão demandadas já no próximo ano para garantir a realização da Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016″, diz. A ACE, especializada em seguros de eventos, montou um comitê só para prospectar negócios com os jogos mundiais, conta Paulo Tavares, diretor comercial da ACE.

Para Carlos Matta, consultor da PricewaterhouseCoopers, as seguradoras médias vão conquistar os clientes com serviços exclusivos e por classes sociais específicas. Já as grandes seguradoras vão explorar a presença geográfica que os bancos estão proporcionando. “O apoio dos bancos é de extrema importância para o crescimento do setor”, diz.

Segundo recente pesquisa divulgada pela FGV, apenas 16% da população brasileira possui algum tipo de seguro. O seguro saúde é o principal, com 12,9%, seguido de seguro de vida (4,3%) e automóvel (2,9%). Atualmente, as classes A e B, com renda mensal acima de R$ 4,8 mil, respondem por 46% da demanda por seguros. As classes C (até R$ 4,8 mil), D (R$ 1,1 mil) e E (R$ 800), que representam 85% da população, contribuem com 15,6%, 4,1% e 1,4% do total de seguros no país, respectivamente.

Um mercado e tanto, principalmente para duas prioridades do governo: produtos populares, com custo mensal a partir de R$ 10, e microsseguros, com prêmios de até R$ 5 para garantir necessidades básicas da população de baixa renda em caso de morte ou invalidez.

Dados como esses fazem o Brasil exibir um entusiasmo pouco visto na indústria mundial atualmente. Para se ter uma ideia do desânimo das seguradoras nos EUA, pesquisa realizada durante um evento da KPMG em Nova York, em setembro, revelou um dado interessante se comparado ao Brasil. Entre os 271 executivos de seguradoras americanas pesquisados, apenas 9% colocam a indústria em uma forte posição nos próximos anos.

 

 

Liberty mobiliza-se para atender segurados em SC

Por Denise Bueno em 23/09/2009

images6O grupo Liberty preparou uma ação especial para atender aos segurados atingidos pelos desastres naturais em Santa Catarina. Recentemente, o Estado foi atingido por novas tempestades e vendavais.

Segundo nota divulgada pela seguradora, foram contabilizados mais de 400 sinistros na região. Para que os segurados Liberty recebessem um atendimento rápido e eficiente, a empresa enviou peritos no dia seguinte ao temporal e mobilizou diversas áreas, incluindo corretores.

“Dessa forma conseguimos realizar rapidamente todos os atendimentos e solucionamos a maioria dos sinistros: quase 95% dos casos foram resolvidos imediatamente”, informa o diretor de sinistros da Liberty, Francisco Minarelli na nota. Os demais processos que estão em andamento aguardam apenas a documentação completa dos segurados para a liberação rápida da indenização.

 

 

Em oito anos, indenizações do 11 de setembro somam US$ 39,5 bilhões, informa III

Por Denise Bueno em 14/09/2009

Nestes oito anos após o fatídico 11 de setembro, dada marcada pelos atentados terroristas contra os Estados Unidos, a indústria de seguros contabilizam pagamento de US$ 39,5 bilhões em indenizações que ajudara a reconstruir a destruição causada pelo atentado que causou a morte de quase 3 mil pessoas. Este é o segundo mais caro evento coberto pela indústria de seguros nesta década, superado apenas pelos furacões de 2005, com indenizações de US$ 40 bilhões.

Segundo estatísticas do Insurance Information Institute (III), as indenizações por interrupção de negócios consumiram a maior parte do total pago pelas perdas em 11 de setembro, com 33% do total. Danos a propriedades representaram 19% do valor, seguido por responsabilidade civil com 12%, as torres gêmeas com US$ 4,3 bilhões (ou 11% do total), compensações trabalhistas com 6%, seguro de vida com 3%, cancelamento de eventos com 3% e indenizações pelo casco dos aviões com 2%.

 

 

Resseguradores lançam associação mundial

Por Denise Bueno em 08/09/2009

11400468097ae9501Dez dos principais executivos de resseguradoras estiveram presentes no último sábado para comunicar a criação de uma associação mundial de resseguros – Fórum Global de Resseguros (FGR), que terá Denis Kessler, diretor executivo da SCOR RE, como presidente, e Patrick Thiele, presidente da PartnerRe como vice-presidente.

Segundo informaram os executivos, o objetivo da associação é ajudar as resseguradoras a conviver com o momento de mudança trazido com a crise mundial, principalmente no que diz respeito as novas regras que regulamentarão o mercado, como Solvência II.

Além das regras de capital de risco, estão sendo preparadas outras regras para terem uma abrangência mundial pelos órgãos reguladores dos principais mercados financeiros do mundo, principalmente no que diz respeito a securitização. “Estas questões não podem ser tratadas apenas nos Estados Unidos, Europa ou Japão. Precisamos de uma voz global para tratar de questões globais “, disse ele.

A criação da associação é visto como um passo importante pelo setor, uma vez que mesmo sendo o resseguro uma atividade globalizada, não havia uma entidade que representasse globalmente o setor. A associação, segundo seus membros, pretende complementar e não substituir as relações já existentes. “Acreditamos na concorrência leal e a associação visa promover o valor do resseguro na economia global”, disse Kessler.

Também fazem parte do conselho do FGR Nikolaus von Bomhard da Munich Re, Hiroshi Fukushima da Toa Reinsurance, Lord Peter Levene do Lloyd’s, Lippe Stefan da Swiss Re, Montross Tad da General Re, Michael McGavick da XL Capital, Robert F. Orlich da Transatlantic Holdings, Greig Woodring do Reinsurance Group of America, e Wallin Ulrich da Hannover Re.

(imagem dreamstime)

 

 

A.M.Best e S&P preveem cenário estável

Por Denise Bueno em 08/09/2009

Depois da Fitch e Moody’s alterarem de estável para negativo a perspectiva da indústria de resseguros na semana passada, a AM Best e a Standard Poor’s anunciaram perspectiva estável para as resseguradoras, durante apresentações no 53º Rendez-Vous de Septembre, encontro anual dos resseguradores, que começou no dia 4 em Monte Carlo e se encerra no dia 10.

Segundo as agências internacionais, John André, vice-presidente da Fitch, na próxima semana a classificadora de riscos deverá afirmar, em sua revisão, boa parte dos ratings das resseguradoras de ramos elementares. A melhora da perspectiva do setor, explicou, é a disciplina na subscrição de risco que boa parte das companhias vem adotando como forma de manter uma base sólida de capital.

O crescimento nos mercados emergentes foi outro fator que contou pontos positivos na avaliação da A.M.Best, que entrevistou diversos executivos de resseguradoras para poder emitir a avaliação. Segundo o executivo, a recuperação da crise financeira está acontecendo mais rapidamente nos mercados emergentes, o que pode acarretar em bons negócios, e rentáveis, para as resseguradoras.

 

 

« Textos anteriores |