Lucro mundial da Mapfre avança 8,6%
Por Denise Bueno em 26/07/2011
*texto extraído do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)
O balanço do primeiro semestre da Mapfre, maior seguradora da Espanha, traz muitas novidades. Para começar, uma foto da sede do grupo no Brasil ilustra o material de divulgação dos resultados. Um sinal claro da importância que a subsidiária brasileira ganhou dentro do grupo.
O Brasil também é um dos principais destaques dos resultados semestrais, com o início das operações do grupo com o Banco do Brasil, após uma aprovação prévia dada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). Segundo nota, a partir de junho de 2011, a parceria passa a operar sob o nome Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre, o que gerou aumento de 15% no patrimônio líquido do conglomerado.
Outro destaque da publicação vem da joint venture criada entre Mapfre e Euler Hermes, uma das maiores seguradoras de crédito do mundo, controlada pela alemã Allianz. A nova empresa vai atuar em vários países, incluindo América Latina, região que tem o Brasil como o principal mercado.
O lucro líquido chegou a 543,2 milhões de euros, avanço de 8,6% no primeiro semestre, impulsionado pelo crescimento na América Latina. Os prêmios brutos chegaram a 9,7 bilhões de euros, crescimento de 6,7%. As vendas de seguros patrimoniais avançaram 7,2%, para 7,2 bilhões, e o faturamento com seguros de vida teve incremento de 5,2% para 2,4 bilhões de euros.
As operações internacionais responderam por 58% do faturamento e as operações na Espanha por 42%. Quase a totalidade vem da venda de seguro, ficando o resseguro com apenas 12% do total do faturamento.
Espanhola Mapfre e Euler Hermes, controlada pela alemã Allianz, se unem para disputar crédito
Por Denise Bueno em 20/07/2011
A Mapfre, maior segurador da Espanha, e a Euler Hermes, subsidiária do grupo alemão Allianz e uma das principais seguradoras de crédito e garantia do mundo, anunciaram aliança estratégica para atuarem juntas no seguro de crédito e garantia na Espanha, em Portugal e na América Latina.
Cada um dos grupos terá 50% na joint venture, que nasce com prêmios de 200 milhões de euros, valor que lhe confere a primeira e segunda colocação no ranking de crédito dos países onde vai atuar, incluindo o Brasil. A previsão é de que a nova empresa comece a operar no final deste ano, após a aprovação dos órgãos reguladores.
Susep terá nova diretoria em julho
Por Denise Bueno em 21/06/2011
Ontem, tomou posse o novo titular da Susep, Luciano Santanna. Ele entregará ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, um plano de trabalho da Susep para os próximos três anos. A entrega vai ocorrer após a nomeação da nova diretoria do órgão, o que deve ocorrer entre 15 e 20 dias. O setor de resseguros é o que mais demandará especialização do corpo técnico da Susep, pois a abertura do segmento é muito recente. Santanna disse que quer reduzir os prazos dos processos administrativos que resultem em algum tipo de sanção.
Segundo matéria divulgada na Agência Câmara, combater as cooperativas que vendem proteção veicular, concorrendo com o seguro de carro, é uma das prioridades da nova gestão. “Eu diria que são os camelôs do segmento. Além de não oferecer produtos adequados, acabam afetando o mercado, porque representam uma concorrência desleal, na medida em que têm custos mais baixos, justamente por não atender a essas normas que garantem, por exemplo, provisões técnicas”.
Segundo Santanna, informa a Agência Câmara, a Susep vai entrar com ações civis públicas na Justiça, pedindo a suspensão imediata das atividades dessas empresas do segmento pirata. “Nós já temos uma série de ações que a nossa Procuradoria Federal preparou e, nos próximos dias, estaremos ajuizando [a ação]. Acredito que essas duas medidas concretas surtirão efeito”.
O seguro pirata tem, atualmente, grande penetração no segmento de seguro para veículos automotores, por meio de cooperativas e associações que são criadas com o objetivo de atender a determinados profissionais e acabam comercializando os produtos para a população em geral. De acordo com o superintendente, a oferta do produto é feita “sem apresentar garantias de que esses contratos, no futuro, serão cumpridos. Isso pode se tornar uma bola de neve, além de atrapalhar o mercado”.
Devido ao tamanho dos mercados que regula, entre os quais seguro, resseguro, capitalização e previdência complementar aberta, a Susep pretende, na nova gestão, estabelecer parcerias com entidades autorreguladoras. Segundo Santanna, isso permitirá maior eficiência na fiscalização dos mercados. São mais de 130 seguradoras, 74 resseguradoras locais e eventuais e mais de 60 mil corretores.
A ideia, revelou o titular à Agência Câmara,, é fiscalizar a atuação dessas entidades, que irão funcionar também como auxiliares da Susep, com poder para impor multas às empresas que cometerem infrações. Nas entidades cuja atuação não estiver adequada, os dirigentes estarão sujeitos a sanções disciplinares, além de multas, suspensão e inabilitação.
Santanna quer adotar na Susep o modelo que já mostrou eficiência no mercado de capitais. “A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recebe o auxílio da Bolsa de Valores e da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). E me parece o sistema mais racional para atuação do Estado. Em vez de aumentar o quadro de funcionários, para chegar no ponto ótimo de atuação, a gente busca o apoio do próprio mercado”, informa a Agência Câmara.
Outra prioridade será a disseminação da cultura do seguro entre outros segmentos sociais. Segundo Luciano Santanna, a Susep apoia a ampliação da cultura do seguro porque significa uma inserção desses segmentos no sistema de segurança”.
Viabilizar acesso do menor renda ao seguro é a prioridade do novo titular da Susep
Por Denise Bueno em 14/06/2011
O procurador federal Luciano Portal Santanna acaba de assumir o comando da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Veja abaixo o algumas diretrizes da sua gestão à frete do órgão responsável pela regulação e fiscalização da indústria de seguros, com faturamento previsto em R$ 200 bilhões em 2011. Mestrando em Direito Regulatório pela Universidade Cândido Mendes, pós-graduado em Direto da Regulação pela Fundação Getúlio Vargas e diretor para agências reguladoras da Associação Nacional dos Procuradores Federais (ANPAF), Santanna foi chefe de gabinete e coordenador-geral da Procuradoria-Geral Federal, coordenador-geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS (PFE/INSS), coordenador da Procuradoria Federal junto à Agência Nacional do Petróleo (PF/ANP) e Procurador-Chefe da Procuradoria Federal junto à Comissão Nacional de Energia Nuclear (PF/CNEN).
Veja abaixo, os principais trechos da entrevista concedida ao Blog Sonho Seguro.
Quais são as prioridades da sua gestão?
Pretendo aprimorar as normas e práticas voltadas à tutela dos interesses dos consumidores de planos de previdência, seguros e capitalização, que são a razão de ser da atuação estatal. Redução de custos, a fim de viabilizar o acesso a tais produtos a camadas mais baixas da população, e maior proteção do consumidor serão prioridades. Para isso teremos que repensar a gestão interna. A redução dos prazos dos processos sancionadores, hoje superior a seis anos, para menos de doze meses, com um comando que determine o efetivo cumprimento do contrato, é um exemplo concreto disso.
O mercado segurador pleiteia alguns aperfeiçoamentos nas regras de Solvência II, sobretudo para evitar que as pequenas e médias percam fôlego financeiro para cumprir os aportes de capitais. O senhor pretende reavaliar as regras de prudência?
As regras do Solvência II aprimoram de forma significativa a governança e aplicação dos recursos da poupança popular. De outra parte, é preciso atenção para não estimularmos uma concentração de mercado que diminua a competição, justamente num momento em que a economia do País requer um aumento da capacidade securitária. Neste sentido, faremos sim um estudo para verificar a necessidade de alguma alteração normativa. De toda forma, pretendo introduzir na Susep um instrumento regulatório da maior eficácia e que já vem sendo utilizado com sucesso por outras entidades reguladoras, a exemplo da PREVIC, CVM e ANS. Trata-se do termo de compromisso de ajustamento de conduta, que permitirá a redefinição de prazos a partir de casos concretos específicos, considerando a capacidade e dificuldades de cada empresa. O sistema de regimes especiais adotado pela Susep é um remédio demasiado amargo, com sérios efeitos colaterais e de eficácia limitada para proteção do consumidor, que raramente vê seus direitos satisfeitos. Precisamos intervir com racionalidade e de forma preventiva para induzir a correção de condutas e a adaptação das empresas às novas regras de prudência.
Qual será a sua linha de atuação nas várias esferas da Susep, como fiscalização, regulamentação e administrativa?
Nossa atuação nas áreas de regulação e administrativa será pautada pelo diálogo com os agentes do mercado, representantes dos consumidores e os servidores da autarquia. A Susep tem um quadro de pessoal de excelente qualidade técnica, fator determinante para o sucesso de qualquer política regulatória. Especificamente em relação à fiscalização, preocupa-me a atuação de agentes sem autorização da Susep, que desrespeitam de forma sistemática todas as regras técnicas que visam o correto cumprimento dos contratos. O consumir está exposto a demasiado risco. Teremos uma atuação mais enérgica neste segmento. Também daremos mais ênfase à fiscalização do DPVAT, que tem elevados custos administrativos, um número expressivo de demandas judiciais e ainda sofre com a atuação ilícita de alguns intermediários.
Qual será o critério da escolha da sua diretoria e seus coordenadores?
O critério será técnico. Obviamente deverá haver harmonia com a política regulatória a ser implementada e, fundamentalmente, com as diretrizes do Ministério da Fazenda, órgão ao qual estamos vinculados.
Pode citar algum diferencial ou novidade que deseja implementar na Susep, seja internamente ou externamente?
Esperamos realizar parcerias com entidades autorreguladoras do mercado de corretagem, um projeto concebido na gestão anterior, e que possibilitará maior eficiência na fiscalização dos corretores, com uma atuação seletiva da Susep. Hoje temos mais 60 mil corretores. Com um quadro de cerca de 430 servidores e atuação nas áreas de seguros, resseguros, capitalização e previdência complementar aberta, a autarquia não dispõe de meios para fiscalizar de forma adequada o segmento da corretagem. Esse projeto viabilizará uma atuação estatal seletiva da atuação, de forma que os principais fiscalizados serão as entidades autorreguladoras. A inserção das entidades voltadas à proteção do consumidor no processo regulatório, o aprimoramento da legislação, a informatização dos meios de controle e a revisão de exigências burocráticas aos agentes, por vezes desnecessárias, estão na nossa pauta.
“Brasil é estratégico”, diz CEO mundial da Allianz
Por Denise Bueno em 24/05/2011
O Brasil é um país chave para a maior seguradora do mundo. “Trata-se de um mercado muito atraente, onde se espera que o crescimento seja impulsionado pelo futuro desenvolvimento econômico e por níveis crescentes de penetração de seguro”, afirma Michael Diekmann (foto), CEO mundial da Allianz, em sua primeira entrevista concedida à imprensa brasileira.
Ele está no Brasil nesta semana para conversar com funcionários e também para participar, juntamente com outros 50 CEOs mundiais de seguradoras e resseguradoras, do encontro anual da Geneva Association, entidade dedicada a estudos econômicos e financeiros sobre a indústria de seguros mundial. O Brasil foi escolhido para sediar a reunião por vários motivos. Entre eles, o crescimento da economia. Dos mais de 50 CEOs presentes, 22 já tem operações no Brasil e os outros disseram ter intenção de conhecer melhor o mercado brasileiro para futuros investimentos. A classe média emergente é um dos pontos que mais chama a atenção para investimentos, assim como as oportunidades que serão geradas pelos mundiais esportivos.
“O Brasil terá muitos ganhos em sediar os mundiais. Um número crescente de consumidores buscará coberturas em seguro saúde, bem como soluções em seguros de vida e previdência privada. Sem dúvida, o risco de longevidade ascendente e os custos médicos cada vez maiores são itens que não se pode negligenciar nesse contexto”, diz ele, que está a frente de um grupo com receitas de 106 bilhões de euros em 2010. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.
Essa é a sua primeira visita ao Brasil?
Vim inúmeras vezes ao Brasil, um país dinâmico e fascinante, onde pude conhecer pessoas muito interessantes. Eu era o responsável do Grupo Allianz para a região da América Latina antes de me tornar CEO em 2003.
Então acompanha de perto os avanços da economia brasileira?
Sim. A economia brasileira tem crescido de modo acentuado desde a década de 1990 e o país está assumindo uma posição de liderança entre outros mercados emergentes importantes hoje.
Quais as suas expectativas para a indústria global de seguros durante os próximos cinco anos?
Mega-tendências como mudança climática, digitalização e mudança demográfica são desafios aos quais a indústria de seguros, como qualquer outro setor, precisa se adaptar, e se fizermos isso corretamente há muitas oportunidades de crescimento pela frente. E certamente os mercados emergentes ganham uma importância crescente para a Allianz e para a indústria global de seguros. Enquanto nos anos 90 as grandes oportunidades residiam em países do Centro e do Leste europeu, os novos mercados em crescimento com suas tendências demográficas específicas e as novas tendências de consumo estão na China, no Brasil e na Índia. Hoje na Alianz 5% das nossas receitas já são geradas a partir de mercados em crescimento.
Qual é a estratégia do grupo para a América Latina nos próximos cinco anos?
Nós temos operações locais no Brasil, na Argentina, Colômbia e México, e estamos muito contentes com o desenvolvimento dos nossos negócios nesses mercados. Além disso, nós fornecemos serviços a clientes de toda a região através das nossas empresas globais, tais como a Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), a nossa seguradora de crédito Euler Hermes e o nosso fornecedor de assistência. Vemos um potencial significativo na região para um crescimento rentável continuado, e espera-se que tanto o segmento de varejo como o corporativo se desenvolvam com força. O prosseguimento dos esforços conjuntos entre nossas companhias globais e as operações locais nos permitirão tirar vantagem das oportunidades de mercado.
Quais são os principais desafios para o Brasil na sua opinião?
Obviamente, esse desenvolvimento da economia brasileira impulsiona a necessidade de investimentos maiores em infraestrutura em áreas tais como transporte, moradia ou energia. Um sistema social moderno e viável, assim como um ambiente regulatório também são pontos críticos. E por último, mas não menos importante, o Brasil precisa investir mais em educação. As empresas aqui no Brasil precisarão de funcionários ainda mais capacitados para terem sucesso na economia global.
Quais são as expectativas da Allianz em relação aos dois eventos esportivos internacionais que se realizarão no Brasil, como a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016?
Do ponto de vista afetivo, esses eventos são experiências maravilhosas. Na Alemanha sediamos a Mundial de Futebol em 2006. Era como uma grande e animada reunião de família. Praticamente todos os alemães guardam uma boa recordação desse evento. Munique, a cidade-sede do Grupo Allianz, ainda hoje aproveita os frutos das Olimpíadas de 1972, para a qual foram desenvolvidos inúmeros projetos urbanísticos excelentes, incluindo a construção do metrô. Neste momento, nós estamos esperando para ver se Munique irá ganhar o posto para sediar a Olimpíadas e Pára-Olimpíadas de 2018.
E em termos de negócios? Afinal, a infraestrutura está atrasada.
O Brasil tem muito a ganhar como país-sede da Mundial de Futebol e das Olimpíadas, tanto em termos de vantagens tangíveis como em visibilidade internacional para o país. Em termos de infraestrutura, muita coisa acaba sendo realizada na corrida final que precede esses eventos, e obviamente os negócios também aproveitam isso – por exemplo, a indústria de Turismo. A Allianz Brasil já está presente – ou está abrindo filiais – em todas as cidades que estarão recebendo jogos do Mundial de Futebol. Já temos no nosso portfólio seguros de riscos de engenharia para estádios. E é claro, oferecemos soluções em seguros e assistência de viagem.
Diante desse cenário, o que os acionistas esperam da operação brasileira?
A Allianz tem um compromisso sólido e consideramos o mercado brasileiro como um dos nossos mercados em expansão essenciais. Estamos satisfeitos com o desenvolvimento de nossas atividades no país. A Allianz Brasil mais do que duplicou de tamanho desde 2005. Este ano, esperamos um faturamento superior a US$ 1,8 bilhão, acima dos US$ 1,5 bilhão do ano passado. Estamos muito satisfeitos com o sólido desempenho econômico, que é o melhor pré-requisito para um maior crescimento e também para a oferta de produtos, com foco no consumidor e qualidade dos nossos serviços.
A concorrência no Brasil está acirrada. Como se destacar?
A Allianz Brasil tem a grande vantagem de integrar um grupo internacional. Desde 2008, países da América do Sul e da península Ibérica já operam em conjunto como uma região única, em estreita interação com a Allianz Espanha, que é uma das empresas com melhor performance dentro do Grupo Allianz. Essa proximidade nos permite um intercâmbio bem-sucedido de melhores práticas nas áreas de operações, TI, indenizações e subscrição. O grupo faturou EUR 106,4 bilhões em 2010, sendo EUR 43,9 bilhões em Property & Casualty (seguros gerais), EUR 57,1 bilhões em Vida e Saúde e EUR 5,4 bilhões de euros em gestão de ativos por meio da PIMCO. Tem 150 mil funcionários para atender 76 milhões clientes.
Só isso não basta para uma empresa estrangeira se destacar num mercado de seguros dominados por seguradoras ligadas a bancos.
No Brasil somos hoje um forte parceiro para corretores e clientes, sejam eles clientes massificados ou grandes conglomerados corporativos. Temos uma ampla gama de soluções, de A a Z, e por isso achamos que nossa empresa está bem posicionada para lidar com as oportunidades de todas as mega-tendências que despontam no horizonte brasileiro. Somos uma seguradora líder, conhecida e respeitada pela expertise técnica. Temos essa imagem, por exemplo, nas linhas industriais, como engenharia, responsabilidade e incêndio. Somos cada dia mais reconhecidos em automóveis e em saúde.
Por treinar seus funcionários em unidades internacionais, muitos deles são alvos dos concorrentes, que sofrem com um apagão de talentos. Como lidar com isso?
Ser um empregador atraente é dos itens mais críticos para prosseguir no desenvolvimento econômico da indústria brasileira de seguros. Aqui também a Allianz está muito bem posicionada. Podemos oferecer oportunidades destacadas em todos os níveis, desde o pessoal operacional até os níveis médios de gerência e a alta administração. Obviamente, nossa presença global aliada à nossa destacada expertise e know-how nos conferem um diferencial marcante. Só para dar alguns exemplos, o ex-CFO da Allianz Brasil foi indicado como CEO da Allianz Portugal no início deste ano. Também temos diversos colegas com formação no Brasil e que atualmente estão atuando na Europa, devendo retornar em algum momento à América do Sul para ajudar a desenvolver mais as nossas atividades por aqui.
Grupo do Sotaque vira Associação das Seguradoras Internacionais
Por Denise Bueno em 19/05/2011
O jornal Valor Econômico traz hoje uma matéria sobre a transformação do Clube do Sotaque na Associação Brasileira das Companhias de Seguros Internacionais. João Francisco, presidente da HDI e presidente da entidade (foto), diz que o interesse é “ter uma atuação mais pró-ativa, defender os interesses de nossas associadas junto aos órgãos governamentais, defender a livre iniciativa e brigar contra a reserva de mercado.”
Segundo números da nova associação, as estrangeiras já representam cerca de 41,8% do mercado segurador no Brasil e o total de ativos das empresas alcança R$ 73,5 bilhões. Em prêmios emitidos, as estrangeiras ficaram, em 2010, com 35% do mercado, ou R$ 30,9 bilhões, do total de cerca de R$ 90 bilhões do setor como um todo, segundo Borges da Costa.
Para ele, a limitação do repasse do resseguro a empresas do mesmo grupo no exterior chega num momento já complicado para o mercado segurador internacional, após os prejuízos com a catástrofe no Japão e os preços em alta. “Aceitamos a reserva de mercado de 40% (também prevista nas resoluções 224 e 225 do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), mas não aceitamos o limite de 20%”, diz ele ao Valor.
O assunto virou bandeira de várias entidades internacionais, que têm pressionado o governo brasileiro para mudar a medida. Segundo fontes do setor, há uma forte tendência do Ministério da Fazenda em elevar o percentual para 40% e também corrigir algumas distorções que geraram dúvidas e brechas no texto regulatório. Caso nada seja feito pelo governo, a saída será entrar com medidas legais que questionam a legalidade das resoluções.
Na entrevista do Valor, o presidente da CNSeg, Jorge Hilário Gouvêa Vieira, diz que “não é por aí. Não é criando uma associação que vai melhorar o segmento. Acho que conhecemos mais o mercado brasileiro.” A CNSeg, de acordo com Gouvêa Vieira, é composta por 149 seguradoras – o total do mercado é de 196 empresas -, incluindo os 15 maiores grupos de operadoras de planos de saúde, que representam 37,7% do setor de saúde suplementar.
A nova associação conta com as seguradoras estrangeiras ACE, Allianz, Assurant, Berkley, Cardif, Chartis, Chubb, Fairfax, HDI, HSBC, Liberty, MetLife, Mitsui Sumitomo, QBE. Royal Sun Alliance, Santander, Tokio Marine, UBF e Zurich. Participam da diretoria Fernando Zambolim, da Zurich, Guilhermo Leon, da Chartis, Luis Maurette, da Liberty, Luis Roberto Paes Foz, da UBF, Patrícia Godoy Oliveira, da ACE e Paulo Marracini, da Allianz.
A link da materia do Valor é
http://www.valoronline.com.br/impresso/financas/104/429227/seguradora-estrangeira-cria-entidade-e-divide-setor
Normas do CNSP podem encarecer resseguro
Por Denise Bueno em 31/03/2011
A jornalista Márcia Alves (foto), especializada em seguros, divulgou uma matéria bem interessante sobre o que especialistas falaram sobre as medidas do governo que alteraram o setor de resseguro. Entrevistas quase nenhum dos executivos que atuam no setor quiseram dar para a imprensa. Mas no seminário promovido pela JBO Advocacia, nesta terça-feira, em São Paulo, alguns especialistas falaram muitas coisas ao público.
Veja a seguir a íntegra da matéria da Márcia Alves, editora de conteúdo do Midiaseg (www.midiaseg.com.br)
Novas resoluções do CNSP podem encarecer preço do resseguro. Esta foi a conclusão de especialistas reunidos em debate promovido pela JBO Advocacia, nesta terça-feira, 29 de março, na capital paulista. O grupo também criticou a redação da recente Resolução 232, que dá margem a muitas interpretações, e analisou os impactos das novas regras no mercado nacional e internacional.
Se há um consenso no mercado de seguros e resseguros quanto às novas normas editadas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) é que não agradaram ninguém. Ainda que a nova Resolução 232, publicada no Diário Oficial desta segunda-feira, 28 de março, tenha revogado a polêmica Resolução 224, substituindo a proibição total do repasse de riscos para empresas do mesmo grupo no exterior pelo limite de até 20% dos prêmios em cada cobertura contratada, não conseguiu agradar a todos os players do mercado.
Ambas as resoluções foram analisadas em detalhes por um grupo de especialistas reunidos nesta terça-feira, 29 de março, em evento promovido pelo escritório JBO Advocacia, na capital paulista. Márcia Cicarelli, sócia da JBO, que assumiu a organização do evento há alguns meses, revelou que os palestrantes foram surpreendidos com a edição da nova Resolução 232 e obrigados a rever suas apresentações. “A 224, que foi editada ao apagar das luzes no último ano e que deveria entrar em vigor em janeiro deste ano foi prorrogada para março. Mas, antes do fim desse prazo acabou revogada por uma nova resolução. É vexatório”, disse a palestrante Patricia Godoy, diretora jurídica da ACE Seguradora.
Ela conta que chegou a ser questionada pela matriz de sua empresa sobre o porquê de não saber antecipadamente da edição das novas regras. “No exterior, qualquer mudança na legislação deve ser discutida, obrigatoriamente, em audiência pública. Mas aqui isso não acontece”, lamentou. Para a especialista, situações como essa geram insegurança jurídica e prejudicam a imagem do país perante investidores estrangeiros. “A intenção da Lei Complementar 126 era transformar o Brasil em um pólo de resseguro. Mas com a mudança de regras do jogo da noite para o dia, qualquer investidor estrangeiro pensará duas vezes antes de decidir investir no país”, avaliou.
As duas especialistas apontaram muitas falhas de redação no curto texto da Resolução 232, que além de gerar várias interpretações, ainda conflitam com a legislação em vigor. De acordo com Márcia Cicarelli, a 224 vedava o repasse de riscos, mencionando a “responsabilidade” assumida em seguro, resseguro e retrocessão. A 232, porém, veda não a responsabilidade, mas a transferência de prêmio além do limite de 20%. “Houve a troca de responsabilidade por prêmio”, concluiu.
Para Patricia Godoy, não está claro se os prêmios mencionados na nova resolução são de resseguro ou seguro. “Embora eu saiba que sejam prêmios de resseguro, isso não está escrito na resolução”, disse. Por esse raciocínio, ela disse que também é questionável a interpretação do trecho que define o limite de 20% a cada cobertura contratada. “Mesmo num contrato de resseguro pode haver vários ramos. Então, esse limite poderia ser por ramo ou apólice?”.
Para Márcia Cicarelli, o texto suscita outra dúvida. “Quando se transfere o risco, o prêmio está atrelado. Mas será que é possível transferir o risco sem a transferência de prêmio?”, questionou. Ela ressaltou, ainda, que a nova resolução fornece uma redação mais detalhada sobre a definição de intragrupos – que já era definida de forma parcial em resoluções anteriores -, estabelecendo que a mínima participação acionária de 10% ou o simples controle operacional já caracterizam a empresa como de mesmo grupo.
A advogada classificou de “estapafúrdia” a inclusão do artigo oitavo na redação da Resolução CNSP 168/07, realizada pela nova Resolução 232. O novo artigo estabelece no parágrafo único que: “Os contratos automáticos já firmados serão considerados, para efeito do percentual disposto no caput, na sua renovação ou a partir de 31 de março de 2012, o que ocorrer antes”. Segundo ela, o termo “o que ocorrer antes” está errado, porque pelo principio do Direito, “deveria ser o que ocorrer depois”, já que a vigência dos contratos não é estabelecida, necessariamente, pelo prazo de um ano.
Preço mais caro
Paulo Pereira, vice-presidente da Transatlantic Re e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Resseguros (Aber), fez questão de ressaltar que sua participação no evento não era como representante da entidade, já que a mesma ainda não tinha posição oficial sobre as novas regras. Um dos pontos que ele destacou nas novas resoluções se refere à reserva de mercado de 40%, que não existia nas normas anteriores. “Falava-se em preferência, mas nunca em reserva de mercado”, disse.
A conseqüência dessa mudança, segundo ele, será o aumento de preço do resseguro. “A partir de 31 de março, todas as empresas vão pagar mais caro por seus programas de resseguro”, sentenciou. Para Paulo Pereira, significa uma volta ao passado, quando havia dois preços. “Até hoje, se conseguia um preço no mercado estrangeiro e o local acompanhava. Agora, com a reserva, será obrigatório colocar no local. Com isso, as resseguradoras ditarão suas condições e, consequentemente, poderá ocorrer o aumento de preço do resseguro”, explicou.
Ele acredita que um dos motivos para essa mudança seja o intuito de estimular as resseguradoras a se instalarem no país na condição de locais. “Mas é um erro, porque elas precisarão de um volume de dinheiro que não corresponde às operações normais de resseguro no mundo”, disse. Paulo Pereira supõe que, para driblar a limitação de retrocessão, as resseguradoras poderão adotar um mecanismo de triangulação. “Se A não pode repassar o prêmio para A, poderá repassar para B, que retornará para A”, explicou. “As legislações internacionais são brandas e muito parecidas para facilitar o fluxo do resseguro. O país que dificultar esse fluxo, ou perderá capacidade ou pagará mais caro por ele”, concluiu.
Brasil passa a figurar no ranking de catástrofes mundiais
Por Denise Bueno em 29/03/2011
O custo total de catástrofes em 2010 foi 60% maior do que o volume de indenizações pagas pela indústria de seguros em 2009, afirma estudo da Swiss Re divulgado hoje. Em 2011, a previsão é de que o volume seja um dos maiores da história do setor em razão da tragédia do Japão, enchentes na Austrália e terremoto na Nova Zelândia.
As perdas economicas dos países totalizaram US$ 218 bilhões em 2010, decorrentes de catástrofes naturais e geradas pelo homem. As indenizações pagas pelas seguradoras chegaram a US$ 43 bilhões em 2010, 60% acima dos US$ 27 bilhões de 2009. Em número de vítimas, o terremoto que devastou o Haiti em janeiro de 2010 lidera o ranking, com 222 mil mortos, seguido pela onda de calor na Rússia no mês de junho foi responsável por 55,6 mil mortes.
No ranking das catástrofes mais custosas para a indústria de seguros entre 1970 e 2010, temos o furacão Katrina nos EUA em 2005, com US$ 72 bilhões, o furacão Andrew, em 1992, com US$ 24 bilhões, e os atentados terroristas aos EUA em 2005, com indenizações de US$ 23 bilhões. Em 2011, só a tragédia ocorrida no Japão, com terremoto seguido de tsunami, deverá custar mais de US$ 35 bilhões às companhias de seguros, passando a ser a segunda catástrofe mais cara do setor desde 1970.
Em pagamento de indenizações, o terremoto do Chile foi o mais caro para as seguradoras em 2010, com US$ 8 bilhões em desembolsos, seguido pelo terromoto na Nova Zelândia, avaliado até o momento em US$ 4,5 bilhões. No total, o estudo da Swiss Re traz 304 eventos, sendo 167 catástrofes naturais e 137 de acidentes causados pelo homem. Apesar de certo equilíbrio em numero de ocorrências, as catástrofes naturais foram responsáveis por quase a totalidade das indenizações, com US$ 40 bilhões, ficando os acidentes causados pelo homem com os US$ 3 bilhões restantes. Entre os mais custosos para as seguradoras estão os desastres marítimos, explosões e acidentes aéreos.
As mudanças climáticas são tão evidentes que até mesmo o Brasil passou a figurar no ranking de catástrofes naturais do estudo da Swiss Re. A fúria da natureza no Brasil é bem mais suave do que em outras partes do mundo. O pais abre o ranking que traz a cronologia dos eventos de enchentes em 2010, com as enchentes no Rio de Janeiro, Angra dos Reis, São Paulo e Minas Gerais, com 85 mortes e danos de US$ 145 milhões. Também fecha o mesmo quadro com a triste notícia de 256 mortes, 403 feridos e mais de 74,5 mil desabrigados com as chuvas no Rio de Janeiro e Niterói, que causaram danos de US$ 200 milhões, segundo o estudo divulgado hoje.
O estudo completo pode ser acessado no site da segunda maior resseguradora do mundo: www.swissre.com
Munich Re prevê pagar US$ 2,1 bi no Japão
Por Denise Bueno em 22/03/2011
Apenas três empresas citaram indenizações de mais de US$ 4 bilhões para indenizar as vítimas da tragédia ocorrida no último dia 11 no Japão. “O terremoto não foi apenas o mais forte já registrado no Japão: foi também o quarto mais intenso já medido em qualquer parte do mundo”, informou Torsten Jeworrek, executivo da Munich Re, maior resseguradora do mundo, em comunicado, prestando total solidariedade ao sofrimento dos clientes e dos japoneses com o evento. Segundo estudo do Banco Mundial, as perdas econômicas no Japão deverão chegar a 4% do PIB do país, ou US% 235 bilhões, com prazo de até cinco anos para se recuperar.
A Munich Re informou nesta terça-feira suas estimativas para pagamento de indenizações aos segurados que tiveram perdas com o terremoto seguido de tsunami: 1,5 bilhão de euros (US$ 2,1 bilhões). Swiss Re havia divulgado ontem US$ 1,2 bilhão e a AIG outros US$ 700 milhões. Considerando-se as outras catástrofes naturais – enchente e ciclone Yasi na Austrália e terremoto na Nova Zelândia –, registradas no ano, as perdas da Munich Re chegam a 2,5 bilhões de euros, exatamente o lucro previsto para 2011. Com isso, obviamente a meta de lucro não será mais atingida.
A estimativa reflete apenas o uso de um sistema de quantificação de apólices e valores cobertos nas regiões afetadas. Um valor mais preciso só poderá ser apurado após algumas semanas, quando os pedidos de indenizações chegarem à companhia por parte dos segurados, bem como os serviços de limpeza e de busca possibilitarem uma avaliação mais precisa dos danos, informa a resseguradora em comunicado. Outras incertezas em relação aos valores a serem pagos estão no cálculo que ainda precisa ser feito dos prejuízos das empresas seguradas em razão da interrupção dos fluxos internacionais de bens e cadeias de abastecimento sofrido por empresas e indústrias japoneses.
As perdas de Munique Re resultam de contratos de ramos elementares e vida. Danos decorrentes dos plantas nucleares não contam com cobertura de seguros da indústria internacional, por serem subsidiados pelo governo japonês. A Munich Re está presente no Japão desde 1912. “Continuamos a ofertar a nossa capacidade para os clientes no Japão e apoiá-los no que for necessário para lidarem com as perdas”, acrescentou.
Terremoto no Japão derruba mercado acionário mundial
Por Denise Bueno em 11/03/2011
matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br
O dia começa com imagens de destruição e notícias alarmantes sobre catástrofes naturais. O Japão sofre hoje com os estragos do terremoto na escala 8,9, o pior dos últimos 140 anos, seguido de tsunami. Os Estados Unidos emitiram alertas sobre tsunami que podem atingir desde o Alasca até o fim da América do Sul. As ondas são estimadas em dois metros, que podem ultrapassar a altitude de muitas ilhas do pacífico. Uma usina atômica esta pegando fogo e a previsão é de muitos mortos.
O evento fez com que todas as bolsas mundiais abrissem em queda. As ações de resseguradoras como Swiss Re, Munich Re e Hannover Re apresentam queda superior a 4% nesta manhã. Isso porque resseguradoras e seguradoras terão, provavelmente, um grande desembolso em indenizações para ajudar seus clientes na reconstrução das cidades atingidas.
A Ásia é a terceira maior região do mundo na compra de seguros, com quase US$ 1 trilhão, superada pela Europa, com US# 1,6 trilhão, e pelos Estados Unidos, com US$ 1,3 trilhão, segundo estudo da Swiss Re sobre a indústria mundial de seguros. O Japão o maior mercado dentro da Ásia e por isso deverá gerar um grande volume de indenizações da indústria mundial de seguros.
Segundo Robert P. Hartwig, presidente do Insurance Information Institute, 2011 deverá ser recorde em pagamento de indenizações por terremoto. Além das contas que ainda serão feitas no Japão, a indústria já contabiliza algo próximo a US$ 10 bilhões com a Nova Zelândia, diz Hartwig.




