Norman Sorensen é o novo chairman da Principal
Por Denise Bueno em 02/03/2011
matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)
Norman Sorensen, um dos protagonistas da parceria entre a americana Principal Financial Group com o Banco do Brasil, sócios na Brasilprev, deixa de ser CEO para ser o novo chairman da Principal International, braço internacional de um dos mais importantes grupos financeiros dos Estados Unidos. Segundo Larry D. Zimpleman, chairman, presidente e CEO do grupo mundial, trata-se de um processo natural de sucessão desenhada pelo grupo para o braço internacional com o firme propósito de dar continuidade ao crescimento das operações em todo o mundo. “A Principal International tem oportunidades de crescimento notável na Ásia e na América Latina, onde já temos um histórico de 10 anos”, afirma o executivo.
Segundo Sorensen, Luis Valdes, atual CEO da Principal para a América Latina, será o CEO responsável pelas operações da Principal International. Roberto Walker, 45, deixa de ser o COO para assumir as operações na América Latina, sucedendo Valdes. “Luis Valdes conduzirá nossos negócios internacionais, coordenando fortes parceiros locais com forte poder de distribuição, que nos permitem crescer de forma acelerada e sustentável nos principais mercados emergentes”.
Norman é um executivo admirado por todos que o conhecem. Tem um carisma ímpar. Fala praticamente todas as importantes línguas no mundo, bem como os principais dialetos dos países emergentes. Demonstra interesse em pormenores da cultura e valoriza pequenos detalhes que dizem muito a respeito de um povo. Desde 1998, quando assumiu a divisão internacional da Principal, sua casa passou a ser o mundo. Particularmente, os países emergentes. Seu olhar é sempre curioso. Tudo isso fez com que criasse uma experiência prioritária hoje no mundo dos negócios: conhecimento das mais diversas culturas do planeta.
Para melhorar ainda mais o seu circulo de atuação, em meados do ano passado foi eleito presidente e CEO da International Insurance Society (IIS), entidade que reúne os principais executivos da industria internacional de seguros e resseguros. Ele substitui o presidente e CEO da Marsh & McLennan Companies, Brian Duperreault.
Levar a divisão internacional da Principal a uma posição de destaque dentro do grupo, até então concentrado nos Estados Unidos, foi uma consequência de tanta dedicação. Os ativos sob administração registraram expansão anual média de 35% ao ano desde 2000, para US$ 52,7 bilhões. Em 2010, a divisão internacional contribuiu com US$ 137 milhões em ganhos, representando 16% do lucro total da Principal Financial Group, que conta com ativos administrados de US$ 319 bilhões e mais de 19 milhões de clientes espalhados pela Ásia, Austrália, Europa e América Latina, além dos EUA.
No Brasil, a Principal é sócia do Banco do Brasil, na BrasilPrev. Em maio de 2010, a Principal renovou sua parceria com o maior banco do País e adquiriu 4% da participação do Sebrae na sociedade, elevando para 51% sua participação na BrasilPrev, a terceira maior empresa de previdência privada aberta do Brasil.
A estimativa do Banco do Brasil é de que o mercado brasileiro de previdência privada aberta possa atingir ativos de R$ 1 trilhão em recursos administrados no ano de 2022. Atualmente o setor acumula ativos próximos de R$ 200 bilhões. O acordo entre o BB e Principal prevê cláusula de exclusividade na comercialização dos produtos da Brasilprev nos canais de distribuição do Banco do Brasil pelo prazo de 23 anos.
Em recente entrevista para o especial Fundos de Investimentos, do Valor Econômico, Norman comentou que o Brasil precisa continuar fazendo as coisas bem como tem feito até agora, incluindo regras claras, cuidar de seu gasto público e da sua estabilidade política. Também são necessários investimentos maiores na infraestrutura do País e na educação para apoiar corretamente o caminho do crescimento.
Ele também destacou o controle da inflação como peça chave na condução da economia. “Achamos que o Banco Central tem comprometimento com isso e a manterá em níveis reduzidos. Na medida em que as companhias tenham boas perspectivas de crescimento, o Brasil poderá ser mais atrativo para os investidores do mundo e particularmente para os investidores institucionais.”
Norman acredita que a indústria de fundos no Brasil tem experimentado um desenvolvimento muito forte nos últimos anos, estando hoje entre as dez maiores do mundo em patrimônio líquido. Para ele, ainda há muito a ser feito na indústria local, mas isso depende também da conjuntura social e econômica. A participação de ações em fundos brasileiros é bastante menor no Brasil, com aproximadamente 12% do total investido em ações, diante de uma média de 40% nos países com indústrias maduras de fundos.
O investimento fora do país também está aquém do padrão internacional. No Brasil esta prática é praticamente nula, enquanto em outros países cerca de 30% a 40% do patrimônio das indústrias de fundo são aplicados no exterior. “Sem dúvida, os juros altos são parte importante da explicação”, diz.
Governo deve adiar mudanças no resseguro
Por Denise Bueno em 24/01/2011
Adoro fazer aniversário. Tantas ligações e desejos de saúde, paz, amor e sucesso. Neste ano fiquei impressionada com a rede de amigos que tenho. Ainda não tinha dado conta, mas o Facebook, que manda alerta dos aniversariantes, me fez perceber o quanto sou querida. Por outro lado, as facilidades das redes sociais deixam aquela saudade do abraço carinhoso.
Essa também é uma data em que fico prá lá de bem informada. Como as fontes também estão na rede social, acabam sabendo do aniversário. Mas optam por ligar. O que é ótimo, ainda mais numa entressafra de notícias como o período de janeiro. Conversa vai e conversa vem e acabo me atualizando das notícias com a parada do fim de ano. Que aliás não aconteceu em seguros desta vez. Todos trabalharam duro. Seja para atender as vítimas das chuvas, seja para negociar com o governo mudanças nas regras do resseguro divulgadas em dezembro.
Só nesta semana, o Brasil recebe três pesos pesados da indústria mundial de seguros. Eles se deslocaram dos EUA e da Europa até aqui para conversar com o governo brasileiro. O objetivo é mostrar que as mudanças nas regras do resseguro, previstas para entrarem vigor em fevereiro, são totalmente fora de qualquer política de boa vizinhança.
Afinal, o mercado de resseguros demorou quase uma década para derrubar o monopólio, diante de tanto estudo e regras elaboradas. Tudo dentro da lei. Pouco mais depois de dois anos, tudo muda do dia para a noite e sem qualquer consulta pública. Pior. De forma inconstitucional, alegam executivos envolvidos nas negociações com o governo, que além de receber os principais executivos do setor do Brasil e do mundo, também tem sido procurado pelos diplomatas. Os consulados estão preocupados com a relação dos países diante da falta de segurança jurídica causada por esse fato e que pode prejudicar investimentos que estavam programados em outros setores.
Diante de tantas conversas, parece que o governo vai adiar o início das novas regras para março. Até lá, a expectativa é de que haja tempo suficiente para que todos possam conversar, discutir e achar uma saída menos traumática para problemas eventuais que surgiram nesses dois anos de mercado livre de resseguro.
De um lado, o governo se defende alegando que algumas companhias burlaram as regras. A lei determina a oferta preferencial dos contratos de resseguro para as resseguradoras locais, instaladas no Brasil. Algumas companhias, interessadas em passar todo o contrato para a matriz, ofertavam um contrato com clausulas adicionais para as locais com o firme propósito delas declinarem do negócio. Com o “não aceito” em mãos, passavam todo o risco para a matriz, sem as tais cláusulas que dificultaram a negociação local.
Os resseguradores estrangeiros se defendem alegando que as mudanças no resseguro visam beneficiar o IRB Brasil Re, que deteve o monopólio por quase 70 anos. Dizem que o ressegurador que tem Bradesco e Itaú como principais acionistas privadas, além do governo que negocia a venda das suas ações para o Banco do Brasil, perdeu muito market share em seguro garantia e riscos de engenharia. Para frear a queda vertiginosa nas vendas de resseguro de infraestrutura, a saída foi mudar as regras.
A primeira mudança foi trocar a oferta antes preferencial para obrigatória. Até aqui não há tantas queixas, pois tudo pode ser contornado com acordos entre as seguradoras e resseguradoras. Nesta também o prazo já está previsto para março. O custo para o cliente vai aumentar em razão de ter mais um procedimento a ser negociado, mas os executivos até são pacientes com isso.
Mas não poder retroceder o contrato de resseguro captado no Brasil para a matriz no exterior é algo fora de qualquer entendimento. Esta resolução está prevista para entrar em vigor dia 31 de janeiro e é o foco de negociações com o governo. Mais de cem empresas vieram para o Brasil com esse objetivo. E vieram porque as regras eram claras. E depois de aqui estar mudar tudo, ninguém aceita. Bem, parece que um primeiro round já foi vencido, adiando a validade para final de março. Falta agora a articulação política das estrangeiras nesses próximos meses para realmente mostrar ao governo como funciona o resseguro em todo o mundo.
Se conseguirem, a indústria de seguros brasileira continuará no seu vertiginoso crescimento dentro de padrões mundiais. Se não, voltaremos a ter um mercado insignificante, com produtos padronizados, preço alto e comandado por poucos muito mais interessados em ter lucro do que criar produtos para dar proteção aos indivíduos, às famílias, às empresas e ao próprio governo. O que seria muito ruim, principalmente porque todos os países que se desenvolveram fortemente contam com uma indústria de seguros robusta para dar sustentabilidade ao crescimento.
Planeta requer novas atitudes para riscos globais
Por Denise Bueno em 12/01/2011
A crise financeira reduziu a capacidade do mundo de lidar com choques. A severidade e a frequência dos riscos para a estabilidade econômica global cresceram enquanto a capacidade dos sistemas de governança global de enfrentar esses riscos estagnou. Essas são as conclusões da sexta edição do relatório Riscos Globais 2011 do World Economic Forum, lançado hoje.
“Os sistemas do século 20 não conseguem administrar os riscos do século 21; precisamos de novos sistemas em rede capazes de identificar e resolver riscos globais antes que se tornem crises globais,” afirma Robert Greenhill, Managing Director e Chief Business Office do World Economic Fórum, segundo nota distribuída a imprensa.
Publicado em cooperação com a Marsh & McLennan Companies, a Swiss Reinsurance Company, Wharton Center for Risk Management e Zurich Financial Services, o relatório Riscos Globais 2011 representa a experiência de 580 profissionais de vários grupos e regiões que responderam à Pesquisa de Riscos Globais 2010 do World Economic Forum, mensurando a percepção da probabilidade de risco, seu impacto e suas interconexões em relação a 37 riscos globais em um prazo de 10 anos. Os resultados da pesquisa são incluídos no relatório. Riscos Globais 2011 também analisa uma série de riscos emergentes e resultados atípicos do cenário de risco global desse ano que podem nos surpreender no futuro.
Veja a seguir um resumo do estudo divulgado pela Swiss Re:
Aspectos específicos, como a disparidade global e as falhas da governança global estão moldando a evolução de muitos outros riscos mundiais e reduzem a nossa capacidade de enfrentá-los. A interconexão e complexidade dessas questões levam à consequências imprevistas, e, com frequência, os mecanismos tradicionais de responder a esses riscos simplesmente transferem os riscos para outras partes interessadas ou áreas da sociedade.
Combinando metodologias de pesquisa quantitativa e qualitativa, Riscos Globais 2011 revela três principais grupos de riscos que estão criando grandes problemas para a próxima década:
· Riscos Macroeconômicos: a crise financeira global nasceu de fraquezas estruturais de longo prazo da economia global. Os desequilíbrios macroeconômicos, as crises fiscais em economias desenvolvidas, imensos prejuízos sociais e mercados financeiros enfraquecidos representam um eixo complexo de riscos econômicos. O endividamento causado pela crise reduziu a capacidade de enfrentar choques futuros a níveis extremamente baixos. “Na maioria dos países industrializados as atuais políticas fiscais não são sustentáveis. Na ausência de correções estruturais mais profundas, enfrentamos um risco muito alto de calotes em dívidas soberanas”, explica Daniel M. Hofmann, Economista Chefe da Zurich Financial Services. Christian Mumenthaler, Chief Marketing Officer, Resseguro e Membro do Conselho Executivo da Swiss Re, da Suíça, comentou que: “As despesas no longo prazo que carecem de recursos, criadas pelo envelhecimento da população, sinalizam o crescimento contínuo das pressões fiscais. É somente com a adoção de parcerias público-privadas que podemos garantir uma resolução para os desafios financeiros associados a esse fenômeno e assegurar que a questão de maior longevidade continue sendo uma tendência positiva para a sociedade.”
· O mercado paralelo: um número maior de Estados frágeis e fracassados, o crescimento do mercado negro, o crime organizado e a corrupção representam um eixo de risco criminal. Um mundo em rede, falhas de governança e desequilíbrios econômicos criam oportunidades para o crescimento da ilegalidade. Em 2009, o valor do comércio ilegal no mundo foi estimado em US$ 1,3 trilhão e está crescendo. Esses riscos criam custos muito altos para atividades econômicas legítimas, enfraquecem Estados, ameaçam oportunidades de desenvolvimento, desmoralizam a lei e mantêm países em um ciclo de pobreza e instabilidade. Precisamos de cooperação internacional efetiva com urgência.
· Crescimento limitado por recursos: o mundo enfrenta limites rígidos em relação à água, alimentos e a energia. O crescimento da população e o consumo, junto com as mudanças climáticas, criam esse desafio enquanto as ligações entre essas questões dificultam uma reação. Grande parte das intervenções simplesmente criam problemas novos e piores ou transferem o risco para uma outra área. A escassez de recursos básicos deve criar mais conflito entre os grupos sociais, as nações e as indústrias que precisam deles.
“A demanda por alimentos, água e energia está crescendo em dois dígitos. Mesmo assim, déficits fiscais crônicos estão ameaçando investimentos importantes em infra-estrutura para aumentar a disponibilidade e o acesso a esses recursos. A escassez resultante é uma ameaça para a prosperidade global”, afirma John Drzik, Presidente e CEO do Oliver Wyman Group (Marsh & McLennan Companies).
Além desses três grupos, o relatório Riscos Globais 2011 identifica cinco riscos emergentes:
Segurança de redes: a nova fronteira para o controle da informação, desde hackers até falhas de serviços em grande escala e a possibilidade de ciberataques entre países.
Alto crescimento populacional: em países frágeis e com poucos recursos, o crescimento da população deve levar a “bombas populacionais”, maior violência e ao colapso de estados
Escassez de recursos: as limitações nas áreas de commodities, água e energia criam limites para o o crescimento e criam pontos de conflito.
Redução da globalização: com a crescente desigualdade econômica, uma reação populista contra a globalização pode romper a integração econômica e política
As ameaças de armas nucleares e biológicas: representam uma preocupação renovada para um mundo frágil.Nesse contexto, o World Economic Forum planeja o lançamento de uma nova Rede de Resposta ao Risco durante a reunião Anual 2011 do World Economic Forum, em Davos-Klosters, na Suíça, que será realizada entre os dias 26 e 30 de janeiro.
A nova rede deve criar uma nova abordagem para lidar com os riscos complexos enfrentados pelos líderes e permitir que capturem o lado positivo desses riscos. “Se os líderes empresariais e tomadores de decisões conseguem superar a tendência comportamental de adotar soluções imediatas e de curto prazo e começam a pensar no longo prazo, isso será um grande passo no sentido de adotar uma atitude condizente com a maior complexidade e interconexão dos riscos globais”, afirma Howard Kunreuther, Diretor Conjunto do Wharton Risk Management and Decision Processes Center.
A íntegra do relatório pode ser acessada no http://scpro.streamuk.com/uk/player/Default.aspx?g=21ddc642
Geneva Association lista prioridades de 2011
Por Denise Bueno em 12/01/2011
*matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)
Quatro assuntos preocupam os principais CEOs da indústria de seguros mundial: regulação, estabilidade dos mercados financeiros, mudanças climáticas e o desafio demográfico, informa recente boletim divulgado pela Geneva Association, entidade que reúne os principais executivos do setor no mundo, ao listar os temas da agenda das maiores seguradoras, resseguradoras e corretoras de seguros em 2011.
“O rumo da regulamentação da atividade de seguro internacional vai ser crítico para a indústria neste ano. Os grandes projetos regionais, como Solvência II, que ganharam status de referência mesmo fora da Europa, e projetos globais, tais como International Financial Reporting Standards (IFRS) e várias reformas da Associação Internacional de Supervisores de Seguros (IAIS), vão pautar as principais iniciativas das empresas de seguros em 2011”, diz Patrick Liedtke, secretário geral da Geneva Association.
Segundo o executivo, a associação tem atuado junto com reguladores internacionais e organismos de normalização, como a IAIS, o International Accounting Standards Board (IASB) e outros para ajudar a resolver questões complexas sobre como melhorar a regulamentação e a fiscalização da indústria de seguros. “Uma das formas é fornecer aos reguladores informações sobre o funcionamento do setor, de forma a deixar claro como opera e quais são os riscos sistêmicos da indústria de seguros”, explica Liedtke no comunicado.
Em relação à estabilidade financeira, a Geneva Association tem buscado esclarecer aos reguladores o quanto os riscos sistêmicos de seguradoras diferem dos riscos dos bancos.”Estamos envolvidos diretamente com os reguladores, alertando sobre os distintos papéis que as seguradoras e os bancos desempenham no sistema econômico de hoje. A chave é assegurar o bom funcionamento da indústria e preservar os interesses sociais que ela garante”.
Já o tema “mudanças climáticas” tem desafios enormes, o que significa dizer que há muitas oportunidades de trabalhos neste tema. As empresas do setor, por sua natureza de gerenciar riscos e estudar probabilidades, têm um banco de dados rico para poder ajudar o governo sobre as ações que podem ser tomadas para minimizar os impactos financeiros e sociais causados pelos efeitos climáticos nas economias dos países.
“Enquanto as negociações entre os governos dos países desenvolvidos estão praticamente paralisadas, com resultados desapontadores na reunião de Copenhagen e mais recentemente na reunião de Cancun, o desafio de buscar mecanismos para reduzir os efeitos causados continuam. O setor de seguros está disposto a desempenhar um papel mais significativo na direção de gestão de riscos e medidas de prevenção”, afirma Patrick Liedtke.
Por fim, o desafio demográfico. O aumento da longevidade e a queda da natalidade exigem não só a atenção das seguradoras, principalmente as de saúde e de previdência, como também dos governos e das empresas. Segundo a Geneva Association, a longevidade vai alterar a forma de organização da sociedade e, por isso, é preciso mensurar quais os novos riscos de ter mais idosos do que jovens no mundo, como organizar o mercado de trabalho, como estimular o acúmulo de recursos pelos jovens para que eles cheguem à velhice com recursos para viver com qualidade e até mesmo a infraestrutura do pais para atender a uma maior população de idosos.
“As soluções atuais de segurança para a velhice muitas vezes não são sustentáveis e precisam de reformas. A indústria de seguros pode trazer importantes contribuições para essas questões, que foram deixadas um pouco de lado pelos governos e empresas, em razão de outras questões mais urgentes como as já citadas. Mas este é um desafio de todos, que requer atenção desde já para não se tornar um tema ainda mais prioritário no futuro”, finaliza o diretor da Geneva Association.
Grupo Liberty amplia negócios na China
Por Denise Bueno em 27/08/2010
O Grupo Liberty Mutual continua expandindo seus negócios pelo mundo. No mês passado, por meio da sua subsidiária Liberty Insurance Company Limited (LICL), conseguiu a aprovação da Comissão Regulatória de Seguros da China (CIRC) para iniciar operação em Hangzhou, na província de Zhejiang.
O Grupo Liberty Mutual é a primeira companhia estrangeira a operar em Zhejiang, uma província de mais de 47 milhões de pessoas localizada a 1100 quilômetros de Pequim, na costa sudeste da China.
Em 1996, a seguradora americana, dentro de sua estratégia de ser global, abriu o primeiro escritório em Shanghai. Com esta nova operação, são agora três operações – Chongqing, Pequim e Zhejiang – com oferta deprodutos de personal lines e commercial lines para o país que tem a maior população do mundo e que cresce a taxas exorbitantes mesmo com a crise financeira que ainda afeta diversos países no mundo.
“A estratégia do Grupo Liberty de sair na frente de outras companhias e ser a primeira seguradora estrangeira no mercado chinês tem sido bem-sucedida” disse o presidente do Grupo Liberty Mutual, David Long “A aprovação do CIRC para a operação em Zhejiang reforça nossa reputação de uma companhia forte e comprometida em prover seguros de qualidade na China.”
Levene discursa para 170 convidados no Brasil
Por Denise Bueno em 30/07/2010

Lord Levene (foto), presidente do Lloyd’s of London, mercado que reúne 80 empresas de seguros e de resseguros, participou do coquetel de inauguração do escritório carioca do Navigators, somando agora oito sindicatos presentes no Brasil, entre eles Catlin, Liberty, ACE, entre outros. Sua visita foi discreta, tendo em vista, longe do assédio da imprensa, tendo em vista que no momento o assunto do dia é a criação de uma seguradora estatal para suprir a suposta falta de capacidade e interesse dos resseguradores estrangeiros para alguns riscos ou segurados.
Segundo dados divulgados no site do maior mercado de seguros do mundo, em seu discurso para mais de 170 convidados na semana passada, entre eles clientes de peso como Petrobras e EBX, Levene ressaltou o potencial do Brasil, bem como o governador do Rio, Sérgio Cabral. “Nossos negócios no Brasil dobraram em cinco anos. Registramos crescimento em todas as classes de negócios. Não me surpreendo de mais de dois terços dos 80 sindicatos do Lloyd’s já estão subscrevendo riscos brasileiros, tamanho é a demanda de proteções para garantir os investimentos em infraestrutura que estão sendo realizados no Brasil”, afirmou.
No ano passado, o Lloyds respondeu por 9% do mercado ressegurador nacional, com US$ 187 milhões em operações, um crescimento de 10% frente ao ano anterior. O volume coloca a empresa, que atua no país como ressegurador admitido, no segundo lugar do ranking nacional, atrás apenas do IRB-Brasil Re.
Levene mencionou que o governo brasileiro tem planos ambiciosos, com mais de US$ 360 bilhões em investimentos em infraestrutura, que inclui o trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio, a usina hidrelétrica de Belo Monte, plataformas de petróleo e embarcações, bem como estradas, aeroportos e logísticas. Além disso, o país está se preparando para sediar os dois maiores eventos esportivos. “E o Lloyd’s tem produtos inovadores para todos esses eventos, que vão desde a cobertura dos estádios contra danos ou ataque terrorista até a não realização do evento por problemas climáticos”.
Todos gostam do Brasil, diz conselheiro da Allianz
Por Denise Bueno em 30/07/2010
*entrevista publicada na Revista Apólice
Max Thiermann, presidente da Allianz Brasil, está com tudo. A alta cúpula da maior seguradora do mundo demonstrou completa satisfação com o desempenho da subsidiária brasileira. Para começar, Michael Diekmann, presidente mundial do Grupo Allianz, autorizou que o segundo dia do Encontro Brasil Alemanha, realizado dias 31 de maio e 1º de junho e patrocinado pela Allianz e pela BMW, acontecesse dentro do Allianz Arena, em Munique, considerado um dos mais modernos estádios do mundo.
“Concordei por três razões: a primeira delas para retribuir os bons resultados que o Brasil vem dando ao grupo, com crescimento médio de cerca de 20% nos últimos cinco anos. A segunda razão é pessoal. Fui responsável pela região por vários anos e sei do potencial do país. E a última é porque o Allianz Arena é um ambiente fantástico para o Encontro, por ser símbolo da cooperação entre esporte, política e economia”, disse Diekmann na abertura do segundo dia do evento.
Se não bastassem as honrarias do presidente mundial ao Brasil, Enrico Cucchiani, membro do conselho de Administração da Allianz SE e responsável também pelo Brasil, fez questão de abrir um horário em sua atribulada agenda para atender jornalistas e corretores de seguros brasileiros.
Acostumado a grandes números, Cucchiani vê grande potencial na jovem indústria de seguros do Brasil. “Alocaremos os recursos necessários para o desenvolvimento dos nossos negócios na região”, disse ele, com tranqüilidade e sem tirar um simpático sorriso do rosto durante quase duas horas de perguntas.
Dinheiro parece não ser um problema para o grupo. Em 2009, a Allianz faturou quase € 100 bilhões, mais do que o dobro da indústria de seguros brasileira inteira, com prêmios de R$ 111 bilhões, que convertidos para a cotação de R$ 2,4 do último dia de 2009, significa € 44,4 bilhões. Pagou € 1,9 bilhão em dividendos para os acionistas, € 9,9 bilhões aos funcionários que fazem este enorme conglomerado funcionar, € 16 bilhões em comissões aos corretores, € 8,2 bilhões em indenizações aos clientes. Tem ainda € 1,3 trilhão em recursos administrados em 70 países pela Allianz Global Asset, a segunda maior do mundo, considerando-se também a Pacific Investment Management (Pimco). Ativos de 75 milhões de clientes e que representam pouco mais do que o PIB do Brasil de 2009, R$ 3,1 trilhões (ou € 1,24 trilhão). “Ou 40 vezes o PIB da Colômbia”.
Veja a seguir os principais trechos da entrevista:
São números expressivos. Parte destes recursos administrados pode ser direcionada para investimentos no Brasil, como na construção de estádios ou projetos de infraestrutura, por exemplo?
Estamos preocupados em atender as demandas brasileiras. A alocação de capital para os países depende das oportunidades que são apresentadas. Temos de justificar aos acionistas os aportes de capital que fazemos. Estamos em um mundo capitalista, movido a lucro. Não podemos perder dinheiro. Temos hoje mercados com fortes perdas, como a Espanha. O Brasil está crescendo e vamos suportar o crescimento do país a medida que as oportunidades forem sendo apresentadas.
Há muitas oportunidades no Brasil hoje…
O Brasil tem grande potencial. E nos temos pessoas capacitadas para detectar os movimentos mundiais. Entre nossos executivos temos Mohamed El-Erian, CEO da Pimco e CEO e autor do bestseller “When Markets Collide”. Ele nasceu no Egito, cresceu nos Estados Unidos, trabalhou na França, no FMI. Temos também Bill Gross, que previu a crise da Argentina mesmo antes dela acontecer. Veja como estamos preocupados em contratar os melhores colaboradores para detectar as boas oportunidades de negócios.
Construir um estádio, como fez aqui em Munique, em parceria com os clubes de futebol, ajudaria a tornar a Allianz muito conhecida no Brasil com a Copa de 2014. Afinal, o nome Allianz é novo por lá. Até 2008, os brasileiros conheciam mesmo era a marca AGF.
Esta é uma idéia única realizada aqui em Munique onde está a sede do grupo. Este é de longe o melhor estádio da Europa, mas acredite, custa muito dinheiro mantê-lo. Mas o fato de ser caro, não significa dizer que não vale a pena. Temos um grande retorno de imagem, que chega a € 3,5 milhões a € 4 milhões por ano. Sabemos que é o estádio mais fotografado do mundo e recebemos cerca de 4 milhões de visitantes por ano.
Como o Brasil pode atrair mais investimentos?
Atualmente, quando o assunto é crescimento, logo os investidores pensam em China, o motor do mundo hoje. Todo mundo gosta do Brasil, principalmente os europeus. Futebol, mulheres bonitas. Por muito tempo o Brasil ameaçou avançar, mas as frustradas tentativas não se traduziram em oportunidades de negócios. Agora mudou.Temos uma boa plataforma no país, que está crescendo a taxas anuais de 20%. Isso é impressionante. Além desta taxa, no Brasil o europeu se sente em casa, ao contrário da China, que tem vários dialetos, o que dificulta os negócios. Já na Índia, colonizada por ingleses, temos mais semelhanças no arcabouço jurídico, por exemplo. O Brasil tem recursos naturais, de pessoas. É um grande exemplo para outros países e por isso temos dado oportunidade para a companhia local se desenvolver.
A Allianz está fora de previdência, um dos segmentos que mais cresce no Brasil. Há planos de voltar a atuar neste mercado?
Saímos de previdência no passado, mas vamos voltar no momento oportuno. Já retomamos vida e compramos no início do ano a participação de 14% do capital acionário que o Itaú detinha da subsidiária brasileira. Isso demonstra a relevância do Brasil para o grupo Allianz e sinaliza o compromisso com um mercado que apresenta excelentes oportunidades de crescimento.
A estratégia do grupo também foi ser uma resseguradora admitida e não local, como optaram algumas concorrentes de peso como Munich Re, ACE, Chartis ou XL.
Sim. A Allianz não tem planos no momento de mudar esta estratégia.
A grande preocupação dos clientes brasileiros, que enfrentam um mercado recém aberto de resseguro e que estavam acostumadas com o ressegurador local com o qual tinham relacionamento até mesmo pessoal, é negociar com empresas que realmente sejam comprometidas a pagar as indenizações.
O nosso negócio é pagar indenização. Se não fosse isso, não existiríamos, pois ninguém contrataria seguro. Com a crise, todos estão mais cautelosos, pois o índice de fraude costuma crescer muito. Se pagássemos as fraudes, o preço do seguro ficaria inviável para todos. Temos grande apetite por riscos, mas também temos cautela, principalmente porque a crise trouxe riscos novos, que não estavam computados nos balanços das empresas.
Há planos de investir numa parceria com grandes canais de distribuição, como bancos?
Trabalhamos com diversos canais de distribuição, sendo os corretores os principais.
Nosso objetivo, como disse, é crescer com as parcerias e isso significa dizer que somos leais com quem nos ajudou a chegarmos no estágio que estamos hoje.
Acredita que os corretores podem perder mercado para as novas tecnologias, como a venda por celular, por exemplo?
A venda de seguros é uma negociação complexa. Muitos têm celulares, mas os smartphones, que ainda tem baixa penetração, serão cada dia mais usados como uma ferramenta para divulgar o produto seguro. Como o aumento de ofertas, o corretor se torna ainda mais prioritário para ajudar o cliente a decidir pelo produto que mais se encaixa no seu perfil.
Qual a prioridade do grupo Allianz?
Atender bem os nossos parceiros e clientes. Ontem (dia 1º de junho), recebemos uma carta da United Airlines, que começamos a atender após o fatídico 11 de setembro, de que passamos a ser o principal parceiro da empresa aérea. A escolha de deu, diz a carta, pela forma como a seguradora atende e negocia. Isso é um prioritário para nós. O nosso negócio não é emitir uma apólice. É fazer parcerias.
Perdas no México endurecem negociações
Por Denise Bueno em 22/07/2010
*matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)
A explosão da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México e conseqüente vazamento de óleo que já é considerado o maior e mais devastador já visto desestabilizou o mercado de seguros conhecido como “energy”, que envolve plataformas de petróleo. Segundo recente estudo da corretora Willis, as taxas de seguros aumentaram, alguns players estão deixando o mercado e a oferta de capacidade começa a ficar restrita principalmente para perfuração.
Este cenário já dificulta a rotina de seguros da Petrobras, que vinha obtendo com certa facilidade um sem números de contratos para garantir o volumoso plano de investimentos, incluindo a exploração do pré-sal, comentam executivos do setor no Brasil, Alemanha e Suíça.
Segundo o último Willis Energy Market Review Newsletter, divulgado na semana passada, a desestabilização ocorreu com a perda de US$ 785 milhões, sendo US$ 560 milhões da plataforma da BP no Golfo e também porque outros prejuízos, como US$ 235 milhões da Perarl Aban, plataforma na costa da Venezuela e o recente anúncio da Apache Corp, com sede em Houston, de uma perda inexperada de US$ 150 milhões ainda com o furacão Ike, que devastou o Golfo em 2008. Ainda é preciso contabilizar outros milhões de dólares para remover os destroços da Deepwater Horizon do fundo do mar.
A estimativa de perdas com a Deepwater Horizon fica entre US$ 20 bilhões a US $ 30 bilhões, mas a indústria de seguros estima perdas de US$ 1,2 bilhão, sendo o restante considerado um auto seguro da operadora da plataforma. “A tragédia da perda Horizon Deepwater, potencialmente o maior da história do mercado de plataformas, trouxe sério choque para o mercado, alterando substancialmente o ambiente de negócios”, comentou Alistair Rivers, CEO da Willis Energia em comunicado.
Obviamente o acidente trouxe mais consciência aos gestores de riscos dos operadores dos riscos a que estão expostos, o que acabou por lotar a caixa posta de emails dos corretores que operam neste nicho de negócios. Rivers acha ser esta uma reação exagerada, já que a perda da Horizon Deepwater é bastante singular e a probabilidade de um evento similar é “remota para a maioria dos operadores”. A recomendação da Willis é fazer uma análise detalhada do risco antes de optar pela mudança no pacote atual de seguros.
O estudo também comenta que as grandes perdas deste ano, se agravadas com uma forte temporada de furacões no Golfo do México 2010, que acontece entre junho e setembro, pode levar a uma retirada significativa das seguradoras do mercado. E as que continuarem, deverão adotar posturas mais duras de subscrição e aumento dos custos de resseguro, que também sofrem um agravamento por conta da necessid ade de capital que será exigido nas normas de Solvência II.
Seguradoras da Europa perdem receita com a crise
Por Denise Bueno em 06/07/2010
As seguradoras europeias de ramos patrimoniais encerraram 2009 com receita de prêmios 188,5 bilhões de euros, 1,8% inferior ao ano anterior, segundo divulgou o informe mensal da Fides divulgado nesta semana. Allianz lidera o mercado, seguida por Zurich, Generali e Eureko. Mapfre e Talanx, controladora do grupo HDI, avancaram para sexto e sétimo lugares no ranking europeu. A Mapfre registrou o maior índice percentual de crescimento, com 9,3%. O pior desempenho se deu na carteira de automóvel, que, segundo o informe se explica pela acirrada concorrência entre as seguradoras, na tentativa de manter os clientes diante da forte crise no continente europeu.
Solvência II é o melhor caminho*
Por Denise Bueno em 01/07/2010
*artigo produzido com exclusividade para a Revista Apólice. A jornalista viajou para Alemanha a convite da Allianz e para Suíça por indicação da SulAmérica.
As seguradoras não podem ser penalizadas com uma regulamentação mais rígida porque as perdas financeiras geradas pelas crises nos mercados mundiais foram e estão concentradas nos bancos. Este tema, juntamente com os indicadores macroeconômicos, efetivamente a inflação em países com crescimento e a deflação em regiões em recessão, são as duas grandes preocupações dos líderes mundiais de seguros, segundo pesquisa divulgada pela Geneva Association, entidade fundada em 1973 e que reúne 80 CEOs da indústria de seguros global.
A regulamentação poderá gerar um engessamento do setor e aumento dos custos para os segurados. Já os indicadores macroeconômicos voláteis inibem os investimentos e retardam o crescimento do setor, afirmam os executivos que participaram da pesquisa que balizará os estudos da associação para os próximos anos. Os órgãos reguladores mundiais têm sinalizado uma forte tendência de criar normas únicas para o sistema financeiro, englobando todas as operações do conglomerado internacional.
O objetivo dos governos é evitar que um dos nichos de atuação de determinada instituição não cause estrago em diversas empresas e mercados como aconteceu, por exemplo, com a AIG. A maior seguradora do mundo até setembro de 2008 só não foi à falência porque o governo americano disponibilizou uma linha de crédito de US$ 180 bilhões para evitar um efeito cascata. O estrago foi causado principalmente por uma pequena linha de negócios financeiros, responsável por prêmios de US$ 2 bilhões por ano. Nada, considerando-se o faturamento global superior a US$ 100 bilhões.
As perdas atreladas ao mercado de seguros foram pontuais em algumas companhias que atuavam com seguros financeiros ligados às garantias de hipotecas de alto risco, conhecido como subprime. De acordo com o estudo, o socorro dos governos aos bancos entre setembro de 2008 e fevereiro de 2010 totalizou US$ 1,5 trilhão. Já para as seguradoras, o volume chegou a US$ 170 bilhões, sendo praticamente quase a totalidade para apenas uma seguradora, a AIG.
“A crise mostrou que as seguradoras e resseguradoras não representam um risco sistêmico. Foram afetadas, as não foram a causa do problema. Por isso não podem ser penalizadas pela má gestão de riscos dos bancos”, afirma Nikolaus von Bomhard, presidente do Conselho da Geneva Association e da Munich Re, maior resseguradora do mundo, a um grupo de jornalistas, durante almoço promovido pela entidade no dia 3 de junho em um dos prédios da Swiss Re, localizado nas montanhas suíças.
Michael Diekmann, também membro do conselho e presidente mundial da Allianz, que se tornou a maior seguradora do mundo com a derrocada da AIG, diz que a regulamentação do mercado financeiro deve realmente ser rígida e global, mas não se pode colocar tudo debaixo do mesmo “guarda chuva”. “A indústria de seguros tem regras rígidas, que serão ainda mais severas com a implementação das normas de Solvência II previstas para o final de 2012”, garante.
Nos EUA, por exemplo, recentemente o Governo divulgou as novas regras para instituições financeiras. Em seguros, a novidade ficou por conta da criação de um regulador nacional, como vinham solicitando há tempos as seguradoras nacionais e globais. Até então, as regulamentações variavam de estado para estado, o que dificultava e onerava, inclusive, o sistema de gestão de riscos e de contabilidade dos grupos.
Patrick Larragoiti (foto), da SulAmérica e único brasileiro a fazer parte do conselho da Geneva Association, explica que uma das lutas da associação é mostrar aos orgãos reguladores que manter a atividade de seguro regulada por uma entidade especializada traz mais segurança ao sistema do que ter a indústria controlada por uma autoridade monetária preocupada com bancos, fundos e mercado acionário.
“No Brasil temos a Superintendência de Seguros Privados (Susep) com a elevada influência do Banco Central. Há grande conexão, inclusive de profissionais entre os dois órgãos”, diz, enfatizando que o setor não sofreu qualquer perda com a crise. “Pelo contrário. Continuamos nosso ritmo de crescimento”. Ninguém discorda de que novas regras de solvência são necessárias. E as normas podem ser rígidas. “Desde que sejam corretas, levando-se em conta as peculiaridades do setor de seguro”, enfatiza Bomhard. Os executivos querem evitar a inclusão do setor no pagamento de taxas as quais o setor bancário deverá ser tributado.
Stefan Lippe, presidente da Swiss Re e membro do conselho, reforça a opinião de seus colegas. “A indústria de seguros funciona como um amortecedor para crises ao gerenciar riscos e pagar indenizações”, diz. A segunda maior resseguradora do mundo precisou de um reforço de caixa para fazer frente às suas obrigações contratuais e nível de solvência exigido pela regulamentação. Isto se traduziu em um empréstimo ponte de US$ 2,6 bilhões fornecido pela Berkshire Hathway, controlada pelo megainvestidor Warren Buffett, já totalmente quitado.
As novas regras do mercado de seguros na Europa, conhecidas como Solvência II, deverão ser definidas até 2012 para começarem a valer em 2013. São essas regras que definirão quanto de capital as companhias terão de ter para garantir os contratos assumidos. Estudos já divulgados afirmam que as grandes companhias praticamente não serão afetadas. Já as médias e pequenas terão de reformular suas estratégias. Há quatro caminhos básicos para ajustar-se aos novos padrões de solvência: alocar capital, reduzir as vendas, comprar resseguro ou iniciar um processo de fusão e aquisição.
“Dependemos da definição das regras para podermos ter uma noção mais clara de como investir nossos recursos”, comenta o presidente da Allianz, grupo mundial formado pela aquisição de mais de uma centena de companhias. Entre as grandes aquisições podemos citar a AGF.
É tido como certo de que os principais países do mundo, inclusive o Brasil, adotarão este normativo como um padrão internacional. “Vivemos um momento totalmente diferente. Estamos em pleno crescimento e com padrões contábeis internacionais sendo regulamentados”, avalia Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência, que participa do grupo de CEOs da Geneva Association e acompanhou a reunião anual da entidade realizada entre os dias 2 e 5 de junho, no Centro de Estudos da Swiss Re.
Para os membros do conselho da Geneva Association, que representam praticamente 80% do PIB mundial de seguros, a melhor solução para garantir o direito dos consumidores e manter a indústria saudável em termos de preços, coberturas e serviços, é a adoção da Solvência II e órgãos reguladores independentes. “Nós temos confiança absoluta de que Solvência II é o caminho certo a ser seguido pelos órgãos reguladores de todo o mundo, criando assim uma competição saudável em uma indústria globalizada”, afirmam Bomhard e Diekmann, ambos CEOs de grupos presentes em mais de 100 países.







