Setor mantém crescimento na AL, revela estudo

Por Denise Bueno em 08/03/2010

mercedesA indústria de seguros da América Latina figura como uma das mais potenciais do mundo dentro do contexto internacional dos grandes grupos seguradores, que buscam expandir suas operações em mercados que apresentam boas condições macroeconômicas. “E este com certeza é o caso do Brasil, que tem o maior mercado de seguros da região”, diz Mercedes Sanz, uma das responsáveis pela elaboração da oitava edição do estudo “El mercado asegurador latinoamericano”, produzido pela Fundación Mapfre e lançado hoje no Brasil.

O crescimento sólido do Brasil tem ajudado a aumentar a participação da indústria de seguros da região em relação as vendas mundiais. “Graças aos indicadores sólidos, os países da América Latina enfrentaram a crise financeira mundial sem tantos percalços”, comenta a executiva da Fundación Mapfre, que esteve em São Paulo ontem e segue para divulgar o estudo no Rio de Janeiro nesta semana.

Segundo o estudo, a América Latina registrou crescimento nominal das vendas de seguros de 11% em 2008, para € 69 bilhões. “Apesar do índice ter ficado abaixo dos 11,6% registrado no ano anterior, é um resultado bastante positivo diante da crise financeira que iniciou em setembro de 2008 e que abalou a economia mundial”, diz.

Em 2009, a tendência de alta nas vendas se mantém. No primeiro semestre de 2009, os mercados de seguros da América Latina registraram crescimento médio nominal de 7,3%, para € 35,7 bilhões. Apenas Chile e El Salvador reportaram vendas menores, aponta o estudo. O maior incremento foi na área de Seguros Gerais (No Life), com evolução de 13%, com o segmento Vida (Life) recuando 2,5% na região, como conseqüência do menor ingresso de recursos em seguros de vida e planos de previdência na Argentina, Chile, México e Puerto Rico.

“Também é preciso citar dois acordos importantes fechados em 2009 e que terão efeito na nova configuração da indústria de seguros local a partir de 2010”, diz Mercedes. O Itaú Unibanco comunicou associação com a Porto Seguro para a venda de seguro de carro e de casa e o Banco do Brasil e a Mapfre anunciaram uma aliança estratégica para desenvolver as operações de seguros gerais.

As perspectivas para 2010 são ainda melhores, principalmente pelo Brasil ter sido escolhido como anfitrião de dois importantes eventos esportivos mundiais: a Copa Mundial em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. “Estes dois eventos vão atrair muitos investimentos, potencializando ainda mais o crescimento da indústria de seguros na região”, comentou Bento Zanzini, vice-presidente da Mapfre. Segundo ele, os resultados do primeiro bimestre deste ano já mostram uma forte tendência de crescimento da indústria para 2010.

Dados de 2008 - O segmento de Seguros Gerais apresentou comportamento estável, com índice de crescimento de 11,6%, pouco abaixo dos 12% de 2007, o que se explica pela menor expansão da atividade econômica e da forte competição entre as seguradoras. Em Vida, o faturamento chegou a € 25 bilhões, com incremento de 10% em relação ao ano anterior.

Os países que apresentaram maior crescimento em volume de prêmios foram Venezuela (36,3%), Paraguai (33,4%) e Uruguai (26,9%). Como nas edições anteriores, a valorização do euro frente a diversas moedas não favoreceu o crescimento de prêmios na região com a conversão.

A concentração do mercado diminuiu, com as sete maiores indústrias de seguros da região detendo 93,6% das vendas totais. Brasil e México permanecem como os principais mercados da região, seguidos pela Venezuela, Porto Rico, Argentina, Chile e Colômbia.

O segmento de Seguros Gerais responde por 63,9% das vendas totais de seguros na América Latina e Caribe, ficando Vida com 36,1%. O principal seguro vendido na região é o seguro de vida individual e coletivo, com 31,2% dos prêmios totais. Seguro de automóvel é o segundo maior, com 24,8%, seguido por saúde, com 14,5%.

Em relação ao PIB, a indústria de seguros dos países da região apresentou crescimento para 2,6%, tendo Porto Rico na dianteira, com participação de 15,5%, seguido por Chile (3,9%). Panamá, Brasil e Venezuela empatam na terceira colocação, com 3,3%. O Brasil, apesar de ser o maior mercado de seguros da região, ainda tem uma participação no PIB ínfima.

“O lado positivo disso é que este indicador revela o grande potencial brasileiro”, diz Mercedes. Enquanto em nações maduras a penetração de seguros equivale ao tamanho da economia, no Brasil há um descompasso. O país está entre as maiores economias do mundo e entre os vinte maiores mercados de seguros.

Porto Rico registrou o maior prêmio per capita da região, com € 1.625 por habitante em 2008, seguido pelo Chile (€ 270), Venezuela (€ 254), Brasil (€ 186), Panamá (€ 156), Argentina (€130) e México (€ 117). Bolívia e Nicarágua, com €13, são os países com a menor penetração de seguros por habitante na região.

 

 

Indústria de seguros no Brasil desenha novo perfil

Por Denise Bueno em 07/03/2010

reuniaoO novo perfil da indústria de seguros brasileira começa a ficar mais claro, após dois anos de intensas mudanças realizadas para preparar o setor para este ciclo virtuoso de evolução da economia no qual o Brasil está engrenado. “O crescimento do país não é mais uma expectativa e sim uma realidade. As seguradoras têm um papel importante na manutenção deste circulo virtuoso que se criou“, disse Joaquim Levy, secretario de Finanças do Rio de Janeiro, em sua palestra de abertura do II Brazilian Reinsurance Conference, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.

O evento, promovido pela revista britânica Reactions e que teve como principais patrocinadores o grupo francês Scor e o IRB Brasil Re, debateu os desafios e oportunidades da indústria de seguros no Brasil. Tanto um quanto outro são enormes. De um lado, um setor que vem crescendo a taxas de dois dígitos desde 1994, com a estabilização da moeda brasileira. Em 2009, as seguradoras faturaram quase R$ 100 bilhões.

O Brasil é um forte candidato a galgar cinco posições no ranking mundial das maiores economias do mundo. Isto quer dizer que haverá negócios para todos os segmentos da indústria de seguros, desde seguros de R$ 2 para ofertar a uma nova classe de consumidores que se consolida com o crescimento da economia brasileira até garantias para assegurar que os milionários contratos que serão assinados para viabilizar a realização dos dois jogos esportivos mundiais, a Copa Mundial em 2014 e as Olimpíadas em 2016.

Jacques Bergmann, ex-executivo do Itaú na área de grandes riscos e que há quase um ano aguarda a autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para oficializar a atuação da seguradora canadense FairFax no Brasil, prevê que entre 2010 e 2014 os prêmios dos seguros de garantia de contratos e de riscos de engenharia deverão somar R$ 9 bilhões. Hoje as duas carteiras somam menos de R$ 500 milhões.

Prêmios de R$ 9 bi em garantia e riscos de engenharia

“Se levarmos em conta os mais de 200 programas de investimentos estimados com investimentos acima de US$ 200 bilhões já em andamento no Brasil, os prêmios deste dois seguros, presentes em praticamente todos as obras de infraestrutura, representam R$ 3 bilhões. Além dos investimentos já anunciados, muitos outros virão para sustentar o crescimento do Brasil e preparar todos os setores para a demanda da Copa e Olimpíadas”, argumenta o executivo.
Além dos jogos esportivos, Pierre Ozendo, presidente e CEO da Swiss Re América, cita a importância da agricultura brasileira, um mercado ainda incipiente para seguro e resseguro e com grande demanda, os investimentos necessários em energia para suportar o crescimento.

Segundo previsões da segunda maior resseguradora do mundo, os preços das commodities e de alimentos ficarão elevados nos próximos anos, favorecendo o Brasil, tido como a quinta maior economia do mundo em 2050 e o terceiro maior em vendas de automóveis em 2025, atrás da China e Estados Unidos. “Este cenário traz um panorama muito positivo para o crescimento da indústria de seguros e resseguros brasileira”, disse em sua palestra.

Com tais números, o otimismo é uma realidade. Mas os desafios também são, principalmente se considerarmos que este mercado sofre hoje da asfixia que monopólios criam a uma economia. Durante 69 anos as seguradoras conviveram com apenas um ressegurador, o IRB Brasil Re, único autorizado a fazer resseguro, popularmente conhecido como o seguro das seguradoras.

Todos estão animados com a abertura, até mesmo o IRB Brasil Re. Nos dois primeiros anos de mercado, que se completam em abril, o IRB ainda detém quase 80% dos negócios. “É notável que o Brasil já tem quase 70 empresas de resseguros atuando em dois anos de abertura”, diz Joaquim Levy. Cingapura, por exemplo, demorou quase seis anos para ter o número de sindicatos do Lloyd’s of London que o Brasil atraiu em dois anos.

“Estas empresas já movimentam prêmios de R$ 500 milhões e o IRB Brasil Re tem se adaptado ao mercado aberto”, acrescenta Levy. Tanto se adaptada que se prepara para expandir suas operações para a América Latina e também operar com mais força no seguro garantia, ramo que tinha pouco apetite na época do mercado fechado.

Mas se depender dos concorrentes, o market share do IRB vai se reduzido. “Só estamos aqui porque acreditássemos na queda da participação do IRB”, disse Mark Byrne, presidente e fundador da Flagstone Re. Benjamin Gentsch, CEO da Scor Global Property & Casualty, reconhece que a participação do IRB é elevada após dois anos de abertura. “Mas é preciso ressaltar que o mercado não é totalmente aberto e isso justifica a eleva participação”.

Durante os dois primeiros anos de abertura, os resseguradores locais, onde se encaixa o IRB, tiveram o direito da oferta preferencial de 60%. A partir de janeiro, o percentual foi reduzido para 40%. “Isso vai mudar e vamos desenvolver um mercado aberto. A Scor quer otimizar os ramos que são atraentes. Há carteiras muito expostas e que necessariamente não se encaixam no nosso foco de negócios”, acrescenta o executivo da Scor.

IRB mantém a preferência mesmo com abertura

O IRB, que há anos vem se preparando para o mercado aberto, reage a críticas com um tom de parceria. “Estamos motivados e com grande expectativa no curto e médio prazo. Há muitos investimentos programados para acontecer e eles vão precisar de todo o mercado. Há negócios para todos no Brasil”, diz Rogério Acquarone, diretor do IRB.

As seguradoras, por sua vez, correm contra o tempo. João Carlos Botelho, responsável por resseguro no Itaú Unibanco, afirma que as seguradoras demoraram a se preparar para um mercado aberto de resseguro porque não acreditavam que a abertura realmente aconteceria. “Foram tantos anos de discussão, que era difícil acreditar que ela fosse concretizada”.

“Como seguradora esperamos uma contribuição mais profunda e intensa dos resseguradores, que hoje oferecem capacidade. Precisamos, no entanto, de novos produtos e que eles tragam experiência para as seguradoras”, afirmou Akira Harashima, presidente da Tokio Marine.

A vingança do underwriter

A quebra de paradigmas e das mudanças internas dentro das seguradoras é uma realidade no dia-a-dia. Elas investem em tecnologia para ter um banco de dados capaz de ajudar na precificação do contrato de seguro. “Eu diria que é a vingança dos underwriters”, brincou o presidente da Generali, Frederico Baroglio. Ele se refere a mudança de padrão de prioridades no fechamento de contratos, sendo hoje o cálculo técnico mais importante do que o aspecto comercial. Este profissional é importante, pois assim como há grandes contratos para serem segurados, há grandes sinistros para serem pagos caso as contas não sejam bem feitas.

Em razão dos atuários terem sido ignorados durante os anos de monopólio, uma vez que o preço do resseguro era determinado pelo IRB, há uma grande carência de profissionais que façam subscrição de riscos, executivos conhecidos como underwriting. “Nem mais roubar funcionários da concorrência atende a necessidade que temos no mercado. Precisamos preparar nossas equipes para estarem aptas a encarar os desafios do setor nos próximos anos”, afirma Antonio Trindade, executivo do Itaú Unibanco responsável por grandes riscos.

Além dos profissionais, o monopólio podou a criativadade das seguradoras em relação a produtos, uma vez que as apólices eram desenhadas pelo IRB para todo o mercado. Agora é preciso oferecer ao cliente contratos e serviços diferenciados. “Criamos mais de 20 novos produtos neste último”, disse Luis Maurette, presidente da Liberty Seguros, em sua fala no painel onde CEOs de seguradoras analisaram os dois anos de abertura do resseguro. Além dos produtos, a Liberty diversificou a operação, trazendo para o Brasil a subsidiária de gestão de grandes riscos do grupo Liberty Mutual, a Liberty Internacional Underwrinting (LIU).

Marcos Couto, presidente da ACE, aproveitou o momento para ressaltar a importância do cliente. “Neste evento estamos falando nós para nós mesmos. Precisamos envolver o cliente na discussão. Fazer mais evento com o segurado”, reforçou.

Cliente quer ser ouvido pelo setor

A única empresa compradora de seguro com direito a proferir palestra no evento foi Marcos Mendonça de Mello, coordenador de seguros da AES Brasil Company. E ele fez questão de dizer que a parceria entre cliente, seguradora, ressegurador e corretor é prioritária. “Quem conhece o risco é o segurado. Com certeza nós podemos desenvolver juntos soluções para o mercado”, afirmou.

Muitos clientes queixam-se dos preços elevados e da falta de apetite das seguradoras pelo risco. No próximo dia 15, a Petrobrás vai receber as propostas das seguradoras para três apólices de seguros, com riscos avaliados em mais de US$ 50 bilhões e prêmios acima de US$ 25 milhões. “Espero uma boa redução de preço e ampla cobertura, afinal o mercado internacional de seguros está num momento muito favorável”, comentou Luiz Octavio, gerente de risco da Petrobras.

Algumas seguradoras deixaram de operar com grandes riscos. De um lado este fato reduziu a oferta. Umas ficaram temerosas do risco de crédito de resseguradores com a crise financeira, uma vez que na ocorrência de um acidente a seguradora é responsável por pagar a indenização, mesmo se o ressegurador não honrar o contrato. Outras em razão de uma nova estratégia de atuação que privilegia mais os seguros massificados do que grandes riscos.

“Por outro lado, esta realidade acirrou a competição entre as seguradoras especializadas internacionais, como Liberty, ACE, Allianz, Mapfre entre outras”, afirma Paulo Pereira, presidente da Associação dos Resseguradores (Aber) e da Transatlantic Re. Para ele, o que há na verdade é risco mal taxado.

Ou seja, alguns clientes não apresentam informações suficientes para o calculo do risco ou tem um histórico ruim. Como conseqüência, o preço do seguro sobe e as coberturas ficam reduzidas. Alguns sequer encontram ofertas no mercado, como é o caso da CSN, que há mais de dois anos está sem seguro e conta com um reserva para fazer frente a perdas inesperadas. A Celesc também enfrenta dificuldades, com várias licitações já realizadas sem o comparecimento de seguradoras com ofertas.

“Dos dez maiores resseguradores do mundo, nove estão no Brasil, que representa apenas 1% do mercado mundial de resseguros”, informa Pereira. E vai além: “Estes números mostram que quem está encontrando dificuldade de comprar resseguro é quem tem um risco ruim, inadequado ou quer um preço que não condiz com a análise de risco exigida pelo mercado internacional”.

Resseguro da Transnordestina fechado em uma semana

Outros riscos, no entanto, são disputados a tapa e com isso o preço fica competitivo. Rodrigo Protássio, da corretora de resseguros JLT, disse que em uma semana conseguiu fechar o resseguro de riscos de engenharia da rodovia Transnordestina, com mais de R$ 5 bilhões em investimentos. “Fizemos uma análise de risco tão detalhada que o primeiro ressegurador que ofertamos ficou com toda a cobertura”, disse. O contrato foi fechado com a seguradora Mafpre e com a resseguradora alemã Munich Re.

Como bem definiu o secretário de finanças do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, a recente catástrofe que aconteceu no Chile mostra a importância do seguro na reconstrução do país. As indenizações, estimadas em US$ 8 bilhões, serão pagas pelas seguradoras aos clientes que tiveram perdas com terremoto e tsunamis que devastaram o país no início de março, causando mais de 800 mortes.

Apesar de o Brasil contabilizar um pequeno número de catástrofes, elas não são mais um item ignorado dos clientes, investidores e governo. “A crise financeira mostrou que ninguém está inume de riscos, sejam eles criados pelo homem ou pela natureza”, comentou Levy. Diante de um cenário de incertezas, a demanda pelo seguro cresce e isto faz com que as apostas neste mercado sejam animadoras.

 

 

Geneva Association divulga estudo inédito ao G-20

Por Denise Bueno em 26/02/2010

patrick2A Geneva Association divulgou um interessante estudo, com quase 130 páginas, aos ministros das finanças e presidentes de órgãos reguladores das maiores economias do mundo, grupo conhecido como G-20. Quem assina a carta é Nikolaus von Bomhard, presidente da Munich Re, e Patrick Liedtke, presidente da associação que reúne os principais CEOs da indústria de seguros mundial.

Eles explicam que os representantes da indústria de seguros reunidos na associação entendem a necessidade de uma maior regulação nos mercados financeiros para evitar novas crises. Reforçam, no entanto, que a atividade de seguros é diferente da bancária, necessitando de regras diferenciadas. Não menos rígidas, porém os mecanismos de controle de risco devem levar em conta as diferenças entre as instituições bancárias e de seguros para que não crie problemas ainda maiores ou que tire do setor segurador a capacidade nata de assumir riscos.

Uma das diferenças destacadas é gritante. Enquanto os bancos registraram perdas com crédito de US$ 1,7 trilhão, as seguradoras acumularam US$ 271 bilhões, concentradas em companhias europeias, AIG e ING, entre as principais. O baixo volume de perdas com crédito nas seguradoras se refletiu na manutenção de preço do produto para os consumidores em 2008 e 2009. Outra difença ressaltada é no volume do socorro que as instituições buscaram nas linhas que governos disponibilizaram. As seguradoras tomaram empréstimos de US$ 44 bilhões na linha oferecida pelos EUA, conhecida como TARP, enquanto os bancos precisaram de US$ 245 bilhões.

No amplo estudo realizado por um grupo de especialistas anexado a carta o setor de seguros e resseguros não representa um risco para a estabilidade financeira global. Algumas atividades de risco, realizadas em grande escala, sem supervisão adequada, representam risco. Não a indústria como um todo, ressalta a carta. Segundo o estudo, as garantias financeiras, principais responsáveis pelas perdas das seguradoras, representam apenas 0,4% do volume de prêmio de seguro mundial, evidenciando que é preciso ter uma regulamentação a parte para este tipo de atuação.

O relatório avalia a relação entre seguradoras e critérios internacionais de solvência e faz recomendações para que as lacunas legais sejam superadas e sugestões de como reforçar as práticas de gestão de risco da indústria. Segundo Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica e membro da Geneva Association, o principal objetivo do estudo é mostrar o quanto a crise afetou menos as seguradoras em relação aos bancos. “Se houver mudanças regulatórias no sistema financeiro no futuro, e com certeza serão implementadas, que essas mudanças olhem as seguradoras de forma diferente”, diz.

Larragoiti também ressalta que o estudo traz um panorama do que aconteceu no mercado financeiro do Hemisfério Norte, uma realidade bem diferente do Brasil. “A regulação bancária e de seguros do Brasil mostrou estar a frente em vários pontos, o que preservou a economia brasileira durante a crise”, comenta, citando que todos os tipos de instituições financeiras tem regulamentação.

“E com acompanhamento diário das movimentações”, ressalta. Nos EUA, por exemplo, os bancos de investimentos fugiam da regulamentação e as seguradoras eram, na época, fiscalizadas por normas estaduais e não por um órgão regulador nacional, como acontece no Brasil há tempos e agora se começa a implementar no maior mercado de seguros do mundo, com vendas superiores a US$ 1 trilhão.

A primeira parte do estudo se dedica a fazer uma introdução da indústria de seguros, como a função social do seguro, a estrutura do setor, o lado social e econômico, bem como busca diferenciar as diversas modalidades de seguros e de empresas que atuam em um mercado que movimento mais de US$ 4 trilhões por ano e são reconhecidos como um dos maiores investidores institucionais nos países desenvolvidos.

O segundo capítulo analisa o impacto da crise financeira nos bancos e nas empresas de seguros, fazendo um paralelo entre bancos e seguradoras no que diz respeito ao capital e capacidade de assumir risco, volume de risco assumido e preço cobrado. Um capítulo detalhado mostra o diferente impacto da crise em seguradoras independentes, ligadas a bancos e as especializadas em seguros financeiros. Traz gráficos que mostram a folga de capital das maiores seguradoras da Europa, evidenciando a diferença que as regras que fiscalizam bancos e seguros geraram no controle de risco e nas perdas.

Há um capítulo dedicado as atuais regras de seguros adotadas pelos órgãos internacionais, International Association of Insurance Supervisors (IAIS) e Financial Services Board (FSB). O texto começa mostrando as diferenças da regulamentação entre as seguradoras de vida (life) e seguros gerais (no life). Por atuarem em segmentos diferentes, longo prazo para vida e médio e curto prazos em seguros patrimoniais, é preciso diferenciar regras de investimentos, composição de reservas entre outras questões prioritárias.

Outro capítulo se dedica a detalhar como são gerenciados os riscos das atividades que mais demandam gerenciamento e gestão, como aplicações financeiras, derivativos, seguros financeiros, resseguro e retrocessão, seguro de crédito, garantias financeiras entre tantos outros que, mal gerenciados, podem causar riscos sistêmicos ao mercado, como aconteceu com a AIG.

A AIG é um tema recorrente no estudo, uma vez que em razão de uma das subsidiárias do grupo, a de mercado de capitais, colocou todo o grupo, até então o maior do mundo, abaixo. Em razão de uma unidade que faturava menos de US$ 2 bilhões, um império que faturava mais de US$ 100 bilhões precisou ser socorrido com mais de US$ 180 bilhões pelo governo dos Estados Unidos para evitar o efeito cascata em liquidações no mercado financeiro por falta de pagamento de indenização ou de quebra de garantia para milhões de contratos que contavam com uma apólice de seguro com elevada classificação de rating emitido pelas principais agências do mundo. O estudo mostra com detalhes os problemas enfrentados pela AIG, com inicio do agravamento em 2007, e sugere medidas que podem evitar que o caso se repita.

O estudo completo pode ser acessado no site http://www.genevaassociation.org/

 

 

Aon prevê taxa estável para seguro aéreo

Por Denise Bueno em 19/02/2010

aon1A Aon divulgou ontem um estudo sobre as taxas de seguros que envolvem o setor aéreo. A pesquisa afirma que as taxas de seguros para aeroportos, fabricantes e operadores de controle aéreo recuaram 2% em 2009. O número de passageiros recuou 3,5% em 2009, apesar do mês de dezembro ter registrado alta de 4,5% comparado com 2008. A Aon acredita que os preços para este nicho de clientes deverão se manter estável, com viés de baixa.

 

 

CEO da Zurich destaca Brasil em Davos

Por Denise Bueno em 01/02/2010

zurichO Fórum Econômico Mundial realizado em Davos, Suíça, durante a semana passada teve boa participação das seguradoras. Além de serem uma das maiores investidoras institucionais, aplicando boa parte de suas reservas para financiar o crescimento das economias, ainda vendem produtos para garantir a sustentabilidade das empresas e famílias.

Depois da matéria da Allianz pronta para ir às compras, a suíça Zurich falou aos jornalistas da Reuters sobre o seu interesse pelo Brasil. Segundo a notícia divulgada na agência e reproduzida em um grande número de sites e jornais, Paul Hopkins, CEO para as Américas da Zurich, disse que a empresa quer se tornar conhecida do público geral dentro do mercado de seguros, área dominada por gigantes do setor como Banco do Brasil, Itaú-Unibanco e Bradesco. Para atingir o objetivo, a empresa está considerando patrocinar um time esportivo e disparar campanhas publicitárias em 2010.

O executivo também contou que a Zurich praticamente dobrou os prêmios no mercado de Ofertas Iniciais Públicas (IPO, na sigla em inglês) em 2009. Aliás, este é um segmento que está no topo das prioridades dos bancos, assim como crédito e serviços para pequenas e médias empresas.

O seguro dos IPOs oferece cobertura à empresa emissora das ações de eventuais prejuízos causados por demandas judiciais de investidores alegando que as informações fornecidas nos prospectos das ofertas eram incorretas. A responsabilidade civil da companhia em relação as informações contidas nos prospectos está prevista na legislação brasileira e já é uma realidade nos Estados Unidos e na Europa. Em razão disso, a demanda pelo seguro no Brasil tem crescido na medida em que o produto é ofertado. Atualmente, poucas seguradoras atuam neste segmento, sendo a Zurich e a Ace as principais.

 

 

Seguradoras lucram com boa safra de satélites

Por Denise Bueno em 01/12/2009

sateliteEstudo da corretora Aon divulgado em Londres revela que o seguro de satélites tem se mostrado muito rentável nos últimos cinco anos. De acordo com a publicação, a previsão de lucro para 2009 é de US$ 400 milhões, caso não haja pedido de indenizações até o final deste ano. Este valor significa exatamente a metade do volume de prêmios do mercado mundial, de US$ 800 milhões, pagos pelos segurados para satélites lançados e também em órbita. Mas como as seguradoras tiveram um grande déficit em 2007, o lucro servirá para amenizar a perda passada e com isso os preços deverão apresentar apenas uma ligeira queda.

No terceiro trimestre de 2009, foram ao ar segurados cinco lançamentos: dois Ariane 5s, dois Protons e um Long March 3B, o que gerou cerca de US$ 154,6 milhões de faturamento para o mercado de seguros. O Long March 3B ficou aquém da órbita de destino, devido a uma anomalia na terceira fase, mas os engenheiros conseguiram manobrar a nave, o que resultou em uma perda de apenas um terço da vida da nave espacial.

Segundo Clive Smith, líder da unidade de negócios espaciais, disse no comunicado que a demanda de empresas de comunicação por satélite continua crescente, principalmente para aumentar a capacidade de banda larga e teve a cabo. Há também muitos lançamentos para vigiar a poluição da terrae monitorar movimentos de desastres naturiais.

A crise financeira reduziu o lançamento de satélites, uma vez que faltou capital para novos projetos. “Mas o ritmo começa a voltar a esta indústria, com projetos interessantes”, diz Smith. “A saúde da indústria de seguros significa que ela está bem posicionada para apoiar programas de satélites, oferecendo uma capacidade suficiente para satisfazer as exigências dos investidores”.

 

 

Perdas com catástrofes chegam a US$ 52 bilhões

Por Denise Bueno em 01/12/2009

raios1Segundo estudo divulgado ontem pela Swiss Re, as catástrofes naturais e feitas pelo homem já acumulam um total de US$ 52 bilhões em 2009, bem abaixo dos US$ 267 bilhões de 2008. O total das perdas seguradas chega a US$ 24 bilhões, sendo US$ 21 bilhões em catástrofes naturais e US$ 3 bilhões em acidentes causados pelo home, segundo dados preliminares.

Praticamente o dobro do valor registrado em 2008, quando as indenizações atingiram US$ 50 bilhões, diz o estudo. A fraca safra de furacões nos Estados Unidos é a razão do valor das indenizações pagas pelas seguradoras estarem muito aquém do valor registrado nos últimos anos. Na Europa, no entanto, o custo com enchentes tiveram forte elevação na média de indenizações pagas.

As indenizações nos sete primeiros meses do ano apresentam o dobro da media dos últimos 20 anos. Entre janeiro e julho deste ano, cinco eventos ultrapassaram os custos em US$ 1 bilhão. A chuva de inverno chamada de Klaus, que em janeiro castigou França e Espanha, foi o evento mais caro, com perdas de US$ 3,5 bilhões. Em julho, as chuvas com fortes raios na Suíça e Áustria custaram outros US$ 1,25 bilhão. Nos EUA, as chuvas de inverno e dois tornados geraram perdas seguradas de US$ 3,5 bilhões, segundo informa o estudo.

Em todo o mundo, aproximadamente 12 mil pessoas morreram nas catástrofes, comparadas com 240 mil em 2008. A região mais afetada foi a Ásia, com o terromoto na Indonésia em setembro, onde mil vidas foram perdidas. A passagem de três tufões tirou outras 2 mil vidas. Segundo Thomas Hess, economista chefe da Swiss Re, comentou que em 2009 todos agradecem de ter não ter visto algo como o furacão Katrina, que em 2005 causou perdas de US$ 71 bilhões.

 

 

Preço do seguro dispara com notícias de Dubai

Por Denise Bueno em 27/11/2009

dubaiO pedido de renegociação de dívidas do braço imobiliário do banco Dubai World assustou as seguradoras e resseguradoras de todo o mundo ontem. O reflexo disso foi a subida do custo de seguro financeiro, especialmente o garantia., segundo reportagem do jornal britânico Financial Times. Segundo o FT, os preços ganharam zero a mais. A previsão de inadimplência saltou do US$ 60 mil para US$ 500 mil para cada US$ 10 milhões da dívida garantida por cinco anos.

Algumas seguradoras já sofrem com a queda do valor de suas ações nas bolsas. Parte dos financiamentos de megas projetos, que consumiram mais de US$ 80 bilhões nos últimos quatro anos, foi bancada pelo banco oficial, que passou bem pelo pior momento da crise, mas começa a enfrentar problemas agora com a fuga de capital dos investidores para países emergentes como o Brasil. A desvalorização dos imóveis e a retração dos mercados atingiram em cheio o banco mudial de Dubai.

A expectativa é de que novos casos de dificuldades possam ocorrer e com isso o preço do seguro para recuperar perdas já foi reajustado para várias regiões, uma vez que o setor ainda não tem claro qual será a extensão da renegociação. Praticamente todas as operações estruturadas de financiamentos contam com uma apólice de seguro para garantir parte das perdas, financeiras e materiais, causadas por riscos eventuais como o não pagamento ou catástrofes feitas pelo homem ou provocadas pela natureza.

 

 

Catlin registra alta de 5% nos prêmios do trimestre

Por Denise Bueno em 06/11/2009

stephen-catlinO grupo Catlin, dono do maior sindicato do Lloyd’s of London e presente no Brasil, anunciou prêmios brutos de US$ 3 bilhões no terceiro trimestre deste ano, alta de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. O Catlin Syndicate no Reino Unido representou US$ 1,9 bilhão, ligeira queda diante dos US$ 2 bilhões do mesmo período anterior. A unidade dos Estados Unidos movimentou prêmios de US$ 429 milhões, acima dos US$ 257 milhões e o Catlin Internacional, onde está incluído o Brasil, foi responsável por US$ 268 milhões, acima dos US$ 210 milhões.

Os contratos de resseguros representam a maior fatia do Catlin, com US$ 999 milhões; responsabilidade civil teve prêmios de US$ 590 milhões; riscos marítimos e de energia US$ 503 milhões; e riscos especiais, de guerra e político, US$ 315 milhões. Stephen Catlin (foto), diretor executivo, comentou que algumas linhas de negócios continuarão apresentando desafios para 2010, mas a meta do grupo é continuar crescendo com rentabilidade.

 

 

Willis lucra US$ 357 milhões até setembro

Por Denise Bueno em 28/10/2009

images15O grupo Willis, dono da terceira maior corretora de seguros e resseguros do mundo, divulgou lucro líquido de US$ 357 milhões no acumulado do ano até setembro, acima dos US$ 241 milhões do mesmo período do ano anterior. Os resultados foram afetados pela aquisição da Hilb Rogal & Hobbs Company, destaca o grupo em nota divulgada à imprensa.

As receitas totais nos nove primeiros meses do ano somaram US$ 2,4 bilhões, acima dos US$ 2 bilhões do ano passado, um incremento de 20% que reflete a aquisição. Seus concorrentes, segundo balanço semestral, apontam tendência de queda nas vendas em razão da recessão mundial, que reduziu os valores segurados.

Como boa parte das empresas ainda recebe comissão com base no valor pago pelo seguro, a expectativa é de queda no faturamento das corretores. Para 2010, esta tendência pode se inverter pela venda de pacotes de consultorias e maior participação do pagamento por “fee” em lugar da comissão sobre o prêmio.

O presidente e CEO Joe Plumeri (foto) comentou em nota que a “Willis mantém o crescimento dos negócios em um momento de dificuldades adversas nas principais economias mundiais, bem como diante de um mercado de seguros já considerado por ele como “soft”. O balanço completo pode ser acessado no site do grupo: www.willis.com.

 

 

« Textos anteriores |