Corretoras Aon e JTL apresentam bons resultados

Por Denise Bueno em 29/07/2011

A Aon Corp divulgou lucro líquido de US$ 258 milhões no segundo trimestre do ano, bem acima dos US$ 153 milhões do mesmo período do ano anterior. No semestre, o lucro avançou 52%, para US$ 504 milhões. O faturamento avançou 48% no segundo trimestre, para US$ 2,8 bilhões. No semestre, 47%, para faturamento de US$ 5,6 bilhões. A área de gerenciamento de risco, comissões e fees representou US$ 3,3 bilhões do faturamento total.

É preciso lembrar que o grupo adquiriu a Hewitt Associates, por US$ 4,9 bilhões, em 2010, o que ajudou a melhorar o resultado do período. Nesta semana, a Aon adquiriu a Westfield Financial Corporation e sua subsidiária, a Ward Financial Group, e se consolidou como a maior corretora mundial, atuando em 120 países e responsável pelo maior volume de prêmio emitidos mundialmente, de US$ 80 bilhões.

A corretora Jardine Lloyd Thompson (JLT) divulgou lucro antes dos impostos de £ 76,4 milhões no primeiro semestre deste ano, 9% acima do resultado obtido no mesmo período do ano passado. O faturamento da corretora avançou também 9%, para £ 411,3 miihões.

 

 

Fifa define mundial e Copa das Confederações

Por Denise Bueno em 27/07/2011

* a jornalista viajou a convite da Liberty Seguros, a seguradora oficial da Copa 2014

Poucos pensam em seguro, mas vou contar uma boa. Só depois dos corretores, seguradoras e resseguradores terem dado o “ok” para o seguro garantia da construção do estádio do Corinthians é que a cidade de São Paulo pode ser confirmada no maior mundial esportivo do mundo. No entanto, ninguém ainda fala sobre esse seguro, que cabe dentro dos contratos automáticos fechados entre seguradoras e resseguradoras. Somente após o fechamento do contrato, com todos os envolvidos, é que teremos notícias sobre a estrutura do financiamento para a construção do estádio.

Fora isso, boas notícias hoje para quem está trabalhando nos seguros da Copa. A data foi definida: acontecerá entre 13 de junho a 13 de julho de 2014, informou hoje o presidente da FIFA, Joseph Blatter. Jerôme Valcke, secretário geral da FIFA, confirmou também que a Copa das Confederações acontecerá entre 15 a 30 de junho de 2013, durante coletiva realizada hoje na Marina da Gloria, no Rio de Janeiro.

Segundo os executivos, uma recente reunião com o comitê organizador trouxe confiança de que toda a infraestrutura necessária para a realização da Copa 2014 ficará pronta. “Acreditamos que tudo ficará pronto em cima da hora, como na África, mas estamos confiantes de que o Brasil apresentará um grande evento”, afirmou Blatter.

Segundo Valcke, ontem membros da FIFA e do Comitê Organizador Local (COL).tiveram as confirmações de que as garantias financeiras para a construção do estádio do Corinthians, em São Paulo, foram obtidas, o que confirma a participação de São Paulo no maior evento esportivo do mundo.

A decisão em quais estádios acontecerão os Jogos das Confederações só será tomada depois de uma reunião em outubro. Até lá, a FIFA terá mais detalhes do andamento da infraestrutura das cidades sedes e com base nisso será possível escolher os locais dos jogos, disse Valcke. “Podem ser quatro ou sete estádios. A decisão será tomada na próxima reunião do comitê organizador”, afirma. O preço dos ingressos também só será definido após a FIFA ter mais definições dos estádios para saber ao certo a capacidade de cada arena. “Teremos ingressos a preços acessíveis como ingressos VIPs, como aconteceu na África”, afirmou Valcke.

Na próxima sexta-feira, dia 29, às 8 horas, o prefeito Eduardo Paes receberá membros da FIFA para ser assinado um termo de compromisso para que a cidade do Rio de Janeiro receba o Centro Internacional de Transmissão, de onde serão geradas as imagens da Copa do Mundo para serem distribuídas para todo o planeta, e a sede do Comitê Organizador da Copa do Mundo (COL). Estarão presente o presidente da FIFA, Joseph Blatter, o secretário da entidade, Jerome Valke, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

 

 

Espanhola Mapfre e Euler Hermes, controlada pela alemã Allianz, se unem para disputar crédito

Por Denise Bueno em 20/07/2011

A Mapfre, maior segurador da Espanha, e a Euler Hermes, subsidiária do grupo alemão Allianz e uma das principais seguradoras de crédito e garantia do mundo, anunciaram aliança estratégica para atuarem juntas no seguro de crédito e garantia na Espanha, em Portugal e na América Latina.

Cada um dos grupos terá 50% na joint venture, que nasce com prêmios de 200 milhões de euros, valor que lhe confere a primeira e segunda colocação no ranking de crédito dos países onde vai atuar, incluindo o Brasil. A previsão é de que a nova empresa comece a operar no final deste ano, após a aprovação dos órgãos reguladores.

 

 

Venda de seguro chega a US$ 4,3 tri em 2010

Por Denise Bueno em 06/07/2011

Em 2010, o volume global de prêmios apresentou um vigoroso aumento impulsionado pelo crescimento econômico, repercutindo em capital e solvência Os países emergentes continuaram a ganhar em importância – a China tornou-se o sexto maior mercado de seguros e o retorno dos investimentos sofreu com as baixas taxas de juros.

Essas são as principais conclusões do tradicional estudo sobre as vendas mundiais de seguros, realizado pela Sigma, divisão de estudos da Swiss Re, segunda maior resseguradora do mundo. De acordo com o estudo, as vendas de seguros chegaram a US$ 4,3 trilhões em 2010, crescimento real (já descontada a inflação) de 2,7% acima do resultado de 2009.

Para 2011, o cenário é de incertezas. Os principais riscos para o panorama futuro referem-se a uma escalada da crise da dívida soberana em euros ou a uma grave escassez de petróleo causada por tumultos nos principais países produtores de petróleo.

Em 2010, os prêmios do segmento de vida cresceram 3,2%, para US$ 2,5 trilhões, e de ramos elementares avançaram 2,1%, para US$ 1,8 trilhão. De acordo com o estudo, o crescimento dos prêmios nos mercados emergentes se acelerou. O setor apresentou melhora de capital e solvência, enquanto as baixas taxas de juros abalaram o retorno dos investimentos. No Brasil, os prêmios chegaram a US$ 60 bilhões e a penetração no PIB situou-se em 3,1%, bem abaixo da media mundial de 6,9%.

A indústria do seguro retoma seu crescimento, como mostra a avaliação anual da Swiss Re para os mercados globais de seguros em 2010. O volume de prêmios cresceu em três quartos dos 78 mercados da mostra. O crescimento teve particular vigor nos mercados emergentes. Ao mesmo tempo, o capital e a solvência do setor de seguros apresentaram uma forte melhora, mas as baixas taxas de juros ainda tiveram impacto negativo sobre a lucratividade.

O crescimento foi mais intenso nos mercados emergentes asiáticos,e robusto em alguns dos grandes mercados europeus. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, os prêmios diminuíram, embora em um ritmo mais modesto do que em 2009. Apesar do impacto negativo das baixas taxas de juros sobre a lucratividade das seguradoras de vida, elas contribuíram para uma forte melhora da posição do capital contábil do setor por aumentarem o valor das carteiras de títulos das seguradoras de vida.

Daniel Staib, um dos autores do novo estudo sigma, comenta: “O cenário predominante mostra uma indústria retomando a tendência de crescimento no longo prazo. Em realidade, em alguns países da Europa Continental, o crescimento no ano passado poderia ser considerado acentuado, pois o faturamento de produtos de prêmio único com garantias relativamente atraentes apresentou forte crescimento.”

Nos mercados emergentes, os prêmios do segmento de vida subiram 13%. A Ásia Meridional e Oriental formou a região com mais forte crescimento, alcançando 18%, tendo à frente a China, com grande demanda tanto por produtos tradicionais quanto por produtos vinculados a investimentos. A América Latina e o Caribe não ficaram muito atrás, com 12%, liderados pelo Brasil.

Em 2010, os prêmios do seguro de ramos elementares aumentaram 2,1% em nível mundial. Nos países emergentes e recém- industrializados da Ásia, a vigorosa retomada econômica fez crescer a demanda por cobertura de seguro. O volume de prêmios aumentou também na Europa e nos Estados Unidos. O capital do setor prosseguiu em seu desenvolvimento positivo e atingiu um nível recorde em 2010.

Os resultados da subscrição se deterioraram, em geral, nos Estados Unidos e ficaram negativos nos grandes mercados europeus; no último caso, devido aos péssimos resultados do seguro de automóveis. Nos oito maiores mercados, pelo segundo ano consecutivo, a receita de prêmios não conseguiu cobrir completamente as liquidações de sinistros e outros custos. “O índice combinado médio desses principais mercados degenerou para 103%, comparado com 101% em 2009.

Diante dos recentes eventos de sinistros catastróficos, éevidente que os resultados globais das subscrições irão piorar ainda mais em 2011. Isto indica que os preços estão inadequados. Em alguns mercados, tais como Itália e Reino Unido, os índices começaram a subir, particularmente nos seguros de automóveis, sinalizando que o ciclo de subscrição estáfinalmente começando a mudar de direção”, afirma Staib.

Apesar da persistente incerteza, em 2011 a recuperação econômica deverá seguir seu curso e estimular o crescimento de prêmios nos setores de vida e ramos elementares em nível mundial. Entretanto, o retorno dos investimentos, tanto no setor de vida quanto de ramos elementares, vai permanecer fraco, pois as taxas de juros apresentarão, quando muito, apenas uma lenta subida.

“Em relação aos mercados maduros, o crescimento do seguro de vida deverá se tornar positivo nos Estados Unidos, enquanto na Europa Ocidental o aumento de prêmios poderá apresentar ligeira desaceleração, uma vez que as crescentes taxas de juros deixarão as apólices de vida com garantia de taxa de juro menos atrativas”, observa Staib.

No longo prazo, o fato de a nossa sociedade estar envelhecendo e necessitar cada vez mais de reservas para a velhice,continua sendo um aspecto positivo para as seguradoras de vida. No segmento de ramos elementares, a tendência é de um maior crescimento de prêmios em 2011. Esta tendência se fortalecerá com as taxas de prêmios começando a ser ajustadas para cima.

A participação dos países emergentes no mercado global, atualmente de 14%, deverá continuar aumentando vigorosamente nos próximos dez anos. É provável que a China se torne o segundo maior mercado de seguros dentro de uma década (em 2010 era o sexto maior).

O estudo completo está disponível em http://media.swissre.com/documents/sigma2_2011_en.pdf

 

 

Julho, principal mês de renovação, começa com boas perspectivas

Por Denise Bueno em 03/07/2011

*matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)

Julho marca um período de grande renovação de contratos de resseguro, que devem ser concluídos com preços estáveis, segundo relatório da Willis divulgado hoje pela manhã. O capital das resseguradoras para resseguros de catástrofes, diz o estudo, situou-se em US$ 165 bilhões no primeiro trimestre, com baixa de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, com dados ainda a serem contabilizados, a expectativa é de que o capital disponível para os contratos de seguros permaneça estável. Países com histórico de perdas elevadas, como Austrália, Nova Zelândia e Japão, há menos capacidade. Já para países emergentes, como o Brasil, há abundância de recursos.

Um outro estudo da Aon Benfield revela que a temporada de tornados e ciclones nos EUA, entre maio e junho, deve somar indenizações acima de U$ 15,5 bilhões, um valor que representa três vezes a média para todo o ano nos últimos 20 anos. As perdas econômicas foram estimadas em US$ 21,6 bilhões. De acordo com o levantamento da Aon, uma das maiores corretoras do mundo, nos últimos 20 anos os Estados Unidos teve uma média de pouco mais de US$ 5 bilhões em perdas anuais por mau tempo. A expectativa agora é com a temporada de furacões, que se estende até setembro.

No primeiro semestre, oito eventos, sendo que cinco geraram mais de US$ 1 bilhão em perdas, representaram a maior parte dos custos. Em 22 de maio, o tornado em Joplin, Missouri, e os eventos de 27 de abril em Tuscaloosa, Alabama, agora figuram como os tornados mais caros da história. Caso a temporada de furações venha com força, a expectativa é de elevação das taxas de resseguros, uma vez que o setor já acumula perdas significativas no início do ano com as inundações na Austrália e terremoto no Japão ocorrido em maio.

 

 

O setor de seguro sofrerá com a crise da Grécia?

Por Denise Bueno em 23/06/2011

Provavelmente não, afirmam seguradores e resseguradores entrevistados pelo blog Sonho Seguro. A maioria dos executivos questionados não tem a resposta a essa pergunta. Mas garantem que, pelas conversas de bastidores da indústria, é pouco provável o registro de perdas relevantes.

O argumento é que as seguradoras praticamente deixaram de operar com seguros de “default”, ou Credit Default Swap (CDS), desde a crise de 2008, quando a AIG, a maior seguradora do mundo na época, precisou ser socorrida com mais de US$ 180 bilhões pelo governo americano para evitar uma quebradeira sem precedentes.

O governo americano socorreu a AIG porque ela precisava honrar os seguros comprados por bancos de investimentos contra inadimplência do pagamento de títulos públicos e privados. Apesar da área de CDS representar um pequeno departamento do grupo americano em faturamento, chegou a gerar mais de um quarto do lucro do conglomerado antes da explosão da crise.

Se não honrasse os compromissos assumidos em derivativos, a quebradeira seria muito maior, uma vez que os bancos precisariam contabilizar em seus balanços as perdas geradas pelo não recebimento do seguro. Se os bancos perdessem patrimônio e rating, haveria uma corrida ao saque dos recursos e haveria um pânico total. Por isso foi melhor injetar recursos na AIG e em outras instituições problemáticas.

A conta paga pelo setor de seguros foi grande, da qual participaram também outras seguradoras que atuavam com esse tipo de ativo, como Ambac e MBIA, por exemplo. No entanto, não houve quebra de seguradoras ou de contratos, pois as companhias de seguros são obrigadas a fazer reservas para cada prêmio de risco que assumem e contratam resseguro, instrumento financeiro que possibilita a pulverização do risco em várias empresas, de diferentes países.

Praticamente a mesma situação acontece agora com a Grécia. Se o governo da Grécia resolvesse dar um calote – hipótese ainda remota diante dos resultados positivos das negociações em andamento –, os bancos que compraram os títulos do governo grego e também das empresas privadas do país vão buscar o ressarcimento das garantias que compraram antes de conceder os créditos aos tomadores que apresentarem “default”.

Esses seguros são negociados no mercado financeiro por bancos de investimentos e também por seguradoras. Conhecidos como CDS, esse instrumento financeiro é comprado por investidores que querem se proteger de eventual calote, seja em títulos de governo, títulos privados e até mesmo pela variação de moedas, onde os derivativos são os mais conhecidos.

A informação de quanto há desses títulos no mercado talvez seja divulgada em uma nova série de filmes no estilo “Wall Street”, tendo como enredo as reuniões entre os bancos centrais e as instituições financeiras, numa guerra fria de distribuição de culpas, multas e divisão de prejuízos. O que se sabe hoje é que há uma lista grande de bancos de investimentos americanos operando com CDS, o que faria a crise voltar ao governo de Barack Obama.

A hipótese dessa crise atingir fortemente as seguradoras e as resseguradoras é remota, pois depois das perdas de 2008 as poucas companhias que operavam com esse seguro optaram por rever a atuação, reduzindo suas exposições. Além dos CDS, a indústria de seguros pode sofrer perdas com a carteira de investimentos, caso tenha aplicado recursos em títulos que venham apresentar forte desvalização.

Um nicho específico da indústria de seguros, as seguradoras de crédito, pode também sofrer um abalo, caso o esforço do FMI e Comunidade Europeia de se fazer uma restruturação ordenada do risco de inadimllencia de títulos do governo e dos títulos privados gregos não dê certo. Se tudo correr bem, o risco das perdas em seguros será quase que eliminado. Simples assim. Agora se isso não for feito e a crise chegar na França e na Espanha, por exemplo, países onde o seguro de crédito e de garantia é relevante, ai a situação ficará complicada. Não só para as seguradoras. Mas para todos.

 

 

“Meu sonho é faturar € 3 bilhões no Brasil”, diz Enrico Cucchiani, da Allianz Global

Por Denise Bueno em 16/06/2011

De cada dez pessoas que conversam com Max Thiermann, presidente da Allianz Seguros no Brasil, dez perguntam se o grupo alemão vai comprar alguma seguradora local. “Para responder a essa pergunta, passo a palavra ao meu chefe”, brincou Thiermann, passando o microfone a Enrico Cucchiani, membro do Comitê Executivo da Allianz Global e responsável pelos países do Sul da Europa e América do Sul, ontem, durante coquetel oferecido para corretores e clientes na Casa Cor, em São Paulo, evento que tem a Allianz como seguradora oficial.

Cucchiani, que veio ver de perto o desempenho da unidade local e também da subsidiária argentina, comentou a atual crise financeira, dividindo o mundo em dois blocos. “Temos Estados Unidos e alguns países europeus que enfrentam desafios, como Portugal e Grécia. No outro bloco temos países que aproveitam oportunidades, como China, índia e Brasil. O Brasil, um exemplo de país. Há poucos anos, grandes problemas. Hoje, uma economia forte, elevados investimentos em infraestrutura e profissionais fantásticos”, disse.

Conversa vai, conversa vem, e todos esperando uma resposta para a pergunta que não quer calar. “A unidade brasileira vem tendo um excelente desempenho. Ultrapassou € 1 bilhão em faturamento no ano passado. Um crescimento significativo”, disse. Segundo Thiermann, a Allianz tem um plano ambicioso de crescimento em 2011, que já se confirma pelos resultados dos primeiros cinco meses do ano.

Mas para os acionistas, o resultado pode ser sempre melhor. “Estamos no começo de uma grande jornada no Brasil. Meu sonho agora é de que a unidade local chegue a € 3 bilhões e tenho certeza de que conseguiremos realizar esse desejo, pois temos pessoas fantásticas no grupo e vocês como parceiros”, disse ele, sempre esbanjando simpatia, encerrando o seu discurso e agradecendo a presença de todos.

Hoje, Cucchiani tem uma agenda cheia e um dos principais compromissos será conversar com um grupo de funcionários da subsidiária brasileira. Ao ser questionado por Max Thiermann se ele iria parabenizar a equipe pelo bom resultado ou cobrar ainda mais empenho, Cuchiani respondeu que faria as duas coisas. “Afinal, com os olhos do mundo no Brasil, a concorrência exige atenção redobrada de todos.”

Atenção inclusive dos empregadores para reter e atrair talentos num momento de completo apagão de profissionais especializados. A Allianz é um dos alvos preferidos dos concorrentes por treinar vários empregados em outras unidades do grupo e por grande parte deles falarem inglês fluentemente. Para contornar o problema, chegou até mesmo a trazer funcionários que estavam em outros países, uma vez que faltam profissionais no mercado brasileiro em razão do intenso ritmo de crescimento. A Allianz busca atualmente um diretor comercial. “Estamos tentando preencher essa vaga. Quem souber de alguém, por favor, me fale”, comentou Max com todos. Ou seja, treinar mão de obra qualificada é um grande desafio da indústria de seguros, que apresentou crescimento de 15% no primeiro quadrimestre do ano.

 

 

“Brasil é estratégico”, diz CEO mundial da Allianz

Por Denise Bueno em 24/05/2011

O Brasil é um país chave para a maior seguradora do mundo. “Trata-se de um mercado muito atraente, onde se espera que o crescimento seja impulsionado pelo futuro desenvolvimento econômico e por níveis crescentes de penetração de seguro”, afirma Michael Diekmann (foto), CEO mundial da Allianz, em sua primeira entrevista concedida à imprensa brasileira.

Ele está no Brasil nesta semana para conversar com funcionários e também para participar, juntamente com outros 50 CEOs mundiais de seguradoras e resseguradoras, do encontro anual da Geneva Association, entidade dedicada a estudos econômicos e financeiros sobre a indústria de seguros mundial. O Brasil foi escolhido para sediar a reunião por vários motivos. Entre eles, o crescimento da economia. Dos mais de 50 CEOs presentes, 22 já tem operações no Brasil e os outros disseram ter intenção de conhecer melhor o mercado brasileiro para futuros investimentos. A classe média emergente é um dos pontos que mais chama a atenção para investimentos, assim como as oportunidades que serão geradas pelos mundiais esportivos.

“O Brasil terá muitos ganhos em sediar os mundiais. Um número crescente de consumidores buscará coberturas em seguro saúde, bem como soluções em seguros de vida e previdência privada. Sem dúvida, o risco de longevidade ascendente e os custos médicos cada vez maiores são itens que não se pode negligenciar nesse contexto”, diz ele, que está a frente de um grupo com receitas de 106 bilhões de euros em 2010. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

Essa é a sua primeira visita ao Brasil?

Vim inúmeras vezes ao Brasil, um país dinâmico e fascinante, onde pude conhecer pessoas muito interessantes. Eu era o responsável do Grupo Allianz para a região da América Latina antes de me tornar CEO em 2003.

Então acompanha de perto os avanços da economia brasileira?

Sim. A economia brasileira tem crescido de modo acentuado desde a década de 1990 e o país está assumindo uma posição de liderança entre outros mercados emergentes importantes hoje.

Quais as suas expectativas para a indústria global de seguros durante os próximos cinco anos?

Mega-tendências como mudança climática, digitalização e mudança demográfica são desafios aos quais a indústria de seguros, como qualquer outro setor, precisa se adaptar, e se fizermos isso corretamente há muitas oportunidades de crescimento pela frente. E certamente os mercados emergentes ganham uma importância crescente para a Allianz e para a indústria global de seguros. Enquanto nos anos 90 as grandes oportunidades residiam em países do Centro e do Leste europeu, os novos mercados em crescimento com suas tendências demográficas específicas e as novas tendências de consumo estão na China, no Brasil e na Índia. Hoje na Alianz 5% das nossas receitas já são geradas a partir de mercados em crescimento.

Qual é a estratégia do grupo para a América Latina nos próximos cinco anos?

Nós temos operações locais no Brasil, na Argentina, Colômbia e México, e estamos muito contentes com o desenvolvimento dos nossos negócios nesses mercados. Além disso, nós fornecemos serviços a clientes de toda a região através das nossas empresas globais, tais como a Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), a nossa seguradora de crédito Euler Hermes e o nosso fornecedor de assistência. Vemos um potencial significativo na região para um crescimento rentável continuado, e espera-se que tanto o segmento de varejo como o corporativo se desenvolvam com força. O prosseguimento dos esforços conjuntos entre nossas companhias globais e as operações locais nos permitirão tirar vantagem das oportunidades de mercado.

Quais são os principais desafios para o Brasil na sua opinião?

Obviamente, esse desenvolvimento da economia brasileira impulsiona a necessidade de investimentos maiores em infraestrutura em áreas tais como transporte, moradia ou energia. Um sistema social moderno e viável, assim como um ambiente regulatório também são pontos críticos. E por último, mas não menos importante, o Brasil precisa investir mais em educação. As empresas aqui no Brasil precisarão de funcionários ainda mais capacitados para terem sucesso na economia global.

Quais são as expectativas da Allianz em relação aos dois eventos esportivos internacionais que se realizarão no Brasil, como a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016?

Do ponto de vista afetivo, esses eventos são experiências maravilhosas. Na Alemanha sediamos a Mundial de Futebol em 2006. Era como uma grande e animada reunião de família. Praticamente todos os alemães guardam uma boa recordação desse evento. Munique, a cidade-sede do Grupo Allianz, ainda hoje aproveita os frutos das Olimpíadas de 1972, para a qual foram desenvolvidos inúmeros projetos urbanísticos excelentes, incluindo a construção do metrô. Neste momento, nós estamos esperando para ver se Munique irá ganhar o posto para sediar a Olimpíadas e Pára-Olimpíadas de 2018.

E em termos de negócios? Afinal, a infraestrutura está atrasada.

O Brasil tem muito a ganhar como país-sede da Mundial de Futebol e das Olimpíadas, tanto em termos de vantagens tangíveis como em visibilidade internacional para o país. Em termos de infraestrutura, muita coisa acaba sendo realizada na corrida final que precede esses eventos, e obviamente os negócios também aproveitam isso – por exemplo, a indústria de Turismo. A Allianz Brasil já está presente – ou está abrindo filiais – em todas as cidades que estarão recebendo jogos do Mundial de Futebol. Já temos no nosso portfólio seguros de riscos de engenharia para estádios. E é claro, oferecemos soluções em seguros e assistência de viagem.

Diante desse cenário, o que os acionistas esperam da operação brasileira?

A Allianz tem um compromisso sólido e consideramos o mercado brasileiro como um dos nossos mercados em expansão essenciais. Estamos satisfeitos com o desenvolvimento de nossas atividades no país. A Allianz Brasil mais do que duplicou de tamanho desde 2005. Este ano, esperamos um faturamento superior a US$ 1,8 bilhão, acima dos US$ 1,5 bilhão do ano passado. Estamos muito satisfeitos com o sólido desempenho econômico, que é o melhor pré-requisito para um maior crescimento e também para a oferta de produtos, com foco no consumidor e qualidade dos nossos serviços.

A concorrência no Brasil está acirrada. Como se destacar?

A Allianz Brasil tem a grande vantagem de integrar um grupo internacional. Desde 2008, países da América do Sul e da península Ibérica já operam em conjunto como uma região única, em estreita interação com a Allianz Espanha, que é uma das empresas com melhor performance dentro do Grupo Allianz. Essa proximidade nos permite um intercâmbio bem-sucedido de melhores práticas nas áreas de operações, TI, indenizações e subscrição. O grupo faturou EUR 106,4 bilhões em 2010, sendo EUR 43,9 bilhões em Property & Casualty (seguros gerais), EUR 57,1 bilhões em Vida e Saúde e EUR 5,4 bilhões de euros em gestão de ativos por meio da PIMCO. Tem 150 mil funcionários para atender 76 milhões clientes.

Só isso não basta para uma empresa estrangeira se destacar num mercado de seguros dominados por seguradoras ligadas a bancos.

No Brasil somos hoje um forte parceiro para corretores e clientes, sejam eles clientes massificados ou grandes conglomerados corporativos. Temos uma ampla gama de soluções, de A a Z, e por isso achamos que nossa empresa está bem posicionada para lidar com as oportunidades de todas as mega-tendências que despontam no horizonte brasileiro. Somos uma seguradora líder, conhecida e respeitada pela expertise técnica. Temos essa imagem, por exemplo, nas linhas industriais, como engenharia, responsabilidade e incêndio. Somos cada dia mais reconhecidos em automóveis e em saúde.

Por treinar seus funcionários em unidades internacionais, muitos deles são alvos dos concorrentes, que sofrem com um apagão de talentos. Como lidar com isso?

Ser um empregador atraente é dos itens mais críticos para prosseguir no desenvolvimento econômico da indústria brasileira de seguros. Aqui também a Allianz está muito bem posicionada. Podemos oferecer oportunidades destacadas em todos os níveis, desde o pessoal operacional até os níveis médios de gerência e a alta administração. Obviamente, nossa presença global aliada à nossa destacada expertise e know-how nos conferem um diferencial marcante. Só para dar alguns exemplos, o ex-CFO da Allianz Brasil foi indicado como CEO da Allianz Portugal no início deste ano. Também temos diversos colegas com formação no Brasil e que atualmente estão atuando na Europa, devendo retornar em algum momento à América do Sul para ajudar a desenvolver mais as nossas atividades por aqui.

 

 

Geneva Association divulga estudo com perspectiva global sobre regulamentação e solvência

Por Denise Bueno em 16/05/2011

A Geneva Association, entidade que reúne mais de 80 CEOs do mundo todo com o objetivo de promover debates ligados à indústria de seguros, divulga hoje a publicação “The Fundamentals of Future Insurance Regulation and Supervision—A Global Perspective”. Escrito por supervisores, líderes acadêmicos e especialistas da indústria de seguros, o livro traz um olhar diferenciado sobre a perspectiva do desenvolvimento da regulação deste mercado no futuro.

Segundo Patrick M. Liedtke (foto), co-editor e presidente da Geneva Association, o livro é uma contribuição fundamental para os debates sobre regulamentação em curso em todo o mundo. “Nosso objetivo é proporcionar uma análise completa das mudanças a partir de profissionais do setor e especialistas financeiros. Essa perspectiva ampla contribui para que todos os envolvidos em construir um setor solvente acompanhem questões regionais num contexto mais amplo de uma indústria em constante mudança em seu regulamento”, comentou em nota.

Entre dos dias 25 e 27 de maio, a reunião anual da Geneva Association será realizada pela primeira vez no Brasil. Os principais CEOs do mundo estarão reunidos no Rio de Janeiro, onde debaterão as tendências da indústria e buscarão contribuir com suas idéias na construção de um futuro ainda mais promissor para um mercado que fatura anualmente mais de US$ 4 trilhões. Patrick Larragoiti, presidente do Conselho de Administração da SulAmérica, é o único brasileiro a integrar o Conselho da Geneva Association. “Esse será um dos maiores eventos já realizados pela entidade”, prevê o executivo, anfitrião do evento.

Segundo fontes do setor, a reunião já conta com a confirmação de mais de 50 CEOs de seguradoras e resseguradoras mundiais. Dessas, cerca de 23 já estão presentes no Brasil e são responsáveis pela modernização de programas de seguros hoje disponíveis para a sociedade brasileira, bem como por garantir os principais projetos de infraestrutura brasileiros. Muitos dos participantes que já confirmaram presença vem ao Brasil interessados em conhecer melhor o país que está nos holofotes mundiais e verificar de perto as oportunidades que esse imenso mercado oferece aos acionistas.

A indústria de seguros brasileira apresentou crescimento de dois dígitos na última década. Em 2010, evoluiu 15%, para vendas de R$ 111 bilhões. A previsão de crescimento para os próximos anos é otimista, tendo em vista que o país sediará a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016. Segundo projeções da consultoria Siscorp, o faturamento da indústria deverá superar R$ 237 bilhões em 2020, representando 4,2% do PIB projetado para o mesmo ano, o que equivale a uma taxa média de crescimento de 6,6% por ano a partir de 2010, resultando num crescimento acumulado de 90,4%.

O estudo completo da Geneva Association pode ser acessado no link http://www.genevaassociation.org/pdf/News/Press_Release_7-11_FINAL.pdf

 

 

Japão: indenizações podem atingir até US$ 45 bi

Por Denise Bueno em 06/04/2011

matéria extraída do site da CNSeg (www.viverseguro.org.br)

US$ 45 bilhões. Essa é a mais recente estimativa de indenizações por perdas causadas pelo terremoto seguido de tsunami no Japão, no último dia 11. Apesar disso, de acordo com estudo da corretora de resseguros Tower Watson, o desastre não terá um efeito devastador no capital da indústria de seguros mundial. De acordo com a consultoria, as perdas econômicas chegam a US$ 300 bilhões e as indenizações a serem pagas pelas seguradoras flutuam em uma faixa entre US$ 20 bilhões e US$ 45 bilhões. A tragédia, com o terremoto de magnitude nove, o quinto maior já registrado em todo o mundo, contabiliza mais de 26 mil pessoas mortas e desaparecidas.

A diferença entre as perdas econômicas e as perdas seguradas está na estratégia do governo japonês e das seguradoras japonesas em assumir a maior parte do risco de terremoto no País, uma vez que as seguradoras estrangeiras cobram um preço elevado por estar o Japão localizado sobre a região conhecida como Círculo do Anel de Fogo do Pacífico, com cerca de sete mil tremores ao ano de pequena magnitude. Em relação as perdas pela exposição nuclear, a indústria de seguros mundial não sofrerá qualquer abalo por estar o risco limitado ao pool de seguradoras do governo japonês.

William Eyre, diretor da Towers Watson, acredita que o evento do Japão difere da catástrofe provocada pelo furacão Katrina, em 2005, quando as agências de classificação de riscos emitiram um sem-número de rebaixamento de rating. Na época, praticamente 45% das perdas econômicas estavam seguradas e uma significativa fatia havia sido pulverizada no mercado internacional de resseguros. Segundo a análise da corretora, caso não ocorra outro evento de grandes proporções, o capital das companhias permanece sólido, diante de bons ganhos registrados em 2009 e 2010. A corretora também afirma que, das perdas seguradoras no Japão, menos de US$ 15 bilhões envolvem contratos de resseguros, concentrando as perdas nas seguradoras japonesas.

Logo após o Katrina, com perdas seguradas de US$ 72 bilhões, os preços de resseguro para catástrofes registram alta entre 50% e 100%, por ter sido a perda agravada por outros furacões, Rita e Wilma. Isso fez com que várias empresas saíssem do mercado, o que reduziu a oferta de capacidade e, consequentemente, aumentou o preço do seguro num momento de forte demanda das empresas preocupadas em proteger o patrimônio da fúria da natureza.

No caso do Japão, boa parte da perda não está ressegurada no mercado internacional. Tanto que, para muitos resseguradores, o valor a ser pago pelos terremotos na Nova Zelândia deverá ser maior do que o desembolso no Japão. Em razão disso, a Towers Watson projeta aumento entre 20% a 50% para os programas japoneses. Já as renovações de seguros na Austrália e Nova Zelândia, geralmente realizadas em julho, deverão sofrer aumento de taxas significativos.

O estudo não fala no Brasil. Mas a expectativa é de que as resseguradoras deverão correr para países com baixa exposição de catástrofes para recuperar a rentabilidade perdida neste ano. O Brasil é um dos alvos favoritos por ter de preparar o pais para sediar a Copa em 2014 e as Olimpíadas em 2016. Eventos com data certa para ser realizado e com poucas chances de não serem realizados. No entanto, o atraso das obras faz com

 

 

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