Empresas buscam contratos milionários*
Por Denise Bueno em 12/05/2010
matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010*
O risco de uma crise no mercado de seguros mundial, em consequência da turbulência financeira iniciada na Grécia e que já atinge outros países europeus, começa a ser alvo de atenção das principais seguradoras e compradores de seguros no Brasil. A criação da seguradora estatal Empresa Brasileira de Seguros (EBS) pelo ministro da Fazenda Guido Mantega aconteceu exatamente um dia antes de um forte estresse vivido pelo mercado financeiro mundial. No dia 6 de maio, investidores do mundo todo se assustaram com a queda de 9% na Bolsa de Nova York, durante o dia. No final do pregão, porém, a principal bolsa do mundo amargou uma baixa de 3,2%.
As seguradoras são investidoras institucionais e recebem valores, chamados de prêmios, para garantir pagamentos futuros em caso de perdas de seus clientes. Enquanto essas perdas não ocorrem, as companhias de seguros e de resseguros aplicam os recursos no mercado financeiro. Se o mercado financeiro apresentar perdas, elas também terão prejuízos. A Munich Re, maior resseguradora do mundo, já deu sinais de preocupação. Na sexta-feira, dia 7, afirmou a investidores que talvez não consiga atingir o lucro líquido alvo de € 2 bilhões em 2010, mesmo tendo superado a expectativa do primeiro trimestre, em razão da turbulência financeira.
A incerteza dos mercados aliada a um elevado volume de indenizações pagas com o terremoto no Chile, tempestades na Europa e afundamento da plataforma Deepwater Horizon, alugada pela Brithsh Petroleum da Transoceanda, no Golfo do México, com danos recordes ao meio ambiente, faz com que o cenário realmente seja preocupante para um governo que precisa garantir mais de R$ 1 trilhão em investimentos em infraestrutura do país, como prevê o Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC-2).
Ao criar a EBS, o governo brasileiro quis evitar o risco de passar novamente por um grande aperto como o vivenciado em setembro de 2008, ápice da crise financeira mundial com a falência do banco de investimento Lehman Brothers e a quase derrocada da AIG, até então a maior seguradora do mundo. O susto veio quando todas as garantias para a concretização do “project finance”, com crédito de R$ 6,2 bilhões, da Usina Santo Antonio, com prazo de 25 anos, estavam negociadas e com a crise vários seguradores e resseguradores foram obrigados e sair do contrato ou reduzir a participação em razão da crise. Principalmente a AIG, socorrida pelo Tesouro americano com US$ 180 bilhões, e que tinha uma fatia significativa no acordo da terceira maior hidrelétrica do mundo no Rio Madeira.
De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a EBS não concorrerá com o mercado, porque a concessão de seguro garantia ocorrerá sempre em consórcio com o setor privado. A seguradora estatal será a responsável por administrar os fundos garantidores do governo e também a concessão de seguros não cobertos pelo mercado. Sendo uma seguradora, os recursos dos fundos serão ampliados, uma vez para cada real de risco assumido pela seguradora pode garantir vários mil reais em volume de empréstimos.
A EBS será usada pelo governo caso haja necessidade. Se a atual turbulência financeira for superada, a indústria de seguros tem farta oferta de capital para o Brasil. Estão presentes no país praticamente todas as maiores seguradoras e resseguradoras do mundo. Todas elas disputam os contratos milionários dos investimentos em infraestrutura que suportarão o crescimento da economia do Brasil e também que visam preparar o país para ser o anfitrião da Copa em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.
São várias frentes de negócios. Desde o seguro que garante que o consórcio vencedor do leilão irá honrar o preço ofertado até o atraso no início de funcionamento de uma hidrelétrica, por exemplo. A Liberty International Underwriters (LIU), divisão de riscos especiais da Liberty Seguros, foi a vencedora da licitação para a emissão da apólice de seguro de transporte de parte das turbinas e subestações relacionadas, que serão usados na construção da hidrelétrica de Jirau, uma das maiores obras do PAC.
A apólice, com prêmio no valor de US$ 1,1 milhão, terá vigência de dois anos e dez meses e prevê cobertura de US$ 335 milhões para danos ocorridos no deslocamento de 18 turbinas e subestações fabricadas na China e Coréia, respectivamente. A apólice contempla uma cobertura adicional de R$ 286 milhões para o caso de atraso no início das operações de Jirau decorrente de problemas no transporte dos equipamentos desde o fabricante até o local de instalação no Rio Madeira.
“Este tipo de cobertura não era aceito pelo Instituto Brasileiro de Resseguros (IRB) antes da abertura do mercado. Neste programa, incluímos esta nova cláusula que é amplamente aceita no mercado internacional e traz novas garantias para as empresas envolvidas no projeto”, diz Paul Conolly, diretor da LIU, que projeta crescimento de 46,5% em grandes riscos em 2010.
Segundo o suíço Emanuel Bats, responsável pela carteira de seguro de riscos de engenharia da Zurich, o grupo atende 134 das 225 construtoras globais, entre elas as principais brasileiras. Luciano Calheiros, diretor da área de seguro patrimonial da Zurich, afirma que há capacidade suficiente no Brasil para investimento de qualquer porte. “Temos US$ 140 milhões em capacidade para contratos de risco de engenharia, o suficiente para garantir a perda máxima de um projeto com investimentos de R$ 1 bilhão”, diz. Em seguro garantia, a capacidade é de US$ 500 milhões e em transporte de grandes equipamentos a Zurich tem US$ 90 milhões por embarque.
A agressividade espanhola tem rendido contratos para a Mapfre, entre eles o da Transnordestina, ferrovia com mais de 1,8 mil quilômetros no Nordeste do país. Nos contratos de seguros envolvendo Copa e Olimpíada, a expectativa da Mapfre é de que o setor terá uma receita extra de R$ 1 bilhão em contratos diversos. “Nos preparamos para ter no mínimo uma fatia de 10%”, diz Octavio Bromatti, diretor de grandes riscos da subsidiária da Mapfre, maior grupo segurador da Espanha e da América Latina em riscos patrimoniais.
Felipe Smith, diretor-técnico da Tokio Marine, está de olho no mercado de petróleo e gás. A expectativa é de que os investimentos atinjam R$ 295 bilhões entre 2010 e 2013, de acordo com projeções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Só para embarcações são R$ 18,2 bilhões do BNDES”, afirma. A canadense Fairfax começou operar no Brasil no inicio deste ano e conta com quase 40 profissionais para desenvolver negócios corporativos.
Entre as resseguradoras, a subsidiária local da alemã Munich Re fechou o contrato de resseguro para as seguradoras ACE, RSA e Allianz, que juntas dão coberturas para proteger a Impsa dos riscos de construção de 10 instalações eólicas em Santa Catarina, com ativos segurados que superam US$ 1 bilhão, segundo Christian Garbrecht, executivo responsável por desenvolvimento de negócios da Munich Re.
Entre os corretores de seguros e de resseguros a briga promete ser intensa. “Temos mais de 900 projetos de infraestrutura com investimentos de US$ 3 bilhões até 2030″, diz Marcelo Elias, diretor de infraestrutura da Marsh Brasil e América Latina. A Aon investe na captação dos negócios entre os clientes mundiais e no Brasil aposta no treinamento. “Fizemos mais de 15 mil horas de treinamento e mandamos mais de 20 técnicos para serem treinados no exterior”, acrescenta Fernando Pereira, da concorrente Aon.
Construção de Belo Monte novamente em risco
Por Denise Bueno em 08/04/2010
O imbróglio para a construção de Belo Monte, a terceira maior hidrelétrica do mundo, está grande e agora compromete até mesmo as seguradoras que criaram um pool para ofertar garantias para o empreendimento. O Ministério Público do Pará disse que irá notificar oito empresas, entre elas Fator Seguros, JMalucelli e UBF, para evitar que elas cooperem com os danos e ilegalidades que fazem parte do estudo que fará o órgão pedir a anulação da licença pública para a construção da hidrelétrica.
As outras empresas consideradas co-responsáveis, além das seguradoras, são BNDES, Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Vale. As seguradoras, segundo nota divulgada recentemente, formaram um pool para ofertar garantias de R$ 6,5 bilhões para viabilizar a estrutura de financiamento da construção da usina, com recursos estimados em R$ 20 bilhões.
Ontem a Odebrecht e Camargo Correia desistiram de participar do leilão previsto para o dia 20, justificando que o governo não respondeu aos questionamentos sobre o edital. Ficou apenas um consórcio agora, o da Andrade Gutierrez. A expectativa do governo é de que outro se inscreva para acirrar a concorrência pelo preço ofertado.
Segundo noticias dos jornais, os procuradores da República que analisaram o empreendimento apontam afronta à Constituição, às leis ambientais e às resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente entre os oito problemas identificados. Um dos mais sérios é uma análise que afirma que se a hidrelétrica for construída como mostra o projeto poderá secar 100 km de rio e comprometer a água e o alimento das populações.
Petrobras renova seguro por US$ 49,6 milhões
Por Denise Bueno em 28/03/2010
A Petrobras informou na sexta-feira que a Itaú Seguros venceu a licitação para três licitações para renovação de apólices de seguros envolvendo prêmios no total de US$ 49,6 milhões para valores em risco de US$ 95 bilhões. A Petrobras solicitou cotação para uma série de franquias alternativas e optou por manter o nível atual de suas franquias que podem, conforme o caso, chegar a US$ 20 milhões. Segundo a nota divulgada, as apólices contratadas são de riscos operacionais, riscos de petróleo e responsabilidade civil geral.
A Itaú Seguros é a líder do contrato com 50%, a Allianz 30% e a Mapfre com
20%, com prêmio de US$ 47 milhões. As apólices de riscos operacionais e de riscos de petróleo cobrem todos os riscos de danos materiais nos principais ativos da Petrobras e suas subsidiárias, como refinarias, terminais, plataformas e outras instalações. A apólice de Responsabilidade Civil Geral cobre os danos materiais e pessoais causados a terceiros, inclusive poluição.
A segunda licitação se refere aos seguros de Transporte Nacional e Internacional, com prêmio de US$ 1,45 milhão, para cobrir danos causados durante as atividades de movimentação de carga da Petrobras e suas subsidiárias.Foi também aprovada a apólice de Responsabilidade Civil Aeronáutica, que cobre as atividades de abastecimento de aeronaves da Petrobras Distribuidora contra danos materiais e pessoais causados a terceiros, com prêmio de US$ 1,13 milhão.
Seguradoras criam pool para atender Belo Monte
Por Denise Bueno em 25/03/2010
As seguradoras JMalucelli, Fator e UBF Seguros anunciaram ao mercado a criação de um pool entre as empresas com o objetivo exclusivo de atender as garantias demandadas pelo Projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), com investimentos estimados em R$ 20 bilhões. Estima-se que o valor total das garantias para o Projeto da UHE Belo Monte, incluindo garantias a investidores e fornecedores deva girar em torno de R$ 6 bilhões.
Segundo comunicado do grupo, está é o maior volume de garantias já originado por um único projeto no Brasil. Porém, segundo notícias divulgadas quando o seguro do Rio Madeira foi fechado pela corretora de seguros OCS, do grupo Odebrecht, o valor supera a de Belo Monte, com R$ 9,5 bilhões.
A nota diz que a intenção deste pool constituído por três tradicionais seguradoras de garantia que juntas representam mais de 50% do mercado brasileiro, com prêmios aproximados de R$ 700 milhões em 2009, é unir a expertise de subscrição das empresas, bem como suas capacidades próprias e de resseguro.
Na opinião de Alexandre Malucelli, vice-presidente da JMalucelli, seguradora líder do pool, este movimento deve gerar um impacto positivo no mercado, uma vez que sinaliza que o mesmo está apto a atender a demanda de seguro garantia para mega-projetos. “Esta parceria demonstra a maturidade dos players envolvidos, bem como potencializa a capacidade das seguradoras do pool em prover soluções adequadas aos clientes e aos beneficiários das garantias”.
O anúncio vem em um momento em que o governo prepara a criação de uma seguradora estatal para dar apoio a iniciativa privada em prover seguro garantia aos projetos milionários de investimentos em infraestrutura.
André Marino Gregori, Diretor da Fator Seguradora, ressalta que com a sofisticação do mercado de seguros, especialmente no de seguro garantia, parcerias inovadoras como esta são muito bem vindas pois agregam valor ao cliente, especificamente no que diz respeito à know-how e capacidade financeira. “No caso da Fator Seguradora, isto tem sido uma realidade do nosso dia a dia. Desta forma o cliente sempre será melhor atendido. “
Trata-se de uma parceria inovadora que com certeza será seguida por outros setores da economia. “Neste modelo todos ganham, pois a experiência das maiores seguradoras do Brasil unidas em projetos desta magnitude contribuem para resultados de sucesso de seus clientes e, consequentemente, para o crescimento do país”, afirma Luiz Roberto Paes Foz, presidente da UBF Seguros.
Localizada no Rio Xingu, próximo à cidade de Altamira, Belo Monte deve gerar 11.233 MW o que equivale a 10% da demanda brasileira, tornando-se a 3ª maior Usina Hidroelétrica do mundo. O Leilão da ANEEL que possivelmente contará com a participação de dois ou três consórcios está agendado para o próximo dia 20 de abril, devendo cada participante apresentar suas garantias de propostas no valor de aproximadamente R$ 220 milhões, iniciando desta maneira a expressiva demanda de garantias estimada pelo pool de seguradoras.
Indústria de seguros no Brasil desenha novo perfil
Por Denise Bueno em 07/03/2010
O novo perfil da indústria de seguros brasileira começa a ficar mais claro, após dois anos de intensas mudanças realizadas para preparar o setor para este ciclo virtuoso de evolução da economia no qual o Brasil está engrenado. “O crescimento do país não é mais uma expectativa e sim uma realidade. As seguradoras têm um papel importante na manutenção deste circulo virtuoso que se criou“, disse Joaquim Levy, secretario de Finanças do Rio de Janeiro, em sua palestra de abertura do II Brazilian Reinsurance Conference, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 5 de março.
O evento, promovido pela revista britânica Reactions e que teve como principais patrocinadores o grupo francês Scor e o IRB Brasil Re, debateu os desafios e oportunidades da indústria de seguros no Brasil. Tanto um quanto outro são enormes. De um lado, um setor que vem crescendo a taxas de dois dígitos desde 1994, com a estabilização da moeda brasileira. Em 2009, as seguradoras faturaram quase R$ 100 bilhões.
O Brasil é um forte candidato a galgar cinco posições no ranking mundial das maiores economias do mundo. Isto quer dizer que haverá negócios para todos os segmentos da indústria de seguros, desde seguros de R$ 2 para ofertar a uma nova classe de consumidores que se consolida com o crescimento da economia brasileira até garantias para assegurar que os milionários contratos que serão assinados para viabilizar a realização dos dois jogos esportivos mundiais, a Copa Mundial em 2014 e as Olimpíadas em 2016.
Jacques Bergmann, ex-executivo do Itaú na área de grandes riscos e que há quase um ano aguarda a autorização da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para oficializar a atuação da seguradora canadense FairFax no Brasil, prevê que entre 2010 e 2014 os prêmios dos seguros de garantia de contratos e de riscos de engenharia deverão somar R$ 9 bilhões. Hoje as duas carteiras somam menos de R$ 500 milhões.
Prêmios de R$ 9 bi em garantia e riscos de engenharia
“Se levarmos em conta os mais de 200 programas de investimentos estimados com investimentos acima de US$ 200 bilhões já em andamento no Brasil, os prêmios deste dois seguros, presentes em praticamente todos as obras de infraestrutura, representam R$ 3 bilhões. Além dos investimentos já anunciados, muitos outros virão para sustentar o crescimento do Brasil e preparar todos os setores para a demanda da Copa e Olimpíadas”, argumenta o executivo.
Além dos jogos esportivos, Pierre Ozendo, presidente e CEO da Swiss Re América, cita a importância da agricultura brasileira, um mercado ainda incipiente para seguro e resseguro e com grande demanda, os investimentos necessários em energia para suportar o crescimento.
Segundo previsões da segunda maior resseguradora do mundo, os preços das commodities e de alimentos ficarão elevados nos próximos anos, favorecendo o Brasil, tido como a quinta maior economia do mundo em 2050 e o terceiro maior em vendas de automóveis em 2025, atrás da China e Estados Unidos. “Este cenário traz um panorama muito positivo para o crescimento da indústria de seguros e resseguros brasileira”, disse em sua palestra.
Com tais números, o otimismo é uma realidade. Mas os desafios também são, principalmente se considerarmos que este mercado sofre hoje da asfixia que monopólios criam a uma economia. Durante 69 anos as seguradoras conviveram com apenas um ressegurador, o IRB Brasil Re, único autorizado a fazer resseguro, popularmente conhecido como o seguro das seguradoras.
Todos estão animados com a abertura, até mesmo o IRB Brasil Re. Nos dois primeiros anos de mercado, que se completam em abril, o IRB ainda detém quase 80% dos negócios. “É notável que o Brasil já tem quase 70 empresas de resseguros atuando em dois anos de abertura”, diz Joaquim Levy. Cingapura, por exemplo, demorou quase seis anos para ter o número de sindicatos do Lloyd’s of London que o Brasil atraiu em dois anos.
“Estas empresas já movimentam prêmios de R$ 500 milhões e o IRB Brasil Re tem se adaptado ao mercado aberto”, acrescenta Levy. Tanto se adaptada que se prepara para expandir suas operações para a América Latina e também operar com mais força no seguro garantia, ramo que tinha pouco apetite na época do mercado fechado.
Mas se depender dos concorrentes, o market share do IRB vai se reduzido. “Só estamos aqui porque acreditássemos na queda da participação do IRB”, disse Mark Byrne, presidente e fundador da Flagstone Re. Benjamin Gentsch, CEO da Scor Global Property & Casualty, reconhece que a participação do IRB é elevada após dois anos de abertura. “Mas é preciso ressaltar que o mercado não é totalmente aberto e isso justifica a eleva participação”.
Durante os dois primeiros anos de abertura, os resseguradores locais, onde se encaixa o IRB, tiveram o direito da oferta preferencial de 60%. A partir de janeiro, o percentual foi reduzido para 40%. “Isso vai mudar e vamos desenvolver um mercado aberto. A Scor quer otimizar os ramos que são atraentes. Há carteiras muito expostas e que necessariamente não se encaixam no nosso foco de negócios”, acrescenta o executivo da Scor.
IRB mantém a preferência mesmo com abertura
O IRB, que há anos vem se preparando para o mercado aberto, reage a críticas com um tom de parceria. “Estamos motivados e com grande expectativa no curto e médio prazo. Há muitos investimentos programados para acontecer e eles vão precisar de todo o mercado. Há negócios para todos no Brasil”, diz Rogério Acquarone, diretor do IRB.
As seguradoras, por sua vez, correm contra o tempo. João Carlos Botelho, responsável por resseguro no Itaú Unibanco, afirma que as seguradoras demoraram a se preparar para um mercado aberto de resseguro porque não acreditavam que a abertura realmente aconteceria. “Foram tantos anos de discussão, que era difícil acreditar que ela fosse concretizada”.
“Como seguradora esperamos uma contribuição mais profunda e intensa dos resseguradores, que hoje oferecem capacidade. Precisamos, no entanto, de novos produtos e que eles tragam experiência para as seguradoras”, afirmou Akira Harashima, presidente da Tokio Marine.
A vingança do underwriter
A quebra de paradigmas e das mudanças internas dentro das seguradoras é uma realidade no dia-a-dia. Elas investem em tecnologia para ter um banco de dados capaz de ajudar na precificação do contrato de seguro. “Eu diria que é a vingança dos underwriters”, brincou o presidente da Generali, Frederico Baroglio. Ele se refere a mudança de padrão de prioridades no fechamento de contratos, sendo hoje o cálculo técnico mais importante do que o aspecto comercial. Este profissional é importante, pois assim como há grandes contratos para serem segurados, há grandes sinistros para serem pagos caso as contas não sejam bem feitas.
Em razão dos atuários terem sido ignorados durante os anos de monopólio, uma vez que o preço do resseguro era determinado pelo IRB, há uma grande carência de profissionais que façam subscrição de riscos, executivos conhecidos como underwriting. “Nem mais roubar funcionários da concorrência atende a necessidade que temos no mercado. Precisamos preparar nossas equipes para estarem aptas a encarar os desafios do setor nos próximos anos”, afirma Antonio Trindade, executivo do Itaú Unibanco responsável por grandes riscos.
Além dos profissionais, o monopólio podou a criativadade das seguradoras em relação a produtos, uma vez que as apólices eram desenhadas pelo IRB para todo o mercado. Agora é preciso oferecer ao cliente contratos e serviços diferenciados. “Criamos mais de 20 novos produtos neste último”, disse Luis Maurette, presidente da Liberty Seguros, em sua fala no painel onde CEOs de seguradoras analisaram os dois anos de abertura do resseguro. Além dos produtos, a Liberty diversificou a operação, trazendo para o Brasil a subsidiária de gestão de grandes riscos do grupo Liberty Mutual, a Liberty Internacional Underwrinting (LIU).
Marcos Couto, presidente da ACE, aproveitou o momento para ressaltar a importância do cliente. “Neste evento estamos falando nós para nós mesmos. Precisamos envolver o cliente na discussão. Fazer mais evento com o segurado”, reforçou.
Cliente quer ser ouvido pelo setor
A única empresa compradora de seguro com direito a proferir palestra no evento foi Marcos Mendonça de Mello, coordenador de seguros da AES Brasil Company. E ele fez questão de dizer que a parceria entre cliente, seguradora, ressegurador e corretor é prioritária. “Quem conhece o risco é o segurado. Com certeza nós podemos desenvolver juntos soluções para o mercado”, afirmou.
Muitos clientes queixam-se dos preços elevados e da falta de apetite das seguradoras pelo risco. No próximo dia 15, a Petrobrás vai receber as propostas das seguradoras para três apólices de seguros, com riscos avaliados em mais de US$ 50 bilhões e prêmios acima de US$ 25 milhões. “Espero uma boa redução de preço e ampla cobertura, afinal o mercado internacional de seguros está num momento muito favorável”, comentou Luiz Octavio, gerente de risco da Petrobras.
Algumas seguradoras deixaram de operar com grandes riscos. De um lado este fato reduziu a oferta. Umas ficaram temerosas do risco de crédito de resseguradores com a crise financeira, uma vez que na ocorrência de um acidente a seguradora é responsável por pagar a indenização, mesmo se o ressegurador não honrar o contrato. Outras em razão de uma nova estratégia de atuação que privilegia mais os seguros massificados do que grandes riscos.
“Por outro lado, esta realidade acirrou a competição entre as seguradoras especializadas internacionais, como Liberty, ACE, Allianz, Mapfre entre outras”, afirma Paulo Pereira, presidente da Associação dos Resseguradores (Aber) e da Transatlantic Re. Para ele, o que há na verdade é risco mal taxado.
Ou seja, alguns clientes não apresentam informações suficientes para o calculo do risco ou tem um histórico ruim. Como conseqüência, o preço do seguro sobe e as coberturas ficam reduzidas. Alguns sequer encontram ofertas no mercado, como é o caso da CSN, que há mais de dois anos está sem seguro e conta com um reserva para fazer frente a perdas inesperadas. A Celesc também enfrenta dificuldades, com várias licitações já realizadas sem o comparecimento de seguradoras com ofertas.
“Dos dez maiores resseguradores do mundo, nove estão no Brasil, que representa apenas 1% do mercado mundial de resseguros”, informa Pereira. E vai além: “Estes números mostram que quem está encontrando dificuldade de comprar resseguro é quem tem um risco ruim, inadequado ou quer um preço que não condiz com a análise de risco exigida pelo mercado internacional”.
Resseguro da Transnordestina fechado em uma semana
Outros riscos, no entanto, são disputados a tapa e com isso o preço fica competitivo. Rodrigo Protássio, da corretora de resseguros JLT, disse que em uma semana conseguiu fechar o resseguro de riscos de engenharia da rodovia Transnordestina, com mais de R$ 5 bilhões em investimentos. “Fizemos uma análise de risco tão detalhada que o primeiro ressegurador que ofertamos ficou com toda a cobertura”, disse. O contrato foi fechado com a seguradora Mafpre e com a resseguradora alemã Munich Re.
Como bem definiu o secretário de finanças do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, a recente catástrofe que aconteceu no Chile mostra a importância do seguro na reconstrução do país. As indenizações, estimadas em US$ 8 bilhões, serão pagas pelas seguradoras aos clientes que tiveram perdas com terremoto e tsunamis que devastaram o país no início de março, causando mais de 800 mortes.
Apesar de o Brasil contabilizar um pequeno número de catástrofes, elas não são mais um item ignorado dos clientes, investidores e governo. “A crise financeira mostrou que ninguém está inume de riscos, sejam eles criados pelo homem ou pela natureza”, comentou Levy. Diante de um cenário de incertezas, a demanda pelo seguro cresce e isto faz com que as apostas neste mercado sejam animadoras.
Aon prevê taxa estável para seguro aéreo
Por Denise Bueno em 19/02/2010
A Aon divulgou ontem um estudo sobre as taxas de seguros que envolvem o setor aéreo. A pesquisa afirma que as taxas de seguros para aeroportos, fabricantes e operadores de controle aéreo recuaram 2% em 2009. O número de passageiros recuou 3,5% em 2009, apesar do mês de dezembro ter registrado alta de 4,5% comparado com 2008. A Aon acredita que os preços para este nicho de clientes deverão se manter estável, com viés de baixa.
Munich Re lidera contrato de usina que explodiu
Por Denise Bueno em 19/02/2010
A Munich Re lidera o pool de resseguradoras envolvidas no programa de seguros contratado pela Kleen Energy Systems, para a construção da usina termoelétrica que explodiu em Middletown, no estado americano de Connecticut no dia 7 de fevereiro. A explosão, segundo relatos, teria ocorrido durante um teste na usina, que ainda estava em construção. Um vazamento em uma tubulação de gás teria sido responsável pela explosão. Cinco pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas.
Segundo divulgaram os sites internacionais, a resseguradora alemã confirmou que lidera a apólice, mas não deu detalhes do que estaria coberto. As reportagens citam que um funcionário da Kleen revelou que tem cobertura de US$ 664 milhões para cobrir o valor estimado do projeto de US$ 212 milhões e também tem crédito para o caso de atraso da entrega da obra. As estimativas do setor apontam para perdas materiais de US$ 50 milhões e outros US$ 100 milhões para prejuízos decorrentes da interrupção de negócios.
Scor, Chartis, Hartford e Associated Electric & Gas Services Ltd (AEGIS) detêm 5% cada. Entre outras participantes, o site Business Insurance cita Starr, ACE, Lloyd’s of London, National Union Insurance e Arch Insurance Group Inc. O site não menciona quem é o corretor da apólice.
Seguradoras lucram com boa safra de satélites
Por Denise Bueno em 01/12/2009
Estudo da corretora Aon divulgado em Londres revela que o seguro de satélites tem se mostrado muito rentável nos últimos cinco anos. De acordo com a publicação, a previsão de lucro para 2009 é de US$ 400 milhões, caso não haja pedido de indenizações até o final deste ano. Este valor significa exatamente a metade do volume de prêmios do mercado mundial, de US$ 800 milhões, pagos pelos segurados para satélites lançados e também em órbita. Mas como as seguradoras tiveram um grande déficit em 2007, o lucro servirá para amenizar a perda passada e com isso os preços deverão apresentar apenas uma ligeira queda.
No terceiro trimestre de 2009, foram ao ar segurados cinco lançamentos: dois Ariane 5s, dois Protons e um Long March 3B, o que gerou cerca de US$ 154,6 milhões de faturamento para o mercado de seguros. O Long March 3B ficou aquém da órbita de destino, devido a uma anomalia na terceira fase, mas os engenheiros conseguiram manobrar a nave, o que resultou em uma perda de apenas um terço da vida da nave espacial.
Segundo Clive Smith, líder da unidade de negócios espaciais, disse no comunicado que a demanda de empresas de comunicação por satélite continua crescente, principalmente para aumentar a capacidade de banda larga e teve a cabo. Há também muitos lançamentos para vigiar a poluição da terrae monitorar movimentos de desastres naturiais.
A crise financeira reduziu o lançamento de satélites, uma vez que faltou capital para novos projetos. “Mas o ritmo começa a voltar a esta indústria, com projetos interessantes”, diz Smith. “A saúde da indústria de seguros significa que ela está bem posicionada para apoiar programas de satélites, oferecendo uma capacidade suficiente para satisfazer as exigências dos investidores”.
Perdas com catástrofes chegam a US$ 52 bilhões
Por Denise Bueno em 01/12/2009
Segundo estudo divulgado ontem pela Swiss Re, as catástrofes naturais e feitas pelo homem já acumulam um total de US$ 52 bilhões em 2009, bem abaixo dos US$ 267 bilhões de 2008. O total das perdas seguradas chega a US$ 24 bilhões, sendo US$ 21 bilhões em catástrofes naturais e US$ 3 bilhões em acidentes causados pelo home, segundo dados preliminares.
Praticamente o dobro do valor registrado em 2008, quando as indenizações atingiram US$ 50 bilhões, diz o estudo. A fraca safra de furacões nos Estados Unidos é a razão do valor das indenizações pagas pelas seguradoras estarem muito aquém do valor registrado nos últimos anos. Na Europa, no entanto, o custo com enchentes tiveram forte elevação na média de indenizações pagas.
As indenizações nos sete primeiros meses do ano apresentam o dobro da media dos últimos 20 anos. Entre janeiro e julho deste ano, cinco eventos ultrapassaram os custos em US$ 1 bilhão. A chuva de inverno chamada de Klaus, que em janeiro castigou França e Espanha, foi o evento mais caro, com perdas de US$ 3,5 bilhões. Em julho, as chuvas com fortes raios na Suíça e Áustria custaram outros US$ 1,25 bilhão. Nos EUA, as chuvas de inverno e dois tornados geraram perdas seguradas de US$ 3,5 bilhões, segundo informa o estudo.
Em todo o mundo, aproximadamente 12 mil pessoas morreram nas catástrofes, comparadas com 240 mil em 2008. A região mais afetada foi a Ásia, com o terromoto na Indonésia em setembro, onde mil vidas foram perdidas. A passagem de três tufões tirou outras 2 mil vidas. Segundo Thomas Hess, economista chefe da Swiss Re, comentou que em 2009 todos agradecem de ter não ter visto algo como o furacão Katrina, que em 2005 causou perdas de US$ 71 bilhões.
Preço do seguro dispara com notícias de Dubai
Por Denise Bueno em 27/11/2009
O pedido de renegociação de dívidas do braço imobiliário do banco Dubai World assustou as seguradoras e resseguradoras de todo o mundo ontem. O reflexo disso foi a subida do custo de seguro financeiro, especialmente o garantia., segundo reportagem do jornal britânico Financial Times. Segundo o FT, os preços ganharam zero a mais. A previsão de inadimplência saltou do US$ 60 mil para US$ 500 mil para cada US$ 10 milhões da dívida garantida por cinco anos.
Algumas seguradoras já sofrem com a queda do valor de suas ações nas bolsas. Parte dos financiamentos de megas projetos, que consumiram mais de US$ 80 bilhões nos últimos quatro anos, foi bancada pelo banco oficial, que passou bem pelo pior momento da crise, mas começa a enfrentar problemas agora com a fuga de capital dos investidores para países emergentes como o Brasil. A desvalorização dos imóveis e a retração dos mercados atingiram em cheio o banco mudial de Dubai.
A expectativa é de que novos casos de dificuldades possam ocorrer e com isso o preço do seguro para recuperar perdas já foi reajustado para várias regiões, uma vez que o setor ainda não tem claro qual será a extensão da renegociação. Praticamente todas as operações estruturadas de financiamentos contam com uma apólice de seguro para garantir parte das perdas, financeiras e materiais, causadas por riscos eventuais como o não pagamento ou catástrofes feitas pelo homem ou provocadas pela natureza.



