JMalucelli e Chartis lideram renovação da CCR

Por Denise Bueno em 22/12/2009

ccrJMalucelli e Chartis (ex-AIG) foram as principais empresas envolvidas na renovação do seguro da CCR, o maior grupo privado de concessões de infraestrutura do País. O programa de seguros de garantia (Facility) tem valor total de R$ 2,2 bilhões e renova as garantias dadas pela concessionária ao governo de que cumprirá os contratos em vigor. A apólice tem vigência de um ano.

A oferta de capacidade chegou a R$ 3,1 bilhões, o que mostra o apetite das resseguradoras, confirmando a tendência observada nos encontros anuais realizados, sendo o principal em Baden Baden (Alemanha). Durante os quatro dias que se reuniram com clientes, as resseguradoras deixaram claro que disponibilizarão farta capacidade para empresas com bom histórico de riscos.

O contrato contou com a intermediação da corretora CSCR, das seguradoras J. Malucelli, líder no mercado brasileiro, além da Chartis. Entre as resseguradoras, apoiaram o programa a JMalucelli Re, a Munich Re, o IRB – Brasil Re e um pool de resseguradoras mundiais.

“A CCR é uma das maiores compradoras de seguro de arantia do mundo, com uma exposição aproximada de R$ 1,4 bilhão. A conclusão deste negócio nos permite participar das novas oportunidades nos setores de concessão de rodovias, transporte de passageiros e inspeção veicular ambiental que devem surgir em 2010”, afirma o diretor-financeiro e de relações com investidores da empresa, Arthur Piotto, em nota.

A JMalucelli tem investido pesado na especialização. É a seguradora líder do garantia no Brasil há anos e a partir de 2008 também da América Latina. Em 2008, com US$ 115,2 milhões e mais de 42 mil apólices de garantia emitidas, liderou o ranking da região, à frente das três mexicanas que até então reinavam neste setor: Monterrey, Insurgentes e Sofimex. A tendência é de consolidar sua liderança com a resseguradora. A JMalucelli Re obteve recentemente autorização para atuar no Paraguai, Equador, Costa Rica e República Dominicana.

A Chartis volta com tudo depois da imensa crise que abateu o grupo em 2008 e fez o governo americano injetar mais de US$ 180 bilhões para evitar a quebra da maior seguradora do mundo, que levaria junto consigo outras importantes instituições financeiras. A Chartis também viabilizou as garantias do grupo Odebrecht nesta semana para garantir os desembolsos da agência de fomento CAF. Segundo divulgou a Bloomberg, analistas de seguros acreditam que a idéia é reconstruir a AIG por meio da Chartis, uma vez que esta estratégia se mostra mais bem sucedida do que o IPO previsto inicialmente pela direção do grupo.

Entre os futuros projetos no setor de concessão de rodovias estão a licitação dos trechos sul e leste do Rodoanel, a terceira rodada de concessões de rodovias no Estado de São Paulo, cerca de 6 mil quilômetros de estradas em Minas Gerais e a retomada do programa federal. Nas outras áreas de interesse, há a expectativa da expansão do metrô em Curitiba, Brasília e Porto Alegre, além dos projetos do Expresso Aeroporto e do Trem de Alta Velocidade, ligando as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.

 

 

Preço do seguro dispara com notícias de Dubai

Por Denise Bueno em 27/11/2009

dubaiO pedido de renegociação de dívidas do braço imobiliário do banco Dubai World assustou as seguradoras e resseguradoras de todo o mundo ontem. O reflexo disso foi a subida do custo de seguro financeiro, especialmente o garantia., segundo reportagem do jornal britânico Financial Times. Segundo o FT, os preços ganharam zero a mais. A previsão de inadimplência saltou do US$ 60 mil para US$ 500 mil para cada US$ 10 milhões da dívida garantida por cinco anos.

Algumas seguradoras já sofrem com a queda do valor de suas ações nas bolsas. Parte dos financiamentos de megas projetos, que consumiram mais de US$ 80 bilhões nos últimos quatro anos, foi bancada pelo banco oficial, que passou bem pelo pior momento da crise, mas começa a enfrentar problemas agora com a fuga de capital dos investidores para países emergentes como o Brasil. A desvalorização dos imóveis e a retração dos mercados atingiram em cheio o banco mudial de Dubai.

A expectativa é de que novos casos de dificuldades possam ocorrer e com isso o preço do seguro para recuperar perdas já foi reajustado para várias regiões, uma vez que o setor ainda não tem claro qual será a extensão da renegociação. Praticamente todas as operações estruturadas de financiamentos contam com uma apólice de seguro para garantir parte das perdas, financeiras e materiais, causadas por riscos eventuais como o não pagamento ou catástrofes feitas pelo homem ou provocadas pela natureza.

 

 

Mapfre vence licitação da Petrobras

Por Denise Bueno em 04/11/2009

plataformaSegundo noticiou hoje o jornal Brasil Econômico, a Petrobras fechou com a Mapfre o seguro de riscos de engenharia e de responsabilidade civil para a construção e montagem das estações de compressão de Prado (Bahia), Aracruz (ES) e Píuma (ES). O valor total dos riscos envolvidos nesse investimento é de US$ 1,2 bilhão, mas é comum que não se contrate o seguro para o valor total. Nesse caso, as apólices vão cobrir até US$ 270 milhões em casos de sinistros de engenharia e até U$S 50 milhões em caso de responsabilidade civil.

 

 

ACE disputa contratos da Copa 2014

Por Denise Bueno em 01/09/2009

capkirdvcak648w1caztq66hcamzg10jcab082xfcaqfuk0aca7r0upqcaphv4lbcaxoyjdmca8zm9xpcaqjit3gcayh18psca8bgqsccajp002scar1jf8cca93f4q6cajb5tarca4kumfqcas7m4e0A realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 tem movimentado a indústria de seguros local. Segundo projeções de executivos do mercado, com investimentos previstos em mais de R$ 100 bilhões em obras de infraestrutura, que podem gerar algo próximo de R$ 1 bilhão em prêmios de seguros, as seguradoras treinam suas equipes de vendas para conscientizar os investidores da existência do seguro como um mitigador de riscos.

Entre elas, a ACE, com faturamento global superior a US$ 19 bilhões, busca se posicionar para abocanhar parte dos seguros do mundial. “A ACE está presente em 50 países e com negócios em 140 nações. Nessas condições, a empresa está continuamente envolvida com seguros e resseguros de grandes eventos”, diz Marcos Couto, presidente do grupo no Brasil.

No Brasil, por exemplo, ela foi responsável pela proteção securitária do histórico show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, que reuniu mais de um milhão de pessoas em um acontecimento que considerou uma ampla variedade de riscos. Alguns shows memoráveis que lotaram estádios brasileiros tais como os do U2, Banda RDB e outros também contaram com a proteção da ACE. Da mesma forma, o carnaval do sambódromo de São Paulo diversas vezes contratou o seguro da companhia. Veja a seguir a entrevista:

Sonho Seguro: Como a ACE esta se preparando para atender a demanda de seguro para a Copa de 2014?
Marcos Couto - A ACE espera ter uma grande participação nos investimentos que serão realizados ao longo dos próximos anos para a realização da Copa. Estamos planejando junto com nossos escritorios regionais uma estratégia para atender as diversas demandas que surgirão em vários segmentos de seguros, entre eles os Riscos de Engenharia, Garantia e Responsabilidade Civil, entre outros.

SS - Que tipo de produtos acredita que terá maior procura?
MC - Acreditamos que os Riscos de Engenharia e o Garantia e os de Responsabilidae Civil serão os mais disputados, pois estas modalidades de seguro estarão diretamente ligados aos investimentos que serão realizados tanto pela área pública com o privada. A alta movimentação de publico gerará também uma demanda por seguro viagens e assistências, além das necessidades proprias da rede hoteleira em estar protegida contra possiveis acontecimentos com seus hospedes, durante a realização do evento.

SS- Quais seguros o grupo tem interesse em oferecer para garantir a realização deste evento?
MC - Na área de garantia, poderemos oferecer os seguros de performance tradicionais e sabemos que a demanda principal se dará na área de construção. Entre os principais produtos a serem oferecidos são seguro garantia em suas quatro versões: licitante; executante; adiantamento de pagamento; e de perfeito funcionamento.

SS - Esses seguros serão comprados por qual tipos de empresas?
MC - Estes seguros podem ser oferecidos para construtoras, fornecedoras de equipamentos e prestadores de serviço, lembrando que para os dois últimos não possuímos as restrições que temos para construtoras . Normalmente os seguros de Garantia, como o proprio nome diz, estão muito ligados a fatores que visam garantir a execução de obras e sua entrega no prazo, e a consequente realização do evento.

SS - E quais outros seguros serão demandados com a Copa?
MC - Os seguros de Responsabilidade Civil também serão muito importantes devido a grande quantidade de obras, e transito de pessoas antes e durante a realização da Copa. Os principais produtos serão para os contrutores, para hoteis, por exemplo. Também acredito que haverá grande demanda pelo Responsabilidade Civil Profissional e Responsabilidade Civil Geral e outros seguros destinados ao público também serão oferecidos, como seguro viagem, Acidentes pessoais com assistencia etc.

SS - Em quais eventos mundiais o grupo ACE participou e com quais tipos de apólice?
MC - A ACE por ter atuação mundial certamente já participou de vários outros eventos de Grande porte a nível local e mundial, seja como seguradora ou ressseguradora, tais como Formula 1, grandes shows de renomados artistas, etc. e que geram uma movimentação grande de pessoas e investimentos, que por sua vez beram necessidades adicionais de seguros.

 

 

Usina Santo Antonio, um case mundial

Por Denise Bueno em 19/07/2009

camv816jca08xhtxcaq47n75ca9ozfxvca9g1ngicaqaekegcanxrcldcajn587oca9di1cqcab8g46ica0j6t3bcaxcdaewcartlax7ca52vygeca7umwsxcahmhollca5cz0sucakqs1rrcao10ftxNem mesmo a crise foi capaz de suspender a necessidade do Brasil em projetos urgentes de infraestrutura. A concretização do “project finance” da Usina Santo Antonio, com prazo de 25 anos, em um período tão conturbado como o início do ano, é um fato histórico no mundo. Segundo a consultoria internacional que analisa o mercado de investimentos, o project finance de R$ 6,2 bilhões para a Santo Antônio Energia, concessionária responsável pela construção e operação da usina, foi o maior crédito obtido por um projeto no primeiro trimestre de 2009 no mundo.

Do crédito total da Santo Antonio, R$ 3,1 bilhões representam investimentos diretos do BNDES e os outros R$ 3,1 bilhões são repasses conduzidos por oito instituições financeiras, entre elas o Itaú Unibanco, o Santander, a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste do Brasil, Bradesco e Banco do Espírito Santo (BES). O empréstimo tem custo de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e prêmios que variam de 3,8% a 2,8%.

A usina Santo Antônio (foto do projeto), localizada no Rio Madeira, em Porto Velho (RO), será a terceira maior hidrelétrica do Brasil em energia assegurada, com uma potência instalada de 3.150 megawatts, equivalente a 4% de toda a energia gerada no Brasil.

“O apoio do governo para obras de infraestrutura foi essencial para a realização deste projeto”, diz Felipe Jens, titular da Odebrecht Investimentos em infraestrutura, detentora de 18% das ações e que participa do bloco de controle da Santo Antonio Energia. O apoio do governo por meio do BNDES traz conforto e segurança, facilitando a entrada de investidores no projeto.

O Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI FGTS) se tornou sócio da Santo Antonio Energia recentemente, comprando metade da participação do Santander em um fundo que detinha 20% da controladora da concessionária do Madeira. Com a mudança, o FGTS passou a deter 4,98% do capital total da Santo Antonio Energia, a Cemig 10% , a Andrade Gutierrez, 12,4%, Furnas Centrais Elétricas, 39%, e a Odebrecht 18%.

O empenho da OCS Corretora de Seguros, controlada pelo grupo Odebrecht, que desde 2005 trabalha na conquista de garantias para o projeto, também foi fundamental para a concretização do financiamento. Mesmo com a aparente inexistência de capital para seguro de garantia com a falência da seguradora AIG, até então a maior do mundo, a corretora cativa do grupo conseguiu obter uma apólice de R$ 9,5 bilhões para cobrir os riscos de engenharia. Trata-se da maior importância segurada já dada pela indústria de seguros no mundo. Há também um seguro garantia de R$ 2,4 bilhões, que garante aos financiadores que a obra será construída dentro do prazo previsto.

Segundo Marcos Lima, responsável pela OCS, esta vitória foi fruto da parceria desenvolvida ao longo das duas últimas décadas, quando o project finance se tornou prioritário dentro do grupo Odebrecht para viabilizar investimentos dentro e fora do país. “São mais de US$ 16 bilhões em garantias nos últimos 18 anos sem nunca ter executado um pedido de indenização”, diz.

A Odebrecht projeta investir R$ 19,2 bilhões no triênio 2009 a 2011. Entre os principais investimentos do grupo estão rodovias federais que entram na terceira fase, projetos de energia como Belo Monte, além das possibilidades de desenvolvimento portuário e de aeroportos. Para tudo isso, a aposta do grupo é no desenvolvimento de formas híbridas de programas estruturados de investimento.

A Odebrecht usa o project finance para financiar boa parte dos projetos dos quais participa. O uso de operações estruturadas garantidas por instrumentos financeiros foi responsável inclusive pela formação da empresa petroquímica da Odebrecht, em 2002. “Uma operação estruturada de financiamento, usando o seguro, viabilizou a criação da Braskem”, conta Lima. Em 1992, quando o grupo estava às voltas para fechar o financiamento para a construção da plataforma marítima Petrobras 18, o seguro garantia foi o facilitador. “A apólice é uma espécie de aval que se a Odebrecht não concluísse a obra, a seguradora garantiria o término”. Em pouco tempo, um pool de seguradoras estrangeiras emitiu uma garantia de US$ 272 milhões e a P-18 ainda opera na Bacia de Campos, no Rio, com capacidade de 100 mil barris diários de petróleo.

O atual cenário macroeconômico do Brasil colabora para o sucesso das operações. “Estamos sofrendo nos últimos meses, pois o governo teve de tomar atitudes anticíclicas, mas o Brasil deu um passo importante em termos de respeito de contratos, conquistando a confiança do investidor, que passa a acreditar que qualquer que seja o governante, a estabilidade significa prosperidade”, analisa Jens.

O reconhecimento por parte do governo em priorizar o desenvolvimento de parceiros privados, com garantias, soluções e eficiência é a saída para fazer os projetos decolarem. “O Brasil conseguiu derrubar mitos e o resultado empírico que se percebeu é que tem muito valor agregado no desenvolvimento”.

Esta confiança faz o investidor olhar com bons olhos para os projetos de infraestrutura, tidos como prioritários. “Eles olham os retornos que podem ter em aplicar no longo prazo em ativos de qualidade, com rentabilidade diferenciada e segurança de países desenvolvidos”, diz Jens. E é esta confiança que trará recursos para os projetos acima de 10 anos de maturação.

A conclusão que fica é que o novo ciclo de projetos privados será financiado com o apoio do BNDES, mas deverá contar necessariamente, com um componente crucial de recursos captados através de ativos alternativos, no emergente mercado de capitais doméstico de longo prazo.

*Matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura do jornal Valor Econômico

 

 

Seguros de garantia e de crédito enfrentam crise*

Por Denise Bueno em 04/06/2009

42-20913771A crise começa a fazer suas vítimas na indústria de seguros. Dois produtos financeiros, seguro garantia e de crédito, começam a enfrentar dificuldades. Depois de vivenciar dois anos de farta capacidade e taxas baixas, a atual realidade do seguro garantia é de redução de investidores interessados e aumento da sinistralidade, que já começa a ser sentida pelo consumidor brasilero. “Garantia é um segmento que tem forte dependência do resseguro e por isso sofre com o cenário externo”, disse Alexandre Malucelli, presidente da JMalucelli Re durante sua palestra no VIII Encontro Anual do Comitê do Setor Elétrico, realizada em Belo Horizonte entre os dias 2 e 4 de junho e promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR).

A consequência é o aumento do preço, maiores exigências de garantias e informações ainda mais detalhadas dos riscos. “Está é a realidade que pude constatar nos últimos dias. A crise afetará o segmento no Brasil. Mas também é correto afirmar que este cenário desafiador nos traz muitas oportunidades”, disse ele para uma platéia responsável pelo maior número de projetos de infra-estrutura para serem aprovados no Brasil, durante o VIII Encontro Anual do Comitê do Setor Elétrico, realizado em Belo Horizonte entre 2 e 4 de junho.

Já o seguro de crédito, cujo efeito é mais imediato do que o de garantia, deverá passar por uma forte reformulação. As seguradoras de crédito enfrentam sérios problemas com a inadimplência na crise. Segundo Malucelli, durante suas conversas com resseguradores a sobrevivência do seguro de crédito é muito questionada.

“A imagem que ficou foi de ter a seguradora como um guarda chuva que quando começou a tempestade a companhia o pegou de volta e fechou”. Os governos da França, Espanha e Inglaterra criaram linhas para socorrer as empresas diante deste cenário, evitando assim o corte das linhas de crédito, sem muito sucesso. O resultado é uma ampla discussão sobre como ficará este segmento nos próximos anos.

No garantia, a crise tem um efeito mais retardado, porém será sentido com mais ênfase no segundo semestre. Empresas boas enfrentam dificuldade de liquidez, o que deverá se normalizar no próximo ano. “Hoje o que vemos são empresas pequenas obtendo a cobertura por estarem dentro dos limites dos contratos automáticos. Já para grandes projetos as taxas estão mais elevadas e mesmo assim faltam recursos para prover a capacidade”.

Tentar projetar um futuro por enquanto ainda é uma missão quase impossível. Para Malucelli, o futuro próximo destes dois segmentos de seguro é de consolidação, reduzindo o número de concorrentes. “Já vemos muitos efeitos em diversas áreas com a falta de cobertura para projetos importantes”.

Segundo ele, as companhias ficarão ainda mais seletivas em razão da lucratividade ter de vir do operacional, uma vez que do financeiro será difícil, com taxas de juros declinantes e investidores com aversão a risco neste momento. Os bancos começam a voltar a competir com o seguro garantia ofertando fiança bancaria. “Esses fatores criam um cenário desafiador e cheio de oportunidades”, conclui Malucelli.

*a jornalista viajou a convite da Mapfre Seguros

 

 

JMalucelli e Hannover: parceria

Por Denise Bueno em 14/02/2009

malucellihannoverO grupo Hannover Re, quinto maior ressegurador do mundo, e a JMalucelli Re, resseguradora local, assinaram uma parceria que visa impulsionar a venda de seguros de vida no Brasil, um segmento que representa menos de 10% das vendas totais das seguradoras brasileiras, excluído o VGBL, um produto de acumulação de renda. Menos de 3% do total dos prêmios de vida e acidentes pessoais, cerca de R$ 7 bilhões em 2008, conta com um programa de resseguro. Em países desenvolvidos, o ramo vida representa praticamente a metade das vendas totais de seguro, deixando claro o potencial do Brasil.

O acordo, válido pelo prazo de três anos e que prevê exclusividade, visa à construção de um relacionamento entre os dois grupos em prol da indústria de seguros brasileira. “A Hannover treinará a nossa equipe com seu know how e nós desenvolveremos negócios locais para ela com o relacionamento que temos com todo o mercado”, diz Alexandre Malucelli, presidente da JMalucelli Re.

Rudiger Mehl, membro do conselho executivo e responsável pelas operações internacionais da Hannover Life Re, está entusiasmado com o acordo. “O Brasil tem muito potencial na área de vida e saúde. E nos temos muitos produtos e capacidade de resseguro para ajudar as seguradoras brasileiras a aumentar as vendas neste segmento”, comentou durante almoço com jornalistas realizado em São Paulo.

O grupo Hannover tem como meta aumentar a fatia do ramo vida, mais rentável e menos sujeito a oscilações bruscas comparado ao ramo de bens, duramente afetado por catástrofes naturais nos últimos anos. “Nosso objetivo é elevar de 35% para 45% a participação do ramo vida no faturamento total do grupo”, informa Mehl.

Em 2008, o grupo Hannover Re faturou 3 bilhões de euros em prêmios de vida. Em janeiro deste ano anunciou a compra da carteira de vida da americana Scottish Re, adquirida pelo grupo ING em 2004, com prêmios anuais próximos a US$ 1,2 bilhão. A compra fará da Hannover Re a quinta maior resseguradora individual de vida. Na América Latina sua participação é de apenas 100 milhões em prêmios de vida.

A JMalucelli Re, por sua vez, focada em apólices de garantia, atingiu em menos de sete meses os planos traçados para os três próximos anos. “Isso nos permitiu iniciar já o desenvolvimento de negócios em outros segmentos”, conta Malucelli. Com operações iniciadas em junho, a JMalucelli Re encerrou 2008 com prêmios de R$ 130 milhões, atuando junto a seis seguradoras. Também almeja atender as necessidades de resseguro de países da América Latina, onde já entrou com pedido de autorização junto aos órgãos reguladores. A participação de resseguros e seguros, nicho em que é líder absoluto no ramo garantia, no resultado do Banco Paraná, controlador das empresas, foi expressivo: 31% em 2008.

Além da sinergia na área de vida, a parceria entre Malucelli e Hannover aumenta as chances de negócios em resseguro, uma vez que ambas poderão deter 100% dos contratos. Segundo a regulamentação do setor, resseguradoras locais têm a preferência de 60% dos negócios até o final deste ano e de 40% a partir de 2010. Assim, a alemã Hannover, autorizada como resseguradora admitida, passa a contar com o benefício da preferência da paranaense Malucelli, registrada como local.

 

 

JMalucelli investe na emissão de apólice digital*

Por Denise Bueno em 03/04/2008

Ontem, a J.Malucelli Seguradora, especializada em seguro de garantias financeiras, emitiu a 100 apólice digital, dia de inauguração do sistema de certificação. “Foram oito meses de trabalho para desenvolver o programa para a emissão de apólices digitais. Mas o retorno dos nossos clientes e corretores foi fantástico”, diz João Gilberto Possiede, presidente da J.Malucelli.

A emissão digital será feita a partir de agora nas prorrogações, renovações ou novos contratos. A J.Malucelli emite uma média de 3,5 mil apólices por mês. “A cada 15 minutos sai uma apólice da seguradora”, orgulha-se Possiede. Segundo o executivo, o principal encantamento dos clientes é pela rapidez em ter a apólice emitida e pela economia que a iniciativa gera. Tudo isso conta pontos para se conseguir reduzir o custo do seguro.

Uma grande vantagem é a eliminação da fraude, apurada no passado e que trouxe muitas complicações para a imagem do produto. “O risco de fraude está totalmente eliminado”. Um dos incentivadores da implementação da apólice digital foi o ex-titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Renê Garcia. Durante sua gestão, iniciada no governo Lula e encerrada em julho do ano passado, ele teve de gerir vários problemas com fraude em seguro garantia.

Para tentar inibir as fraudes, Garcia baixou uma série de normas. Isso estimulou as seguradoras a buscarem formas mais simples e seguras. Segundo a J.Malucelli, a certificação digital foi uma das soluções encontradas para evitar que as informações de seus clientes sejam acessadas por terceiros. Além disso, o grupo investiu alguns milhões de reais em ferramentas ativas de proteção e solução para segurança dos internautas. Possiede cita a vantagem ecológica, pois não é necessário ter formulários em papel especial para as apólices e nem o gasto com cópias de documentos para reconhecimento de firmas em cartório.

A seguradora encerrou 2007 na liderança do ranking de vendas do segmento. O mercado de seguro garantia encerrou o ano com uma produção de R$ 346,2 milhões, superando os R$ 194,6 milhões obtidos por todas as seguradoras juntas em 2006. A J.Malucelli movimentou prêmios de R$ 174,5 milhões, 50% do market share.

O carro-chefe da seguradora são seguros que garantem contratos entre o setor privado e o governo. O grande crescimento tem vindo dos contratos de construção de usinas hidrelétricas. Outro produto de destaque dentro da empresa é o seguro de garantia judicial, onde a apólice libera os recursos dados como caução.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 03/04/2008

 

 

Usina do Madeira gerará R$ 350 milhões em apólices*

Por Denise Bueno em 12/05/2007

O consórcio Madeira Energia - através de um pool do qual a OCS Corretora de Seguros, do grupo Odebrecht - começa a dar prosseguimento ao pacote de seguros para respaldar o “projetc finance” desenvolvido para o financiamento da construção da hidrelétrica Santo Antonio, no Rio Madeira. Os gastos com seguros deverão representar algo próximo a 3,5% do valor de construção do empreendimento, estimado em R$ 10 bilhões.

Ou seja, somente este projeto (ver mais detalhes na página C2) trará para o mercado de seguros algo próximo a R$ 350 milhões em 2008 com apólices diversas, que vão desde a garantia de contratos entre os integrantes do consórcio até o dano causado a um equipamento no percurso entre a fábrica e o complexo de obras. “Buscamos identificar, quantificar e mitigar os riscos de todas as etapas da operação. O objetivo é assegurar o início da operação e o repagamento da dívida contraída e assim estimular que outros projetos deste porte tenham investidores dispostos a apostar seus recursos com um custo de financiamento menor em razão do gerenciamento dos riscos”, informa Laudelino Soares, diretor OCS, trabalhou no programa de garantias.

Dois importantes agentes envolvidos no projeto, Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) determinaram a contratação de programas de seguros como uma forma de mitigar o risco e garantir a finalização do empreendimento.

Unibanco AIG lidera pool O BNDES publicou condições para financiamento do projeto, entre elas a apresentação de seguro garantia. As apólices serão compradas antes de começar a obra e visam assegurar o cumprimento dos contratos entre as diversas empresas envolvidas. A Unibanco AIG é a líder dos contratos de seguro garantia, juntamente com a J Malucelli e Áurea, que tem entre seus acionistas Bradesco e Munich Re.

Já os seguros que envolvem a construção foram exigidos no edital da Aneel. Para assinar o contrato de concessão, previsto para maio de 2008, segundo cronograma oficial, o Consórcio Madeira Energia terá de apresentar atestado de viabilidade do programa de seguros, emitido por uma seguradora de eficiência comprovada no segmento.

Nesta fase de construção da hidrelétrica, com capacidade prevista em 3,15 mil MW, estão previstos vários tipos de proteção e aqui a concorrência entre as seguradoras será muito acirrada. Isso porque muitas companhia estrangeiras e nacionais anunciaram investimentos na criação de uma diretoria focada em programas de seguros para o setor de energia.

Os seguros mais comuns para garantir eventuais prejuízos em um projeto deste porte são: risco de engenharia, danos materiais, erro de projeto, de fabricação de equipamentos, tumultos greves, transporte nacional e internacional dos equipamentos, responsabilidade civil para indenizar terceiros prejudicados com a construção, risco de contaminação ao meio ambiente, entre outros. “Se uma turbina for danificada durante o transporte e isso atrasar a entrega da obra, por exemplo, poderá haver cobertura para a perda de receita esperada em razão do acidente”, explica o executivo.

Por conta dos princípios de pulverização de riscos grande parte dos contratos, tanto de seguros dos riscos de construção como de seguro garantia, será repassado ao mercado internacional em forma de resseguro. Muitas resseguradoras estrangeiras se preparam para atuar no mercado brasileiro a partir de 2008, quando terá início a abertura do resseguro, há mais de 65 anos uma operação monopolizada pelo IRB Brasil Re. Segundo depoimento dos estrangeiros, o investimento em energia no Brasil era um dos fatores que tornava o País atrativo para este setor.

Será formada pelo consórcio uma Sociedade de Propósito Específico (SPE). Assim que ela for criada, se prevê a compra do seguro Director & Officers (D&O), para garantir perdas que os administradores possam sofrer com ações judiciais de pessoas que se sintam prejudicadas com a gestão da SPE.

Segundo Soares, com um empreendimento desta natureza o mercado de seguros começa a se adequar às práticas internacionais. Um exemplo disso foi a criação do sistema de peritos independentes, que vão acompanhar o andamento das obras, para evitar dúvidas e discussões em casos de sinistros. “É um mecanismo mas ágil e menos burocrático, vital para se mostrar que o seguro garantia é um instrumento eficiente para garantir as obrigações contratuais.”

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 12/12/2007, Finanças, B-2

 

 

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