Ações da Brasil Insurance têm alta de 27%
Por Denise Bueno em 02/11/2010
Em um IPO diferenciado, as ações da Brasil Insurance, que reúne 27 corretoras de seguros espalhadas em todo o país com cultura diferenciada e que assim permanecerão, tiveram uma estreia de sucesso na BM&F Bovespa, ainda mais considerando-se que o primeiro dia de negociações foi ponte do feriado de finados. Mesmo assim, na segunda-feira, primeiro dia de negociações, as ações ordinárias do grupo controlado pelo fundo de private equity Gulf iniciaram o pregão com valorização de 15,92%, para R$ 1.565. No meio do dia, as ações chegaram a ter alta de 22,95%, para R$ 1.660, mas encerraram o pregão com valorização de 27%, movimentando R$ 180,2 milhões e cotadas a R$ 1.720.
Segundo analistas, a primeira recomendação para um IPO de sucesso é ter no mínimo os três últimos balanços financeiros auditados. A empresa não tinha, uma vez que os corretores não publicam balanço. Isso levou a Ernst & Young Terco , auditoria externa da empresa, a ressalvar o parecer que acompanha as demonstrações financeiras.
Uma ressalva significa que há problemas relevantes nos números.
No entanto, os riscos estão todos expostos no prospecto de venda. No documento, os bancos responsáveis alertam que a empresa foi constituída recentemente, sem histórico operacional. Sendo assim, a Brasil Insurance está sujeita a riscos, despesas e incertezas associados à implementação do plano de negócio, que normalmente não são enfrentados por sociedades constituídas há mais tempo.
Outro risco é a companhia existir apenas no papel. “Nosso desempenho futuro é incerto. Nossos auditores incluíram um parágrafo de ressalva em seu parecer indicando que nos encontramos em fase pré-operacional”, informa o prospecto.
O IPO da Brasil Insurance captou R$ 644,6 milhões. O preço de emissão ficou em R$ 1.350, na media estipulada, que era entre R$ 1.250 e R$ 1.450. A operação foi destinada apenas a investidores qualificados. A emissão primária totalizou R$ 348 milhões, com a emissão de 257.850 ações ordinárias e a oferta secundária somou R$ 296,52 milhões, com a colocação de 219.650 papéis.
BB vai comprar participação do governo no IRB
Por Denise Bueno em 15/10/2009
Veja a íntegra do Banco do Brasil propondo a compra da participação do governo no IRB Brasil Re divulgada hoje:
Em conformidade com o § 4º, do artigo 157, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e com a Instrução CVM nº 358, de 03 de janeiro de 2002, o Banco do Brasil S.A. (“BB”) comunica que:
1. Dando prosseguimento ao processo de reorganização de sua área de seguros, conforme explicitado no item 1 do Fato Relevante de 06/10/2009, e no intuito de buscar complementaridade nas operações das suas seguradoras, o BB propôs, e a União Federal, por intermédio do Ministério da Fazenda, aceitou iniciar tratativas sem efeito vinculante, visando à aquisição de participação acionária no IRB–Brasil Re S.A. (“IRB”), observadas a regulamentação vigente e as condições inerentes às operações dessa natureza, notadamente a obtenção das autorizações prévias necessárias.
2. O IRB-Brasil Re é o maior grupo ressegurador da América Latina, com R$ 10,4 bilhões em ativos, R$ 1,8 bilhão em prêmios emitidos e R$ 940 milhões em prêmios retidos, posição de julho de 2009. A União Federal possui 100% das ações ordinárias do IRB e 50% do capital total.
3. Com 571 funcionários, a resseguradora contabilizou, em julho de 2009, patrimônio líquido R$ 1,9 bilhão, provisões técnicas líquidas de R$ 3,3 bilhões, sinistros retidos de R$ 834 milhões e lucro por ação de R$ 81,96. Mais detalhes podem ser encontrados no site da resseguradora (www.irb.gov.br).
4. Fatos adicionais, julgados relevantes, serão divulgados ao mercado de acordo com a evolução das tratativas.
Brasília, 15 de outubro de 2009.
Ivan de Souza Monteiro
Vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores
Fortis e Tesco se unem e criam seguradora
Por Denise Bueno em 11/09/2009
A seguradora holandesa Fortis anunciou hoje que fechou um acordo milionário para vender seguro de carro e residência com o braço financeiro do grupo Tesco, maior rede de supermercados do Reino Unido. Segundo as agências internacionais, as vendas anuais de seguros aos clientes do Tesco chegam a US$ 800 milhões.
Com a criação de uma nova empresa, com investimentos de US$ 330 milhões, da qual a Fortis é majoritária com 51% do controle, a perspectiva é de que as vendas com a nova parceria deverão crescer ainda mais. A boa notícia para o Reino Unido, que exibe um elevado índice de desemprego, é a criação de 1,5 mil postos de trabalho.
A comercialização de seguro por meio de canais alternativos de venda tem sido um alvo das seguaradoras em todo o mundo como uma forma de aumentar as vendas e reduzir custos. Após a crise, esta alternativa se tornou ainda mais procurada, uma vez que as empresas parceiras, principalmente as varejistas, obtém um forte incremento nas receitas financeiras com a comissão que recebem por ceder o balcão às seguradoras.
No Brasil esta estratégia já está consolidada. O que se vê atualmente é mais a troca de parceiros do que a conquista de novos clientes. O Magazine Luiza, por exemplo, abriu uma seguradora em parceria com a Cardif. Já redes como Casas Bahia optaram por fechar acordos com várias seguradoras. A Renner partiu para uma parceria mais exclusiva com a Porto Seguro para ter um controle maior da operação.
Porto e Bradesco, da ficção para a realidade*
Por Denise Bueno em 24/07/2009
A confirmação da Porto Seguro sobre negociações com o grupo Bradesco por meio de comunicado enviado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) esquentou o dia a dia das conversas de profissionais da indústria de seguros. A notícia deixou de ser um oba a oba das rodas de conversas – das mais discretas até aquelas formadas pelos fofoqueiros de plantão – para ser estampada na primeira página do principal jornal de economia do País.
Desde então, o assunto passou a ser analisado com mais profundidade e leva a reflexões sobre o segmento de automóvel, a cada dia mais competitivo e que ganha mais destaque com a reestruturação de taxas do VGBL, produto que vinha puxando o crescimento do setor e que agora terá de passar por uma ampla revisão. O tema também trouxe a tona questões como a consolidação da indústria de seguros brasileira diante da crise mundial, beneficiada pelo interesse dos investidores estrangeiros em busca de crescimento e lucratividade.
A Porto Seguro é hoje a principal seguradora de carros do Brasil. Tem o maior volume das vendas de R$ 6,5 bilhões de janeiro a maio deste ano, com market share de 20,28%, enquanto a Bradesco tem 13,40%. E por que consegue vender mais mesmo tendo um dos preços mais caros? Segundo pesquisa da CVA Solutinos, a Porto Seguro é a empresa mais bem avaliada, tanto por quem tem o seguro como por quem não tem. Quem não tem, gostaria de ter seguro com a seguradora.
Além de ter a preferência dos consumidores, tem a dos corretores. Para fazer um seguro de carro, o cliente é muito mais fiel ao corretor do que à seguradora, diz a pesquisa que entrevistou 200 corretores, dos quais 42% estão nesse mercado há mais de dez anos. A Porto, segundo relata o estudo e a realidade de quem observa este mercado atentamente, também é adorada pelos corretores por atender plenamente um dos principais critérios de escolha: a agilidade na resolução dos pagamentos de indenização, momento em que o corretor ganhará o céu ou o inferno com os clientes. É como estar acima do bem ou do mal por ter seguido uma estratégia fundamentada em atitudes justas.
No entanto, ela não é mais a única que oferece bons serviços aos clientes e corretores. Tem concorrentes fortes, focados em estruturar a operação nos últimos anos. Estrategicamente, Jayme Garfinkel e sua equipe de executivos criaram a Azul Seguros para competir no mercado.
Apesar de os executivos do grupo afirmarem que a Azul não compete com a Porto, é óbvio que atrai para si aqueles clientes que mesmo gostando dos serviços extras da Porto se vêem num momento financeiro difícil. Em vez de ir para a concorrência, migram para a Azul. Economizam e mantêm a qualidade de atendimento dos serviços básicos proporcionados pela rede de prestadores já consolidada.
Depois de deixar de lado a busca da liderança do ranking de automóvel a qualquer preço, há uns três anos, a Bradesco vem fazendo de tudo para cativar os corretores. Dia a dia tenta afinar o tato no relacionamento e ainda conta com problemas operacionais que atrasam a cotação ou elevam o preço, comentam os profissionais de vendas.
Em números, o ganho da Porto há anos vem do operacional e o da Bradesco ainda é gerado pelo financeiro. Enquanto o índice combinado da Porto é de 56,30%, o menor entre as seguradoras, a Bradesco ficou na outra ponta, liderando o ranking dos piores índices, com 81,83%, segundo estatísticas de janeiro a maio deste ano.
Para Porto e Bradesco, que juntas passariam a deter 35% do mercado de seguro de carro, escala é vital neste momento de queda de taxas de juros da economia. A Porto tem sentido mais a aproximação da concorrência e com sofrido os impactos das oscilações do mercado acionário. Agregar novos clientes e um canal de distribuição alternativo são caminhos naturais para o crescimento.
O conglomerado Bradesco, que perdeu a liderança com a fusão Itaú e Unibanco e passou a ser presidido por um executivo de seguros, sabe do potencial de ganho que uma operação de seguros bem estruturada pode gerar a um banco, principalmente no maior banco do Brasil em número de clientes e com grande potencial de venda de produtos massificados como o seguro de carro.
Em uma parceria de tamanho porte, onde a única informação é de que não haverá mudança acionária do controle da Porto, só pode se esperar que se mantenha o melhor de cada uma das empresas, como vem fazendo Itaú e Unibanco. Imagine uma Bradesco administrada pela cultura da Porto? Uma Porto Seguro tendo a oportunidade de fazer a inclusão social proporcionada pela dimensão e cultura de um Bradesco?
Seja como for, juntas ou separadas, a realidade é que não há mais espaço para serviços ruins, preço elevado e desrespeito aos direitos dos consumidores. O crescimento será uma realidade para aqueles que respeitarem o tripé da sustentabilidade, que leva em conta três aspectos: o econômico, o humano e o ambiental.
*artigo escrito com exclusividade para a Revista Apólice
Lazam MDS cria holding internacional
Por Denise Bueno em 21/07/2009
Depois de anunciar duas aquisições no início do ano, a Lazam MDS trouxe mais novidades para a indústria de seguros. O Grupo Suzano assinou ontem pela manhã um contrato para a formação de uma joint venture com o português Sonae – seu parceiro na Lazam-MDS, bem como com a corretora de resseguros Cooper Gay, quinta maior do mundo, e Seguros Continente, uma seguradora portuguesa cativa da rede de supermercados Sonae.
As quatro empresas formam uma holding que reúne os investimentos na área de corretagem de seguros e resseguros. Gerindo uma carteira de prêmios superior a US$ 1,8 bilhão, a joint venture está entre as 15 maiores do mundo. “Ou seja, vamos colocar a bandeira do Brasil no ranking mundial de corretores de resseguro. No total, são cerca de 1,2 mil colaboradores em 21 países”, disse Eduardo Bom Ângelo, presidente da Lazam MDS.
O negócio envolveu 47 milhões de euros e troca de ações entre as empresas, informou Sérgio Alves, diretor corporativo da Suzano Holding, durante coletiva de imprensa realizada ontem em São Paulo. Segundo os executivos, as empresas continuam a operar de forma individual. A holding, por sua vez, terá a sua primeira reunião em aproximadamente 60 dias e a partir daí serão traçadas as estratégias internacionais. O conselho de administração será composto por sete integrantes – quatro representantes do sócio português e três do sócio brasileiro – sendo que três deles, José Manuel Dias da Fonseca, Adriano Ribeiro e Eduardo Bom Ângelo, compõem a comissão executiva.
“Esta nova empresa, de abrangência mundial, amplia nossos horizontes de negócios e nos dá musculatura para seguir competindo em um mercado em processo de consolidação”, diz Daniel Feffer, vice-presidente da Suzano Holding.
Segundo os executivos, a operação estava sendo trabalhada há vários meses e pretende reforçar sua presença em áreas em que já vêm atuando, além de participar em um dos setores de serviços que mais cresce no mundo e que passa por um momento de forte consolidação.
Assim como a Lazam, sócia da portuguesa MDS desde 2002, ter adquirido várias corretoras nos últimos anos, suas concorrentes internacionais como Aon, Marsh e Willis também foram às compras nos últimos anos na busca por escala e especialização. Este movimento de consolidação foi estimulado bem antes da crise mundial, que apenas intensificou o processo. Os clientes têm exigido redução das comissões e melhora dos serviços para justificar a presença de um intermediário no negócio.
Na área de resseguros, a Lazam MDS entrou este ano, com a compra da corretora Miral. Também logo que assumiu a Lazam, depois de ter deixado a presidência da Brasilprev, empresa de previdência priavada aberta do Banco do Brasil, Bom Ângelo também negociou a compra da corretora de seguros de Santa Catarina, a ADDmakler.
Além de participar da estratégia de expansão por meio de aquisições em outros países, a holding facilitará o acesso ao resseguro aos clientes da Lazam no Brasil. “Ter 32,2% do capital da Cooper Gay simplifica as negociações no mundo. Ser acionista traz mais peso ao relacionamento”, diz Bom Ângelo.
Segundo ele, até o primeiro semestre deste ano a receita da Lazam cresceu 13%, acima da média de 10% da indústria de seguros. A área de benefícios e de ramos elementares foram as que mais se destacaram. Sem divulgar o faturamento, Bom Ângelo diz que a Lazam já é a terceira maior corretora de seguros e de resseguros do Brasil, excluindo as corretoras de bancos. Segundo ele, a expectativa é manter o ritmo de crescimento até o fim do ano.
Partner Re compra Paris Re por US$ 2 bilhões
Por Denise Bueno em 06/07/2009
A consolidação prevista pelos analistas para a indústria de seguros está a todo vapor. A Partner Re anunciou neste domingo que comprou a resseguradora francesa Paris Re, colocando-a entre as quatro maiores resseguradoras do mundo, atrás de Munich Re, Swiss Re e Berkshire Hathaway. O negócio deve ser finalizado por US$ 2 bilhões, considerando-se a troca de ativos, pagamento a vista e transferência de portfolio de investimentos.
A Partner Re, oitava maior resseguradora mundial, foi criada em 1993 e já fez aquisições de porte em sua história, como a resseguradora francesa SAFR e a Winterthur Re. Foi uma das poucas a divulgar elevação nos ganhos no primeiro trimestre desta ano, quando reportou aos acionistas lucro líquido de US$ 141 milhões, acima dos US$ 129 milhões do mesmo período do ano anterior. Em prêmios, divulgou ligeira queda, passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,3 bilhão no período analisado. O índice combinado no trimestre apresentou melhora de cinco pontos percentuais, para 87%.
A Paris Re, que durante o ano de 2008 inteiro movimentou prêmios de US$ 1,4 bilhão e acumulou patrimônio de US$ 2,1 bilhões, é uma companhia mais jovem. Nasceu no auge da melhor épopa em termos de rentabilidasde e vendas do setor, em 2006, com a criação de um consórcio de investidores liderados pelo fundo Trident III, gerenciado pela Stone Point Capital, um fundo de priivate equity da corretora de seguros Marsh & McLennan.
No final da negociação, os ativos totais deverão superar US$ 23 bilhões, o número de funcionários passará a 1,4 mil, sendo 1 mil da Partner Re e 400 da Paris Re. Ambas tem autorização da Susep para operar no Brasil.
Segundo nota divulgada pela Partner Re, o CEO Patrick Thiele disse que esta é uma importante aquisição para o grupo e que vai trazer oportunidades aos clientes tanto em diversificação de produtos como ampliação da capacidade de resseguro. “Nossa forte presença no mercado, diversificação de risco, solidez de capital e escala proporcionara um balanço mais estável diante da volatilidade financeira dos mercados”.
Mais detalhes podem ser acessados no site www.partnerre.com
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