Caixa lança apólice para eventos com cobertura para prejuizos causados pelas chuvas
Por Denise Bueno em 03/02/2010
Prevenir-se dos prejuízos trazidos pela chuva está na moda. E há todo tipo de prejuízo, inclusive de eventos que não se realizam em razão das chuvas. Pensando nisso, a Caixa Seguros lança um seguro para organizadores, promotores e patrocinadores de todo o país. Segundo nota do grupo, a apólice foi desenhada para eventos de grande porte, com coberturas para uma série de imprevistos capazes de comprometer o projeto e gerar prejuízos aos empresários.
A idéia de criar um seguro específico para eventos surgiu no ano passado, quando a seguradora cobriu os riscos dos 20 shows do projeto “Eu Faço Cultura”. O espetáculo integrou o calendário do Ano da França no Brasil e passou por 33 cidades brasileiras, divertindo um público estimado de 80 mil pessoas.
“Apresentamos uma solução que garantisse não só todo o processo de organização dos shows, como também a proteção das pessoas presentes no evento, destaca o diretor de riscos diversos da Caixa, Alexandre Batista, na nota. “Agora, com os eventos que serão gerados a partir da Copa do Mundo e das Olimpíadas, que o Brasil sediará em breve, chegou a hora de apresentarmos este seguro para todo o mercado”, complementa.
Dois dos principais riscos cobertos pelo seguro são o não comparecimento do artista ou o cancelamento de um show. Nestes casos, a seguradora arca com as despesas provenientes de um eventual adiamento, interrupção ou, até mesmo, o cancelamento do espetáculo.
O cliente estará protegido até mesmo das intenções de São Pedro, já que há também a opção de contratar uma cobertura específica para condições climáticas adversas, como chuvas, por exemplo, que podem pôr fim ao evento antes mesmo dele começar. Caso tenha interesse, o cliente poderá escolher coberturas adicionais, tais como o seguro de bens de escritório, dos equipamentos utilizados para a realização do evento, das estruturas temporárias, do roubo de valores arrecadados em bilheterias, entre outros.
“Fuga das Ilhas”
A prova “Fuga das Ilhas”, por exemplo, que reúne todo fim de ano mais de 2 mil nadadores na praia do Sahy, litoral norte de São Paulo, teve de ser cancelada em dezembro em razão do mau tempo. Dado o grande número de reclamações dos nadadores, que gastaram com a viagem e com hotel para participar do evento, com taxa de inscrição acima de R$ 70, o promotor vai realizar o evento dia 14 de março.
Devido o custo de organizar o evento novamente, o promotor alterou a prova original. Os nadadores farão um trajeto na beira da praia de 1 quilômetro. A prova original previa o embarque dos nadadores nas caravelas, levando-os até as ilhas em frente a praia do Sahy. De lá, os nadadores competiriam numa distância de 1,5 quilômetro de volta à praia.
Se o promotor tivesse seguro, estaria livre do prejuízo financeiro e também da insatisfação dos nadadores, que mesmo com a realização de uma nova prova estão chateados com o novo trajeto, que deixa a prova como outra qualquer e não com o charme e o desafio de fazer a travessia das ilhas para o continente. Tudo tem um risco. E para isso há seguro.
ACE disputa contratos da Copa 2014
Por Denise Bueno em 01/09/2009
A realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014 tem movimentado a indústria de seguros local. Segundo projeções de executivos do mercado, com investimentos previstos em mais de R$ 100 bilhões em obras de infraestrutura, que podem gerar algo próximo de R$ 1 bilhão em prêmios de seguros, as seguradoras treinam suas equipes de vendas para conscientizar os investidores da existência do seguro como um mitigador de riscos.
Entre elas, a ACE, com faturamento global superior a US$ 19 bilhões, busca se posicionar para abocanhar parte dos seguros do mundial. “A ACE está presente em 50 países e com negócios em 140 nações. Nessas condições, a empresa está continuamente envolvida com seguros e resseguros de grandes eventos”, diz Marcos Couto, presidente do grupo no Brasil.
No Brasil, por exemplo, ela foi responsável pela proteção securitária do histórico show dos Rolling Stones na praia de Copacabana, que reuniu mais de um milhão de pessoas em um acontecimento que considerou uma ampla variedade de riscos. Alguns shows memoráveis que lotaram estádios brasileiros tais como os do U2, Banda RDB e outros também contaram com a proteção da ACE. Da mesma forma, o carnaval do sambódromo de São Paulo diversas vezes contratou o seguro da companhia. Veja a seguir a entrevista:
Sonho Seguro: Como a ACE esta se preparando para atender a demanda de seguro para a Copa de 2014?
Marcos Couto - A ACE espera ter uma grande participação nos investimentos que serão realizados ao longo dos próximos anos para a realização da Copa. Estamos planejando junto com nossos escritorios regionais uma estratégia para atender as diversas demandas que surgirão em vários segmentos de seguros, entre eles os Riscos de Engenharia, Garantia e Responsabilidade Civil, entre outros.
SS - Que tipo de produtos acredita que terá maior procura?
MC - Acreditamos que os Riscos de Engenharia e o Garantia e os de Responsabilidae Civil serão os mais disputados, pois estas modalidades de seguro estarão diretamente ligados aos investimentos que serão realizados tanto pela área pública com o privada. A alta movimentação de publico gerará também uma demanda por seguro viagens e assistências, além das necessidades proprias da rede hoteleira em estar protegida contra possiveis acontecimentos com seus hospedes, durante a realização do evento.
SS- Quais seguros o grupo tem interesse em oferecer para garantir a realização deste evento?
MC - Na área de garantia, poderemos oferecer os seguros de performance tradicionais e sabemos que a demanda principal se dará na área de construção. Entre os principais produtos a serem oferecidos são seguro garantia em suas quatro versões: licitante; executante; adiantamento de pagamento; e de perfeito funcionamento.
SS - Esses seguros serão comprados por qual tipos de empresas?
MC - Estes seguros podem ser oferecidos para construtoras, fornecedoras de equipamentos e prestadores de serviço, lembrando que para os dois últimos não possuímos as restrições que temos para construtoras . Normalmente os seguros de Garantia, como o proprio nome diz, estão muito ligados a fatores que visam garantir a execução de obras e sua entrega no prazo, e a consequente realização do evento.
SS - E quais outros seguros serão demandados com a Copa?
MC - Os seguros de Responsabilidade Civil também serão muito importantes devido a grande quantidade de obras, e transito de pessoas antes e durante a realização da Copa. Os principais produtos serão para os contrutores, para hoteis, por exemplo. Também acredito que haverá grande demanda pelo Responsabilidade Civil Profissional e Responsabilidade Civil Geral e outros seguros destinados ao público também serão oferecidos, como seguro viagem, Acidentes pessoais com assistencia etc.
SS - Em quais eventos mundiais o grupo ACE participou e com quais tipos de apólice?
MC - A ACE por ter atuação mundial certamente já participou de vários outros eventos de Grande porte a nível local e mundial, seja como seguradora ou ressseguradora, tais como Formula 1, grandes shows de renomados artistas, etc. e que geram uma movimentação grande de pessoas e investimentos, que por sua vez beram necessidades adicionais de seguros.
Cresce a demanda por seguro de entretenimento
Por Denise Bueno em 01/07/2009
Nada melhor do que uma perda para fazer a demanda pelo seguro aumentar. Neste mês o grande beneficiado é o seguro de entretenimento, que ganha a cada dia mais espaço no Brasil. Seja porque a Justiça tem determinado a conta do prejuízo causado a terceiros para as empresas, seja pelo Pais ter entrado na rota dos grandes astros internacionais. Estima-se que este segmento movimente algo próximo de R$ 25 milhões anuais em prêmios no Brasil e tem grande potencial nos próximos anos.
Neste mês, dois novos fatos devem estimular ainda mais a venda de seguros para eventos. O primeiro é a provável perda da produtora AEG Live, responsável pela turnê que seria realizada pelo ídolo da musica pop Michael Jackson, falecido de parada cardíaca na semana passada. Segundo a imprensa internacional, o seguro feito para apenas 10 dos 50 shows previstos cobria as despesas da produtora caso houvesse algum imprevisto com o ídolo pop e exclui doenças pré-existentes e overdose de medicação, dois dos motivos até agora mais comentados para a causa da morte de Michael Jackson.
A segunda razão para elevar a oferta de produtos e serviços neste segmento é a realização da Copa do Mundo em 2014, quando milhões de dólares em cobertura de responsabilidade civil deverão ser contratados por exigência da Fifa para indenizar danos a terceiros e também para proteger os organizadores de riscos com a não realização dos jogos.
Veja a seguir a entrevista com Juliana dos Santos (foto), responsável pela carteira de entretenimento da Chubb, uma das seguradoras mais atuantes neste segmento no Brasil.
Que tipo de coberturas os produtores brasileiros costumam contratar?
Os promotores do ramo de eventos costumam contratar cobertura de responsabilidade civil para indenizar terceiros, ou seja, o público, por dano material e corporal, podendo incluir até mesmo cobertura para os artistas. Uma tendência que vem aumentando é a contratação da cobertura de cancelamento, adiamento e interrupção de evento e musicais. Com relação a seguro de filmes, as coberturas mais solicitadas são: elenco, negativo, equipamento alugado, set, figurino, objeto de cena e RC.
Quais coberturas foram incorporadas nos últimos anos, modernizando este produto?
A Chubb lançou em abril de 2009 o Casamento Seguro. Nos Estados Unidos, esse tipo de apólice é um dos nichos que mais cresce, principalmente após o início da crise financeira. Por isso, a Chubb apostou nesse nicho de mercado, devido aos altos valores envolvidos na realização de um matrimônio e a grande quantidade de cerimônias realizadas. Os noivos podem contratar a cobertura via website (www.casamentoseguro.com.br) e por telefone.
Quais os desafios para este segmento crescer mais no Brasil?
Um grande desafio ainda é cultural, porque muitos organizadores de eventos e produtores de filmes ainda desconhecem a existência do produto. Ou às vezes imaginam que o custo é alto e, portanto, não contratam o seguro mesmo sabendo que imprevistos podem gerar grandes prejuízos.
A abertura do resseguro ajudou a ter produtos mais modernos e impulsionar as vendas?
Sim, mas vale lembrar que a seguradora já trabalha com clausulados internacionais e muito modernos desde a abertura do departamento no Brasil, em 2001.
Levando-se em conta os prêmios registrados na Susep, em RC de eventos, quais os nichos que poderíamos destacar como maiores (filmes, teatro, shows, eventos, jogos de futebol)?
O maior nicho é em RC de eventos, em seguida filmes e o terceiro maior é teatro e musicais.
O quanto esta área de entretenimento é importante para o grupo?
Essa é uma área de destaque para o grupo e vem demonstrando um forte crescimento nos últimos anos. No período de janeiro a maio de 2009, por exemplo, o crescimento foi de 48% com relação ao mesmo período de 2008.
Quais foram os últimos eventos segurados pela Chubb?
Entre os últimos eventos segurados pela Chubb que podemos citar temos o Festival internacional de gastronomia de Tiradentes; Musical My Fair Lady; Casa Cor São Paulo, Casa Cor Goiás e Casa Cor Paraná; Feira Intermodal; Comédia musical Gloriosa.
Como a Chubb se prepara para conquistar os seguros que serão gerados pela Copa de 2014?
Não podemos divulgar nada com relação à Copa de 2014.
Produtora de Michael Jackson tem seguro parcial
Por Denise Bueno em 26/06/2009
A produtora AEG Live responsável pela nova turnê que seria realizada pelo ídolo da musica pop Michael Jackson, falecido ontem de parada cardíaca, tem seguro para ser ressarcida de parte das despesas com o cancelamento do evento, como devolução dos 750 mil ingressos, que já estavam esgotados. Estima-se em US$ 85 milhões a receita com a venda dos ingressos.
O Lloyd’s of London afirmou ter exposição no seguro para a cobertura de no show para apenas alguns dos eventos previstos para serem realizados na Grã Bretanha, a partir de julho. Segundo declarou um porta voz do mercado londrino as perdas não serão significantes.
Segundo noticias internacionais, as seguradoras ficaram interessadas em fazer o seguro quando a turnê estava prevista em 10 shows. Mas quando o número foi ampliado para 50, a disposição em assumir o risco recuou por duvidarem da saúde do astro, que já apresentava sinais de problemas.
Segundo comenta-se no meio segurador, Michael Jackson passou por quatro horas de exames e obteve laudo sobre o seu estado de saúde, o que facilitou a compra do seguro pela promotora para apenas uma parte dos shows e com exclusões significativas, como para doença pré-existente e overdose de medicações. Caso o evento não se realizasse em razão destas exclusões, o prejuízo ficaria por conta da produtora. A Talbot Underwrinting teria uma parte da cobertura de eventos, com cobertura de US$ 3 milhões.
Até agora não foi iniciada a regulação deste sinistro, que depende do laudo da morte. Estima-se que a produtora já gastou algo próximo de US$ 30 milhões com iniciativas para a realização dos shows.
No Brasil, a cobertura de “no show” começou a ser comprada pelos produtores nos últimos dois anos. A abertura do mercado de resseguro bem como a entrada do Brasil no circuito mundial dos grandes artistas estimularam o apetite das seguradoras por este tipo de evento e ajudaram a reduzir o custo para os produtores.
As mais especializadas neste ramo são Chubb, ACE e Generali, que contam com corretores especializados, como a Aon, Marsh e outras nacionais. Entre os sinistros ocorridos no Brasil pela não realização de shows temos o de Luciano Pavarotti, há dois anos, e de Elton John na década de 90.
Copa do Mundo de 2014 agita seguradoras*
Por Denise Bueno em 01/06/2009
Após a FIFA divulgar neste domingo o nome das 12 sedes brasileiras da Copa do Mundo de 2014, o mercado segurador arregaça as mangas para oferecer um sem-número de apólices necessárias para a realização do evento. Todas as cidades terão um cronograma curto para se adequarem às exigências exigidas em um evento de tal porte. Daí porque o seguro é incluído desde as obras de reforma dos estádios até para despesas médico-hospitalares do público que assistirá aos jogos. O seguro se torna ainda mais evidente em razão das obras precisarem de recursos públicos e privados para a construção ou reforma de estádios e também de hotéis para atender à demanda gerada pela Copa.
Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP) são as cidades que promoveram jogos da Copa de 2014. A expectativa é que as novas arenas estejam prontas até o fim de 2012, possibilitando a utilização na Copa das Confederações, em 2013.
Só em São Paulo o orçamento para reformar o estadio do Morumbi é estimado em R$ 300 milhões. Outros milhões estão previstos também para a ampliação do aeroporto de Belo Horizonte. Com isso, está previsto o anúncio de um PAC só para a Copa do Mundo de 2014. Desta vez, a intenção é ter garantias de que as obras vão manter-se dentro do orçamento. Estimado em R$ 412 milhões, o Pan-Americano do Rio-2007 custou R$ 3,6 bilhões aos cofres públicos, um estouro de quase 800% no orçamento.
Especialistas informam que várias apólices de seguros são obrigatórias pelos organizadores para eventos internacionais. A indústria de seguros começa por garantir que tudo estará pronto para a realização do evento. Sem isso, pode correr um sério risco de ter de indenizar investidores que apostaram seus recursos e amargaram perdas pela não realização. Estarão sendo cotados preços de seguro garantia, dando cobertura para o cumprimento do contrato, bem como de riscos de engenharia da obra.
Passada a fase inicial, começam as apólices exigidas neste tipo de evento. Entre as principais coberturas estão as de responsabilidade civil para indenizar terceiros prejudicados com a realização do evento, seja por produtos, profissionais tercerizados ou funcionários, montagem e desmontagem de estruturas e equipamentos. Estão cobertos riscos por contaminação de alimentos, direitos autorais, segurança e serviços médicos, bem como cobertura de acidentes pessoais para os atletas previstos na participação do evento.
Uma apólice importante é a da não realização do evento, conhecida como “no show”. Este tipo de apólice cobre prejuízos que investidores possam vir a ter com a não realização do evento ou de parte dele. Se os espectadores de algum dos jogos, por exemplo, ficarem impossibilitados de chegar ao local ou os jogadores ficarem impedidos de jogar, os custos da promotora com a devolução do valor do ingresso ou de agendamento de uma nova data, corre por conta do seguro. A apólice também cobre os custos com a demanda dos patrocinadores, que geralmente pedem de volta o valor pago na publicidade de veiculação televisiva daquela partida.
Para a realização da última olimpíada, realizada no ano passado na China, a seguradora PICC Property and Casuality Company Limited (PICC P&C), a maior seguradora estatal de ramos elementares do país sede, fechou o primeiro acordo em 2005. Ou seja, três anos antes da abertura oficial do evento. Isso porque a indústria de seguros é uma importante peça dentro de eventos dessa grandeza, uma vez que ajuda a prever riscos e sugere formas de mitigá-los.
A corretora de seguro inglesa JLT participa de boa parte dos contratos de eventos esportivos. Ela foi uma das contratadas para fazer a consultoria e gerenciamento de risco da próxima olimpíada, que acontecerá em Londres, em 2012. Ela é responsável por fazer o seguro das construções necessárias para os jogos, como parque aquático, estádio olímpico e outros locais previstos dentro da infra-estrutura básica do evento.
Os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, contaram com programa de seguro liderado pela Caixa Seguros, ressegurado no IRB-Brasil Re, que contou com as corretoras de resseguros JLT e Miller do Brasil para desenhar o contrato e distribuir o risco no mercado internacional. O comitê organizador e o governo compraram seguro para proteger os mais de 5,6 mil atletas, comissões técnicas de 42 países e os quase 100 mil fãs que foram assistir os eventos. A cobertura do seguro teve vigência no período dos jogos, cerca de 16 dias.
Foram compradas cinco coberturas: responsabilidade civil, no show, property, directors & officers (D&O) e terrorismo. A apólice de responsabilidade civil é a mais abrangente por cobrir danos físicos ou materiais causados a terceiros, incluindo atletas, voluntários e espectadores, inclusive por atos terroristas. A cobertura de property protegeu o patrimônio dos organizadores, como computadores e equipamentos de telecomunicações, até a montagem e desmontagem de equipamentos e as arenas e estádios como Maracanã e Engenhão, no período das competições. A apólice de D&O teve por objetivo resguardar o patrimônio dos executivos envolvidos na organização dos jogos de uma eventual reclamação de terceiros que se sintam prejudicados por algum erro administrativo.
*matéria da autora publicada no site da CNSeg: www.viverseguro.org.br
Cultura Artística tem apólice da BB Seguros*
Por Denise Bueno em 18/08/2008
O seguro vai ajudar a recompor perdas materiais do Teatro Cultura Artística, com parte de sua estrutura destruída por um incêndio na madrugada de domingo passado. Segundo executivos do mercado de seguros, a apólice de danos causados por incêndio foi contratada na BB seguros Aliança do Brasil, com cobertura de até R$ 5 milhões. A seguradora não quis se pronunciar.
A direção do teatro ainda não sabe ao certo qual será o futuro da casa de espetáculos. Poderá ser reconstruída no mesmo local, na região central da cidade ou mesmo ter o terreno arrendado para que o teatro seja aberto em outra parte da cidade. “O valor é suficiente para a reconstrução do teatro, considerando-se o prédio e o conteúdo”, afirma o gerente de riscos Gustavo Mello, professor da Escola Nacional de Seguros (Funenseg).
Segundo cálculos de Mello, para construir 2 mil metros quadrados - metragem para dois andares do teatro - em São Paulo, o custo chega próximo de R$ 2 milhões, tendo como base dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) para construção fina. “Acrescentando tapetes, 1,4 mil poltronas, ar-condicionado entre outros detalhes, o custo chegaria a R$ 4 milhões.”
Já o prejuízo do promotor da peça “O Bem Amado”, cujo figurino foi todo perdido, não está na apólice de incêndio. “A cobertura de bens de terceiros geralmente tem um contrato à parte, que pode ser feito pelo proprietário da casa de show ou pelo organizador do espetáculo, explica Juliana Santos, gerente da área de entretenimento da Chubb Seguros, uma das principais seguradoras deste nicho, com venda de cinco apólices por dia, em média.
Segundo ela, a cobertura de responsabilidade civil muitas vezes comprada junto com o seguro de incêndio visa indenizar danos materiais e corporais causados a terceiros. “Um prédio vizinho atingido pelas chamas ou pessoas feridas estariam cobertos. Mas bens de terceiros devem ser garantidos por uma apólice separada”, explica.
Caso a produtora da peça de Marcos Nanini não tenha seguro, pode haver uma boa briga jurídica, uma vez que os bens estavam armazenados no local alugado para a realização da peça. “Este tipo de responsabilidade deve ficar muito clara nos contratos entre os produtores e casas de espetáculos com o objetivo de agilizar o pagamento e dar prosseguimento ao negócio”, frisa Dulce Thompson, especialistas em seguro de entretenimento da corretora Aon Risk Service.
Especulações à parte, independentemente do desfecho deste acidente, uma vez que a investigação está apenas começando, o assunto deverá mudar contratos de seguros. “É um bom momento para todos os envolvidos pararem para analisar os riscos a que estão expostos”, diz Dulce. Poucas seguradoras operam com seguro de entretenimento em razão da falta de demanda. Mas com a quebra do monopólio em resseguro (o seguro das seguradoras) em abril deste ano, vários produtos estão disponíveis no mercado brasileiro. Há apólices para cobrir todos os tipos de perdas ocorridas nesta acidente do teatro. Há seguro para perdas com cancelamento e adiamento de shows. Neste caso, o seguro cobre custos com devolução de ingresso e despesas com divulgação do reagendamento ou locação de um novo local.
Tem também uma apólice de lucro cessante que a casa de espetáculo pode contratar para recompor o lucro que deixará de ter com a cobrança da locação do local para a realização de eventos até que o novo prédio fique pronto para operar. Geralmente o teatro faz o seguro do equipamento de som e luz próprio. Mas tem espetáculos que exigem apetrechos mais sofisticados. Neste caso, tem de ficar claro de quem será a responsabilidade em caso de acidentes, frisa a especialista da Aon.
*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em agosto de 2008
Seguro de entretenimento ganha espaço no Brasil
Por Denise Bueno em 20/04/2007
O cenário para o seguro de entretenimento não poderia ser melhor: o Brasil está na rota de vários astros internacionais, produtores passaram a priorizar o seguro após grandes perdas no ano passado e o aumento do número de processos judiciais envolvendo danos causados a terceiros.
“Os advogados estão espertíssimos com esse assunto, o que preocupa os organizadores de eventos. Apesar de o Brasil ter um índice pequeno de pedidos de indenizações de acidentes sofridos em eventos, esse número tem crescido”, diz Dulce Thompson, especialista em seguro de entretenimento da corretora Aon.
O seguro da oitava edição do Skol Beats, o maior evento de música eletrônica da América Latina, acaba de ser fechado pela ACE. Só neste ano, foram segurados os shows de Roger Waters, Keane, Aerosmith, Cold Play e Simple Plan. Se a Madona não tivesse cancelado o Brasil de sua turnê, seria mais um para a lista, além dos longas-metragens “Meu tio matou um cara”, “Lisbela e o Prisioneiro” e “Cidade Baixa”. Mais de 50 feiras realizadas neste ano também contaram com cobertura de seguro garantida pela Chubb.
O seguro da ACE no Skol Beats visa ressarcir qualquer tipo de incidente provocado por tumultos relacionados à organização do evento. Também cobre possíveis danos corporais sofridos pelos profissionais de 10 empresas envolvidas com os serviços de instalação e desmontagem, além do percurso de ida e volta do trabalho em veículos contratados pela organização.
“O produto da ACE ainda fornece proteção para o uso de cerca de 1,3 mil vagas do estacionamento VIP”, acrescentou Robert Hufnagel, executivo de responsabilidade civil da ACE, a seguradora mais presente nas apólices de responsabilidade civil de eventos. Hufnagel estima que a área de eventos deverá prosseguir neste ano com a mesma performance de crescimento de 2006, quando fechou o ano com 540 eventos cobertos.
Nada melhor do que uma perda para fazer a demanda pelo seguro aumentar. O cancelamento do show de Luciano Pavarotti em Belo Horizonte, em março do ano passado, custou US$ 1,5 milhão ao mercado de seguros, livrando a produtora do show das despesas causadas pela não realização do show, é uma boa propaganda do produto.
“A demanda está muito aquecida tanto para coberturas tradicionais como também por novidades, como o seguro de erros e omissões, uma demanda das produtoras de longrametragem”, disse Dulce Thompson, especialista em seguro de entretenimento da corretora Aon. Um filme contando a história da vida de alguém e essa pessoa ou a família processa a produtora porque a história foi contada de forma errada. Esse tipo de prejuízo estaria coberto na apólice.
Segundo Juliana Santos, executiva da carteira de entretenimento da Chubb, que atua nesse nicho desde 2001, com todas as coberturas que um promotor de evento ou de filmes necessita, poucas produtoras de longas conhecem o seguro, mas as que já compraram, não iniciam uma filma-gem sem comprar a apólice. “A nossa carteira ainda é pequena, porém vem apresentando um crescimento superior a 50% no último ano”, disse Juliana.
Outra novidade é o seguro de insucesso de bilheteria, mais voltado para shows. “Mas esse ainda é muito caro. Estamos desenvolvendo essa cobertura no Brasil, mas ele chega a custar cerca de 10% do valor do orçamento da produtora”, disse Dulce.
O custo se justifica pela especialização e complexidade para mapear o risco do motivo da fraca bilheteria. “Se o evento foi realizado no mesmo dia de um outro megashow, se foi divulgado corretamente para o público alvo. São muitas nuances”, acrescentou. Aqui não se encaixaria uma bilheteria menor do que a prevista em razão dos espectadores que pagam meia, como os estudantes e os idosos.
*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil
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