Bill inaugura temporada de furacões no Atlântico
Por Denise Bueno em 19/08/2009
A temporada de formação de furacões no Atlântico, entre junho e novembro, tem o seu primeiro evento depois de quase dois meses em razão do El Nino, que inibe a formação de furacões no Atlântico, levando-os para o oceano Pacífico. Depois das tempestades Ana e Claudette, veio o Bill, que ganhou força e já passou da categoria 2 do último dia 17 para a categoria 4 nesta quarta-feira, segundo informou o National Hurricane Center dos Estados Unidos. Bill está nas ilhas Bermudas, com ventos de 215 quilômetros por hora e poderá ganhar ainda mais intensidade.
Os especialistas prevêem a formação de até três furacões nesta safra. Apesar de reduzido número, os estragos que eles podem causar são incalculáveis. O furacão Katrina foi responsável pelo maior prejuízo financeiro em 2005. Segundo cálculos da Swiss Re, só esse furacão gerou perdas econômicas superiores a US$ 135 bilhões, sendo US$ 40 bilhões indenizadas pelas seguradoras, superando o furacão Andrew, ocorrido em 1992, com indenizações de US$ 22 bilhões e os atentados terroristas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, com US$ 21 bilhões.
A principal preocupação das seguradoras está com o Golfo do México, local de grande concentração de plataformas de petróleo, que consumiu metade das indenizações do Katrina. O setor de energia, que engloba riscos de petróleo, embarcações e mineração, movimenta prêmios anuais de US$ 4 bilhões.
A grande perda aconteceu em 2005, com a ocorrência de quatro furacões – Katrina, Rita, Wilma e Dennis-, com intensidade elevada. Mas foi o Katrina que causou boa parte das perdas de US$ 20 bilhões registradas no Golfo do México nas plataformas de petróleo. O efeito foi a saída de várias seguradoras do ramo, aumento do preço do seguro e conseqüentemente a redução de capacidade de capital para segurar os riscos.
Curiosidade - Os nomes dos furacões são retirados de uma lista de mais de 100 nomes, que são repetidos em um ciclo de 6 anos. Segundo explicam os especialistas, os nomes dos furacões e das tempestades tropicais são dados sempre que seus ventos atingem 62 quilômetros por hora.
Quando um furacão causa danos excessivos seu nome é retirado da lista. Isso já aconteceu com mais de 60 nomes, entre eles o Katrina.
O nome Bill foi utilizado em junho de 2003. A tempestade tropical Bill que devastou o estado norte-americano da Louisiana em junho causou prejuízos de US$ 22 milhões para as seguradoras e pelo baixo custo, o nome Bill permaneceu na lista de nomes de furacões e está agora sendo usado novamente.
Cerca de 5 mil moradores pediram indenização por danos causados às suas residências atingindo o montante de US$ 9,1 milhões. Além deles, 2.128 motoristas exigiram indenização por ferimentos sofridos nos acidentes provocados pelas chuvas e outros 252 motoristas reivindicaram US$ 656 mil pelos danos aos seus veículos. Estas indenizações somaram US$ 5,1 milhões. Os prejuízos causados a 1.555 estabelecimentos comerciais custaram quase US$ 4,5 milhões em indenizações.
Classificação - Existe uma escala que mede o poder de destruição dos furacões a partir da intensidade dos ventos. A escala vai de 1 a 5, sendo o quinto grau o mais violento e arrasador. Segundo o site apolo11.com, somente três furacões categoria 5 atingiram a costa dos EUA no século passado: um deles, sem nome, atingiu a Flórida em 1935, Furacão Camille em 1969 e Furacão Andrew em 1992.
Categoria 1 - ventos entre 119 e 153 km/h
Categoria 2 - ventos entre 154 e 177 km/h
Categoria 3 - ventos entre 178 e 209 km/h
Categoria 4 - ventos entre 210 e 249 km/h
Categoria 5 - ventos maiores que 249 km/h
Indústria precisa lançar produtos “verdes”, diz Aon
Por Denise Bueno em 19/06/2009
As seguradoras, resseguradoras e corretoras precisam repensar a importância de criar produtos que tragam recompensas e estimulem as empresas a adotar atitudes sustentáveis. O apelo foi feito por Andrew Tunnicliffe, COO da Aon Global Risk Consulting, em sua palestra durante a Association of Insurance and Risk Manager’s - AIRMIC (semelhante a brasileira Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco-ABGR), realizada em Bournemouth, Inglaterra, na semana passada.
Entre os produtos que podem ser criados, o executivo cita apólices com desconto ou com serviços adicionais para carros híbridos, edifícios construídos dentro dos padrões ecologicamente corretos, para corporações que usam energia renovável e benefícios para as pessoas que cuidam da saúde.
Durante sua palestra, foi realizada uma pesquisa com aproximadamente de 100 gestores de riscos dos maiores grupos econômicos da Inglaterra que estavam no evento para saber o que eles pensam do assunto. Cerca de 82% deles acreditam que a indústria de seguros tem de mudar de atitude em relação à responsabilidade social das empresas. Pouco mais de 97% dos gestores de risco informaram que a sua organização está empenhada em se tornar socialmente responsável, enquanto 71% reconhecem que esta política terá um custo inicial para o acionista, cujo retorno virá no futuro em termos de imagem.
“Nós, empresas globais, temos de incorporar esta responsabilidade em nosso dia a dia, olhando onde podemos reduzir prêmios para incentivar mais adeptos ao desenvolvimento sustentável”.
Seguros de garantia e de crédito enfrentam crise*
Por Denise Bueno em 04/06/2009
A crise começa a fazer suas vítimas na indústria de seguros. Dois produtos financeiros, seguro garantia e de crédito, começam a enfrentar dificuldades. Depois de vivenciar dois anos de farta capacidade e taxas baixas, a atual realidade do seguro garantia é de redução de investidores interessados e aumento da sinistralidade, que já começa a ser sentida pelo consumidor brasilero. “Garantia é um segmento que tem forte dependência do resseguro e por isso sofre com o cenário externo”, disse Alexandre Malucelli, presidente da JMalucelli Re durante sua palestra no VIII Encontro Anual do Comitê do Setor Elétrico, realizada em Belo Horizonte entre os dias 2 e 4 de junho e promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR).
A consequência é o aumento do preço, maiores exigências de garantias e informações ainda mais detalhadas dos riscos. “Está é a realidade que pude constatar nos últimos dias. A crise afetará o segmento no Brasil. Mas também é correto afirmar que este cenário desafiador nos traz muitas oportunidades”, disse ele para uma platéia responsável pelo maior número de projetos de infra-estrutura para serem aprovados no Brasil, durante o VIII Encontro Anual do Comitê do Setor Elétrico, realizado em Belo Horizonte entre 2 e 4 de junho.
Já o seguro de crédito, cujo efeito é mais imediato do que o de garantia, deverá passar por uma forte reformulação. As seguradoras de crédito enfrentam sérios problemas com a inadimplência na crise. Segundo Malucelli, durante suas conversas com resseguradores a sobrevivência do seguro de crédito é muito questionada.
“A imagem que ficou foi de ter a seguradora como um guarda chuva que quando começou a tempestade a companhia o pegou de volta e fechou”. Os governos da França, Espanha e Inglaterra criaram linhas para socorrer as empresas diante deste cenário, evitando assim o corte das linhas de crédito, sem muito sucesso. O resultado é uma ampla discussão sobre como ficará este segmento nos próximos anos.
No garantia, a crise tem um efeito mais retardado, porém será sentido com mais ênfase no segundo semestre. Empresas boas enfrentam dificuldade de liquidez, o que deverá se normalizar no próximo ano. “Hoje o que vemos são empresas pequenas obtendo a cobertura por estarem dentro dos limites dos contratos automáticos. Já para grandes projetos as taxas estão mais elevadas e mesmo assim faltam recursos para prover a capacidade”.
Tentar projetar um futuro por enquanto ainda é uma missão quase impossível. Para Malucelli, o futuro próximo destes dois segmentos de seguro é de consolidação, reduzindo o número de concorrentes. “Já vemos muitos efeitos em diversas áreas com a falta de cobertura para projetos importantes”.
Segundo ele, as companhias ficarão ainda mais seletivas em razão da lucratividade ter de vir do operacional, uma vez que do financeiro será difícil, com taxas de juros declinantes e investidores com aversão a risco neste momento. Os bancos começam a voltar a competir com o seguro garantia ofertando fiança bancaria. “Esses fatores criam um cenário desafiador e cheio de oportunidades”, conclui Malucelli.
*a jornalista viajou a convite da Mapfre Seguros
Malucelli renova contrato automático de garantia*
Por Denise Bueno em 04/06/2009
Depois de viajar vários dias para negociar com 16 resseguradores estrangeiros a renovação de contratos automáticos para garantir as operações de seguro da JMalucelli, Alexandre Malucelli (foto), presidente da resseguradora chegou a conclusão de que a crise chegou no segmento de seguro de crédito e garantia. “Mesmo diante do baixo astral instalado no exterior, conseguimos renovar nossos contratos até junho de 2010 com mais capacidade em razão do bom momento que o Brasil vive e pelo histórico de crescimento de vendas e rentabilidade do segmento no País”.
O crescimento econômico do Brasil tem estimulado fortemente o seguro de garantia. A previsão da JMalucelli Re é de que os prêmios deste segmento vão atingir R$ 643 milhões em 2009 e R$ 803 milhões em 2010. A expectativa considera a crise, que será compensada pelos projetos de infraesturtura que não podem esperar outro momento para serem iniciados, como as que fazem parte das exigências da Fifa, que escolheu 16 cidades brasileiras para sediar os jogos da Copa do Mundo em 2014.
Ser 2010 um ano eleitoral também conta pontos para alavancar as vendas de seguro garantia. “Historicamente em anos eleitorais os projetos governamentais avançam para finalizar o mandado”, explica Malucelli durante sua palestra no VIII Encontro Anual do Comitê do Setor Elétrico, realizada em Belo Horizonte entre os dias 2 e 4 de junho, promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR).
Na apresentação aos gestores de riscos das maiores empresas de energia do País, a mesma feita aos resseguradores internacionais durante o road show, Malucelli buscou mostrar o desenvolvimento do seguro garantia. “É um mercado em expansão e rentável”, disse, exigindo dados de crescimento dos prêmios e evolução dos sinistros.
O seguro garantia encerrou 2008 com prêmios de R$ 499 milhões, evolução de 43% sobre 2007, que já tinha avançado 77% sobre 2006. No primeiro quadrimestre deste ano, o segmento exibe crescimento de 75%. “Temos aqui o seguro da Usina Santo Antonio, do Rio Madeira, que representa R$ 130 milhões, mas mesmo assim percebemos o crescimento acelerado do setor mesmo num cenário de crise”, disse o executivo da Malucelli.
Desde 1994 até 2008, o índice médio de sinistralidade ficou em 18%. “Tivemos três grandes sinistros indenizados, que elevaram o índice para 85% e 107% em 1997 e 1999 e para 46% em 2005. “Isso mostra que diferente dos outros países o Brasil é um mercado em crescimento e com resultados técnicos”.
A Malucelli detém pouco mais de 40% das vendas totais de seguro garantia no Brasil, abaixo da fatia de 50% no encerramento de 2008. A abertura do resseguro tende a pulverizar os negócios com a entrada de novos competidores. “O que é bom para todos”, comentou o executivo. A retenção de risco das seguradoras neste segmento é de apenas 20%, o que evidencia tratar-se de uma carteira fortemente focada no resseguro.
Mesmo com a forte dependência do resseguro, o patrimônio líquido das seguradoras cresceu nos últimos anos, passando de R$ 22 milhões em 2003 para R$ 82 milhões em 2008. Até 2008, antes das novas regras de solvência, as seguradoras podiam reter em cada risco especifico cerca de 3% dos ativos líquidos. Agora, a retenção passou a ser ajustada ao risco ponderado.
*a jornalista viajou a convite da Mapfre Seguros
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