Navigators, do Lloyd’s of London, chega ao Brasil
Por Denise Bueno em 20/07/2010
Navigators Syndicate 1221 é o novo sindicato do Lloyd’s of London, formado por quase 85 grupos, que chega ao Brasil. Segundo nota do grupo, os planos são de desenvolver os negócios de energia, no qual é especializado. Em nota, Stephen Coward, presidente do Navigators diz que o Brasil é um mercado atraente em razão do acelerado crescimento econômico. Os investimentos projetados pelo governo brasileiro em energia para os próximos dez anos estimularam a decisão estratégica do grupo nomear um representante para fazer parte da resseguradora admitida no escritório que o Lloyds’s of London tem no Rio de Janeiro e já conta com nomes de peso como Catlin, Liberty e Ace. De acordo com a nota, o Navigtors pretende trazer outros produtos para o Brasil para atender também a demanda de seguros que será criada pela realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014.
Vazamento dificulta compra de seguro
Por Denise Bueno em 07/06/2010
A explosão da plataforma Deepwater Horizon, no Golfo do México, e o consequente vazamento de óleo, já considerado o maior e mais devastador da história, desestabilizaram o mercado de seguros conhecido como “energy”, que envolve plataformas de petróleo. Segundo recente estudo da corretora Willis, as taxas de seguros aumentaram, alguns players estão deixando o mercado e a oferta de capacidade começa a ficar restrita, principalmente para perfuração.
Este cenário já dificulta a rotina de seguros da Petrobras, que vinha obtendo com certa facilidade um sem-número de contratos para garantir o volumoso plano de investimentos, incluindo a exploração do pré-sal, comentam executivos do setor no Brasil, Alemanha e Suíça.
Segundo o último Willis Energy Market Review Newsletter, divulgado na semana passada, a desestabilização ocorreu com a perda de US$ 785 milhões, sendo US$ 560 milhões da plataforma da BP no Golfo, além de outros prejuízos, como US$ 235 milhões da Perarl Aban, plataforma na costa da Venezuela, e o recente anúncio da Apache Corp, com sede em Houston, de uma perda inesperada de US$ 150 milhões ainda com o furacão Ike, que devastou o Golfo em 2008. Ainda é preciso contabilizar outros milhões de dólares para remover os destroços da Deepwater Horizon do fundo do mar.
A estimativa de perdas com a Deepwater Horizon fica entre US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões, mas a indústria de seguros estima perdas de US$ 1,2 bilhão, sendo o restante considerado um auto seguro da operadora da plataforma. “A tragédia da perda Horizon Deepwater, potencialmente o maior da história do mercado de plataformas, trouxe sério choque para o mercado, alterando substancialmente o ambiente de negócios”, comentou Alistair Rivers, CEO da Willis Energia em comunicado.
Obviamente o acidente trouxe mais consciência aos gestores de riscos dos operadores dos riscos a que estão expostos, o que acabou por lotar a caixa posta de e-mails dos corretores que operam neste nicho de negócios. Rivers acha ser esta uma reação exagerada, já que a perda da Horizon Deepwater é bastante singular e a probabilidade de um evento similar é “remota para a maioria dos operadores”. A recomendação da Willis é fazer uma análise detalhada do risco antes de optar pela mudança no pacote atual de seguros.
O estudo também comenta que as grandes perdas deste ano, se agravadas com uma forte temporada de furacões no Golfo do México 2010, que acontece entre junho e setembro, podem levar a uma retirada significativa das seguradoras do mercado. E as que continuarem deverão adotar posturas mais duras de subscrição e aumento dos custos de resseguro, que também sofrem um agravamento por conta da necessidade de capital que será exigido nas normas de Solvência II.
Empresas buscam contratos milionários*
Por Denise Bueno em 12/05/2010
matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura, do jornal Valor Econômico, publicado dia 12 de maio de 2010*
O risco de uma crise no mercado de seguros mundial, em consequência da turbulência financeira iniciada na Grécia e que já atinge outros países europeus, começa a ser alvo de atenção das principais seguradoras e compradores de seguros no Brasil. A criação da seguradora estatal Empresa Brasileira de Seguros (EBS) pelo ministro da Fazenda Guido Mantega aconteceu exatamente um dia antes de um forte estresse vivido pelo mercado financeiro mundial. No dia 6 de maio, investidores do mundo todo se assustaram com a queda de 9% na Bolsa de Nova York, durante o dia. No final do pregão, porém, a principal bolsa do mundo amargou uma baixa de 3,2%.
As seguradoras são investidoras institucionais e recebem valores, chamados de prêmios, para garantir pagamentos futuros em caso de perdas de seus clientes. Enquanto essas perdas não ocorrem, as companhias de seguros e de resseguros aplicam os recursos no mercado financeiro. Se o mercado financeiro apresentar perdas, elas também terão prejuízos. A Munich Re, maior resseguradora do mundo, já deu sinais de preocupação. Na sexta-feira, dia 7, afirmou a investidores que talvez não consiga atingir o lucro líquido alvo de € 2 bilhões em 2010, mesmo tendo superado a expectativa do primeiro trimestre, em razão da turbulência financeira.
A incerteza dos mercados aliada a um elevado volume de indenizações pagas com o terremoto no Chile, tempestades na Europa e afundamento da plataforma Deepwater Horizon, alugada pela Brithsh Petroleum da Transoceanda, no Golfo do México, com danos recordes ao meio ambiente, faz com que o cenário realmente seja preocupante para um governo que precisa garantir mais de R$ 1 trilhão em investimentos em infraestrutura do país, como prevê o Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC-2).
Ao criar a EBS, o governo brasileiro quis evitar o risco de passar novamente por um grande aperto como o vivenciado em setembro de 2008, ápice da crise financeira mundial com a falência do banco de investimento Lehman Brothers e a quase derrocada da AIG, até então a maior seguradora do mundo. O susto veio quando todas as garantias para a concretização do “project finance”, com crédito de R$ 6,2 bilhões, da Usina Santo Antonio, com prazo de 25 anos, estavam negociadas e com a crise vários seguradores e resseguradores foram obrigados e sair do contrato ou reduzir a participação em razão da crise. Principalmente a AIG, socorrida pelo Tesouro americano com US$ 180 bilhões, e que tinha uma fatia significativa no acordo da terceira maior hidrelétrica do mundo no Rio Madeira.
De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a EBS não concorrerá com o mercado, porque a concessão de seguro garantia ocorrerá sempre em consórcio com o setor privado. A seguradora estatal será a responsável por administrar os fundos garantidores do governo e também a concessão de seguros não cobertos pelo mercado. Sendo uma seguradora, os recursos dos fundos serão ampliados, uma vez para cada real de risco assumido pela seguradora pode garantir vários mil reais em volume de empréstimos.
A EBS será usada pelo governo caso haja necessidade. Se a atual turbulência financeira for superada, a indústria de seguros tem farta oferta de capital para o Brasil. Estão presentes no país praticamente todas as maiores seguradoras e resseguradoras do mundo. Todas elas disputam os contratos milionários dos investimentos em infraestrutura que suportarão o crescimento da economia do Brasil e também que visam preparar o país para ser o anfitrião da Copa em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016.
São várias frentes de negócios. Desde o seguro que garante que o consórcio vencedor do leilão irá honrar o preço ofertado até o atraso no início de funcionamento de uma hidrelétrica, por exemplo. A Liberty International Underwriters (LIU), divisão de riscos especiais da Liberty Seguros, foi a vencedora da licitação para a emissão da apólice de seguro de transporte de parte das turbinas e subestações relacionadas, que serão usados na construção da hidrelétrica de Jirau, uma das maiores obras do PAC.
A apólice, com prêmio no valor de US$ 1,1 milhão, terá vigência de dois anos e dez meses e prevê cobertura de US$ 335 milhões para danos ocorridos no deslocamento de 18 turbinas e subestações fabricadas na China e Coréia, respectivamente. A apólice contempla uma cobertura adicional de R$ 286 milhões para o caso de atraso no início das operações de Jirau decorrente de problemas no transporte dos equipamentos desde o fabricante até o local de instalação no Rio Madeira.
“Este tipo de cobertura não era aceito pelo Instituto Brasileiro de Resseguros (IRB) antes da abertura do mercado. Neste programa, incluímos esta nova cláusula que é amplamente aceita no mercado internacional e traz novas garantias para as empresas envolvidas no projeto”, diz Paul Conolly, diretor da LIU, que projeta crescimento de 46,5% em grandes riscos em 2010.
Segundo o suíço Emanuel Bats, responsável pela carteira de seguro de riscos de engenharia da Zurich, o grupo atende 134 das 225 construtoras globais, entre elas as principais brasileiras. Luciano Calheiros, diretor da área de seguro patrimonial da Zurich, afirma que há capacidade suficiente no Brasil para investimento de qualquer porte. “Temos US$ 140 milhões em capacidade para contratos de risco de engenharia, o suficiente para garantir a perda máxima de um projeto com investimentos de R$ 1 bilhão”, diz. Em seguro garantia, a capacidade é de US$ 500 milhões e em transporte de grandes equipamentos a Zurich tem US$ 90 milhões por embarque.
A agressividade espanhola tem rendido contratos para a Mapfre, entre eles o da Transnordestina, ferrovia com mais de 1,8 mil quilômetros no Nordeste do país. Nos contratos de seguros envolvendo Copa e Olimpíada, a expectativa da Mapfre é de que o setor terá uma receita extra de R$ 1 bilhão em contratos diversos. “Nos preparamos para ter no mínimo uma fatia de 10%”, diz Octavio Bromatti, diretor de grandes riscos da subsidiária da Mapfre, maior grupo segurador da Espanha e da América Latina em riscos patrimoniais.
Felipe Smith, diretor-técnico da Tokio Marine, está de olho no mercado de petróleo e gás. A expectativa é de que os investimentos atinjam R$ 295 bilhões entre 2010 e 2013, de acordo com projeções do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Só para embarcações são R$ 18,2 bilhões do BNDES”, afirma. A canadense Fairfax começou operar no Brasil no inicio deste ano e conta com quase 40 profissionais para desenvolver negócios corporativos.
Entre as resseguradoras, a subsidiária local da alemã Munich Re fechou o contrato de resseguro para as seguradoras ACE, RSA e Allianz, que juntas dão coberturas para proteger a Impsa dos riscos de construção de 10 instalações eólicas em Santa Catarina, com ativos segurados que superam US$ 1 bilhão, segundo Christian Garbrecht, executivo responsável por desenvolvimento de negócios da Munich Re.
Entre os corretores de seguros e de resseguros a briga promete ser intensa. “Temos mais de 900 projetos de infraestrutura com investimentos de US$ 3 bilhões até 2030″, diz Marcelo Elias, diretor de infraestrutura da Marsh Brasil e América Latina. A Aon investe na captação dos negócios entre os clientes mundiais e no Brasil aposta no treinamento. “Fizemos mais de 15 mil horas de treinamento e mandamos mais de 20 técnicos para serem treinados no exterior”, acrescenta Fernando Pereira, da concorrente Aon.
Munich Re fecha resseguro para 10 eólicas
Por Denise Bueno em 19/04/2010
A Munich Re, maior resseguradora do mundo, fechou por meio da resseguradora local instalada no Brasil o contrato de resseguro para as seguradoras ACE, RSA e Allianz, que juntas dão coberturas para proteger a Impsa — empresa global dedicada a produzir soluções integrais para a geração de energia elétrica a partir de recursos renováveis — dos riscos de construção de 10 instalações eólicas em Santa Catarina.
“As negociações de resseguro foram intermediadas pela Bowring Marsh, que há tempos tem a conta Impsa em sua carteira de negócios”, informa Christian Garbrecht, executivo responsável por desenvolvimento de negócios da Munich Re. Este é o segundo grande contrato fechado nas últimas semanas. A Munich Re também foi a resseguradora do programa de seguros da apólice dos riscos de construção da Transnordestina, empreendimento de R$ 5,4 bilhões. O programa da principal malha rodoviária do Nordeste, que envolve quase 1.800 km, foi desenhado em conjunto com a corretora JLT Re e com as seguradoras Mapfre e Liberty International Underwriters (LIU).
As 10 instalações da Impsa serão agrupadas nos parques eólicos Bom Jardim e Água Doce, com ativos segurados que superam R$ 1 bilhão. Os dois parques terão potência instalada de 91,9 megawatts (MW) e 125,8MW, respectivamente. A cobertura compreende o reparo de danos físicos causados a esses ativos por acidentes durante a construção dos parques, incluindo eventuais perdas financeiras pelo atraso em conseqüência de tais acidentes. “A Munich Re do Brasil ressegura mais de 70% do risco”, informa o executivo da Munich Re.
Através de sua operação local, um dos objetivos estratégicos da Munich é ter uma posição de liderança no segmento de riscos de engenharia, em particular no novo cenário do mercado aberto de resseguro. Com as mesmas práticas das suas operações internacionais, a empresa traz ao Brasil sua força financeira, expertise, e acesso à sua rede global. “Temos grande interesse em apoiar o mercado segurador e corretores nas demandas resultantes dos investimentos futuros em infraestrutura”, diz o diretor da Munich Re.
A expertise em projetos de geração de energia, açúcar e álcool, energias renováveis, logística, transportes e urbanização estão à disposição de todos os brasileiros por meio da operação local. “Nossa abordagem é apoiar o mercado de forma eficaz e equilibrada para que todas as partes envolvidas possam crescer e se desenvolver de forma sustentável.”
Há um grande interesse dos grupos seguradores de todo o mundo em projetos de energia no Brasil. Segundo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), segunda edição, divulgada no final de março deste ano pelo governo brasileiro, os investimentos previstos ultrapassam R$ 1 trilhão até 2016, sendo R$ 465 bilhões até 2014. Só na geração de energia estão previstos R$ 136 bilhões dentro do PAC-2. A maior parte dos recursos, R$ 880 bilhões, vão para a área de petróleo e gás natural.
A capacidade de geração de energia eólica no mundo em 2009 era de 157,9 gigawatt (GW). Os Estados Unidos são os maiores no uso desta fonte de energia, com capacidade de 35 GW, seguido pela China, com 25 GW, Índia, com 11 GW, Europa, com 76 GW, segundo divulgou o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês).
A América Latina ainda engatinha, com apenas 1,2 GW, porém tem um grande potencial de crescimento, o que faz a Munich Re apostar fortemente neste segmento ao trazer aos países da região os melhores profissionais neste segmento. A capacidade instalada da América Latina apresentou alta de 95%, influenciada pelo bom desempenho do México, com aumento de 137% na capacidade instalada, Chile (740%) e Costa Rica (67%).
O Brasil responde por cerca da metade da capacidade instalada na América Latina, mas representa 0,38% do total mundial. A capacidade de geração de energia eólica no Brasil aumentou 77 7% em 2009, em relação ao ano anterior, com capacidade instalada de 606 megawatts (MW) no encerramento do ano.
Este número deu ao país um grande estatus no ranking mundial, ao ter evoluído bem acima da média de 31% apurada no estudo. Foi superado apenas pela China, com evolução de 107%, segundo o estudo do GWEC. Os Estados Unidos registrou alta de 39% na capacidade instalada de energia eólica; a Índia de 13% e a Europa de 16%.
Construção de Belo Monte novamente em risco
Por Denise Bueno em 08/04/2010
O imbróglio para a construção de Belo Monte, a terceira maior hidrelétrica do mundo, está grande e agora compromete até mesmo as seguradoras que criaram um pool para ofertar garantias para o empreendimento. O Ministério Público do Pará disse que irá notificar oito empresas, entre elas Fator Seguros, JMalucelli e UBF, para evitar que elas cooperem com os danos e ilegalidades que fazem parte do estudo que fará o órgão pedir a anulação da licença pública para a construção da hidrelétrica.
As outras empresas consideradas co-responsáveis, além das seguradoras, são BNDES, Norberto Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez e Vale. As seguradoras, segundo nota divulgada recentemente, formaram um pool para ofertar garantias de R$ 6,5 bilhões para viabilizar a estrutura de financiamento da construção da usina, com recursos estimados em R$ 20 bilhões.
Ontem a Odebrecht e Camargo Correia desistiram de participar do leilão previsto para o dia 20, justificando que o governo não respondeu aos questionamentos sobre o edital. Ficou apenas um consórcio agora, o da Andrade Gutierrez. A expectativa do governo é de que outro se inscreva para acirrar a concorrência pelo preço ofertado.
Segundo noticias dos jornais, os procuradores da República que analisaram o empreendimento apontam afronta à Constituição, às leis ambientais e às resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente entre os oito problemas identificados. Um dos mais sérios é uma análise que afirma que se a hidrelétrica for construída como mostra o projeto poderá secar 100 km de rio e comprometer a água e o alimento das populações.
Seguradoras criam pool para atender Belo Monte
Por Denise Bueno em 25/03/2010
As seguradoras JMalucelli, Fator e UBF Seguros anunciaram ao mercado a criação de um pool entre as empresas com o objetivo exclusivo de atender as garantias demandadas pelo Projeto da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA), com investimentos estimados em R$ 20 bilhões. Estima-se que o valor total das garantias para o Projeto da UHE Belo Monte, incluindo garantias a investidores e fornecedores deva girar em torno de R$ 6 bilhões.
Segundo comunicado do grupo, está é o maior volume de garantias já originado por um único projeto no Brasil. Porém, segundo notícias divulgadas quando o seguro do Rio Madeira foi fechado pela corretora de seguros OCS, do grupo Odebrecht, o valor supera a de Belo Monte, com R$ 9,5 bilhões.
A nota diz que a intenção deste pool constituído por três tradicionais seguradoras de garantia que juntas representam mais de 50% do mercado brasileiro, com prêmios aproximados de R$ 700 milhões em 2009, é unir a expertise de subscrição das empresas, bem como suas capacidades próprias e de resseguro.
Na opinião de Alexandre Malucelli, vice-presidente da JMalucelli, seguradora líder do pool, este movimento deve gerar um impacto positivo no mercado, uma vez que sinaliza que o mesmo está apto a atender a demanda de seguro garantia para mega-projetos. “Esta parceria demonstra a maturidade dos players envolvidos, bem como potencializa a capacidade das seguradoras do pool em prover soluções adequadas aos clientes e aos beneficiários das garantias”.
O anúncio vem em um momento em que o governo prepara a criação de uma seguradora estatal para dar apoio a iniciativa privada em prover seguro garantia aos projetos milionários de investimentos em infraestrutura.
André Marino Gregori, Diretor da Fator Seguradora, ressalta que com a sofisticação do mercado de seguros, especialmente no de seguro garantia, parcerias inovadoras como esta são muito bem vindas pois agregam valor ao cliente, especificamente no que diz respeito à know-how e capacidade financeira. “No caso da Fator Seguradora, isto tem sido uma realidade do nosso dia a dia. Desta forma o cliente sempre será melhor atendido. “
Trata-se de uma parceria inovadora que com certeza será seguida por outros setores da economia. “Neste modelo todos ganham, pois a experiência das maiores seguradoras do Brasil unidas em projetos desta magnitude contribuem para resultados de sucesso de seus clientes e, consequentemente, para o crescimento do país”, afirma Luiz Roberto Paes Foz, presidente da UBF Seguros.
Localizada no Rio Xingu, próximo à cidade de Altamira, Belo Monte deve gerar 11.233 MW o que equivale a 10% da demanda brasileira, tornando-se a 3ª maior Usina Hidroelétrica do mundo. O Leilão da ANEEL que possivelmente contará com a participação de dois ou três consórcios está agendado para o próximo dia 20 de abril, devendo cada participante apresentar suas garantias de propostas no valor de aproximadamente R$ 220 milhões, iniciando desta maneira a expressiva demanda de garantias estimada pelo pool de seguradoras.
Bill inaugura temporada de furacões no Atlântico
Por Denise Bueno em 19/08/2009
A temporada de formação de furacões no Atlântico, entre junho e novembro, tem o seu primeiro evento depois de quase dois meses em razão do El Nino, que inibe a formação de furacões no Atlântico, levando-os para o oceano Pacífico. Depois das tempestades Ana e Claudette, veio o Bill, que ganhou força e já passou da categoria 2 do último dia 17 para a categoria 4 nesta quarta-feira, segundo informou o National Hurricane Center dos Estados Unidos. Bill está nas ilhas Bermudas, com ventos de 215 quilômetros por hora e poderá ganhar ainda mais intensidade.
Os especialistas prevêem a formação de até três furacões nesta safra. Apesar de reduzido número, os estragos que eles podem causar são incalculáveis. O furacão Katrina foi responsável pelo maior prejuízo financeiro em 2005. Segundo cálculos da Swiss Re, só esse furacão gerou perdas econômicas superiores a US$ 135 bilhões, sendo US$ 40 bilhões indenizadas pelas seguradoras, superando o furacão Andrew, ocorrido em 1992, com indenizações de US$ 22 bilhões e os atentados terroristas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, com US$ 21 bilhões.
A principal preocupação das seguradoras está com o Golfo do México, local de grande concentração de plataformas de petróleo, que consumiu metade das indenizações do Katrina. O setor de energia, que engloba riscos de petróleo, embarcações e mineração, movimenta prêmios anuais de US$ 4 bilhões.
A grande perda aconteceu em 2005, com a ocorrência de quatro furacões – Katrina, Rita, Wilma e Dennis-, com intensidade elevada. Mas foi o Katrina que causou boa parte das perdas de US$ 20 bilhões registradas no Golfo do México nas plataformas de petróleo. O efeito foi a saída de várias seguradoras do ramo, aumento do preço do seguro e conseqüentemente a redução de capacidade de capital para segurar os riscos.
Curiosidade – Os nomes dos furacões são retirados de uma lista de mais de 100 nomes, que são repetidos em um ciclo de 6 anos. Segundo explicam os especialistas, os nomes dos furacões e das tempestades tropicais são dados sempre que seus ventos atingem 62 quilômetros por hora.
Quando um furacão causa danos excessivos seu nome é retirado da lista. Isso já aconteceu com mais de 60 nomes, entre eles o Katrina.
O nome Bill foi utilizado em junho de 2003. A tempestade tropical Bill que devastou o estado norte-americano da Louisiana em junho causou prejuízos de US$ 22 milhões para as seguradoras e pelo baixo custo, o nome Bill permaneceu na lista de nomes de furacões e está agora sendo usado novamente.
Cerca de 5 mil moradores pediram indenização por danos causados às suas residências atingindo o montante de US$ 9,1 milhões. Além deles, 2.128 motoristas exigiram indenização por ferimentos sofridos nos acidentes provocados pelas chuvas e outros 252 motoristas reivindicaram US$ 656 mil pelos danos aos seus veículos. Estas indenizações somaram US$ 5,1 milhões. Os prejuízos causados a 1.555 estabelecimentos comerciais custaram quase US$ 4,5 milhões em indenizações.
Classificação – Existe uma escala que mede o poder de destruição dos furacões a partir da intensidade dos ventos. A escala vai de 1 a 5, sendo o quinto grau o mais violento e arrasador. Segundo o site apolo11.com, somente três furacões categoria 5 atingiram a costa dos EUA no século passado: um deles, sem nome, atingiu a Flórida em 1935, Furacão Camille em 1969 e Furacão Andrew em 1992.
Categoria 1 – ventos entre 119 e 153 km/h
Categoria 2 – ventos entre 154 e 177 km/h
Categoria 3 – ventos entre 178 e 209 km/h
Categoria 4 – ventos entre 210 e 249 km/h
Categoria 5 – ventos maiores que 249 km/h
Indústria precisa lançar produtos “verdes”, diz Aon
Por Denise Bueno em 19/06/2009
As seguradoras, resseguradoras e corretoras precisam repensar a importância de criar produtos que tragam recompensas e estimulem as empresas a adotar atitudes sustentáveis. O apelo foi feito por Andrew Tunnicliffe, COO da Aon Global Risk Consulting, em sua palestra durante a Association of Insurance and Risk Manager’s – AIRMIC (semelhante a brasileira Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco-ABGR), realizada em Bournemouth, Inglaterra, na semana passada.
Entre os produtos que podem ser criados, o executivo cita apólices com desconto ou com serviços adicionais para carros híbridos, edifícios construídos dentro dos padrões ecologicamente corretos, para corporações que usam energia renovável e benefícios para as pessoas que cuidam da saúde.
Durante sua palestra, foi realizada uma pesquisa com aproximadamente de 100 gestores de riscos dos maiores grupos econômicos da Inglaterra que estavam no evento para saber o que eles pensam do assunto. Cerca de 82% deles acreditam que a indústria de seguros tem de mudar de atitude em relação à responsabilidade social das empresas. Pouco mais de 97% dos gestores de risco informaram que a sua organização está empenhada em se tornar socialmente responsável, enquanto 71% reconhecem que esta política terá um custo inicial para o acionista, cujo retorno virá no futuro em termos de imagem.
“Nós, empresas globais, temos de incorporar esta responsabilidade em nosso dia a dia, olhando onde podemos reduzir prêmios para incentivar mais adeptos ao desenvolvimento sustentável”.
Seguros de garantia e de crédito enfrentam crise*
Por Denise Bueno em 04/06/2009
A crise começa a fazer suas vítimas na indústria de seguros. Dois produtos financeiros, seguro garantia e de crédito, começam a enfrentar dificuldades. Depois de vivenciar dois anos de farta capacidade e taxas baixas, a atual realidade do seguro garantia é de redução de investidores interessados e aumento da sinistralidade, que já começa a ser sentida pelo consumidor brasilero. “Garantia é um segmento que tem forte dependência do resseguro e por isso sofre com o cenário externo”, disse Alexandre Malucelli, presidente da JMalucelli Re durante sua palestra no VIII Encontro Anual do Comitê do Setor Elétrico, realizada em Belo Horizonte entre os dias 2 e 4 de junho e promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR).
A consequência é o aumento do preço, maiores exigências de garantias e informações ainda mais detalhadas dos riscos. “Está é a realidade que pude constatar nos últimos dias. A crise afetará o segmento no Brasil. Mas também é correto afirmar que este cenário desafiador nos traz muitas oportunidades”, disse ele para uma platéia responsável pelo maior número de projetos de infra-estrutura para serem aprovados no Brasil, durante o VIII Encontro Anual do Comitê do Setor Elétrico, realizado em Belo Horizonte entre 2 e 4 de junho.
Já o seguro de crédito, cujo efeito é mais imediato do que o de garantia, deverá passar por uma forte reformulação. As seguradoras de crédito enfrentam sérios problemas com a inadimplência na crise. Segundo Malucelli, durante suas conversas com resseguradores a sobrevivência do seguro de crédito é muito questionada.
“A imagem que ficou foi de ter a seguradora como um guarda chuva que quando começou a tempestade a companhia o pegou de volta e fechou”. Os governos da França, Espanha e Inglaterra criaram linhas para socorrer as empresas diante deste cenário, evitando assim o corte das linhas de crédito, sem muito sucesso. O resultado é uma ampla discussão sobre como ficará este segmento nos próximos anos.
No garantia, a crise tem um efeito mais retardado, porém será sentido com mais ênfase no segundo semestre. Empresas boas enfrentam dificuldade de liquidez, o que deverá se normalizar no próximo ano. “Hoje o que vemos são empresas pequenas obtendo a cobertura por estarem dentro dos limites dos contratos automáticos. Já para grandes projetos as taxas estão mais elevadas e mesmo assim faltam recursos para prover a capacidade”.
Tentar projetar um futuro por enquanto ainda é uma missão quase impossível. Para Malucelli, o futuro próximo destes dois segmentos de seguro é de consolidação, reduzindo o número de concorrentes. “Já vemos muitos efeitos em diversas áreas com a falta de cobertura para projetos importantes”.
Segundo ele, as companhias ficarão ainda mais seletivas em razão da lucratividade ter de vir do operacional, uma vez que do financeiro será difícil, com taxas de juros declinantes e investidores com aversão a risco neste momento. Os bancos começam a voltar a competir com o seguro garantia ofertando fiança bancaria. “Esses fatores criam um cenário desafiador e cheio de oportunidades”, conclui Malucelli.
*a jornalista viajou a convite da Mapfre Seguros
Malucelli renova contrato automático de garantia*
Por Denise Bueno em 04/06/2009
Depois de viajar vários dias para negociar com 16 resseguradores estrangeiros a renovação de contratos automáticos para garantir as operações de seguro da JMalucelli, Alexandre Malucelli (foto), presidente da resseguradora chegou a conclusão de que a crise chegou no segmento de seguro de crédito e garantia. “Mesmo diante do baixo astral instalado no exterior, conseguimos renovar nossos contratos até junho de 2010 com mais capacidade em razão do bom momento que o Brasil vive e pelo histórico de crescimento de vendas e rentabilidade do segmento no País”.
O crescimento econômico do Brasil tem estimulado fortemente o seguro de garantia. A previsão da JMalucelli Re é de que os prêmios deste segmento vão atingir R$ 643 milhões em 2009 e R$ 803 milhões em 2010. A expectativa considera a crise, que será compensada pelos projetos de infraesturtura que não podem esperar outro momento para serem iniciados, como as que fazem parte das exigências da Fifa, que escolheu 16 cidades brasileiras para sediar os jogos da Copa do Mundo em 2014.
Ser 2010 um ano eleitoral também conta pontos para alavancar as vendas de seguro garantia. “Historicamente em anos eleitorais os projetos governamentais avançam para finalizar o mandado”, explica Malucelli durante sua palestra no VIII Encontro Anual do Comitê do Setor Elétrico, realizada em Belo Horizonte entre os dias 2 e 4 de junho, promovido pela Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco (ABGR).
Na apresentação aos gestores de riscos das maiores empresas de energia do País, a mesma feita aos resseguradores internacionais durante o road show, Malucelli buscou mostrar o desenvolvimento do seguro garantia. “É um mercado em expansão e rentável”, disse, exigindo dados de crescimento dos prêmios e evolução dos sinistros.
O seguro garantia encerrou 2008 com prêmios de R$ 499 milhões, evolução de 43% sobre 2007, que já tinha avançado 77% sobre 2006. No primeiro quadrimestre deste ano, o segmento exibe crescimento de 75%. “Temos aqui o seguro da Usina Santo Antonio, do Rio Madeira, que representa R$ 130 milhões, mas mesmo assim percebemos o crescimento acelerado do setor mesmo num cenário de crise”, disse o executivo da Malucelli.
Desde 1994 até 2008, o índice médio de sinistralidade ficou em 18%. “Tivemos três grandes sinistros indenizados, que elevaram o índice para 85% e 107% em 1997 e 1999 e para 46% em 2005. “Isso mostra que diferente dos outros países o Brasil é um mercado em crescimento e com resultados técnicos”.
A Malucelli detém pouco mais de 40% das vendas totais de seguro garantia no Brasil, abaixo da fatia de 50% no encerramento de 2008. A abertura do resseguro tende a pulverizar os negócios com a entrada de novos competidores. “O que é bom para todos”, comentou o executivo. A retenção de risco das seguradoras neste segmento é de apenas 20%, o que evidencia tratar-se de uma carteira fortemente focada no resseguro.
Mesmo com a forte dependência do resseguro, o patrimônio líquido das seguradoras cresceu nos últimos anos, passando de R$ 22 milhões em 2003 para R$ 82 milhões em 2008. Até 2008, antes das novas regras de solvência, as seguradoras podiam reter em cada risco especifico cerca de 3% dos ativos líquidos. Agora, a retenção passou a ser ajustada ao risco ponderado.
*a jornalista viajou a convite da Mapfre Seguros
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