Preço do D&O cai para empresas comercias
Por Denise Bueno em 14/09/2009
O preço do seguro de responsabilidade civil de executivos, conhecido como Directors & Officer, continuou apresentando queda de 5% para as empresas comerciais no segundo trimestre do ano, revela pesquisa divulgada na última sexta-feira pela corretora de seguros Willis, a terceira maior do mundo. E a tendência é de que o preço continue caindo no terceiro trimestre deste ano, em boa parte pelo resultado do julgamento das ações. Muitas das ações tem julgado que houve fraude do administrador, o que está excluído do pagamento de seguro.
O preço do seguro para as instituições financeiras continua elevado, pois elas ainda são vistas como um segmento muito arriscado pelas seguradoras em razão do volumoso número de processos de acionistas contra executivos financeiros por perdas com a crise financeira global.
As empresas comerciais estão sendo beneficiadas em parte pela disputa na renovação dos contratos de resseguro, onde a média de preços ficou 6% menor, e também pela entrada de novos competidores no segmento. Porém a severidade na subscrição de riscos permanece para todos os setores.
Para o Brasil, esta é uma boa notícia. Além da redução de preço mundial, a disputa no mercado brasileiro está cada dia mais acirrada com a entrada de novos participantes dispostos a conquistar um mercado ainda pouco explorado e com regulamentações e punições que se tornam realidade. Segundo matéria publicada pelo Jornal Valor Econômico na última semana, a justiça já penhorou mais de R$ 42 bilhões desde a criação da penhora online.
As punições da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também estão mais severas. Entre os vários casos solucionados pelo órgão fiscalizador na semana passada, está o do presidente da CSN, Beijamin Steinbruch, que concordou em pagar R$ 350 mil para encerrar um caso onde foi acusado de não divulgar fato relevante sobre a negociação com a Corus.
O estudo da Willis pode ser acessado no www.willis.com/Documents
Indenizações de D&O podem custar US$ 6 bilhões
Por Denise Bueno em 23/06/2009
A Towers Perrin e Cornerstone divulgaram ontem um alerta de que os custos com o pagamento de indenizações de D&O podem custar mais de US$ 6 bilhões para as seguradoras, segundo informou uma reportagem do jornal britânico Financial Times, tendo a Advisen como fonte. Até agora foram 210 processos em 2008, 17% acima do volume registrado em 2007. Praticamente metade deles se refere a instituições financeiras.
Além de um volume maior, o custo das indenizações determinadas pela Justiça tem aumentado consideravelmente. O resultado disso, diz a reportagem, é o aumento do custo e condições de coberturas mais restritas para instituições financeiras, além da recusa em fazer o seguro para aquelas mais expostas a perdas do subprime.
O temor das seguradoras é ter um ano como no início do século 21. As maiores perdas em D&O foram iniciadas com a quebra da Enron, que gerou acordos com acionistas de US$ 7,1 bilhões. A WorldCom é a vice líder em indenizações, com US$ 6,1 bilhões. A Cedant gerou indenizações de US$ 3,5 bilhões.
O caso da fraude do Société Générale e do escândalo Madoff pioraram ainda mais o cenário de crise. No Brasil, os principais casos que correm na Justiça são o da Sadia e da Aracruz, onde acionistas questionam a exposição das em empresas em derivativos, que causou milhões de reais em prejuízo.
Este segmento tem apresentado um dos maiores crescimentos entre os produtos vendidos pelas seguradoras brasileiras. As empresas que mais contratam o seguro de D&O são aquelas que negociam seus papéis no mercado acionário. Nos Estados Unidos, 98% das empresas já compram este produto para proteger o patrimônio de seus executivos. Na Europa, 80%. As empresas latinas que negociam ADR na bolsa de valores americana são outro grande nicho de disputa para a venda de D&O.
O Brasil conta ainda com um pequeno número de contratos, em torno de 1,2 mil. Mas tem crescido rapidamente. No primeiro quadrimestre deste ano, o ramo acumula prêmios de R$ 40 milhões, bem acima dos R$ 27 milhões do mesmo período do ano anterior. a Itaú Unibanco é a maior do Brasil, com prêmios de R$ 15,2 milhões, incluindo a Unibanco, a Itaú e a Itaú XL. A SulAmérica é a segunda maior, com R$ 6,1 milhões, seguida pela Zurich, com R$ 5,4 milhões, Chubb, com R$ 4 milhões e ACE, com R$ 3,5 milhões.
A Liberty é a mais nova estreia neste segmento. “A Liberty vai atuar fortemente no Brasil. Mundialmente, é uma das cinco maiores na subscrição de D&O. Tem expertise local e internacional para oferecer coberturas e serviços que realmente protejam o profissional e a empresa”, diz Luís Maurette, presidente do Grupo Liberty no Brasil.
Para comandar a área, a sua divisão de linhas especiais, Liberty International Underwriters (LIU), contratou Renato Rodrigues, 33 anos, um dos melhores profissionais de D&O na indústria de seguros. O executivo tem mais de dez anos de experiência em responsabilidade civil de executivos e ocupou posições importantes em empresas nos EUA.
”As oportunidades no Brasil são enormes, pois as empresas estão contratando o seguro pela primeira vez, diferentemente dos EUA, país em que 90% das empresas já têm apólices contratadas”, afirma Rodrigues.
Executivo exige proteção financeira*
Por Denise Bueno em 25/04/2008
A demanda de executivos por proteção financeira tem trazido mais seguradoras para explorar este nicho de negócio. Um negócio restrito praticamente à Chubb e Unibanco AIG até 2006, quando o IRB Brasil Re, na época o único ressegurador autorizado a operar, optou por autorizar as seguradoras a contratar resseguro no exterior no passado do que administrar uma carteira tão específica e que requer know how para se ter rentabilidade.
“Esse é um bom exemplo do que a liberdade de contratar seguro poderá fazer com o País”, diz Eduardo Pitombeira, executivo responsável por produtos financeiros na Zurich. O livre acesso ao resseguro trouxe mais concorrentes, hoje são quase dez, e coberturas mais próximas da necessidade das empresas brasileiras. “O clausulado foi totalmente reformulado para atender a legislação brasileira”, informa a Unibanco AIG, que lidera as vendas do seguro de responsabilidade civil dos executivos mais difundido no Brasil, o Directors & Officers.
Segundo dados da Susep organizados pela consultoria Siscorp, o seguro de D&O movimentou prêmios de R$ 96,4 milhões em 2007, alta de 9,3% em relação a 2006. A Unibanco AIG é a maior do Brasil, com prêmios de R$ 42,4 milhões. A Chubb é a segunda maior, com R$ 12,3 milhões, seguida pela ACE (R$ 11,6 milhões), SulAmérica (R$ 10,5 milhões), e Itaú XL (R$ 8,4 milhões).
Neste ano a venda deste produto deverá crescer. Afinal, as crises são usadas pelas seguradoras para vender mais seguro. “A crise serve para mostrar que o risco existe”, diz Pitombeira. A crise americana com créditos hipotecários de alto risco, conhecida como subprime, já traz efeitos para o seguro de responsabilidade civil de executivos.
Segundo Enrico Nanni, diretor-executivo da divisão Aon Network Solutions, do grupo Aon, dono de uma das maiores consultoras de seguros do mundo, informou em um seminário realizado em março deste ano que 47 empresas já haviam avisado que acionistas questionam judicialmente a responsabilidade dos executivos diante das milionárias perdas divulgadas até agora, perto de US$ 400 bilhões, segundo a Bloomberg News. Dessas, 25 são instituições financeiras.
Pitombeira acrescenta outra crise. “Além da crise do subprime, temos o choque de credibilidade que veio à tona com a fraude do Société Générale. As várias leis internacionais exigidas pelos órgãos reguladores para controlar riscos de gestão se mostraram frágeis e isso pode gerar uma revisão no cálculo do preço do seguro com o agravamento do risco. Se um grupo do porte do SocGen registrou perdas de US$ 4,9 bilhões, outros podem estar oferecendo o mesmo risco para o setor de seguros”, explica Pitombeira.
No entanto, tais crises não devem afetar o preço na América Latina. Mercados como o Brasil e México devem continuar sendo beneficiados pela farta oferta de capacidade e redução de preço gerada pela concorrência. Segundo a Aon, é possível achar com facilidade no mercado internacional capacidade de US$ 300 milhões por risco a um preço razoável.
O temor das seguradoras é ter um ano como no início do século 21. As maiores perdas em D&O foram iniciadas com a quebra da Enron, que gerou acordos com acionistas de US$ 7,1 bilhões. A WorldCom é a vice líder em indenizações, com US$ 6,1 bilhões. A Cedant gerou indenizações de US$ 3,5 bilhões.
No Brasil, o mercado está a pleno vapor. Tanto que novos produtos foram lançados e lotam a agenda de Pitombeira mesmo antes de lançar a campanha institucional que consumirá R$ 10 milhões inicialmente. A campanha, em fase de produção, será voltada para o público final. “Queremos instruir o público final sobre os riscos que podem impactar no resultado da empresa e que elas podem transferir para as seguradoras”, conta.
Serão divulgados basicamente três produtos: D&O, fraudes empresariais, e práticas trabalhistas, que envolvem ações de assédio moral e sexual. “Não são produtos que trouxemos para testar o mercado”, diz Pitombeira. O seguro de D&O protege o executivo e movimenta prêmios de US$ 12 bilhões nos EUA. O seguro de fraudes protege a empresa e movimenta US$ 5 bilhões em prêmios no mercado americano, conta. “Apostamos neste produto porque o seguro vem para resolver um problema que já existe. E não é um problema brasileiro. É mundial”.
Pesquisas revelam que sete em cada 10 empresas já sofreram algum tipo de fraude. “Entre os fatores que levam à intensificação desse quadro está o aumento da complexidade das organizações e transações que, combinadas com fusões, aquisições, reestruturações e terceirizações, aumentam os riscos e a extensão dos prejuízos causados pelas fraudes”, diz Pitombeira.
A apólice oferece cobertura para proteção de eventos variados, entre os quais destacam-se atos fraudulentos de empregados, falsificação e adulteração de documentos, fraudes eletrônicas e furto de bens e valores. Neste produto são excluídos custos de defesa, exceto honorários de auditores para apuração de sinistros, lucros cessantes e danos emergentes; multas e penalidades, tributos, verbas rescisórias e benefícios trabalhistas, segredo industrial, direitos autorais e marcas patentes.
O seguro de práticas trabalhistas surgiu pelo aumento no número de processos de ações de funcionários. De 2005 para cá, as ações coletivas antes direcionadas para a Justiça Civil, um pouco mais morosa no julgamento, passaram a ser julgadas pelo Ministério Público do Trabalho. O processo ganhou agilidade e valores milionários.
Agora, executivos com doutorado que são escalados para servir café, chefes ou diretores que atribuem funções acima daquelas para as quais seus subordinados foram contratados, ou estabelecem metas impossíveis de serem alcançadas podem ser processados. “Situações vexatórias, como o nome exposto como perdedor do mês ou que não desenvolveu projeto em tempo adequado também são alvo dos processos”, conta Pitombeira.
O seguro existe, mas empresas que não tratam bem os seus funcionários podem ficar sem seguro. “Queremos clientes com bem estar do funcionário, pois o seguro serve para proteger a empresa de um risco aleatório e não um risco certo”, explica. Segundo ele, hoje já se formou jurisprudência e os valores das ações situam-se entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões.
A Zurich conta com a capacidade da matriz para ofertar cobertura de até US$ 35 milhões e franquias com percentuais reduzidos de participação, entre 10% ou 20%. Segundo o executivo, é possível aumentar o limite durante a vigência da apólice.
*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em abril de 2008
D&O: cresce o interesse e taxas recuam
Por Denise Bueno em 17/03/2008
A crise americana com créditos hipotecários de alto risco, conhecida como subprime, já traz efeitos para o seguro de responsabilidade civil de executivos, conhecido como Directors & Officers (D&O). Segundo Enrico Nanni, diretor-executivo da divisão Aon Network Solutions, do grupo Aon, dono de uma das maiores consultoras de seguros do mundo, 47 empresas avisaram que acionistas questionam judicialmente a responsabilidade dos executivos diante das milionárias perdas divulgadas até agora, superiores a US$ 200 bilhões.
“Acredito que haverá uma pressão para a subida do preço nos próximos meses mas, para empresas fora do mercado financeiro, essa tendência não deverá se consolidar, permanecendo o ciclo de taxas decrescentes”, disse Nanni, durante a 10ª Conferência Latino Americana de Seguros em Energia, promovida entre 10 e 12 deste mês, em Buenos Aires.
Eduardo Pitombeira, responsável pelos seguros financeiros da Zurich na América Latina, as instituições financeiras já encontram dificuldades para negociar suas apólices de responsabilidade civil do executivos, onde investidores questionam a perda de rentabilidade; de D&O, contra ações de acionistas; e de fraude, onde a beneficiária é a instituição financeira. “Além da crise do subprime, temos o choque de credibilidade que veio à tona com a fraude do Société Générale. As várias leis internacionais exigidas pelos órgãos reguladores para controlar riscos de gestão se mostraram frágeis e isso pode gerar uma revisão no cálculo do preço do seguro com o agravamento do risco. Se um grupo do porte do SocGen registrou perdas de US$ 4,9 bilhões, outros podem estar oferecendo o mesmo risco para o setor de seguros”, explica Pitombeira.
A situação fica ainda mais grave com as perspectivas de que o prejuízo com o subprime pode chegar a US$ 600 bilhões, segundo divulgou a agência Fitch. Entre as seguradas que já reportaram avisos que seus executivos foram intimados pela Justiça, 25 são do mercado financeiro. Além de cobrir o valor indenizatório determinado pela Justiça, desde que o executivo não tenha agido de ma fé, o seguro de D&O cobre custas judiciais e adianta valores financeiros para que o empresário possa ter dinheiro para as contas cotidianas caso seus bens sejam apreendidos.
Nanni, da Aon, informou em sua palestra que a crise do subprime ainda deve trazer mais acionamentos nos Estados Unidos. “Esse movimento não deverá agravar os preços do seguro em países da América Latina, onde México e Brasil são os maiores compradores do produto, pois há muita oferta de capacidade”, disse. Segundo o executivo, é possível achar com facilidade no mercado de resseguros capacidade de US$ 300 milhões por risco a um preço razoável.
O temor das seguradoras é ter um ano como no início do século 21. As maiores perdas em D&O foram iniciadas com a quebra da Enron, que gerou acordos com acionistas de US$ 7,1 bilhões. A WorldCom é a vice líder em indenizações, com US$ 6,1 bilhões. A Cedant gerou indenizações de US$ 3,5 bilhões.
As empresas que mais contratam o seguro de D&O são aquelas que negociam seus papéis no mercado acionário. Os Estados Unidos são os campeões em compra de D&O nas Américas. As empresas latinas que negociam ADR na bolsa de valores americana ocupam a segunda colocação no ranking do segmento. “Tem sido uma carteira tranqüila, com pouquíssimos acionamentos em países da America Latina. E por isso, acredito que o preço continuará com margens para negociação”, aposta Nanni, da Aon.
No Brasil, que até o momento não tem qualquer reflexo das crises, a procura pelos seguros tem crescido nos últimos anos. Principalmente agora que o Banco Mundial passou a reduzir significativamente a taxa de juros em empréstimos às instituições que têm essas apólices”, diz.
Marcelo Neves, diretor da OCS, corretora de seguros cativa do grupo Odebrecht, aposta na tendência de baixa das taxas. “Não há subprime no Brasil e por isso não há porque pagarmos a mais por um risco que não oferecemos”, argumenta o dono de uma das maiores apólices de seguros do Brasil.
Segundo dados da Susep organizados pela consultoria Siscorp, o seguro de D&O movimentou prêmios de R$ 96,4 milhões em 2007, alta de 9,3% em relação a 2006. A Unibanco AIG é a maior do Brasil, com prêmios de R$ 42,4 milhões. A Chubb é a segunda maior, com R$ 12,3 milhões, seguida pela ACE (R$ 11,6 milhões), SulAmérica (R$ 10,5 milhões), e Itaú XL (R$ 8,4 milhões)
*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil
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