Seguradoras investem para conquistar corretores
Por Denise Bueno em 05/10/2009
A aposta no corretor de seguros promete movimentar o 16º Congresso dos Corretores de Seguros que será promovido de 9 a 11 de outubro, em Florianópolis, capital do estado que vem sofrendo com os eventos climáticos nos últimos meses. O evento conseguiu vender praticamente todos os estandes da XV Exposeg, feira realizada juntamente com as palestras que visam discutir o novo cenário da indústria de seguros com a consolidação de seguradoras.
Entre as seguradoras que preparam surpresas aos corretores estão Liberty, Generali, Mapfre, Bradesco, SulAmerica, Tokio Marine entre outras. “Estamos sempre presentes nos maiores e mais importantes eventos do setor. Nosso objetivo é estreitar cada vez mais o relacionamento com os corretores e, consequentemente, oferecer os melhores produtos para nossos clientes”, comenta o presidente Luis Maurette em nota divulgada à imprensa.
O grupo Liberty apresentará sua nova campanha de vendas no evento. Segundo a seguradora, a ação tem como objetivo reconhecer os corretores que tiverem o melhor desempenho de vendas durante um determinado período em praticamente todos os produtos comercializados, como automóvel, vida, empresa, residência e affinity.
“A campanha de incentivo é uma oportunidade para estimular nossos corretores a manter a qualidade nas vendas e no atendimento aos nossos clientes”, reforça Matias Ávila, vice-presidente de produção da Liberty na nota. “Os prêmios serão revelados apenas durante a Exposeg. Será uma grande surpresa para todos”, garante o executivo.
Para o estande, o grupo preparou uma programação completa com diversas atividades, entre elas ações promocionais e um jogo interativo. Trata-se um simulador de corrida 3-D, no qual os participantes que alcançarem os melhores tempos diários na corrida virtual serão premiados. No primeiro dia, o melhor “piloto” ganhará um netbook Dell (mini notebook com tela de 8,9 polegadas). No segundo dia, o prêmio é um iPhone e, no último, um Playstation 3.
A Mapfre Seguros destacará uma equipe especial para atender aos profissionais corretores que visitarem seus estandes. Segundo nota do grupo, o objetivo é oferecer atenção total aos presentes, repassando a eles os conceitos de inovação adotados pela empresa como diferencial na conquista e fidelização dos consumidores. A preocupação com a qualidade no atendimento poderá ser vista logo na chegada dos visitantes, que serão recepcionados no estacionamento que será personalizado pela Mapfre.
De acordo com o presidente da Mapfre Seguros, Antonio Cássio dos Santos, a empresa vai aproveitar o evento para transmitir sua expertise aos corretores, ajudando-os no competitivo mercado segurador. “Queremos estender aos nossos parceiros de negócio os conceitos de inovação e qualidade como fator diferencial para a expansão de seus resultados junto ao público consumidor”, diz na nota.
A Generali Brasil Seguros também estará lá. No estande da seguradora italiana os corretores poderão conferir a linha de seguros e serviços que a companhia oferece, como o Generali Empresa e o Generali Residência, ambos recentemente reformulados, bem como se informar sobre a Campanha Primavera Premiada, que se estenderá até 31 de dezembro.
Fenaprevi prioriza medidas de estímulo ao setor
Por Denise Bueno em 31/07/2009
A redução da taxa básica de juro da economia num ritmo maior do que o esperado — de 13,75% em janeiro para 8,75% em julho, com viés de baixa — trouxe um desafio a mais para as empresas de previdência privada e vida, que já debatiam formas de elevar a captação de recursos diante dos efeitos da crise mundial.
“Este cenário, que todos nós sonhamos há anos para o Brasil, mudará significativamente os tipos de produtos e a forma de distribuição de planos de previdência e de vida no Brasil”, disse disse Renato Russo (foto), vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), na abertura do II Seminário Internacional de Marketing e Vendas de Vida e Previdência, realizado no dia 30 de julho, em São Paulo.
O grande desafio das empresas, segundo Russo, está em orientar os participantes a buscar novas alternativas de investimentos, com diversificação do portfólio. Com taxas de juros declinantes, os poupadores que quiserem taxas mais elevadas de retorno de capital precisarão aprender a aplicar em ativos de maior risco, como ações. Para ganhar neste tipo de investimento é preciso pesquisar o tema ou recorrer a um consultor financeiro para não perder dinheiro. Ainda mais por envolver benefícios fiscais, que se bem usados podem trazer ganhos significativos no longo prazo.
Como a velha e tradicional caderneta de poupança está oferecendo um rendimento maior do que grande parte dos fundos de previdência — TR mais 6% ao ano, livre de tributos e taxas — , as alíquotas dos planos PGBL e VGBL precisam ser revistas. “Nesta nova realidade, a grande responsabilidade é equacionar as taxas dos planos e buscar formas de rentabilizar a operação para recompor as margens”, diz.
Ao mesmo tempo em que a queda de juros impõe desafios para as empresas de previdência traz também oportunidades. A entidade estima que as vendas do setor evoluam até 12% este ano, para R$ 35,6 bilhões, pouco abaixo da expansão verificada em 2008, de 13,3%, com captação de R$ 31,8 bilhões. Para manter o ritmo de crescimento em dois dígitos, a Fenaprevi elegeu cinco pontos principais para serem tratados pela entidade neste ano.
O primeiro deles e em estágio mais avançado é a aprovação junto ao governo dos novos produtos de previdência privada direcionado a acumulação de reservas para gastos com saúde e educação. Tais produtos, segundo a entidade, terão incentivos fiscais diferenciados, caso o projeto seja aprovado pelo governo. “As negociações com a Superintendência de Seguros Privados (Susep) e Secretaria Econômica estão avançadas e acreditamos que ainda neste ano o projeto estará aprovado”, disse Renato Russo.
O desenvolvimento de uma tábua biométrica de referência, para ser usada por todo o setor no desenvolvimento de produtos com maior segurança estatística, está em estágio avançado. Segundo Renato Russo, o estudo estará finalizado ainda neste ano.
O desenvolvimento do microsseguro é outro tema que está na pauta do dia a dia da Fenaprevi. Um amplo estudo realizado por uma comissão esta sendo finalizado e será entregue para o governo nos próximos dias. O projeto prevê a regulamentação do microsseguro, que visa atender a emergente camada social brasileira que ingressa no mercado de consumo. “Temos de ter produtos que atendem a estes novos consumidores e canais de distribuição que facilitem o acesso deste publico a indústria de seguros”.
Outro desafio do setor é adequar-se as novas regras de solvência que a Susep desenvolve para o segmento de previdência. Até agora, as normas implementadas englobaram as operações de vida em grupo e de ramos elementares. Está em curso a ampliação das regras de capital mínimo baseado em risco para as operações de previdência e de vida individual. “Isto vai demandar novos aportes de capital e estamos empenhados em fazer com que a implementação aconteça de forma coordenada”, diz o representante da Fenaprevi.
O quinto projeto da entidade, e também prioritário, segundo Russo, é a revisão de todas as regras tributárias do segmento, tanto as que se referem aos produtos como às empresas, uma vez que administram recursos de longo prazo, otimizando a poupança interna que dá sustentabilidade ao crescimento do País. “Precisamos desonerar a atividade para buscar maiores taxas de crescimento”.
Lazam MDS cria holding internacional
Por Denise Bueno em 21/07/2009
Depois de anunciar duas aquisições no início do ano, a Lazam MDS trouxe mais novidades para a indústria de seguros. O Grupo Suzano assinou ontem pela manhã um contrato para a formação de uma joint venture com o português Sonae – seu parceiro na Lazam-MDS, bem como com a corretora de resseguros Cooper Gay, quinta maior do mundo, e Seguros Continente, uma seguradora portuguesa cativa da rede de supermercados Sonae.
As quatro empresas formam uma holding que reúne os investimentos na área de corretagem de seguros e resseguros. Gerindo uma carteira de prêmios superior a US$ 1,8 bilhão, a joint venture está entre as 15 maiores do mundo. “Ou seja, vamos colocar a bandeira do Brasil no ranking mundial de corretores de resseguro. No total, são cerca de 1,2 mil colaboradores em 21 países”, disse Eduardo Bom Ângelo, presidente da Lazam MDS.
O negócio envolveu 47 milhões de euros e troca de ações entre as empresas, informou Sérgio Alves, diretor corporativo da Suzano Holding, durante coletiva de imprensa realizada ontem em São Paulo. Segundo os executivos, as empresas continuam a operar de forma individual. A holding, por sua vez, terá a sua primeira reunião em aproximadamente 60 dias e a partir daí serão traçadas as estratégias internacionais. O conselho de administração será composto por sete integrantes – quatro representantes do sócio português e três do sócio brasileiro – sendo que três deles, José Manuel Dias da Fonseca, Adriano Ribeiro e Eduardo Bom Ângelo, compõem a comissão executiva.
“Esta nova empresa, de abrangência mundial, amplia nossos horizontes de negócios e nos dá musculatura para seguir competindo em um mercado em processo de consolidação”, diz Daniel Feffer, vice-presidente da Suzano Holding.
Segundo os executivos, a operação estava sendo trabalhada há vários meses e pretende reforçar sua presença em áreas em que já vêm atuando, além de participar em um dos setores de serviços que mais cresce no mundo e que passa por um momento de forte consolidação.
Assim como a Lazam, sócia da portuguesa MDS desde 2002, ter adquirido várias corretoras nos últimos anos, suas concorrentes internacionais como Aon, Marsh e Willis também foram às compras nos últimos anos na busca por escala e especialização. Este movimento de consolidação foi estimulado bem antes da crise mundial, que apenas intensificou o processo. Os clientes têm exigido redução das comissões e melhora dos serviços para justificar a presença de um intermediário no negócio.
Na área de resseguros, a Lazam MDS entrou este ano, com a compra da corretora Miral. Também logo que assumiu a Lazam, depois de ter deixado a presidência da Brasilprev, empresa de previdência priavada aberta do Banco do Brasil, Bom Ângelo também negociou a compra da corretora de seguros de Santa Catarina, a ADDmakler.
Além de participar da estratégia de expansão por meio de aquisições em outros países, a holding facilitará o acesso ao resseguro aos clientes da Lazam no Brasil. “Ter 32,2% do capital da Cooper Gay simplifica as negociações no mundo. Ser acionista traz mais peso ao relacionamento”, diz Bom Ângelo.
Segundo ele, até o primeiro semestre deste ano a receita da Lazam cresceu 13%, acima da média de 10% da indústria de seguros. A área de benefícios e de ramos elementares foram as que mais se destacaram. Sem divulgar o faturamento, Bom Ângelo diz que a Lazam já é a terceira maior corretora de seguros e de resseguros do Brasil, excluindo as corretoras de bancos. Segundo ele, a expectativa é manter o ritmo de crescimento até o fim do ano.
Usina Santo Antonio, um case mundial
Por Denise Bueno em 19/07/2009
Nem mesmo a crise foi capaz de suspender a necessidade do Brasil em projetos urgentes de infraestrutura. A concretização do “project finance” da Usina Santo Antonio, com prazo de 25 anos, em um período tão conturbado como o início do ano, é um fato histórico no mundo. Segundo a consultoria internacional que analisa o mercado de investimentos, o project finance de R$ 6,2 bilhões para a Santo Antônio Energia, concessionária responsável pela construção e operação da usina, foi o maior crédito obtido por um projeto no primeiro trimestre de 2009 no mundo.
Do crédito total da Santo Antonio, R$ 3,1 bilhões representam investimentos diretos do BNDES e os outros R$ 3,1 bilhões são repasses conduzidos por oito instituições financeiras, entre elas o Itaú Unibanco, o Santander, a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste do Brasil, Bradesco e Banco do Espírito Santo (BES). O empréstimo tem custo de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) e prêmios que variam de 3,8% a 2,8%.
A usina Santo Antônio (foto do projeto), localizada no Rio Madeira, em Porto Velho (RO), será a terceira maior hidrelétrica do Brasil em energia assegurada, com uma potência instalada de 3.150 megawatts, equivalente a 4% de toda a energia gerada no Brasil.
“O apoio do governo para obras de infraestrutura foi essencial para a realização deste projeto”, diz Felipe Jens, titular da Odebrecht Investimentos em infraestrutura, detentora de 18% das ações e que participa do bloco de controle da Santo Antonio Energia. O apoio do governo por meio do BNDES traz conforto e segurança, facilitando a entrada de investidores no projeto.
O Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI FGTS) se tornou sócio da Santo Antonio Energia recentemente, comprando metade da participação do Santander em um fundo que detinha 20% da controladora da concessionária do Madeira. Com a mudança, o FGTS passou a deter 4,98% do capital total da Santo Antonio Energia, a Cemig 10% , a Andrade Gutierrez, 12,4%, Furnas Centrais Elétricas, 39%, e a Odebrecht 18%.
O empenho da OCS Corretora de Seguros, controlada pelo grupo Odebrecht, que desde 2005 trabalha na conquista de garantias para o projeto, também foi fundamental para a concretização do financiamento. Mesmo com a aparente inexistência de capital para seguro de garantia com a falência da seguradora AIG, até então a maior do mundo, a corretora cativa do grupo conseguiu obter uma apólice de R$ 9,5 bilhões para cobrir os riscos de engenharia. Trata-se da maior importância segurada já dada pela indústria de seguros no mundo. Há também um seguro garantia de R$ 2,4 bilhões, que garante aos financiadores que a obra será construída dentro do prazo previsto.
Segundo Marcos Lima, responsável pela OCS, esta vitória foi fruto da parceria desenvolvida ao longo das duas últimas décadas, quando o project finance se tornou prioritário dentro do grupo Odebrecht para viabilizar investimentos dentro e fora do país. “São mais de US$ 16 bilhões em garantias nos últimos 18 anos sem nunca ter executado um pedido de indenização”, diz.
A Odebrecht projeta investir R$ 19,2 bilhões no triênio 2009 a 2011. Entre os principais investimentos do grupo estão rodovias federais que entram na terceira fase, projetos de energia como Belo Monte, além das possibilidades de desenvolvimento portuário e de aeroportos. Para tudo isso, a aposta do grupo é no desenvolvimento de formas híbridas de programas estruturados de investimento.
A Odebrecht usa o project finance para financiar boa parte dos projetos dos quais participa. O uso de operações estruturadas garantidas por instrumentos financeiros foi responsável inclusive pela formação da empresa petroquímica da Odebrecht, em 2002. “Uma operação estruturada de financiamento, usando o seguro, viabilizou a criação da Braskem”, conta Lima. Em 1992, quando o grupo estava às voltas para fechar o financiamento para a construção da plataforma marítima Petrobras 18, o seguro garantia foi o facilitador. “A apólice é uma espécie de aval que se a Odebrecht não concluísse a obra, a seguradora garantiria o término”. Em pouco tempo, um pool de seguradoras estrangeiras emitiu uma garantia de US$ 272 milhões e a P-18 ainda opera na Bacia de Campos, no Rio, com capacidade de 100 mil barris diários de petróleo.
O atual cenário macroeconômico do Brasil colabora para o sucesso das operações. “Estamos sofrendo nos últimos meses, pois o governo teve de tomar atitudes anticíclicas, mas o Brasil deu um passo importante em termos de respeito de contratos, conquistando a confiança do investidor, que passa a acreditar que qualquer que seja o governante, a estabilidade significa prosperidade”, analisa Jens.
O reconhecimento por parte do governo em priorizar o desenvolvimento de parceiros privados, com garantias, soluções e eficiência é a saída para fazer os projetos decolarem. “O Brasil conseguiu derrubar mitos e o resultado empírico que se percebeu é que tem muito valor agregado no desenvolvimento”.
Esta confiança faz o investidor olhar com bons olhos para os projetos de infraestrutura, tidos como prioritários. “Eles olham os retornos que podem ter em aplicar no longo prazo em ativos de qualidade, com rentabilidade diferenciada e segurança de países desenvolvidos”, diz Jens. E é esta confiança que trará recursos para os projetos acima de 10 anos de maturação.
A conclusão que fica é que o novo ciclo de projetos privados será financiado com o apoio do BNDES, mas deverá contar necessariamente, com um componente crucial de recursos captados através de ativos alternativos, no emergente mercado de capitais doméstico de longo prazo.
*Matéria produzida com exclusividade para o especial Infraestrutura do jornal Valor Econômico
Marcos Lima, o guardião do grupo Odebrecht*
Por Denise Bueno em 25/06/2009
Gerenciar riscos é uma cultura arraigada no conglomerado Odebrecht. Começou com o fundador. Doutor Norberto Odebrecht, como ainda é conhecido por todos. Ele tinha apenas um caminhão em 1945, comprado financiado no auge da crise, para transportar material e pessoas. Certo dia, este veículo foi para a oficina para ter a carroçaria ampliada. Foi quando doutor Norberto percebeu que seu negócio corria um sério risco por depender de apenas um veículo, que nem pago ainda estava. Decidiu então fazer um seguro. No dia seguinte, a oficina pegou fogo.
Ainda bem que doutor Norberto estava segurado. Hoje o grupo emprega mais de 82 mil integrantes no Brasil e no exterior. Em seguros, o grupo investe anualmente mais de US$ 100 milhões. Boa parte dos negócios envolve a proteção do patrimônio dos acionistas e de terceiros e também o seguro garantia, um instrumento que permitiu o avanço internacional do conglomerado. “Nos EUA você não bate um martelo sem apresentar uma garantia”, explica Marcos Lima, diretor da OCS Administradora e Corretora de Seguros, corretora cativa do grupo Odebrecht, que completou 30 anos. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida por Marcos Lima à Revista Gerencia em Seguros.
Por que o grupo decidiu criar uma corretora?
Inicialmente, o grupo tinha apenas uma divisão de seguros, que tinha como estratégia contratar várias corretoras. O fundador passou a perceber que ter uma divisão não era mais o suficiente. Queria concentrar a história do seguro das obras em um só local. Também tínhamos em mente estabelecer um relacionamento de longo prazo com as seguradoras e ter estatísticas para saber quais os principais riscos e incidências para poder criar mecanismos de prevenção e cláusulas que gerassem menos polêmicas na hora da indenização.
Foi quando a OCS nasceu?
A corretora, única atividade centralizada do grupo, nasceu em 1978 com o nome Fundação Emílio Odebrecht (FEO) e a partir de 1995 passou a chamar OCS. Ela nos ajudou a criar parcerias de longo prazo na internacionalização do grupo com o desenvolvimento do seguro garantia. As pessoas sempre acham que nada vai acontecer, principalmente se acham o seguro caro. Nosso foco é fazer um programa de seguro para proteger o patrimônio de riscos imprevisíveis.
Quanto o grupo Odebrecht investe em seguros anualmente?
Acima de US$ 100 milhões, sendo a principal apólice a dos complexos petroquímicos.
Como se tornou o guardião do patrimônio do grupo?
Em 1979, o doutor Norberto Odebrecht solicitou que preparasse uma “Política de Seguros” para ser discutida e negociada com os acionistas. Naquele momento eu nem sabia o que era uma apólice de seguros. Minha formação era em Finanças, Auditoria e Desenvolvimento Organizacional, com pós-graduação nessas áreas. Naquele mesmo dia lendo num jornal a realização do primeiro curso de corretor de seguros em Salvador, resolvi participar do curso para atender à solicitação, buscando entender tudo e aprofundar-me o máximo possível em conversas e questionamentos com os professores. Quando apresentei ao Conselho de Administração uma proposta para a Política de Seguros para a Organização Odebrecht, o doutor Norberto perguntou-me se eu aceitava assumir a liderança da corretora. Topei na hora.
O seguro garantia para viabilizar operações estruturadas, que se tornou um modelo para outras empresas, tem grande fatia dos negócios da corretora, não?
Sim. São mais de US$ 16 bilhões em garantias nos últimos 18 anos sem nunca ter executado um pedido de indenização.
Qual a primeira apólice de garantia (surety) que fechou?
O grupo começou a atuar nos EUA em 1991. Lá não se bate um prego sem ter seguro. Passamos a conhecer e entender um seguro que sequer existia no Brasil. Em 1992 tivemos uma prova de fogo. Encontrei os empresários Fernando Barbosa e Roberto Benjamin no escritório do Rio. Eles estavam felizes de ter conquistado o contrato para a construção da plataforma marítima Petrobras 18. Estavam as voltas para fechar o financiamento do projeto. Em razão do elevado valor, a fiança bancária tinha limites. Foi quando sugeri o seguro garantia, explicando que era uma espécie de aval que se a Odebrecht não concluísse a obra, a seguradora garantiria o término. Em pouco tempo, um pool de seguradoras estrangeiras emitiu uma garantia de US$ 272 milhões e a P-18 ainda opera na Bacia de Campos, no Rio, com capacidade de 100 mil barris diários de petróleo.
Foi então um grande marco para a vida da corretora!
A partir de então o seguro passou a ser um instrumento não só de proteção do patrimônio, como também vital para dar sustentabilidade aos projetos. Uma operação estruturada de financiamento, usando o seguro viabilizou a formação da Braskem,a empresa petroquímica da Odebrecht, em 2002.
Qual o principal negócio já fechado pela OCS nestes 30 anos?
Sem dúvida foi o recente seguro de garantia contratado para o Projeto Santo Antonio Energia – Madeira, considerada a maior apólice do mundo, num momento em que as seguradoras estavam fortemente atingidas pelo tsunami provocado pela crise financeira global.
E o contrato mais difícil?
Foi fechar os seguros de Property para as plantas química e petroquímica do grupo Odebrecht, após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2000. Nossa renovação estava agendada para 28 de novembro. Tivemos de enfrentar um cenário complicado, com dificuldades para obter as capacidades necessárias para proteger a empresa e o custo estava elevadíssimo.
Qual o pior sinistro já gerenciado pela OCS?
O sinistro do Túnel Airton Senna, que caiu, enquanto discutíamos a apólice de Risco de Engenharia para o projeto. Embora só tivéssemos o pedido de cobertura feito à seguradora, não tínhamos a apólice de seguro emitida. Após longos sete meses de debates e negociações, foi acordado que tínhamos uma cobertura de seguro baseada apenas no nosso pedido. A regulação do sinistro deu-se de acordo com o clausulado usado normalmente em nossas apólices anteriores, resultando no recebimento de uma indenização de aproximadamente US$ 9 milhões. Este fato veio demonstrar e comprovar a boa fé que embasa as relações de seguro. O mercado segurador honrou o pagamento de importante sinistro baseado apenas na manifestação do segurado quanto à sua intenção comprovada de contratação do seguro.
Conte um sinistro que ajudou a mudar procedimentos e aperfeiçoar o gerenciamento de risco?
O sinistro acima é um exemplo. A partir desse sinistro fizemos uma revisão em todo o nosso processo de encaminhamento do pedido de seguro e também no processo de gestão para viabilizar a apólice.
O projeto do Rio Madeira foi o maior programa de seguros fechado nesta crise. Como foi encontrar capacidade?
Sim, foi o maior programa de seguros fechado nesta crise. A capacidade foi alcançada pelo fato de termos uma filosofia clara de relação de longo prazo com os seguradores e resseguradores, onde privilegiamos nossas parcerias, sempre buscando uma relação que seja boa para as partes, e que o cliente, no caso a Odebrecht, receba o melhor serviço, ao preço adequado e no prazo acordado.
Qual o argumento mais usado para tranquilizar os subscritores e conseguir a cobertura desejada?
O Track Record (histórico de desempenho) da Odebrecht e a qualidade dos players envolvidos nos projetos que investem em seguro.
Tiveram de fazer mudanças no projeto para atrair um número maior de resseguradores?
Nenhuma mudança foi necessária.
A OCS tem muitos negócios com a AIG. Qual a primeira reação dos executivos do grupo quando a então maior seguradora do mundo foi socorrida pelo governo dos EUA?
Nós que estamos muito próximo da AIG sempre fomos informados de tudo a tempo e hora. A posição foi de parceiro. Ligamos imediatamente para Hamilton da Silva, o COO da AIG, e dissemos a ele que contasse conosco no que fosse preciso. Afirmamos que nossa relação não mudaria em nada e que continuaríamos fazendo negócios. É isto que esperamos de um parceiro, estar sempre junto.
De que forma os problemas da AIG afetaram os negócios da OCS?
Não afetaram em nada. Pelo contrário. As relações hoje são ainda mais fortes.
Neste episódio, qual a estratégia adotada para gerenciar o risco financeiro?
Avaliamos juntamente com o executivo da AIG a saúde da seguradora responsável por nossas apólices e concluímos que além do rating “A” mantido pela S&P, as atitudes e postura da AIG na nossa relação nos deixaram plenamente confortáveis. Não vejo risco financeiro.
Qual o maior desafio do gerente de risco diante desta crise financeira global?
Existem aqueles que sempre estão comprando cobertura e, conseqüentemente, estão colocando as seguradoras em leilão. Estes estão tendo e terão dificuldades para fechar seus programas de seguro. Aqueles que tem como filosofia vender seu risco, buscando, identificando e encontrando parceiros que estejam dispostos a comprar esses riscos, têm uma situação de certa maneira confortável. O desafio é como estabelecer esta parceria porque há momentos bons, com riscos bons, sem sinistros, e momentos ruins, onde a sinistralidade é alta e danosa. É preciso ter um balanço desta convivência pelo menos a cada três anos para poder auferir o nível de relação de parceria.
Como vê o desenvolvimento do Brasil na área de infraestrutura?
O programa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é uma realidade. Os recursos disponíveis tornam o programa factível.
Como a indústria de seguros pode ajudar os investidores em projetos de infra-estrutura?
Temos que buscar criar uma mentalidade de Project Finance e, neste sentido, o seguro e as garantias por seguro são vitais para conclusão de projeto. Esta estrutura ajudou o grupo Odebrecht ser o que é hoje.
Como conciliar crescimento e sustentabilidade social e ambiental?
Já existe uma consciência nas grandes empresas sobre a necessidade desta conciliação. O processo é demorado, mas aos poucos está se tornando uma realidade.
De que forma a indústria de seguros pode ajudar no crescimento sustentável?
Introduzindo produtos como o seguro ambiental, por exemplo. No Brasil, por exemplo, poucas operam com esta apólice. Também participando ativamente nos grupos de estudo em apoio ao governo e introduzindo novos produtos no mercado brasileiro que permitam uma redução dos custos com seguro e a sua conseqüente massificação.
Há muitos projetos e obras embargados por questionamentos judiciais. Como gerenciar obras nesta situação, uma vez que o ressegurador comprometeu capital em contratos que estão suspensos?
Na realidade o segurador e o ressegurador recebem na frente o prêmio de seguro para fazer face a um provável sinistro num futuro incerto. Estas suspensões, de um modo geral, não geram problemas à industria de seguros e sim à sociedade.
Como avalia este primeiro ano da abertura do resseguro no Brasil?
Excelente. O trabalho da Superintendência de Seguros Privados (Susep) tem sido excelente. Com uma postura pró-ativa, a Susep tem ajudado o mercado a superar as dificuldades naturais de abertura, após quase 70 anos de monopólio, e que ainda coincidiu com a explosão da pior crise financeira mundial depois do crash da Bolsa, em 1929.
O que acha que precisa ser aprimorado no resseguro brasileiro para facilitar o dia a dia dos gerentes de risco?
Um maior envolvimento interativo. É preciso sair da postura de esperar e aguardar a decisão do ressegurador. Em suma, empresariar o negócio seguro.
Que tipo de coberturas as seguradoras precisam desenvolver junto aos resseguradores para proteger os investidores interessados em projetos de infra-estrutura?
Sinto falta de mais dinamismo e novidades nas coberturas de riscos de engenharia, transporte, Allop, Delay in Start Up e Garantias Contratuais.
O que você mais valoriza quando escolhe corretores, seguradoras e resseguradores?
São seis fatores básicos. O primeiro deles é a capacidade econômico-financeira. Este item sempre foi importante e ficou ainda mais com a crise financeira desencadeada pelas hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos e que se alastrou pelo mundo a partir de junho de 2007. A capacidade dos seguradores e dos resseguradores tem de ser compatível com o valor dos riscos assumidos. Temos como referencial uma avaliação equivalente ao Rating “A” ou acima desse, atribuído por empresa avaliadora com reputação reconhecida no mercado segurador. A competência técnica, estrutura e disposição da seguradora para servir globalmente, visando atender as necessidades especificas de avaliação e cobertura dos riscos preponderantes para cada caso é também fundamental.
É preciso ser parceiro?
Sim. Levamos em conta também a parceria estratégica de longo prazo em nível global com atendimento local nos países de atuação da organização; a rapidez e flexibilidade na regulação de sinistros; o cumprimento de obrigações pactuadas; a criatividade e coragem de mudar, demonstradas pelo efetivo interesse no estudo e na solução de novas condições; e o limite de crédito em Surety Bonds (Seguro-Garantia).
A OCS tem quantos funcionários?
Atualmente temos 45 pessoas trabalhando conosco, baseados em diversas localidades. Também contamos com o apoio de corretoras internacionais como AON e Marsh.
Qual o principal conselho aos gerentes de risco que querem se tornar o guardião do patrimônio dos acionistas?
Disposição em servir e avaliar os riscos com acuidade, de modo a poder vendê-los com propriedade ao mercado segurador. Sair da postura de comprador de cobertura para vendedor de risco. Também é preciso ter capacidade de disseminar a visão do desenvolvimento sustentável nas dimensões sócio econômicas, ambientais e culturais nas ações da empresa. O gerente de risco tem um grande poder em suas mãos hoje. Para isso é preciso desenvolver uma competência empreendedora que consiga romper o conhecido, ousando, viabilizando a concepção de inteligência de risco. Não basta somente ser um técnico muito bom, pois fatalmente terá seu momento de obsolescência. Precisa ser alguém que vai deixar sua marca.
*Matéria produzida com exclusividade para a revista Gerência de Riscos e Seguros, do Grupo Mapfre, número 102, 1º quadrimestre de 2009
Indústria precisa lançar produtos “verdes”, diz Aon
Por Denise Bueno em 19/06/2009
As seguradoras, resseguradoras e corretoras precisam repensar a importância de criar produtos que tragam recompensas e estimulem as empresas a adotar atitudes sustentáveis. O apelo foi feito por Andrew Tunnicliffe, COO da Aon Global Risk Consulting, em sua palestra durante a Association of Insurance and Risk Manager’s – AIRMIC (semelhante a brasileira Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco-ABGR), realizada em Bournemouth, Inglaterra, na semana passada.
Entre os produtos que podem ser criados, o executivo cita apólices com desconto ou com serviços adicionais para carros híbridos, edifícios construídos dentro dos padrões ecologicamente corretos, para corporações que usam energia renovável e benefícios para as pessoas que cuidam da saúde.
Durante sua palestra, foi realizada uma pesquisa com aproximadamente de 100 gestores de riscos dos maiores grupos econômicos da Inglaterra que estavam no evento para saber o que eles pensam do assunto. Cerca de 82% deles acreditam que a indústria de seguros tem de mudar de atitude em relação à responsabilidade social das empresas. Pouco mais de 97% dos gestores de risco informaram que a sua organização está empenhada em se tornar socialmente responsável, enquanto 71% reconhecem que esta política terá um custo inicial para o acionista, cujo retorno virá no futuro em termos de imagem.
“Nós, empresas globais, temos de incorporar esta responsabilidade em nosso dia a dia, olhando onde podemos reduzir prêmios para incentivar mais adeptos ao desenvolvimento sustentável”.
Copa do Mundo de 2014 agita seguradoras*
Por Denise Bueno em 01/06/2009
Após a FIFA divulgar neste domingo o nome das 12 sedes brasileiras da Copa do Mundo de 2014, o mercado segurador arregaça as mangas para oferecer um sem-número de apólices necessárias para a realização do evento. Todas as cidades terão um cronograma curto para se adequarem às exigências exigidas em um evento de tal porte. Daí porque o seguro é incluído desde as obras de reforma dos estádios até para despesas médico-hospitalares do público que assistirá aos jogos. O seguro se torna ainda mais evidente em razão das obras precisarem de recursos públicos e privados para a construção ou reforma de estádios e também de hotéis para atender à demanda gerada pela Copa.
Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP) são as cidades que promoveram jogos da Copa de 2014. A expectativa é que as novas arenas estejam prontas até o fim de 2012, possibilitando a utilização na Copa das Confederações, em 2013.
Só em São Paulo o orçamento para reformar o estadio do Morumbi é estimado em R$ 300 milhões. Outros milhões estão previstos também para a ampliação do aeroporto de Belo Horizonte. Com isso, está previsto o anúncio de um PAC só para a Copa do Mundo de 2014. Desta vez, a intenção é ter garantias de que as obras vão manter-se dentro do orçamento. Estimado em R$ 412 milhões, o Pan-Americano do Rio-2007 custou R$ 3,6 bilhões aos cofres públicos, um estouro de quase 800% no orçamento.
Especialistas informam que várias apólices de seguros são obrigatórias pelos organizadores para eventos internacionais. A indústria de seguros começa por garantir que tudo estará pronto para a realização do evento. Sem isso, pode correr um sério risco de ter de indenizar investidores que apostaram seus recursos e amargaram perdas pela não realização. Estarão sendo cotados preços de seguro garantia, dando cobertura para o cumprimento do contrato, bem como de riscos de engenharia da obra.
Passada a fase inicial, começam as apólices exigidas neste tipo de evento. Entre as principais coberturas estão as de responsabilidade civil para indenizar terceiros prejudicados com a realização do evento, seja por produtos, profissionais tercerizados ou funcionários, montagem e desmontagem de estruturas e equipamentos. Estão cobertos riscos por contaminação de alimentos, direitos autorais, segurança e serviços médicos, bem como cobertura de acidentes pessoais para os atletas previstos na participação do evento.
Uma apólice importante é a da não realização do evento, conhecida como “no show”. Este tipo de apólice cobre prejuízos que investidores possam vir a ter com a não realização do evento ou de parte dele. Se os espectadores de algum dos jogos, por exemplo, ficarem impossibilitados de chegar ao local ou os jogadores ficarem impedidos de jogar, os custos da promotora com a devolução do valor do ingresso ou de agendamento de uma nova data, corre por conta do seguro. A apólice também cobre os custos com a demanda dos patrocinadores, que geralmente pedem de volta o valor pago na publicidade de veiculação televisiva daquela partida.
Para a realização da última olimpíada, realizada no ano passado na China, a seguradora PICC Property and Casuality Company Limited (PICC P&C), a maior seguradora estatal de ramos elementares do país sede, fechou o primeiro acordo em 2005. Ou seja, três anos antes da abertura oficial do evento. Isso porque a indústria de seguros é uma importante peça dentro de eventos dessa grandeza, uma vez que ajuda a prever riscos e sugere formas de mitigá-los.
A corretora de seguro inglesa JLT participa de boa parte dos contratos de eventos esportivos. Ela foi uma das contratadas para fazer a consultoria e gerenciamento de risco da próxima olimpíada, que acontecerá em Londres, em 2012. Ela é responsável por fazer o seguro das construções necessárias para os jogos, como parque aquático, estádio olímpico e outros locais previstos dentro da infra-estrutura básica do evento.
Os Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, contaram com programa de seguro liderado pela Caixa Seguros, ressegurado no IRB-Brasil Re, que contou com as corretoras de resseguros JLT e Miller do Brasil para desenhar o contrato e distribuir o risco no mercado internacional. O comitê organizador e o governo compraram seguro para proteger os mais de 5,6 mil atletas, comissões técnicas de 42 países e os quase 100 mil fãs que foram assistir os eventos. A cobertura do seguro teve vigência no período dos jogos, cerca de 16 dias.
Foram compradas cinco coberturas: responsabilidade civil, no show, property, directors & officers (D&O) e terrorismo. A apólice de responsabilidade civil é a mais abrangente por cobrir danos físicos ou materiais causados a terceiros, incluindo atletas, voluntários e espectadores, inclusive por atos terroristas. A cobertura de property protegeu o patrimônio dos organizadores, como computadores e equipamentos de telecomunicações, até a montagem e desmontagem de equipamentos e as arenas e estádios como Maracanã e Engenhão, no período das competições. A apólice de D&O teve por objetivo resguardar o patrimônio dos executivos envolvidos na organização dos jogos de uma eventual reclamação de terceiros que se sintam prejudicados por algum erro administrativo.
*matéria da autora publicada no site da CNSeg: www.viverseguro.org.br
Crise afeta faturamento das corretoras
Por Denise Bueno em 06/05/2009
O impacto da crise financeira global pode ser visto no balance do primeiro trimestre das três maiores corretoras de seguros do mundo. O lucro, no entanto, tem sido preservado depois do foco em corte de custos registrado desde 2004, quando as investigações e posteriores punições do então ex-procurador de Nova York, Eliot Sptizer, revelaram perdas aos segurados, forçando uma ampla mudança na gestão das corretoras. No cargo de governador de Nova York em 2006, Sptizer renunciou ao cargo em março do ano passado após escândalo sexual.
Boa parte do ganho das corretoras vem de comissões e fees cobrados sobre o valor do programa de seguro. Com a queda no volume contratado pelas empresas para proteger o patrimônio em razão da desaceleração das economias, as principais corretoras estão divulgadno queda nas receitas.
A Aon divulgou queda de 3% no faturamento do trimestre, para US$ 1,9 bilhão. O lucro líquido cresceu 28%, para US$ 280 milhões. Parte do recuo do faturamento foi causada pelas oscilações nas moedas. Segundo nota do grupo, houve crescimento orgânico de 1% no segmento de seguros, a Aon Risk Service, responsável por US$ 1,5 bilhão do faturamento. A aquisição da corretora de resseguros Benfield no ano passado ajudou a incrementar as receitas com resseguro em 54%, para US$ 395 milhões. A area de consultoria registrou queda de 10%,para US$ 309 milhões.
O grupo Marsh McLennan divulgou lucro líquido de US$ 176 milhões no primeiro trimestre deste ano, um resultado bem melhor comparado a perdas de US$ 210 milhões do mesmo período do ano anterior. A crise abateu em 13% o faturamento consolidado do grupo, para US$ 2,6 bilhões, sendo US$ 1,4 bilhão da divisão de riscos e seguros, com queda de 8%, e US$ 1,1 bilhão da divisão de consultoria, recuo de 16%.
O lucro da Willis cresceu de US$ 166 milhões para US$ 192 milhões no primeiro trimestre deste ano, considerando a compra da Hilb Rogal & Hobbs Company (HRH), Com a aquisição, o faturamento cresceu 17%, para US$ 930 milhões. Considerando-se o efeito da variação das moedas, o faturamento registra queda de 12%. Os negócios internacionais registraram incremento, enquanto na América do Norte amargaram declínio.
Brasil fica estável no mapa de risco político da Aon
Por Denise Bueno em 03/04/2009
O Brasil manteve a avaliação de médio-baixo risco político na 16º edição do mapa mundial de risco político elaborado por especialistas da Aon Corporation e da Oxford Analytica, divulgado hoje no País. Mesmo com o agravamento da crise internacional, a percepção da consultora de riscos foi de manutenção (estabilidade), mas com perspectiva de melhora. Para os outros países da América Latina, que dependem excessivamente da exportação de commodities, como a Venezuela, as perspectivas não são muito positivas.
“Esses países vem sentindo muito a depreciação no preço das commodities, mas mesmo assim continuam com a tendência de nacionalização em cima de recursos naturais”, informa a Aon em comunicado. Em relação ao mercado de seguros, a região da AL, com exceção do Brasil e, de certa forma, da Argentina, é uma região sem grandes problemas.
A percepção de risco é melhor em comparação a outras regiões, mas a AL é propensa a sentir com mais gravidade a depreciação dos custos das commodities (commodity crunch). Na América do Sul, o destaque ficou para Colômbia, que passou do risco médio-alto para média. A percepção de risco político melhorou em geral nos países com risco médio-baixo.
O contrário ocorreu com países do Leste Europeu, em razão do risco de crédito. Países que estavam com uma situação muito ruim estão se deteriorando ainda mais, como Afeganistão, Irã, Iraque, Zimbábue, que passaram do risco alto para o muito alto.
O mapa é uma ferramenta que auxilia as empresas a identificar e conhecer com mais profundidade os riscos políticos que impactam diretamente nas atividades comerciais em cada país. O mapa quantifica e qualifica os riscos políticos e econômicos de 209 países. O objetivo é qualificar os riscos de transferências e não convertibilidade de moedas, greves, desordem e comoção civil, guerra, terrorismo, dívida soberana, interferência política, interrupção da cadeia de suprimentos, riscos legais e regulatórios.
Por meio do cruzamento das informações econômicas e políticas reunidas pelos acadêmicos da Oxford com o conteúdo do banco de dados mundial da Aon sobre o mercado de seguro político mundial é possível traçar um cenário tanto para os clientes como para a própria corretora na formatação de programas mundiais de seguros.
Ao identificar riscos políticos, além de poder assessorar clientes em formas de mitigá-los, a corretora faz uma sintonia fina na apresentação de coberturas e preços. Dessa forma, torna o trabalho de colocação do programa de seguros no mercado mundial uma tarefa mais fácil nestes tempos de falta de liquidez e insegurança sobre se o pior da crise realmente já passou.
Os três principais riscos políticos desta edição envolvem inconvertibilidade de moeda (inabilidade de converter a moeda local em moeda forte para fazer pagamento abroad, não apenas de compras, mas dividendos, repagamento de dívidas, etc); violência política (danos físicos à ativos de empresas causados por guerra, revolução, sabotagem, terrorismo, etc) ; expropriação (ações ilegais, arbitrárias e discriminatórias por parte do governo local, que venham impedem as empresas de terem acesso aos investimentos, ativos que o país tenha, etc).
*matéria veiculada no site www.fenaseg.org.br
Miller disputa contratos no Brasil
Por Denise Bueno em 18/03/2009
A crise mundial intensificou o fluxo de estrangeiros interessados no mercado de seguro e resseguro no Brasil. Desde o início do ano passado, o vai e vem de estrangeiros no eixo Rio-São Paulo tem sido intenso. Nesta semana, quem visita o País é Graham Clarke, presidente e CEO da Miller Insurance Services Limited, sócia da Miller do Brasil Corretora de Resseguros.
Segundo Clarke, a tendência de preços de resseguro é de alta no mercado internacional, uma vez que as seguradoras e resseguradoras precisam recuperar perdas em ativos e investimentos causadas pela crise financeira. Além disso, diante da crise financeira internacional, haverá menos oferta de capacidade por parte dos resseguradores. No Brasil, o comportamento do preço do resseguro dependerá também da qualidade das informações sobre o risco para que este possa ser vendido no mercado internacional.
O mercado internacional sofreu perdas significativas em 2008 com a volatilidade dos mercados acionários. “Agora precisa recuperar capital. Isso quer dizer que temos menos capital disponível e uma seleção mais rigorosa nos riscos”, diz Marcio Correa, CEO da Miller Brasil. O setor de seguros já acumula perdas superiores a US$ 80 bilhões com as catástrofes naturais ocorridas em 2008. “Já o Brasil tem o privilégio de estar fora do circuito das grandes catástrofes naturais. Tem também os maiores valores segurados do mundo em alguns contratos pelos investimentos que estão sendo requeridos pelo dinamismo de sua economia”, acrescenta.
A Miller tem escritórios em 8 países e também é uma das mais importantes corretoras de resseguros dentro do Lloyd’s of London, desde 1902, conhecido como o principal mercado mundial de seguros há mais de três séculos, por agrupar em um moderno prédio na City de Londres as principais empresas da indústria.
No Brasil, a Miller Insurance está presente desde 1999, quando tinha apenas um escritório de representação. Três anos depois, com a entrada do executivo Dario Guarita, a parceria foi concretizada em sociedade. “Nosso grande diferencial está no desenvolvimento de coberturas de resseguros adequadas e diferenciadas, o que nos faz sermos reconhecidos pela constante inovação”, diz o CEO da Miller do Brasil, uma das 25 corretoras de resseguros já autorizadas pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).
No Brasil, o grupo atua no desenvolvimento de resseguros para contratos de energia, petróleo e gás, marítimo, construções, riscos patrimoniais, transporte de valores e acidentes pessoais. Há muitos projetos em andamento no Brasil. Apenas o governo brasileiro tem no orçamento de 2009 cerca de R$ 21 bilhões para obras e projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Para garantir a sustentabilidade desses projetos é vital ter um contrato de resseguro bem desenhado e distribuído em resseguradores sólidos. E é isto que sabemos fazer”, diz Dario Guarita, sócio da Miller do Brasil.
Entre os negócios de maior relevância negociados pela Miller destacam-se as seguintes apólices: trechos do Metrô de São Paulo, obra da Calha do Tietê, aeroporto Santos Dumont no Rio de Janeiro, várias hidrelétricas de grande porte, rodoanel de São Paulo, grandes riscos industriais no segmento de Energia e Petroquímica, Jogos Panamericanos do Rio em 2007. Outras áreas onde a corretora atua estão relacionadas às operações de Vida e Saúde, Transporte de Valores e Obras de Arte. Foi a Miller quem colocou os riscos referentes às relíquias da Exposição 5 Mil Anos de Civilização Chinesa, realizada na Oca, em São Paulo.
A Miller Insurance foi fundada em 1902, tendo sua origem nas operações de seguros marítimos. Hoje é uma das maiores corretoras de P&I (Protection and Indemnity) do mundo e a número um do ranking entre as corretoras de capital fechado do Reino Unido. No ano passado, obteve prêmios de US$ 2 bilhões. Seu patrimônio líquido totalizava US$ 47 milhões em dezembro de 2008 e suas receitas somaram US$ 124 milhões.
Além do Reino Unido, opera nos Estados Unidos, Austrália, Espanha, Japão, Malásia, China, Tailândia, Bermudas e no próprio Brasil. Adicionalmente tem escritórios de representação em vários outros países. Tendo como holding a Miller Insurance Investments Limited, emprega 450 empregados no Reino Unido onde adota um modelo único de relação empregatícia que foi iniciado em 1983 e denominado Employee Trust. Esse modelo protege a empresa contra qualquer alternativa de venda indesejável e garante que boa parte dos lucros seja destinada para o desenvolvimento do próprio negócio, sendo o excedente distribuído a todos os funcionários.




