Fitch mantém rating de companhias chilenas
Por Denise Bueno em 05/03/2010
Apesar das perdas elevadas que começam a se confirmar com o levantamento de apólices com cobertura para prejuízos causados por terromoto e por tsunami no Chile, a Fitch Ratings afirmou que acredita que o segmento de seguros patrimoniais do pais será capaz de absorver as perdas. No entanto, o volume previsto a ser pago pelas companhias representará boa parte da rentabilidade obtida em 2009. Este fato acabará por restringir a alavancagem das vendas em 2010, tendo como base as regras de capital ajustado ao risco.
Segundo a Fitch, tendo como base a estimativa de perdas seguradas entre US$ 2 bilhões e US$ 8 bilhões divulgadas pelas empresas especializadas em riscos de catástrofes, considerando-se o menor valor ele já é semelhante as reservas da indústria de seguros chilena, de US$ 1,3 bilhão, em setembro de 2009. Boa parte das perdas está ressegurada, ficando as seguradoras instaladas no Chile na dependência da antecipação de pagamentos pelas resseguradoras para atender a demanda de pedidos de indenizações, evitando assim a pressão sobre o fluxo de caixa das companhias ou até mesmo problemas de liquidez.
A Fitch comentou em seu estudo que as historicamente as resseguradoras têm honrado suas obrigações em tempo hábil, principalmente na ocorrência de grandes catástrofes. Tais perdas, acrescenta a agência, serão facilmente absorvida pelo mercado mundial mesmo com os prejuízos causados pelas grandes tempestades nos EUA e na Europa nas ultimas semanas.
A indústria de seguros chilena tem uma das regulamentações mais avançadas da América Latina e é um mercado muito concentrado na atuação de seguradoras estrangeiras. “As companhias de seguros, incluindo RSA, Mapfre, Chilena (Zurique Group), Liberty Mutual, Cardif, Chartis (ex-AIG) e Santander são importantes, enquanto as empresas locais compõem o restante da lista das 10 maiores companhias de seguros no país.
De acordo com a Fitch, pela forte concentração de apólices nas mãos de seguradoras estrangeiras, as matrizes darão suporte ao pagamento de indenizações, afastando qualquer perigo de falta de liquidez ou de desequilíbrio na composição das reservas técnicas. A agência informou que continuará monitorando o setor no Chile e fará comentários adicionais caso o seu ponto de vista, tanto para o mercado como para companhia, seja alterado.
A análise pode ser acessada no site www.fitchratings.com
RSA prevê £ 30 milhões em indenizações no Chile
Por Denise Bueno em 04/03/2010
A seguradora britânica RSA informou que estima pagar indenizações de £ 30 milhões, valor líquido de resseguros, para seus clientes que tiveram perdas com o terremoto ocorrido no Chile no último sábado. A RSA, também presente no Brasil, é a maior seguradora de seguros gerais no Chile, com 15,7% das vendas de seguros gerais. A Penta detém 12,2% das vendas de seguros patrimoniais no país, seguida pela Mapfre (9,4%), Chilena (9,3%), Interamericana (8,4%) e Liberty (8,1%). Em seguro de vida, o ING é o maior em vendas, seguido pela MetLife, Penta, Chilena e Consórcio.
Em nota, o grupo RSA afirmou que o índice combinado não deverá ultrapassar 95% mesmo com esta ocorrência. Paul Whittaker, executivo da RSA para mercados emergentes, disse que “a nossa prioridade absoluta é dar o apoio necessário a todos os nossos clientes, corretores e colegas da região, de forma a amenizar o sofrimento causado por esta catástrofe”.
O Chile é o sexto maior mercado de seguros da América Latina, com prêmios anuais próximos de 5 bilhões de euros, o que representa quase 4% do PIB, sendo a maior parte referente a seguro de vida. Tem o segundo maior índice de vendas entre a população, com prêmio per capita de € 270. No entanto, a cobertura para danos causados por terremoto é cara e boa parte da população acaba não compra. O país tem cerca de 50 seguradoras, sendo as 10 maiores donas de 60% das vendas.
Indenizações no Chile podem chegar a US$ 8 bi
Por Denise Bueno em 02/03/2010
A Eqecat informou que as indenizações pelos danos do terremoto no Chile deverão ficar entre US$ 3 bilhões e US$ 8 bilhões, o que representaria entre 15% e 40% dos danos econômicos avaliados entre US$ 15 bilhões e US$ 30 bilhões. Este valor não causaria grande impacto no mercado de seguros, seja nas empresas ou no preço do produto.
Segundo informações da RMS, também especializada em danos por catástrofes, cerca de 90% das apólices no Chile têm cobertura para terremoto. Segundo divulgou o governo, mais de 1,5 milhão de casas sofreram sérios abalos.
A concorrente Air Worldwide estimou perdas econômicas de US$ 15 bilhões e apenas US$ 2 bilhões em indenizações das seguradoras. Além das perdas de vidas, das residências e das estradas, há prejuízos comerciais. O preço do cobre disparou ontem nas bolsas com o temor de que o Chile, responsável por 30% da produção mundial, tenha problemas com o fornecimento. Com o tsunami gerado pelo terremoto, containers que estavam no porto foram parar em cima de casas, há quarteirões de distância. O porto estimou danos em US$ 1 bilhão.
O Chile é o sexto maior mercado de seguros da América Latina, com prêmios anuais próximos de 5 bilhões de euros, o que representa quase 4% do PIB, sendo a maior parte referente a seguro de vida. Tem o segundo maior índice de vendas entre a população, com prêmio per capita de € 270. No entanto, a cobertura para danos causados por terremoto é cara e boa parte da população acaba não compra. O país tem cerca de 50 seguradoras, sendo as 10 maiores donas de 60% das vendas.
Evento reunirá pesos pesados do setor no Rio
Por Denise Bueno em 23/02/2010
As principais novidades em seguros e resseguros disponíveis para as empresas brasileiras e o atual cenário da indústria mundial de seguros estão entre as várias palestras previstas para acontecer no II Congresso Internacional sobre Resseguros, o Brazilian Reinsurance Conference, a ser realizado nos dias 4 e 5 de março, no Rio de Janeiro. Na ocasião, cerca de 250 profissionais de seguradoras, resseguradores e corretoras irão discutir as oportunidades e desafios do que é, hoje, o mercado de seguros e resseguros com maior potencial do mundo.
O evento começará às 9h com o Secretário de Finanças do Estado do Rio de Janeiro, Joaquim Levy. Pela manhã, resseguradores e seguradores debaterão os beneficios e deficiencias dos três anos de mercado de resseguro aberto. O primeiro painel contará com o IRB-Brasil-Re em conjunto com executivos de outras empresas, como Scor Global P&C, Flagstone Re, ABER (Associação Brasileira das Empresas de Resseguros), Swiss Re e Transamerica Re. Os tópicos abordam os obstáculos encontrados pelos resseguradores internacionais que decidiram entrar no país e as implicações da crise financeira mundial de 2008 no desenvolvimento do mercado brasileiro de resseguros.
Em seguida será a vez dos CEOs de seguradoras dizerem o que clientes e seguaradoras esperam dos resseguradores. Estão confirmados no painel Akira Harashima, da Tokio Marine, Luis Maurette, da Liberty, Frederico Baroglio, da Generali, Antonio Trindade, do Itaú, Antonio Cássio dos Santos, da Mapfre, Marcos Couto, da ACE, com José Rubens Alonso, consultor da KPMG, como mediador.
A expectativa, segundo divulgou o IRB-Brasil Re, líder em resseguro na América Latina e um dos patrocinadores do evento organizado pela Euromoney e pela revista inglesa Reactions, é de que o volume de prêmios emitidos cresça nos próximos anos devido a investimentos do governo nas obras do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) e em projetos de infraestrutura para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, além da exploração do pré-sal e da criação do microsseguro – em tramitação no Congresso Nacional. Em 2009, o setor movimentou algo próximo a R$ 100 bilhões em prêmios, sendo menos de R$ 4 bilhões em resseguros.
“O potencial do mercado segurador brasileiro representa uma excelente oportunidade para o IRB-Brasil Re. Estamos trabalhando ativamente para criar novos serviços e produtos. Queremos continuar sendo o parceiro preferencial das principais seguradoras e de grandes grupos industriais do país”, afirmou em nota Eduardo Nakao, presidente do IRB-Brasil Re. Às 17h10, o gerente comercial do IRB-Brasil Re, Jose Farias de Sousa, falará sobre o potencial do mercado de resseguros no Brasil e na América Latina e as ações do IRB-Brasil Re para atrair os bons negócios.
Um painel que promete muitas discussões é sobre grandes riscos, principalmente no que diz respeito aos projetos de energia necessários para dar sustentabilidade ao crescimento do Brasil para os próximos anos. Afinal, a aposta é de que o país será a quinta maior economia do mundo até 2016, segundo dados do Banco Mundial. Este painel conta com Angelo Colombo, da Allianz, Jacques Bergman, da Fairfax, e Luis Meneses, da resseguradora Swiss Re, como palestrantes no período da tarde do dia 4.
José Carlos Cardoso, diretor-presidente da Scor Global P&C no Brasil, uma das principais patrocinadoras do evento, fará a abertura do encontro e presidirá a mesa de debates sobre o tema “Grandes Riscos”. Ronald Kauffmann, principal executivo da Scor Global Life, participará de painéis sobre aposentadoria e poupança de longo prazo. Alguns painéis e mesas de debate do evento serão apresentados por executivos do board internacional e nacional do grupo Scor. Segundo nota do grupo, do exterior virão os especialistas Benjamin Gentsch, Paul Hertelendy e Hedi Hachicha (da Scor Global P&C); e Christian Mainguy (Scor Global Life).
Já no dia 5, sexta-feira, às 9h10, o presidente do CONAD – Conselho Nacional de Administração, Leonardo Paixão, abordará o emergente mercado de fundos de pensão no Brasil.
A programação completa do Brazilian Reinsurance Conference, do qual o IRB-Brasil Re é um dos patrocinadores, pode ser conferida no site oficial do evento (www.euromoneyseminars.com/brazil-re10).
Munich Re lidera contrato de usina que explodiu
Por Denise Bueno em 19/02/2010
A Munich Re lidera o pool de resseguradoras envolvidas no programa de seguros contratado pela Kleen Energy Systems, para a construção da usina termoelétrica que explodiu em Middletown, no estado americano de Connecticut no dia 7 de fevereiro. A explosão, segundo relatos, teria ocorrido durante um teste na usina, que ainda estava em construção. Um vazamento em uma tubulação de gás teria sido responsável pela explosão. Cinco pessoas morreram e mais de 20 ficaram feridas.
Segundo divulgaram os sites internacionais, a resseguradora alemã confirmou que lidera a apólice, mas não deu detalhes do que estaria coberto. As reportagens citam que um funcionário da Kleen revelou que tem cobertura de US$ 664 milhões para cobrir o valor estimado do projeto de US$ 212 milhões e também tem crédito para o caso de atraso da entrega da obra. As estimativas do setor apontam para perdas materiais de US$ 50 milhões e outros US$ 100 milhões para prejuízos decorrentes da interrupção de negócios.
Scor, Chartis, Hartford e Associated Electric & Gas Services Ltd (AEGIS) detêm 5% cada. Entre outras participantes, o site Business Insurance cita Starr, ACE, Lloyd’s of London, National Union Insurance e Arch Insurance Group Inc. O site não menciona quem é o corretor da apólice.
Chuvas geram 36 mil indenizações em um evento
Por Denise Bueno em 27/01/2010
As seguradoras do Reino Unido receberam cerca de 36 mil pedidos de indenizações decorrentes de perdas de seus segurados atingidos pelas inundações ocorridas no norte da Inglaterra em novembro do ano passado. Segundo divulgou a Association of British Insurers (ABI), entidade equivalente à CNSeg no Brasil, o excesso de chuva causou perdas significativas para famílias e empresas, além de prejudicar o acesso ao local em razão de quedas de barreiras e de pontes.
Segundo comunicado da ABI, cerca de 60% dos US$ 332 milhões foram pagos para indenizar clientes com apólices empresariais. “Situações como esta mostram o quanto o seguro é importante para que as empresas possam dar continuidade aos seus negócios. Com a comunidade local recuperando seu poder financeiro, a infraestrutura local pode ser reparada com os impostos gerados pelo fluxo do comércio normalizado. Se o comércio não tem condições de se recuperar, a perda econômica é ainda maior para todos, principalmente por gerar desemprego”, diz o comunicado da ABI.
Seguro privado no Haiti é quase inexistente
Por Denise Bueno em 14/01/2010
Apesar das perdas humanas e financeiras causadas pelo terremoto no Haiti, as seguradoras deverão registrar um valor mínimo de pagamento de indenizações, em razão da população de um dos países mais pobre do mundo não ter seguro. A constatação foi feita por Robert P. Hartwig, presidente do Insurance Information Institute (III), durante entrevista coletiva divulgada pelas agências internacionais.
Segundo o executivo, o mercado de seguro privado é quase inexistente no Haiti. O maior risco para as seguradoras privadas são as instalações de corporações multinacionais. O Haiti tem uma cobertura para catástrofe de US$ 8 milhões por meio de um fundo administrado pelo governo.
De acordo com o Wall Street Journal, a resseguradora Hannover Re afirmou que estima uma perda de 20 milhões de euros. Um porta-voz da Chubb Corp disse que a companhia não tem conhecimento de qualquer exposição no Haiti. A American International Group Inc. (AIG) não se manisfestou. A Aon Benfield informou em um relatório que ainda não havia recebido pedidos de ajuda de clientes na região.
Perdas com catástrofes chegam a US$ 52 bilhões
Por Denise Bueno em 01/12/2009
Segundo estudo divulgado ontem pela Swiss Re, as catástrofes naturais e feitas pelo homem já acumulam um total de US$ 52 bilhões em 2009, bem abaixo dos US$ 267 bilhões de 2008. O total das perdas seguradas chega a US$ 24 bilhões, sendo US$ 21 bilhões em catástrofes naturais e US$ 3 bilhões em acidentes causados pelo home, segundo dados preliminares.
Praticamente o dobro do valor registrado em 2008, quando as indenizações atingiram US$ 50 bilhões, diz o estudo. A fraca safra de furacões nos Estados Unidos é a razão do valor das indenizações pagas pelas seguradoras estarem muito aquém do valor registrado nos últimos anos. Na Europa, no entanto, o custo com enchentes tiveram forte elevação na média de indenizações pagas.
As indenizações nos sete primeiros meses do ano apresentam o dobro da media dos últimos 20 anos. Entre janeiro e julho deste ano, cinco eventos ultrapassaram os custos em US$ 1 bilhão. A chuva de inverno chamada de Klaus, que em janeiro castigou França e Espanha, foi o evento mais caro, com perdas de US$ 3,5 bilhões. Em julho, as chuvas com fortes raios na Suíça e Áustria custaram outros US$ 1,25 bilhão. Nos EUA, as chuvas de inverno e dois tornados geraram perdas seguradas de US$ 3,5 bilhões, segundo informa o estudo.
Em todo o mundo, aproximadamente 12 mil pessoas morreram nas catástrofes, comparadas com 240 mil em 2008. A região mais afetada foi a Ásia, com o terromoto na Indonésia em setembro, onde mil vidas foram perdidas. A passagem de três tufões tirou outras 2 mil vidas. Segundo Thomas Hess, economista chefe da Swiss Re, comentou que em 2009 todos agradecem de ter não ter visto algo como o furacão Katrina, que em 2005 causou perdas de US$ 71 bilhões.
Copa e Olimpíada vão render gordos contratos*
Por Denise Bueno em 22/10/2009
*Matéria feita com exclusividade para o especial de Seguros do Jornal Valor Econômico, que circulou no dia 19 de outubro, Dia dos Securitários
Copa 2014. Olimpíada 2016. Bilhões em investimentos potenciais. Investidores em busca de proteção para os riscos inerentes aos contratos milionários. É um cenário apetitoso. Mas como todo setor que vive de lucros, as seguradoras apostam onde têm quase certeza de que sairão vencedoras. E isso vale desde as apólices que custam alguns reais como para o seguro incluído no ingresso para garantir despesas médicas hospitalares em caso de acidentes dentro do estádio. Ou mesmo planos que custam alguns milhões para garantir desde o projeto até a operação do trem bala no trajeto Rio de Janeiro a São Paulo, orçado em mais de R$ 20 bilhões.
A Fifa, por exemplo, um dos principais clientes das seguradoras no mundo, negociou coberturas para proteger-se de eventuais prejuízos com o investimento na Copa da África do Sul durante meses. As seguradoras só aceitaram fazer o seguro depois de realmente comprovado que o país conseguiria fazer as reformas necessárias para o mundial dentro do cronograma estabelecido. Mesmo assim, o contrato tem coberturas limitadas, exclusões e custou caro. O prejuízo gerado pela greve dos funcionários do setor de construção civil em agosto, por exemplo, consta das exclusões previstas.
“Ter os Jogos Olímpicos, com investimentos previstos na casa dos R$ 90 bilhões, e que certamente precisarão de seguros, é uma notícia e tanto para as seguradoras”, comemora Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica. Além de se preparar para conquistar os grandes contratos, a seguradora está desenvolvendo novos produtos e serviços. “Estamos criando coberturas interessantes para os estrangeiros que virão para o Brasil, como assistência 24 horas”, acrescenta.
A Bradesco também já começou a investir em produtos. Segundo Carlos Eduardo Corrêa do Lago, diretor gerente da Bradesco Auto/RE, o grupo criou um comitê responsável por estudar a experiência de outros países com a realização de mundiais e já prepara produtos específicos para as necessidades dos participantes.
Assim como as seguradoras já começaram a desenvolver produtos, os segurados devem pensar o quanto antes no assunto. A primeira dica dos corretores de seguros acostumados com a cobertura de grandes eventos é antecedência. Para a realização da última Olimpíada, realizada no ano passado na China, a seguradora PICC Property and Casuality Company Limited (PICC P&C), a maior seguradora estatal de ramos elementares do país sede, fechou o primeiro acordo em 2005. Ou seja, três anos antes da abertura oficial do evento.
O comitê organizador da Olimpíada em Londres, em 2012, por exemplo, contratou a corretora inglesa JLT em 2006 para mapear os riscos envolvidos na realização do mundial. “A indústria de seguros é uma importante peça dentro de eventos dessa grandeza, uma vez que ajuda a prever riscos e sugere formas de mitigá-los.
A antecedência é a senha para obter preços melhores, assim como as franquias devem ser vistas com muita atenção, pois são uma ferramenta importante para se compatibilizar necessidades de coberturas com os orçamentos disponíveis”, diz Marcio Correia, da Miller Insurance, corretora responsável pela colocação do seguro dos Jogos Panamericanos realizados no Brasil em 2007.
O segundo conselho é fazer um raio X dos riscos envolvidos nos investimentos. “Fazer o mapeamento possibilita mitigar e gerenciar os riscos e assim saber decidir o que é mais vantajoso assumir, ter garantias ou transferir para as seguradoras”, diz Fernando Pereira, vice-presidente da Aon Risk Services, uma das maiores corretoras de seguros do mundo.
Há muitos riscos envolvidos nos grandes contratos, principalmente nos de infraestrutura. “Temos de levantar prejuízos que podem ser causados pela realização do evento, desde a parte ambiental, o relacionamento com o público, o nível de contrato que terá com prestador de serviço”, cita Marcelo Elias, diretor da Marsh McLenann, que disputa com a Aon cada milímetro do mercado mundial de corretagem e consultoria em seguros. A partir dessa etapa é que o investidor fará uma concorrência para contratar uma seguradora para fazer a administração e gestão do programa de seguros.
Geralmente o valor investido em seguros em grandes contratos gira em torno de 0,5% e 1% do valor da importância segurada. Essa é uma mera média do mercado, pois contratos como esses são feitos sob medida e não existe um igual ao outro. Tudo dependerá do risco, da disposição e do capital dos resseguradores em assumir riscos.
Estudos prévios usados por gestores públicos e privados, ligados aos eventos, apontam para valores entre RS$ 60 bilhões e R$ 110 bilhões, especialmente na área de infraestrutura, sem considerar gastos na construção e modernização de estádios para a Copa 2014 e outros R$ 30 bilhões para a Olimpíada no Rio de Janeiro.
Além desses investimentos, a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) avalia investimentos em nove áreas: mobilidade urbana, como investimentos em metrôs, corredores de ônibus e estacionamentos, portos, aeroportos, telecomunicações, energia, saneamento básico, rede hospitalar, rede hoteleira e segurança. Como nenhum aeroporto do país está pronto para receber os 500 mil turistas esperados para o evento, segundo cálculos do Ministério do Turismo, há necessidade de uma participação maciça da iniciativa privada na ampliação de terminais e construção de novos aeroportos.
Como o Brasil vai virar um canteiro de obras, as primeiras apólices a serem cotadas são as que dão garantia que os contratos serão cumpridos e também as de risco de engenharia, assegurando prejuízos causados durante a execução das obras. Alexandre Malucelli, vice-presidente da seguradora JMalucelli, líder do mercado de seguro garantia, diz que os Jogos Olímpicos terão, isoladamente, condições de ampliar em 70% o volume de receitas geradas por apólices desse tipo.
“Uma realização como a Copa do Mundo provoca impactos em toda a comunidade onde é sediada, com reflexos de curto, médio e longo prazos”, diz Virgil de Souza, diretor da área de garantia da Liberty International Underwriters (LIU), divisão de grandes riscos do grupo Liberty Mutual, empresa que participa da Olimpíada de Londres 2012.
Além dos seguros envolvidos nos contratos privados, há várias apólices de seguros que são exigidas pelos organizadores. Entre as principais coberturas estão as de responsabilidade civil para indenizar terceiros prejudicados com a realização do evento, seja por produtos, profissionais tercerizados ou funcionários, montagem e desmontagem de estruturas e equipamentos. Estão cobertos riscos por contaminação de alimentos, direitos autorais, segurança e serviços médicos, bem como cobertura de acidentes pessoais para os atletas previstos na participação do evento.
Uma apólice importante é a da não realização do evento, conhecida como “no show”. Se os espectadores de algum dos jogos, por exemplo, ficarem impossibilitados de chegar ao local ou os jogadores ficarem impedidos de jogar, os custos da promotora com a devolução do valor do ingresso ou de agendamento de uma nova data, corre por conta do seguro.
Tufão no Japão pode causar perdas de US$ 1,5 bi
Por Denise Bueno em 09/10/2009
As perdas para a indústria de seguros do tufão Melor ocorrido no Japão estão estimadas entre US$ 850 milhões e US$ 1,5 bilhão, segundo a AIR, empresa americana especializada em riscos de catástrofes.
Segundo as agências, pelo menos duas pessoas morreram e outras 32 ficaram feridas no tufão que obrigou mais de 11 mil pessoas a deixar as suas casas na ilha de Honshu, a maior do Japão. Os pedidos de indenização virão de perdas de segurados com destelhamento de imóveis e perda de conteúdo, em infraestrutura, com a destruição de pontes, e lucro cessante, com a paralisação de atividades consequente do corte de energia.
No Japão, as construções são adaptadas as catástrofes naturais freqüentes no país, o que ajuda a reduzir os estragos gerados com tufões e terremotos.



