Educação financeira, aliada das empresas de títulos de capitalização
Por Denise Bueno em 15/02/2011
As empresas de capitalização ganham um forte aliado em 2011: a educação financeira. O tema ganhou destaque dentro das prioridades dos bancos, principalmente daqueles que realmente enxergam a sustentabilidade como uma jornada e não apenas como uma ação de marketing.
Dentro dos programas de educação financeira, o treinamento da equipe de funcionários é um dos principais pilares. O passo seguinte é remunerar gerentes pelo resultado do relacionamento e não pela venda de produtos. Isso ajudará que o título de capitalização, que passou por uma ampla reformulação nos últimos dois anos, seja ofertado aos clientes como um produto e não como um item de relacionamento com o gerente, geralmente tido como barganha para conseguir mais crédito ou uma forma de ajudar o gerente a cumprir metas.
Atualmente, o título de capitalização mais vendido pelas onze empresas que atuam no setor é o financeiro, no qual o cliente paga uma mensalidade e concorre a sorteios. No final do prazo do contrato, o titular recebe o valor corrigido pelo mesmo indicador que remunera a caderneta de poupança, TR mais 6% ao ano. As empresas têm de devolver pelo menos 90% da rentabilidade. A diferença no valor é usada para os sorteios.
Na agenda de 2011 das empresas de capitalização temos o plano para negociar com o governo incentivos fiscais para o acúmulo de recursos por meio dos programas de longo prazo. Hoje, a média do contrato dos planos é de 30 meses, explica o diretor executivo da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), José Ismar Tôrres (foto). “Assim como os planos de previdência tem incentivos, a capitalização pode ter por acumular recursos de longo prazo”.
Uma modalidade que ganha cada dia mais espaço entre os produtos de capitalização é o aluguel garantido. O produto substitui o fiador em contratos de aluguel. Comparado ao seguro fiança, o título de capitalização traz vantagens como o pagamento do valor. “No seguro, o valor pago não volta. No título, no final do período o locatário recebe de volta parte do valor”, informa Rita Batista, diretora da Fenacap e da Bradesco Capitalização.
Outra modalidade que deve ganhar destaque em 2011 são os títulos usados como incentivo de venda. Algumas empresas compram uma série de títulos de capitalização para vender produtos com sorteios. Pesquisas mostram que agregar sorteio ao produto ajuda a dar um forte incremento nas vendas, diferenciando-se dos concorrências pelo apelo lúdico.
“Brasileiro gosta de apostas e por isso o sorteio é um diferencial atrativo”, comenta Torres. No passado, a capitalização chegou a ser incluída na caderneta de poupança para diferenciar o produto. No entanto, foi retirado do mercado por ser esse um produto padronizado pelo Banco Central e que envolve regras de repasse para o financiamento imobiliário. No entanto, a capitalização tem feito sucesso em produtos populares, como alimentos e promoções em supermercados e farmácias.
Repassar parte da renda para uma entidade beneficente é uma outra tendência dos títulos de capitalização. Há no mercado vários títulos com apelos sociais e a tendência, segundo Rita Batista, é de que novos produtos com este apelo sejam lançados.
De acordo com a FenaCap, o valor acumulado de janeiro a dezembro de 2010 atingiu a casa dos R$ 11,7 bilhões, registrando um elevado crescimento de 16,60% em relação ao mesmo período de 2009. Em relação às provisões acumuladas no mesmo período, o montante alcançado foi de R$ 17,2 bilhões contra R$ 14,9 bilhões registrados no acumulado de janeiro a dezembro de 2009. Isto significa um crescimento de 15,5% no período.
Para Torres, é um segmento que tem demonstrado vigor na superação dos seus desafios. “Novamente teremos de nos reinventar. Afinal, as taxas de juros estão declinantes e precisaremos rever os produtos ofertados. Assim como a caderneta de poupança terá problemas para cumprir a remuneração de TR mais 6%, a capitalização também necessitará alterar as regras hoje em vigor”, comenta Torres.
Tais mudanças visam preparar ainda mais o setor para crescer diante do bom momento da economia brasileira e do aumento da renda no País, sobretudo da população das classes C e D, nicho em que o título de capitalização funciona como a porta de entrada para acessar outras modalidades de produtos financeiros, em decorrência do processo de bancarização ocorrido nos últimos tempos.
Por ter um custo acessível, com ticket médio de R$ 26, o título de capitalização é tido como um atrativo para as classes de menor renda. “Pela capitalização esse público aprende a lidar com a formação de uma reserva financeira, de forma programada”, analisa Tôrres.
No entanto, para que o produto realmente agregue valor ao relacionamento com o cliente, é preciso alertar em letras garrafais que o titular do plano será penalizado, ou seja, receberá menos do que pagou, caso precise sacar os recursos antes do prazo acordado, que geralmente é de três anos.
Vendas devem superar R$ 96 bi em 2008*
Por Denise Bueno em 13/12/2007
2008 será um ano de desafios para o mercado de seguros, previdência, vida, saúde e capitalização. “2007 foi marcado por mudanças, como as regras de solvência, a abertura do resseguro. Mas para mim o que ficou marcado foi a união de todo o setor em prol destas mudanças, que vão ajudar o mercado a crescer substancialmente”, disse João Elisio Ferraz de Campos, presidente da Fenaseg, citando também a criação da nova configuração institucional do setor com a Confederação Nacional de Seguros, Previdência, Saúde e Previdência Complementar (CNSeg).
A projeção é de que o setor encerre 2007 com vendas de R$ 84,8 bilhões e em 2008 ultrapasse R$ 96 bilhões, sendo R$ 42,6 bilhões com seguros de pessoas, R$ 34,3 bilhões em seguros gerais, R$ 10,8 bilhões em saúde e R$ 8,4 bilhões em capitalização. “Teremos um grande ano pela frente”, disse Armando Vergílio, presidente da Susep. Ele disse que muito foi feito, mas ainda há muito para se fazer em 2008.
“A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que se cuide”, disse ele, brincando no sentido de que a Susep exercerá um controle tão ou mais efetivo do que a autarquia que regula o mercado de capitais e de fundos, durante o almoço de final de ano do setor realizado ontem, no Rio de Janeiro.
Todas as alterações no arcabouço de normas do setor começarão a valer a partir do próximo ano. Apesar da previsão de que muitas companhias terão dificuldades, tanto em aumentar o capital social para enquadrar-se às regras de solvência, como com a nova realidade de negociar contratos de resseguros, o clima é de otimismo.
“Vamos crescer mais em 2008 porque o País está crescendo”, disse Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do grupo Bradesco Seguros e Previdência, e também presidente da Federação Nacional de Saúde (FenaSaúde), que representa um mercado de mais de 13 milhões de participantes.
Para Trabuco, o mercado de seguros está com reservas adequadas e não haverá tantos problemas quanto à capitalização das seguradoras.
A aposta no crescimento vem também do segmento de automóvel, que até outubro deste ano registrou evolução pífia de 1%, enquanto as vendas de carros zero quilômetro registram vendas recordes, acima de 30%. “Neste ano a carteira de automóvel não cresceu em volume, pois houve queda de preço, mas teve um expressivo crescimento em número de itens segurados”, afirmou ele, que comanda a segunda maior seguradora de carro do Brasil, a Bradesco Auto Re.
Seguro saúde
Em relação ao seguro saúde, Trabuco acredita que 2008 será um ano de consolidação, uma vez que 2007 as companhias já começaram a registrar bons resultados com a flexibilização do controle do governo em cima de preços. Pouco mais de dez seguradoras operam com saúde, sendo que nenhuma delas vende o seguro individual, com preço controlado pelo governo.
Segundo Fausto Pereira dos Santos, presidente Agência Nacional de Saúde (ANS), começa a valer em 2008 a segunda etapa do processo de adequação de capital das empresas de saúde complementar, ou seja, planos e seguros. “As seguradoras já estão adaptadas e as empresas de planos de saúde terão de se adaptar. Na primeira etapa, iniciada em 2001, 80% delas cumpriu as regras. Acho que o mesmo acontecerá agora”, disse ele, descartando a hipótese de um grande volume de empresas insolventes. Outra novidade em saúde é a implementação da portabilidade dos planos sem necessidade dos consumidores cumprirem carência.
Na área de previdência, o otimismo prevalece. “Manteremos nosso crescimento em 2008 e estamos apostando na criação de novos produtos de acumulação de renda”, disse Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Vida e Previdência e vice-presidente da Federação Nacional de Previdência e Vida (FenaPrevi).
Segundo ele, o setor de previdência superou a casa dos R$ 120 bilhões em reservas e 7 milhões de participantes e 40 milhões pessoas seguradas em vida.
Momento histórico
Jayme Garfinkel, presidente da Porto Seguro e da Federação Nacional de Seguros (FenSeg), comemorou o resultado da audiência pública da abertura de resseguros. “Esse foi um momento histórico para mim em 2007″, disse ele em seu discurso. “Temos boas perspectivas pela frente com o crescimento do Brasil Espero que concretizemos todas as ações para a consolidação do mercado.”
Norton Glabes Labes, presidente interino da Federação Nacional de Capitalização (FenCap), aposta no crescimento com a nova regulamentação deste segmento que deverá ser divulgada pela Susep em 2008. “Todas as empresas estão com produtos prontos, apenas esperando a nova regulamentação. Além disso, duas novas empresas começarão a operar, Nossa Caixa e Mapfre”, disse. Para ele, essas duas razões farão o setor crescer muito acima dos 5% previstos para 2007.
*Matéria da autoria publicada na Gazeta Mercantil em 13/12/2007
Setor financeiro ajuda a recuperar a Mata Atlântica*
Por Denise Bueno em 07/06/2007
A parceira mais ativa da Mata Atlântica na área de seguros, previdência e capitalização é a Bradesco Capitalização. De 2004 até abril deste ano, a empresa viabilizou recursos para o plantio de 18 milhões de mudas de árvores nativas na Mata Atlântica. Isso significa a recuperação de 10.011 hectares em mais de 600 projetos, informou Norton Glabes Labes, diretor da Bradesco Capitalização.
Os recursos destinados ao plantio das árvores vêm da venda do título de capitalização Pé Quente Bradesco SOS Mata Atlântica. Quando o título foi lançado, há três anos e meio, a expectativa era vender uma série de 100 mil. Já vendemos 2 milhões”, comemora Labes. São títulos com pagamentos mensais de R$ 25, num contrato que dura 48 meses. A cada título vendido, R$ 15 vão para a Fundação Mata Atlântica, para o plantio de dez árvores.
Segundo ele, o programa, que já rendeu vários prêmios à empresa; atendeu mais de 350 municípios em nove estados; introduziu cobertura florestal numa área equivalente a 12.129 campos de futebol ou à extensão de um rio de 1.666 quilômetros, numa faixa lateral de 30 metros, em ambos os lados; e em conseqüência, neutralizou cerca de 20 milhões de toneladas de carbono. “É um projeto que tomou grandes proporções dentro do grupo e isso me deixa muito feliz. Fomos os pioneiros, mas felizmente a concorrência começa a fazer o mesmo, trazendo benefícios ao planeta”, disse o executivo.
Caixa ganha Carbon Free
A Caixa Seguros foi a primeira seguradora do mercado brasileiro a neutralizar, por meio do plantio de árvores, 100% das emissões de gases do efeito estufa da matriz. “Podemos fazer algo, como fizemos agora. Outras empresas do setor também podem fazer. Ajudar o meio ambiente e dar o exemplo será o nosso maior retorno”, disse Thierry Claudon, presidente da Caixa.
O grupo investiu R$ 17 mil para fazer o levantamento de emissão de gás carbônico. A neutralização foi realizada em parceria com a ONG Iniciativa Verde que calculou quanto gás carbônico as quatro empresas do grupo emitem anualmente. Serão plantadas anualmente 1.748 árvores na Mata Atlântica. Por neutralizar suas atividades, a seguradora recebeu o selo “Carbon Free” (livre de gás carbônico) que atesta: ela não contribui com o aquecimento global e ajudou a recuperar e a conservar a Mata Atlântica.
“Todos podem fazer algo para contribuir com o meio ambiente. Por isso vamos investir na comunicação com nossos funcionários e clientes para trazer a eles a consciência que o estudo da ONG trouxe para nós”, disse ele, que pretende tomar iniciativas para que o grupo reduza ainda mais a sua emissão de carbono.
As árvores plantadas pela Caixa serão distribuídas em uma área degradada do município de São Carlos (SP), dentro do bioma Mata Atlântica. A área pode ser visitada por qualquer pessoa interessada em conferir o plantio.
O contrato assinado pela seguradora com a ONG prevê a manutenção das mudas por um período de dois anos.
O reflorestamento de áreas degradadas, como a Mata Atlântica, proporciona benefícios globais – por meio da absorção do gás carbônico da atmosfera – e locais, com a formação de corredores de biodiversidade e a preservação dos recursos hídricos.
HSBC: energia renovável
Parte das tarifas dos produtos financeiros do HSBC com o slogan Solidariedade, onde há um título de capitalização, é direcionada a projetos socioambientais. O grupo HSBC investiu U$ 50 milhões entre 2002 e 2006 em organizações ambientais de referência mundial por meio do seu programa Investing in Nature e em 2007 está reformulando este programa. De acordo com informações fornecidas pela empresa, em 2006 o foco de seleção de projetos ambientais do Instituto foi o desenvolvimento de projetos de Energias Renováveis com investimento de R$ 350 mil. Foram selecionados sete projetos envolvendo soluções de baixo custo para a comunidade. Em 2007, o HSBC realizará a seleção para projetos que tenham como foco “Desenvolvimento de Tecnologias de energia limpa e renovável, de baixo custo, para aplicação em comunidades de baixa-renda”.
*Matéria da autora publicada no jornal Gazeta Mercantil em 07/06/2007
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