Plano de previdência requer atenção*

Por Denise Bueno em 15/10/2009

1176463035xi0asd1*artigo escrito para a Revista Apólice

Quem poderia imaginar uma taxa de juros de um dígito no Brasil. Pois é. Poucos acreditavam que isto um dia aconteceria. Por isso, quase ninguém se dá conta do impacto da redução dos juros no plano de previdência. E aqui está uma grande oportunidade do corretor dar uma orientação relevante para o seu cliente.

Uma conta simples que todos podem fazer em site de corretoras, seguradoras, bancos ou de consultores financeiros é a simulação do impacto da taxa de juros no rendimento de longo prazo. Vamos imaginar que uma pessoa de 30 anos resolva poupar para a previdência. Com esta idade, poderá contribuir por 30 anos. Levando-se em conta a expectativa de vida, receberá seu benefício por 23 anos.

Se a disponibilidade deste cliente for de depósitos mensais de R$ 500, ele teria uma renda mensal de R$ 3,5 mil a partir dos 60 anos no ano passado, quando a taxa real de juro ainda era de 10% ao ano, época de vendas recordes de VGBL. Hoje, com a taxa Selic em 8,75% e juro real de 4,5% (descontada a inflação), a renda mensal desde mesmo plano cai para R$ 1,3 mil.

Isso aconteceu pois o principal item da simulação feita naquela época – a taxa de juro – mudou significamente. Há apenas dois anos, os juros estavam em 12,50% e há quatro, em 19,75%. Isso faz uma enorme diferença no planejamento da aposentadoria. Um impacto e tanto para a realização dos sonhos futuros. De deixar qualquer cliente preocupado e grato por ter sido alertado.

Há algumas saídas. Aumentar o valor do depósito mensal, ter um objetivo que exija menos recursos financeiros ou arriscar a aumentar o retorno financeiro do fundo correndo mais risco. Foi exatamente esta última alternativa que fez surgir nos Estados Unidos os fundos “life time” ou “life cycle funds”, lançados no Brasil em 2006 como fundos ciclos de vida pela BrasilPrev, Icatu e MetLife, ou fases da vida, como batizou o Itaú.

Esses fundos foram lançados para clientes com pouca experiência no mercado financeiro. Além de ter um forte coração para lidar com o sobe e desce das bolsas, o consumidor precisa entender um pouco de fundamentos econômicos para saber escolher ações de companhias promissoras, o momento mais oportuno de comprar e vender os papéis e ter tempo para cumprir a burocracia de negociar a carteira no dia a dia para atualizá-la. Pode também encontrar um home-broker ou optar pelos fundos “ciclo de vida”, onde os gestores de recursos fazem todo aquele trabalho citado anteriormente.

O objetivo desses planos é buscar um equilíbrio entre o tempo que o cliente tem para fazer a sua poupança e os riscos que pode correr nos diferentes períodos da vida. O cliente determina qual o valor que necessitará no futuro e quando precisará do dinheiro. Os gestores ficam com a responsabilidade de otimizar o retorno financeiro e proporcionar maior tranqüilidade no momento de utilização do patrimônio acumulado, calibrando as apostas em renda fixa e renda variável.

Quanto mais jovem, maior será a alocação dos recursos em ações. Na medida em que a data de realização do projeto de vida se aproxima, menor será o investimento em renda variável, com os ativos aplicados em um porto mais seguro, como os títulos de renda fixa públicos ou privados. Na Brasilprev, a recomendação é que se o resgate estiver programado para 2020, o percentual de ativos aplicados em ações passará, ao longo dos anos, de 20% para 30%. Se o limite for o ano de 2030, o percentual cresce de 34% para 42%, e, no último caso, para a data final de 2040, a migração é de 45% para 49%.

Apesar da aparente facilidade, é preciso acompanhar de perto o rendimento desses fundos, as notícias do mercado financeiro e se ele realmente está adequado à realidade do cliente. Afinal, a recente crise financeira adiou o sonho de milhares de americanos que no passado ficaram empolgados com as apostas no mercado acionário e mesmo estando perto da idade de se aposentar, tinham 90% do portfólio em ações, o que não é recomendado. Agora, o tempo de trabalho aumentou em média cinco anos para recuperar as perdas geradas com a crise e poder se aposentar com o que haviam planejado quando ingressaram no plano.

É necessário que fique claro para o consumidor o que ele está levando para casa, pois na maioria das vezes ele não é capaz de perceber isso sozinho. Muitos já estão atentos à necessidade de correr mais riscos. Em janeiro de 2008, cerca de 25% do dinheiro dos investidores estava em fundos de previdência com ações e 75%, nos de renda fixa. Atualmente, a relação mudou para 20% e 80%, respectivamente.

Como a bolsa praticamente recuperou as perdas do último trimestre de 2008 no primeiro semestre de 2009, os ansiosos que sacaram os recursos perderam. Por isso, é preciso ficar de olho na rentabilidade e nas taxas cobradas pelos fundos, principalmente neste período de ajustes de custos promovido pelas empresas de previdência. Afinal, um ponto percentual faz uma grande diferença em uma aplicação de longo prazo.

 

 

Seguradoras têm prazo maior para portabilidade*

Por Denise Bueno em 29/06/2009

A portabilidade dos planos de previdência terá prazo de até dez dias para ser efetivada pelas seguradoras, e não mais quatro dias como determinava a regulamentação. A mudança começa a valer a partir de agosto assim que for aprovada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). O pedido foi feito pelas seguradoras, que argumentaram que o prazo anterior era insuficiente para a burocracia interna necessária para transferir os recursos.

Os investidores de planos de previdência privada aberta, com R$ 151 bilhões aplicados no primeiro quadrimestre deste ano, intensificaram o uso da portabilidade desde setembro de 2008, com o agravamento da crise. Tanto os que estavam insatisfeitos com a performance do seu plano como os que buscaram nos bancos federais um porto mais seguro descobriram a facilidade de transferir seus recursos usando a portabilidade de forma simples, sem custos e com a manutenção de incentivos fiscais.

Segundo Marco Antonio Rossi, vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), as seguradoras processam uma média de 5 mil pedidos de portabilidade mensalmente entre os 12,2 milhões de planos existentes. Hoje, há pedidos de resgates que podem ultrapassar o prazo médio, o que causa transtorno entre clientes e seguradoras. “Todos estão empenhados em fazer a transferência em até dez dias.”

A agilidade na transferência, que no início chegava a demorar três meses, foi possível em razão da implementação, em maio de 2006, do Sistema para Intercâmbio de Documentos Eletrônicos (Side), uma iniciativa da então Associação Nacional de Previdência Privada (Anapp), atual Fenaprevi.

O sistema funciona como uma câmara de compensação para a portabilidade de planos de previdência aberta e registrou 152 mil de transferências entre abril de 2006 até maio deste ano, segundo dados da entidade. Em 2007, o Side registrou um volume financeiro de R$ 1,46 bilhão. No ano seguinte passou para R$ 2,1 bilhões.

Nos quatro meses deste ano, o volume já atinge R$ 870 milhões e a perspectiva é de que deva superar os valores registrados no ano passado em razão do momento conjuntural. À medida em que a rentabilidade começa a cair, o investidor passa a rever o seu portfólio. No Brasil, o assunto está ainda mais latente em razão da queda da taxa de juros, a Selic, tornando a velha e tradicional caderneta de poupança mais atraente do que muitas aplicações financeiras.

A portabilidade ocorre sem pagamento de multas ou impostos se a migração for feita dentro do prazo de carência. A legislação determina que a carência não pode ultrapassar 60 dias, prazo adotado pela maior parte das empresas do setor. Ou seja: os recursos devem ficar por pelo menos dois meses aplicados no mesmo administrador. A principal vantagem, que vale para todos os planos de previdência, é a manutenção do incentivo tributário.

O uso da portabilidade, segundo os executivos, tem se dado basicamente pela troca de contas dos clientes entre bancos, por mudança de emprego ou para centralizar as operações bancárias em uma única instituição e, assim, ganhar descontos nas tarifas. José Eduardo Vaz Guimarães, diretor de produtos e mercado da Brasilprev, informa que 45% dos clientes que usam a portabilidade buscam concentrar recursos em uma ou duas instituições. A busca por melhores taxas representa 35% da portabilidade registrada pela Brasilprev.

Edson Franco, diretor de previdência do Santander, não acredita num cenário de guerra de preços para conquistar o cliente de previdência. “O relacionamento de longo prazo conta pontos. A portabilidade é mais uma ferramenta de gestão entre as entidades do que um estímulo à redução de tarifas apenas pela concorrência, sem bases técnicas.”

A Icatu Hartford e a HSBC Seguros registraram considerável aumento no volume de portabilidade no quarto trimestre do ano passado, em razão do agravamento da crise. “Foi um período tumultuado para todo o mercado, mas que já retomou para níveis de normalidade neste ano”, diz Luciano Snel, diretor de produtos da Icatu. “Muitos clientes optaram por portar recursos para bancos federais”, acrescenta Edson Lara, do HSBC.

Na Bradesco Previdência e Vida o volume de portabilidade se manteve dentro da normalidade, diz Rossi. A Brasilprev foi beneficiada pela crise, também por contar pontos o fato de ter como um dos principais acionistas o Banco do Brasil. Segundo Guimarães, de cada R$ 1 que perde, traz R$ 3, segundo cálculos baseados no primeiro quadrimestre deste ano.

“É importante levar em consideração pontos técnicos antes de optar, para não perder vantagens que podem estar embutidas numa palavra complicada, como tábua atuarial”, alerta Snel. Ela é que vai determinar a taxa que será cobrada quando o patrimônio do fundo aberto for transformado em renda

*Matéria feita com exclusividade para o suplemento “Portabilidade”, veiculado no jornal Valor Econômico

 

 

Busca por melhores taxas estimulam portabilidade*

Por Denise Bueno em 29/06/2009

As instituições financeiras estão em busca de serviços que atendam a um perfil de consumidor diferente do passado, que depositava todas as fichas no relacionamento com o velho e bom gerente do banco.
Hoje, o relacionamento é praticamente virtual. O que conta pontos na hora da escolha são os históricos de desempenho de rentabilidade, os custos e informações transparentes para que o cliente possa avaliar a solidez da instituição frente à mais grave crise financeira do século.

Esse novo perfil de cliente traz mudanças significativas para as empresas. Segundo uma pesquisa realizada pela Mercer, uma das principais consultorias de previdência do mundo, 95% das pessoas sacam 100% dos recursos acumulados quando se aposentam. O que deixa subentendido que o dinheiro terá um uso imediato.

O maior índice de pessoas que portam os recursos previdenciários, no entanto, está na faixa etária de até 25 anos. “Isso prova que vem aí uma nova geração, diferente da anterior, que pouco teve acesso à educação financeira e por isso tem dificuldades de buscar e entender os produtos financeiros”, Carolina Wanderley, consultora da Mercer.

Yvo Prado, superintendente de produto da corretora Pamcary, 48 anos, faz parte de uma geração que cresceu sem educação financeira, mas que aprendeu a buscar informações para evitar as perdas registradas pela geração de seus pais. Comprou um plano de previdência para garantir um futuro melhor na aposentadoria. Optou por fazer a aplicação em um PGBL para ter o incentivo fiscal do abatimento de 12% da renda bruta na declaração completa do Imposto de Renda no Bradesco, onde centraliza sua rotina bancária.

Cinco anos depois da compra do plano, ao ler a edição da revista “Valor Invest” com o ranking dos fundos de previdência, percebeu que a sua poupança estava aplicada em um plano com apenas duas estrelas. “Quando comecei a analisar, vi que pagava taxas elevadas e ainda tinha uma rentabilidade menor do que a média”, conta. Foi até a agência para negociar com o gerente, com a revista em punho. “Ele me disse que era assim mesmo e não poderia mudar as características do produto.”

Os gerentes têm, efetivamente, pouca flexibilidade para negociar. O produto é aprovado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), o órgão regulador, e proíbe a mudança das características. “A taxa de administração não pode ser mudada, mas podemos negociar a taxa de carregamento”, explica Edson Lara, gerente de produtos do HSBC Seguros.

Prado decidiu ir ao Banco do Brasil para aplicar num plano da Brasilprev. “Nunca imaginei que fosse tão simples. Apenas assinei um papel que o gerente do banco me trouxe e recebo em casa um boleto que pago pela internet para fazer o aporte mensal. Se quiser fazer um depósito único, consultar saldos e taxas, acesso o portal na web”, conta.

*Matéria feita com exclusividade para o suplemento “Portabilidade” do jornal Valor Econômico

 

 

Uma tempestade ameaça a aposentadoria mundial

Por Denise Bueno em 17/06/2009

42-21521821Há uma grande tempestade sobre a aposentadoria mundial. Se nada for feito, os efeitos serão devastadores no futuro. Esta é uma das conclusões da pesquisa “O Futuro da Aposentadoria, Tempo de se Planejar”, divulgada pelo HSBC. Segundo Clive Bannister, diretor mundial de seguros do HSBC, esta tempestade vem se formando nos últimos anos e foi agravada pela crise financeira.

“A mudança demográfica, com o aumento da expectativa de vida e queda nas taxas de natalidade, a redução dos benefícios por parte de governos e de empresas, a queda nos rendimentos dos fundos dificultando o acréscimo do patrimônio acumulado, a interrupção dos depósitos por parte de empresas e indivíduos na poupança previdenciária em razão dos efeitos da crise são fatores que certamente podem comprometer o futuro da sociedade”, diz o executivo em mensagem gravada em vídeo e apresentada no lançamento da quinta edição do estudo.

“A sociedade vai ser melhor se criar o hábito de poupar”, reforça Fernando Moreira, presidente da HSBC no Brasil, durante o evento. “E poupar não é um fato conjuntural, ter ou não dinheiro. É cultural”, afirma, citando o exemplo dos chineses, que poupam, independentemente da faixa salarial, uma média de 30% da renda mensal. Já os americanos não poupam. Os europeus estão na média de 20% e os brasileiros por volta de 7%.

Segundo ele, o grande desafio para as empresas de previdência e governo é o investimento em educação financeira. Qual a idade de se aposentar com o efeito da longevidade? Quanto de reservas as empresas, os governos e as pessoas precisam fazer para ter uma sociedade saudável? E ao fazer a poupança previdenciária, onde aplicá-la, de forma a ter recursos para viver uma vida saudável na melhor idade?

A quinta edição do estudo, que ouviu 14 mil pessoas de 15 países, de 30 a 70 anos, sendo 1 mil pessoas entrevistadas no Brasil, relatou que, apesar do envelhecimento mundial da população, há uma imensa falta de preparação das pessoas em relação ao seu futuro, em muitos casos, como no Brasil, observado principalmente como conseqüência do baixo nível de compreensão de suas finanças atuais e de como estas poderão vir a ser no futuro. Um dado alarmante: 94% não estão preparados para o futuro. Apenas 6% dos brasileiros acreditam estar bem preparados para aposentadoria, enquanto são 13% no mundo.

Cerca de 35% dos brasileiros acreditam entender bem suas finanças de curto prazo, contra o dado mundial de 45%. Dois terços dos brasileiros (63%) nunca tiveram nenhuma forma de consultoria financeira profissional, acima da média mundial de 47%.

A crise econômica trouxe riscos para o futuro em termos de aposentadoria. Segundo a pesquisa, a turbulência afetou as finanças de 92% dos entrevistados, seja pela perda de emprego, por prejuízos em investimentos ou mesmo para pagamento antecipado de dívidas por não saber se perderá a renda com a nova modelagem mundial desenhada com a desaceleração da economia. Isso faz com que 19% afirmem que não vão se aposentar com a renda que pretendiam e outros 10% estão certos de que terão de trabalhar mais tempo para repor os recursos necessários no fundo para arcar com os custos necessários na aposentadoria.

Especialmente no Brasil, a queda da taxa básica de juros da economia requer uma revisão das taxas cobradas em fundos de acumulação de recursos, que hoje perdem para a mais tradicional das aplicações, a caderneta de poupança. Nos primeiros sete dias úteis de junho, a poupança somou R$ 2 bilhões em novos depósitos, já descontados os saques, segundo o Banco Central. O volume é maior que toda a captação líquida de maio, quando os depósitos somaram R$ 1,8 bilhão.

Com retorno menor, os fundos DI perderam R$ 2,2 bilhões, e os de renda fixa, R$ 1,7 bilhão nos primeiros sete dias úteis do mês, segundo a Anbid. “Há uma agenda de negociações com o governo para que as instituições adequarem seus custos a nova realidade de taxas de juros de um dígito e também de estímulos fiscais para quem quer poupar”, diz Moreira.

O incentivo fiscal é um pedido de boa parte dos entrevistados, como estímulo para organizarem suas poupanças individuais, uma vez que governos e empresas reduzem os benefícios concedidos. Cerca de 40% dos brasileiros são favoráveis ao encorajamento de poupança privada por meio de isenções fiscais, contra o dado global de 31%. Apenas 3% são a favor de aumento de impostos para pagar por melhores aposentadorias/ pensões sociais, bem menor que a média global de 13%. Pouco mais de 9% dos brasileiros são a favor de aumentar a idade limite da aposentadoria e apoiar as pessoas a trabalhar por mais tempo, quase metade da média global de 16%.

Quando o tema é a crise financeira, os brasileiros se mostram mais otimistas e os japoneses revelam o lado conservador de sua cultura. Embora o FMI espere que o Brasil permaneça em recessão durante 2009 e meados de 2010, 45% dos brasileiros esperam que a desaceleração deverá durar menos de 12 meses. Globalmente este percentual cai para 29%. No Japão, o índice dos que acreditam que a crise dura mais do que 12 meses supera 50%.

Muitos consideraram, no entanto, que a desaceleração deverá continuar a afetar-lhes por um tempo, mesmo depois de ter acabado, refletindo suas conseqüências no mercado de trabalho, no rendimento das poupanças e investimentos. Neste cenário, as famílias estão reduzindo despesas com grandes e pequenas compras e também pagando suas dívidas. Inclusive, a questão das dívidas é um tema forte para os brasileiros. 23% dos entrevistados a escolheram como um potencial obstáculo para economizar (em comparação com 18% a nível mundial). Outros 22% dizem que gostariam de procurar aconselhamento financeiro para ajudá-los a fazer escolhas melhores.

“A longevidade é um fato, o que resulta numa grande necessidade de incentivar a educação financeira na vida do brasileiro desde cedo. Somente com informação e planejamento, as pessoas poderão ter qualidade de vida na aposentadoria”, diz o presidente da HSBC Seguros. Segundo Moreira, o Brasil se defronta com uma sociedade em envelhecimento. “Neste cenário, vemos os indivíduos adquirindo mais necessidade de se responsabilizar pelo financiamento de sua aposentadoria, dado que a confiança de que os governos são capazes de cumprir com essa obrigação é baixa”.

A pesquisa conclui que como estratégia de sobrevivência à crise econômica, as pessoas focaram em reduzir suas despesas e dívidas. Como forma de solucionar a questão, o primeiro passo é a necessidade imediata de revisão das finanças pessoais e, principalmente, do aumento do acesso à educação financeira e ao aconselhamento profissional. “Cabe às instituições financeiras e ao governo estimular que as pessoas poupem para que tenhamos uma sociedade saudável no futuro”, finaliza Fernando Moreira.

 

 

Bradesco mantém previsão de crescer 10% no ano

Por Denise Bueno em 02/06/2009

images1A Bradesco Seguros e Previdência prevê manter o ritmo de crescimento de 10% neste ano, o que a levará, se confirmado, encerrar 2009 com faturamento próximo de R$ 24,5 bilhões tendo como base os R$ 22 bilhões registrados em 2008. Tal desempenho, em um cenário de crise, com previsão de estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, será sustentado pela venda de produtos para as classes de menor renda.

“Há uma maior cultura de seguros no País, que ainda exibe um percentual muito aquém dos países desenvolvidos em relação ao PIB, de 3,5% para uma média de 9%”, disse Marco Antonio Rossi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência, durante coletiva concedida aos jornalistas no II Fórum de Riscos, promovido ontem em São Paulo.

Segundo ele, a demanda por seguros e previdência continua aquecida mesmo com os sinais de enfraquecimento da economia. “Registramos crescimento em praticamente todos os nichos de negócios”.

Já o banco Bradesco revisou para baixo o crescimento do crédito. Antes previsto para evoluir entre 12% e 17%, Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do banco, estima um avanço de 10% para este ano. Na semana passada, o banco anunciou prazos maiores e taxas menores para incentivar os financiamentos. A inadimplência, disse, está em patamares aceitáveis.

Rossi informou que a crise pouco afetou a atividade de seguros e previdência. Pelo contrário. A carteira de automóvel foi beneficiada pela redução do IPI. Um dos temores dos executivos do setor é do aumento da criminalidade, típico em épocas de crise. Mas até agora, segundo ele, os indicadores do grupo segurador não apresentaram alterações significativas.

A segunda edição do Forum de Risco debateu os riscos a que o planeta e a sociedade estão expostos. Sérgio Besserman Vianna, Presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento
Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro e Conselheiro do WWF Brasil, proferiu a palestra “Riscos que o planeta e a sociedade estão sujeitos”. Ele fez comentários que levaram a platéia a refletir sobre os diversos riscos a que todos estão expostos, desde a interrupçao dos negócios por catástrofes agravadas pelas mudanças climáticas até pela alteração no hábito do consumidor ao optar por emitir menos CO2 em suas atitudes cotidianas.

“Se todos fizerem a sua parte e mais um pouco, a previsão é de que daqui a 100 anos o aquecimento global suba três graus, o que seria suficiente para mudar toda a realidade que vivemos hoje. Uma mudança mais radical do que a trazida pela informática. Se não fizermos a nossa parte, a situação é alarmante, com um grande risco para a civilização”,

Ele citou um exemplo pitoresco para ilustrar os riscos a que todos estão expostos. “Boa parte da emissão de carbono feita pelos homens é para agradar as mulheres”, disse o irmão do humorista Bussunda, falecido no ano passado. Segundo ele, uma boa mudança para reduzir a emissão de carbono poderia vir do comportamento feminino.

“Quando tivermos um jovem num carro de ultima geração de um lado e um outro com um notebook, equipado com toda a coleção de Eça de Queiroz e este ultimo fizer mais sucesso com as mulheres do que o primeiro, com certeza o padrão de consumo da população mudará completamente e com ele toda a cadeia de negócios”.

Segundo Rossi, a indústria de seguros tem acompanhado a tendência de mudança de habito da população, assim como ofertado produtos adequados a nova realidade de riscos criada com as mudanças climáticas. “Temos produtos para proteger o cidadão de praticamente todos os riscos da vida moderna, que vão desde os de mudanças climáticas, como os que afetam a saúde até as conseqüências de longevidade”.

*matéria da autora feita com exclusividade para o site www.viverseguro.org.br

 

 

Em busca do poupador da caderneta*

Por Denise Bueno em 29/05/2009

images7O anúncio de que o governo realmente vai mudar a forma de calcular o rendimento da velha caderneta de poupança criou um clima de grande expectativa entre as empresas de previdência privada aberta. A grande questão é como atrair a atenção dos investidores que questionam mudar o perfil de investimento diante das mudanças. Afinal, a caderneta totalizou em abril deste ano patrimônio superior a R$ 270 bilhões. Quase o dobro do volume depositado em fundos de previdência aberta, com pouco mais de R$ 140 bilhões.

“A previdência aberta é o melhor investimento de longo prazo do Brasil em razão dos benefícios fiscais que o governo concede”, dispara Osvaldo do Nascimento, diretor de previdência do Itaú Unibanco (foto). “Quem sabe usar o benefício concedido pelo governo ganha dinheiro. Mas é preciso se planejar. Se sacar antes pode perder a vantagem fiscal”, acrescenta o especialista no assunto.

O ciclo de queda da taxa básica de juro da economia, com a Selic em 10,25% em abril, acabou tornando a caderneta de poupança mais rentável que algumas aplicações financeiras de renda fixa. Para que o produto continue voltado para o pequeno investidor, os bancos teriam de baixar as taxas cobradas nos fundos de investimentos para evitar saques de investidores de fundos de investimentos migrando para a poupança. Outra saída é o governo alterar a forma de cálculo do rendimento, que atualmente rende a Taxa Referencial mais 6% ao ano. Em abril, por exemplo, a poupança rendeu 0,55%, empatando com fundos de renda fixa.

De um lado os bancos sem ânimo para baixar as taxas que remuneram a administração dos recursos dos fundos. De outro o governo temeroso de que os principais compradores de títulos públicos, os fundos, deixem de aplicar nos papéis do governo, que rendem em média 11% ao ano, para ter um rendimento maior na caderneta de poupança. Deste rendimento, o banco cobra uma taxa de administração e o governo imposto de renda. A poupança, isenta de taxas e imposto, totaliza, em média, 7% ano ano. Ou seja, dependendo das taxas cobradas a rentabilidade da poupança pode superar a dos fundos.

Segundo cálculos de consultores, um fundo de investimento em renda fixa, com ativos aplicados por mais de um ano para considerar tributação de 20% de imposto de renda, com taxa de administração de 1,5% já começa a apresentar uma rentabilidade líquida igual a da tradicional caderneta. Os fundos de previdência para pequenas quantias costumam cobrar taxas de administração entre 1,5% e 2,5% ao ano sobre o patrimônio e também cobram a taxa de carregamento sobre os aportes.

A vantagem dos produtos vendidos pelas empresas de previdência, PGBL e VGBL, é o benefício fiscal, argumentam os executivos. “É possível ganhar mais na previdência porque se paga menos imposto. A caderneta não é tributada sobre o ganho, mas tem um rendimento limitado”, diz Nascimento.

Para ilustrar sua afirmação, o executivo usa o exemplo de um pai que quer poupar para a educação do filho. O PGBL permite o abatimento de até 12% da renda bruta na declaração anual completa de imposto de renda. Ou seja, o participante poderá reduzir o valor do imposto a pagar ou aumentar a restituição de IR. Ao aplicar em um VGBL, a cobrança do imposto será sobre o rendimento e não sobre o valor total como no PGBL. Usando a tabela progressiva, é possível recuperar o imposto pago na declaração anual de ajuste caso o jovem ainda esteja fora do limite de renda exigido pela Receita Federal ao ter o abatimento de despesas com educação. “A sofisticação tributária tem um grande efeito para quem a entende”, diz o executivo da Itaú Unibanco.

Além do argumento do incentivo fiscal, as empresas correm atrás de diferenciais para conquistar os clientes da caderneta. As taxas e o valor mínimo dos depósitos mensais são as primeiras iscas. A Caixa Seguros, de olho no pequeno investidor da caderneta de poupança, baixou o valor do depósito mínimo de R$ 50 para R$ 25, informa Juvêncio Braga, diretor de previdência da Caixa. “Nossas taxas também estão sendo realinhadas. Hoje temos taxas de carregamento de 0,7%”.

Na Porto Seguro, o diferencial vem da cobrança da taxa de carregamento feita somente na saída. E se a aplicação superar 60 meses, o custo é zero, informa Silas Kasahaya, gerente comercial de Vida e Previdência da Porto Seguro. Parece um benefício banal, mas não é. No investimento de longo prazo e com juros reais baixos, qualquer ponto percentual faz uma grande diferença.

Uma contribuição de R$ 500 mensal, por exemplo, vai toda para a reserva. Se houvesse cobrança da taxa de carregamento, de 3%, por exemplo, a reserva contaria com R$ 485. Ao final de 20 anos, considerando-se uma taxa de juro de 10% e 1,5% de taxa de administração anual, a reserva será de 296,4 mil. Se considerar a taxa de carregamento, o valor acumulado cairá para R$ 287 mil. Quase R$ 10 mil de diferença.

A Brasilprev, braço de previdência do Banco do Brasil, lançou um simulador para facilitar a compreensão do consumidor sobre o efeito dos juros compostos, ou seja, juros sobre juros. Com poucos cliques o internauta pode saber quanto precisa depositar mensalmente para ter uma poupança no período que desejar. “O sistema mostra qual o plano mais apropriado, bem como o fundo que os recursos serão alocados”, informa em nota o diretor de produtos e mercado da Brasilprev, José Eduardo Vaz Guimarães.

Segundo Edson Franco, diretor de previdência do Santander, uma das vantagens do plano de previdência é a flexibilidade. “É possível interromper a contribuição em um momento de dificuldade e fazer aportes esporádicos quando tiver uma renda extra para seguir o objetivo de acumulação traçado no início do investimento”, diz.

A Icatu Hartford criou um serviço diferenciado para clientes e não clientes. Trata-se do site www.felicidadeinternabruta.com.br. Nele é possível acompanhar dicas de como cuidar bem do bolso, da mente, do corpo e do mundo. Uma delas é investir em alguma coisa que você só vai usar no futuro.

A MetLife lançou um produto que calibra as aplicações de acordo com a idade dos clientes. Quanto mais jovem, maior o percentual investido em ações. E quanto mais próximo de atingir o objetivo, maior é a fatia da renda fixa para que o participante não corra o risco de ter uma baixa dos mercados acionários e ficar sem tempo de recuperar.

Renato Russo, vice-presidente da SulAmérica, e Bento Zanzini, vice-presidente da Mapfre, enumeram outras vantagens das empresas independentes, como a variedade de gestores de recursos, taxas de rentabilidade mais competitivas, custos menores e treinamento do canal de distribuição de produtos. Ambos afirmam investir muito no treinamento dos corretores para que eles sejam consultores financeiros de seus clientes.

A conquista de novos clientes é uma boa oportunidade para os corretores, que ainda evitam o produto. Podem aumenta a receita com a comissão, melhorar o relacionamento com a seguradora e ajudar seus clientes a formarem uma poupança para realizarem projetos no futuro. “Mas a previdência é um bom investimento no longo prazo e para quem usa os benefícios fiscais”, alerta Renato Russo. Para quem tem poucos recursos e corre o risco de precisar sacar no curto prazo, a velha e tradicional caderneta é a mais recomendada.

*Artigo publicado na revista Apólice - Maio 2009

 

 

|