Liberty já conquistou 300 mil clientes em microsseguros na Colômbia

Por Denise Bueno em 10/11/2011

Poucos se arriscam a entrar dentro de uma comunidade, onde vivem milhões de pessoas de baixa renda e que muitas vezes abrigam o centro de comando de quadrilhas especializadas no tráfico de drogas. A Liberty Mutual, umas das maiores seguradoras dos Estados Unidos, é um dos que enfrentou grandes desafios para poder implementar na comunidade de Cali, na Colômbia, um dos projetos sociais mais interessantes do grupo no pais latino.

Trata-se de uma operação de microsseguros, que nesses sete anos já conta com 300 mil clientes protegidos por uma apólice de seguro de vida e acidentes pessoais, criado para garantir o equilíbrio financeiro dos beneficiários, em caso de morte natural ou acidental do titular, ou mesmo da invalidez do próprio segurado, situação que exige um volume significativo de recursos para proporcionar qualidade de vida no núcleo familiar.

O seguro, de US$ 1,60 por mês para garantir indenização de US$ 2 mil, é vendido por meio da oferta realizada em contas de 13 concessionárias de serviços de gás, luz, água e telefone. Além das contas, o produto tem apoio de cerca de 200 pessoas que moram nas comunidades para explicar como funciona o seguro e também atender clientes quando o risco se concretiza, informa José Raul Moreno, gerente nacional de affinity, na Colômbia, presente na 7o Conferencia Internacional de Microsseguros, realizada no Rio de Janeiro nesta semana.

Segundo ele, o principal desafio para se implementar um projeto de microsseguro, com previsão de atingir o ponto de equilíbrio em dois anos, é a falta de cultura da população de menor renda. Também conta pontos na escala de dificuldade a falta de bancarização das classes De E. “Por isso, tão importante quanto criar programas de educação financeira, é treinar as pessoas responsáveis por vender os produtos de forma clara e transparente”, diz Moreno.

Em terceiro lugar, acrescenta, está a busca contínua por redução de custos. “Neste tipo de operação, o que mais importa é criar um ambiente favorável nas comunidades. Porém, num ambiente corporativo, não se pode perder dinheiro. Nossas margens são pequenas, próximas de 2%. A grande recompensa vem do trabalho e do aprendizado que esse projeto traz ao grupo.

A Liberty Brasil investiga oportunidades de atuar em microsseguros. “Não podemos deixar de acompanhar os movimentos de mercado, segundo informou Marcelo Fama, diretor da Liberty Seguros, que esteve presente nos tres dias da conferencia, aprendendo com os especialistas de todo o mundo as experiencias resgistradas nesses 10 anos de surgimento deste segmento da industria de seguros.

Caso decida entrar neste segmento, com publico potencial de 100 milhoes de pessoas nos proximos 20 anos, já conta com a experiencia da subsidiaria da Colombia. “Partilhar conhecimento neste segmento é crucial. Mas com certeza, tudo terá de ser adaptado, pois os produtos podem ser semelhantes, mas as culturas são completamente diferentes”, ressalta Moreno.

 

 

Setor pode ajudar o Brasil a enriquecer antes de envelhecer, diz Delfim Neto

Por Denise Bueno em 15/09/2010

delfimmatéria extraída do site CNSeg www.viverseguro.org.br

A indústria de seguros pode ajudar o Brasil a ficar rico antes de envelhecer. A afirmação é do economista Delfim Neto (foto), que acaba de proferir palestra no V Fórum de Vida e Previdência, promovido pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), nesta manhã, em São Paulo. O número de idosos está aumentando e é preciso que as pessoas preparem reservas para viver no futuro, ainda mais com o bônus da longevidade.

Tanto ele como o economista Marcos Lisboa, do Itaú, ressaltaram o momento único que o Brasil vive hoje, em virtude de construir uma base sólida econômica e social nos últimos anos, segundo informa o blog Sonho Seguro. Este é um momento propício para fazer reservas para o futuro. Segundo Delfim, uma das características do governo Lula foi conseguir reduzir a desigualdade social, o que faz o empresário acreditar que vale a pena investir, e o empregado acreditar em mudança social.

“As maiores crises brasileiras foram causadas por falta de energia ou pela falta de balanço nas contas governamentais. Hoje, temos esses dois itens sob controle, longe de ser um problema nos próximos 15 anos”, aposta Delfim Neto, citando o Pré-sal como uma fonte energética e também de reservas de um país.

Lisboa citou dois dos principais desafios do Brasil – a necessidade de investimentos em infraestrutura e a criação de mecanismos de financiamento, com preços adequados. “É preciso mudar muitas regras existentes hoje para que a iniciativa privada possa viabilizar os recursos necessários para o investimento em infraestrutura que o Brasil necessita”, disse Lisboa. “Veja o custo do transporte no Brasil. Qual o custo Brasil de um caminhão ficar dias para descarregar em um porto?”, indaga. Outro exemplo citado por Lisboa que precisa de revisões é a tributação de itens importantes para apoiar o crescimento econômico, como o custo energético e importação de computadores, por exemplo.

Um dos pontos vitais para este momento de bonança do Brasil é a confiança dos investidores e da sociedade na condução da política e da economia. Questionado pela plateia sobre se algo pode dar errado, Delfim Neto foi categórico: “O Brasil não tem competência para destruir este momento promissor de crescimento previsto para os proximos 15 anos”.

Tão enfático quanto ele foi Lisboa: “Desenvolvimento é um processo. Só há desenvolvimento quando resolvemos um problema e como consequência criamos outros dois. Vamos criar muitos problemas, que são parte integrante desse processo de crescimento. Precisamos entender que os problemas vão surgir e vamos resolver à medida que treinamos uma administração favorável e sustentável”.

Ambos destacaram que o crescimento do Brasil é o resultado da construção da sociedade nos últimos 20 anos. “O que podemos ver é que o crescimento pode ser mais ou menos aproveitado. Alguns setores ou regiões podem crescer mais ou menos, em razão das dificuldades com logística, por exemplo. Mas é um processo progressivo, de pequenas melhoras. Sem chance de alguém fazer com que tudo isso dê errado”, afirma Lisboa.

Em relação à capacidade de elevar a poupança das pessoas diante de um consumo desenfreado, tanto Delfim como Lisboa acreditam ser um desafio do mercado de seguros e previdência, que precisa ter produtos e serviços capazes de educar a sociedade a pensar no futuro e ver vantagens nisso. Não se trata de uma competição com o consumo, mas sim mostrar que poupar é uma questão de hábito.

“As pessoas têm desejos e é isso que motiva o crescimento”, diz Delfim, contando uma conversa com um senhor que comprava geladeira a prazo. “Se o senhor poupar por 24 meses vai se livrar desse juro e pagar menos”. O senhor prestes a fechar o financiamento lhe respondeu. “Sim. Eu sei. Mas quero assistir o jogo do timão com cerveja gelada nesses 24 meses”.

Ou seja, a população vai consumir e também está ávida por poupar, como mostra pesquisa da Fenaprevi, para quem formar reservas para o futuro é a prioridade dos lares brasileiros. Prova disso é que o percentual dos domicílios que planejam poupar era de 29% em 2008 e passou para 44% em 2010.

 

 

MetLife fecha parceria com BPN, do Nordeste

Por Denise Bueno em 13/04/2010

metlife1A MetLife, seguradora especializada em produtos de vida e previdência, anunciou hoje parceria com o BPN, empresa processadora de crédito, promotora de vendas e correspondente bancária, com forte atuação no Nordeste do país, para a venda de seguros de vida e desemprego.

“O ramo de afinidades é uma grande aposta da MetLife para este ano. No final de 2009, investimos mais de 30 milhões de reais neste canal”, informa Robert Craddock, diretor do Canal Bancos e Afinidades da MetLife, em comunicado. Entre os acordos de exclusividade de balcão, acrescenta, a parceria com o BPN trará mais volume de negócios para a companhia.

O acordo prevê a comercialização de dois produtos: cobertura em caso de morte e diagnóstico de doença grave, com opcional de diária por internação hospitalar ou auxílio medicamento, e o seguro para proteção de crédito, com cobertura para morte, invalidez por acidente, desemprego involuntário e incapacidade física total ou temporária, voltado para profissionais liberais.

 

 

Fortis e Tesco se unem e criam seguradora

Por Denise Bueno em 11/09/2009

1199188013otwzji1A seguradora holandesa Fortis anunciou hoje que fechou um acordo milionário para vender seguro de carro e residência com o braço financeiro do grupo Tesco, maior rede de supermercados do Reino Unido. Segundo as agências internacionais, as vendas anuais de seguros aos clientes do Tesco chegam a US$ 800 milhões.

Com a criação de uma nova empresa, com investimentos de US$ 330 milhões, da qual a Fortis é majoritária com 51% do controle, a perspectiva é de que as vendas com a nova parceria deverão crescer ainda mais. A boa notícia para o Reino Unido, que exibe um elevado índice de desemprego, é a criação de 1,5 mil postos de trabalho.

A comercialização de seguro por meio de canais alternativos de venda tem sido um alvo das seguaradoras em todo o mundo como uma forma de aumentar as vendas e reduzir custos. Após a crise, esta alternativa se tornou ainda mais procurada, uma vez que as empresas parceiras, principalmente as varejistas, obtém um forte incremento nas receitas financeiras com a comissão que recebem por ceder o balcão às seguradoras.

No Brasil esta estratégia já está consolidada. O que se vê atualmente é mais a troca de parceiros do que a conquista de novos clientes. O Magazine Luiza, por exemplo, abriu uma seguradora em parceria com a Cardif. Já redes como Casas Bahia optaram por fechar acordos com várias seguradoras. A Renner partiu para uma parceria mais exclusiva com a Porto Seguro para ter um controle maior da operação.

 

 

Apólice para torcedor de futebol*

Por Denise Bueno em 04/06/2007

A Marsh Corretora de Seguros, subsidiária do grupo Marsh McLennan, dono de uma das maiores corretoras de seguros do mundo, fez mais um lançamento de produto com a Ampla Energia e Serviços, concessionária de energia do Rio de Janeiro, que cobre 70% do estado O apelo é o futebol. Segundo Daniela Mello César, gerente de massificados da Marsh, responsável pela conta da Ampla, empresa do grupo Endesa, cuja conta mundial de seguros é administrada pela Marsh, foi feita uma pesquisa que identificou a demanda dos clientes por produtos com apelo esportivo.

O produto “Gol de Craque” foi lançado em março deste ano em parceria com a ACE Seguradora. Trata-se de um seguro de acidente pessoal, com custo de R$ 6,90 por mês e indenização de R$ 15 mil para morte e invalidez. O charme e maior apelo do produto é que ele oferece uma assistência ao torcedor, com suporte para compra ou reserva de ingresso, divulgação de resultado dos jogos, indicação de lojas de artigos esportivos, organização de transporte até o estádio, com custo por conta do segurado, reserva de hotel quando o jogo for em outra cidade entre outros.

Além disso, há oito sorteios por mês, sendo quatro de R$ 10 mil cada um e quatro onde são sorteadas camisas oficiais dos times. “O apelo da assistência ajudou a vender 9 mil apólices desde o lançamento”, contou.

São agora oito produtos administrados pela Marsh na base da Ampla nestes três anos de parceria em massificados, com 143 mil itens segurados no final de 2006. “Temos um universo de 2,3 milhões de clientes para explorar”, disse.

A pesquisa também mostrou a necessidade de desmembrar os produtos, pois os clientes querem coberturas específicas. Uma das coberturas mais solicitadas foi a de assistência residencial, uma novidade em seguros de afinidades, que excluem tal serviço para baratear o produto e simplificar a administração.

A principal parceira da Marsh em afinidades é a ACE, com cinco produtos: residência e empresas, vida, assistência funeral, vale supermercado e agora futebol. A Unibanco AIG tem duas apólices de residência com coberturas entre R$ 30 mil e R$ 60 mil. A Liberty oferece um seguro de casa, com importância segurada de R$ 10 mil, pois a assistência 24 horas, com serviços de check-up Lar, é o principal apelo de venda.

O check-up lar pode ser usado pelo segurado uma vez por ano. Nele é possível fazer uma vistoria na residência e ter serviços como instalar prateleiras, olho mágico, trocar as lâmpadas entre outros. O cliente paga só pelo material utilizado no reparo, ficando o custo dos serviços por conta da seguradora.

A estratégia da Marsh em afinidades, onde tem três clientes em energia, dois em varejo e dois em esporte, é ser multiprodutos e multicanais. “E estamos acertando, pois o faturamento de massificados era 5% há cinco anos e hoje já chega a 20%. A meta é chegar em 25% no final deste ano”, disse.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 04/06/2007

 

 

Renner, a última noiva do setor

Por Denise Bueno em 10/10/2006

ACE, Assurant, Cardif, Chubb, Porto e Mapfre, diputam o direito de vender apólices nas lojas. A quase centenária Lojas Renner era praticamente a última grande noiva do varejo assediada pelo mercado de seguros. Em dois meses de negociações, iniciadas com 35 segu-radoras, restaram cinco pretendentes: ACE, Assurant, Cardif, Chubb e Mapfre.

O casamento será, segundo a aposta de vários executivos entrevistados por este jornal, com a ACE, uma das mais antigas nesse segmento no Brasil e que tem clientes de peso na área de energia, como a CPFL. No entanto, como havia um peso menor para as seguradoras com negócios com C&A, até agora o “case” de maior sucesso do setor, onde a ACE atua com proteção financeira, e com a Riachuelo, atendida pela Zurich, alguns apostaram suas fichas na Mapfre, que tem investido muito no Brasil para acelerar seu crescimento, e na Chubb.

O anúncio oficial está previsto para ser feito a qualquer momento pela Renner, uma das poucas varejistas listadas no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), para que a vencedora tenha tempo de começar 2007 com os produtos nas 75 lojas do grupo gaúcho. Só em São Paulo são 27 pontos de vendas, 13 no Rio Grande do Sul, 8 no Rio de Janeiro, entre outros.

Foi uma disputa tensa, pois havia apetite dos dois lados. As seguradoras precisam aumentar a base de clientes para diluir custos e enfrentar a queda nas taxas de juros, de onde tiram a maior parcela do resultado da companhia. No caso das finalistas, a parceria é fundamental para enfrentar a concorrência das seguradoras ligadas a bancos, onde dispõem da rede de agências para vender. De outro o setor de varejo, que vem operando com margens apertadas, e tem tido na venda de seguros um bom lucro, segundo demostram os balanços de algumas redes na linha de equivalência patrimonial ou receita de serviços financeiros.

O dote, ou seja, o bônus, valor que a seguradora deve pagar antecipadamente à Renner para ter acesso ao balcão de vendas por cinco anos, chegou a variar entre R$ 15 milhões e R$ 6 milhões, e mesmo assim, segundo executivos, estava abaixo da expectativa da Renner. Os produtos a serem ofertados são: residencial, perda e roubo de cartão, prestamista, desemprego, vida e acidente pessoal, além do educacional.

O que desvalorizou um pouco esse bônus foi a Renner ainda não ter um cartão de crédito. Tem apenas um cartão de afinidades, com uma base ativa de 3,2 milhões. Como os contratos de seguros geralmente são anuais, esse fato pesou. “O risco do cliente parar de pagar o seguro quando quitar o saldo devedor é muito grande”, disse uma das fontes.

Outro custo que teve uma grande variação, informaram, foi o investimento em marketing, treinamento e call center, que fica a cargo da seguradora. Essa é uma grande preocupação das lojas de varejo, para que o cliente não tenha problemas com o seguro e o associe com a marca da loja.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Lojas Renner não confirma as informações e informa que o processo de escolha da empresa parceira está sendo finalizado e, em virtude de o contrato não ter sido assinado, quaisquer informações neste momento não passam de especulação. A empresa não se manifestará até a assinatura do respectivo contrato.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil

 

 

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