Fortis e Tesco se unem e criam seguradora
Por Denise Bueno em 11/09/2009
A seguradora holandesa Fortis anunciou hoje que fechou um acordo milionário para vender seguro de carro e residência com o braço financeiro do grupo Tesco, maior rede de supermercados do Reino Unido. Segundo as agências internacionais, as vendas anuais de seguros aos clientes do Tesco chegam a US$ 800 milhões.
Com a criação de uma nova empresa, com investimentos de US$ 330 milhões, da qual a Fortis é majoritária com 51% do controle, a perspectiva é de que as vendas com a nova parceria deverão crescer ainda mais. A boa notícia para o Reino Unido, que exibe um elevado índice de desemprego, é a criação de 1,5 mil postos de trabalho.
A comercialização de seguro por meio de canais alternativos de venda tem sido um alvo das seguaradoras em todo o mundo como uma forma de aumentar as vendas e reduzir custos. Após a crise, esta alternativa se tornou ainda mais procurada, uma vez que as empresas parceiras, principalmente as varejistas, obtém um forte incremento nas receitas financeiras com a comissão que recebem por ceder o balcão às seguradoras.
No Brasil esta estratégia já está consolidada. O que se vê atualmente é mais a troca de parceiros do que a conquista de novos clientes. O Magazine Luiza, por exemplo, abriu uma seguradora em parceria com a Cardif. Já redes como Casas Bahia optaram por fechar acordos com várias seguradoras. A Renner partiu para uma parceria mais exclusiva com a Porto Seguro para ter um controle maior da operação.
Apólice para torcedor de futebol*
Por Denise Bueno em 04/06/2007
A Marsh Corretora de Seguros, subsidiária do grupo Marsh McLennan, dono de uma das maiores corretoras de seguros do mundo, fez mais um lançamento de produto com a Ampla Energia e Serviços, concessionária de energia do Rio de Janeiro, que cobre 70% do estado O apelo é o futebol. Segundo Daniela Mello César, gerente de massificados da Marsh, responsável pela conta da Ampla, empresa do grupo Endesa, cuja conta mundial de seguros é administrada pela Marsh, foi feita uma pesquisa que identificou a demanda dos clientes por produtos com apelo esportivo.
O produto “Gol de Craque” foi lançado em março deste ano em parceria com a ACE Seguradora. Trata-se de um seguro de acidente pessoal, com custo de R$ 6,90 por mês e indenização de R$ 15 mil para morte e invalidez. O charme e maior apelo do produto é que ele oferece uma assistência ao torcedor, com suporte para compra ou reserva de ingresso, divulgação de resultado dos jogos, indicação de lojas de artigos esportivos, organização de transporte até o estádio, com custo por conta do segurado, reserva de hotel quando o jogo for em outra cidade entre outros.
Além disso, há oito sorteios por mês, sendo quatro de R$ 10 mil cada um e quatro onde são sorteadas camisas oficiais dos times. “O apelo da assistência ajudou a vender 9 mil apólices desde o lançamento”, contou.
São agora oito produtos administrados pela Marsh na base da Ampla nestes três anos de parceria em massificados, com 143 mil itens segurados no final de 2006. “Temos um universo de 2,3 milhões de clientes para explorar”, disse.
A pesquisa também mostrou a necessidade de desmembrar os produtos, pois os clientes querem coberturas específicas. Uma das coberturas mais solicitadas foi a de assistência residencial, uma novidade em seguros de afinidades, que excluem tal serviço para baratear o produto e simplificar a administração.
A principal parceira da Marsh em afinidades é a ACE, com cinco produtos: residência e empresas, vida, assistência funeral, vale supermercado e agora futebol. A Unibanco AIG tem duas apólices de residência com coberturas entre R$ 30 mil e R$ 60 mil. A Liberty oferece um seguro de casa, com importância segurada de R$ 10 mil, pois a assistência 24 horas, com serviços de check-up Lar, é o principal apelo de venda.
O check-up lar pode ser usado pelo segurado uma vez por ano. Nele é possível fazer uma vistoria na residência e ter serviços como instalar prateleiras, olho mágico, trocar as lâmpadas entre outros. O cliente paga só pelo material utilizado no reparo, ficando o custo dos serviços por conta da seguradora.
A estratégia da Marsh em afinidades, onde tem três clientes em energia, dois em varejo e dois em esporte, é ser multiprodutos e multicanais. “E estamos acertando, pois o faturamento de massificados era 5% há cinco anos e hoje já chega a 20%. A meta é chegar em 25% no final deste ano”, disse.
*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 04/06/2007
Renner, a última noiva do setor
Por Denise Bueno em 10/10/2006
ACE, Assurant, Cardif, Chubb, Porto e Mapfre, diputam o direito de vender apólices nas lojas. A quase centenária Lojas Renner era praticamente a última grande noiva do varejo assediada pelo mercado de seguros. Em dois meses de negociações, iniciadas com 35 segu-radoras, restaram cinco pretendentes: ACE, Assurant, Cardif, Chubb e Mapfre.
O casamento será, segundo a aposta de vários executivos entrevistados por este jornal, com a ACE, uma das mais antigas nesse segmento no Brasil e que tem clientes de peso na área de energia, como a CPFL. No entanto, como havia um peso menor para as seguradoras com negócios com C&A, até agora o “case” de maior sucesso do setor, onde a ACE atua com proteção financeira, e com a Riachuelo, atendida pela Zurich, alguns apostaram suas fichas na Mapfre, que tem investido muito no Brasil para acelerar seu crescimento, e na Chubb.
O anúncio oficial está previsto para ser feito a qualquer momento pela Renner, uma das poucas varejistas listadas no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), para que a vencedora tenha tempo de começar 2007 com os produtos nas 75 lojas do grupo gaúcho. Só em São Paulo são 27 pontos de vendas, 13 no Rio Grande do Sul, 8 no Rio de Janeiro, entre outros.
Foi uma disputa tensa, pois havia apetite dos dois lados. As seguradoras precisam aumentar a base de clientes para diluir custos e enfrentar a queda nas taxas de juros, de onde tiram a maior parcela do resultado da companhia. No caso das finalistas, a parceria é fundamental para enfrentar a concorrência das seguradoras ligadas a bancos, onde dispõem da rede de agências para vender. De outro o setor de varejo, que vem operando com margens apertadas, e tem tido na venda de seguros um bom lucro, segundo demostram os balanços de algumas redes na linha de equivalência patrimonial ou receita de serviços financeiros.
O dote, ou seja, o bônus, valor que a seguradora deve pagar antecipadamente à Renner para ter acesso ao balcão de vendas por cinco anos, chegou a variar entre R$ 15 milhões e R$ 6 milhões, e mesmo assim, segundo executivos, estava abaixo da expectativa da Renner. Os produtos a serem ofertados são: residencial, perda e roubo de cartão, prestamista, desemprego, vida e acidente pessoal, além do educacional.
O que desvalorizou um pouco esse bônus foi a Renner ainda não ter um cartão de crédito. Tem apenas um cartão de afinidades, com uma base ativa de 3,2 milhões. Como os contratos de seguros geralmente são anuais, esse fato pesou. “O risco do cliente parar de pagar o seguro quando quitar o saldo devedor é muito grande”, disse uma das fontes.
Outro custo que teve uma grande variação, informaram, foi o investimento em marketing, treinamento e call center, que fica a cargo da seguradora. Essa é uma grande preocupação das lojas de varejo, para que o cliente não tenha problemas com o seguro e o associe com a marca da loja.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Lojas Renner não confirma as informações e informa que o processo de escolha da empresa parceira está sendo finalizado e, em virtude de o contrato não ter sido assinado, quaisquer informações neste momento não passam de especulação. A empresa não se manifestará até a assinatura do respectivo contrato.
*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil
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