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Estudo classifica seguradoras de “zumbis digitais” a “smart killers”

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Zumbis digitais, marciais, sobreviventes eternos, wannabes, presas futuras e smart killers. Assim foram definidas as seguradoras no estudo  “Transformação Digital no Setor de Seguros”,  da DOM Strategy Partners, divulgado pela E-Consulting. Pelo que acompanho diariamente do mercado segurador, concordo com boa parte do que o estudo revela.

O nome insurtech, empresas de tecnologia voltadas a seguros,  é o que move o mercado segurador atualmente. Vários empreendedores querem explorar o imenso potencial para vender produtos interessantes por um custo menor. A oferta das novatas ainda é muito restrita, mas cresce dia a dia.  A quarta edição do InsurTech Briefing produzido pela corretora Willis Towers Watson mostra que  os investimentos em insurtechs totalizaram  US$ 2,3 bilhões em 2017, alta de 36% em relação a US$ 1,7 bilhão registrado em 2016.

A origem das insurtechs é variada. Umas surgem  de projetos desenvolvidos dentro de seguradoras tradicionais. Outras são frutos de investimento de diretores de seguradoras tradicionais que percebem que o movimento digital veio para ficar, mas a estratégia da companhia onde estão ainda é focada no modelo de negócio tradicional. Outras insurtechs nascem da aposta de executivos do setor que foram demitidos em função do enxugamento de cargos que o mercado segurador vem promovendo fortemente desde o final de 2016. Com menos cargos de alto escalão disponíveis, se juntam a investidores e prometem muitas novidades ainda em 2018.

As premissas trazidas pelo estudo já foram absorvidas pelos CEOs das companhias. Todos concordam que o futuro do setor de seguro será cada vez mais digital e os concorrentes tradicionais ou em novos formatos procurarão liderar esse processo de migração. De preferência, em parceria com o corretor de seguros. Como mostram a segunda e terceira premissas do estudo, os seguros serão cada vez mais digitais em formato e distribuição e os clientes atuais e futuros estarão cada vez mais online, ativos em comunidades e integrados em diversos equipamentos móveis, como celular, relógios e outros conectores convergentes e colaborativos.

A quarta premissa do estudo da Strategy é o relacionamento multicanal entre os stakeholders, com clientes, corretores e funcionários. E, por fim, a convergência de tudo que está online sendo usado para negociar, com uso das informações tratadas para fazer ofertas assertivas para cada cliente.

É este estágio final que as seguradoras buscam incessantemente. Enquanto estudos no Brasil mostram que menos de 10% das vendas de seguros são feitas de forma digital, na Inglaterra, por exemplo, mais de 60% dos contratos são fechados na palma da mão, pelo celular, com a ajuda de plataformas que se auto denominam agregadores. O estudo classifica as startups de segurados em 14 grupos distintos:

•Automotivo
•Benefícios aos Colaboradores
•Institucional / Comercial
•Saúde
•DataAnalisys
•Gerenciamento do cliente
•Marketplace
•Educação
•Infraestrutura
•Aquisição de Usuário
•Vida, Residencial, P&C
•P2P
• Resseguro
• Produto
A principal opção de negócios até agora é de plataformas de vendas, ou marketplace, que traz ao consumidor a liberdade de cotar preços e escolher aquele que mais lhe convém. Mas já é um começo para quem ficou anos refém de preços controlados por meia dúzia de grandes companhias. Tantas ofertas, no entanto, preocupam órgãos reguladores. Enquanto a regulamentação das startups financeiras é estudada no mundo, com o uso de “sandbox” (startups atuam dentro caixas de areia com risco controlado), o consumidor se autoprotege. Boa parte sabe que o menor preço pode estar atrelado a poucas garantias. Se cerca de cuidados, como dicas do seu corretor, pesquisa no Google para ver o que a pesquisa mostra da empresa e também consulta sites como o Reclame Aqui, que pontua as companhias por queixas e soluções dadas aos casos registrados.

Já as seguradoras, boa parte das tradicionais têm o mesmo discurso: fazer tudo em parceria com o corretor que está disposto a colocar o cliente como foco e ponderar bem onde aplicar os suados reais ganhos com a operação neste período de recessão. Algumas ainda estão na categoria “tradicional”, com o relacionamento focado no corretor.

As  “seguradora web” subiram um degrau e usam a tecnologia para aspectos como institucional, relacionamento e comunicação online. A categoria “seguradora físico digital” é para aquelas que agregam também a característica de ser multicanais, com transações sem papel em ofertas específicas de algum tipo de produto para um segmento único.

Já a “seguradora digital” conta com mais conveniências: trabalha com inteligência artificial, usa analitycs, algoritmos e oferece auto serviço.  O estudo cita algumas companhias numa categoria entendida como “ruptura”, que ainda flutuam num vácuo sem saber ao certo o que serão, mas caminhando para ser um seguradora individual.

São as que mais crescem hoje nos Estados Unidos e alguns países da Europa e China. São startups que ficam tão grandes que acabam se transformando em segurodoras individuais, num modelo diferenciado, atuando quase como corretores. Aceitam o risco, mas o repassam quase todo para resseguradoras.

Dai a explicação sobre o grande peso das resseguradoras em programas de aceleração de startups. Segundo o estudo da Willis, as quatro empresas citadas como as mais inovadoras são Munique Re, Lemonade, AXA e Swiss Re. Elas variam em tamanho de centenas de milhões para mais de US$ 30 bilhões, representam produtos de linhas comerciais ou pessoais, foco em seguros ou resseguro e possuem plataformas globais ou locais.

As seguradoras individuais atuam em  nichos específicos, com ofertas construídas para canais específicos de vendas e grupos de pessoas com o mesmo interesse, como praticantes de esportes radicais, apaixonados por eletrônicos, viajantes, gourmets, apreciadores de vinhos entre outros tantos grupos de pessoas que têm alguma paixão em comum. Como exemplo são citadas a Lemonade ou a Metromile, entre outras tantas.

O processo de transformação digital é algo que inúmeras consultorias tentam vender para as seguradoras, que se questionam a todo instante sobre como evoluir para ser uma seguradora mais competitiva, inovando em produtos e serviços e assim manter a liderança.  Ou seja: como rentabilizar o relacionamento de longo prazo com cada clientes, baseado na entrega do produto e serviço.

O  estudo da Strategy segue um cronograma que começa com a jornada, que varia de setor para setor, em termos de intensidade e modelo. Pode ocorrer dentro do setor ou na cadeia, explica o estudo. O segundo passo é o “In out” ,que ocorre dentro e fora da empresa. O terceiro é o cliente como centro de todo o processo decisório. Dimensões que tomam as inovações considerando aspectos mercadológicos, gerenciais, tecnológicos e culturais. Novas competências, inovação e finalmente o uso, na prática, de todos as filosofias dos processos anteriores.

O estudo levantou sete categorias de seguradoras, de acordo com as estratégias adotadas até agora. Cita nomes, que podem ser consultados diretamente no levantamento. Por considerar que meu leitor é curioso, deixarei o suspense, para que aproveite e leia o estudo na íntegra, com mais detalhes do que este post traz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma coisa é certa: há poucos consumidores zumbis. A maior parte hoje tem alvo certo: o próprio bolso. Tanto é verdade que é ele que impõe o ritmo de mudança num setor, que viveu até hoje de seguros quase que obrigatórios diante da instauração social. Por se sentirem reféns das ineficiências do Estado, muitos consumidores se tornam clientes de seguradoras por se sentirem obrigados a comprar seguro de carro e de saúde, os mais vendidos no país, mesmo que as coberturas não atendam suas necessidades específicas.

Boa parte do crescimento do segmento vida, por exemplo, veio da venda do seguro prestamista atrelado ao crédito.  Seguro viagem também avançou pois vários países exigem que o turista tenha uma apólice em mãos. Fora isso, o crescimento tem sido tímido. O consumidor até se encanta com seguros para proteger o celular, plano de saúde para o animal de estimação, diária para dias em que precisar ficar internado, apólice que paga indenização por danos não intencionais causados a terceiros, ou que garantem o pagamento da escola em caso de desemprego ou uma aposentadoria mais digna. Porém, muitas vezes o valor cobrado por tais proteções não cabem no orçamento.

A boa nova é que novidades surgem com mais frequência e o consumidor tem a tecnologia para pesquisar o que lhe traz benefício e conveniência por um preço que caiba no bolso. E também pode aprender a se planejar, como eu. Sou uma consumidora exigente e com orçamento apertado, o que me motiva a pesquisar, analisar e gerenciar riscos.

Depois de uma conversa com a família, decidimos cancelar o plano de saúde por um ano. Todos optaram por gerenciar o risco de ficar doente cuidando da saúde com a ajuda de aplicativos. Em caso de emergência, tínhamos na manga um hospital do SUS recuperado por uma administração eficiente: a Santa Casa de São Paulo. Para consultas, usamos — apenas duas vezes –, a rede de clínicas populares Dr. Consulta. Nos surpreendemos com a qualidade dos profissionais e dos serviços prestados.

Para quem não nasceu rico, a saída é economizar para investir num futuro melhor. Bom se pudesse ter tudo, mas a renda das famílias está em queda em todo o mundo. Na minha família, economizamos mais de R$ 21 mil com a suspensão do plano de saúde por um ano. Valor que foi investido em dois cursos educacionais. Minha filha foi conhecer universidades na Alemanha e eu aprofundar meus conhecimentos em seguros em Londres:

Para 2018, a aposta será ampliada para o seguro de vida, de casa, de carro. Estamos de olho no que é ofertado no mercado. Vida mantivemos, pois temos uma filha menor. Residencial cancelamos pois não achamos uma oferta adequada para nosso perfil. Temos um engenheiro na família que presta todo o serviço de assistência no apartamento.

De carro contratamos o menor preço trazido pelo corretor. Pesou ser uma das maiores seguradoras do mercado e apostarmos que a hashtag #semprecomvoce é verdadeira. Se não for, Reclame Aqui e colunas de defesas do consumidor nela. No próximo ano essa despesa será cortada pelo menos pela metade: vendermos um dos carros e manteremos apenas um. Vamos de Uber, de bike, à pé, de ônibus e de metrô.

Outra economia será com seguro viagem. Em vez de comprar uma apólice para cada viagem internacional, vamos manter na Europa uma apólice internacional anual, que cobre todas as viagens do ano. Vale ressaltar que essa apólice anual internacional vendida só fora do Brasil tem o mesmo custo da apólice para uma única viagem feita aqui. Vale conferir as novidades e a legalidade de cada uma delas. É preciso consultar um corretor que certamente pode facilitar a compra.

O seguro saúde também promete novidades. Vamos acompanhar para o que vem de novo por ai. Certamente pagar R$ 3 mil por mês para uma família de três pessoas para ter atendimento de urgência em um hospital de segunda linha não é viável. Exames e consultas não são prioridades para nós, que nos acostumamos às clínicas populares com custo menor de R$ 1 mil pelo checkup anual. Várias startups de corretores estudam abrir um escritório em alguma cidade no centro financeiro de um país para vender seguro de saúde que dá direito basicamente a dois hospitais no Brasil: Albert Einstein e Sírio Libanês, entre os mais renomados do país. Vamos aguardar, pois o risco neste produto é grande ainda.

E assim como eu, boa parte da classe média, principal faixa econômica que compõe a base de clientes das seguradoras, tem como meta investir o suado dinheiro conquistado em viagem, estudo, empreendedorismo. Ou seja: investir em si e o colocar o conhecimento adquirido à disposição do mundo. É com esse perfil de consumidor que a seguradora digital vai trabalhar. O tempo de imposição ficou para trás. Agora é “juntos”.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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