mercado

Rede de supermercado Tesco às voltas com indenizações de £ 4 bi

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

O assunto do dia nesta quarta-feira no mercado segurador londrino foi sobre a rede inglesa de supermercados Tesco, que enfrenta uma demanda de até £ 4 bilhões (US$ 5,6 bilhões) em salários atrasados de milhares de trabalhadoras, principalmente mulheres, no que poderia se tornar o maior pedido de indenização trabalhista do país.

Um escritório de advocacia lançou ações legais em nome de quase 100 assistentes de lojas que dizem ganhar mais de £ 3 por hora menos do que os trabalhadores masculinos de armazém em funções similares. Até 200 mil funcionários da loja poderiam ser afetados pela reivindicação, o que custaria à Tesco até £ 20 mil por trabalhador em pagamento atrasado ao longo de pelo menos seis anos.

A equipe do armazém da Tesco ganha entre £ 8,50 por hora até mais de £ 11 por hora, enquanto a equipe da loja ganha cerca de £ 8 por hora no pagamento básico, de acordo com o pedido. A disparidade poderia significar que um trabalhador de distribuição período integral ganhou mais de £ 5 mil por ano mais do que a equipe baseada em lojas.

Segundo fontes, esse é um tipo de risco que muitas empresas estão expostas, mas poucas acreditam que possa acontecer algo como visto com a rede de supermercados Tesco. Os corretores receberam diversos questionamentos de clientes para entenderem se o programa de seguros de suas empresas cobre esse tipo de risco.

Vinicius: “Ter grupos de funcionários dedicados à promover um ambiente igualitário inclusive auxilia a empresa toda a dar mais atenção ao assunto e corrigir potenciais condutas negativas”

Vinicius Mercado, subscritor sênior de linhas financeiras da AIG, explica que o seguro de Práticas Trabalhistas Indevidas (EPL – Employment Practices Liability) cobre danos morais em processos como esses, em que há alguma alegação de tratamento indevido ou discriminatório. “A apólice oferece cobertura, inclusive, para casos de assédio moral, invasão de privacidade do funcionário, difamação, e privação de oportunidades”, explica o subscritor de riscos. Embora não cubra a equiparação salarial, o seguro fornece proteção para os danos morais de responsabilidade da empresa, que geralmente acompanha esses casos. “Temos visto na mídia um aumento notícias relacionadas a assédio moral e sexual em empresas nos EUA, e em especial na Califórnia.”

Segundo o executivo da AIG, a principal forma de evitar situações como essas é cumprir a legislação trabalhista local, primando pela equidade salarial. Uma política efetiva de gestão de pessoas pode evitar reclamações como essas. Além disso, tem sido cada mais crescente ver nas empresas um foco maior com o tema da diversidade e inclusão. “Ter grupos de funcionários dedicados à promover um ambiente igualitário inclusive auxilia a empresa toda a dar mais atenção ao assunto e corrigir potenciais condutas negativas.”

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

Deixar um comentário