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Marcio Coriolano e Christopher Garman debatem conjuntura brasileira

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Fonte: CNseg

A perspectiva de crescimento econômico em 2018, os efeitos do ano eleitoral, o perfil dos candidatos à disputa presidencial, a volta do apetite do investidor estrangeiro são alguns dos assuntos discutidos em novo episódio do programa “Papo Seguro Especial”, do Canal Seguro, no YouTube. Desta vez, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Marcio Serôa de Araujo Coriolano, entrevista o cientista político Christopher Garman, diretor-executivo do Grupo Eurásia para as Américas.

Marcio Coriolano lembra que, há alguns anos, o Brasil viveu um crescimento vigoroso antes da profunda crise em que mergulhou o País, perguntando a Garman as razões da profunda recessão superada apenas neste ano. Para o cientista político, a resposta está em uma conjunção de fatores. O Brasil, assim como outros países emergentes, se beneficiou com o alto preço das commodities no mercado mundial, algo que teve relação direta com o forte crescimento da China, antes da desaceleração da economia asiática. “Mas, ao mesmo tempo, as decisões tomadas por vários governos brasileiros, principalmente pelo ex-presidente Lula e pela ex-presidente Dilma Rousseff, exacerbaram um problema estrutural que iria estourar em algum momento”, explica o cientista político.

Ele afirma que a crise fiscal, uma decorrência de gastos públicos crescentes nos últimos 30 anos, uniu-se à crise política e aos recentes escândalos de corrupção. “Isso fez com que a crise no Brasil fosse muito mais dramática do que em outros países que também sofreram com a queda dos preços das commodities, à medida que a China começou a desacelerar e isso levou a um período de desencanto com o Brasil”, esclarece Garman.

Porém, o momento atual é de uma volta do otimismo, como afirma o diretor-executivo, uma vez que há muitos investidores interessados no Brasil, uma sinalização de que a profunda crise econômica está chegando ao fim. “Nós estamos em um ciclo de reformas transformativas, pois grandes crises geram grandes reformas. É claro que o grande nó fiscal ainda tem que ser atacado e temos um leque de reformas microeconômicas que estão dando grandes oportunidades para investimentos em setores regulados da economia. Os investidores estão de olho também em 2018”, afirma Christopher.

Marcio Coriolano reconhece que o País tem mostrado uma resiliência formidável no plano econômico este ano, ainda que o quadro político continue conturbado. Mas este ambiente produz incerteza em torno do prosseguimento das reformas propostas pelo atual governo em 2018.

Para Garman, a crise política do atual presidente Michel Temer e o escândalo da empresa JBS frustraram uma ampla Reforma da Previdência. “Talvez uma reforma mais enxuta possa ser aprovada e há uma grande expectativa de que ela aconteça após as próximas eleições. O problema é que a reforma é impopular, ou seja, os eleitores estão com muita raiva da classe política. Por isso, creio que não seja uma demanda para um candidato reformista, e sim para um candidato que represente algo diferente do que está aí”, explica o cientista.
Em seguida, os executivos fazem uma análise sobre os possíveis candidatos à presidência da República e a possiblidade da aprovação de reformas estruturais na economia brasileira.

O novo episódio está disponível no Youtube

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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