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InsurTech é tendência para inovação das seguradoras, confirma estudo da Aon

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

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Com o objetivo de ajudar a estabelecer novas diretrizes para o mercado segurador, a consultoria e corretora de seguros Aon elaborou o relatório global – Oportunidades do Mercado de Seguros (GIMO) lançado globalmente em novembro. O estudo é direcionado ao mercado segurador e tem como objetivo incentivar e direcionar novos produtos e serviços através do apontamento de tendências. Realizado anualmente, o levantamento é um cruzamento de dados de setores importantes da economia, áreas de crescimento e tendências de inovação para as seguradoras. O estudo apontou que as InsurTechs, tecnologias que mudam a forma que os consumidores contratam seguros, serão um facilitador para o setor, e não um obstáculo, como muitas empresas temiam.

Esse segmento está crescendo rapidamente, já tendo recebido aproximadamente US$ 14 bilhões em investimentos até o momento, em mais de 550 startups de todo o mundo. O seu papel pode ser mais relevante do que as seguradoras imaginavam anteriormente, graças à inovação em arquitetura aberta. “Por meio de uma estrutura que oferece os padrões de soluções e a flexibilidade necessária à inovação empresarial, as grandes organizações podem ajudar a potencializar essas inovações”, diz Yves Lima, diretor de Resseguros da Aon Brasil.

O relatório mostrou também que três modalidades de seguro têm um potencial de crescimento maior nos próximos anos: risco cibernético, de catástrofes e doenças infecciosas. Esses segmentos, podem se tornar cada vez mais seguráveis com a cooperação das InsurTechs e de outras empresas de tecnologia e análise. “Essa parceria vai gerar novas oportunidades para que as seguradoras e resseguradoras possam oferecer produtos novos e melhores”, acredita o executivo da Aon.

O estudo também aborda as oportunidades de quebras de paradigmas da economia colaborativa. O aumento da utilização de serviços como o Uber e o Airbnb obriga o setor de seguros tradicional a reconhecer que itens como veículos e residências cada vez mais são utilizados tanto no âmbito comercial quanto pessoal.

Em termos de ruptura de negócios, o relatório destaca que o volume de prêmio oriundo de seguros tradicionais para veículos nos EUA deve cair mais de 40% entre 2015 e 2050, quando veículos autônomos deverão estar totalmente desenvolvidos. Esse processo vai gerar uma nova discussão no mercado segurador. Ao mesmo tempo em que se prevê que menos acidentes ocorram, o estudo adverte que a gravidade de eventuais acidentes poderia aumentar, com uma transferência de responsabilidade, anteriormente dos condutores passando às montadoras e aos fornecedores de software.

“Sabemos que o mercado de seguros está enfrentando dificuldades no ambiente macroeconômico atual, assim, devemos esperar que as líderes do setor promovam mudanças. Já estamos aplicando novas ferramentas tecnológicas para aumentar nossa eficiência em consultoria e corretagem e expandir a participação nos mercados de risco emergentes. Por outro lado, a verdadeira transformação só vai acontecer quando reinventarmos completamente o modelo de gerenciamento de riscos. Nesse novo ambiente, todas as contribuições, ou aquilo que chamamos de inovação em arquitetura aberta, serão fundamentais para nosso real ganho líquido”, afirma Yves Lima.

O relatório também contém análises aprofundadas sobre riscos cibernético, revelando que a abordagem do segmento vai além do seguro tradicional. Além de apontar que uma política adequada de seguro deverá incluir acesso a diversos provedores de serviços para incidentes específicos e serviços adicionais. “Esses serviços, sejam eles prestados diretamente de empresas ou parcerias, deverão oferecer às seguradoras um meio de expandir sua proposta de valor, além da linha de seguro tradicional”, conclui.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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