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BrasilPrev aposta na tecnologia e na sofisticação de gestão de ativos para conquistar investidores

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Ampliar consultoria aos clientes, apresentar novidades em serviços, atuação maior em canais digitais e geração de novos conteúdos. Essas são os quatro pilares da estratégia de 2018 da BrasiPrev, que tem como sócios a BB Seguridade, holding de seguros do Banco do Brasil, e a americana Principal, segundo disse Paulo Valle, presidente da Brasilprev, em encontro com jornalistas ontem. Na verdade, esse é o pano de fundo que vai atender a uma demanda crescente de pessoas que despertam para a importância de ter uma reserva financeira para a aposentadoria diante dos debates da Reforma da Previdência, tema que ganhou as manchetes das mídias em 2017.

“O ganho principal da discussão da reforma da Previdência é o entendimento de que a questão da aposentadoria não é só um problema do Brasil e que a aposentadoria social não é sustentável”, disse Valle aos jornalistas. Para ele, mesmo que o governo não vença a batalha que tem travado com o Congresso para colocar a reforma em pauta e votá-la ainda neste ano, o trabalho terá de ser feito e num curto espaço de tempo.

“A questão previdenciária é urgente no mundo, principalmente em vários países da Europa. Vimos recentemente o caso da Grécia e o Brasil tem um sério problema do déficit. Se a reforma não for feita, poderá comprometer o pagamento de aposentados. Pelo menos a idade mínima é algo que precisa mudar, uma vez que o país é um dos poucos em que a aposentadoria social se dá abaixo dos 60 anos”, enfatizou.

No fim de semana, por exemplo, o presidente Michel Temer disse que se não for neste mês, certamente a reforma será votada no início de 2018. Valle, no entanto, afirma que as empresas privadas de planos de previdência colhem o fruto do debate, que a cada dia conscientiza mais pessoas sobre a importância de se planejar para o futuro, tanto financeiramente como também cuidando da saúde.

Para atender a essa demanda de pessoas que busca uma proteção, a Brasilprev aposta na educação financeira, com disseminação de estudos, pesquisas e produtos do grupo nas redes sociais. Quando o cliente chega ao grupo, encontra uma plataforma digital interativa na qual pode fazer simulações, conhecer melhor os produtos e consultar especialistas. Outra novidade e o aplicativo Brasilprev, que estará disponível ainda neste mês, com foco em projetos de vida e também permitirá a consulta de saldos e extrato do plano. O grupo também adere a robôs para atender clientes. A SIL, com referencia a palavra BraSIL, é a consultora digital que atenderá investidores via computador, smartphone e tablets.

“As pessoas sabem que com a queda de juros vão ter de mudar seus investimentos, com juro real abaixo de 3% ao ano com a Selic a 7% ao ano, desde a semana passada. Por isso lançamos em meados de setembro uma nova família de fundos”, contou. Entre os produtos disponíveis, o investidor encontra uma nova família de fundos, lançada em setembro. São fundos de renda fixa de longo prazo e multimercados, com estratégias diferenciadas. Entre elas, a opção de investimento no exterior, que começou a vigorar em setembro, quando a Superintendência de Seguros Privados (Susep) aprovou a resolução 4.444. “Em dois meses captamos mais de R$ 3 bilhões nos fundos novos, o que mostra a boa receptividade da nossa iniciativa”, comemora. Em captação líquida considerando toda a base de fundos administrado pelo grupo, o resultado até novembro foi de R$ 16 bilhões.

Valle destaca a importância dos debates realizados com outras entidades, como FenaPrevi, CNseg e Anbima. “Temos em pauta temas de grande importância para facilitar a inclusão de pessoas no segmento de previdência complementar”, disse. Um deles é o estímulo para que mais empresas ofertam planos abertos para seus funcionários.

“Seria importante a adesão automática dos colaboradores nos contratos corporativos, com aumento gradual, obedecendo ao ciclo de vida das pessoas, que hoje difere muito do visto na última década. Antes as pessoas entravam em um empresa, ficavam anos, casavam, tinham filhos e se aposentavam. A realidade hoje é totalmente diferente. As pessoas entram e saem, não casam e nem filhos querem ter. Não pensam muito mais em ter casas, carros. Mas querem períodos sabáticos. E a previdência busca atender a essas novas necessidades com produtos que oferecem prazos e rentabilidades diferenciadas”, comentou.

O grupo aposta no grande potencial do Brasil, que ainda tem uma poupança previdenciária muito aquém de países desenvolvidos. “O potencial de vendas dentro do grupo e também para outros investidores é gigantesco. Estamos trabalhando para levar elevar a penetração de produtos previdenciários e assim manter um crescimento mais sustentável das famílias”, comentou. Hoje o grupo tem 250 mil clientes provenientes de empresas que são clientes.

Um dado que mensura o potencial da BrasilPrevi é a penetração na base de clientes do BB, o principal canal de distribuição de seus produtos. Atualmente, o BB soma 65,7 milhões de clientes entre correntistas, portadores de cartões, beneficiários de previdencia social e que recebem salários por meio do banco, entre outros. Desses, 36,6 milhões são correntistas, dos quais em torno de 2 milhões têm um plano de previdência privada com a Brasilprev, respondendo por 5,5% da base.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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