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2018 será mais difícil do que foi 2017, prevê CEO da SulAmérica

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

2018 será mais difícil do que foi 2017. Essa é a previsão do CEO da SulAmérica para o próximo ano, marcado pela política, com eleições presidenciais. “Acredito que teremos muitos desafios e muito trabalho pela frente para termos a recompensa de viver no Brasil que queremos. Já avançamos neste ano e temos hoje inflação controlada, taxa de juro menor e desemprego em queda. Para completar, só falta o investimento avançar. Neste período, o mercado, como todos nós, precisamos conviver com taxas de juros menores, o que traz um desafio extra para todos. Teremos mais volatilidade, mais especulações e muito mais trabalho para entregar ao acionista crescimento com rentabilidade”, comentou Gabriel Portella, durante almoço com jornalistas, nesta terça-feira, em São Paulo.

Ele lembrou que o mercado segurador cresceu nos últimos dois anos, apesar da recessão que o Brasil enfrenta. “2017 também entregamos o que estava acordado com o acionista, apesar de todos os segmentos nos quais atuamos, como saúde, seguro de carro, previdência e títulos de capitalização, terem sido afetados pela crise econômica”, citou.

Saúde, carro chefe da SulAmérica, sofre com a queda de receita pela perda de clientes motivada especialmente pelo desemprego. Por outro lado, a judicialização está em patamares elevados, com clientes vencendo disputas mesmo sem ter direito a cobertura contratada, assim como os custos médicos avançam muito acima da inflação de preços. Além disso, saúde suplementar enfrenta um amplo debate no Congresso Nacional para mudanças no arcabouço regulatório de 1999, com algumas mudanças preocupantes, como a obrigatoriedade das empresas ofertarem planos individuais, que praticamente não é ofertado há anos, e parcelamento do reajuste dos idosos.

“A saída foi crescer diversificando produtos, serviços e canais de vendas com inovação, como o reembolso digital, o aplicativo “pediatra em casa”, lançamento do apólice de seguro dental individual e investimento em programas de prevenção e de qualidade de vida”, enumerou. Segundo ele, a carteira de odonto, que há sete anos era de 80 mil vidas, deve encerrar 2017 com 1 milhão de beneficiários.

O ramo de automóvel, segunda maior carteira do grupo que completou neste mês 122 anos e 10 anos que está na bolsa, também foi privilegiado com inovação como a telemetria, que visa atrair corretores e clientes pelas facilidades e preços mais justos para os perfis de clientes. Mas o resultado da carteira sente o aumento da violência. Um desejo de Portella é que a Segurança Nacional seja mantida no Rio de Janeiro pelo menos até a realização da Copa 2018. “O acordo entre governo federal e carioca termina em dezembro, mas estamos torcendo para que ele seja prorrogado”, disse.

No segmento de pequenas e médias empresas, Portella destacou a ampliação da oferta para diversos nichos da economia, tornando o produto mais assertivo para cobrir as necessidades dos empresários, com coberturas específicas para 15 tipos de negócios, de pet shops a lojas de roupas.

Capitalização, segundo Portella, sofreu com a crise do mercado imobiliário. “O segmento passa por uma discussão da regulação, mas o que afetou o desempenho do segmento foi a crise imobiliária, pois o título que substitui o fiador era a grande aposta de crescimento”.

Previdência é um segmento que ganha com as discussões em torno da reforma da Previdência, mas que amargou saques com a migração de recursos para fundos de renda fixa, com investidores buscando rentabilidade melhor. “Com a queda dos juros essa tendência já começou a ser revertida e acreditamos que é um segmento promissor diante da conscientização da população da urgência em guardar recursos para o futuro”.

A diversificação e a inovação seguirão dando o norte para a centenária seguradora no próximo ano, que busca encantar o consumidor para que ele tenha a companhia sempre em sua primeira opção de compra de produtos e serviços.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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