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Wiz divulga resultados fortes, mas analistas estão atentos a negociação com a Caixa

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

A Wiz, corretora de seguros da Caixa, divulgou lucro líquido de R$ 51 milhões no terceiro trimestre deste ano, 38% acima do resultado obtido em mesmo período do ano anterior. Segundo o balanço, disponível no portal do grupo, o crescimento foi impulsionado por bons resultados da venda bancassurance, ou seja, por meio do canal bancário Caixa. Além disso, foi a primeira contribuição da Finanseg, recentemente adquirida, somando R$ 16 milhões na receita líquida no terceiro trimestre.

“Apesar dos bons resultados, as incertezas quanto às renegociações de contratos com a Caixa Econômica Federal (CEF) ainda permanecem em vigor e devem pesar sobre o nome no curto prazo”, comentam os analistas da BBI Investimentos, em relatório divulgado para clientes, mas que o blog Sonho Seguro teve acesso. Além disso, notícias recentes sobre as restrições de capital da Caixa anunciadas na mídia na semana passada, poderiam aumentar a incerteza sobre o crescimento futuro das operações bancárias e de seguros. “No entanto, mantemos a nossa classificação Outperform, pois acreditamos que a avaliação atual já incorpora a maior parte disso”, afirmam os analistas.

No relatório divulgado em outubro os analistas citam a ZIM, plataforma lançada em parceria com a Federação dos Corretores (Fenacor). Nele, os analistas do BBI avaliaram o lançamento da ZIM como sendo um movimento estratégico interessante. “Pode ser uma nova fonte de crescimento no futuro, mas ganhar escala será um grande desafio. Os lucros provavelmente não serão significativos no curto prazo, podendo aparecer somente em 18 a 24 meses”, afirma o relatório.

O relatório avalia que ao trazer inclusão digital para um mercado fragmentado, a ZIM tem como objetivo promover e incorporar a inclusão digital para pequenas empresas de corretagem. Seu alvo potencial são 109 mil corretores, “que são altamente fragmentados, não capitalizados e sem tecnologia adequada”, informa o relatório do BBI. A ZIM pretende aumentar o uso de tecnologia, redes sociais e grandes dados para melhorar o alcance desses corretores e sua qualidade de serviço. Além disso, um dos seus objetivos é reduzir a ineficiência do segmento, uma vez que atualmente 65% do tempo dos corretores são alocados para atividades, processos e trabalhos de papelaria, acrescentam os analistas.

Atrair o tráfego para a plataforma será um desafio, segundo o estudo. O principal desafio para garantir o sucesso do produto é estabelecer uma escala para a plataforma através de downloads de aplicativos. Nesse sentido, segue o analista, a ZIM deve demonstrar sua proposição de valor a diferentes jogadores neste meio ambiente: os corretores que estão mostrando alguma resistência para se juntar à plataforma – devido a preocupações com a perda de seus clientes para Wiz ou Caixa; os clientes de corretores; e as empresas de seguros que podem ver a ZIM como concorrente de seus próprios canais digitais.

“Vemos o lançamento da ZIM como positivo, pois poderia trazer uma fonte adicional de crescimento no futuro. Além disso, reforça a recente estratégia da Wiz de se posicionar como um provedor de serviços de seguros tecnológicos em vez de um corretor de seguros regular. No entanto, a empresa observou que a plataforma provavelmente não gerará lucros significativos antes de 18 a 24 meses. Além disso, acreditamos que a atenção dos investidores continuará focada nas renegociações dos contratos da Caixa Seguros, para continuar com a preferência no canal bancário do banco estatal.

Nesta semana o Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo e também do Rio de Janeiro promoveram debates sobre a Zim com o objetivo de esclarecer questões polêmicas entre os profissionais da categoria, entre elas a participação da Youse entre os acionistas da Wiz. “A Caixa Seguradora, dona da Youse, não tem vínculo societário com a Wiz, é apenas um investidor: possui 25% de suas ações, o que não permite que haja nenhuma interferência em sua gestão, muito menos troca de dados entre as duas”, afirmou Everton Peixoto, da Wiz.

O presidente da Fenacor, Armando Vergilio, garantiu que Federação tomou todos os cuidados jurídicos antes de fechar a parceira para garantir a total privacidade dos dados, além de exigir uma apólice de seguro para qualquer quebra de contrato ou vazamento de dados. “Como será a vida do corretor se ele precisar baixar as plataformas de cada seguradora? Isso não simplifica sua vida, e sim o contrário. Por isso buscamos essa solução”. Ele frisou também que a utilização do Zim é opcional, portanto, o corretor pode escolher não aderir. Mas acredita que ele precisará buscar, então, alguma outra ferramenta do tipo. “Nós não vamos vencer a tecnologia, temos que nos aliar a ela”, avaliou.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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