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O que achou da plataforma ZIM, da WIZ, corretor?

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

A WIZ, antiga Par Corretora, levou um baque em 10 de agosto, quando a acionista Caixa Seguradora comunicou à francesa CNP Assurances a decisão de encerrar em 14 de fevereiro de 2021 o acordo operacional que disciplina o acesso exclusivo por parte da Caixa Seguros Holdings e suas controladas à rede de distribuição da Caixa. No dia seguinte ao anúncio, o valor do papel despencou quase 20%.

No dia 30 de setembro, a Caixa Seguridade e CNP Assurance assinaram um memorando de entendimento, no qual não ficou claro se ele beneficia ou não a corretora. Por isso, as ações seguiram na direção de queda, com baixa de 4% no dia do anúncio.

Uma saída rápida e estratégica foi criar uma plataforma de vendas para os corretores, a ZIM, anunciada no 20o. Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, por Armando Vergilio, presidente da Federação Nacional dos Corretores (Fenacor) e João Silveira, CEO da Wiz.

Vários corretores expressaram desconfiança e decepção com tal parceria. Vários grupos de WhatsApp foram criados para dar vazão as expressões de contrariedade. Vou poupar todos desses detalhes. Mas vou escrever um resumo do que boa parte deles me disse sobre o tema.

“Assustada com a perda do balcão da Caixa diante das negociações com a francesa CNP que ficou com vida, previdência, prestamista e consórcios, e também com as tratativas de bancos que buscam atrair novos players para exploração do canal bancário para venda de seguro automóvel, patrimonial e habitacional, a Wiz decidiu criar um novo mercado para mostrar aos analistas e assim estancar a desvalorização das ações. Diz a eles que caso venha a perder o balção Caixa, tem agora potenciais 70 mil corretores (número que deverá cair bem após o fim do recadastramento da Susep), principais canais de distribuição das seguradoras. Só que temos no mercado outras plataformas, independentes, que no último ano lutam para conquistar o reticente corretor. Imagina apostar que eles vão aderir a uma plataforma que tem a Caixa, acionista da Youse, na composição acionária? Achamos difícil, mas …”.

Release divulgado pela Fenacor afirma que a federação “sempre trabalha acreditando que os corretores de seguros são, por vocação, profissionais que não temem inovar. Dessa forma, surgiu a parceria com a WIZ que está gerando o ZIM, a maior e melhor plataforma de inclusão digital e de negócios do País. Algo que permitirá ao corretor, de qualquer porte, de qualquer região do País, vender mais, fortalecer o seu relacionamento com os segurados e conquistar novos clientes, com a utilização de robustas e modernas ferramentas tecnológicas.”

A nota da Fenacor também afirma que a adesão e manutenção para as corretoras associadas a qualquer um dos Sincor’s filiados a Fenacor será gratuita por um bom tempo. Vai aderir quem quiser. E, se não gostar, pode desistir da adesão. “A Federação se assessorou de um grande escritório de advocacia especializado para formatar um contrato que assegura todas as garantias, preservação e segurança, além de várias proteções como a inviolabilidade de dados e informações para o corretor de seguros, inclusive e principalmente, preservando a integridade da sua carteira de clientes.”

Enfim, vamos acompanhar para ver como fica. Em tempo de economia digital e “disrupção”, tudo pode acontecer. Quem iria imaginar que o Spotify levaria gravadoras à falência, o Netflix acabaria com as locadoras de vídeos, que o Booking complicaria tanto a vida das agências de turismo, o OLX reduziria os classificados dos jornais e que o Nubank estremeceria o sistema bancário tradicional.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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