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A contratação de seguros é tratada como assunto estratégico na CPFL

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Cristina Weiss Tessari, coordenadora de seguros corporativos da CPL Energia, falou ao blog Sonho Seguro sobre gerenciamento de risco do grupo CPFL, considerada uma das maiores empresas do setor elétrico brasileiro. Veja abaixo os principais trechos da entrevista.

Está em moda o Road show para conscientizar acionistas sobre os riscos inerentes ao negócio. Sua empresa tem feito esses encontros?

A contratação de proteção securitária está solidificada na cultura do Grupo CPFL. Temos um Comitê Interno de Seguros, formado pela Equipe de Seguros Corporativos e por representantes indicados pelas vice-presidências responsáveis pela gestão dos ativos (infraestrutura, equipamentos elétricos, logística, etc). Nessas reuniões os riscos são mapeados e discutidos quais serão transferidos para o mercado segurador. A proximidade com os gestores dos diversos ativos do Grupo CPFL é importante para que a equipe de Seguros Corporativos realize o estudo dos riscos e das coberturas disponíveis no mercado de seguros. Durante o processo de colocação do risco, é realizado um roadshow com o mercado segurador e ressegurador, no qual é apresentada a estrutura do Grupo CPFL, a forma de gestão dos ativos e riscos, assim como as coberturas que desejam ser contratadas. A depender do tamanho/complexidade do risco, é elaborado um roadshow específico para a determinada apólice, pois, nesses casos especiais, demandam apresentação mais completa da estrutura de gestão do risco realizada pelo Grupo CPFL.

Como avalia a percepção dos acionistas?

A contratação de seguros é tratada como assunto estratégico e ferramenta de mitigação de risco. Os maiores riscos dependem do setor de atuação da empresa. Como o Grupo CPFL atua em todo segmento de energia (distribuição, comercialização, geração e serviços), é necessário criar soluções customizadas para cada tipo de negócio. Por exemplo, no caso das empresas de geração de energia, o risco é concentrado nas usinas. Porém, como são riscos de baixa frequência, as franquias precisam ser ajustadas. Para esse segmento, temos apólices importantes como de Riscos Operacionais e Responsabilidade Civil.

Quais os riscos que mais preocupam os acionistas?

Para os ativos das empresas distribuidoras de energia do Grupo, o risco é pulverizado, no qual os eventos de alta frequência e baixa severidade são absorvidos pela companhia. Os riscos transferidos para o mercado segurador são os identificados como média/baixa frequência e média/alta severidade. O balizador para identificar a transferência desses eventos ao mercado segurador é a franquia, que, nesses casos, é bem menor se comparada a franquia dos riscos das geradoras. Nesse caso, as apólices de Riscos Nomeados e também Responsabilidade Civil Geral possuem significativa relevância. As apólices de seguro garantia (para causas judicias, BID, performance e compra/venda de energia) são instrumentos frequentemente utilizados para todas as empresas do Grupo. Ademais, dos exemplos acima, o Grupo CPFL contrata apólices de Riscos de Engenharia, Responsabilidade Civil Obras, Responsabilidade Civil Ambiental e Transporte.

Nesta época de crise, quais as alternativas para programas de seguros de grandes riscos? Aumentar franquia? Seguir recomendações de segurança? Concentrar as apólices em uma única seguradora/resseguradora?

Mesmo com a crise vivenciada atualmente, o seguro para grandes riscos ainda apresenta taxas bem competitivas, embora as franquias apresentadas estejam cada vez mais elevadas. Para um Grupo como a CPFL Energia, com riscos muito diversificados de acordo com o segmento de atuação da empresa, procuramos parceiros experientes/credenciados em cada risco específico. Sempre atuando com seguradoras com solidez financeira (rating) e bom histórico no mercado. Um ponto de atenção é que as opções de seguradoras com apetite para grandes riscos diminuíram em decorrência de algumas fusões entre grupos seguradores.

Quais riscos o grupo tem como estratégia repassar para seguro?

É importante considerar que o seguro não deve ser considerado apenas como uma ferramenta de transferência de riscos às seguradoras, mas também como um aliado na gestão dos riscos, no qual é necessária uma proteção financeira para eventos súbitos e inesperados que ocorrem, mesmo sendo seguidas todas as recomendações de manutenção e protocolos de segurança. A melhor alternativa para uma boa colocação dos riscos no mercado segurador, considerando aspectos técnicos e comerciais, é o cuidado que a empresa demonstra na gestão dos seus ativos e responsabilidades. A baixa sinistralidade, resultado de manutenção preventiva dos ativos, é um dos itens mais importantes no momento da colocação de um risco.

Mercado segurador atende as necessidades de proteção de risco do grupo?

Sim.

Quais opta por fazer um auto seguro?

A frota operacional atualmente não possui cobertura securitária, embora a empresa esteja em constante avaliação sobre a viabilidade de contração de uma apólice específica para esse risco.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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