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Estudo da Zurich sinaliza o impacto do risco político no PIB mundial

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

Algumas organizações melhoraram significativamente na construção de suas avaliações de risco, mas ainda uma clara maioria das empresas não tem total visibilidade de sua gestão de risco político. Isso é o que revela o novo estudo “Our World Transformed: Geopolitical Shocks and Risks” (Nosso mundo transformado: choques e riscos geopolíticos), que está em sua terceira edição e resulta de uma colaboração entre o Zurich Insurance Group, o Atlantic Council, com sede em Washington, e o Pardee Center da Universidade de Denver. O estudo analisa os riscos globais e seus impactos no crescimento econômico global. O primeiro relatório, publicado em setembro de 2015, focou os riscos cibernéticos. Um segundo, sobre a evolução dos riscos demográficos, foi publicado em setembro de 2016.

O fracasso da governança nacional é colocado por executivos em 37 países entre os três principais para fazer negócios. Os choques e as surpresas dos últimos anos mostram quão facilmente as premissas sobre mercados liberais, relações internacionais, conflito e democracia podem ser abaladas. A volatilidade geopolítica tornou-se um fator chave da incerteza, e é esperado que ela permaneça nos próximos anos.

Em 2017, Zurich trabalhou com o Conselho Atlântico para desenvolver insights sobre os riscos selecionados com conseqüências geopolíticas e interconexões. No relatório, os estudiosos examinaminaram os riscos crescentes de protecionismo, crise energética e escassez de água e alimentos. Enquanto a ameaça de um crescente protecionismo é uma característica diária das notícias, uma crise energética resultante do agravamento da situação no Oriente Médio ou da disseminação da escassez de água também poderia perturbar o mundo.

Os riscos geopolíticos estão inter-relacionados e precisam de ser analisados ​​holisticamente no contexto de outros riscos. Entender as conexões entre os diferentes tipos de riscos é um passo vital para gerenciá-los e evitar surpresas, citam os autores do estudo. Existem numerosas interconexões exploradas no material divulgado: a escassez de água e de alimentos é talvez a mais inter-relacionada, mas a escalada das tensões China-EUA aumentaria muito o risco de protecionismo ea escassez de energia e água seria agravada pelo aumento das barreiras comerciais. Há também interconexões entre água e energia, na medida em que os sistemas de água exigem muitas vezes fontes de energia para poderem operar.

Cenários são um dispositivo crítico para mapear as formas de riscos podem balão em crises em grande escala. Os cenários podem mostrar como os riscos isolados podem desencadear dezenas de outros. Ninguém pode ignorar “grande impacto, mas pequena probabilidade” cenários. Com demasiada frequência, esses “cisnes negros” têm indelevelmente reformulado a paisagem geopolítica.

Para cada cenário, o estudo mede possíveis resultados em termos de consequências para o produto interno bruto global (PIB), a pobreza extrema, o crescimento da classe média ea estabilidade dos países – a nível global e, em casos específicos, em nível regional e nacional. No quadro é possível perceber que o avanço do protecionismo reduziria em US$ 18 trilhões do PIB global até 2035. Em outro quadro, os autores mostram que o crescimento do Brasil poderia perder até três pontos percentuais caso o aumento do protecionismo resulte em um conflito comercial aberto entre os Estados Unidos e a China.

A comparação dos cenários geopolíticos e dos seus impactos proporciona uma melhor percepção da escala dos diferentes riscos. O estudo concentra-se nos riscos globais. Mais conjuntos regionais de riscos – como a evolução da Europa – também poderiam ter consequências globais, mas foram excluídos, a fim de focalizar melhor os riscos globais em grande escala.

Ao concluir a análise de cada cenário, os autores deste estudo esboçaram possíveis estratégias de gerenciamento de risco que governos e empresas poderiam usar para mitigar as conseqüências negativas dos riscos. É importante que as empresas, bem como os governos, compreendam os gatilhos, as tendências e os cenários a serem observados e se preparem para as possíveis conseqüências de qualquer desses riscos. Isso deve ajudar os conselhos e gerentes de risco a entender melhor o impacto potencial de vários riscos geopolíticos sobre seus ativos financeiros e físicos, operações, incluindo cadeias de suprimentos e pessoas.

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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