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Não somos pagadores; somos compradores, diz presidente da FenaSaúde em alerta sobre escalada de custos em debate sobre OPME

Denise Bueno
Escrito por Denise Bueno

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“Aproximadamente 10% do total das despesas assistenciais refere-se a despesas com Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME)”, destaca a presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), Solange Beatriz Palheiro Mendes, chamando a atenção para o acelerado crescimento dos custos desse segmento. A afirmação foi durante encontro de lideranças do setor no ‘4º Fórum Saúde do Brasil: Transparência e Prevenção’, realizado nos dias 27e 28 de março, em São Paulo.

A executiva participou do painel sobre OPME – pautado por discussões em torno da urgência de se tomar medidas concretas para coibir a atuação da chamada Máfia das Próteses. Segundo a presidente da FenaSaúde, na saúde suplementar a obrigatoriedade para a cobertura de OPME é somente para os procedimentos que necessitam de colocação ou retirada de produtos médicos implantáveis e que constam no Rol da ANS. E faz uma ressalva sobre a necessidade imperativa de adotar novas práticas e ações definitivas para combater a escalada e a alta dos preços.

“Temos que reduzir os custos já. Um parafuso pedicular, por exemplo, sai da fábrica custando U$ 100. O valor na comunidade europeia é de U$200 e no Brasil, U$2.000. Não somos pagadores; somos compradores. E como comprador daquele serviço, precisamos zelar por aquele mútuo, no qual todos vocês contribuem ao depositarem a mensalidade todo mês. Não posso pagar a conta cegamente”, analisa.

De acordo com Solange Beatriz, a saúde suplementar passa por um momento crítico. “Perdemos um 1,5 de vidas no ano passado. Este setor gastou cerca de R$ 130 bilhões pra dar atendimento a 50 milhões de pessoas e entregar 1,5 bilhão de procedimentos por ano. São 440 mil médicos e 1,5 milhão de profissionais de enfermagem que prestam serviços a mais de mil operadoras. Portanto, é um setor altamente complexo”, destaca.

Segundo a presidente da FenaSaúde, no caso das OPMEs, os maus profissionais devem ser afastados, embora a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) só regule os planos de saúde. “A lei só alcançou as operadoras de planos de saúde. Justamente o final dessa cadeia”, afirma.

A executiva também chama atenção para o relatório produzido pelo Grupo de Trabalho Interinstitucional sobre Órteses, Próteses e Materiais Especiais (GTI-OPME). “A grande responsabilidade está no médico que indica o material a ser usado. Urge que as Faculdades de Medicina se empenhem na formação desse profissional do ponto de vista humanista e comportamental. Não teremos saúde suplementar em pouco tempo, porque a população não conseguirá pagar esses custos acrescidos pelas más práticas de alguns desses profissionais”, concluiu.

Também participaram do debate, Pedro Ramos, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge); e Gláucio Pegurin Libório, presidente do Conselho de Administração do Instituto Ética Saúde. Pedro Ramos defende acordos feitos diretamente com a indústria, o que dificulta a má conduta de empresas que praticam preços extorsivos e que dão margem à corrupção. A Abramge, com apoio da FenaSaúde, processa, nos Estados Unidos, 11 companhias estrangeiras fornecedoras de produtos para a saúde. Já Glaucio Liborio considera que a corrupção no setor envolve não só médicos e distribuidores de produtos, mas também os hospitais e alguns planos de saúde.

O ´4º Fórum Saúde do Brasil: Transparência e Prevenção’ foi promovido pelo jornal Folha de São Paulo e patrocinado pela FenaSaúde, Amil e Abimed (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde).

Sobre a Autora

Denise Bueno

Denise Bueno

Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista da revista Apólice, especializada em seguros, e também do SindSeg-SP. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalizacao entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil.

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